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Mercados hoje: ata do Copom traz pistas sobre o que esperar dos cortes de juros no Brasil

24 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta terça-feira (24), com os mercados globais mais amenos, os investidores se voltam à divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. No encontro da semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, iniciando o ciclo de queda de juros. No entanto, o mercado busca pistas sobre o que o BC deve fazer daqui para a frente: vai manter um ritmo de conta-gotas na redução da taxa básica ou pode acelerar o passo? Lá fora, após a euforia de ontem, os investidores aguardam ações mais concretas sobre as eventuais negociações entre EUA e Irã para o fim do conflito.

Enquanto você dormia…

  • O humor global entrou em um modo de cautela após o rali de ontem perder tração. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm praticamente estáveis: às 7h25, o S&P 500 futuro tem queda de -0,08%, enquanto o Nasdaq futuro tem alta de +0,01%.
  • Na Europa, as bolsas operam em queda leve. O Stoxx 600 recua -0,02%
  • Na Ásia, os investidores entraram no modo risco ainda embalados pela possibilidade de acordo ente EUA e Irã. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou a sessão em alta de +1,43%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +2,79%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,19% aos 99,32 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,88% aos US$ 100,89 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,372% ao ano.

Destaques do dia

  • O mercado voltou a se preocupar com a oferta global de petróleo após sinais contraditórios sobre possíveis negociações entre EUA e Irã. A ausência de avanços concretos reduziu a confiança em uma solução rápida para tensões no Oriente Médio.
  • Ao mesmo tempo, dados de atividade na Europa vieram fracos, reforçando o cenário incômodo de crescimento fraco com pressão inflacionária — o famoso “cobertor curto”.
  • E daí? No Brasil, o setor de óleo e gás tendem a manter a tração no curto prazo, mas o efeito colateral pode ser uma curva de juros mais pressionada e maior cautela com ativos domésticos sensíveis à Selic.

Giro pelo mundo

  • Danone avança em proteínas: a empresa anunciou a compra da Huel por cerca de €1 bilhão, reforçando a estratégia em nutrição e bebidas proteicas — segmento que cresce acima da média global; o mercado deve observar impactos em margens e expansão internacional.
  • Japão libera estoques: o governo japonês indicou uso de reservas estratégicas de petróleo para conter impactos de preços; sinal importante de que países já começam a agir para mitigar choques de oferta.
  • Europa em marcha lenta: PMIs preliminares indicaram atividade quase estagnada na zona do euro em março, aumentando a pressão sobre o BCE em meio ao dilema entre crescimento fraco e inflação resistente.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no radar: o documento deve detalhar o corte de 0,25 p.p. da Selic e, principalmente, o grau de cautela do Banco Central diante de riscos externos — como o petróleo — e internos — como expectativas de inflação.
  • Segurança no sistema financeiro: o BTG Pactual sofreu uma fraude via Pix, que chegou a desviar R$ 100 milhões, dos quais a maior parte já foi recuperada. Houve alerta automatizado do BC, mas o caso levanta discussões sobre robustez do sistema e eventuais ajustes regulatórios.
  • Juros e petróleo: o cenário externo mais pressionado pode dificultar cortes mais agressivos da Selic, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal do BC.

Giro corporativo

  • Movida: resultados de 2025 vieram com crescimento de receita, Ebitda e lucro, indicando melhora operacional; guidance aponta continuidade da recuperação, com atenção à alavancagem e custo financeiro.
  • Fleury, Porto e Oncoclínicas: negociações para criar uma nova empresa focada em oncologia avançam; o mercado acompanha potenciais sinergias e estrutura societária.
  • Casas Bahia: parceria com a Amazon reforça estratégia de ampliar canais digitais e acelerar vendas via marketplace, buscando ganho de escala e giro de estoque.
  • Embraer: pedido relevante da Finnair de até 46 jatos comerciais E195 E2 reacendeu o apetite pelo papel após período de volatilidade; investidores acompanham impacto na carteira de pedidos e no fluxo de entregas.

Agenda do dia

  • 08:00: Ata do Copom — detalha a decisão recente e sinaliza próximos passos da política monetária.
  • 10:45: PMI preliminar — EUA; indicador-chave para medir ritmo da economia e pressões inflacionárias.
  • 11:30: Estoques de petróleo — EUA; dado pode amplificar ou aliviar a pressão recente nos preços da commodity.

Ótima terça-feira e bons negócios!

BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

20 de Março de 2026, 12:37

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

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O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

BC assume risco sobre inflação com postura menos cautelosa, diz Solange Srour, do UBS

20 de Março de 2026, 06:15

O Banco Central sinalizou que poderá cortar os juros em sua próxima reunião, no fim de abril, mesmo que a Guerra do Irã ainda persista até lá. O risco, porém, é de que, embora o ciclo de queda de juros mal tenha começado, já precise ser interrompido, avaliou a diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, em entrevista ao InvestNews.

Na opinião da economista, o Comitê de Política Monetária, o Copom, não deveria ter iniciado o ciclo de redução da Selic. O BC cortou a taxa básica para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), na primeira diminuição em quase dois anos.

“Pessoalmente, acho que o BC deveria ter adiado”, disse. “Ninguém sabe se a guerra vai demorar mais duas semanas ou quatro meses.”

Mesmo se o conflito terminar em breve, já existe uma inflação “contratada” devido ao aumento dos preços do petróleo, de energia e de insumos, como fertilizantes.

“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, disse Srour.

Em um cenário no qual o conflito se estenda muito mais tempo e o choque de oferta e de preços de energia perdure por meses, “o risco é o de o BC cortar 0,50 ponto e ter de parar”.

Além disso, Srour lembra que, mesmo com um eventual cessar-fogo ou fim do conflito, ninguém sabe a extensão dos danos à infraestrutura produtiva de petróleo e gás na região.

“Não é só ‘ligou e desligou’. Se uma instalação foi destruída ou danificada, pode levar meses até que a região consiga retomar os níveis [de produção de petróleo] de antes da guerra. Isso significa que o efeito sobre a oferta vai durar muito mais tempo.”

A diretora do UBS GWM ressalta ainda que o mercado leu o comunicado da decisão da quarta-feira (18) como mais “suave” ou “dovish“, no jargão do mercado. Isso porque o Banco Central não só cortou como evitou deixar em aberto a possibilidade de uma pausa.

Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Foto: Divulgação

“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante.”

Segundo a economista, um dos principais riscos de uma comunicação menos cautelosa é iniciar um processo de desancoragem das expectativas de inflação. Ou seja, de os agentes de mercado passarem a embutir projeções cada vez mais elevadas para os preços no futuro.

A desacoragem, na prática, representa uma perda de confiança na capacidade de a política monetária controlar a alta dos preços, o que acaba por criar um efeito inflacionário. Nesse cenário, o BC pode reavaliar os rumos dos juros e até mesmo ter de elevar as taxas novamente.

O UBS GWM, por outro lado, ainda projeta uma probabilidade maior de os efeitos do conflito serem transitórios, o que possibilitaria ao Copom dar continuidade ao ciclo de cortes.

Nesse cenário mais positivo, o preço do petróleo voltaria a um patamar mais perto de US$ 85 o barril e a situação no Estreito de Ormuz se normalizaria até o fim de abril.

A economista do UBS mantém no cenário-base a possibilidade de a Selic terminar o ano no intervalo entre 12% e 12,5% ao ano. “Mas um ciclo de corte de três pontos [percentuais] ou menos já representa um espaço menor do que o mercado tinha começado a projetar antes da guerra.”

Dificuldades do BC no pós-guerra

As dificuldades da política monetária não vão acabar quando a guerra terminar. Para Srour, quando o peso do cenário internacional começar a diminuir, o doméstico passará a predominar.

“O ponto é que o desequilíbrio fiscal volta a se tornar o novo foco de atenção. Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança.”

Nesse cenário, o esperado é que a curva de juros abra ainda mais, o câmbio deprecie e a aversão ao risco nos mercados volte a predominar.

“Seria o pior cenário, porque essa crise de confiança levaria a mais inflação e a uma desaceleração econômica. E o BC não teria outra alternativa a não ser subir juros novamente.”

Na visão da economista, o risco desse cenário se tornará mais presente conforme as eleições fiquem mais próximas. Para Srour, para evitar esse quadro, os candidatos com mais chances de vitória terão que sinalizar que vão endereçar a questão fiscal em seu mandato.

“É muito importante que o presidente eleito entenda que não tem muito tempo para apresentar esse ajuste. E não pode ser mais do mesmo, porque não será mais suficiente para segurar as expectativas.”

Mercados hoje: alta dos preços de energia já começa a pesar nas decisões dos bancos centrais

17 de Março de 2026, 07:46

Bom dia!

Nesta terça-feira (17), véspera das decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do nosso BC, as atenções continuam voltadas para a escalada do conflito no Irã. O momento é de expectativa antes da superquarta. Todos querem saber quais sinais os BCs vão passar em meio a crise global de preços de energia. A autoridade da Austrália foi a primeira a reagir nesse novo mundo do petróleo acima de US$ 100: subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual. Por aqui, o IGP-10 dos primeiros dias de março sai ainda em tempo de ser considerado pelo Copom, mas não deve trazer surpresas.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global amanheceu sem pânico, mas também sem muita vontade de cantar vitória antes de ver o que Fed e Copom vão sinalizar. Às 7h30, os futuros das bolas de Nova York mantinham queda, com o S&P 500 futuro caindo -0,28% e o Nasdaq futuro recuando -0,37%.
  • Na Europa, as bolsas sobem levemente. O Stoxx 600 tem suida de +0,28%.
  • Na Ásia, os investidores tentam digerir o vaivém do petróleo e a perspectiva de BCs mais duros com a inflação. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com baixa de -0,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +0,13%.
  • O índice dólar (DXY) se situa em 99,75 pontos, levemente abaixo de ontem. O petróleo Brent sobe +3,31% a US$ 103,51. barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para a faixa de 4,224% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo mantém volatilidade vista nos últimos dias. Se ontem os preços da commodity recuaram e até perderam o piso dos US$ 100, hoje voltam a avançar e a subir acima desse patamar.
  • As cotações reagem aos novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos, com impacto sobre infraestrutura energética.
  • A continuidade do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz recolocam pressão sobre o movimento da inflação global justamente quando o Fed inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, outros BCs globais como o Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão também entram no radar nesta semana.
  • Na prática, o mercado passou a olhar menos para corte de juros e mais para o risco de os BCs começarem a cogitar a possibilidade de novas subidas de juros.
  • E daí? No Brasil, Petrobras e Prio tendem a continuar no foco com a alta do barril, enquanto o restante da bolsa pode sentir o combo petróleo mais caro + juros altos por mais tempo. A curva local também deve ouvir com atenção qualquer pista do Copom a partir de hoje.

Giro pelo mundo

  • Juros na Austrália: o RBA elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para 4,1%, tornando-se o primeiro BC a subir juros desde a escalada do conflito no Oriente Médio; o recado reforça o viés de cautela global.
  • China e petróleo: a China aumentou estoques de petróleo no começo do ano, mas ainda evita usar essas reservas, o que ajuda a manter a discussão sobre oferta apertada no radar.
  • Fed no radar: começa nesta terça a reunião de dois dias do FOMC; a decisão sai na quarta-feira, às 15h, com coletiva às 15h30 no horário de Brasília.

Giro pelo Brasil

  • Imposto de Renda 2026: a Receita confirmou as regras da declaração, com entrega entre 23 de março e 29 de maio; entra no radar de pessoas físicas e também do noticiário de serviços financeiros.
  • Copom: a reunião começa nesta terça e a decisão sai amanhã. Com o choque recente do petróleo, o mercado vai procurar qualquer ajuste no tom do BC.

Giro corporativo

  • Porto + Oncoclínicas: o acordo prevê uma nova empresa com as 150 clínicas oncológicas, sob controle da Porto, em uma estrutura de R$ 1 bilhão que tenta separar os melhores ativos do passivo mais pesado da Oncoclínicas.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

16 de Março de 2026, 07:43

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

7 de Março de 2026, 12:12

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, do Banco Master, em nova fase de operação da Justiça

4 de Março de 2026, 08:14

A Polícia Federal prendeu nesta manhã de quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A detenção faz parte da 3ª fase da Operação Compliance Zero.

Segundo nota da Polícia Federal, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Trata-se da primeira medida autorizada pelo ministro André Medonça desde que ele assumiu a relatoria do caso em substituição ao ministro Dias Toffoli.

As investigações contaram com o apoio do Banco Central.

Segundo a PF, a operação investiga possíveis práticas de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões. O objetivo é “interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada inicialmente em novembro de 2025 relacionada a investigações sobre as suspeitas de prática de crimes envolvendo o Banco Master e o BRB, como a criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio do banco de Daniel Vorcaro e ocultar perdas e passivos que não teriam condições de serem honrados.

Em ato relacionado à operação, o Banco Central decretou a liquidação do Master depois de meses de investigação com o objetivo declarado de mitigar riscos de contágio das perdas ao sistema financeiro nacional.

Na ocasião, Vorcaro chegou a ser detido no aeroporto internacional de São Paulo antes de embarque para o exterior, mas foi solto dez dias depois com habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Efeito Master: Banco Central libera R$ 30 bilhões em compulsório para bancos recomporem o FGC

3 de Março de 2026, 20:02

O Banco Central editou nesta terça-feira (3) a Resolução BCB nº 551, que cria uma espécie de compensação contábil para evitar que a recomposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) drene liquidez do sistema bancário. A estimativa do BC é que a medida libere até R$ 30 bilhões em 2026.

O contexto é o seguinte: em fevereiro, o FGC obrigou todos os bancos associados a antecipar contribuições mensais para recompor o caixa do fundo, esvaziado após o pagamento de R$ 51,8 bilhões em garantias a depositantes de instituições ligadas ao banco Master — incluindo o Will Bank e o Banco Pleno, liquidados na sequência. Se os bancos simplesmente tirassem esse dinheiro de suas operações para depositar no FGC, o efeito prático seria um aperto de liquidez no sistema, algo que o BC quer evitar num momento de juros já elevados.

A solução foi permitir que cada banco desconte do compulsório — a reserva obrigatória que toda instituição financeira mantém depositada no BC — o valor exato que antecipar ao FGC. Em termos simples: o dinheiro que o banco já tinha parado no BC é redirecionado ao fundo, em vez de sair do caixa operacional. Para o sistema como um todo, o volume de recursos em circulação não muda — é o que o BC chama de “neutralizar o efeito da antecipação ao FGC na liquidez do sistema bancário”.

A resolução ainda dá aos bancos a liberdade de escolher de qual compulsório fazer a dedução — se do que incide sobre depósitos à vista ou sobre depósitos a prazo. A distinção importa porque a composição de passivos varia muito entre instituições: bancos de varejo com grande base de conta corrente podem preferir deduzir do compulsório à vista, enquanto bancos mais dependentes de CDBs podem optar pelo de depósitos a prazo. Na avaliação do BC, essa flexibilidade “amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance”.

O alívio é temporário. À medida que cada parcela antecipada ao FGC vence, o compulsório correspondente é recomposto. O efeito líquido, portanto, é o de um colchão rotativo: libera agora, recolhe depois — exatamente a função que o compulsório já deveria cumprir em situações de estresse.

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Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

9 de Janeiro de 2026, 12:13

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

9 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)

Saque dos fundos de ações soma R$ 54 bilhões em 2025. É realmente hora de ir para a bolsa?

8 de Janeiro de 2026, 18:46

Uma parte do mercado quer acreditar que o estrondoso ganho da bolsa em 2025 vai se repetir em 2026. Tudo por conta da famigerada expectativa de juros menores no exterior, como foi ano passado, e também aqui, como parece “prometido”.

Só que as pessoas físicas seguem fazendo o movimento oposto: os fundos de ações registraram saques bilionários, evidenciando um descompasso crescente entre o discurso otimista sobre a bolsa e o comportamento efetivo do dinheiro. Quem está certo, afinal?

Enquanto o Ibovespa entregou um retorno de 34% no acumulado de 2025, os investidores de varejo sacaram dos fundos de ações R$ 54,5 bilhões. É o segundo ano seguido de retirada de recursos. No caso dos multimercados, que investem em várias classes de ativos, a situação é ainda pior: as saídas foram de R$ 58,9 bilhões, o quarto ano seguido de retiradas. Os dados foram divulgados hoje pela Anbima, entidade do mercado de capitais.

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Está claro que a concorrência com os ETFs pesou. Os fundos negociados em bolsa cobram taxas menores, sem perda de desempenho na comparação com a maior parte dos fundos. Os grandes ETFs são de renda variável – seguem índices de ações. O crescimento deles (+R$ 22,9 bi no ano), então, mostra que houve algum apetite pela bolsa, mas por outra via.

Já os multimercados concorrem de algum modo com os fundos de renda fixa. Com a Selic no maior nível em 19 anos, é natural que a competição tenha sido dura – mais ainda levando em conta que os de RF cobram taxas menores. Isso ajuda a explicar a alta captação deles (+ R$ 84,3).

Outro concorrente foram os FIDCs (Fundos de Direitos Creditórios). Trata-se de um produto de renda fixa, mas voltado a dar mais retorno que os tradicionais (ainda que ofereça mais risco). Eles têm atraído investidores de bolsos mais fundos, enxugando ainda mais o dinheiro que iria para os fundos de ações e os multimercados.

Para onde a bolsa vai?

De volta para o futuro da renda variável.

Quem vê espaço para a bolsa se valorizar ao longo deste ano se pauta sobretudo pelo corte de juros no Brasil, esperado logo para o primeiro semestre. O boletim Focus, pesquisa do Banco Central com economistas, não deixa mentir: a expectativa é de uma Selic em 12,25% no fim de 2026. Para uma taxa que começa o ano em 15% não parece muito, mas há quem veja como suficiente para dar fôlego às ações.

“A tendência é de recuperação porque partimos de uma base muito grande de saída de dinheiro”, diz Pedro Rudge, diretor da Anbima, durante a apresentação de resultados hoje. “À medida que os fundos apresentarem ou continuarem apresentando retornos, o investidor vai voltar a procurá-los.”

E tem também o movimento dos juros lá fora. Em setembro do ano passado, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começou a dar seus passos no corte das taxas, levando-as para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

A matemática é: juros menores lá fora empurram dinheiro dos estrangeiros para outros mercados considerados mais arriscados. Afinal, se for para ganhar menos na renda fixa americana, melhor procurar outra coisa. Em um momento em que o mercado se questiona o quão caras estão as ações americanas, especialmente as de tecnologia, o Brasil e os demais emergentes ainda parecem estar na rota do dinheiro vindo de fora.

Mas quem encara a bolsa como uma classe de investimento com menos apelo se pauta justamente pelo fato de que os juros no Brasil estão – e ficarão – em níveis altos. Não há motivo para sair da confortável renda fixa nesse contexto.

De 15% para 12,25% a conta ainda não fecha. A conta fechava mesmo em 2020: com o juro em um dígito, os fundos de ações e multimercados viram uma entrada gigantesca de recursos – foram R$ 73 bilhões para o primeiro e R$ 103 bilhões para o segundo.

E aí vem o argumento sobre o momento no exterior agora: se o impulso dos juros menores em economias desenvolvidas foi essencial para trazer o investidor estrangeiro para a bolsa brasileira, esse ano o cenário é um pouco diferente. A expectativa é de que o Fed adote uma postura mais cautelosa: apenas 11,6% do mercado espera um corte dos juros na primeira reunião do ano, no dia 28, segundo dados da ferramenta CME FedWatch.

Entre otimismo e cautela, o investidor que evitou tentar acertar o momento de entrar ou sair do mercado acabou ganhando mais. Para refrescar a memória: em 2024, quando o dólar subiu 27% e a bolsa caiu 10%, boa parte dos analistas acreditava que o movimento rumo ao fundo do poço continuaria em 2025. É comum que aconteça: esperar que a realidade atual seja a do futuro próximo.

O investidor que decidiu comprar bolsa naquele momento de queda das ações – que é justamente o que manda o “manual” do bom investimento – colheu os 34% de alta. Quem demorou e esperou chegar no fim do semestre, por exemplo, ganhou 19%. A ver o que o futuro reserva.

Promissor e turbulento: as expectativas para o mercado brasileiro em 2026, segundo o BTG

29 de Dezembro de 2025, 11:35

O ano de 2026 deve repetir uma parte da dinâmica de 2025. Ou seja: atividade mais fraca, inflação em desaceleração e uma perspectiva de juros mais baixos no mundo e até no Brasil. O que vai mudar? A turbulência do ano eleitoral. Uma Selic em queda junto com a aproximação do pleito cria um ambiente em que oportunidades e riscos caminham lado a lado, e a cautela será a ordem do dia.

Primeiro, o cenário econômico. Para o BTG, a atividade deve perder algum fôlego: após crescer 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar cerca de 1,7% em 2026. Essa desaceleração reflete os efeitos defasados de uma política monetária que permaneceu bastante restritiva por um período prolongado.

O Banco Central nem de longe indicou que haverá um corte de juros em breve, mas o BTG trabalha com a mesma perspectiva de muitos economistas: a política monetária será o principal fator positivo no início do ano porque ela levará a Selic, hoje no maior nível em quase duas décadas, a uma trajetória de queda.

A projeção do banco é de uma redução da taxa básica de juros para 12% ao final de 2026. É um nível que mantém os juros reais elevados, mas que já altera de forma significativa o ambiente para ativos domésticos. E é o que beneficia especialmente setores mais sensíveis ao custo do crédito e às taxas de longo prazo – varejo e consumo entre eles.

O lado fiscal, de novo

O problema mesmo está na agenda fiscal do governo. Se, por um lado, a queda dos juros oferece algum alívio, a política fiscal segue como o principal ponto de fragilidade do Brasil e para os mercados.

A relação entre a dívida do governo e o PIB permanece elevada, próxima de 80%, e o déficit nominal continua pressionado pelo peso das despesas com juros. Quer dizer: de um lado, o governo está gastando muito em relação à riqueza que a economia gera.

Por outro lado, o juro alto faz a dívida do governo ficar mais cara – e o juro está alto justamente para conter a inflação, que sobe quando o nível de gastos do governo é grande. Uma coisa se alimenta da outra.

Nessa frente, as coisas não caminham bem. O relatório do BTG avalia que não há disposição política para um ajuste fiscal relevante antes das eleições, o que torna improvável qualquer leitura mais consistente em 2026. A trajetória das contas públicas virou um risco estrutural, capaz de limitar a queda dos juros longos e aumentar a sensibilidade do mercado a choques políticos.

As eleições no meio do caminho

É por isso que a eleição presidencial vira o principal fator de volatilidade especialmente no segundo semestre. Nos primeiros meses de 2026, o impacto político tende a ser menor, favorecido pelo recesso do Congresso e pelo foco dos investidores no corte de juros. Com o avanço do calendário eleitoral, porém, as pesquisas passam a ter peso crescente sobre os preços dos ativos.

O presidente Lula segue competitivo, com níveis de aprovação em torno de 43%, enquanto a definição do principal nome da oposição ainda gera incertezas. A permanência de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa é vista como um fator de risco pelo mercado, devido à sua alta rejeição.

De outro lado, a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é interpretada como um cenário mais construtivo, por sinalizar maior previsibilidade e disciplina fiscal. À medida que as pesquisas se tornam mais apertadas, o relatório projeta aumento da volatilidade e uma postura mais defensiva por parte dos investidores.

O cenário internacional e o quão baratas estão as ações

No cenário internacional, o ambiente é menos favorável do que em 2025, mas ainda relativamente benigno. Os Estados Unidos devem manter os juros estáveis ao longo de boa parte de 2026, após uma sequência de cortes iniciados neste ano e que deu enorme amparo para os ativos brasileiros no geral – juro menor lá fora estimula a procura por ativos mais arriscados ao redor do mundo, afinal.

Ainda assim, a ausência de um novo aperto nas condições financeiras globais evita pressões mais severas sobre mercados emergentes. Para o Brasil, o fator determinante segue sendo doméstico: a dinâmica dos juros locais e a percepção de risco fiscal e político é o que ganhará evidência.

O outro ponto que ajuda na tendência positiva para o mercado é que, apesar da forte alta da bolsa de valores em 2025, os ativos brasileiros ainda são negociados a preços relativamente baixos, inclusive do ponto de vista do investidor estrangeiro, o grande comprador de papéis neste ano – até dezembro, foram R$ 25 bilhões destinados ao mercado secundário (ações já listadas).

Isso porque o mercado americano, apesar da perda de força recente, mostrou um movimento muito forte nos últimos anos, impulsionado pelas empresas ligadas a inteligência artificial. O espaço para altas adicionais ainda existe porque essas empresas ainda são muito lucrativas, mas esse desempenho tão forte estimula que os “gringos” busquem outras opções.

Os preços dos ativos domésticos mais baixos também valem para o investidor local. O mercado continua cauteloso com o cenário fiscal e político, é um fato. Quando o nível de desconfiança está alto entre os investidores, eles só compram ações se elas estiverem realmente baratas (ou forem avaliadas dessa forma). Ou seja, o nível de “desconto” dos papéis na bolsa é grande, deixando os preços longe do que seria o seu “valor justo”.

Caso o processo eleitoral sinalize maior compromisso com o controle das contas públicas ou algum alívio nessa frente ocorra, essa percepção tende a melhorar, abrindo espaço para uma valorização adicional dos ativos. Nesse ambiente mais favorável, o BTG projeta crescimento expressivo dos lucros das empresas em 2026, especialmente nos setores ligados ao mercado interno, como bancos, serviços básicos, varejo e construção civil.

Em termos simples, o banco acredita que há motivos suficiente para que os ativos locais sigam em alta ao longo de 2026. Mas a tese passará por um teste de fogo, balançada pelo aumento da volatilidade e pelas tentativas dos investidores de incorporar aos preços as expectativas para a agenda econômica no futuro.

Mercados hoje: investidores mantêm foco total para os dados de emprego nos EUA e a ata do Copom no Brasil

16 de Dezembro de 2025, 07:32

Bom dia!
A terça-feira, 16 de dezembro, começa com os mercados no modo cautela antes da divulgação de dados importantes para as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Lá fora, investidores aguardam uma bateria de indicadores nos EUA, como o relatório do mercado de trabalho, o “payroll“, que atrasou com a paralisação do governo entre outubro e novembro. Por aqui, a ata do Copom é o principal prato do dia. O documento do nosso BC pode ajudar a fornecer pistas sobre os rumos dos juros em 2026, É dia de ler com calma e reagir sem pressa.

Enquanto você dormia…

  • O mercado internacional em ritmo contido: investidores evitam grandes apostas antes dos dados americanos. Os futuros das bolsas de Nova York mantêm queda antes do payroll: às 7h20, o S&P 500 futuro tem recuo de -0,40% e o Nasdaq futuro cai -0,57%.
  • Na Europa, o índice Stoxx 600 tem queda de -0,16%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa, pressionada por ações de tecnologia e por novas dúvidas sobre o ritmo da economia chinesa. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com queda de -1,56% e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou -1,54%.
  • O índice dólar (DXY) está praticamente estável com leve queda de -0,10% aos 98,21 pontos. O petróleo Brent tem forte queda de -1,80% para US$ 59,47 o barril. Os juros do Treasury de 10 anos se mantêm em 4,17% ao ano.


Destaques do dia

  • Ata do Copom e pacote de dados nos EUA concentram as atenções. O mercado busca sinais mais claros sobre o balanço de riscos, especialmente a avaliação do BC sobre inflação, atividade e política fiscal. O índice de atividade do BC, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e divulgado na segunda-feira (15), mostrou retração de -0,2% em outubro ante setembro em mais um sinal de desaceleração econômica. A leitura reforçou a visão de que os cortes de juros estão próximos.
  • Nos Estados Unidos, o dia é carregado: saem os relatórios de emprego de outubro e novembro, divulgados com atraso após a paralisação do governo, além das vendas no varejo e dos índices de gerentes de compras (PMIs). Para o payroll, o consenso aponta criação modesta de 40 mil vagas em novembro, taxa de desemprego em 4,4% e crescimento fraco das vendas no varejo.
  • E como isso impacta os mercados? Um conjunto de dados mais fracos nos EUA pode aliviar a pressão sobre os juros globais e ajudar ativos de risco. Já uma ata do Copom mais dura tende a manter a curva de juros doméstica pressionada, com reflexos diretos em câmbio e na bolsa.


Giro pelo mundo

  • Elétrico na berlinda: a Ford anunciou que vai reconhecer US$ 19,5 bilhões em encargos ligados à reestruturação de sua operação de veículos elétricos, com mudanças no portfólio e metas de tornar o negócio lucrativo até 2029.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no centro do debate: o documento pode ajustar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros em 2026 e influenciar diretamente os contratos de juros futuros ao longo do dia.
  • Atividade em desaceleração: o IBC-Br mostrou queda de 0,2% em outubro, reforçando o debate sobre perda de fôlego da economia no segundo semestre.

Giro corporativo

  • Braskem: a gestora IG4 acertou os termos para assumir o controle da companhia, com apoio de bancos credores e participação da Petrobras. O acordo ainda depende de aprovações regulatórias e pode levar até 60 dias para ser formalizado.
  • Mineração de ouro: a chinesa CMOC fechou a compra de ativos de ouro no Brasil que pertenciam à Equinox por US$ 1 bilhão, em uma operação que inclui pagamento em dinheiro e parcela contingente atrelada a desempenho.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Às vésperas do Copom, taxas dos CDBs curtinhos caem. Nos de vencimento longo, elas sobem

8 de Dezembro de 2025, 18:32

Às vésperas da reunião do Banco Central para definir o futuro da Selic, os rendimentos dos CDBs de prazo mais curto registraram queda, enquanto os títulos de prazo maior registraram avanços nas taxas oferecidas aos investidores.

Nos produtos com prazo mais curto, a remuneração caiu. Entre os títulos com vencimento em 3 meses, a taxa média de retorno saiu de 101,75% do CDI no fim do mês passado para 101,45% agora, enquanto os títulos para seis meses estão pagando em média 100,81%, contra 101% do CDI antes.

Já nos títulos mais longos, entre 12 e 24 meses, o movimento foi inverso: nos produtos de um ano meses, a remuneração saiu de 100,30% para 100,59%; nos de 24 mess, de 99,75% para 100,23%. Os dados foram levantados pela Quantum Finance a pedido do InvestNews.

A movimentação nas taxas do CDBs acontece na mesma semana em que o BC deve decidir por manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão sai na quarta-feira (10), mesmo dia em que também será divulgada a decisão do Fed, o banco central dos EUA, para os juros americanos. Lá fora, deve haver um corte de 0,25 ponto percentual na taxa.

Aqui, o que tiver de novidade provavelmente virá só do comunicado do Copom, o Comitê de Política Econômica, que decide os rumos dos juros. A expectativa é que venham mais pistas para um provável início dos cortes no início de 2026.

Se a perspectiva é de que a Selic tem espaço para cair, como acontece agora, os títulos mais curtos acabam se ajustando nessa direção. Mas essa moeda tem outro lado. Juros menos estratosféricos criam uma economia mais forte e um ambiente em que os bancos voltam a expandir suas operações de empréstimo. A demanda dos bancos por captação, consequentemente, aumenta.

Para tornar seus CDBs mais atraentes e garantir que o dinheiro entre, então, as instituições elevam as taxas. De qualquer modo, esse é um movimento de curto prazo. Não indica uma tendência duradoura.

Você tem CDB do Master? Chegou a hora de acionar o FGC

18 de Novembro de 2025, 13:58

Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) será acionado para a cobertura dos títulos que estão dentro dos parâmetros de ressarcimento estabelecidos pelo Fundo. Estão cobertos os CDBs, poupança, RDB, LCI e LCA dentro de um limite de R$ 250 mil por CPF, mesmo que as aplicações tenham sido feitas em bancos ou corretoras diferentes. O limite vale também para o total investido em um único emissor.

A partir da decretação da liquidação extrajudicial, o liquidante nomeado pelo BC consolida a lista de todos os credores (investidores) e os respectivos valores devidos até a data e a envia para o FGC.

Nesse caso, títulos garantidos pelo fundo – como os CDBs – não podem mais ser negociados no mercado secundário, segundo advogados ouvidos pelo InvestNews.

Isso significa que, quem tiver mais do que R$ 250 mil aplicados em papéis do Banco Master, mesmo que seja em títulos diferentes comprados em corretoras diferentes, ficará sem cobertura para a parcela acima desse teto.

Um exemplo: uma pessoa aplicou R$ 300 mil em dois CDBs no mesmo banco, cada um no valor de R$ 150 mil. Nesse caso, desses R$ 300 mil, R$ 50 mil estão desprotegidos, ou seja, não serão ressarcidos pelo FGC.

E veja: isso vale mesmo se o investidor tiver comprado R$ 150 mil em uma corretora A e outros R$ 150 mil em uma B de CDBs do mesmo banco.

Outro exemplo para prestar atenção: um investidor que comprou exatamente R$ 250 mil em um CDB. Nesse caso, a cobertura vale só para o valor investido, chamado de “principal”. Todo o rendimento do CDB excederá os R$ 250 mil e estará desprotegido.

Além disso, é importante ter em mente que o FGC cobrirá os R$ 250 mil até a data da intervenção, considerando na conta o principal e a rentabilidade do papel até aquela data, ainda que o título só viesse a vencer meses ou anos mais tarde.

Vamos supor que um investidor tenha depositado, em setembro de 2024, R$ 50 mil em um CDB com rendimento de 140% do CDI e validade de três anos. O aplicador receberá os R$ 50 mil acrescidos de 18,5% de retorno do CDI de setembro de 2024 a novembro de 2025, ou R$ 63 mil brutos. Os dois anos restantes de validade do certificado não são considerados.

Em uma outra situação, se um investidor aplicou, por exemplo, R$ 210 mil no mesmo CDB também em setembro de 2024, e nas mesmas condições. Em 15 meses o valor terá alcançado R$ 264 mil (brutos). Portanto, os R$ 14 mil acima do teto não estão cobertos pelo FGC e o detentor do título vai receber apenas R$ 250 mil.

Existe ainda a questão do imposto de renda sobre os rendimentos. O leão da Receita Federal “morde” sua parte mesmo na liquidação. Para o Fisco, o pagamento feito pelo FGC conta como um resgate da aplicação.

Desse modo, o FGC já deposita o valor líquido na sua conta. A alíquota segue a tabela regressiva padrão da renda fixa, que varia de 22,5% (para aplicações até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), contando o tempo desde o dia em que você investiu até 18 de novembro, data da liquidação. Se o investidor tiver um LCI ou um LCA do Master, como são títulos isentos não há recolhimento de IR.

A partir do acionamento do FGC, o investidor terá de se cadastrar no aplicativo do fundo e indicar a conta bancária de sua titularidade para receber o pagamento (veja aqui o passo a passo). O processo todo, baseado nos casos mais recentes de acionamento do mecanismo, mostram que o fundo pode levar mais de um mês, dependendo da complexidade do caso, para efetuar o ressarcimento dos valores.

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Liquidação de banco: o que significa e como afeta os clientes

18 de Novembro de 2025, 13:37

A liquidação extrajudicial é o mecanismo regulatório que interrompe o funcionamento de uma instituição financeira e determina sua retirada do Sistema Financeiro Nacional. Nesse regime, o Banco Central nomeia um liquidante responsável por administrar os ativos e passivos da instituição, verificar créditos e conduzir o pagamento aos credores conforme previsto na Lei nº 6.024/1974.

O tema ganhou evidência em 2025 com a liquidação do Banco Master, após tentativas frustradas de venda de ativos e negociações com possíveis compradores. Com a decretação do regime pelo BC, foi nomeado um liquidante e passaram a valer, na prática, todos os procedimentos legais previstos para esse tipo de intervenção, incluindo a verificação de créditos, a administração dos ativos e a proteção dos credores cobertos pelo FGC.

Como funciona a liquidação de banco, em linhas práticas:

  • Decretação e nomeação do liquidante: o Banco Central declara a liquidação extrajudicial e indica quem será o liquidante, que passa a administrar a massa do banco (apuração de ativos, verificação de créditos, vendas e pagamentos). A atuação do liquidante é fiscalizada pelo BC.
  • Paralisação das operações rotineiras: abertura de contas, captações novas e concessões de crédito são interrompidas; operações em andamento são tratadas pelo liquidante.
  • Levantamento e venda de ativos: o liquidante converte ativos em caixa; ativos de difícil liquidez podem sofrer deságio, reduzindo os recursos para pagamento de credores.
  • Habilitação de credores e ordem de pagamento: credores são registrados e pagos conforme a ordem legal (custos do processo, créditos trabalhistas, garantidos pelo FGC, demais credores etc.).

Papel do FGC:

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) atua como mecanismo de proteção para depositantes e investidores em certas modalidades (conta-corrente, poupança, CDB/RDB, LCI/LCA, letras de câmbio, entre outros) e é acionado após a liquidação/intervenção para pagar os valores cobertos.

O fundo cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição emissora dos títulos, com um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Isso significa que o critério de cobertura é o emissor do título — e não apenas o banco ou a corretora onde o investimento foi feito. Isso quer dizer que se você tiver aplicado R$ 300 mil em dois CDBs de um banco liquidado, cada um adquirido numa corretora, o valor coberto pelo FGC será de R$ 250 mil. Os R$ 50 mil excedentes estarão desprotegidos.

Passo a passo – o que fazer agora após liquidação de banco:

  • Reunir comprovantes (extratos, contratos, comprovantes de titularidade).
  • Aguardar e seguir as instruções oficiais do Banco Central, do FGC e do liquidante (sites e comunicados oficiais). 
  • Não fornecer dados a canais não oficiais; o FGC não cobra taxa para pagamento. 
  • Procurar orientação jurídica/contábil se houver valores elevados ou dúvidas sobre titularidade.

O processo tem amparo legal e fluxos operacionais claros (Lei 6.024/1974, normas do BC e do FGC). A principal proteção concreta ao cliente é a garantia do FGC para produtos elegíveis até R$ 250 mil (com regras adicionais de teto agregado), enquanto valores fora dessa cobertura correm riscos que dependem da eficiência do liquidante em recuperar ativos.

Perguntas e respostas:

O que é a liquidação extrajudicial de um banco?

É o regime legal que interrompe o funcionamento da instituição e promove sua retirada do sistema, com nomeação de um liquidante para administrar ativos/passivos (previsto na Lei nº 6.024/1974 e operacionalizado pelo Banco Central). 

Por que um banco é liquidado?

Quando há risco econômico-financeiro grave, insolvência, irregularidades graves ou situações que coloquem em risco depositantes e o sistema, segundo as hipóteses previstas na lei e nos regulamentos do BC. 

O que muda imediatamente para clientes?

As operações rotineiras são paralisadas; o liquidante assume a administração e organiza a verificação de créditos. Saques e transferências podem ser temporariamente limitados enquanto o processo se organiza. 

O que o FGC garante?

O FGC garante depósitos e outros produtos elegíveis (CDB/RDB, depósitos a prazo, conta-corrente, poupança, LCI/LCA, letras de câmbio etc.) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição emissora; há limite agregado de R$ 1 milhão por CPF/CNPJ a cada 4 anos para pagamentos do fundo. 

Quanto tempo leva para cobrar a garantia do FGC?

O liquidante envia a lista de credores ao FGC; o processo operacional de validação e pagamento pode levar dias a semanas, dependendo da complexidade. Em casos recentes, prazos operacionais médios giraram em torno de semanas (cerca de 30 dias úteis em exemplos práticos). 

E investimentos que não têm cobertura do FGC?

Entram no rol de credores comuns do processo de liquidação; a recuperação dependerá do resultado das vendas de ativos e da ordem de prioridade. A recuperação pode ser parcial e demorada. 

As dívidas do cliente com o banco continuam valendo?

Sim. Obrigações contratuais do cliente (empréstimos, financiamentos) permanecem; o liquidante ou eventual comprador/administração futura definirá o tratamento, conforme a ordem jurídica aplicável. 

O que devo fazer agora?

Reunir documentação, acompanhar comunicados do BC/FGC/liquidante, preencher eventuais formulários oficiais do FGC quando solicitados e não compartilhar dados com não oficiais.

Fontes: Banco Central, FGC e Lei 6.024/1974

CDBs voltam a pagar mais em outubro em meio ao debate sobre corte (ou não) da Selic

17 de Novembro de 2025, 12:52

A remuneração média dos CDBs com vencimento entre três e 24 meses voltou a subir em outubro.

Nos produtos com vencimento em 3 meses, a taxa média de retorno saiu de 100,79% do CDI em julho para 101,75% do CDI no fim do mês passado, enquanto os títulos para 6 meses passaram a pagar em média 101% do CDI, contra 98,66% antes.

O movimento também se repetiu nos CDBs de prazo maior, entre 12 e 24 meses: no caso do primeiro grupo, a remuneração saiu de 99,17% em julho para 100,30% agora; no segundo, de 99,62% do CDI para 99,75%.

O ajuste no rendimento dos CDBs acontece em um momento em que se discute o rumo da taxa Selic, que está em 15% desde junho deste ano. A expectativa majoritária entre analistas é de que a taxa vai começar a cair no início do próximo ano. Mas o cenário começou a ficar mais complexo nos últimos dias: as projeções de inflação continuam muito acima da meta, a economia ainda se mostra aquecida e, portanto, parte do mercado já admite que a Selic pode permanecer estável por mais tempo do que se imaginava.

Outro fator importante é a necessidade de captação dos próprios bancos. Quando o crédito está mais fraco, as instituições precisam captar menos recursos no mercado, o que ajuda a derrubar as taxas.

Mas, se a economia começa a mostrar sinais de melhora ou se os bancos voltam a expandir suas operações de empréstimo, a demanda por captação aumenta. Para tornar seus CDBs mais atraentes e garantir que o dinheiro entre, as instituições elevam as taxas oferecidas.

O resultado de todos esses fatores combinados é uma reversão das quedas vistas nos últimos meses e a formação de um ambiente em que os CDBs voltam a apresentar remunerações mais robustas, conforme as apostas dos investidores passam a pender para um lado ou outro.

Se quiser cumprir a meta de inflação, BC deve segurar a Selic em 15% até março de 2026, diz Volpon

5 de Novembro de 2025, 20:30

O Banco Central vive um dos seus maiores dilemas desde que parou, em junho, de subir o juro básico: quando vai começar a reduzi-lo. Mas se quiser realmente manter o compromisso com a meta de inflação, de 3%, a autoridade terá de segurar a Selic em 15% ao ano, no mínimo, até o fim do primeiro trimestre de 2026. Essa é a opinião do ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon.

Tanto a queda da inflação quanto a convergência dela para as expectativas dos economistas ainda são “extremamente modestas e lentas”. A leitura é clara: subir juros quando a inflação está em alta é uma decisão fácil. O difícil é tomar essa decisão quando a inflação começa a cair. “Aí veremos qual é o compromisso real com a meta”, diz Volpon em entrevista ao InvestNews.

O último boletim Focus, divulgado pelo próprio BC e que reúne projeções do mercado para alguns indicadores econômicos, mostra que a mediana das estimativas para a inflação está em 4,55% para o fim do ano – acima, portanto, do teto da meta, que é de 4,50%, e bem longe do centro, de 3,0%.

Os dados mostram que as estimativas estão em processo de “ancoragem”, um jargão para quando as previsões dos economistas se aproximam do objetivo indicado pelo BC. O ritmo, porém, ainda é de conta-gotas – o que significa que não é óbvio pensar em um corte da Selic tão cedo assim e que há um nível muito grande de otimismo entre aqueles que esperam um corte em breve.

O papel do BC é levar a inflação para a meta. Ponto. Mas a parte trabalhosa desse processo é enfrentar pressões e críticas de vários setores. Esse será o momento em que se revelará o quanto Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade, conseguirá manter a rota da política monetária.

A tal hora da verdade já se aproxima, na leitura de Volpon. Na reunião de dezembro, possivelmente, o BC vai deixar mais clara a sua leitura para os próximos meses.

A dificuldade em determinar o ponto de virada da Selic é a política fiscal expansionista do governo, com um nível de gastos que estimula o consumo e mantém, portanto, a economia crescendo acima do potencial – ou seja, da taxa que não estimula a inflação. Se o governo gasta mais, ele aumenta seu próprio endividamento e estimula que os preços sigam em alta por meio do consumo.

É aí que, mais uma vez, volta-se ao problema básico da economia brasileira: o governo e o BC estão em direções opostas. Enquanto o primeiro busca acelerar o crescimento, o segundo precisa manter uma política monetária contracionista para compensar o impulso fiscal. “O gasto social hoje é quase o dobro do que tínhamos antes da pandemia”, diz o ex-BC.

Entre os grandes pontos de dificuldade do governo em atacar os problemas fiscais está em tentar elevar a arrecadação por meio de uma agenda de aumento de impostos ao mesmo tempo em que faz concessões, caso de medidas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, que passa a valer em 2026. E isso sem falar no potencial aumento de gastos em ano de eleição – elementos que têm tudo para continuar aquecendo o consumo.

A grande dificuldade do BC está também no fato de que a inflação de serviços, justamente pelo estímulo ao consumo, é que mais demora a responder à política monetária apertada. É mais um elemento para a conta da autoridade na hora de calibrar o espaço que existe – ou não – para pensar em um corte.

Volpon também ressaltou que a chamada taxa neutra de juros, ou seja, aquela que mantém o crescimento da economia sem estimular a inflação, não só aumentou como provavelmente já está acima do que o BC imagina.

Uma taxa neutra mais elevada tem impacto direto sobre o nível e o tempo que o BC precisa manter a Selic elevada. O risco é que, mesmo com a taxa básica em 15% ao ano, o maior nível em uma década, isso ainda não seja suficientemente contracionista quanto se acredita. “Se a política monetária estivesse tão apertada quanto dizem, o IPCA já teria caído muito mais rapidamente.”

Para tomar qualquer decisão sobre uma mudança no ciclo de juros do Brasil, então, só tem um caminho: esperar para ver como a economia vai se comportar no início do ano que vem. No comunicado da decisão de hoje, o BC acrescentou um trecho em que diz que a “inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento”. O tom do comunicado, porém, seguiu com o mesmo, mostrando preocupação em relação à trajetória do IPCA.

É diante de tudo isso que o BC terá a difícil escolha de abandonar a meta inflacionária ou compensar todo o cenário fiscal com juros elevados, sem espaço para cortes.

E esse debate é como repetir a história: o economista citou episódios passados, como entre 2011 e 2014, quando o BC dizia perseguir o centro da meta de 4,5%, mas mirava mesmo o topo da banda, em torno de 6,5%. A ver os próximos passos.

Sem ‘ajuda’ do câmbio, queda da Selic depende ainda mais do cenário fiscal, diz Carlos Kawall

29 de Outubro de 2025, 20:20

O câmbio deixou de ser um vento a favor do controle da inflação no Brasil e, daqui para frente, o ajuste fiscal – que o Brasil não está conseguindo cumprir – terá mais importância no trabalho do Banco Central de reduzir os juros. Essa é a opinião de Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e diretor da Oriz Partners.

No acumulado do ano, o dólar acumula uma queda de 15% contra o real. A valorização da nossa moeda ajuda a conter a inflação na veia porque torna os produtos importados e os insumos fiquem mais baratos em reais, reduzindo custos – e segurando preços.

Na prática, um câmbio amigo do real faz uma parte do trabalho da Selic, que é o de frear a inflação. E deixa o BC mais propenso a reduzir os juros.

No diagnóstico de Kawall, a queda recente da inflação derivada da apreciação do real foi o que baixou as projeções do mercado para o IPCA no fim do ano, de 5% para perto de 4,5% em 12 meses. “Mas esse vento a favor se exauriu”, diz o economista.

O problema é o seguinte. O dólar caiu em grande parte por conta da expectativa de cortes nos juros dos EUA. Quanto menos juros os americanos pagam, mais o dólar tende a perder valor ante outras moedas. Os primeiros cortes vieram. O mais recente, nesta quarta (29), reduzindo a “Selic” dos EUA de 4,25% para 4%. Mas o próprio banco central americano sinalizou uma provável pausa nos cortes. Menos pressão de baixa para o dólar, portanto.

Sem a ajudsa do câmbio, a política doméstica passa a ditar o ritmo – especialmente o lado fiscal, que tende a ganhar destaque em ano eleitoral. “Lado fiscal” significa o governo aumentar seus gastos (em subsídios, por exemplo). Isso aumenta a atividade econômica. Em outras palavras, coloca mais moeda em circulação.

Juros combatem a inflação drenando dinheiro da economia. Se o governo faz o oposto, o Banco Central não tem como baixar a Selic – no limite, tem de aumentar. “Quem define o juro é a política fiscal”, resume o economista.

Três fatores

No cenário-base das previsões do mercado, a Selic começaria a cair em janeiro e termina o ano em 12,5%. A atividade econômica mostra sinais de desaceleração, embora de forma desigual: o setor de serviços segue resiliente, apoiado por um mercado de trabalho ainda aquecido – “o coração da inflação”, segundo Kawall —, enquanto o crédito e os investimentos já perdem fôlego. Essa diferença de ritmo explica por que o processo de desinflação ainda caminha devagar.

Os serviços resistem justamente por serem pouco sensíveis ao câmbio. Seus preços derivam de salários e consumo interno, não de importados, o que faz com que eventuais oscilações do dólar tenham baixo impacto imediato. Mesmo com uma depreciação da moeda americana, o repasse nesse segmento é limitado e demorado, mantendo um pedaço importante da inflação mais rígido.

Ainda assim, há três fatores que abrem espaço para o corte de juros. O primeiro é o juro real em nível recorde, que continua fortemente contracionista mesmo com reduções graduais da Selic.

O segundo são os efeitos defasados da política monetária, que seguem atingindo os setores mais dependentes de crédito – como bens duráveis, imobiliário e investimentos corporativos – antes de se espalhar para serviços.

E o terceiro é o arrefecimento do emprego: se a criação de vagas desacelera, isso tende a aliviar a pressão sobre salários e, por consequência, sobre os preços de serviços.

Por fim, uma visão otimista. Caso o câmbio permaneça relativamente estável, o risco de novos repasses de preços vindos de importados, combustíveis e fretes diminui. Esse cenário permite ao Banco Central iniciar o ciclo de cortes, ainda que com prudência, calibrando as reduções para combater a inflação sem reacender a demanda. Esse já é um desafio nada trivial para o BC. Mas, se a parte fiscal não ajudar, se tornará impossível.

Ibovespa segura recorde, mesmo após o Fed esfriar apostas de um novo corte em dezembro

29 de Outubro de 2025, 17:54

Bastou Jerome Powell levantar dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros em dezembro para esfriar os ânimos dos investidores no mundo todo. Mas, mesmo com essa dose pouco esperada de cautela presidente do Fed, a bolsa brasileira conseguiu forças renovar sua pontuação recorde – pela nona vez neste ano.

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,74% aos 148.520 pontos, pela primeira vez na história acima dos 148 mil pontos. E fez mais: na parte da manhã, o principal índice acionário brasileiro alcançou uma nova máxima intradiária, aos 149.067,16 pontos.

O dia começou com os mercados em modo euforia. E o Fed correspondeu ao cortar os juros em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado. Mas durante a coletiva após a decisão de politica monetária nesta quarta-feira (29), Jerome Powell, resolveu jogar água no chope das bolsas.

O dirigente pontuou o seguinte: que há um crescente movimento dentro do banco central americano no sentido de dar um “passo atrás”. No caso, pausar os cortes já e esperar para ver.

Nos EUA, as falas desasceleraram nitidamente o otimismo.

A ferramenta FedWatch, que monitora as apostas de investidores nos rumos da política monetária americana, agora coloca as chances de um corte em dezembro em 56,4%. Antes da coletiva, o percentual chegou a tocar os 90%.

Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 terminou o dia quase na mesma, com queda de 0,01% aos 6.890,59 pontos. O Nasdaq subiu 0,55% para 23.958,47 em meio às expectativas para os balanços de Microsoft, Alphabet e Meta nesta quarta-feira. Já o Dow Jones caiu 0,16% aos 47.632 pontos.

Outros mercados acionários emergentes, além do Brasil, também se seguraram no território positivo – numa amostra de busca por diversificação entre os investidores globais. A bolsa mexicana subiu 0,97%. A chilena, 0,99%.

Por fim, o dólar. A moeda americana fechou estável: -0,04%, a R$ 5,35. No ano, a moeda já acumula queda de 13,29%.

Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

27 de Outubro de 2025, 18:25

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

Dólar fraco tem prazo de validade? Tudo pode mudar a partir de 2026

1 de Outubro de 2025, 16:30

O dólar vem comportado desde o início do ano. Mas do começo do segundo semestre para cá, a queda da moeda americana em relação ao real diminuiu o ritmo: foram apenas 2,6% de desvalorização, comparados aos 14% no acumulado do ano. Essa desaceleração parece prenunciar uma mudança de ventos se aproximando.

Por volta das 16h29, o dólar era negociado a R$ 5,3209, praticamente estável. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 2%.

A queda do dólar está, atualmente, na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque a autoridade planeja cortar os juros ao menos mais uma vez e, quem sabe, até mesmo duas antes de 2025 acabar.

Porém, no caso do Brasil, esse roteiro de fraqueza do dólar parece ter um “plot twist”, ou seja, uma reviravolta programada no próximo ano. E o que pode acontecer para mudar o cenário atual?

É que o início do ciclo de queda da taxa de juros no Brasil vai coincidir com uma desaceleração do ritmo de corte pelo Fed ou até mesmo uma pausa prolongada lá fora. Esse cenário pode reforçar a cautela entre investidores globais.

Uma postura menos voluntariosa para tomar risco pode secar, justamente, uma das fontes da recente valorização das moedas emergentes: a busca por diversificação fora do mercado americano.

Inflação nos EUA ainda não foi domada

Uma mudança de posicionamento do Fed teria como causa uma preocupação com um aumento de pressão sobre preços nos próximos trimestres. Acontece que o BC dos EUA passou a manifestar, logo após a decisão de retomar os corte de juros em setembro, estar desconfortável com a persistência da inflação.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu para 2,7% em agosto, o que indica uma leve aceleração comparado aos 2,6% de julho. “Com o PCE avançando para 2,7% em 12 meses, fica claro que o Fed terá de manter cautela na condução da política monetária”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

O plano de voo do Fed leva em consideração uma redução de juros para evitar a aceleração do desemprego. Mas, por outro lado, há a necessidade de calibrar o ritmo do afrouxamento de maneira a evitar a volta da inflação. Daí a necessidade de o BC americano adotar uma postura mais prudente em algum momento nos próximos trimestres.

“Acho que nem poderíamos chamar esse movimento de um ciclo de cortes”, afirma o sócio e gestor da Az Quest, Eduardo Aun. “Parece-me mais um ajuste fino devido à deterioração marginal do mercado de trabalho. Não vejo espaço para muito mais cortes além dos já sinalizados pelo Fed.”

BC brasileiro não tem pressa para cortar

Do lado de cá, o relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras em relação a juros, inflação e PIB, mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao fim de de 2026. Isso significa uma redução de 3 pontos percentuais.

Se o BC fizer reduções de 0,25 ponto na Selic, precisaria de 12 reuniões para chegar na projeção do Focus. Porém, como o Comitê de Politica Monetária (Copom) se reúne apenas oito vezes no ano, a estimativa de Selic a 12% no fim do próximo ano embute a perspectiva de vários cortes de 0,5 ponto.

Em resumo, enquanto o Fed tem sinalizado haver chance de cortar uma vez ou nem cortar os juros em 2026, por aqui o mercado avalia que o BC brasileiro vai acelerar o passo no ano que vem. Com a redução do chamado diferencial de juros, o mercado local tende a se tornar menos atrativos aos investidores estrangeiros.

As estimativas da equipe de pesquisas econômicas do Itaú, por exemplo, reforçam essa dualidade de cenários daqui até o fim do ano e o que poderá ser visto já em 2026. O time do Itaú, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, ressaltou ver o real forte no curto prazo. Mas, para o próximo ano, “o estreitamento do diferencial de juros, o prêmio de risco e o cenário desafiador das contas externas limitam perspectivas mais favoráveis”.

Os especialistas do banco enxergam o dólar no fim de 2025 em R$ 5,35. Mas preveem que a moeda americana termine 2026 cerca de 3% mais alta. Segundo a casa de análise, a taxa de câmbio deve subir para R$ 5,50 no ano que vem. Isso significa que, na visão do Itaú, a maior parte da potencial desvalorização do dólar frente ao real já passou.

O Focus também mostra uma visão menos otimista para 2026. O relatório do BC projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,58 no final do ano que vem.

Volatilidade pode voltar

Aun, da AZ Quest, lembra ainda que o real tem sido muito utilizado em operações de “carry trade”, ou seja, quando uim investidor toma emprestado em moeda de juros baixos e investe em outra moeda de juros altos para capturar o diferencial de juros (“carry”). Se houver uma reversão da tendência do dólar fraco, o desmonte de posições de carry em reais levaria a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.

Para o ano que vem, o especialista em portfólio da Azimut Brasil WM, Marcelo Bacelar, cita ainda o problema da piora nos números de conta correte no país como outro ponto de pressão contra o real. “Não é um desespero, mas é um sinal amarelo porque começa a mostrar uma saída de dólares estrutural.”

Apesar das nuvens cambiais mais escuras em 2026, as previsões não desenham nenhum cenário crítico, mas, basicamente, uma mudança de ventos no horizonte. De qualquer modo, parece que, pelo menos as viagens internacionais no fim de ano estarão garantidas.

Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

30 de Setembro de 2025, 15:07

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

chart visualization

Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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