A China decidiu bloquear a aquisição de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus pela Meta, em um movimento surpreendente para desfazer um acordo controverso criticado pelo possível vazamento de tecnologia para os EUA.
A National Development and Reform Commission, principal órgão de planejamento econômico da China, determinou o cancelamento do negócio em um breve comunicado divulgado na segunda-feira (27). O órgão afirmou, em uma única linha, que decidiu proibir investimento estrangeiro na startup de acordo com leis e regulamentos, sem dar mais detalhes.
A decisão deve esfriar o setor de inteligência artificial em expansão na China e surge semanas antes de uma cúpula de alto nível entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.
Pequim intensificou o escrutínio sobre empresas-chave após o acordo, que já estava em grande parte concluído. Inicialmente celebrado como um modelo para startups com ambições globais, o negócio passou a ser criticado internamente pela perda de tecnologia valiosa para um rival geopolítico.
Os fundadores da Manus começaram na China, mas transferiram sede e equipe principal para Singapura em 2025. Não estava claro, quando o acordo foi anunciado em dezembro, se Pequim exerceria sua autoridade sobre uma transação realizada tecnicamente fora de suas fronteiras.
“O bloqueio da Manus é um momento esclarecedor”, disse o analista Ke Yan, da DZT Research. “A empresa estava incorporada em Singapura, com fundadores baseados lá, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde está a entidade legal.”
O decreto pode representar um revés para a Meta em sua tentativa de competir em IA com rivais como a Microsoft, a Alphabet (dona do Google), além de OpenAI e Anthropic. A Manus ajudaria a Meta a avançar no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.
Ainda assim, não está claro como a Meta desfaria o negócio. Funcionários da Manus já se juntaram à empresa, capital foi transferido e executivos passaram a integrar a equipe de IA da companhia. Parte da equipe já trabalha em escritórios da Meta em Singapura, enquanto investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já receberam seus recursos.
A Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e que espera uma resolução da investigação chinesa, sem dar detalhes. As ações da empresa recuaram menos de 1% no pré-mercado.
Reguladores chineses exercem grande poder há anos, forçando mudanças em gigantes como Alibaba e a própria Tencent. Um paralelo próximo é a decisão de obrigar a Didi a sair da New York Stock Exchange após seu IPO em 2021.
Pequim e Washington disputam influência antes do encontro histórico de maio. À medida que a rivalidade em IA se intensifica, Xi busca proteger tecnologia e talentos chineses, ao mesmo tempo em que reforça a confiança no desenvolvimento doméstico — como mostrou recentemente a startup DeepSeek ao lançar seu modelo V4 integrado a chips da Huawei.
Os EUA vêm há anos restringindo o acesso da China a tecnologia americana, incluindo chips da Nvidia usados no treinamento de modelos de IA. Para analistas, a medida chinesa é uma resposta proporcional a essas restrições.
Autoridades chinesas também passaram a desencorajar novos movimentos semelhantes ao da Manus. Empresas como Moonshot AI e Stepfun foram orientadas a rejeitar capital americano sem aprovação explícita, e regras semelhantes devem atingir a ByteDance, dona do TikTok.
Essas restrições podem isolar ainda mais o setor tecnológico chinês de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, que historicamente financiaram grande parte do crescimento dessas empresas. Também seguem a decisão de limitar empresas chinesas incorporadas no exterior de abrir capital em Hong Kong.
O objetivo central é impedir que investidores americanos adquiram participação em setores sensíveis à segurança nacional, evitando o vazamento de tecnologia. O caso Manus reforça a preocupação de Pequim com startups fundadas por chineses que buscam expansão internacional.
Lançada em março de 2025, a Manus é um agente de IA capaz de automatizar tarefas complexas, desde análises do S&P 500 até a criação de apresentações comerciais. Um mês depois, sua controladora Butterfly Effect levantou US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark, o que levou a uma investigação do Tesouro dos EUA.
Em julho, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura, cortando dezenas de empregos. A Meta anunciou a aquisição em dezembro, após a Manus superar US$ 100 milhões em receita anualizada.
Ainda não está claro quais outras medidas Pequim adotará após a investigação. Segundo o Financial Times, os cofundadores Xiao Hong e Ji Yichao chegaram a ser impedidos de deixar a China.
Para especialistas, o movimento reflete a crescente importância estratégica da inteligência artificial para a China, especialmente na disputa tecnológica com os EUA. Assim como Washington tenta limitar o acesso chinês a semicondutores avançados, Pequim agora busca restringir o acesso americano à tecnologia de IA.
“É o reconhecimento da liderança chinesa de que a IA é um ativo estratégico”, disse Alfredo Montufar-Helu. “E crucial para definir quem sairá vencedor na competição com os EUA.”
Minutos antes de um drone iraniano atingir um tanque de combustível e provocar uma explosão no céu sobre o Aeroporto Internacional de Dubai, um avião de passageiros da Emirates com destino a Pequim acabava de deixar o solo.
A explosão, nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, obrigou duas aeronaves em aproximação a desviar rapidamente e entrar em órbita de espera. Outros 12 voos haviam decolado nos 30 minutos anteriores ao ataque. Ao meio-dia, o aeroporto já operava normalmente de novo.
O episódio é um dos exemplos mais contundentes dos riscos enfrentados pela aviação comercial no Oriente Médio. As companhias aéreas restabeleceram centenas de voos por dia, mesmo com drones e mísseis atingindo diferentes pontos da região.
“Isso é uma guerra. Por que eles estão voando na rota de mísseis?”, disse Kourosh Doustshenas, cuja companheira estava entre as 176 pessoas mortas quando o Irã derrubou acidentalmente um avião de passageiros em janeiro de 2020.
Doustshenas não é o único a fazer essa pergunta. Pilotos, especialistas em segurança e executivos do setor dizem temer cada vez mais uma catástrofe semelhante, citando o risco de um jato ser atingido por um projétil hostil ou confundido com uma ameaça por sistemas de defesa aérea. Segundo eles, o Irã tem mirado repetidamente aeroportos civis, enquanto o simples compartilhamento do espaço aéreo entre aviões comerciais e mísseis já representa um perigo evidente.
Só no Aeroporto Internacional de Dubai, ao menos 39 aviões de passageiros pousaram ou decolaram num intervalo de até cinco minutos antes ou depois de alertas nacionais sobre ataques iminentes, segundo uma análise do Wall Street Journal com base em mais de 8.700 voos e comunicados oficiais emitidos entre o início da guerra e 20 de março.
No aeroporto de Abu Dhabi, o Journal identificou seis casos dentro da mesma janela. Em Sharjah, a cerca de 30 quilômetros a nordeste de Dubai, foram 12 registros. Quando o intervalo analisado é ampliado para 10 minutos antes ou depois dos alertas, o total de voos nos três aeroportos mais que dobra, chegando a 130.
Os números não incluem aeronaves em aproximação que precisaram desviar nem ataques que não foram acompanhados de alertas online emitidos pela autoridade nacional de emergências dos Emirados Árabes Unidos. Muitos ataques com mísseis e drones não aparecem nesses avisos oficiais, inclusive o que atingiu o tanque de combustível em Dubai no dia 16 de março.
Nenhum avião comercial foi abatido desde o início da guerra contra o Irã. Ainda assim, ao menos cinco aeronaves estacionadas em aeroportos sofreram danos em ataques iranianos. Duas delas — um A380 da Emirates e um A321 menor, da Saudia — foram atingidas ainda no início do conflito, quando estavam em Dubai, segundo pessoas a par dos episódios.
As outras três eram jatos privados atingidos nesta semana por destroços de mísseis balísticos interceptados sobre o aeroporto Ben Gurion, em Israel. Israel confirmou os danos e respondeu reduzindo voos e limitando o número de passageiros em algumas partidas.
Mais que o dobro de drones e mísseis foi lançado contra o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos em comparação com qualquer outro país da região, segundo a Osprey Flight Solutions, empresa especializada em segurança da aviação. Os Emirados têm, no máximo, dois minutos para reagir a um míssil balístico disparado do Irã e 15 minutos no caso de um drone, diz a Osprey.
Ainda assim, as companhias aéreas do país vêm restaurando rapidamente suas malhas. Nas últimas duas semanas, a Emirates operou cerca de 300 voos por dia, o equivalente a aproximadamente 60% de sua capacidade antes da guerra. Somadas a Etihad, Flydubai e AirArabia, as empresas dos Emirados realizaram mais de 11 mil voos desde o início do conflito, segundo dados do Flightradar24.
A aviação é um motor importante da economia dos Emirados Árabes Unidos, e a Emirates — a companhia aérea com maior tráfego internacional do mundo — é sua marca mais reconhecida, tendo transformado Dubai em um grande hub global ao longo de 40 anos.
Para mitigar os riscos, os Emirados definiram corredores aéreos específicos para os pilotos e prepararam controladores de tráfego para desviar aeronaves rapidamente. Caças também foram mobilizados para proteger aviões comerciais de drones que se aproximem, segundo pessoas familiarizadas com a estratégia.
As companhias aéreas da região afirmam que seguem priorizando a segurança e mantendo contato ativo com governos e agências de inteligência.
“Não operamos nenhum voo sem que ele tenha sido integralmente avaliado e aprovado como seguro”, afirmou, em nota, uma porta-voz da Etihad, sediada em Abu Dhabi, citando “forte supervisão regulatória e disciplina operacional” na região como um todo.
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não respondeu aos pedidos de comentário.
Um petroleiro no Estreito de Ormuz. Fotógrafo: Kaveh Kazemi/Getty Images
A Osprey mantém hoje um alerta de “risco extremo” — seu nível máximo — para grande parte do espaço aéreo ativo no Golfo, incluindo os Emirados, partes da Arábia Saudita e Israel. É a mesma classificação atribuída à Ucrânia e ao oeste da Rússia, onde, no fim de 2024, um avião de passageiros do Azerbaijão foi abatido acidentalmente.
“Mesmo voando com planos de contingência, você está expondo aeronaves, passageiros e tripulação a um potencial evento catastrófico”, disse Matt Borie, diretor de inteligência da Osprey. “Se amanhã um avião for atingido, alguém realmente vai perguntar: ‘Como isso pôde acontecer?’”
Após o ataque ao tanque de combustível em 16 de março, Dubai — um dos sete emirados e centro comercial dos Emirados Árabes Unidos — buscou tranquilizar os passageiros, afirmando que os voos de chegada e partida em seus aeroportos são seguros.
“A capacidade de detectar e responder às ameaças à medida que elas surgem tem sido muito, muito eficaz e eficiente”, disse Paul Griffiths, CEO da Dubai Airports, à CNN, em entrevista depois promovida pelo emirado nas redes sociais. Segundo ele, mais de 1 milhão de passageiros já passaram pelos aeroportos de Dubai desde o início do conflito.
A maioria das companhias estrangeiras, porém, suspendeu voos pelo Oriente Médio. Delta Air Lines, British Airways e Cathay Pacific estão entre as empresas que, nos últimos dias, estenderam cancelamentos pelos próximos meses.
Embora a indústria da aviação tenha padrões rigorosos de segurança para projeto e certificação de aeronaves, não existe um acordo internacional que defina o que é considerado seguro ao voar em zonas de conflito.
“Qualquer projetista de aeronave sabe qual é a meta de segurança a ser alcançada”, disse Mario Brito, professor de ciências do risco da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que já assessorou companhias como a Emirates. “Na segurança da aviação, não existe uma meta assim.”
As companhias decidem por conta própria se é seguro voar, com base numa combinação pouco uniforme de inteligência governamental, orientações regulatórias e consultorias privadas de segurança. Depois, esse cálculo é ponderado contra o custo de um eventual desastre — incluindo compensações às famílias e dano reputacional — e a receita perdida com cancelamentos, disse Brito.
A retomada dos voos criou tensão entre as companhias e as tripulações. Pilotos, que em última instância são responsáveis pela aeronave e por todos a bordo, estão cada vez mais preocupados em voar no Oriente Médio, segundo entrevistas com tripulantes e representantes sindicais.
Parte desses temores apareceu em uma mensagem de voz que circulou entre pilotos. Na gravação, compartilhada com o Journal, um piloto relata ter sido impedido de pousar em vários aeroportos no primeiro dia da guerra. Ele conseguiu aterrissar sua aeronave com apenas 30 minutos de combustível restantes.
“Temos preocupações substanciais em relação à situação de segurança”, afirmou em nota Paul Reuter, vice-presidente da Associação Europeia de Cockpit. Com a volta de mais voos, “o potencial de que aviões comerciais sejam alvo deliberado ou por engano aumentará dramaticamente”, disse.
Alguns tripulantes de companhias europeias acionaram as chamadas “cláusulas de medo”, que permitem à equipe recusar voos quando não se sente confortável, segundo dirigentes sindicais e funcionários do setor. Outros, em empresas que não oferecem esse mecanismo, alegaram doença para evitar voar.
Depois que o Irã derrubou acidentalmente o voo PS752 da Ukraine International Airlines, em 2020, familiares das vítimas passaram a pressionar a Organização da Aviação Civil Internacional a criar padrões que restrinjam voos em zonas de conflito. Essas regras, porém, nunca saíram do papel.
Em um processo movido por familiares de 20 passageiros, um juiz canadense decidiu em 2024 que a companhia aérea era responsável pela tragédia, embora tenham sido forças iranianas que lançaram o míssil que derrubou o avião. Muitos dos passageiros eram canadenses e tentavam voltar para casa via Ucrânia.
Nas horas que antecederam a decolagem daquele voo, Doustshenas e sua noiva, Forough Khadem, trocaram mensagens sobre um ataque recente a uma base militar americana no Iraque e sobre se seria seguro voar. No fim, ele disse a ela que, se a companhia aérea estava disposta a operar o voo, então devia ser seguro.
O projeto de Sam Altman para ajudar humanos a se distinguirem de robôs na internet está apostando cada vez mais em marcas populares para promover sua ideia futurista.
Uma loja da Gap em San Francisco começou a ajudar visitantes a obter o World ID, o produto de “prova de humanidade” da startup Tools for Humanity, instalando um de seus dispositivos característicos chamados Orb, do tamanho de uma bola de vôlei, que captura imagens do rosto e dos olhos das pessoas.
Um cartão de pagamento planejado com a Visa permitirá que usuários do World ID gastem ativos digitais, incluindo Worldcoin, a criptomoeda que as pessoas recebem em muitos mercados como incentivo para se registrar.
Além disso, o aplicativo de relacionamento Tinder está testando o sistema no Japão para verificar se os usuários são humanos — e se realmente têm a idade que dizem ter.
Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT, cofundou a Tools for Humanity em 2019 com o objetivo de proteger transações online contra interferência de bots. Campanhas anteriores da empresa incluíram anúncios ao ar livre que zombavam dos testes captcha “não sou um robô” e uma campanha celebrando avanços da humanidade, como a invenção do avião. “Em um mundo de IA”, dizia a campanha, “seja humano”.
Agora, porém, a empresa pretende depender mais de parcerias com marcas tradicionais para fazer grande parte da divulgação do World ID, disse Trevor Traina, diretor de negócios da companhia.
“Acho que estamos bem no limiar de um momento em que não precisamos dizer nada — nossos parceiros vão fazer todo o discurso”, afirmou Traina.
Segundo a empresa, os dispositivos Orb convertem imagens do rosto e da íris de uma pessoa em uma sequência anonimizada de números armazenada no próprio aparelho do usuário, sem que a Tools for Humanity guarde os dados. A companhia espera gerar receita cobrando uma taxa cada vez que um aplicativo usar o World ID para confirmar que alguém é humano.
Mas, por enquanto, a prioridade é a adoção em larga escala.
Além de distribuir Worldcoin para novos usuários do World ID, a empresa também paga a criptomoeda a operadores independentes dos dispositivos Orb em alguns mercados fora dos EUA cada vez que um novo ID é emitido. Segundo a companhia, quase 18 milhões de pessoas já receberam um World ID, incluindo 1,1 milhão na América do Norte.
Críticas
O uso de biometria e criptomoedas, porém, gerou críticas e resistência regulatória, incluindo proibições em alguns países por preocupações com segurança de dados. O Worldcoin chegou à maior parte dos EUA no ano passado, mas ainda não está disponível no estado de Nova York porque a empresa não obteve licença para distribuir moeda digital dos reguladores locais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A empresa afirma que mantém diálogo com autoridades regulatórias nos EUA e em outros países.
“É uma dança constante com reguladores que, diante de tantas inovações, precisam trabalhar muito para acompanhar novas tecnologias”, disse Traina.
A Tools for Humanity também tomou medidas para responder a algumas preocupações. Por exemplo, eliminou a possibilidade anterior de armazenar dados biométricos externamente e agora os mantém apenas no próprio dispositivo do usuário. Os dispositivos Orb também são projetados para apagar os dados imediatamente após o processamento, segundo a empresa.
Mesmo assim, especialistas alertam que, se o sistema se tornar amplamente adotado, os World IDs podem se tornar alvos atraentes para roubos. Rory Mir, diretor de acesso aberto e engajamento tecnológico da Electronic Frontier Foundation, disse que operadores fraudulentos poderiam roubar ou revender essas identidades.
“No pior cenário, operadores fraudulentos poderiam simplesmente tomar o ID ou revendê-lo”, afirmou Mir. “Você não pode mudar sua íris se alguém conseguir acesso a essa informação.”
A porta-voz da empresa disse que esse cenário é apenas especulativo.
A Tools for Humanity espera que acordos com marcas como o Tinder ajudem a explicar melhor o World ID a céticos que não veem necessidade de um sistema de verificação humana ou suspeitam que o projeto seja apenas uma iniciativa ligada a criptomoedas.
Para empresas de marketing, parcerias com a startup também são uma forma de ganhar visibilidade, atrair novos clientes e, no caso do Tinder, ajudar a reduzir preocupações de segurança dos usuários.
A Gap instalou o Orb para despertar o interesse de jovens funcionários de empresas de tecnologia e IA que frequentam o centro de San Francisco. A varejista não receberá receita nem tokensWLD, não terá acesso aos dados coletados pelo dispositivo e atualmente não utiliza o World ID em suas operações.
O Tinder começou a testar o sistema no Japão porque aplicativos de relacionamento no país são obrigados por lei a verificar a idade dos usuários, disse Yoel Roth, vice-presidente sênior de confiança e segurança da Match Group, empresa controladora do aplicativo.
“Um dos maiores desafios da internet hoje é a confiança — e, para nós, isso se resume a combater bots e contas falsas”, afirmou Roth.
Segundo ele, o Tinder se interessou pelo World ID também porque o sistema exige pouquíssimos dados do usuário durante a verificação. A empresa ainda não promoveu ativamente a integração, mas já registrou milhares de usuários japoneses aderindo ao ID e agora avalia expandir o teste para outros mercados.
O cartão de pagamentos com Visa foi adiado em relação ao lançamento previsto para o ano passado, mas a empresa disse que o projeto continua em desenvolvimento. A Visa e a Tools for Humanity não comentaram sobre o cronograma.
Tinder, Visa e Tools for Humanity também não divulgaram detalhes financeiros de seus contratos.
Em sua primeira reunião presencial com o Secretário de Defesa Pete Hegseth, Dario Amodei apresentou seu argumento sobre os riscos das armas autônomas controladas por IA.
Hegseth não quis ouvir, mesmo de um CEO cuja empresa desenvolveu ferramentas de IA que se tornaram fundamentais para o exército.
“Nenhum CEO vai dizer aos nossos combatentes o que podem ou não fazer”, disse Hegseth, após interromper Amodei no meio da frase, na reunião de 24 de fevereiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A ruptura entre os dois homens, com personalidades e visões de mundo extremamente diferentes, nunca foi resolvida. Agora, a administração Trump, que defende a implementação rápida da IA como essencial para o crescimento econômico e a segurança nacional, se vê em conflito com uma gigante nacional do setor.
“Esta é uma disputa de personalidades disfarçada de conflito político”, disse Michael Horowitz, ex-funcionário do Departamento de Defesa que trabalhou com políticas de IA.
O conflito se resume a uma “quebra de confiança entre a Anthropic e o Pentágono, onde a Anthropic não confia que o Pentágono sabe o suficiente para usar sua tecnologia de forma responsável, e o Pentágono não confia que a Anthropic estará disposta a trabalhar nos casos de uso importantes que precisa”, afirmou.
Amodei, que mais de um ano antes havia garantido a funcionários ansiosos que o contrato da empresa com o exército dos EUA se resumia principalmente a burocracia, passou recentemente a enquadrar o conflito com o Pentágono como tendo graves implicações para o futuro da guerra moderna e até da sociedade.
Na sexta-feira, o presidente Trump ordenou que todas as agências federais deixassem de trabalhar com a Anthropic e atacou os executivos da empresa, chamando-os de “malucos de esquerda”.
Mais tarde naquele dia, após o prazo para que a Anthropic concordasse com um acordo sobre como suas ferramentas poderiam ser usadas expirar, Hegseth designou a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos” – uma classificação costumeiramente aplicada a empresas estrangeiras e que impede a companhia em questão de fechar negócios com o Pentágono.
Raramente usado contra uma empresa dos EUA, o movimento — se resistir ao esperado desafio judicial da Anthropic — poderia prejudicar a sua capacidade da trabalhar com outros contratantes do governo, incluindo Lockheed Martin, Amazon e Microsoft, ameaçando relações comerciais que a tornaram uma das startups mais valiosas do mundo.
Em uma ironia, minutos antes de seu post, Trump autorizou ataques ao Irã — operações planejadas com a participação dos modelos Claude da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.
Claude também desempenhou papel na operação militar de janeiro que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e tem sido usado para simulações de guerra e planejamento de missões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Por anos, a Anthropic tem sido a empresa de IA mais vocal na defesa de limites e salvaguardas para garantir o uso seguro da tecnologia. Essa postura às vezes frustrou oficiais da administração, que incorporaram amplamente as ferramentas da Anthropic no governo, mesmo sendo incomodados pelo desejo da empresa de controlar como eram usadas.
No início deste ano, a Anthropic baniu efetivamente o uso da palavra “patógeno” em prompts de modelos como parte de suas medidas para impedir que a IA criasse uma arma biológica em seus sistemas não classificados usados por muitas agências. O bloqueio dificultou que funcionários do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) utilizassem a ferramenta. Levou semanas para que os trabalhadores obtivessem permissão para contornar a proibição.
Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, na semana passada chamou Amodei de mentiroso por deturpar a oferta do Pentágono e o acusou de tentar “brincar de Deus”. Um funcionário da administração disse que outros CEOs de tecnologia, como Sundar Pichai (Google) ou Andy Jassy (Amazon), não ditariam ao governo como usar suas tecnologias e teriam encontrado um compromisso. Outro afirmou que ferramentas de IA do governo deveriam ser ideologicamente neutras.
Até segunda-feira, agências como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos informaram aos funcionários que suas ferramentas de IA não funcionariam mais com Claude.
Para críticos, essas medidas são o mais recente exemplo da administração pressionando uma empresa privada por métodos mais comuns em economias estatais.
“A administração Trump está seguindo o manual chinês e coagindo uma empresa americana”, disse Navtej Dhillon, ex-subdiretor do Conselho Econômico Nacional durante a administração Biden.
No cerne do conflito está uma questão inédita: quem deve controlar, em última instância, como ferramentas de IA de ponta são usadas em conflitos e na sociedade?
Amodei e Hegseth abordam a questão de maneiras diferentes. Pesquisador de óculos que frequentemente enrola seus cabelos cacheados, Amodei escreve documentos longos filosofando sobre a importância da segurança em IA e é conhecido por seu método deliberado de resolver problemas. É vegetariano desde a infância.
Hegseth é ex-apresentador da Fox News, com várias tatuagens ligadas à sua fé cristã e serviço militar. Vídeos dele levantando pesos circulam frequentemente nas redes sociais. Ele também influenciou a decisão de Trump de renomear o Departamento de Defesa para “Department of War”.
Até segunda-feira, o Pentágono não havia emitido formalmente a designação contra a Anthropic, levantando a possibilidade de um acordo ser alcançado.
Nos últimos dias, com a intensificação do conflito com o Pentágono, a Anthropic perdeu seu status como a única empresa de IA aprovada para uso em ambientes classificados. xAI de Elon Musk recentemente conseguiu acordo para ser usada nesses ambientes, e no final de sexta-feira, a OpenAI também anunciou o mesmo.
O conflito da Anthropic nunca foi pessoal e sempre envolveu o desejo do Pentágono de usar suas ferramentas de IA para todos os fins legais, disse um funcionário do Pentágono.
Professor Panda
Amodei cofundou a Anthropic em 2021 após sair da OpenAI, porque sentia que a empresa priorizava objetivos comerciais em detrimento da segurança em IA. Alguns funcionários o conhecem como “Professor Panda”. Amodei e os cofundadores da Anthropic comprometeram-se a doar 80% de suas ações fundadoras para caridade — uma participação agora avaliada em bilhões de dólares.
Amodei optou por não lançar uma versão inicial do Claude no verão de 2022, temendo que isso desencadeasse uma corrida tecnológica perigosa. A OpenAI lançou o ChatGPT algumas semanas depois, forçando a Anthropic a correr atrás.
Enquanto Amodei consolidava sua reputação por sua abordagem metódica ao desenvolvimento de IA, Michael e Hegseth tornaram-se conhecidos por sua postura agressiva nos negócios e na guerra. Michael ajudou a construir o Uber como diretor de operações quando a empresa era famosa por enfrentar concorrentes e reguladores de forma agressiva. Depois, trabalhou com dezenas de startups e defendeu a integração de tecnologia nas operações do Pentágono.
Michael tinha uma longa relação com Sam Altman (OpenAI), ajudando-o a vender sua primeira startup em 2012. Eles também trabalharam no mesmo ecossistema de startups enquanto Altman liderava o incubador Y Combinator de 2014 a 2019.
Enquanto a OpenAI avançava no mercado de consumidores, a ferramenta Claude da Anthropic conquistou um grupo fiel de desenvolvedores. Obteve sucesso em contratos corporativos e levantou capital rapidamente. A startup foi avaliada em US$ 380 bilhões após sua rodada mais recente de investimentos.
Grandes investimentos da Amazon foram particularmente benéficos e abriram caminho para o Pentágono. Em novembro de 2024, nos últimos dias da administração Biden, a Anthropic e a empresa de mineração de dados Palantir anunciaram parceria com a Amazon, dando às agências de inteligência e defesa dos EUA acesso aos modelos Claude.
A parceria permitiu que a Anthropic fosse rapidamente usada em ambientes classificados por meio dos sistemas da Palantir, tornando-a o primeiro desenvolvedor de modelos disponível para as operações mais sensíveis do Pentágono.
Alguns funcionários da Anthropic questionaram como a tecnologia seria usada. Haveria mecanismos de responsabilidade? As ferramentas poderiam ser usadas em operações que resultassem em mortes?
Amodei tranquilizou a equipe, dizendo que o trabalho era mais rotineiro do que suas perguntas sugeriam. Em uma reunião geral no final de 2024, ele comparou à ajuda do governo para agilizar tarefas burocráticas.
Mesmo com o crescimento da Anthropic, isso irritava os oficiais da administração no início do segundo mandato de Trump.
Os alertas públicos de Amodei sobre os perigos da IA e críticas a empresas que enviavam chips avançados para a China o colocaram como um dos poucos executivos de IA fora do compasso com Trump. No final de maio, Amodei alertou que a IA poderia destruir cerca de metade de todos os empregos de nível inicial de colarinho branco.
O czar de IA de Trump, David Sacks, chamou a Anthropic de “esquerdistas comprometidos” em seu podcast, citando laços da empresa com doadores democratas. A Anthropic havia contratado vários funcionários da era Biden. Amodei chamou Trump de “senhor feudal da guerra” antes das eleições de 2024.
Ainda assim, em julho, a Anthropic anunciou um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono. Também fechou acordo com a agência central de compras do governo para permitir que outras agências usassem Claude.
Na mesma época, Sacks e outros funcionários trabalharam em uma ordem executiva contra “IA woke”, amplamente vista como uma ação contra a Anthropic.
O trabalho da empresa com os militares era visto por alguns no setor como forma de refutar alegações de ser “woke”, que a empresa considerou infundadas.
A Anthropic promoveu seu trabalho com o Pentágono em um evento em setembro na Union Station de Washington. Mas Amodei criticou novamente a administração por permitir a exportação de chips para países que poderiam representar ameaças de segurança. Ele afirmou que havia oficiais do governo que “parecem não entender, que ainda pensam que isto é uma corrida econômica para difundir nossa tecnologia pelo mundo, e não uma tentativa de construir a tecnologia mais poderosa que o mundo já viu”.
No final do ano passado, o Pentágono começou a discutir mudanças em contratos com empresas de IA para permitir o uso da tecnologia em todos os casos legais. A hesitação da Anthropic em dar aprovação irrestrita e a manutenção de limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas frustrou alguns funcionários da administração.
Altman e a OpenAI veem oportunidade
O conflito entre Anthropic e Pentágono se intensificou em janeiro, com relatos de que seu contrato poderia ser cancelado.
Após a operação na Venezuela, um funcionário da Anthropic perguntou a um colega da Palantir como Claude foi usado. Oficiais do Departamento de Defesa descobriram e ficaram irritados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Anthropic afirmou que foi apenas uma ligação rotineira entre parceiros.
Em um discurso em 12 de janeiro na SpaceX de Musk, Hegseth disse que Grok se juntaria à plataforma de IA militar do Pentágono, fazendo indiretas à Anthropic: “Não empregaremos modelos de IA que não permitam que você lute guerras.”
O Departamento de Defesa estava negociando, mas a Anthropic manteve seus limites. Queria que as proibições fossem explícitas, apesar das garantias do Pentágono de que não conduziria essas operações nem violaria a lei.
Na mesma época, veículos de mídia relataram que quando Michael perguntou a Amodei hipoteticamente se o Pentágono poderia usar Claude para destruir mísseis que se aproximavam dos EUA, o CEO respondeu que os oficiais deveriam verificar com a empresa primeiro. A resposta teria irritado a administração Trump. A Anthropic negou que Amodei tenha dito isso.
Desconfiados de um impasse, oficiais do Pentágono aceleraram discussões com o principal rival da Anthropic. Michael contatou Joe Larson (OpenAI) para verificar se a empresa poderia começar o processo de certificação para ser implantada em sistemas classificados. Oficiais já trabalhavam para garantir esse status para o Grok de Musk.
À medida que o relacionamento da Anthropic com a administração atingiu níveis baixos, aliados tentaram intermediar um acordo. Shyam Sankar (Palantir) sugeriu soluções para que a Anthropic aceitasse os termos do Pentágono, mantendo salvaguardas, depois aceitas pela OpenAI rival. A Anthropic rejeitou o acordo.
Em 24 de fevereiro, em reunião no Pentágono, Hegseth elogiou a qualidade dos modelos da Anthropic, reiterando a ameaça de rotulá-la como risco na cadeia de suprimentos. Ele também lançou uma ameaça maior: invocar a Defense Production Act, lei da Guerra Fria que dá ao governo controle de indústrias-chave, para obrigar a Anthropic a cumprir suas exigências. O secretário deu a Amodei até 17h01 de sexta-feira para aceitar o direito do exército de usar a tecnologia em todos os casos legais.
Na noite de quarta-feira, o Departamento de Defesa enviou nova linguagem sugerida para o contrato.
No mesmo dia, Sam Altman (OpenAI) entrou em contato com Michael, acreditando que o risco de acionar a Defense Production Act ou designar a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos não era bom para o país.
Mas ele também viu oportunidade para a OpenAI. A empresa propôs um contrato usando linguagem legal existente para manter limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas, sem pedir que o Pentágono alterasse sua política de uso. O contrato da OpenAI incluía outras medidas, como o envio de pesquisadores com autorização de segurança para monitorar o uso dos sistemas.
A OpenAI tem perfil político diferente da Anthropic: elogiou a estratégia tecnológica de Trump e prometeu investimentos para construir data centers para treinar modelos de IA. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa doaram US$ 25 milhões a um comitê político alinhado a Trump no ano passado.
Prazo perdido
Na quinta-feira, Amodei reiterou os limites da empresa: “Nova linguagem apresentada como compromisso vinha acompanhada de jargão legal que permitiria ignorar essas salvaguardas à vontade”, disse um porta-voz.
Alguns no Departamento de Defesa acharam que as partes estavam próximas de um acordo antes da declaração de Amodei. Senadores pediram a ambos que desescalassem a situação.
Naquele dia, Altman disse à equipe que a OpenAI estava trabalhando em um acordo que poderia resolver o impasse.
Com a aproximação do prazo de sexta-feira, Trump anunciou que estava direcionando agências federais a cessar trabalho com a Anthropic. Mas as negociações continuavam.
Às 17h01, Michael ligou para Amodei, que não atendeu. Michael então conversou com outro executivo da Anthropic oferecendo um acordo que, na visão da empresa, permitiria a coleta ou análise de grandes quantidades de dados de residentes dos EUA.
Alguns dentro da Anthropic acreditavam que o acordo estava quase fechado antes da proposta final, rejeitada. Funcionários da empresa haviam descoberto recentemente que estavam na fila para ganhar um contrato do Pentágono para usar IA em drones, mas ficaram de fora devido às negociações em andamento.
Michael contestou a forma como a empresa descreveu a oferta.
Momentos depois, Hegseth publicou nas redes sociais que estava designando a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos.
O que acontecerá a seguir não está claro, mas o impasse parece ter aumentado a popularidade da Anthropic entre os consumidores. Até domingo, Claude superou o ChatGPT, tornando-se o aplicativo mais baixado na App Store da Apple.
A OpenAI projeta elevar sua receita anual de cerca de US$ 20 bilhões, registrados em 2025, para mais de US$ 280 bilhões até 2030. Se confirmada, a expansão representaria um salto de 14 vezes em apenas cinco anos – colocando a empresa no mesmo patamar de gigantes como Microsoft.
A projeção reflete o avanço das assinaturas de seus softwares de inteligência artificial para consumidores e empresas. A companhia também começou a testar publicidade para parte dos usuários, criando uma nova frente potencial de receita.
A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou recentemente que a receita anualizada da empresa superou US$ 20 bilhões em 2025 — ante cerca de US$ 6 bilhões no ano anterior.
Para efeito de comparação, a meta de US$ 280 bilhões colocaria a OpenAI no mesmo patamar de gigantes consolidadas. Hoje, a Microsoft fatura algo próximo desse valor por ano, enquanto Apple e Alphabet superam a marca de US$ 400 bilhões anuais.
Se a projeção se confirmar, a OpenAI atingiria, em menos de uma década de operação comercial em larga escala, uma escala de receita comparável à das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Como outras empresas do setor, a OpenAI busca ampliar a base de clientes pagantes para compensar os custos elevados com chips, data centers e talentos necessários ao desenvolvimento de seus modelos de IA.
A empresa já havia informado que pretende investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos anos. Agora, a companhia trabalha com um plano de desembolsar cerca de US$ 600 bilhões até 2030.
A OpenAI está perto de concluir a primeira fase de uma nova rodada de captação que pode levantar mais de US$ 100 bilhões. Com isso, a avaliação total da empresa pode superar US$ 850 bilhões.
Quando o ano começou, um bilionário com laços estreitos com a Casa Branca era considerado o nome certo para o titã da tecnologia mais comentado de 2025. Mas, 12 meses caóticos depois, Larry Ellison, e não Elon Musk, pode reivindicar o título.
O cofundador e chairman da Oracle, de 81 anos, esteve onipresente — desempenhando um papel em praticamente todas as principais histórias de negócios do ano, desde o frenético boom (ou bolha) da inteligência artificial até os megacontratos que estão agitando Hollywood.
A Oracle planeja até mesmo adquirir uma participação no TikTok como parte de um plano um tanto tortuoso para ajudar o presidente americano Donald Trump a salvar o popular aplicativo de vídeos. Ao longo do caminho, a fortuna de Ellison cresceu e diminuiu com o preço das ações da Oracle — uma linha febril para uma era volátil.
O ano começou com o Stargate, talvez o projeto de data center mais audacioso de todos. Em 21 de janeiro, um dia após a posse de Trump, o presidente apareceu na Casa Branca com Ellison, Sam Altman, da OpenAI, e o líder do SoftBank Group, Masayoshi Son, para anunciar um plano de US$ 500 bilhões para construir infraestrutura de IA. Muitos superlativos foram proferidos naquele dia — 100.000 empregos — e alguns céticos consideraram a vasta soma mera aspiração.
Desde então, a Oracle embarcou em uma expansão histórica de data centers otimizados para IA, que progride mais rapidamente do que alguns esperavam. O esforço fez com que o fluxo de caixa da empresa se tornasse negativo pela primeira vez desde o início da década de 1990. Mas Ellison, que notoriamente ignorou a revolução da computação em nuvem há 15 anos, de repente se tornou um entusiasta da IA.
No verão no hemisfério Norte, a OpenAI fechou um acordo de cerca de US$ 300 bilhões para alugar uma enorme quantidade de poder computacional da Oracle, preparando o principal laboratório de IA para se tornar o maior cliente da Oracle.
Investidores ficaram eufóricos em setembro, quando a Oracle divulgou a dimensão total de seu negócio com a OpenAI. O patrimônio líquido de Ellison saltou para US$ 89 bilhões em um único dia, para US$ 388 bilhões, o maior aumento diário já registrado pelo índice de bilionários da Bloomberg. Isso o tornou brevemente a pessoa mais rica do mundo, superando Musk.
Sua crescente fortuna se encaixou bem com as aspirações de seu filho David de se tornar um magnata de Hollywood. Em agosto, a Skydance Media, de David Ellison, finalmente fechou o acordo para obter o controle da Paramount, uma aquisição financiada em grande parte por Ellison pai.
Semanas após fechar o acordo com a Paramount, David Ellison voltou sua atenção para a Warner Bros. Discovery, oferecendo-se para assumir o lar do Batman, Harry Potter e Pernalonga. Seu pai se ofereceu para ajudar a financiar o negócio e apresentou a proposta pessoalmente aos executivos da Warner Bros.
Foi em vão. A Warner Bros. rejeitou a oferta da Paramount Skydance e aceitou a da Netflix. O jovem Ellison respondeu com uma oferta hostil — uma jogada que seu pai havia feito no início dos anos 2000 para comprar a empresa de software PeopleSoft.
A segunda oferta pela Paramount foi rejeitada, com a Warner Bros. questionando a capacidade da empresa de cumprir a parte da oferta referente às ações. Em resposta, Larry Ellison concordou em garantir pessoalmente o financiamento de US$ 40,4 bilhões.
A OpenAI anunciou na quinta-feira (11) o lançamento do GPT-5.2, chamando o modelo de inteligência artificial de seu mais avançado para o trabalho profissional do conhecimento.
O lançamento ocorre cerca de uma semana depois que o presidente da empresa, Sam Altman, declarou um esforço de “código vermelho” para melhorar a qualidade do ChatGPT e atrasar o desenvolvimento de algumas outras iniciativas, incluindo publicidade.
A empresa tem estado em alerta máximo devido à crescente ameaça do mais recente modelo de IA do Google, o Gemini, que superou o ChatGPT em certos benchmarks, incluindo conhecimento em nível de especialista, puzzles de lógica, problemas de matemática e reconhecimento de imagem.
O novo modelo da OpenAI foi descrito pela empresa como melhor em benchmarks de matemática, ciência e codificação.
O negócio daOpenAI voltado para clientes corporativos também tem estado sob pressão da Anthropic, que recentemente intensificou seus esforços para vender para empresas.
“Nós projetamos o 5.2 para desbloquear ainda mais valor econômico para as pessoas”, disse Fidji Simo, presidente de aplicações da OpenAI, em uma teleconferência com repórteres na quinta-feira. “Ele é melhor na criação de planilhas, construção de apresentações, escrita de código, percepção de imagens, compreensão de longos contextos, uso de ferramentas e, em seguida, na vinculação de projetos complexos de múltiplas etapas.”
A aplicação da IA a tais tarefas será crítica à medida que as empresas buscam obter valor da ia e gerar um retorno sobre esses investimentos.
Simo, ex-ceo da instacart, ingressou na OpenAI este ano e é encarregada de ajudar a criadora do ChatGPT a se tornar um negócio global lucrativo.
Ainda não está claro se o mais recente modelo da OpenAI, focado em produtividade e trabalho, conquistará clientes ou a ajudará a competir contra rivais. Muitas empresas ainda estão no início do uso de ia e ainda não viram retornos generalizadosda tecnologia.
O GPT-5.2 mostra melhorias em raciocínio, codificação e trabalho com uma variedade de entradas, de texto a áudio, vídeo, e mais todas áreas em que a OpenAI enfrentou desafios do google e da Anthropic, disse arun chandrasekaran, analista da empresa de pesquisa de mercado e consultoria de TI Gartner. A empresa também progrediu em capacidades de trabalho do conhecimento essenciais para tornar o ChatGPT o assistente de ia de escolha para trabalhadores profissionais, ele acrescentou.
Crescente Competição
Ray Wang, fundador e principal analista da constellation research, disse que o GPT-5.2 é uma boa resposta ao Gemini do Google, mas não o suficiente para reverter o ímpeto de seu rival. Para as empresas, “o que a OpenAI fez foi facilitar a criação de ferramentas de produtividade de escritório”, disse Wang. “O Gemini ainda é mais integrado.”
A OpenAInão teve atualizações na quinta-feira sobre a geração de imagens no GPT-5.2. Essa capacidade tem sido um diferencial fundamental para o Gemini do Google desde o lançamento de seu gerador de imagens, nano banana, em agosto, e Altman listou a melhoria da tecnologia como uma prioridade chave em seu memorando de código vermelho para os funcionários.
No entanto, em comparação com a versão anterior de seu modelo, o GPT-5.1, lançado em meados de novembro, o GPT-5.2 “representa um salto enorme” em uma variedade de tarefas de trabalhadores profissionais, disse aaron levie, ceo e cofundador da box. As tarefas que os trabalhadores do conhecimento comumente assumem incluem a criação de planilhas e apresentações de slides.
No domínio do trabalho no mundo real, a OpenAI disse que o GPT-5.2 venceu ou empatou com os principais profissionais do setor em 70,9% das tarefas de trabalho do conhecimento no GDPVAL, sua própria métrica para medir o trabalho do conhecimento em 44 ocupações. Essas ocupações incluem empregos em setores como manufatura, serviços profissionais, saúde e finanças, onde as pessoas frequentemente trabalham com planilhas e apresentações.
O acesso ao GPT-5.2 começou a ser liberado para usuários pagantes do ChatGPT na quinta-feira.
A primeira versão do GPT-5, lançada em agosto, foiturbulenta e mostrou a luta da OpenAI para permanecer a líder indiscutível em ia. Na época, os usuários inundaram as mídias sociais com exemplos embaraçosos de como o chatbot falhou ao responder a perguntas simples de matemática ou desenhar com precisão um mapa da américa do norte.
Simo, da OpenAI, disse na teleconferência de quinta-feira que o lançamento do GPT-5.2 havia sido planejado por muitos meses e não deveria ser considerado parte de seu esforço de código vermelho.
“Código vermelho, apenas para colocar as coisas em perspectiva, isso não é algo incomum”, disse ela. “Tivemos um aumento de recursos focados no ChatGPT em geral. Eu diria que isso ajuda no lançamento deste modelo, mas não é a razão pela qual ele está sendo lançado nesta semana em particular.”
Também na quinta-feira, a disney disse que investiria US$ 1 bilhão naOpenAI e licenciaria seus personagens para uso no ChatGPT e Sora.
A news corp, proprietária do The Wall Street Journal, tem uma parceria de licenciamento de conteúdo com a OpenAI.
A Apple, por muito tempo um modelo de estabilidade no Vale do Silício, está passando por sua maior reestruturação de pessoas em décadas, com executivos seniores e engenheiros essenciais para os negócios deixando a companhia e migrando para concorrentes diretos, como Meta e OpenAI.
Só na última semana, os chefes de inteligência artificial e de design de interface pediram demissão. Em seguida, a empresa anunciou que sua diretora jurídica e o chefe de relações governamentais também estão saindo. Todos esses quatro executivos se reportavam diretamente ao CEO, Tim Cook, o que mostra a enorme rotatividade no alto escalão da companhia.
E mais mudanças podem vir. Johny Srouji, vice-presidente sênior de tecnologias de hardware e um dos executivos mais respeitados da empresa, disse recentemente a Cook que está seriamente considerando sair em um futuro próximo, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Srouji, arquiteto do prestigiado esforço da Apple de desenvolver chips próprios, já informou colegas de que pretende se juntar a outra empresa caso realmente saia.
Ao mesmo tempo, talentos da área de inteligência artificial têm migrado para rivais, e empresas como Meta e OpenAI, além de diversas outras startups, já contrataram muitos dos engenheiros da Apple. Isso ameaça atrasar o esforço da empresa para alcançar concorrentes em IA, área na qual historicamente teve dificuldades para se destacar.
Esse conjunto de saídas forma um dos períodos mais turbulentos da gestão de Cook. Embora o CEO não deva deixar o cargo tão cedo, a Apple agora precisa reconstruir suas equipes e descobrir como prosperar na era da IA.
Dentro da empresa, algumas das demissões geram preocupação profunda e Cook tenta evitar novas perdas oferecendo pacotes de remuneração mais robustos a funcionários importantes. Em outros casos, as saídas refletem executivos veteranos próximos da aposentadoria. Ainda assim, o volume de mudanças configura uma inquietante fuga de cérebros.
Embora Cook insista que a Apple está trabalhando em sua linha de produtos mais inovadora da história, que deve incluir iPhones e iPads dobráveis, óculos inteligentes e robôs, a empresa não lança uma nova categoria de produto verdadeiramente bem-sucedida há uma década. Isso a torna vulnerável a concorrentes mais ágeis e preparados para desenvolver a próxima geração de dispositivos centrados em IA.
Procurada, a Apple preferiu não comentar.
Saída do chefe de IA expõe tropeços da Apple no setor
A demissão do chefe de IA, John Giannandrea, ocorreu após vários fracassos em IA generativa. A plataforma Apple Intelligence sofreu atrasos e entregou recursos abaixo do esperado. Uma reformulação muito anunciada da assistente Siri está há cerca de um ano e meio atrasada. Além disso, o software dependerá fortemente de uma parceria com a Alphabet, dona do Google, para preencher lacunas de capacidade.
Diante disso, a Apple começou a afastar Giannandrea do cargo em março, mas permitiu que ele permaneça até a próxima primavera. Dentro da empresa, muitos já esperavam sua saída e alguns até se dizem surpresos de ele ainda estar lá. Demiti-lo mais cedo, porém, seria interpretado publicamente como admissão de problema, segundo fontes.
O veterano do design Alan Dye está deixando a Apple rumo ao Reality Labs da Meta, uma deserção notável para um dos maiores rivais da companhia.
No dia seguinte à notícia, a Apple anunciou que havia contratado uma executiva da própria Meta: Jennifer Newstead, diretora jurídica da empresa de redes sociais e que ocupará o mesmo cargo na rival. Ela ajudou a conduzir a batalha bem-sucedida da Meta contra a FTC, órgão antitruste dos EUA que processou a companhia por prática anticompetitivas, experiência valiosa diante da disputa legal da Apple com o Departamento de Justiça dos EUA pelo mesmo motivo.
Newstead substituirá Kate Adams, que ocupou o cargo por oito anos e se aposentará no fim de 2026. Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais, também está se aposentando e suas funções serão distribuídas entre outros executivos.
A saída de Adams causou impacto, especialmente dado o número de disputas legais que ela conduzia, mas seu tempo de serviço é considerado longo. A saída de Jackson, por sua vez, já era amplamente esperada.
Essas saídas vêm após outra ainda maior: Jeff Williams, braço direito de Cook e diretor de operações (COO) por uma década, aposentou-se no mês passado. Outro veterano, o diretor financeiro (CFO) Luca Maestri, assumiu um cargo menor no início de 2025 e deve se aposentar em breve.
Especulação sobre CEO cresce, mas saída não é iminente
Cook completou 65 anos no mês passado, aumentando especulações sobre sua aposentadoria. Pessoas próximas afirmam que ele não deve sair tão cedo, embora o planejamento sucessório exista há anos. John Ternus, chefe de engenharia de hardware, de 50 anos, é visto internamente como o principal candidato.
Quando Cook deixar o cargo, deve assumir a presidência do conselho e manter grande influência. Isso torna improvável que a Apple escolha um CEO externo, apesar de nomes como Tony Fadell, ex-Apple e criador do iPod, serem ventilados fora da empresa. Mas Fadell deixou a Apple há 15 anos em termos pouco amistosos.
Internamente, comenta-se também sobre questões envolvendo a saúde de Cook, como tremores nas mãos percebidos durante reuniões da empresa. Pessoas próximas garantem que ele está saudável.
Srouji é peça vital para a empresa por ser responsável pela arquitetura dos chips Apple Silicon, pilar do sucesso recente da Apple. Cook tenta retê-lo, oferecendo aumento substancial de salário e a possibilidade de ampliar seu papel. Uma hipótese discutida seria promovê-lo a diretor de tecnologia (CTO), tornando-o possivelmente o segundo nome mais poderoso da Apple.
Mas isso exigiria promover Ternus a CEO, passo para o qual a empresa talvez ainda não esteja pronta. E alguns afirmam que Srouji não gostaria de trabalhar sob outro CEO, mesmo com um título maior. Se Srouji sair, seus sucessores naturais seriam seus dois principais subordinados: Zongjian Chen ou Sribalan Santhanam.
As mudanças já vêm alterando a estrutura de poder. Mais autoridade está concentrada em quatro executivos: Ternus, Eddy Cue (serviços), Craig Federighi (software) e o novo COO, Sabih Khan. Os esforços de IA foram redistribuídos, com Federighi se tornando o chefe de IA na prática.
Equipes de IA, robótica e design são esvaziadas
O esvaziamento não se limita ao alto escalão da companhia. A Apple enfrenta uma fuga de talentos em engenharia. A ordem interna é reforçar contratação e retenção.
Robby Walker, responsável pela Siri e por um projeto de busca semelhante ao ChatGPT, saiu em outubro. Sua substituta, Ke Yang, deixou a empresa em poucas semanas e foi para o novo Superintelligence Labs da Meta.
Para preencher lacunas deixadas por Giannandrea, a Apple contratou Amar Subramanya, ex-Google e Microsoft, como vice-presidente de IA.
Mas houve um colapso mais amplo na organização de IA, intensificado pela saída do chefe de modelos de IA, Ruoming Pang. Ele e outros nomes de peso, como Tom Gunter e Frank Chu, foram para a Meta, que atrai talentos com pacotes de remuneração muito altos.
A equipe de robótica de IA também foi atingida, inclusive seu líder Jian Zhang, que igualmente foi para a Meta. Esse grupo trabalha em tecnologias para futuros produtos, como um robô de mesa e um robô móvel. A equipe de hardware do robô de mesa também perdeu talentos, alguns indo para a OpenAI.
A área de interface do usuário também sofreu baixas, culminando na saída de Dye, do design. Seu desejo era integrar IA mais profundamente aos produtos, algo que sentia que a Apple não estava acompanhando. Billy Sorrentino, outro líder dessa área, também foi para a Meta.
O grupo de design industrial da Apple, responsável pelo design físico dos produtos, praticamente se desfez na última meia década, com muitos profissionais seguindo Jony Ive para seu estúdio LoveFrom ou migrando para outras empresas.
Stephen Lemay substituirá Dye. Cook também está assumindo mais responsabilidade sobre design, função anteriormente de Jeff Williams.
Apesar do caos, há otimismo interno sobre Lemay, um designer veterano com 20 anos de casa.
OpenAI e Meta se beneficiam
Jony Ive agora trabalha com a OpenAI em novos dispositivos reforçados por IA. A OpenAI comprou a startup de Ive por mais de US$ 6 bilhões para acelerar seu esforço em hardware, mirando diretamente o território da Apple.
A OpenAI também contratou dezenas de engenheiros da Apple, incluindo profissionais de iPhone, Mac, câmeras, chips, áudio, Apple Watch e Vision Pro.
Houve outras perdas notáveis: Abidur Chowdhury, que narrou o lançamento do iPhone Air em setembro, saiu para uma startup de IA, uma surpresa interna. E a Apple perdeu o reitor da Apple University, programa criado para preservar sua cultura após a morte de Steve Jobs.
O executivo-chefe da Nvidia, Jensen Huang, planeja revelar novos contratos para fornecimento de chips de IA para grandes empresas sul-coreanas, incluindo a Samsunge a Hyundai, quando visitar o país esta semana para buscar novas oportunidades para seus negócios.
Os acordos têm o potencial de ajudar a fabricante de chips americana a expandir sua presença num mercado chave como a Coreia do Sul, uma vez que a Nvidia está cada vez mais excluída da China devido ao conflito comercial entre Washington e Pequim. Para os conglomerados coreanos, um relacionamento mais próximo com a Nvidia significa um fornecimento mais confiável de unidades de processamento gráfico essenciais para o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial.
Huang quer estreitar seus laços com a quarta maior economia da Ásia, que é fundamental para o fornecimento global de chips de memória e tem ambições de se tornar um grande centro de computação de IA, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Além da Samsung e da Hyundai Motor, a Nvidia planeja fornecer seus chips para o SK Group, que planeja construir um centro de dados de IA de 7 trilhões de wons (US$ 4,9 bilhões) na Coreia do Sul e conta com a fabricante de chips SK Hynix entre suas afiliadas.
Huang deve anunciar essas parcerias antes de participar da Cúpula de CEOs da APEC em Gyeongju na próxima sexta-feira, dia 31, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por tratar de assuntos particulares. O CEO da Nvidia presidirá uma conferência em Washington na terça-feira, e o presidente Donald Trump disse que se encontrará com Huang mais tarde, enquanto viaja pela Ásia.
Quando questionado em um evento da Nvidia em Washington nesta terça-feira (28) sobre os acordos que a empresa poderia revelar na Coreia do Sul, Huang se recusou a dar detalhes, mas deu a entender que pode ter mais a dizer nos próximos dias.
“Se você observar todo o ecossistema sul-coreano, todas as empresas são minhas grandes amigas e ótimas parceiras”, disse ele em declarações aos repórteres. “Quando eu partir, espero que tenhamos alguns anúncios que sejam realmente muito agradáveis para o povo da Coreia e para o presidente Trump.”
O Hyundai Motor Group não quis comentar. Representantes da Samsung e da SK não estavam imediatamente disponíveis para comentar.
O governo Trump deve assinar um amplo acordo com a Coreia do Sul nesta quarta-feira, com o objetivo de fortalecer a cooperação em inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e tecnologia sem fio 6G, de acordo com uma autoridade americana, que discutiu planos ainda não divulgados sob condição de anonimato. A autoridade não identificou quais empresas poderiam estar envolvidas em projetos sob o acordo.
A Nvidia está no centro de uma onda de investimentos em infraestrutura de IA que deve ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão nos próximos anos. Da OpenAI à Oracle, os líderes do setor estão correndo para construir os data centers que sustentarão a era pós-ChatGPT. Essa corrida por investimentos, aliada à rápida valorização das ações de tecnologia, tem sido comparada à ‘bolha das pontocom’, dada a persistente ausência de aplicativos e serviços de IA convencionais.
A Coreia do Sul planeja investimentos significativos em infraestrutura de computação, incluindo planos para que o país garanta até 200.000 GPUs de alto desempenho até 2030. Esse esforço pode custar cerca de US$ 3 bilhões.
Embora essa demanda geral seja modesta em comparação às necessidades da OpenAI e da Meta, os contratos ajudariam a Nvidia a fazer incursões em um país crucial para a produção e o design de chips de memória — componentes essenciais para todos os eletrônicos modernos.
A Nvidia também está interessada em se aprofundar em mercados alternativos após ter sido praticamente excluída da China. Pequim ordenou que empresas locais suspendessem os pedidos da RTX Pro 6000D da Nvidia e desencorajou empresas e agências a usarem seus chips H20. Huang afirmou este mês que a participação de mercado da Nvidia na China caiu de 95% em seu pico para zero.
Trump planeja se reunir com o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul na quinta-feira, à margem da Cúpula de CEOs da APEC, com o objetivo de elaborar algum tipo de acordo comercial. Não está claro se a capacidade da Nvidia de vender para empresas chinesas faria parte de algum acordo.
O ChatGPT está se transformando num sistema operacional, ou seja, num agente que controla outros aplicativos.
Na segunda-feira passada, a OpenAI lançou a integração entre o GPT e alguns apps. Isso significa que você agora pode usar outros aplicativos direto no Chat.
Agora, no início, são bem poucos, mas dá pra ter uma boa ideia de como a coisa funciona.
Vamos ver o caso do Spotify. Você pode pedir para o Chat montar uma playlist, na linha “faz uma só com músicas que tocaram na trilha sonora do filme tal”. Pronto.
Ele faz a Playlist e já joga dentro do Spotify. Na prática, você passa a interagir com outros apps da mesma forma como lida com o GPT: na base da conversa, como se estivesse falando com um amigo.
Neste episódio da sére IA:Modo de Usar, o jornalista Pedro Burgos mostra os detalhes.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, embarcou em uma campanha global para arrecadação de fundos, buscando financiamento e parceiros que possam ajudar a atender à demanda insaciável da startup por capacidade computacional.
Em uma tentativa de garantir suprimentos de longo prazo e de baixo custo para o impressionante plano de infraestrutura multitrilionário da OpenAI, Altman tem explorado alternativas de financiamento com parceiros da cadeia de suprimentos, disseram pessoas familiarizadas com suas reuniões.
Desde o final de setembro, o chefe do ChatGPT viajou para Taiwan, Coreia do Sul e Japão para acelerar a capacidade mundial de construção de chips de inteligência artificial. Ele se reuniu com empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) e a Foxconn, bem como a Samsung e a SK Hynix, disseram as pessoas que acompanharam o assunto de perto.
Altman estava pressionando essas empresas, muitas das quais são fornecedoras da Nvidia, uma das maiores fabricantes de chips de IA do mundo, a aumentar a capacidade de produção e priorizar os pedidos da OpenAI, disseram pessoas que acompanharam o assunto.
Ele planeja visitar investidores nos Emirados Árabes Unidos para arrecadar fundos para financiar a expansão da infraestrutura e a pesquisa da OpenAI.
Desde a introdução do ChatGPT, a cadeia de suprimentos de computação tem enfrentado gargalos de fabricação para atender à crescente demanda global.
A TSMC produz chips para a Nvidia, enquanto a Foxconn monta os servidores com esses chips. A Samsung e a SK Hynix, da Coreia do Sul, fornecem chips de memória para ambos os sistemas.
A viagem de Altman lembra uma visita que ele fez no início de 2024, quando apresentou planos de infraestrutura com um valor exorbitante de até US$ 7 trilhões para as mesmas empresas e buscou financiamento dos Emirados Árabes Unidos.
Seu esforço anterior foi então rejeitado por alguns líderes do setor, que não o consideraram realista, dada a baixa receita gerada pelos serviços de IA na época. Logo após essa viagem, o CEO da TSMC, C.C. Wei, disse que Altman era “agressivo demais para se acreditar”.
Desta vez, ele está recebendo mais apoio.
Uma onda de confiança renovada na OpenAI veio de seu acordo de sucesso com a Nvidia, no qual a gigante dos chips concordou em alugar até cinco milhões de seus chips de IA para a fabricante do ChatGPT ao longo do tempo e investir até US$ 100 bilhões para viabilizar o projeto.
O anúncio ajudou a reforçar a visão de Altman para o poder computacional e elevou as ações de fornecedores de chips em todo o mundo.
Cerca de três anos após o lançamento do chatbot de IA, a OpenAI agora está avaliada em US$ 500 bilhões, em pé de igualdade com empresas corporativas globais como Netflix e Exxon Mobil.
Nos últimos dias, Altman se reuniu com líderes de tecnologia como Samsung e SK Hynix, bem como com a empresa japonesa de eletrônicos e indústria Hitachi. Os anúncios de suas parcerias impulsionaram as ações das três empresas, seguindo o mesmo padrão observado com os acordos nos EUA.
Altman contratou as duas empresas sul-coreanas como parceiras em chips de memória. Eles disseram que a demanda geral da OpenAI poderia chegar a até 900.000 wafers por mês, o que é mais que o dobro da capacidade global atual de memória de alta largura de banda. Eles planejam desenvolver data centers de IA em conjunto com a OpenAI na Coreia do Sul.
No Japão, a OpenAI e a Hitachi concordaram que o conglomerado japonês apoiaria a OpenAI no desenvolvimento de infraestrutura de IA, incluindo o fornecimento de equipamentos para transmissão e distribuição de energia para os data centers da startup americana. A OpenAI forneceria seus modelos e outras tecnologias para a Hitachi.
Altman manteve discussões com algumas das empresas sobre a fabricação e implantação dos futuros sistemas Rubin da Nvidia, disseram as pessoas familiarizadas com as viagens. A OpenAI estará entre os primeiros clientes a receber os sistemas Rubin no segundo semestre de 2026.
Durante sua parada no Oriente Médio, Altman planejou se reunir com os fundos de investimento MGX e Mubadala de Abu Dhabi, bem como com o parceiro operacional da OpenAI, G42, disseram pessoas familiarizadas com os planos. O potencial novo capital seria parcialmente usado para financiar o data center Stargate em Abu Dhabi, disseram as pessoas que acompanham o assunto.
Foto: Adobe Stock Photo
A OpenAI informou a seus investidores e parceiros comerciais que provavelmente gastará cerca de US$ 16 bilhões em aluguel de servidores de computação este ano, e que o gasto poderá chegar a cerca de US$ 400 bilhões em 2029, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Na semana passada, a empresa reacendeu o entusiasmo global com seu modelo de geração de vídeo Sora 2. Participantes do setor esperam que tais modelos e aplicações aumentem a demanda por capacidade computacional de forma muito mais agressiva do que os modelos baseados em texto.
“Nossa visão é simples: queremos criar uma fábrica capaz de produzir um gigawatt de nova infraestrutura de IA por semana”, escreveu Altman em um blog recente.
No mês passado, a OpenAI e a Nvidia anunciaram que implantariam pelo menos 10 gigawatts dos sistemas de computação da Nvidia para que a OpenAI treinasse e executasse sua próxima geração de modelos. A OpenAI também anunciou cinco novos data centers nos EUA, construídos em parceria com a Oracle e o conglomerado de tecnologia japonês SoftBank.
O CEO da Hyundai, Euisun Chung, esperava que a montadora pudesse apaziguar os ânimos com o governo Trump com uma série de medidas para aprofundar os laços com os EUA. Mas até agora, isso parece um erro de cálculo doloroso.
A operação de imigração realizada no mês passado no complexo de produção da Hyundai, na Geórgia, terminou com mais de 300 funcionários coreanos de colarinho branco algemados e acorrentados. A ação foi o ponto culminante de um ano em que a terceira maior montadora do mundo tentou repetidamente agradar o presidente Trump — mas colheu poucos resultados.
A Hyundai, em vez disso, tornou-se um dos exemplos corporativos mais notórios das armadilhas de tentar prever exatamente como o governo implementará suas políticas econômicas e de imigração, muitas vezes caóticas.
Para Chung, a luta para cair nas graças de Washington é pessoalmente irritante, enquanto a Coreia tenta finalizar um acordo comercial que aliviaria a dor das tarifas americanas.
Nos últimos anos, o CEO da Hyundai pressionou a montadora coreana fundada por seu avô a se aprofundar no mercado de consumidores americanos. A Hyundai e sua marca irmã Kia — que antes apostavam sua reputação em garantias de uma década e preços acessíveis — acumularam prêmios de design, tecnologia e qualidade. Mais da metade dos lucros operacionais da empresa hoje vêm dos EUA.
Para dar continuidade a esse impulso, Chung seguiu o manual corporativo para conquistar Donald Trump após sua eleição para um segundo mandato em novembro de 2024.
A Hyundai doou US$ 1 milhão para a posse de Trump. Semanas depois, a marca recebeu Donald Trump Jr. e sua filha em Torrey Pines para o evento profissional e amador de um torneio da PGA que leva o nome do sedã de luxo da montadora.
Antecipando-se às tarifas iminentes, a Hyundai prometeu em março cerca de US$ 21 bilhões em investimentos nos EUA que seriam concretizados antes do fim do segundo mandato de Trump. O investimento rendeu a Chung e a funcionários da Hyundai uma viagem à Casa Branca. Trump elogiou o investimento nas redes sociais como prova de que suas tarifas “funcionam muito bem”.
Mas quando a tarifa de 25% de Trump sobre as exportações globais de automóveis foi anunciada dias depois, a Hyundai não foi poupada.
Sem se deixar abater, a Hyundai tomou novas medidas para conquistar a simpatia de Washington. Em abril, a Hyundai anunciou que a produção de um SUV popular seria transferida de uma fábrica da Kia no México para uma fábrica já existente no Alabama. A empresa prometeu adquirir mais componentes nos EUA.
Horas após o presidente da Coreia do Sul se encontrar com Trump em 25 de agosto na Casa Branca, com a presença de Chung novamente, a Hyundai anunciou que investiria mais US$ 5 bilhões nos EUA. Em poucos dias, o mandado de busca foi assinado para a operação de imigração de 4 de setembro nas instalações da Hyundai na Geórgia.
As prisões ocorreram no projeto americano mais importante de Chung, um complexo industrial de US$ 7,6 bilhões apelidado de “Metaplanta”. Agentes federais invadiram um canteiro de obras para uma fábrica de baterias operada em conjunto pela Hyundai e pela empresa coreana LG Energy Solution. Foi a maior operação do tipo em um único local na história dos EUA: cerca de 450 prisões, incluindo mais de 300 coreanos.
Um mandado de busca mostra que o alvo inicial da operação eram quatro trabalhadores hispânicos, mas o efeito foi um destaque global sobre a dependência da fábrica em relação à mão de obra coreana.
Diretores da Hyundai admitem reservadamente que prefeririam contratar todos os americanos, embora reconheçam que isso não é realista, pois os trabalhadores americanos não têm o conhecimento necessário, especialmente com baterias de veículos elétricos.
Os sul-coreanos detidos, segundo autoridades de Seul, estavam, em grande parte, prestando consultoria sobre instalação de equipamentos e outras tarefas nas quais os americanos normalmente não têm experiência. A maioria dos trabalhadores coreanos tinha vistos de negócios de curto prazo ou entrou nos EUA por meio de um programa de isenção de visto.
“Há muitos e muitos anos ouço que simplesmente não é possível encontrar trabalhadores americanos em alguns desses estados”, disse James Kim, presidente da Câmara de Comércio Americana na Coreia do Sul. A operação atrasará a construção do local em cerca de dois meses.
Trump disse que muitos imigrantes ilegais trabalhavam na Geórgia logo após a operação. Mas mudou sua mensagem em poucos dias, enfatizando que certos trabalhadores estrangeiros eram bem-vindos nos EUA.
A libertação dos 317 sul-coreanos detidos foi adiada por cerca de um dia, informou o Ministério das Relações Exteriores de Seul na época, porque Trump havia pedido que eles ficassem mais tempo para treinar os americanos. Quando um voo fretado de volta para casa partiu de Atlanta em 11 de setembro, todos, exceto um, optaram por partir.
Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, disse que os EUA atraíram grandes investimentos em vários setores, reduzindo a regulamentação e permitindo que as empresas contratassem especialistas técnicos para montar instalações e treinar trabalhadores americanos. “Como o presidente Trump deixou claro, o governo trabalhará com qualquer empresa que invista nos Estados Unidos”, disse Desai.
A Hyundai é um fator importante nas negociações tarifárias entre Seul e Washington — um barômetro fundamental para os acordos mais amplos dos EUA com dezenas de países. O pacto comercial ainda não assinado com Trump se concentra principalmente na promessa da Coreia do Sul de investir US$ 350 bilhões nos EUA. Em troca, o governo Trump reduzirá as tarifas sobre uma ampla gama de itens, incluindo automóveis, de 25% para 15%.
Desde a operação, a Hyundai reafirmou publicamente seu compromisso com US$ 26 bilhões em investimentos nos EUA, incluindo a fábrica de baterias da Geórgia, ainda inacabada, e seus planos de aumentar a produção americana.
Isso atraiu uma forte repreensão da Hyundai pelo governo sul-coreano, que acredita que a Hyundai corre o risco de enfraquecer a influência da Coreia nas negociações comerciais com o governo Trump por ser abertamente entusiasmada demais por uma resolução comercial rápida, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
O gabinete presidencial da Coreia do Sul não quis comentar.
Em comunicado, a Hyundai reconheceu os esforços do governo sul-coreano para apoiar os negócios de empresas locais nos EUA. A montadora acrescentou que no próximo ano celebrará quatro décadas nos EUA, com seus investimentos anteriores e em andamento totalizando mais de US$ 45 bilhões.
“Essas decisões de investimento são impulsionadas pela visão de longo prazo da Hyundai”, incluindo um compromisso com o crescimento sustentado e oportunidades nos Estados Unidos, afirmou a empresa. Apesar da turbulência, o compromisso de Chung com os EUA permaneceu inalterado, de acordo com pessoas familiarizadas com seu pensamento.
Ainda assim, eles reconhecem que a dinâmica atual é mais desafiadora do que parecia na inauguração do complexo Metaplant em março, quando Chung subiu em um pódio com uma grande bandeira americana pendurada atrás dele. Fileiras de operários usando capacetes brancos o aplaudiram. O governador da Geórgia, Brian Kemp, presente com outras autoridades estaduais, autografou um Hyundai EV.
“Estamos construindo o futuro da mobilidade com a América. Na América”, disse Chung.
Lado humano do chefe
Chung, de 54 anos, assumiu os negócios do pai em 2020, tornando-se o líder da terceira geração da Hyundai. Desde o início, a empresa tinha laços com os EUA: o terreno original da Hyundai em Seul foi comprado do exército americano.
Chung tem uma imagem diferente de seu pai e avô, ambos ícones na comunidade empresarial coreana. Ele prefere ser conduzido em carros coloridos da empresa — em vez do preto convencional — e se considera um tecnólogo franco após obter seu MBA no Vale do Silício durante o boom das empresas pontocom na década de 1990. Seu amor pelo basquete levou a Kia a se tornar patrocinadora do concurso de enterradas da NBA em 2011.
O vencedor daquele ano, Blake Griffin, saltou sobre um Kia Optima para o momento de destaque. Nos bastidores, Chung, frequentemente chamado de “E.S.” no Ocidente, também é conhecido por confraternizar confortavelmente com os funcionários da Hyundai, as concessionárias da empresa e outros.
John Krafcik, ex-CEO da Hyundai Motor America, relembrou uma sessão de karaokê à noite em Seul, há mais de uma década, quando Chung pegou um microfone e cantou Radio Ga Ga, do Queen. Chung, que era vice-presidente da Hyundai na época, pegou sua bateria e tocou mais algumas músicas. “Ele nunca teve medo de mostrar um lado humano real”, disse Krafcik.
O fato de todos reconhecerem que Chung é o chefe supremo permite que a Hyundai, mesmo hoje, opere em um “modo fundador”, o que significa que a empresa provavelmente não se desviará estrategicamente, apesar dos contratempos de curto prazo, disse Krafcik, que deixou a empresa em 2013. Chung também não é avesso a fazer política.
Em junho de 2024, Kemp, o governador da Geórgia, visitou a Coreia do Sul para reuniões econômicas. A Metaplant da Hyundai foi o maior investimento industrial do estado até então. Ele se viu passeando pela Ilha de Jeju, uma ilha turística famosa por suas tangerinas doces e estátuas de rocha vulcânica.
Mas ele precisava de transporte de volta para Seul. Chung, que havia acompanhado Kemp com outros altos funcionários da empresa até a Ilha de Jeju, ofereceu seu jato particular, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
Kemp aceitou, eventualmente voando no jato, enquanto Chung e a cúpula da Hyundai voaram cerca de uma hora até a capital sul-coreana em um voo comercial da Korean Air.
Poucos dias após a eleição nos EUA, Chung nomeou o espanhol José Muñoz como CEO da Hyundai, o primeiro não coreano a liderar a montadora. A mudança ressaltou o desejo de Chung de embarcar em uma era de “desempenho acima do passaporte”. Muñoz, ex-assessor de Carlos Ghosn na Nissan que comandava as operações da Hyundai nos EUA, tinha um perfil global.
A nomeação também refletiu a crescente importância dos EUA para os negócios da Hyundai.
Agora, mais de 1 em cada 10 veículos novos vendidos nos EUA são Hyundai ou Kia, incluindo Ioniq EVs, sedãs Elantra e SUVs Sportage. Na quinta-feira, a empresa informou que as vendas de setembro nos EUA aumentaram 14% em relação ao ano anterior.
Queda do lucro
Mas as tarifas de Trump, em vigor desde abril, contribuíram para uma queda de 22% no lucro líquido durante o trimestre mais recente em relação ao ano anterior.
A montadora não aumentou os preços, apesar das tarifas. Após o vencimento de um crédito tributário da era Biden para veículos elétricos, a Hyundai anunciou que, a partir deste mês, reduziria os preços ou ofereceria um incentivo em dinheiro.
Parte do foco crescente da Hyundai nos EUA se deve à queda nos negócios em outros lugares.
Em 2016, a Hyundai e a Kia atingiram recordes históricos de vendas na China, vendendo juntas cerca de 1,8 milhão de veículos e abocanhando 7% do mercado geral do país na época, de acordo com estimativas da Korea Investment & Securities.
No ano seguinte, a reação chinesa à instalação de um sistema de defesa antimísseis dos EUA pela Coreia do Sul surgiu. Fotos de carros Hyundai e Kia vandalizados surgiram nas redes sociais chinesas.
Hyundai e Kia representam atualmente menos de 1% do mercado chinês.
Hyundai e Kia foram as marcas de automóveis mais populares da Rússia em 2021. Mas a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia no ano seguinte interrompeu as operações das empresas coreanas no país devido a problemas na cadeia de suprimentos. A Hyundai vendeu sua fábrica em São Petersburgo em 2023.
“Os EUA são um mercado simplesmente importante demais para ser abandonado”, disse Kim Chang-ho, ex-gerente de relações com investidores da Kia, que agora é analista automotivo na Korea Investment & Securities.
Vistos especiais
A Hyundai iniciou suas operações em sua primeira fábrica nos EUA há duas décadas, em Montgomery, Alabama. Quatro anos depois, a empresa inaugurou uma fábrica da Kia ao sul de Atlanta.
A Hyundai e a Kia atualmente produzem cerca de 40% dos veículos vendidos nos EUA localmente, com o restante ainda sendo fabricado em grande parte na Coreia do Sul. Até 2030, os executivos querem que a produção local nos EUA represente 80% das vendas locais.
O complexo ultramoderno da Metaplant, nos arredores de Savannah, alvo da operação de imigração, é central para essas esperanças. Lá, braços robóticos amarelos descem do teto, agarrando peças, soldando e fixando portas.
Dos 317 trabalhadores sul-coreanos detidos no canteiro de obras da bateria de veículos elétricos, mais da metade havia entrado nos EUA por meio do programa de isenção de visto do Electronic System for Travel Authorization (algo como ‘Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem’ – ESTA), que permite turismo e viagens de negócios de curta duração, de acordo com registros divulgados por um parlamentar sul-coreano. Quase todos os demais possuíam um visto de visitante a negócios B-1 e um visto de turista B-2.
No final do mês passado, os EUA esclareceram que sul-coreanos viajando com o visto B-1 e o ESTA estão autorizados a “instalar, fazer manutenção ou consertar” equipamentos do exterior para construir fábricas nos EUA, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Seul.
Washington também concordou em abrir em breve um balcão de vistos especiais na Embaixada dos EUA em Seul, que responderá a consultas relevantes.
Foi com um ESTA que Cho Young-hee, um dos sul-coreanos detidos, viajou para a Geórgia. Ele é engenheiro de equipamentos da LG Energy.
Apesar de uma semana difícil atrás das grades, Cho, que está de volta à Coreia, disse após retornar para casa que gostaria de voltar para a Geórgia para “terminar o trabalho”. “É a única maneira de a fábrica estar pronta e pronta para que colegas americanos assumam o controle no futuro”, disse ele.