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Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propina de Vorcaro a autoridades

9 de Setembro de 2026, 23:51
João Carlos Mansur Reag
O fundador da Reag, João Carlos Mansur. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro a autoridades públicas. O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e ainda aguarda validação. Com informações da Folha de S.Paulo.

Segundo pessoas que conhecem o conteúdo da colaboração, Mansur descreveu como a Reag e seus fundos teriam participado das operações do Banco Master e apontou pessoas que atuavam como laranjas de Vorcaro. As autoridades que teriam recebido os pagamentos mencionados na delação não foram identificadas publicamente na reportagem.

O relato é um avanço em relação ao conteúdo conhecido até agora. Quando Mansur apresentou a proposta de delação à PGR, os 17 anexos eram descritos principalmente como um mapa das operações financeiras de Vorcaro. Posteriormente, ele também afirmou saber onde estariam cerca de R$ 20 bilhões atribuídos ao banqueiro, incluindo ativos registrados por meio de laranjas e fundos.

A colaboração agora fechada também detalha onde foram parar recursos enviados ao exterior e como eles poderiam ser recuperados. Segundo investigadores citados pela Folha, uma parcela relevante do dinheiro ligado ao esquema do Master está em empresas offshore. Mansur se comprometeu ainda a pagar multa de R$ 40 milhões como parte do acordo.

Banco Master Daniel Vorcaro
Pessoas saindo do prédio do Banco Master no dia de sua liquidação. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

As suspeitas de pagamentos ilícitos envolvendo estruturas da Reag não começam com a nova delação. A Polícia Federal já apontava Mansur como suspeito de usar fundos da gestora para ocultar, por meio de imóveis, uma suposta propina destinada a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Essa é uma linha investigativa da PF e não significa que o ex-dirigente tenha sido condenado por esses fatos.

Mansur negociava uma colaboração desde o fim de 2025. As primeiras tratativas ocorreram com órgãos do Ministério Público em São Paulo e não avançaram. A negociação com a PGR começou em fevereiro e foi concluída em agosto. A PF participou da fase inicial das conversas mais recentes, mas deixou as tratativas antes do fechamento.

A delação de Mansur se soma à colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, apontado como operador financeiro próximo a Vorcaro e responsável por remessas que chegaram ao circuito de financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Investigadores avaliam que os dois acordos reduzem o espaço para uma eventual nova proposta de colaboração do próprio Vorcaro. A defesa do banqueiro afirma que não teve acesso aos anexos de Mansur e, por isso, não pode se manifestar sobre as acusações.

Polícia prende 7 suspeitos de descontos irregulares em 3,5 mil contas de aposentados no BRB

23 de Junho de 2026, 09:21
Fachada do Banco de Brasília
Agentes da Polícia Civil durante operação nesta manhã. Foto: reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu sete pessoas suspeitas de envolvimento em descontos irregulares em 3,5 mil contas de aposentados no Banco de Brasília (BRB) na manhã desta terça-feira (23).

Equipes cumpriram mandados em Brasília e em Minas Gerais. Segundo a investigação, três servidores do BRB estão entre os presos na operação.

A polícia afirma que os servidores faziam descontos nas contas dos correntistas sem autorização. Os investigadores apontam que o grupo ligava para aposentados e apresentava transcrições falsas das conversas para justificar as cobranças.

As fraudes, de acordo com a apuração policial, ocorrem desde 2024. A investigação mira a forma como os descontos teriam entrado nas contas dos clientes do banco.

Fachada do Banco BRB. Foto: reprodução

Operação mira suspeitos em Brasília e Minas Gerais

A Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes conduz a operação. A unidade atua em investigações de fraudes e crimes contra consumidores no Distrito Federal.

O g1 informou que aguardava posicionamento do BRB sobre a operação desta terça. A pauta não trouxe manifestação do banco até a publicação das informações disponíveis.

Na sexta-feira (19), o BRB já havia sido alvo de outra operação, com 50 mandados de busca e apreensão. O Ministério Público investigou descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal.

Entre os alvos dessa operação anterior estavam Ney Ferraz, ex-secretário de Economia, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB que está preso, e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Naquele caso, não houve prisões.

O voto de Gilmar Mendes para manter prisão de ex-presidente do BRB

25 de Abril de 2026, 09:07
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para manter a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), em investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master.

No voto, apresentado em sessão de referendo de decisão monocrática, Gilmar afirmou haver indícios suficientes de que Paulo Henrique teria recebido vantagens indevidas. Segundo o ministro, os elementos apontam para o recebimento de imóveis de alto valor em contexto ligado à aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.

Para Gilmar, a liberdade do ex-dirigente poderia comprometer a instrução do caso. Por isso, o ministro acompanhou o entendimento pela manutenção da prisão preventiva.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), falando, em close, sem olhar para a câmera
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) – Reprodução

O magistrado, porém, divergiu parcialmente em relação ao advogado Daniel Lopes Monteiro, outro investigado no caso. Gilmar avaliou que, embora existam indícios contra ele, ainda não há elementos suficientes para equiparar sua conduta à dos principais alvos da apuração.

O ministro defendeu cautela para diferenciar o exercício regular da advocacia de eventuais excessos com relevância penal. Segundo ele, parte das condutas atribuídas ao advogado pode estar ligada à atuação profissional, o que exige análise mais aprofundada antes de medidas mais duras.

Com esse entendimento, Gilmar propôs substituir a prisão preventiva de Monteiro por prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e restrições à atuação profissional em casos ligados à investigação.

O ministro também citou o princípio da proporcionalidade e a necessidade de tratamento isonômico entre investigados. Ele observou que outros envolvidos, apontados com participação mais relevante, seguem submetidos a medidas menos severas.

Gilmar ressaltou que o julgamento ocorre em fase preliminar, com base em cognição limitada, e que novas provas podem levar à revisão das medidas cautelares.

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