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Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

27 de Abril de 2026, 08:42

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

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Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

Balanços do 4º tri mostram mais surpresas positivas que negativas na bolsa – pelo menos até agora

7 de Março de 2026, 17:12

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 das empresas brasileiras listadas em bolsa tem apresentado um desempenho melhor do que o esperado, ao menos até agora. Entre as companhias que já divulgaram resultados, os lucros superaram as estimativas de analistas com mais frequência do que ficaram abaixo das projeções, indicando um início de temporada relativamente positivo para o mercado.

Até o momento, 65 empresas já divulgaram seus resultados. Na próxima semana, 39 publicarão seus números, entre grandes e pequenas companhias.

Entre as que já divulgaram os dados, 32,3% superaram as estimativas de lucro, enquanto 26,2% ficaram abaixo do esperado. A maior parte (41,5%) ficou em linha com as expectativas. O levantamento é do Itaú BBA, que estabelece um índice de “beat/miss” de 1,2 vez.

O indicador compara quantas empresas superaram as estimativas de analistas (“beat”) com quantas ficaram abaixo delas (“miss”). Quando o índice fica acima de 1, significa que as surpresas positivas predominam.

Bancos e setores ligados à economia doméstica lideram resultados

Os dados setoriais mostram um desempenho relativamente forte em alguns segmentos da economia. Entre os bancos, por exemplo, cerca de 22% das instituições superaram as estimativas de lucro, enquanto a maior parte ficou próxima das projeções.

Banco do Brasil e Itaú, por exemplo, divulgaram lucros expressivos no período, reforçando o desempenho sólido do setor. E algumas instituições tiveram reação mais cautelosa do mercado, mesmo com números fortes, como foi o caso do Santander.

Empresas ligadas ao consumo mostraram resultados mais heterogêneos. Os dados indicam que cerca de um terço das empresas superou as estimativas, enquanto uma parcela semelhante ficou dentro das projeções.

Entre os destaques positivos aparece o Mercado Livre, que registrou crescimento relevante de receita, enquanto companhias como Assaí enfrentaram reação mais negativa do mercado após a divulgação dos números.

Outros nomes do setor, como Raia Drogasil, Lojas Renner e Iguatemi, divulgaram resultados mais próximos das expectativas dos analistas, refletindo um ambiente de consumo ainda desigual.

Nos setores ligados à indústria e commodities, os resultados apareceram em grande parte alinhados às previsões do mercado.

Empresas como Vale, Usiminas e Gerdau reportaram números próximos das expectativas em indicadores operacionais, enquanto companhias de capital industrial, como WEG, também apresentaram resultados dentro do intervalo projetado pelos analistas.

Esse comportamento reflete um ambiente mais estável nesses setores, em que as projeções já incorporavam fatores como preços de commodities e ritmo da atividade global.

Receita e lucro operacional superam projeções

Além do lucro líquido, outros indicadores operacionais mostram desempenho relativamente forte. Quando analisados os resultados de Ebitda – métrica que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização –, cerca de 20,4% das empresas superaram as estimativas, enquanto 27,4% ficaram abaixo delas.

No caso das receitas, os números foram mais favoráveis: mais de 80% das empresas reportaram faturamento dentro ou acima das projeções, indicando que muitas companhias conseguiram manter crescimento ou estabilidade nas vendas.

Esses indicadores ajudam investidores a entender não apenas o lucro final, mas também a evolução da atividade operacional das empresas.

Entre os resultados já divulgados, a reação dos analistas também tem sido predominantemente positiva. Aproximadamente 46% das empresas receberam avaliação positiva após a divulgação dos resultados, enquanto cerca de 37% tiveram reação neutra e 17%, negativa.

Esse tipo de análise acompanha como os analistas revisam suas avaliações após os balanços, indicando se os números divulgados reforçam ou enfraquecem as perspectivas das companhias.

Sentimento do mercado perde força no final da temporada

Apesar do início relativamente positivo da temporada, o sentimento agregado do mercado apresentou leve deterioração no final do período analisado.

Um indicador que mede a percepção dos participantes de mercado nas conferências de resultados das empresas, por meio da análise de comentários de executivos e analistas, recuou para uma nota 7,3 no quarto trimestre de 2025, abaixo da nota 8 registrada entre o segundo e terceiro trimestres.

Esse indicador mede o grau de otimismo ou cautela nas discussões entre empresas e investidores. Quanto mais alto o índice, mais positivo tende a ser o tom das expectativas.

Mesmo com essa queda recente, o nível atual ainda permanece acima dos mínimos registrados em 2024, sugerindo que o ambiente corporativo segue relativamente estável.

As conferências de resultados também indicam algumas tendências estratégicas entre as empresas. Segundo a análise das apresentações e chamadas com investidores, executivos têm enfatizado temas como eficiência operacional, digitalização e disciplina na alocação de capital.

Outro ponto recorrente é a preocupação com controle de custos e geração de caixa, especialmente em setores mais expostos ao ciclo econômico ou a preços de commodities.

Sob a pressão do aço chinês, Gerdau reduz em quase 22% os investimentos para 2026

1 de Outubro de 2025, 10:35

A Gerdau anunciou nesta quarta-feira (1) que deve investir R$ 4,7 bilhões em 2026, uma queda de 21,7% do que a companhia havia previsto. O movimento era, em certa medida, esperado. Em diversas ocasiões, o CEO Gustavo Werneck afirmou que a metalúrgica poderia reduzir investimentos em meio à pressão causada pela oferta do aço chinês no mercado nacional.

A participação do produto chinês tem abocanhado quase um quarto do mercado brasileiro e sido uma pedra no sapato da Gerdau. Na primeira metade do ano, as vendas da empresa no mercado interno caíram 4%, para R$ 12,5 bilhões.

Em entrevista de abril aos jornalistas do InvestNews, Lucinda Pinto e Rikardy Tooge, o CEO já sinalizava que sem medidas de intensificação da defesa comercial do setor brasileiro pelo governo federal, a empresa iria “debater se vale a pena continuar com o volume de investimentos e recursos que coloca no Brasil”.

Ao divulgar o resultado do segundo trimestre, a Gerdau afirmou que seguia enfrentando um ambiente “cada vez mais incerto”, com alta penetração de aço importado “em condições de competição desleal”, queda nos preços locais e tendência de desaceleração de demanda devido às taxas de juros em patamares elevados.

A questão central é que, hoje, o país consome 4 milhões de toneladas de vergalhão por ano. Já a China tem uma capacidade instalada compatível com 400 milhões de toneladas – estrutura montada nos anos em que teve seu crescimento sustentado por investimentos em infraestrutura e construção civil.

Com a desaceleração da economia chinesa dos últimos anos, há um enorme excedente de aço que está sendo vendido mundo afora a preços muitas vezes abaixo do custo de produção. 

A expectativa da companhia era de que o governo federal revisse a política de cota-tarifa de 25% para alguns produtos do setor siderúrgico, considerada “ineficiente” pela gestão da Gerdau. A sobreoferta do aço chinês tem sido debatida mundo afora. A União Europeia avalia propor no início da próxima semana um mecanismo de longo prazo que também reduzirá as cotas existentes do bloco para aço estrangeiro em quase metade,segundo a Bloomberg.

Por lá, as importações de aço também estarão sujeitas à nova tarifa, o que reflete a política de outros países, como os Estado Unidos, que impõe uma taxa de 50% sobre o aço importado.

Para onde vão os investimentos

No fato relevante de hoje, a diretoria da Gerdau informou que o montante estimado para manutenção de suas instalações será de aproximadamente R$ 3 bilhões por ano, nos próximos cinco anos. É o mesmo valor previsto para a atividade neste ano.

Do total orçado para 2026, os investimentos em manutenção serão de R$ 2,9 bilhões e os desembolsos em projetos receberão R$1,8 bilhão.

A companhia afirmou ainda que prevê um resultado operacional anual medido pelo Ebitda de R$ 1,5 bilhão derivado dos principais projetos de investimento.

Entre os principais projetos está o da mina de minério de ferro em Miguel Burnier (MG), que deve consumir R$ 5,2 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões já foram desembolsados, conforme declarado no fato relevante. O montante de R$ 1,2 bilhão restante será aplicado até 2027.

Em Miguel Burnier, a Gerdau informa que o projeto de mineração deve gerar um Ebitda adicional de R$ 400 milhões em 2026, considerando uma curva de aprendizado de 12 meses e que depois disso o ganho estimado é de R$1,1 bilhão por ano.

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