Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

Balanços do 4º tri mostram mais surpresas positivas que negativas na bolsa – pelo menos até agora

7 de Março de 2026, 17:12

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 das empresas brasileiras listadas em bolsa tem apresentado um desempenho melhor do que o esperado, ao menos até agora. Entre as companhias que já divulgaram resultados, os lucros superaram as estimativas de analistas com mais frequência do que ficaram abaixo das projeções, indicando um início de temporada relativamente positivo para o mercado.

Até o momento, 65 empresas já divulgaram seus resultados. Na próxima semana, 39 publicarão seus números, entre grandes e pequenas companhias.

Entre as que já divulgaram os dados, 32,3% superaram as estimativas de lucro, enquanto 26,2% ficaram abaixo do esperado. A maior parte (41,5%) ficou em linha com as expectativas. O levantamento é do Itaú BBA, que estabelece um índice de “beat/miss” de 1,2 vez.

O indicador compara quantas empresas superaram as estimativas de analistas (“beat”) com quantas ficaram abaixo delas (“miss”). Quando o índice fica acima de 1, significa que as surpresas positivas predominam.

Bancos e setores ligados à economia doméstica lideram resultados

Os dados setoriais mostram um desempenho relativamente forte em alguns segmentos da economia. Entre os bancos, por exemplo, cerca de 22% das instituições superaram as estimativas de lucro, enquanto a maior parte ficou próxima das projeções.

Banco do Brasil e Itaú, por exemplo, divulgaram lucros expressivos no período, reforçando o desempenho sólido do setor. E algumas instituições tiveram reação mais cautelosa do mercado, mesmo com números fortes, como foi o caso do Santander.

Empresas ligadas ao consumo mostraram resultados mais heterogêneos. Os dados indicam que cerca de um terço das empresas superou as estimativas, enquanto uma parcela semelhante ficou dentro das projeções.

Entre os destaques positivos aparece o Mercado Livre, que registrou crescimento relevante de receita, enquanto companhias como Assaí enfrentaram reação mais negativa do mercado após a divulgação dos números.

Outros nomes do setor, como Raia Drogasil, Lojas Renner e Iguatemi, divulgaram resultados mais próximos das expectativas dos analistas, refletindo um ambiente de consumo ainda desigual.

Nos setores ligados à indústria e commodities, os resultados apareceram em grande parte alinhados às previsões do mercado.

Empresas como Vale, Usiminas e Gerdau reportaram números próximos das expectativas em indicadores operacionais, enquanto companhias de capital industrial, como WEG, também apresentaram resultados dentro do intervalo projetado pelos analistas.

Esse comportamento reflete um ambiente mais estável nesses setores, em que as projeções já incorporavam fatores como preços de commodities e ritmo da atividade global.

Receita e lucro operacional superam projeções

Além do lucro líquido, outros indicadores operacionais mostram desempenho relativamente forte. Quando analisados os resultados de Ebitda – métrica que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização –, cerca de 20,4% das empresas superaram as estimativas, enquanto 27,4% ficaram abaixo delas.

No caso das receitas, os números foram mais favoráveis: mais de 80% das empresas reportaram faturamento dentro ou acima das projeções, indicando que muitas companhias conseguiram manter crescimento ou estabilidade nas vendas.

Esses indicadores ajudam investidores a entender não apenas o lucro final, mas também a evolução da atividade operacional das empresas.

Entre os resultados já divulgados, a reação dos analistas também tem sido predominantemente positiva. Aproximadamente 46% das empresas receberam avaliação positiva após a divulgação dos resultados, enquanto cerca de 37% tiveram reação neutra e 17%, negativa.

Esse tipo de análise acompanha como os analistas revisam suas avaliações após os balanços, indicando se os números divulgados reforçam ou enfraquecem as perspectivas das companhias.

Sentimento do mercado perde força no final da temporada

Apesar do início relativamente positivo da temporada, o sentimento agregado do mercado apresentou leve deterioração no final do período analisado.

Um indicador que mede a percepção dos participantes de mercado nas conferências de resultados das empresas, por meio da análise de comentários de executivos e analistas, recuou para uma nota 7,3 no quarto trimestre de 2025, abaixo da nota 8 registrada entre o segundo e terceiro trimestres.

Esse indicador mede o grau de otimismo ou cautela nas discussões entre empresas e investidores. Quanto mais alto o índice, mais positivo tende a ser o tom das expectativas.

Mesmo com essa queda recente, o nível atual ainda permanece acima dos mínimos registrados em 2024, sugerindo que o ambiente corporativo segue relativamente estável.

As conferências de resultados também indicam algumas tendências estratégicas entre as empresas. Segundo a análise das apresentações e chamadas com investidores, executivos têm enfatizado temas como eficiência operacional, digitalização e disciplina na alocação de capital.

Outro ponto recorrente é a preocupação com controle de custos e geração de caixa, especialmente em setores mais expostos ao ciclo econômico ou a preços de commodities.

Ações da Copasa podem subir mais de 50%, se privatização avançar, diz Itaú BBA

15 de Outubro de 2025, 15:11

As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, já subiram 73% neste ano. Mas, provavelmente, o crescimento ainda mal começou. A possibilidade de privatização da empresa ganhou corpo nos último meses e, na avaliação do Itaú BBA, há “um caminho claro para a conclusão do processo até o início de 2026”.

Os analistas do banco de investimentos fizeram as contas, considerando uma potencial privatização. Como resultado, a casa elevou a Copasa para “outperform” (desempenho acima da média), com um novo preço-alvo de R$ 43,20 por ação para o final de 2026, ante os R$ 24,10 por ação estimados anteriormente para o fim de 2025. Ou seja, a atual projeção embute um potencial de alta de 21,5% ante a cotação atual do papel.

O Itaú BBA, porém, ressalta que a alta recente “ainda não precifica integralmente o valor potencial de uma companhia privatizada“. De acordo com os analistas Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Victor Cunha, se o processo de venda for concluído, o potencial de valorização das ações subiria para 51%.

Na conta do novo preço-alvo, o próprio Itaú BBA incorporou uma visão mista: 60% se referem ao valor de uma Copasa privatizada e os demais 40% são referentes ao projetado para a estatal sem que o processo tenha sido concluído. Isso significa que o potencial de alta pode ser ainda maior a partir de uma definição sobre a venda do controle a investidores.

O movimento de alta recente tem sido impulsionado pelas discussões sobre a privatização da companhia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que ganharam força nos últimos meses. Além disso, os números preliminares da revisão tarifária vieram melhores que o esperado e podem destravar valor adicional, caso avancem os debates sobre eficiência operacional (Opex) e custo médio ponderado de capital (WACC).

Na avaliação da casa de análise, “as chances de privatização da Copasa aumentaram de forma expressiva recentemente, com apoio político consistente na Assembleia mineira”.

A revisão da tese de investimento do banco também levou em conta os novos parâmetros regulatórios divulgados pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG). A revisão foi favorável à Copasa, porque trouxe melhorias relevantes no reconhecimento e remuneração da base de ativos regulatória (RAB). Ou seja, a estatal deve registrar um aumento de receita.

Processo avança com menos resistência política

Nos últimos cinco meses, as discussões sobre a privatização da Copasa avançaram de forma decisiva. O tema ganhou tração na Assembleia Legislativa e o governo mineiro alterou a postura sobre o uso dos recursos de uma eventual venda.

Em reuniões recentes com parlamentares e integrantes do governo de Minas Gerais, os analistas do Itaú BBA observaram redução significativa na resistência política à operação.

Nos cálculos do banco, apesar de o mercado já precificar maior probabilidade de privatização, o potencial de valorização ainda é expressivo:

No cenário conservador — em que a Copasa permanece estatal e adota uma redução de custos de cerca de 5% —, o preço-alvo para o fim de 2026 é de R$ 30,80 por ação e potencial de queda de 10% em relação ao preço atual.

No cenário de privatização, o preço-alvo sobe para R$ 51,60 por ação, com potencial de alta de 51%.

Privatização no radar do mercado

A XP Investimentos é outra casa que enxerga grandes chances de a privatização da Copasa avançar. Segundo os analistas, há mais de 50% de chances de a companhia ser privatizada até março de 2026.

Em relatório divulgado nesta semana, a XP estima o preço das ações da empresa, sem considerar a privatização, em R$ 41,60 para 2026. Hoje avaliada em R$ 12,7 bilhões, o valor de mercado da Copasa pode subir para R$ 15,8 bilhões no ano que vem.

Com a privatização, o potencial de alta seria ainda maior.

❌