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Petróleo além do barril: como aproveitar a escalada dos preços da commodity

4 de Março de 2026, 06:30

O petróleo já se valorizou cerca de 30% no acumulado de 2026. Em apenas dois dias, com a escalada de conflitos no Oriente Médio, a alta é de 8%. Esse movimento levanta questionamentos da parte de investidores sobre a melhor forma de buscar tirar proveito da alta das cotações.

As maneiras mais acessíveis são ETFs negociados no exterior, atrelados aos preços do petróleo ou a empresas do setor de petróleo e gás; BDRs de ETFs negociados na B3, também ligados a petrolíferas estrangeiras; BDRs de empresas estrangeiras; e ações brasileiras do setor, em que a exposição ao petróleo existe, mas com particularidades operacionais que precisam ser levadas em conta.

ETFs fora do Brasil

Por meio de uma conta internacional, o investidor brasileiro que procura ativos americanos tem à disposição alternativas com grande liquidez. Uma delas é o USO, sigla para United States Oil Fund. O fundo acompanha o desempenho do WTI, a principal referência de preço do petróleo bruto nos Estados Unidos.

Há também o BNO, ou United States Brent Oil Fund. Nesse caso, o investidor tem exposição ao desempenho do Brent, referência global para os preços do petróleo, utilizada em grande parte dos contratos internacionais e nas exportações de diversos países.

Nos dois casos, o investidor não compra petróleo físico. A exposição ocorre por meio de contratos futuros, que precisam ser renovados periodicamente. Como esses contratos têm vencimento, o fundo precisa vender um contrato que está para expirar e comprar outro mais adiante no tempo.

O custo dessa troca pode influenciar o retorno final, fazendo com que o desempenho do ETF não seja exatamente igual ao do preço do barril à vista. Ainda assim, é uma forma de se expor à commodity.

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BDRs de ETFs

Quem não quer alternativas fora do Brasil encontra algumas opções na B3, com dois BDRs de ETFs que oferecem exposição ao setor nos EUA.

Um deles é o BIYE39, BDR que acompanha um ETF atrelado ao índice Dow Jones U.S. Oil & Gas. Esse índice reúne grandes empresas americanas do setor, como as gigantes ExxonMobil e Chevron, além da ConocoPhillips e de outras menos conhecidas, caso da EOG Resources, da Occidental Petroleum e da Phillips 66.

Há também o BIEO39, BDR que replica um ETF focado principalmente em empresas de exploração e produção de petróleo nos EUA. Nesse grupo estão companhias mais diretamente expostas ao preço da commodity, como a ConocoPhillips, e a outras menos conhecidas (EOG Resources, Occidental Petroleum e Marathon Oil, por exemplo).

Nos dois casos, porém, vale destacar que a liquidez é muito baixa, ou seja, o investidor deve encontrar dificuldades de comprar e vender rapidamente os ativos na bolsa. Nesse caso, uma saída é negociar os ETFs diretamente lá fora em vez dos BDRs que os replicam aqui no Brasil.

Empresas americanas

Para quem deseja ir diretamente a empresas beneficiadas pelo movimento do petróleo, é possível buscar BDRs na B3 ou ações no mercado americano, via corretoras internacionais. Entre as mais relevantes estão a ConocoPhillips (Nova York:COP; B3:COPH34), a Chevron (Nova York:CVX; B3:CHVX34) e a ExxonMobil (Nova York:XOM; B3:EXXO34).

A ConocoPhillips é uma empresa focada em exploração e produção (upstream). Isso significa que sua geração de caixa depende diretamente do preço do petróleo e do gás natural. Por não contar com operações relevantes de refino e distribuição que amortecem ciclos, seus resultados tendem a ser mais sensíveis às oscilações da commodity.

Chevron e ExxonMobil são empresas com cadeias integradas. Além da produção de petróleo, atuam em refino, distribuição e petroquímica. Isso tende a suavizar parcialmente os efeitos das oscilações do petróleo sobre os resultados, já que as margens de refino (o que sobra da receita depois dos custos e dos investimentos) podem se comportar de maneira distinta do preço do barril.

Ainda assim, para as duas empresas, o segmento de exploração e produção continua sendo determinante para a rentabilidade em ciclos de alta da commodity.

Empresas brasileiras

No campo das empresas brasileiras, a Petrobras é a alternativa mais evidente, embora o futuro da empresa esteja muito mais ligado à sua capacidade de execução do que simplesmente à direção do petróleo.

De qualquer forma, o preço da commodity interfere diretamente na receita no segmento de exploração e produção, que responde pela maior parte do lucro operacional da companhia. Ou seja, a correlação com a matéria-prima existe, mesmo não sendo o único fator a ser levado em conta.

A estatal brasileira é uma das maiores produtoras globais em águas profundas e no pré-sal, com custo de extração considerado competitivo internacionalmente. Quando o Brent sobe, a receita por barril vendido aumenta, ampliando a geração de caixa.

Mas existe um componente adicional a ser levado em conta: os eventos políticos. Isso porque, em ano eleitoral como é o caso de 2026, começam a pesar as dúvidas para o futuro da política de preços de combustíveis, câmbio e decisões de alocação de capital. É o período em que os papéis podem apresentar ainda mais volatilidade do que o normal.

Entre as empresas brasileiras independentes, aquelas que tendem a responder de forma mais direta ao movimento do petróleo é a Prio, segundo analistas. A companhia atua predominantemente em exploração e produção e não possui operações relevantes de refino ou distribuição.

Sua receita é diretamente ligada ao preço do Brent e ao volume produzido nos campos em que opera. Por ser uma empresa focada em ativos maduros adquiridos de grandes operadoras, sua geração de caixa tende a ser altamente sensível às variações da commodity, o que pode potencializar ganhos em ciclos de alta — mas também ampliar a volatilidade em momentos de queda.

Ibovespa tem maior concentração em 12 anos: como isso atrapalha a diversificação da sua carteira

21 de Outubro de 2025, 11:29

O Ibovespa vive o maior nível de concentração em mais de uma década. As dez maiores ações representam juntas mais de 50% do índice — o peso mais alto desde 2013, segundo levantamento do InvestNews. Na prática, isso significa que tentar replicar o Ibovespa hoje – seja por meio de ETFs ou fundos passivos – deixou de ser sinônimo de diversificação.

Entre as 82 ações que formam o índice, dez empresas dominam o desempenho: Vale (11,2%), Itaú Unibanco PN (8,2%), Petrobras (10,4%, somando ações preferenciais e ordinárias), Eletrobras (4,4%), Bradesco PN (4,1%), Sabesp (3,6%), B3 (3,2%), BTG Pactual (3,1%) e Itaúsa (3,1%).

Algumas delas até ganharam espaço nos últimos anos — casos de Sabesp e BTG Pactual —, mas o avanço mais expressivo veio das gigantes que já carregavam peso histórico. A Vale, por exemplo, tinha participação de apenas 3,5% há 12 anos; hoje, sozinha, responde por mais de um décimo do índice.

A concentração é um desafio para quem busca uma carteira equilibrada. Uma das formas mais clássicas de se investir de forma diversificada é por meio de ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham índices como o Ibovespa ou o S&P 500. Mas, com o peso crescente de poucas companhias, o investidor que escolhe um ETF do Ibovespa acaba mais exposto aos riscos específicos dessas grandes empresas do que imagina.

O jeito, então, é combinar mais coisas. O planejador financeiro Robson Ortis sugere como alternativa intercalar setores e segmentos menos representativos nos grandes índices – e sem sequer abandonar o uso dos ETFs, que são de fato alternativas práticas, simples e de baixo custo.

Para os investidores com perfil mais agressivo, ETFs de empresas menores (small caps) são um bom caminho. Assim como para a maioria das ações, as pequenas se aproveitam de um cenário positivo para a renda variável, mas são bem mais sensíveis às perspectivas de juros e atividade econômica, o que apimenta mais a carteira.

O ETF de maior liquidez ligado a essas companhias é o SMAL11, que segue o índice SMLL, composto por papéis bastante diversos. Os 10 de maior participação no índice são todos de empresas com fatia muito pequena dentro do Ibovespa, que não chegam a 1%: Lojas Renner, Assaí, Allos, SmartFit, Multiplan, Brava Energia, Taesa, Cyrela, Natura e Sanepar (que nem no principal índice da B3 está).

Do lado um pouco menos volátil, mas ainda dentro da renda variável, setores com receitas estáveis e menos dependentes do cenário macroeconômico também funcionam para equilibrar a carteira, caso das empresas reguladas de utilidade pública: energia elétrica, saneamento, água e gás.

O mais recente ETF lançado para acompanhar essas companhias é o UTLL11, que segue o índice UTIL, composto por papéis que aparecem no Ibovespa, caso de Sabesp e Eletrobras, mas com importante participação de outras representantes do setor, como Equatorial, Eneva, Cemig, Copel, Energisa e Engie Brasil.

Ao comprar um ETF de Ibovespa, o investidor tem 15% de exposição a essas companhias; via um ETF do setor, a participação desses nomes sobe para 85%. Aqui, aumentar a concentração ao setor na carteira teria uma finalidade de diversificação do portfólio para um perfil mais “defensivo” contra sobressaltos no mercado.

Vale a ressalva de que o UTLL11 ainda está com a liquidez em formação, já que foi lançado em setembro deste ano – o que pode dificultar um pouco a vida de quem desejar comprar e vender o fundo mais rapidamente na bolsa.

Uma camada a mais, com um pé fora do Brasil

Um investidor poderia se perguntar se comprar um ETF simples de S&P 500 não seria o suficiente para trazer mais diversidade para o portfólio. À primeira vista, sim: comprar as 500 maiores companhias americanas é, de cara, uma solução básica indicada por vários consultores e planejadores financeiros.

Ocorre que, da mesma forma que no Ibovespa, a concentração das empresas no índice americano é mais alta da história. Os 10 principais papéis atingiram o pico de 38% de participação no indicador desde 1880, segundo dados do Citi Global Insights. E, hoje, eles são praticamente todos do setor de tecnologia: Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Meta, Tesla e Broadcom.

Com praticamente nenhuma representatividade no mercado brasileiro, o setor de tecnologia tem um papel extremamente importante na estratégia de investimentos. Por isso, nesse caso, um ETF de S&P simples, como o IVVB11, cumpre bem o papel. É preciso se atentar apenas para o risco adicional de ter esse produto: a exposição cambial.

Para o investidor que quer diluir o efeito dessa concentração em poucas empresas e reduzir a volatilidade da carteira, sem precisar abrir uma conta em uma corretora internacional, uma opção são os ETFs híbridos na B3. É o caso do GOAT11, que tem 80% de exposição à renda fixa, via títulos públicos, e 20% ao S&P 500.

A parte de renda fixa acompanha o índice IMA-B, que dá a variação dos títulos atrelados ao IPCA, o conhecido Tesouro IPCA+. E a parte de bolsa americana apenas replica o índice lá fora. Se sete empresas equivalem a 38% do S&P 500, o GOAT11 dilui isso para cerca de 7,6%. Um bom negócio para quem quer dar um passo em direção ao mar, mas sem se molhar demais.

Queda na volatilidade do dólar abre janela para investir lá fora. Saiba como aproveitar

10 de Outubro de 2025, 11:28

Quem buscou diversificar seus investimentos em dólar viveu “mixed feelings” desde a metade de 2024: ou a moeda americana não parava de subir, como no ano passado, ou manteve uma queda constante, como neste ano. E aí, ficava difícil acertar a hora de aplicar. Mas agora chegou a hora de tirar da gaveta os planos de investir no exterior.

Desde meados do ano, a moeda americana tem estado muito mais comportada. A volatilidade praticamente sumiu e o dólar se estabilizou em um patamar bem mais baixo do que o visto no início de 2025.

De julho para cá, o dólar acumulou uma leve queda de 1% frente ao real. No ano, a moeda dos EUA recua 14,74%, ou seja, a queda se concentrou, basicamente, na primeira metade do ano. Além disso, a perspectiva da taxa de câmbio é se manter abaixo de R$ 5,40, pelo menos, nos próximos meses.

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É justamente a volatilidade que traz um dos principais riscos e atrapalha a vida dos aplicadores que ficam tentando acerta o melhor momento de investir. Por isso, a calmaria cambial ajuda quem tem planos de manter uma parcela do patrimônio em moeda forte.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, cita oportunidades, por exemplo, em títulos de renda fixa emitidos tanto pelo governo americano quanto por empresas de maior qualidade de crédito. “É uma chance de travar, em dólar, taxas prefixadas ainda elevadas.”

Uma possibilidade para o investidor brasileiro é aplicar em bonds de companhias brasileiras com melhor perfil de crédito. “Lá fora, o mercado enxerga nossas gigantes, como Petrobras e Vale, como empresas de mercados emergentes que precisam pagar um prêmio maior comparadas aos pares americanos”, explica. Mas, para os brasileiros, são os grupos mais sólidos do mercado.

A Petrobras tem um bond com vencimento em 2029 que hoje está sendo negociado com uma taxa de retorno (yield) de 5,80% ao ano. Outro papel com prazo em 2035 oferece um yield de 6,10% anual.

O bond da Vale com vencimento em 2034 é negociado a uma taxa de 8,20%. Outro título em dólar da mineradora com prazo até 2039 paga atualmente um yield de 6,87% ao ano.

No caso dos títulos públicos americanos, os chamadas Treasuries, os retornos prefixados se mantêm perto dos 4% ao ano. O papel de 5 anos, por exemplo, está pagando uma taxa de 3,74%. Já o de 10 anos está com um retorno de 4,15% anuais.

Para quem busca investir em dólar, mas quer manter a possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento, a estrategista da Nomad cita como opção de aplicações os ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo. São fundos de índices com cotas negociadas na bolsa. Esses veículos mantêm uma carteira com até 80% aplicada em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

Como as cotas são negociadas na bolsa, o investidor pode entrar e sair a qualquer momento. O ETF VBILL da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,44%. Outro fundo o TBLL, da Invesco, tem um yield em 12 meses de 3,89%. “Funciona de maneira parecida com o nosso CDI.”

Zogbi enxerga ainda oportunidade de diversificação em ações internacionais. Na visão da estrategista, o investidor brasileiro pode aplicar em vários mercados também por meio de ETFs. Há vários fundos de índice que seguem referenciais com os índices globais da MSCI. Um ETF do MSCI World ex-US, por exemplo, possibilita ao investidor ter exposição a 22 mercados desenvolvidos, mas tira os EUA da lista.

Por outro lado, quem busca manter um pé nas bolsas americanas encontra fundos de índice que replicam referenciais amplos do mercado acionário dos EUA, como o S&P 500 e o Russell 2000. “O setor de tecnologia lá fora pode até estar caro, mas há muitos outros entregando resultados acima das expectativas. Tem ainda muitas oportunidades nas ações dos Estados Unidos.”

Os títulos de renda fixa e os fundos são oferecidos em plataformas digitais e podem ser acessados por meio de contas globais de investimentos.

A especialista da Nomad lembra ainda que pensar em investimentos lá fora é muito diferente de comprar dólar para viajar. “Na viagem, o melhor é fazer um câmbio médio. Mas no caso de diversificação internacional, o quanto antes começar, melhor.”

Isso porque a oscilação cambial é atenuada pelo efeito dos juros compostos, então quanto mais tempo o dinheiro ficar investido maior a vantagem na rentabilidade da carteira. Zogbi ressalta ainda que manter os recursos no longo prazo ainda ajuda a aproveitar os melhores dias do mercado, que podem representar um reforço significativo na hora de resgatar.

De qualquer modo, essa janela de calmaria provavelmente tem um prazo de validade. A estrategista-chefe da Nomad vê a partir do ano que vem uma chance cada vez maior da volta da volatilidade. “A questão fiscal tende a influenciar mais o câmbio no ano que vem, principalmente quando o tema das eleições ficar mais no foco.”

A economista lembra que no fim de 2024 o dólar subiu para a casa dos R$ 6,18 principalmente por conta das preocupações com o desequilíbrio fiscal. Na visão da estrategista da Nomad, esse fator ganhou um contrapeso com o enfraquecimento global da moeda americana ao longo do ano e o grande diferencial de juros existente entre Brasil e EUA.

Para 2026, o cenário pode mudar. Essa virada pode acontecer porque o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado para uma redução de ritmo ou até mesmo uma pausa nos cortes de juros a partir do ano que vem. Além disso, o BC brasileiro pode começar seu próprio ciclo de redução de taxas, o que reduzia a diferença entre os rendimentos de ativos locais e americanos. Essa diminuição do diferencial de juros tende a fortalecer a moeda americana.

Além disso, o Brasil tem suas próprias incertezas internas. A principal tem a ver com a trajetória do endividamento público e a menor disposição para enfrentar o problema em um ano de eleições. São incertezas que elevam o prêmio de risco pedido pelos investidores globais e, com um fluxo menor de dinheiro de fora vindo para o país, tendem a enfraquecer o real.

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