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Como a Copa expõe para o mundo a violência dos cartéis no México

12 de Junho de 2026, 06:03

ZAPOPAN, México — Neste subúrbio sofisticado e arborizado de Guadalajara, onde gramados bem cuidados ficam próximos de centros comerciais de alto padrão, 89 sacos com restos humanos foram encontrados no último ano, abandonados em ravinas ou retirados de valas comuns sem identificação.

A poucos quilômetros dessas descobertas macabras, torcedores de futebol vão lotar o Estádio Akron, em formato de vulcão, nos arredores de Guadalajara, para a primeira de quatro partidas da Copa do Mundo que serão disputadas no local, a partir de quinta-feira.

Quatro meses após uma onda de violência de cartéis paralisar Guadalajara e o estado de Jalisco, autoridades mexicanas montam um esquema de segurança multimilionário para convencer o mundo de que o torneio é seguro. Guadalajara é particularmente sensível por estar no estado-sede do Cartel de Jalisco Nova Geração — um dos maiores e mais violentos grupos de crime organizado do país.

Ao redor do Estádio Akron, um amplo perímetro foi fortemente cercado. No alto, um helicóptero Black Hawk com atiradores patrulhará o céu, enquanto uma frota de Tesla Cybertrucks no solo ajudará a sustentar um escudo eletrônico antidrone sobre o estádio.

Cerca de 100 mil agentes de segurança serão mobilizados em todos os locais-sede do país, incluindo Cidade do México e Monterrey.

Os riscos são elevados tanto para o governo mexicano quanto para as economias subterrâneas que operam paralelamente ao Estado. Analistas de segurança afirmam que organizações criminosas no México, especialmente o cartel de Jalisco, com forte presença em Guadalajara, provavelmente irão impor uma trégua tática durante o torneio, aproveitando a oportunidade para lucrar com a venda de drogas e outros serviços ilícitos aos grandes fluxos de turistas.

Ao mesmo tempo, grupos ativistas trabalham para garantir que os visitantes não deixem de enxergar a violência que molda a vida em Guadalajara e em grande parte do país.

Mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas no México, a maioria sequestrada ou morta por cartéis, em alguns casos com cooperação de autoridades policiais. Familiares colam cartazes com fotos dessas pessoas fora de locais da Copa, e também participam de protestos que ameaçam interromper o acesso ao Estádio Azteca, na Cidade do México, durante o jogo de abertura.

“Queremos que as pessoas saibam o que acontece no México”, disse Héctor Flores, cofundador do grupo Light of Hope, cujos voluntários encontraram um crânio humano em uma ravina em Zapopan na semana passada. “Pessoas desaparecem todos os dias aqui, e parece que ninguém se importa, exceto as famílias.”

Outros grupos também se juntam às manifestações. Nas últimas duas semanas, uma ala combativa do sindicato nacional de professores bloqueou grandes vias de transporte, derrubou estátuas de jogadores da Copa e vandalizou anúncios com grafites antigoverno. Outras organizações de esquerda também se mobilizam para os protestos de quinta-feira.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, busca projetar uma imagem de estabilidade e prometeu que o governo não reprimirá manifestações. Ela fechou escolas e determinou que servidores federais trabalhem de casa na quinta-feira para reduzir o potencial de caos na Cidade do México.

“Vamos ao mesmo tempo garantir que a celebração de abertura da Copa do Mundo ocorra bem, de forma pacífica e tranquila”, disse Sheinbaum na segunda-feira.

A tensão em torno do torneio atingiu o pico em fevereiro, quando forças de segurança mexicanas mataram o líder do Cartel de Jalisco, Nemesio “El Mencho” Oseguera, em um violento tiroteio. O cartel respondeu sequestrando e incendiando ônibus para bloquear estradas em todo o estado, queimando lojas de conveniência e matando mais de duas dezenas de membros da Guarda Nacional.

Gabriela Cuevas, representante do México na FIFA para a Copa do Mundo, minimizou o risco de uma nova escalada durante os jogos, afirmando que o estado estava “completamente normalizado” 72 horas após os confrontos de fevereiro. Ela destacou a longa experiência do México na realização de grandes eventos, incluindo uma apresentação oficial do troféu da FIFA em Guadalajara dias após os distúrbios.

Tequila e mariachi

O México segue sendo um dos principais destinos turísticos do mundo, impulsionado por produtos culturais globais de Jalisco, como tequila e mariachi.

O Departamento de Estado dos EUA recentemente alertou torcedores que irão aos jogos no México sobre risco de furtos e golpes, recomendando evitar táxis de rua. Ainda assim, a demanda permanece forte: Guadalajara, junto com Vancouver, tem uma das maiores taxas de ocupação hoteleira entre todas as cidades-sede do torneio.

Ex-autoridades de segurança mexicanas e americanas observam que, embora os confrontos de fevereiro tenham exposto o fraco controle do governo sobre partes de Jalisco, os cartéis entendem a lógica econômica do momento. Um ataque direto a turistas estrangeiros ou qualquer interrupção do torneio multibilionário provocaria uma resposta federal sem precedentes, possivelmente com apoio de inteligência e segurança dos EUA — um cenário que os cartéis querem evitar.

Em vez disso, o submundo do crime vê o torneio como uma oportunidade de lucro. Um estudo conjunto da Organização Mundial do Comércio e da FIFA projeta que cada torcedor gastará mais de US$ 400 por dia, criando fluxos de receita temporários altamente lucrativos.

“O crime organizado vai lucrar com a Copa do Mundo oferecendo todo tipo de coisa”, disse Eduardo Guerrero, analista de segurança na Cidade do México. “Drogas, prostituição, transporte clandestino. Os mercados ilegais vão se expandir rapidamente com o aumento da demanda.”

Diante dos desafios de conter protestos e redes criminosas, autoridades regionais estão optando por dissuasão em vez de confronto direto. Juan Pablo Hernández, chefe de segurança do estado de Jalisco, confirmou que o governo evitará operações agressivas contra cartéis durante o período do torneio.

“Não é viável realizar operações que possam gerar confrontos e colocar a população em risco, incluindo turistas”, disse Hernández. “Em vez disso, nossa estratégia é uma demonstração de força ampla e visível para manter a paz.”

Na semana passada, Hernández apresentou publicamente os recursos disponíveis para a Copa, com uma exposição de motocicletas, cães-robôs de desativação de bombas, Cybertrucks, drones de vigilância, jammers antidrone, veículos blindados, armas automáticas e especialistas em explosivos.

No total, o estado de Jalisco gastou cerca de US$ 11 milhões em equipamentos de alta tecnologia.

Para as famílias de desaparecidos no México, os milhões gastos em “escudos tecnológicos” para estádios são um insulto. Os desaparecimentos mais que dobraram na última década, segundo o think tank México Evalúa. O estado de Jalisco lidera o país, com mais de 16 mil casos sem solução.

Ativistas afirmam que órgãos responsáveis por localizar desaparecidos têm tão poucos recursos e funcionários que as buscas frequentemente levam meses para começar.

Para forçar visitantes internacionais a encarar essa realidade, grupos ativistas estão atuando na paisagem visual do torneio. Fora da zona oficial de fãs da FIFA em Guadalajara, o coletivo Light of Hope colou paredes com fotos de familiares desaparecidos, modificadas digitalmente para parecerem figurinhas oficiais da Copa do Mundo.

“Falta recurso e falta vontade”, disse Jaime Aguilar, voluntário dos Search Warriors of Jalisco, que buscam valas clandestinas no estado. “Os recursos existem. Com a Copa do Mundo, estamos vendo um enorme desperdício de dinheiro para cumprir exigências da FIFA.”

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Petrobras e Pemex podem formar parceria em exploração de petróleo

20 de Março de 2026, 16:17

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre uma possível parceria de exploração entre as estatais de petróleo dos dois países no Golfo do México.

Falando em um evento nesta sexta-feira (20), ele disse que fez a ligação a pedido de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, para sugerir que a companhia trabalhe com a Pemex (Petróleos Mexicanos).

“Você sabia que a Pemex poderia receber uma ajuda significativa da Petrobras para explorar petróleo em conjunto no Golfo do México, a uma profundidade de 2.500 metros?”, disse Lula que perguntou a Sheinbaum, sem dar mais detalhes sobre a conversa ou uma eventual parceria.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Especialista em operações em águas profundas e em busca de expandir sua atuação no exterior para aumentar a produção e recompor reservas de petróleo e gás, a empresa não tem operações atualmente no México.

O gabinete de Sheinbaum, a Pemex e o Ministério de Energia do México também não responderam de imediato.

A presidente mexicana vem buscando parceiros privados para ajudar a Pemex a elevar a produção e reverter a queda na extração de petróleo, que hoje está na metade do pico registrado há duas décadas. Poucas grandes empresas internacionais, além do Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim, anunciaram projetos.

Reserca estratégica de petróleo

Durante o evento, Lula também sugeriu que o Brasil e a Petrobras avaliem a criação de uma reserva estratégica de petróleo, nos moldes das mantidas por Estados Unidos, China e outros países, para formar estoques de emergência e reduzir impactos de crises.

Os comentários ocorrem em meio à alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra dos EUA no Irã, o que tem pressionado a Petrobras e o governo brasileiro.

“Não é algo rápido, leva tempo, mas é estratégico e a Petrobras e o governo precisam pensar nisso”, disse Lula. “Precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador para não sermos vítimas do que está acontecendo hoje.”

O presidente também afirmou que a Petrobras tentará recomprar uma refinaria na Bahia vendida à Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, em 2021.

Lula tem sido crítico da venda da refinaria de Mataripe, realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Vamos recomprar”, disse Lula. “Pode demorar, mas vamos comprar de volta.”

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Braskem Idesa negocia financiamento com credores para possível recuperação judicial nos EUA

6 de Março de 2026, 15:32

A Braskem Idesa, do México, está em negociações com credores para obter financiamento que permitiria à empresa atravessar um eventual processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A companhia busca estruturar um chamado financiamento “debtor-in-possession” (DIP), disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas ao tratar de assuntos privados. As discussões continuam em andamento e os planos para um Chapter 11 ainda não estão definidos.

A Braskem Idesa — joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa — vem negociando com credores para reestruturar sua dívida, mas até agora não conseguiu chegar a um acordo.

A Braskem Idesa não respondeu aos pedidos de comentário.

No mês passado, a companhia deixou de pagar juros de seus títulos em dólar com vencimento em 2032, marcando mais um capítulo de suas dificuldades financeiras em meio à prolongada desaceleração do setor petroquímico. Em novembro, já havia perdido o pagamento de um cupom de títulos com vencimento em 2029, e a Fitch Ratings rebaixou a empresa para o segundo nível mais baixo de sua escala de classificação.

A Braskem Idesa tinha US$ 46 milhões em caixa no fim de setembro, menos da metade do montante registrado no fim de junho, segundo seus resultados mais recentes. A empresa deve divulgar seu próximo balanço em março.

A controladora Braskem também enfrenta pressões de endividamento e planeja apresentar aos credores um plano de reestruturação extrajudicial. O conglomerado Novonor SA está em processo de finalização da venda de sua participação de controle na Braskem para um fundo assessorado pela gestora IG4 Capital.

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WEG amplia produção no México para evitar tarifas dos EUA sobre o Brasil

22 de Outubro de 2025, 16:09

A fabricante de equipamentos industriais WEG espera compensar o impacto das tarifas americanas até o primeiro semestre de 2026, após um impacto maior que o esperado nos resultados do quarto trimestre deste ano.

O diretor financeiro (CFO) da WEG, André Luis Rodrigues, disse que a empresa está adiantando alguns investimentos e reformulando sua cadeia de suprimentos, transferindo a produção que será vendida para os Estados Unidos do Brasil para o México.

A medida vem após os EUA aplicarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros no início de agosto.

“Estamos acelerando os investimentos no México”, disse Rodrigues.

Segundo ele, a meta é que toda produção do Mèxico seja destinada aos EUA.

Já a produção brasileira abastece o México e a América Central.

“A gente não vê esse cenário se perpetuar por um longo período, mas é difícil dizer quando vai ser revertido”, disse o CFO.

A WEG também está investindo mais recursos nos EUA, onde fabrica transformadores, entre outros produtos, e emprega cerca de 2.200 funcionários.

Em setembro, a empresa anunciou um investimento de US$ 77 milhões para expandir a capacidade de uma instalação americana.

A WEG divulgou resultados acima do esperado para o terceiro trimestre. Entre eles, o lucro líquido de R$ 1,65 bilhão, acima da média das estimativas dos analistas.

A WEG reiterou seu guidance de margem sobre o ebitda entre 21,8% e 22,4% para este ano.

Resultados da WEG

“O desempenho no terceiro trimestre foi ligeiramente melhor do que as estimativas”, disse o analista do Citi André Mazini em uma nota a clientes.

Dados do comércio exterior do Brasil de setembro mostram que as exportações de motores e geradores elétricos de Jaraguá do Sul, que são principalmente remessas da WEG, caíram 13% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um relatório do Bank of America.

A empresa informou que sua atividade industrial no exterior permaneceu positiva em seus principais mercados, apesar das novas tarifas.

Com um câmbio mais forte e um cenário doméstico desafiador — incluindo uma taxa básica de juros de 15% e as eleições presidenciais do próximo ano — a empresa ainda espera continuar expandindo sua lucratividade.

“Independentemente do cenário macroeconômico, a WEG vem constantemente encontrando maneiras de aumentar o seu lucro líquido”, disse Rodrigues. “A gente vai buscar oportunidades para seguir aumentando o lucro por ação.”

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