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Chuva desta segunda (23) causou alagamentos e quedas de árvores em Porto Alegre

Por:Sul 21
24 de Março de 2026, 08:54

A Defesa Civil Municipal registrou pelo menos quatro ocorrências em função do temporal que atingiu Porto Alegre na tarde desta segunda-feira (23): uma queda de árvore, uma queda de muro, uma solicitação de lona devido a destelhamento leve e um alagamento leve atingindo uma residência. Já a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) registrou 15 ocorrências, entre pontos de alagamento, quedas de árvores e falhas em semáforos.

Entre 16h e 17h30, os maiores volumes de precipitação foram registrados na Lomba do Sabão (37,9 mm), rua da Represa (33,6 mm), Ilha da Pintada (26,8 mm) e Passo das Pedras (23,4 mm, evidenciando a intensidade da chuva em curto período. Na Capital, as rajadas de vento chegaram a 68.5 km/h, segundo a Defesa Civil estadual.

Foram identificados pontos de acúmulo de água em vias do Centro Histórico e nas zonas Leste, Norte e Sul, como nas avenidas e cruzamentos das regiões da Conceição, Bento Gonçalves, Ernesto da Fontoura e Tamandaré.

Dmae

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que as Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) operaram normalmente durante o evento. Segundo o Departamento, os pontos de alagamento no Centro Histórico estão relacionados ao alto volume de chuva em curto período. A rede passará por revisão e manutenção nesta terça-feira (24).

Na bacia do arroio Passo da Mangueira, foram registrados pontos de extravasamento próximos à rua Zeferino Dias e à avenida Paula Soares. Conforme o Dmae, a área demanda obras estruturais, atualmente em fase de estudos, incluindo soluções de macrodrenagem.

Em relação ao abastecimento de água, as Estações de Bombeamento de Água Tratada (Ebats) João de Oliveira Remião e São José Cota 200 tiveram a operação interrompida em razão da falta de energia elétrica. A concessionária foi acionada, segundo o Dmae.

Outros municípios

Além de Porto Alegre, outros seis municípios reportaram danos à Defesa Civil estadual. Charqueadas reportou casas destelhadas, quedas de árvores e falta de luz em alguns bairros. Eldorado do Sul teve residências parcialmente destelhadas. Em Glorinha, dois bairros ficaram sem energia elétrica.

No litoral, Tramandaí reportou alagamentos em diversas ruas da cidade e queda de um poste de energia sobre a ponte Giuseppe Garibaldi. Torres registrou a queda de 4 postes de energia com fios caídos no chão. Em Osório, diversas ruas da cidade tiveram alagamentos.

Os maiores acumulados de chuva foram registrados em Itaqui (71.2 mm), Alegrete (69 mm) e Silveira Martins (62 mm). As rajadas de vento mais fortes ocorreram em Canoas, com velocidade de 85.2 km/h.

Conforme a MetSul Meteorologia, a chuva persiste nesta terça-feira (24) em várias regiões do Rio Grande do Sul. Pode chover no Noroeste, Centro, Vales, Médio e Alto Uruguai, Planalto Médio, Serra, Aparados, Vales, Grande Porto Alegre, Litoral Norte e na Lagoa dos Patos e entorno. Pontos isolados dessas regiões podem ter chuva forte localizada.

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Pesquisa aponta queda na satisfação dos usuários de ônibus de Porto Alegre

20 de Março de 2026, 11:19

A qualidade do serviço dos ônibus em Porto Alegre sempre foi tema de debates, críticas e reclamações por aqueles que dependem do transporte coletivo público para se locomover no dia a dia. Seja a demora para o veículo chegar, falta de ar-condicionado ou qualquer outro tópico, a satisfação do usuário está constantemente sob judice, com opiniões sobre os ônibus mudando semanalmente.

A Pesquisa de Satisfação do Programa QualiÔnibus da Prefeitura de Porto Alegre tenta, desde 2018, mensurar a satisfação (ou insatisfação) dos usuários de transporte coletivo público na Capital. Em 2025, 1.865 pessoas, distribuídas por faixa horária e por lotes operacionais, foram ouvidas sobre suas opiniões acerca do principal meio de transporte coletivo da cidade. Pela primeira vez desde 2022, o índice de Satisfação Geral, que contabiliza a média das notas distribuídas pelos entrevistados ao sistema, apresentou uma leve queda.

Com média de 5.7, esse é a avaliação mais baixa desde 2021, quando a nota final foi de apenas 2.64, a mais baixa já registrada. Nas últimas três edições da pesquisa, os usuários mantiveram o índice de satisfação de 5.9, o que configura um público mais próximo da categoria “Nem Satisfeito, nem Insatisfeito” de acordo com o sistema de avaliação de resultados da pesquisa em que a nota zero é “Muito Insatisfeito” e nota dez é “Muito Satisfeito”.

 

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A pesquisa pede notas individuais para fatores específicos do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre. A forma de pagamento e recarga do cartão TRI teve recebeu a nota mais alta, com 6.9, à frente do atendimento ao cliente (6.7) e informação ao cliente (6.5), em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Os fatores que suscitaram maior insatisfação foram o conforto das paradas de ônibus, que recebeu 4.4 de nota, e a questão da segurança, com 4.1. Mas, o principal quesito foram o ruído e a poluição, com a nota mais baixa de toda a pesquisa: 3.8. Contudo, a maioria dos entrevistados (70%) dizem confiar no sistema para seus deslocamentos, apesar dos pesares.

A Pesquisa de Satisfação do Programa QualiÔnibus também mapeia o perfil do usuário de ônibus em Porto Alegre. A maior parte dos entrevistados se identificaram como mulheres (61%), e um pouco menos da metade (43%) se identificam como pretos ou pardos. Cerca de 65% dos usuários têm menos de 44 anos, sendo a faixa etária dos 25 aos 34 anos a com maior representatividade.

Sobre o uso dos ônibus, quase 75% responderam que usam o transporte coletivo para se deslocar ao trabalho, com a maioria afirmando usar ônibus ao menos em cinco dias da semana.

Ainda, o levantamento faz um mapeamento do perfil econômico dos usuários. Aproximadamente 70% responderam que recebem até dois salários-mínimos, fixado em R$ 1.518 no ano passado. Quase 58% dos usuários disseram que não poderiam utilizar nenhum outro meio de transporte para sua viagem mais frequentes.

Lembrando que, em 2025, a passagem de ônibus subiu de R$ 4,80 para R$ 5,00, com outro aumento oficializado no começo deste ano que colocou o valor da passagem em R$ 5,30.

WRI Brasil

A metodologia de pesquisa é da World Resources Institute (WRI) Brasil, um instituto e ONG fundado em 1982 que busca influenciar políticas públicas em prol de um desenvolvimento socioeconômico inclusivo e responsável. O formato é de parceria, sem custos para os municípios, que aplicam o modelo criado pelo WRI com ajuda do instituto.

“A pesquisa de satisfação foi desenvolvida na WRI há mais de 10 anos”, conta Bruno Rizzon, coordenador de Planejamento da Mobilidade no WRI Brasil. O foco é no desenvolvimento de ações de qualificação baseada em dados, com participação de diversas cidades sob a gestão do WRI no Grupo de Benchmarking.

A partir do resultado da pesquisa, o WRI produz um relatório descritivo do que foi encontrado no levantamento, trazendo recomendações menos taxativas sobre o que fazer ou não. A proposta é estimular a criação de um plano de ação em que a cidade possa refletir o seu resultado. “Cada cidade tem sua peculiaridade, suas limitações, suas possibilidades”, diz Bruno Rizzon. “Nem sempre a gente precisa reinventar a roda”.

Um exemplo de aplicação direta do resultado de uma pesquisa QualiÔnibus em Porto Alegre foi a requalificação das paradas. O WRI conduziu um grupo focal com usuários de Fortaleza e da Capital gaúcha para tentar entender quais os problemas das paradas de ônibus das duas cidades.

O que ficou claro com o grupo focal é que a informação clara e acessível nas paradas era um dos pontos mais sensíveis de insatisfação. As mudanças aplicadas em 2025, reflexo da pesquisa do ano anterior, tiveram influência para o fator “Atendimento ao Cliente” figurar entre os quesitos mais positivos do serviço de transporte público de Porto Alegre, um “resultado efetivo dessas ações”, como define Rizzon. “Primeiro ponto é esse: elaborar um plano de ação em cima desses resultados”, diz Bruno Rizzon. “Claro, tem pontos de melhoria”.

‘É um ciclo, nunca para’
87% dos usuários responderam que são favoráveis à eletrificação da frota. Foto: Marlon Kevin/CMPA

A Prefeitura de Porto Alegre é representada no processo da QualiÔnibus pela Secretaria de Mobilidade Urbana (SMMU) e pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que repassa as informações para o Observatório de Mobilidade (ObservaMOB) da EPTC.

O ObservaMOB é a plataforma institucional responsável por organizar, sistematizar e disponibilizar dados e informações produzidos pela EPTC e pela SMMU no âmbito da mobilidade urbana de Porto Alegre. Júlia Freitas, gerente de Desenvolvimento e Inovação da EPTC, diz que o órgão está na fase de montar o plano de ação com base no resultado da pesquisa de 2025. O plano será discutido ainda em março.

Apesar de não poder definir exatamente as medidas que serão propostas no plano de ação, Júlia adianta que o conforto nos pontos de ônibus será um tópico importante após a pesquisa indicar que o quesito “Conforto dos pontos de ônibus” é um dos fatores com menor índice de satisfação, com apenas 4,4 de 10.

Ela comenta que, na outra vez que esse fator esteve entre os mais baixos da QualiÔnibus, foi quando surgiu a ideia de concessão das novas paradas. Desde então, mais de mil paradas foram requalificadas pela empresa Eletromídia, que fica responsável pela manutenção dos pontos de ônibus para além de sua reforma.

Freitas entende que a implantação de ônibus elétricos é outro ponto que será importante no plano de ação. Na pesquisa, tem pergunta específica a respeito de uma frota de veículos elétricos, em que 87% dos usuários responderam serem favoráveis ao novo modelo de ônibus.

A gerente de Desenvolvimento e Inovação da EPTC destaca que qualificar o transporte coletivo por ônibus em Porto Alegre é um trabalho repetitivo, que sempre precisa se adaptar e nunca chega a um resultado final ou estanque. “É um ciclo, nunca para. O objetivo é sempre ser melhor que o ano anterior”, comenta Júlia Freitas.

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