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Calendário de balanços: o que esperar de Natura, Itaúsa e MBRF na semana

16 de Março de 2026, 07:13

A nova semana de resultados do quarto trimestre de 2025 terá a divulgação de grandes frigoríficos a companhias de infraestrutura.

Entre as gigantes que divulgam os números financeiros nos próximos dias estão Minerva e MBRF, do lado das proteínas animais, e Cemig e Taesa, entre as companhias de energia.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 16/03 a 20/03:

Segunda-feira (16 de março)

Natura (NTCO3)

A retração do consumo ao longo do ano é apontada como um dos riscos no curto prazo. O mercado de beleza no Brasil desacelerou, pressionado por juros altos e menor poder de compra. As vendas da Natura já vinham desacelerando em 2025, inclusive no seu principal mercado. Analistas veem demanda fraca no Brasil e em parte da América Latina como um obstáculo para a recuperação do crescimento após a reestruturação que terminou com a venda das operações da Avon fora da América Latina.

  • Estratégia: a Natura concluiu a venda da Avon Internacional no fim do ano passado, mas manteve a marca na América Latina sob seu guarda-chuva. O foco da companhia para este ano é o projeto “Onda 2”, que integra as forças de vendas da Natura e Avon AL para reduzir custos logísticos e de marketing.
  • Foco regional: após voltar atrás na ambição global, o grupo passou a concentrar os esforços na ampliação dos mercados no Brasil e América Latina, que respondem por cerca de 85% das vendas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend yield em 2026 (consenso): sem consenso

Itaúsa (ITSA3 e ITSA4)

O principal desafio estrutural da holding continua sendo sua concentração no Itaú Unibanco. O banco representa mais de 90% do resultado econômico da Itaúsa. Isso significa que o desempenho da holding está quase totalmente ligado ao ciclo do banco.

  • Estratégia: tem concentrado esforços da gestão de passivos no alongamento de prazos. A holding foca em reduzir custos financeiros para liberar mais caixa para dividendos.
  • Ativos: estratégia da empresa tem sido manter o Itaú Unibanco como principal gerador de lucros, mas ampliando investimentos em empresas não financeiras. O portfólio da holding atual reúne participações na companhia de materiais de construção Dexco, na Alpargatas, que é dona da Havaianas, na companhia de infraestrutura Motiva (ex-CCR), na Aegea Saneamento, na Copa Energia e na NTS, especializada em gás natural.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 16 (ITSA4) e R$ 13,20 (ITSA3). Dividend yield em 2026 (consenso): 10%.

Terça-feira (17 de março)

Taesa (TAEE11)

Analistas apontam preocupação com o aumento da dívida da companhia. O nível de dívida chegou a mais de 4 vezes a métrica de dívida líquida/Ebitda em 2025, acima do nível considerado confortável para transmissoras de 2,5 vezes. Isso pode gerar percepção de risco de execução. A empresa precisa reduzir a alavancagem e aumentar a geração de caixa.

  • Alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda gira em torno de 3,8 vezes. Não precisa de capitalização, mas tem pouco espaço para aumento de investimentos e de custos.
  • Proventos: continua sendo uma das favoritas do mercado. Seus contratos são corrigidos pela inflação, garantindo um rendimento real constante.
  • Estratégia: o endividamento tem crescido justamente devido ao momento de investimento em novas concessões, que são feitos por meio de dívidas antes de começarem a gerar caixa.
  • O que monitorar: Precisa ser agressiva em novos leilões de transmissão para repor a receita de concessões que vencerão nos próximos anos.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 37,70. Dividend yield em 2026 (consenso): 8%

Quarta-feira (18 de março)

Minerva (BEEF3)

Analistas projetam que 2026 deve ser um período mais difícil para o ciclo da carne bovina, que pode ficar negativo na oferta e demanda, com margens pressionadas em parte da cadeia. A Minerva, por sua vez, é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado externo. Mudanças nas cotas de importação da China podem impactar preços e demanda.

  • Alavancagem: saltou com a compra de ativos da Marfrig na Argentina por R$ 7,5 bilhões. O nível de endividamento medido pela relação entre dívida líquida e ebitda subiu para 2,5 vezes no terceiro trimestre de 2025, patamar que acende uma luz amarela.
  • Estratégias: reduzir despesas financeiras pesadas por meio geração de caixa operacional. Foco em vender estoque e integrar rapidamente as plantas adquiridas da Marfrig na Argentina para capturar margem.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 7,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 3,80%.

MBRF (BRFS3)

O principal desafio é integrar as operações da Marfrig e da BRF, após a fusão que resultou na MBRF, concretizada em setembro de 2025. O sucesso da nova empresa depende em parte da captura de sinergias operacionais. Analistas estimam sinergias potenciais de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A fusão criou uma companhia com maior complexidade operacional, mas presença global e forte atuação em todas as áreas de proteína animal.

  • Estratégia: Programa “BRF+”, focado em eficiência fabril e redução de desperdícios de grãos. Em termos de endividamento, a companhia vive uma situação confortável com o nível medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 1 vez – o mercado enxerga como patamares saudáveis múltiplos abaixo de 2 vezes.
  • Mercados internacionais: a criação da Sadia Halal, no fim de 2025, é uma sociedade entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do PIF – o maior fundo soberano do mundo – estruturada para atender o mercado de alimentos halal da Arábia Saudita e do Golfo.
  • Ativos: Pode buscar aquisições pontuais no mercado de “pet food” ou produtos processados de maior valor agregado.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,80. Dividend yield em 2026 (consenso): 33%.

Quinta-feira (19 de março)

Cemig (CMIG3 e CMIG4)

Controlada pelo governo de Minas Gerais, a Cemig tem o risco político associado ao acionista como um fator relevante para o rating de crédito e a avaliação da empresa. A migração de consumidores para a geração distribuída e o mercado livre pode afetar o segmento de distribuição no médio e longo prazos. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 7 bilhões em 2026 para expansão e modernização.

  • Estratégia: foco atual está no investimento em distribuição para aumentar a base de ativos remunerados pela Aneel. Apesar disso, a empresa tem um perfil de dívida bem alongado e baixo custo.
  • Desinvestimentos: Estratégia de venda de ativos considerados como não essenciais, como participações em gasodutos ou usinas menores para concentrar capital na transmissão e distribuição.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 12 (CMIG4) e R$ 15,70 (CMIG3). Dividend yield em 2026 (consenso): 11% a 14%.

Marcos Molina, da Sadia, diz que Ozempic já está mudando o consumo: ‘é o Natal da proteína’

25 de Novembro de 2025, 14:59

O “efeito Ozempic” já começa a redesenhar o consumo no Brasil e até a tese de investimento de grandes fundos internacionais. A avaliação é de Marcos Molina, controlador da MBRF – grupo dono de marcas como Sadia, Perdigão e Marfrig –, um dos principais empresários do setor de proteína animal no país.

Em conversa com jornalistas, Molina afirmou que as redes de supermercados brasileiras têm reportado uma queda expressiva nas vendas de produtos ricos em carboidratos e açúcar, enquanto o consumo de proteína segue firme. E, em alguns casos, cresce.

“É o Natal da proteína”, afirmou, citando relatos de varejistas que já identificam o impacto direto do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro no comportamento de compra dos consumidores.

Relatórios recentes da Abras, associação que representa os supermercadistas, confirmam o movimento. Na semana de 3 a 9 de novembro, a cesta de proteína animal registrou alta de 16,6% nas vendas em valor frente ao ano anterior, enquanto arroz, feijão e açúcar despencaram 18,2% no mesmo período.

O movimento não se limita ao varejo: investidores americanos começam a rever suas carteiras. “Pela primeira vez ouvimos que os fundos estão tirando dinheiro de empresas de snacks e colocando em proteína”, disse Molina, que esteve com gestores na semana passada em Nova York, em um evento promovido pelo Bradesco BBI.

O diagnóstico reforça um movimento que já vinha despontando na indústria alimentícia. Como mostrou o InvestNews, empresas como Danone, JBS e a própria MBRF vêm reposicionando portfólios para um consumidor que come menos, mas busca mais valor nutricional com lançamentos de refeições proteicas, iogurtes enriquecidos e produtos voltados a quem usa análogos de GLP-1, conhecido como o “hormônio da saciedade”.

Para Molina, a tendência deve se intensificar em 2026, com a consolidação dos medicamentos para emagrecimento e o foco crescente dos consumidores em manter a massa magra. É a “Ozempic economy” ganhando forma no Brasil.

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Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

8 de Novembro de 2025, 09:48

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

Da desconfiança ao rali: o que fez a MBRF, dona da Sadia, saltar mais de 20% em dois pregões

28 de Outubro de 2025, 16:09

A MBRF, companhia resultante da fusão entre Marfrig e BRF, lidera as altas do Ibovespa nesta terça-feira (28). As ações MBRF3 fecharam em alta de 15,6%, cotadas a R$ 18,50, enquanto o principal índice da B3 avançou 0,31% – na máxima, os papéis da companhia chegaram a subir 23%.

O rali começou na segunda-feira (27), quando a empresa anunciou um acordo de US$ 500 milhões com o fundo soberano da Arábia Saudita (PIF) para criar a Sadia Halal — uma joint venture com planos de IPO no Reino em 2027 —, o que levou a uma alta de 6,45% e abriu caminho para a disparada desta terça.

O movimento comprador não teve um fluxo específico, vindo de diversas corretoras, o que pode indicar que os investidores estão saindo da posição vendida (short) para a compradora (long).

Os operadores ouvidos citaram a possibilidade de um short squeeze, que é justamente quando aqueles que estão apostando na queda do papel precisam correr para cobrir suas posições “vendidas”, mas atribuíram o principal movimento a grandes investidores que formaram a “força compradora” no dia.

Quando um investidor quer ganhar com a baixa de uma ação, ele a aluga de outro investidor e a vende na sequência, pagando uma taxa ao dono e esperando para recomprá-la mais barato depois. Quando a ação começa a subir, porém, ele precisa correr para comprar os papéis para devolver a quem os emprestou e frear as perdas.

Vira uma bola de neve: os investidores começam a comprar, outros são pressionados a fazer o mesmo e o papel continua subindo: é o short squeeze. Hoje, 13,7% das ações em circulação da MBRF estão alugadas. Não existe um número específico de papéis alugados que determine que uma ação passará ou não pelo squeeze, mas profissionais de mercado observam que acima de 15% é uma fatia relevante.

A quantidade de dias necessários para zerar as posições de aluguel também conta nessa matemática: entre 5 e 8 dias é um ponto de atenção – no caso da MBRF, são 7,2 dias.

Da desconfiança ao rali

Segundo operadores ouvidos pelo InvestNews sob reserva, o papel vinha sob forte pressão desde o anúncio da fusão, em maio, acumulando queda de cerca de 10% até a véspera. Desde então, as ações — sobretudo as da antiga BRF — vinham sendo penalizadas pela relação de troca: cada papel da dona da Sadia passou a equivaler a 0,85 ação da nova MBRF, embutindo um deságio.

O cálculo foi contestado por investidores como a Previ e a Latache Capital, que recorreram à Justiça e à CVM para tentar barrar a fusão. Mesmo assim, o negócio foi aprovado; a Latache, porém, abriu uma arbitragem pedindo o cancelamento da operação. Para o mercado, a fusão trouxe ganhos potenciais de sinergia e eficiência, mas sem clareza imediata sobre quando esses benefícios se refletiriam nos resultados.

Diante da incerteza, prevaleceu o movimento de venda. A percepção de que uma piora no ciclo do frango nos Estados Unidos poderia respingar no Brasil ajudou a aumentar a pressão vendedora nas últimas semanas.

O acordo com o PIF, no entanto, mudou a narrativa. Investidores que antes estavam céticos voltaram a comprar ações, apostando que o negócio destrave valor e eleve a rentabilidade. Fundos que apostavam na baixa também foram forçados a recomprar papéis, ampliando a pressão compradora.

Com o salto de hoje, a MBRF recupera praticamente toda a perda acumulada desde a fusão e passa a subir 10% em 2025.

Fusão

A fusão entre Marfrig e BRF foi longa e ruidosa. Desde 2021, quando o empresário Marcos Molina começou a investir na dona da Sadia, ele já destinou mais de R$ 15 bilhões entre aumentos de capital e compras de ações.

Molina sempre sustentou que a aposta valia pelas marcas — Sadia, Perdigão e Qualy —, que em sua visão tinham valor superior ao desembolso feito para assumir o controle.

Superadas as etapas da fusão, o empresário mira agora o próximo passo: levar a MBRF à Bolsa de Nova York, em movimento semelhante ao da rival JBS, reforçando a ambição de transformar o grupo em um player global de alimentos.

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Pós-fusão, grupo MBRF trabalha para aumentar a presença da marca Sadia na mesa dos argentinos

3 de Outubro de 2025, 06:00

Buenos Aires – Algumas coisas são tradicionais para os argentinos: futebol, doce de leite, empanadas, alfajor e as ‘hamburguesas’ Paty. A marca, administrada pelo grupo MBRF, virou sinônimo de hambúrgueres para os nossos vizinhos. Tanto que é comum, ao sair de uma partida de futebol, ouvir os ambulantes lançarem gritos efusivos “hay Paty, hay Paty” nos arredores dos estádios de Buenos Aires para atrair os ‘hinchas’ mais famintos.

Com a fusão entre a Marfrig e a BRF, concluída em 22 de setembro, o grupo tem como uma de suas prioridades transformar a marca Sadia em uma nova Paty para os argentinos. A BRF havia deixado de operar na Argentina em 2018, quando vendeu suas operações no país para a própria Marfrig, por US$ 54,9 milhões. Nessa ocasião, os produtos de frango da empresa diminuíram (ou até sumiram) das gôndolas dos supermercados argentinos.

Em 2020, a Marfrig retomou o contato com a BRF e decidiu importar produtos da Sadia para o país. A retomada de terreno foi paulatina, mas Gustavo Kahl, CEO da MBRF Argentina, estima que hoje a marca já ocupe a segunda posição entre os produtos de frango na Argentina.

“Começamos um trabalho de importação de produtos, voltando a dar visibilidade à marca Sadia na Argentina desde 2020. Agora, com a Marfrig tomando um controle maior sobre a BRF, podemos fazer uma nova aposta para ampliar o portfólio de produtos da marca”, diz o executivo-chefe da MBRF Argentina ao InvestNews, em uma entrevista realizada na sede administrativa da companhia, em Munro, na província de Buenos Aires.

A aposta da MBRF no frango não é por acaso. A Argentina passou por mudanças profundas na economia após a mudança de governo em 2023, quando o economista liberal libertário Javier Milei venceu as eleições presidenciais.

Em 2024, logo após a posse de Milei, o choque na economia levou ao aumento de preços da carne bovina no país, fazendo o consumo anual da proteína retroceder para a faixa de 44,8 kg por habitante no pior momento. Em um cenário de carne bovina mais cara, o frango (consumo de 48,5 kg ao fim de 2024), sobretudo, e a carne suína (17,7 kg) ganharam destaque na dieta local.

Hoje, a MBRF detém quatro unidades produtivas no país e conta com mais de 200 produtos diferentes ao todo. No caso da marca Sadia, a empresa trabalha com 15 itens diversos, mas entende que ainda há espaço relevante para crescer devido à variedade de produtos da marca.

Além dos frangos empanados (chamados pelos argentinos de Sadinesas), uma das apostas de momento é avançar com a venda de Pavita, tradicional produto festivo para as celebrações de fim de ano. Feito à base de carne de peru, no Brasil esse produto é conhecido como Fiesta pela marca Sadia.

“A nossa ideia é fazer da Sadia o mesmo que fizemos com a Paty, que é uma marca com mais de 50% de market share aqui”, reforça ele. “A Sadia tem um portfólio muito mais amplo do que as outras marcas que temos. Há desde presunto in natura ao suíno, passando por margarina e pratos prontos, como lasanhas. Também estamos trazendo matéria-prima de suíno e de frango para produzir aqui.”

A MBRF opera hoje com mais de 70 grandes fornecedores locais para a venda dos produtos da marca Sadia no país.

Kahl tem planos ousados para o grupo após a fusão. A MBRF quer ascender sua produção em 50% para os próximos três anos. Hoje, a companhia processa cerca de 8.000 toneladas mensais de produtos como hambúrgueres, salsichas, embutidos e vegetais congelados. “A ideia é que tenhamos um crescimento significativo do negócio na Argentina”, diz ele.

Parte disso passa pela ampliação da principal planta da companhia, localizada no munícipio de San Jorge. A unidade abate cerca de 1,1 mil cabeças de gado por dia, o que já é reflexo de um avanço de quase 80% em relação ao que era feito no início de 2019, quando a Marfrig tomou o controle da operação. A ideia é que o nível diário de abate passe para cerca de 1,5 mil até o fim de 2026.

Estima-se que a empresa tenha investido cerca de US$ 30 milhões para a ampliação da capacidade produtiva de San Jorge nos últimos anos. Kahl não confirma os números, mas diz que uma nova rodada de Capex para o país está em fase de estudo.

Aliança com McDonald’s

Em outubro de 2020, a Marfrig comprou a produtora de carnes Campo del Tesoro, por US$ 4,6 milhões, para se tornar a única fornecedora de hambúrgueres para o McDonald’s na Argentina — antes, a produtora dividia o fornecimento com a própria Marfrig. Hoje, o grupo MBRF fornece cerca de 15 mil toneladas do produto por ano para a rede de fast-food. A capacidade produtiva do grupo para hambúrgueres no país é de aproximadamente 60 mil toneladas por ano.

As demais unidades produtivas da companhia no país estão localizadas em Barradero, onde se fabrica as tradicionais salsichas da marca Vienissima!; e Arroyo Seco, onde se produz vegetais congelados e produtos que possam atender ao gosto de veganos e vegetarianos por meio da marca Green Life.

A empresa emprega cerca de 2 mil funcionários na Argentina e a operação no país representa pouco mais de 1% do faturamento do grupo a nível global – no segundo trimestre deste ano, a operação consolidada da MBRF apresentou receita de R$ 37,8 bilhões.

Em 2023, a Marfrig vendeu um conjunto de plantas de abate e desossa para a Minerva, por R$ 7,5 bilhões. O negócio envolveu 16 unidades e um centro de distribuição. Entre elas, estava a planta de abate de bovinos em Villa Mercedes, na Argentina.

“Essa operação deixou muito claro para o mercado o que as duas empresas querem para o futuro. A Marfrig vai focar em alimentos processados, produtos de maior valor agregado, como hambúrgueres, salsichas e pratos congelados. E a Minerva vai focar em carne in natura para exportação”, afirma Fernando Iglesias, diretor da consultoria Safras & Mercados.

Recentemente, o consumo de carne bovina no país voltou a figurar acima da faixa dos 50 kg per capita. “Em 2023 e 2024, o consumidor deixou de consumir, mas agora isso está voltando. Hoje, já estamos vendendo mais do que em 2024. Estamos nos recuperando em termos de volume e margem. Isso vai nos levar a um crescimento gradual e contínuo pelos próximos três anos”, afirma o CEO da MBRF Argentina.

O fator Milei

Por meio do lema da desburocratização, o Ministério da Agricultura de Milei tem trabalhado para fomentar as exportações do país, eliminando taxas e promovendo novos acordos comerciais, como a liberação da exportação de gado vivo – algo que não é considerado no momento pela MBRF devido à baixa produtividade.

Hoje, cerca de 25% da produção da MBRF na Argentina é destinada à exportação: 25 países recebem produtos da empresa feitos em terras vizinhas. Os principais mercados trabalhados pela companhia são Estados Unidos, Europa, Israel e China – sendo que o país asiático detém o maior volume das exportações, mas com produtos de menor valor agregado.

“Temos algumas prioridades para a exportação, como levar a nossa carne ao Japão. E entrar com miúdos na China”, diz Kahl. “Nós já exportamos carne, carne com osso, osso. O último passo é a exportação de miúdos. Estamos trabalhando e muito perto de firmar um acordo para miúdos, como já existe para o Uruguai.”

Um dos principais exportadores de carne bovina do mundo, a Argentina enviou mais de 576 mil toneladas ao exterior de janeiro a agosto deste ano – o volume, no entanto, demonstrou queda de 6,8% frente a igual período do ano anterior.

Proximidade com Marcos Molina

Descendente de austríacos, o engenheiro industrial Gustavo Kahl foi escolhido por Marcos Molina, presidente do conselho de administração e controlador da MBRF, da missão de tocar a empreitada na Argentina quando a Marfrig decidiu adquirir a QuickFood, em 2018.

Kahl e Molina já se conhecem de longa data. Em meados dos anos 1990, Molina viajava para países vizinhos para se reunir com fornecedores de carnes. Com os diversos encontros, veio uma grande amizade. Antes de trabalhar diretamente para a Marfrig, Kahl foi CEO da JBS para operação do Cone Sul e diretor da Cargill.

“Conheci o Marcos há muito tempo, desde antes que ele fosse reconhecido como o grande empresário que é. Eu vendia carne para ele no fim dos anos 90. Ao longo do tempo, fomos nos encontramos diversas vezes. E, bom, as idas e vindas da vida e dos negócios nos colocaram lado a lado e aqui estou há quase sete anos”, diz Kahl. “Ainda há muito para se fazer, mas com a chegada do Miguel Gularte e a liderança do Marcos, estamos colocando o foco na execução, simplificando os processos para dar agilidade e proximidade com o cliente.”

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