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CAIO – O novo Cargo Estratégico nas Empresas

21 de Novembro de 2025, 11:40

Chief Artificial Intelligence Officer

Em um passado não tão distante, as iniciativas de Inteligência Artificial (IA) nas empresas costumavam estar restritas somente aos departamentos de TI, muitas vezes isoladas do planejamento estratégico e desconectadas das reais necessidades dos negócios.

O resultado? Projetos fragmentados, com pouco impacto e difícil escalabilidade dentro das organizações.

Por esta razão, e com o avanço acelerado da IA generativa e a crescente pressão competitiva, tornou-se evidente a necessidade de uma liderança dedicada, capaz de integrar a IA de forma transversal em toda a organização.

Foi nesse cenário que surgiu o cargo Chief AI Officer (CAIO), ou, em português, “diretor de Inteligência Artificial”.

Segundo uma pesquisa da Iron Mountain de 2024, 98% das lideranças empresariais acreditam que um(a) CAIO pode acelerar significativamente a adoção da IA generativa em seus negócios.

Porém, somente 32% das empresas que participaram da pesquisa tinham alguém no cargo de diretoria de IA.

Ainda assim, esses dados refletem uma mudança clara de mentalidade: para competir em um mercado moldado por dados, algoritmos e automação inteligente, é essencial contar com uma liderança C-Level que tenha uma visão de negócios e expertise tecnológica.

Para conferir mais informações sobre o que é a diretoria de Inteligência Artificial, como CAIOs podem impactar diferentes nichos de empresas, quais são seus desafios, além de conferir como organizações podem ajudar as lideranças internas a alcançarem esse cargo, continue a leitura deste artigo.
O que faz um Chief AI Officer?

Chief AI Officer (CAIO) é a pessoa executiva responsável por liderar a estratégia de Inteligência Artificial de uma organização, garantindo que as iniciativas de IA estejam alinhadas aos objetivos de negócio e entreguem valor real aos setores.

Ou seja, seu papel vai muito além do domínio técnico em Inteligência Artificial — esse tipo de profissional atua como um elo entre a tecnologia e a visão estratégica da empresa.

Chief AI Officer: funções e responsabilidades
Entre as principais funções de um(a) CAIO dentro de empresas, destacam-se as responsabilidades de:

  • definir e implementar a estratégia de IA corporativa, garantindo que os investimentos em tecnologia estejam alinhados aos objetivos de longo prazo da organização;
  • liderar a integração da IA em processos críticos de negócio, como atendimento ao cliente, marketing, operações industriais e desenvolvimento de produtos;
  • estabelecer a governança da IA, o que inclui políticas de uso responsável e ético, privacidade de dados e conformidade com regulamentações;
  • promover uma cultura orientada por dados e inovação, por exemplo, ao capacitar equipes e incentivar a experimentação com novas tecnologias;
  • avaliar e selecionar as melhores soluções com IA e ferramentas parceiras, como plataformas de IA generativa e infraestrutura de dados;
  • mensurar o impacto e o ROI dos projetos de IA, garantindo que cada iniciativa esteja conectada a resultados mensuráveis para o negócio.

Desafios do cargo CAIO
Apesar de sua crescente importância, o papel do cargo Chief AI Officer está longe de ser simples. Por ser uma posição nova e ainda em consolidação, CAIOs enfrentam uma série de desafios únicos — tanto técnicos quanto estratégicos — que exigem uma visão ampla, resiliência e habilidades multidisciplinares. Listamos alguns dos principais desafios do cargo abaixo.

1. Falta de maturidade organizacional em IA: muitas empresas ainda estão nos estágios iniciais da adoção da IA, com estruturas de dados desorganizadas, baixa automação e pouco entendimento interno sobre o potencial da tecnologia.

2. Necessidade de integração transversal: o(a) diretor(a) de IA precisa garantir que a IA seja aplicada de forma eficaz em diferentes departamentos, para projetos isolados que não se comunicam entre si.
3. Dificuldade em demonstrar ROI no curto prazo: projetos de IA, muitas vezes, exigem tempo e investimentos significativos antes de apresentarem resultados claros. Isso exige paciência dos stakeholders e habilidades do(a) profissional CAIO para comunicar valor à alta gestão em cada fase do processo.

4. Falta de talentos qualificados: a escassez de profissionais com experiência prática em IA, machine learning e engenharia de dados dificulta a formação de equipes de alto nível para tocar os projetos estratégicos da área. Afinal, a diretoria de IA precisa de um setor qualificado para as soluções serem executadas.

5. Governança, ética e regulação: gestores e gestoras também são responsáveis por garantir que os sistemas de IA operem de forma ética, justa e em conformidade com legislações, como a LGPD, e futuras regulamentações globais. Isso inclui prevenir vieses algorítmicos e proteger os dados sensíveis, por exemplo.

6. Alinhamento com a alta liderança: o sucesso de um(a) CAIO depende da sua capacidade de influenciar decisões na gestão C-Level. Isso exige habilidades de comunicação, pensamento estratégico e entendimento profundo do negócio, além da fluência técnica.

Com base nesses desafios, o cargo Chief AI Officer se torna um dos mais complexos (e também um dos mais promissores) na nova era da transformação digital.

Isso porque não se trata somente de implantar tecnologias, mas de reimaginar processos, produtos e decisões sob a lente da Inteligência Artificial.

Para líderes que desejam ocupar a posição de diretor ou diretora de Inteligência Artificial, é essencial desenvolver um conjunto de habilidades que combinam conhecimento técnico, visão estratégica e capacidades de gestão. Entenda melhor a seguir.

1. Visão estratégica de negócios
A liderança CAIO deve alinhar as iniciativas de Inteligência Artificial com os objetivos estratégicos da empresa, como identificar oportunidades nas quais a IA pode gerar valor significativo e sustentável.

2. Conhecimento técnico em IA
Embora não seja necessário ser uma pessoa expert em codificação, é importante ser especialista em IA, além de ter alto conhecimento em outros fundamentos, incluindo machine learning, processamento de linguagem natural e análise de dados.

Isso é essencial para tomar decisões informadas e liderar equipes técnicas. Por isso, cursos, faculdades, MBAs e outras formações nessas áreas são bem-vindas.

3. Habilidades de liderança e gestão de mudanças
Implementar IA em uma organização frequentemente requer mudanças culturais e operacionais. Por este motivo, o(a) CAIO deve ser capaz de liderar essas transformações, além de capacitar as equipes e gerenciar resistências internas.

4. Ética e governança em IA
CAIOs devem estabelecer diretrizes claras para o uso responsável da IA. Assim, como consequência, garantir que as soluções de IA sejam implementadas de forma ética e em conformidade com as regulamentações existentes e as que estão por vir.

5. Comunicação eficaz
Traduzir conceitos técnicos complexos em linguagem acessível para diferentes stakeholders e setores é uma habilidade essencial para que o(a) CAIO comunique os benefícios e riscos da IA nas empresas de forma convincente e clara.

Quais empresas podem se beneficiar com profissionais CAIOs?
Agora que as pessoas líderes que desejam se tornar CAIOs conhecem os principais fundamentos do cargo, é importante ficar claro para as organizações que esse novo tipo de profissão não deve ser valorizada somente por big techs ou empresas de tecnologia.

Na verdade, qualquer organização que deseja adotar a Inteligência Artificial de maneira estratégica, escalável e ética pode (e deve) considerar esse cargo como parte de sua estrutura de liderança.

Inclusive, Lan Guan, Chief AI Officer da Accenture, enfatizou essa ideia em uma entrevista:

“Ter um Chief AI Officer deve se tornar um papel padrão para que as organizações possam aproveitar efetivamente o potencial da IA.”

Para ficar mais claro, a seguir, confira alguns exemplos de empresas e segmentos que podem se beneficiar diretamente dessa função.

Indústrias de consumo e varejo: o(a) profissional pode ajudar a otimizar cadeias de suprimento, prever demandas, personalizar ofertas e automatizar o atendimento ao cliente.
Instituições financeiras: profissionais CAIOs podem conduzir iniciativas estratégicas que aplicam IA, como análise de crédito, detecção de fraudes, algoritmos de investimento e atendimento automatizado.

Saúde e farmácia: CAIOs podem usar a IA para diagnósticos assistidos, análises preditivas, gestão de prontuários e aceleração de pesquisas clínicas.
Telecomunicações e mídia: atividades como personalização de conteúdo, automação de redes e análise em tempo real do comportamento das pessoas consumidoras podem ser realizadas por tais profissionais.

Em resumo, empresas que já possuem uma base de dados relevante, enfrentam pressão por inovação ou lidam com alto volume de operações podem se beneficiar imensamente com a atuação de um(a) CAIO.

Como empresas podem ajudar uma liderança a se tornar um(a) CAIO?
É extremamente válido ressaltar que as empresas, como as que citamos acima, podem (e devem) ajudar a preparar uma liderança para assumir o cargo de Chief AI Officer, caso a organização veja potencial em um talento interno.

Isso porque, além de investir no crescimento profissional de uma pessoa colaboradora da própria empresa, esse(a) profissional já possui conhecimentos internos que podem ser usados para o aprendizado ser mais alinhado às metas da organização.

Mas, como as empresas devem começar essa iniciativa? Quais os principais passos a serem seguidos? Abaixo, veja algumas formas práticas de promover o desenvolvimento de um(a) CAIO.

1° passo: criar um ambiente favorável à experimentação
Estimule a cultura do test and learn, que permite que áreas lideradas por CAIOs experimentem novas possibilidades com IA sem medo de falhas, desde que os aprendizados sejam documentados e compartilhados.

2° passo: incentivar o pensamento interdisciplinar
A futura pessoa CAIO deve ser capaz de atuar em diferentes áreas de um negócio. Por isso, oferecer experiências que envolvam outros times e setores, como marketing, finanças e RH, ajuda a construir uma visão sistêmica mais ampla para este cargo.

3° passo: expor lideranças a projetos reais de IA
Complementando o passo anterior, ao criar oportunidades para que executivos e executivas de IA participem da concepção, implementação e avaliação de projetos de outros setores, é possível que essas pessoas entendam os desafios práticos da empresa e ganhem experiência para encontrar soluções em IA mais assertivas.

4° passo: desenvolver skills e investir em capacitação contínua
Por fim, o sucesso de um(a) CAIO também depende de sua capacidade de influenciar os times, dialogar com stakeholders e liderar mudanças culturais.

Diante disso, oferecer mentorias com pessoas gestoras seniores, coaching executivo(a) e oportunidades de fala em fóruns e eventos estratégicos são caminhos para fortalecer essas habilidades.

Além disso, promover treinamentos em IA, machine learning, governança de dados e tecnologias emergentes é importante para que esse tipo de profissional sempre se atualize das novidades do mercado.

Parcerias com universidades, como programas de MBA in Company, cursos online de alto nível e programas de certificação podem acelerar esse processo.

Ter uma parceria para traçar a estratégia educacional do seu time pode ajudar a construir trilhas de aprendizado personalizadas, que vão ao encontro das necessidades tecnológicas da sua empresa.

Fonte: Alura

Putin Declara Alerta Nuclear à OTAN

22 de Setembro de 2025, 19:21

O vídeo anexado apresenta uma análise detalhada da situação estratégica e militar da Rússia, abordando os seguintes pontos principais:

A estabilidade estratégica global está se deteriorando, em grande parte devido a ações destrutivas do Ocidente, que desmantelaram acordos de controle de armas nucleares e moratórias de mísseis. A Rússia aponta que isso mina a segurança internacional e o diálogo construtivo entre potências nucleares.

A Rússia está preparada para responder a ameaças emergentes com medidas militares técnicas, tendo abandonado a moratória sobre o desdobramento de mísseis terrestres de médio e curto alcance como resposta a ameaças semelhantes da OTAN na Europa e Ásia-Pacífico.

O Tratado START, que limita arsenais nucleares estratégicos, está em risco, com sua vigência principal prestes a expirar em fevereiro de 2026. A Rússia se dispõe a manter autolimitações voluntárias por pelo menos mais um ano, mas condiciona isso à reciprocidade dos EUA e ao não comprometimento do equilíbrio de dissuasão nuclear.

Há preocupação com a expansão dos sistemas de defesa antimísseis dos EUA, incluindo interceptores no espaço, o que pode anular esforços para manter a estabilidade estratégica.

O vídeo destaca também o fortalecimento do complexo industrial de defesa russo, com avanços em armamentos, drones, motores aeronáuticos e equipamentos militares, planeja desenvolvimento até 2036 e enfatiza o papel crucial da produção civil e uso dual na indústria de defesa.

O programa estatal de armamentos para 2027 e além está sendo detalhadamente desenvolvido, buscando maior eficiência e resposta às atuais demandas militares, em contexto de operação militar especial em curso.

Em suma, o vídeo transmite uma mensagem firme da Rússia sobre sua capacidade militar e disposição para reagir a ameaças, expressa preocupação com ações ocidentais na área nuclear e antimísseis, e destaca a importância de um diálogo estratégico para evitar uma nova corrida armamentista global.

Extraído e resumido por Perplexity AI

O que é Absolescência Programada?

19 de Setembro de 2025, 13:24

Obsolescência programada é a prática adotada por fabricantes que consiste em reduzir propositalmente a vida útil dos produtos para estimular o consumidor a substituí-los com maior frequência. Essa estratégia tem como objetivo incentivar o consumo contínuo, gerando lucros para as empresas, porém resulta em desperdício, aumento de lixo eletrônico e impactos ambientais negativos. Aparece mais frequentemente em eletrodomésticos, eletrônicos, como celulares e computadores, que passam a apresentar falhas ou ficam obsoletos em prazos menores do que a durabilidade esperada.

Exemplos reais incluem o caso de impressoras que param de funcionar após certo número de impressões ou smartphones que ficam lentos após atualizações, obrigando o consumidor a adquirir aparelhos novos. Outro exemplo clássico é o uso de cartuchos de tinta com chips que bloqueiam o uso após determinado tempo, mesmo quando ainda há tinta.

Os principais exemplos atuais de obsolescência programada no mercado incluem:

– Smartphones (como os iPhones): versões antigas começam a ficar lentas após atualizações ou lançamento de novos modelos, levando o consumidor a trocar o aparelho mais cedo do que a necessidade real. Essa prática já gerou ações judiciais contra fabricantes como a Apple.

– Impressoras (marcas como Epson e HP): cartuchos de tinta são programados para mostrar falta de tinta antes do fim real, obrigando a compra de novos cartuchos caros. Também é comum o bloqueio de uso do cartucho por software.

– Lâmpadas: desde o famoso cartel Phoebus na década de 1920, que limitava intencionalmente a vida útil das lâmpadas incandescentes para aumentar vendas frequentes.

– Eletrônicos em geral: produtos como laptops e eletrodomésticos com peças que quebram rapidamente ou com baterias integradas que não podem ser substituídas pelo consumidor.

– Computadores e outros dispositivos digitais que deixam de receber atualizações de segurança ou compatibilidade, tornando-os obsoletos apesar de ainda funcionarem.

– Automóveis antigos que apresentam deficiências de segurança por decisões de fabricação, como o caso do Ford Pinto, que teve tanque de combustível propenso a explosões.

Além desses, a indústria da moda também aplica a obsolescência programada ao lançar constantes mudanças de estilo para tornar roupas rapidamente “fora de moda” e incentivar substituições.

Esses exemplos representam a diversidade de setores onde a obsolescência programada atua para impulsionar o consumo, usualmente por meio de produtos que se deterioram mais rápido ou se tornam incompatíveis por design ou software.

 

As empresas geralmente justificam a obsolescência programada para os consumidores com argumentos que envolvem inovação constante, competitividade e evolução tecnológica. Elas afirmam que lançar novos produtos com recursos atualizados e designs modernos é uma forma de atender às demandas por novidade, melhor desempenho e tendências estéticas, realçando que o ciclo acelerado de produtos é uma consequência natural da inovação contínua. Outra justificativa comum é que componentes sofrem desgaste natural e que as limitações nos reparos e durabilidade são decorrentes do avanço tecnológico e não de uma estratégia intencional para forçar o consumo.

Porém, essa justificativa esconde o fato de que a obsolescência programada pode ser uma prática deliberada para estimular o consumo repetido e aumentar o lucro das empresas, limitando a vida útil dos produtos, dificultando consertos baratos e restringindo o acesso a peças de reposição. Essa prática muitas vezes frustra a expectativa legítima do consumidor sobre a durabilidade e qualidade dos bens adquiridos, sendo considerada abusiva no direito do consumidor.

Em resumo, as empresas tendem a argumentar que acompanham o ritmo do mercado e das inovações para justificar a rápida substituição dos produtos, mas especialistas e órgãos de defesa do consumidor apontam que essas práticas visam principalmente aumentar as vendas às custas dos consumidores, muitas vezes sem transparência e prejudicando os direitos do consumidor

No Brasil, apesar de não haver uma legislação que cite expressamente a obsolescência programada, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) oferece proteção ao consumidor por meio de princípios como o direito à informação, à boa-fé e transparência. Produtos que apresentam vícios que encurtam sua vida útil podem ser reclamados legalmente. Além disso, há um projeto de lei (PL 805/2024) em tramitação que visa proibir a obsolescência programada, garantindo ao consumidor o direito de escolher onde consertar seus produtos e o acesso a peças e informações para reparo, com oferta garantida por pelo menos cinco anos a partir da inserção do produto no mercado.

Assim, os consumidores brasileiros contam com o CDC para exigir produtos duráveis e o direito ao reparo, podendo procurar o Procon ou o Judiciário em caso de descumprimento. O projeto de lei em análise promete fortalecer ainda mais essas proteções, proibindo práticas que reduzem artificialmente a vida útil dos bens e dificultam o conserto.

***

Em destaque
As práticas abusivas das empresas relacionadas à obsolescência programada incluem:

– Limitar deliberadamente a durabilidade do produto por meio de fragilidade técnica, uso de materiais inferiores ou peças que se desgastam rapidamente, reduzindo sua vida útil.

– Impor barreiras à reparação, como dificultar o acesso a peças de reposição, restringir oficinas autorizadas ou dificultar o conserto por conta própria.

– Realizar atualizações de software que tornam os aparelhos lentos ou incompatíveis, mesmo que o hardware ainda esteja funcional, forçando a troca do produto.

– Omitir informações claras e transparentes sobre a durabilidade esperada dos produtos e as condições para manutenção e reparo.

– Vender produtos com componentes integrados que não permitem substituição, como baterias coladas ou soldadas, inviabilizando o reparo simples.

– Exigir do consumidor vantagens manifestamente excessivas, como preços altos para peças e consertos, ou cobrar por serviços que deveriam ser cobertos na garantia.

Essas práticas violam princípios basilares do Código de Defesa do Consumidor, como a boa-fé, transparência, segurança e vulnerabilidade do consumidor, podendo ser enquadradas como abusivas mesmo que a obsolescência programada não esteja expressamente prevista na legislação. A consequência é o desequilíbrio na relação de consumo, prejudicando o consumidor que adquire um produto na expectativa de uso razoável, mas é induzido a substituir o bem precocemente por decisões artificiais do fornecedor.

Portanto, a obsolescência programada é considerada prática abusiva ao restringir o direito do consumidor à durabilidade, reparabilidade e informação adequada sobre o produto adquirido.

Artigo autoral assistido por IA – Antonio Filho

PD Colinas – Carroça na Frente dos Bois

16 de Setembro de 2025, 15:31

Ref.: Plano Diretor de Colinas, RS – Carroça na Frente dos Bois

Considerações sobre a abordagem do tema “desenvolvimento municipal” como precedente ao Plano Diretor, seguindo a ordem mais lógica para medidas estruturais a serem adotadas, levando em conta a necessidade de se definir os rumos do progresso do Município, tais como vocação turística e cultural (mas não só), e potencialidades para a Administração Municipal alterar a matriz econômica da cidade, no momento baseada majoritariamente na produção rural.
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Materiais Oficiais
Governo Federal
Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR)
Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano (SMDRU)
Guia para Elaboração e Revisão de Planos Diretores

Governo do Rio Grande do Sul
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (SEDUR)
Plano Diretor – Colinas, RS
https://sedur.rs.gov.br/colinas

Orçamento
Verba empenhada para 7 Municípios – R$ 3,1 milhões

Média por Município – 442,8 mil
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A questão levantada sobre a ordem lógica do planejamento urbano em função da necessidade de definir inicialmente os rumos do progresso do município, especialmente com foco em vocação turística, cultural e alteração da matriz econômica rural, tem fundamento sólido.

Em situações em que o município busca mudança estrutural, como diversificação econômica e valorização de setores com maior potencialidade econômica, é bastante coerente iniciar por um diagnóstico e um projeto de desenvolvimento amplo. Esse projeto definiria objetivos estratégicos, prioridades de desenvolvimento econômico e diretrizes para o aproveitamento das potencialidades locais (ex.: turismo rural e de aventura, gastronomia, cultura, agroindústria orgânica, etc.).

Esse passo inicial serve para:
– Identificar a vocação econômica e cultural do município;
– Definir metas para transformação da matriz econômica;
– Orientar a administração e a participação social no desenho do futuro desejado para o município.

Com as diretrizes estratégicas definidas, torna-se possível formular o Plano Diretor articulando o uso do solo urbano e rural, as diretrizes territoriais para o desenvolvimento sustentável, e as políticas públicas correlatas, garantindo que esses usos estejam alinhados ao projeto de desenvolvimento.

Finalmente, o Plano de Mobilidade Urbana será elaborado ou ajustado para apoiar os acessos, deslocamentos e infraestrutura de transporte necessários à nova configuração econômica e social da cidade.

Assim, para municípios em processo de transformação econômica e social profunda, a ordem mais lógica pode realmente ser:

  1. Projeto de Desenvolvimento Amplo (definição estratégica da vocação e rumos do município);
  2. Plano Diretor (regulamentação do uso do solo e políticas urbanas e rurais);
  3. Plano de Mobilidade Urbana (implantação dos sistemas de circulação compatíveis com o desenvolvimento planejado).

Essa ordem casa a visão estratégica com o planejamento físico territorial e as condições de mobilidade, garantindo maior coerência e efetividade no processo de desenvolvimento urbano e econômico.

A mobilidade urbana, embora apresentada na fase final, precisa ser pensada desde o início como elemento transversal, pois infraestrutura e acessibilidade influenciam diretamente as escolhas de uso do solo e estratégias econômicas.
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A criação de Conselho de Desenvolvimento, formado por cidadãos e profissionais com visões progressistas estratégicas à longo prazo, antecederia os planos e projetos mencionados, objetivando proporcionaria subsídios conceituais e técnicos valiosos à Administração Municipal para tomada de decisões com potencial de sustentar o crescimento econômico e de bem-estar amplo da comunidade.
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Destas rápidas considerações podem derivar estudos aprofundados para políticas e medidas orientadoras dos diversos/todos setores da Administração Municipal e segmentos da sociedade civil.
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Em resumo essas considerações declaram:
– O reconhecimento da necessidade de um diagnóstico estratégico inicial que identifique a vocação econômica, cultural e outras do município;

– A proposta de articular o Plano Diretor com diretrizes territoriais e políticas públicas, alinhando uso do solo urbano e rural ao desenvolvimento sustentável;

– A preocupação em seguir uma sequência lógica para garantir coerência entre visão estratégica, planejamento físico e infraestrutura de mobilidade;

A sugestão de criar um Conselho de Desenvolvimento com participação cidadã e técnica, que pode fortalecer a governança e a interlocução social.
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Post autoral de Antonio Filho, sujeito a atualizações frequentes

O que é Blockchain e onde se aplica?

13 de Agosto de 2025, 22:58

 

A tecnologia blockchain é um mecanismo avançado de banco de dados que permite o compartilhamento seguro e transparente de informações dentro da rede de uma empresa e entre companhias. Originalmente criada para suportar o Bitcoin em 2008, seu impacto se estende muito além das criptomoedas, revolucionando diversos setores. É frequentemente descrita como um “protocolo da confiança”.

Base Tecnológica do Blockchain
A base tecnológica do blockchain reside em sua estrutura de dados, que organiza as informações em blocos interligados criptograficamente. Esta estrutura é fundamental para suas características principais:

Descentralização: Os dados não são armazenados em um único servidor central, mas distribuídos por uma rede de computadores, conhecidos como “nós”. Isso aumenta a segurança e reduz a dependência de uma única autoridade, tornando o sistema mais resiliente a ataques.

Imutabilidade: Uma vez que uma transação é registrada e confirmada em um bloco, ela não pode ser alterada ou excluída. Se um erro ocorrer, uma nova transação deve ser adicionada para reverter o erro, e ambas as transações permanecem visíveis. Isso garante a confiabilidade dos dados e evita fraudes.

Segurança Criptográfica: O blockchain utiliza criptografia avançada para proteger os dados. Cada bloco contém um “hash”, um código exclusivo gerado criptograficamente que atua como uma “impressão digital” do bloco. Além disso, cada novo bloco inclui o hash do bloco anterior, criando uma “cadeia” (chain). Qualquer tentativa de alterar um bloco antigo invalidaria os hashes dos blocos subsequentes, tornando a manipulação facilmente detectável e praticamente impossível em uma rede grande.

Consenso: Para que uma nova transação seja adicionada ao blockchain, os nós da rede precisam chegar a um consenso sobre sua validade. Os mecanismos de consenso mais comuns incluem:
Prova de Trabalho (Proof of Work – PoW): Usada pelo Bitcoin, exige que os “mineradores” (nós específicos) resolvam problemas matemáticos complexos para validar novos blocos e recebem recompensas em criptomoedas.
Prova de Participação (Proof of Stake – PoS): Usada por redes como Ethereum, onde a probabilidade de validação de um nó é baseada na quantidade de tokens que o usuário possui e “bloqueia” na rede.

Contratos Inteligentes (Smart Contracts): São programas de computador que reproduzem a lógica de um contrato e executam acordos automaticamente quando condições pré-definidas são cumpridas. Armazenados no blockchain, eles eliminam a necessidade de intermediários, agilizando processos, reduzindo custos e garantindo transparência.

Existem diferentes tipos de redes blockchain, que variam em termos de acesso e controle
Públicas: Abertas e acessíveis a qualquer pessoa para visualizar, participar e validar transações (ex: Bitcoin, Ethereum).
Privadas: Restritas e controladas por uma única entidade ou organização (ex: Ripple, Hyperledger Fabric).
Híbridas: Combinam elementos de redes públicas e privadas, permitindo que certos dados sejam públicos e outros privados.
De Consórcio: Controladas por um grupo de organizações que compartilham a responsabilidade da rede.

Aplicações de Maior Impacto
O blockchain revolucionou e continua a impactar significativamente diversos setores:

Logística e Cadeia de Suprimentos: Uma das maiores vantagens é a rastreabilidade e transparência de produtos ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Permite verificar a procedência, autenticidade e integridade das informações, eliminando fraudes e falsificações. Além disso, reduz a necessidade de intermediários e custos, automatiza processos com contratos inteligentes, agiliza auditorias e melhora a gestão de estoques com monitoramento em tempo real (incluindo condições de armazenamento via IoT). Exemplos incluem a parceria Maersk-IBM para logística de café e a aplicação da Amazon para verificar a autenticidade de mercadorias.

Saúde: A blockchain é fundamental para a segurança e proteção de dados sensíveis de pacientes e registros médicos. Ela permite que os pacientes tenham propriedade sobre seus dados e controlem o acesso a eles. Suas aplicações incluem:
Banco de Dados Seguros: Armazenamento e acesso a prontuários e históricos de pacientes com criptografia avançada, tornando os atendimentos mais rápidos e automatizando procedimentos administrativos.
Rastreio de Produtos/Medicamentos: Garantia da procedência e autenticidade de produtos médicos desde a fabricação até o consumidor final, combatendo a falsificação.
Facilitação de Testes e Ensaios Clínicos: Rastreamento de dados de ensaios, proteção contra extravio e manipulação de informações. Também auxilia no recrutamento de participantes para estudos, oferecendo um banco de dados vasto e seguro.
Verificação de Credenciais Médicas: Agiliza o processo de verificação de formação, habilidades e licenças, dificultando a ação de impostores.
Medidas Preventivas: Uso de grandes volumes de dados para monitorar a incidência de doenças e antecipar padrões de contágio, como feito pelo CDC nos EUA.
Telemedicina: Garante a privacidade e o sigilo das consultas e dados na telemedicina através da descentralização e criptografia avançada.

Setor Financeiro e Bancário: É a área de origem da blockchain, com destaque para:
Criptomoedas e Ativos Virtuais: O Bitcoin foi a primeira aplicação prática, e muitas outras criptomoedas (altcoins) e tokens (como NFTs) dependem da blockchain para registrar transações de forma segura e descentralizada.
Stablecoins: Moedas digitais atreladas a ativos tradicionais (como dólar ou ouro) para reduzir a volatilidade, também utilizam a tecnologia blockchain.
Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs): Moedas digitais emitidas por bancos centrais, como o DREX no Brasil, o Sand Dollar nas Bahamas, o Jam-Dex na Jamaica e o e-CNY na China, utilizam a tecnologia blockchain (geralmente permissionada/privada) para digitalizar as moedas nacionais, buscando eficiência, inclusão financeira e modernização dos sistemas de pagamento.
Redução de Intermediários e Custos: Facilita pagamentos e transferências internacionais mais rápidas e baratas, eliminando a necessidade de bancos e outras instituições.
Tokenização de Ativos: Permite a representação de bens físicos e digitais como tokens, tornando-os mais acessíveis e fáceis de negociar.
Auditorias mais rápidas: A imutabilidade e transparência dos registros aceleram o processo de auditoria.

Outras Aplicações
Energia: Cria plataformas de comercialização de energia entre pares e facilita o acesso a energias renováveis, permitindo a negociação direta de energia entre consumidores e fornecedores.
Varejo: Monitora a movimentação de mercadorias entre fornecedores e compradores, garantindo a autenticidade.
Identidade Digital: Oferece uma maneira segura e descentralizada para gerenciar e verificar identidades pessoais, protegendo a privacidade e reduzindo fraudes.
Entretenimento e Direitos Autorais: Rastreabilidade e distribuição de conteúdo digital, protegendo direitos autorais e garantindo remuneração justa aos criadores.
Governança e Eleições: Potencial para sistemas de votação mais seguros e transparentes, reduzindo fraudes e aumentando a confiança dos cidadãos.
Administração Pública: Projetos no Brasil, por exemplo, buscam usar blockchain para combater o garimpo ilegal, autorizar moedas sociais municipais e aumentar a transparência dos dados públicos.

Futuro da Tecnologia Blockchain
O futuro do blockchain é considerado promissor e em constante evolução, com grande potencial disruptivo.

Web 3.0: A blockchain será essencial para a Web 3.0, onde os usuários terão mais controle sobre seus próprios dados e interações online, sem depender de grandes plataformas centralizadas. Isso incluirá identidades digitais descentralizadas e comunicação mais fácil entre diferentes blockchains.

Finanças Descentralizadas (DeFi): A DeFi continuará a impulsionar a inovação no setor financeiro, com soluções para escalabilidade, stablecoins e Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), permitindo transações financeiras complexas de qualquer lugar do mundo, sem intermediários.

Metaverso: No metaverso, a blockchain permitirá a propriedade de itens digitais (representados por NFTs), a criação de economias virtuais seguras e transparentes, e a interoperabilidade entre diferentes metaversos, permitindo aos usuários levar seus ativos e identidades digitais consigo.

Expansão para Diversos Setores: Espera-se que o blockchain seja amplamente adotado em finanças, logística, saúde, governança e IoT, melhorando a segurança, eficiência e transparência.

Superação de Desafios: Embora o blockchain ainda enfrente desafios como escalabilidade, alto consumo de energia (especialmente em PoW), regulamentação, custos de implementação e resistência à mudança, a contínua inovação busca superar esses obstáculos. O desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e a criação de marcos regulatórios adequados são cruciais para sua ampliação em massa.

Em resumo, a blockchain está moldando um futuro digital mais acessível, seguro, transparente e eficiente, com o potencial de transformar a interação entre indivíduos, empresas e plataformas digitais em escala global.

Publicação autoral assistida por IA NotebookLM

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Criada em 2008 com a moeda digital Bitcoin, a cadeia de blocos é definida como uma tecnologia de armazenamento e de transmissão de informações onde a segurança das trocas é garantida pelos membros da rede. Em outras palavras, a cadeia de blocos pode ser comparada a um enorme banco de dados inviolável ou a uma espécie de grande livro de dados digital.

Como funciona uma cadeia de blocos
A grande particularidade da tecnologia Blockchain é que ela funciona sem um órgão central.

O princípio da distribuição
Ao invés das transações serem agrupados em um só lugar ou passar por um único intermediário, elas, sejam compra ou transferência de dinheiro, são distribuídas entre todos os membros de uma rede através do computador. Pode-se, também, falar de peer-to-peer.

O papel dos usuários
Uma cadeia de blocos pode ser pública e livre de acesso (como o Bitcoin), ou privada, aberto somente a membros autorizados. Em todos os casos, os usuários estão no coração do processo, já que eles contribuem para a segurança das transações. Para tanto, sociedades ou particulares, chamados ‘mineiros’, são pagos para disponibilizar o poder de seus processadores para resolver cálculos ou algoritmos e assim garantir a validade dos blocos. Os computadores são referidos como ‘nós de rede’ e cada um tem uma reprodução da cadeia de blocos na qual participam.

Etapas de uma transação Blockchain
Quando uma transação é realizada, ela é agrupada com outras pessoas dentro de um bloco e não pode mais ser alterada: os mineiros validam o bloco graças a técnicas criptográficas; quando o bloco for validado, ele é adicionado à cadeia de blocos acessível a todos os usuários. Nada pode ser modificado ou excluído: será necessário adicionar uma nova transação em caso de erro; a transação é carimbada e finalizada.

Quais os princípios e benefícios do sistema Blockchain?
Segurança
O Blockchain é um sistema inviolável o que constitui sua principal vantagem. Como tudo é entrelaçado e interdependente, para conseguir piratear uma cadeia de blocos, seria necessário violar uma infinidade de bancos de dados diferentes (contados em dezenas de milhares) e não apenas um, uma vez que o dispositivo não é centralizado, mas distribuído.

Note também que um bloco é duplamente seguro porque uma transação requer duas chaves. Uma chave privada para criptografar uma transação e uma chave pública que serve como um endereço para definir o receptor. Cada transação é feita à prova de violação e não pode ser modificada.

Como manter a transparência
Todos os membros de uma rede participam da validação de trocas integradas em uma cadeia de blocos e contribuem para a verificação da solvência e confiabilidade dos transmissores e receptores das transações. Em caso de fraude, todos os usuários saberiam imediatamente. No entanto, os membros de uma cadeia de blocos não têm acesso a informações que não lhes dizem respeito. Os dados privados permanecem confidenciais e protegidos.

A garantia da autonomia
A infraestrutura de uma cadeia de blocos funciona de forma autônoma, já que o próprio princípio desta tecnologia exclui intermediários como um banqueiro que valida uma transação em troca de uma comissão.

No sistema Blockchain, são os programas informáticos e linhas de código que realizam as transações, sem intervenção humana. São programas autônomos capazes de executar contratos de acordo com regras definidas, por exemplo.

A tecnologia Blockchain na prática
A moeda digital Bitcoin é o primeiro exemplo da tecnologia Blockchain: eles foram construídos juntos. Mas o potencial da cadeia de blocos é o princípio da distribuição de transações, pois ao invés de centralizá-las oferece muitas outras perspectivas.

São vários os campos de aplicação desta tecnologia:
Finanças – transferência de dinheiro, gestão de ativos, seguros;
Serviço público – desmaterialização de procedimentos, votação online; transações de energia;
Saúde – segurança dos registros médicos, luta contra medicamentos falsificados;
Rastreabilidade – melhoria do rastreio em diversos setores, alimentação, objetos conectados, materiais preciosos, etc..

A Linguagem Manipula o Pensamento

3 de Agosto de 2025, 22:59

A mídia utiliza diversas estratégias linguísticas e psicológicas para manipular a opinião pública, com o objetivo de criar um senso comum que favoreça os interesses de uma classe dominante, tornando a população acrítica em relação às origens dos problemas sociais.

As estratégias de manipulação são categorizadas em:

Estratégias Psicológicas
Estratégia da Distração – Consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, por meio de uma “avalanche de distrações contínuas e informações desnecessárias”. Isso é crucial para que o público não se aprofunde em áreas como ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética, o que poderia levar à insubordinação das massas e ameaçar o sistema, garantindo assim uma “mentalidade de manada”.

Criar problemas e depois oferecer soluções (Problema-Reação-Solução) – Este método envolve a criação ou intensificação de uma situação (como a violência urbana ou atentados) para que o público, em reação, exija medidas que a elite deseja implementar, como leis de segurança que cerceiam a liberdade. Também pode-se criar uma crise econômica para que a população aceite “males necessários” como o retrocesso de direitos sociais e o desmantelamento de serviços públicos.

Estratégia da Gradualidade – Medidas que seriam inaceitáveis se aplicadas de uma única vez são impostas “gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos”. Exemplos incluem a implementação do neoliberalismo (estado mínimo, privatizações, precariedade, desemprego em massa e baixos salários) ao longo das décadas de 1980 e 1990.

Estratégia de Diferir – Decisões impopulares são apresentadas como “dolorosas e necessárias” para uma aplicação futura, tornando o sacrifício mais fácil de aceitar, pois se espera ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar”. Isso habitua o público à ideia de forma resignada.

Utilizar o Aspecto Emocional – Esta técnica clássica causa um “curto-circuito na análise racional” e no sentido crítico dos indivíduos. O registro emocional pode abrir portas para o inconsciente, facilitando a implantação de ideias, desejos, medos, temores e a indução de comportamentos. Uma compreensão verdadeira do pensamento de outra pessoa só é possível ao se entender sua base afetiva-volitiva.

Manter o público na ignorância e na mediocridade – Busca-se tornar o público incapaz de compreender as tecnologias e métodos usados para seu controle. A “qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível”, para que a distância de conhecimento em relação às classes superiores permaneça inatingível.

Estimular a complacência com a mediocridade – Promove a crença de que ser “estúpido, vulgar e inculto” é moda, desencorajando o aprofundamento e o pensamento crítico.

Reforçar a Autoculpabilidade – Faz o indivíduo acreditar que é “somente ele culpado por sua própria desgraça” devido à falta de inteligência, capacidades ou esforços, uma lógica da meritocracia que individualiza problemas sociais. Isso gera um estado depressivo que inibe a ação e o questionamento do sistema. A dissonância cognitiva contribui para isso, pois o ser humano tem a necessidade de se livrar de contradições, preferindo “alterar a realidade do que admitir o erro”, o que impulsiona a polarização e o discurso de ódio nas redes sociais.

Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem – Graças aos avanços em biologia, neurobiologia e psicologia aplicada, o “sistema” detém um conhecimento avançado da psique humana, permitindo maior controle sobre os indivíduos.

Estratégias Linguísticas
Linguagem Infantilizada: A comunicação dirigida ao grande público frequentemente utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação notavelmente infantis“, como se o espectador tivesse pouca idade ou debilidade mental. Isso é feito porque, ao se dirigir a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, ela tenderá a uma resposta ou reação “desprovida de um sentido crítico”.

Controle do Discurso e Vocabulário – A linguagem é a principal ferramenta para o fortalecimento do pensamento crítico e autonomia intelectual, sendo um instrumento de empoderamento e mobilidade social. O domínio do “dialeto de prestígio” é fundamental para a participação política e a luta contra as desigualdades sociais. Isso implica que a restrição ou manipulação do acesso a essa linguagem pode ser uma estratégia de controle. O desenvolvimento linguístico contribui para as relações de força sociais e econômicas.

Prejuízo e Exclusão Linguística – O preconceito linguístico, baseado em um padrão instituído por uma elite, considera “erro” tudo o que se distancia dessa norma, levando à exclusão de indivíduos de melhores posições no mercado de trabalho. O desconhecimento da norma-padrão pode atuar como um “atestado de incompetência”, perpetuando a divisão de classes. Isso pode ser exacerbado pela linguagem informal de aplicativos de mensagens e a dependência de corretores automáticos, que impedem a identificação de erros ortográficos e prejudicam o desenvolvimento da língua portuguesa. Temos como exemplo a dificuldade no domínio da língua portuguesa, que é um problema para a maioria dos jovens que buscam emprego no Brasil.

Uso da Linguagem Simples (e suas implicações) – Embora a Política Nacional de Linguagem Simples busque melhorar a comunicação e permitir que o cidadão entenda e use a informação sem empobrecer o idioma, a implicação é que a complexidade deliberada da linguagem pode ser usada para dificultar a compreensão e o senso crítico.

Censura do Pensamento através da Linguagem – O pensamento precisa ser traduzido em palavras para existir plenamente; um “pensamento despido de palavras permanece uma sombra”.

A relação entre o pensamento e a palavra é um processo dinâmico. A linguagem não só expressa o pensamento, mas lhe dá “realidade e forma”. Além disso, a comunicação direta entre mentes é impossível; o pensamento deve passar primeiro pelos significados e depois pelas palavras. Manipular a forma como as palavras são usadas ou compreendidas pode, portanto, afetar a própria forma do pensamento e sua comunicação.

Predicação e Contextualização – No discurso interior, há uma forte tendência à predicação e omissão de sujeitos, pois o contexto é sempre conhecido pelo indivíduo. Esse discurso é quase “sem palavras”. A preponderância do sentido (contexto) sobre o significado (definição literal) das palavras no discurso interior e a “aglutinação” de sentidos podem ser exploradas para transmitir mensagens implícitas ou densas, que dependem de um contexto compartilhado ou induzido para serem plenamente compreendidas, limitando o entendimento crítico para aqueles que não compartilham desse “subtexto”.

Qual a influência da linguagem na formação do pensamento e na percepção da realidade?
A linguagem desempenha um papel fundamental e multifacetado na formação do pensamento e na percepção da realidade, não se limitando a ser um mero veículo de expressão, mas atuando como um elemento constituinte e dinâmico desses processos.

A Influência da Linguagem na Formação do Pensamento
Estrutura do Pensamento e Percepção da Realidade – A estrutura da língua que uma pessoa fala influencia diretamente a maneira como ela percebe o universo. As palavras não são apenas um invólucro para as ideias; uma ideia não incorporada em palavras é como uma sombra, e uma palavra sem ideia é algo morto.

Desenvolvimento Cognitivo – O desenvolvimento das funções cognitivas básicas do indivíduo é moldado por sua história social, sendo um produto do desenvolvimento histórico-social de sua comunidade. A linguagem é crucial nesse processo, pois formas avançadas de pensamento são transmitidas à criança por meio de palavras. O conhecimento não é apenas acumulado ou descoberto, mas é construído e moldado através da ação comunicativa entre as pessoas.

Generalização e Formação de Conceitos – O significado das palavras é uma generalização e um conceito, constituindo-se como um ato de pensamento. A capacidade de manipular informações e definições está diretamente ligada ao uso da língua pelo falante. A aquisição de novos conceitos e palavras ocorre a partir de um contexto linguístico geral, e não por explicações artificiais ou memorização compulsiva. O processo de formação de conceitos não é mecânico, mas criativo, exigindo a utilização da palavra como um meio para focar a atenção, abstrair traços, sintetizá-los e representá-los por símbolos.

Relação Dinâmica Pensamento-Linguagem – A relação entre pensamento e palavra não é estática, mas um processo contínuo de intercâmbio. As palavras não apenas expressam o pensamento, mas o trazem à existência. O pensamento é uma totalidade que, ao ser comunicado, se desdobra em palavras separadas. O desenvolvimento da linguagem e do pensamento, que inicialmente seguem trajetórias diferentes (fases pré-linguísticas do pensamento e pré-intelectuais da linguagem), se cruzam por volta dos dois anos de idade, resultando no pensamento verbal e na linguagem racional.

Linguagem Escrita e Pensamento Consciente – A linguagem escrita é uma função linguística distinta da oralidade, que exige um alto nível de abstração e análise consciente. Ela requer que a criança se liberte do aspecto sensorial da linguagem e substitua palavras por imagens de palavras, além de uma “semântica deliberada” para estruturar o fluxo de significado. O estudo da gramática e da escrita é de suma importância para o desenvolvimento mental da criança, pois permite a tomada de consciência do que se faz para utilizar conscientemente as qualificações linguísticas.

Discurso Interior – O discurso interior é uma função linguística autônoma, diferente do discurso externo. Caracteriza-se por uma sintaxe predicativa e econômica, onde o significado é proeminente sobre o som, sendo um “pensamento feito de significados puros”. É uma etapa no desenvolvimento da linguagem que evolui do discurso egocêntrico da criança, servindo como um rascunho mental para o discurso externo.

Desigualdades e Impactos na Percepção da Realidade
Desigualdades Educacionais – O estudo Aprendizagem na Educação Básica: situação brasileira no pós-pandemia destaca que, apesar de alguns avanços, os níveis de aprendizagem no Brasil pós-pandemia ainda não retornaram aos patamares de 2019, com persistência e, em alguns casos, intensificação das desigualdades educacionais.

Há diferenças significativas entre estudantes de diferentes raças/cores, níveis socioeconômicos e redes de ensino. A ausência de um sistema nas concepções espontâneas das crianças, em contraste com os conceitos científicos aprendidos na escola, pode explicar peculiaridades como o sincretismo ou a insensibilidade à contradição.

Preconceito Linguístico e Exclusão Social – O preconceito linguístico, baseado em juízos negativos sobre variedades da língua com menor prestígio social, é um pilar da divisão de classes no Brasil. Ele está intrinsecamente ligado a preconceitos socioeconômicos, regionais, culturais, racismo e homofobia.

O desconhecimento da norma-padrão da língua é frequentemente usado como um “atestado” de incompetência, excluindo indivíduos de melhores postos de trabalho e perpetuando um ciclo de pobreza. A falta de domínio básico do português é um problema para uma alta porcentagem de jovens que buscam oportunidades no mercado de trabalho brasileiro, impactando diretamente seu desempenho profissional.

Manipulação da Percepção pela Mídia – A mídia utiliza estratégias para manipular a opinião pública e criar um senso comum acrítico. A “estratégia da distração” desvia a atenção de problemas importantes com uma “avalanche de informações desnecessárias”, impedindo o aprofundamento do conhecimento e garantindo uma “mentalidade de manada”. Manter o público na ignorância e mediocridade, através de uma educação de baixa qualidade para as classes sociais inferiores, impede que estas alcancem o nível de conhecimento das elites.

Além disso, a mídia pode estimular a complacência com a mediocridade, promovendo a ideia de que ser inculto é moda. O avanço da ciência tem permitido às elites um conhecimento aprofundado da psique humana, possibilitando maior controle sobre os indivíduos.

Dissonância Cognitiva e Negação da Realidade – A dissonância cognitiva, que é a incapacidade do ser humano de viver em contradição, contribui para a relativização dos discursos e a polarização de ideias e discursos de ódio. É mais confortável alterar a realidade percebida do que admitir um erro, levando à criação de “duas realidades tão diferentes que são dois mundos que não conseguem se falar”.

Em suma, a linguagem é o alicerce sobre o qual o pensamento é construído e a realidade é interpretada. Seu domínio e as interações sociais mediadas por ela são essenciais para o desenvolvimento intelectual, a autonomia e a participação política. Contudo, as desigualdades no acesso a um ensino de qualidade e a manipulação linguística podem distorcer a percepção da realidade e perpetuar estruturas de exclusão.

Publicação autoral assistida por IA – NotebookLM
Informações complementares:
IDEB – Indicador de Qualidade da Educação Básica
A Epidemia da Infantilização Adulta

Nota do Autor:
Os textos abordam diversos aspectos da comunicação e da cognição humana. Um artigo explora dez estratégias de manipulação midiática, destacando como a distração, a criação de problemas e a gradualidade são usadas para controlar a opinião pública. Outro texto discute a dissonância cognitiva, explicando como os indivíduos negam realidades que contradizem suas crenças para aliviar tensões internas. Por fim, um extenso trabalho investiga a relação entre pensamento e linguagem, examinando o desenvolvimento dos conceitos, a comunicação e a natureza do discurso interno, além de analisar o preconceito linguístico e seus impactos socioeconômicos e culturais na sociedade brasileira. Juntos, os materiais fornecem uma visão multifacetada de como a informação é processada, manipulada e percebida, e como a linguagem molda nossa interação com o mundo e uns com os outros.

Portal Brasileiro de Dados Abertos

29 de Julho de 2025, 12:18

1 – O que são Dados Abertos?
De acordo com a Open Knowledge Foundation, dados abertos são dados que podem ser livremente acessados, utilizados, modificados e compartilhados por qualquer pessoa, estando sujeitos, no máximo, a exigências que visem preservar sua proveniência e abertura (por exemplo, citação da fonte ou divulgação com a mesma licença).

Todos os dados públicos têm vocação para serem dados abertos. Dessa forma, é fundamental que os governos implementem políticas para disponibilizá-los. Para saber mais, conheça as leis e os princípios dos dados abertos.

2 – O que é o Portal Brasileiro de Dados Abertos?
O Portal Brasileiro de Dados Abertos é a ferramenta disponibilizada pelo governo para que todos possam encontrar e utilizar os dados e as informações públicas. O portal preza pela simplicidade e organização para que você possa encontrar facilmente os dados e informações que precisa. O portal também tem o objetivo de promover a interlocução entre atores da sociedade e com o governo para pensar a melhor utilização dos dados, promovendo impactos positivos sob os pontos de vista social e econômico.

O portal tem o objetivo de disponibilizar dados relativos às mais variadas temáticas da administração pública. O portal contém apenas dados abertos. Isso significa que dados que contenham alguma restrição de acesso, tais como aquelas advindas de sigilo ou privacidade, estão fora do escopo deste portal.

O portal funciona como um catálogo federado que facilita a busca e uso de dados publicados pelos órgãos do governo. Dadas as limitações de recursos, os diversos órgãos e entidades da administração pública disponibilizam os dados conforme os cronogramas estabelecidos em seus Planos de Dados Abertos (PDAs). Se os dados que você procura não estão no portal, verifique se o PDA do órgão responsável tem esses dados em seu cronograma de disponibilização futura. Caso não esteja previsto no cronograma, ainda é possível abrir uma solicitação de acesso à informação, com base no Art. 6º do Decreto nº 8.777/2016.

3 – Como eu utilizo o Portal Brasileiro de Dados Abertos?
Utilize as diversas ferramentas de navegação para encontrar o conjunto de dados que você procura. Além das ferramentas disponíveis na página principal, a busca de conjuntos de dados disponibiliza mais ferramentas para auxílio na pesquisa e filtragem de informações. É possível filtrar, por exemplo, por etiquetas, grupos e formatos. Você também pode utilizar a caixa de busca para consultar algo mais específico.

4 – O que é a Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA)?
A Infraestrutura Nacional de Dados Abertos é um conjunto de padrões, tecnologias, procedimentos e mecanismos de controle necessários para atender às condições de disseminação e compartilhamento de dados e informações públicas no modelo de Dados Abertos, em conformidade com o disposto no e-PING.

5 – Quem realiza a gestão do Portal Brasileiro de Dados Abertos?
Em 2016, instituiu-se a Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal por meio do Decreto nº 8.777/2016, o qual delegou à CGU a atribuição de monitorar o cumprimento das diretrizes e obrigações constantes no normativo por parte dos órgãos do Poder Executivo Federal. Essa Política tem o objetivo de aprimorar a cultura de transparência pública por meio da disponibilização de dados em formato aberto, uma vez que estabelece regras para publicação de dados produzidos ou custodiados pelos órgãos do Poder Executivo Federal.

Com a publicação do Decreto nº 9.903/2019, a gestão integral da Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal passou a ser responsabilidade da CGU. Dessa forma, os instrumentos e as ferramentas que compõem a atuação do governo na área de dados abertos também foram transferidos para o órgão, incluindo o Portal Brasileiro de Dados Abertos (www.dados.gov.br).

6 – Como posso catalogar dados do órgão, entidade ou organização de qual faço parte?
O Portal Brasileiro de Dados Abertos é o ponto central para a busca e o acesso a dados públicos no Brasil. Cada órgão, entidade ou organização é responsável pela catalogação dos dados no portal e publicados na internet. Para entender a forma de realizar este trabalho, acesse a Cartilha Técnica para Publicação de Dados Abertos no Brasil. Para saber mais sobre esse processo, acesse a página com orientações sobre cadastro de órgãos e entidades e de conjuntos de dados.

7 – O que são metadados?
Metadados são geralmente descritos como dados sobre dados e são essenciais na organização e classificação de conjuntos de dados. Todo conjunto de dados estruturado faz uso de metadados para descrever a forma e os tipos de dados nele contidos.

Por ser um catálogo de dados, o Portal Brasileiro de Dados Abertos faz uso extenso de metadados, armazenando-os. Neste sentido, é importante frisar que o portal não armazena os dados que disponibiliza, pois eles são publicados na internet por cada órgão, sendo, portanto, responsabilidade de cada instituição. O portal apenas cataloga os dados, de forma centralizada, para que todos possam encontrá-los mais facilmente.

8 – Qual a diferença deste portal para os portais de transparência?
A Lei Complementar nº 131/2009, que alterou a redação da Lei de Responsabilidade Fiscal no que se refere à transparência da gestão fiscal, determina a disponibilização de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Em outras palavras, os portais de transparências têm o objetivo de aumentar o controle das despesas e receitas do governo.

O Portal Brasileiro de Dados Abertos tem um objetivo diverso: ser o ponto referencial e único para a busca e o acesso a dados públicos brasileiros de todo e qualquer assunto ou categoria. Ele é um serviço simplificado que organiza e padroniza o acesso aos dados públicos, primando pelo reúso dos dados e o uso de tecnologias modernas.

9 – O que são conjuntos de dados e recursos?
Os dados catalogados no portal estão organizados utilizando-se estruturas de conjuntos de dados e recursos. Os conjuntos de dados são os elementos principais retornados a partir das buscas. Cada conjunto de dados possui uma descrição, um ou mais recursos, e uma série de outros metadados, como periodicidade de atualização e órgão responsável. Exemplos de conjuntos de dados são uma coleção de tabelas relacionadas entre si, dados extraídos de um mesmo sistema de informações, ou ainda uma API de dados abertos. Um conjunto de dados deve possuir, pelo menos, um recurso que seja dado aberto.

Cada recurso compreende uma fonte de dados. Pode ser um arquivo, como uma planilha, um método de webservice / API>/abbr> ou um documento. Em princípio, cada recurso poderia ser catalogado como um conjunto de dados separado, porém é preferível que os recursos sejam agrupados sempre que forem oriundos da mesma base de dados ou possuírem metadados em comum, com vistas a facilitar a busca e o entendimento de seu conteúdo.

Para conhecer uma definição do que são conjuntos de dados, consulte a definição do W3C no Data Catalog Vocabulary. Para exemplos de um conceito mais amplo, adotado pelo Google, veja as orientações que essa empresa disponibiliza para desenvolvedores.

10 – O portal tem algum dado pessoal ou sigiloso?
Conforme definidos na Lei de Acesso à Informação (LAI), os dados que estiverem sujeitos a restrições de sigilo (art. 25) ou de privacidade (art. 31) precisam ser previamente classificados pelos seus responsáveis como tais, a partir de sua origem (art. 27) e por definição não são dados abertos. Assim, eles não passam pelo processo de abertura e não devem ser catalogados no Portal Brasileiro de Dados Abertos, podendo, em caso de descumprimento, o órgão ou entidade ser responsabilizado nos termos do art. 34.

11 – Quem é responsável pelos dados catalogados no portal?
O portal organiza os dados abertos em um catálogo para fácil localização pelos usuários. Entretanto, os responsáveis pelos dados são as organizações públicas ou da sociedade civil que os publicam. Por isso, cada uma dessas organizações é responsável e responde pelos seus próprios dados.

Se você procura mais informações ou esclarecimentos sobre um conjunto de dados específico, acesse na própria página do conjunto de dados a aba “Organização”. Nela são dispostas informações como o nome e a descrição da organização responsável. Por meio do portal, é possível seguir a organização e entrar em contato, funcionalidades disponíveis após cadastro/login autenticado pela conta gov.br.

Manter os dados no ar também é responsabilidade da organização que o publica. Caso um conjunto de dados esteja fora do ar ou apresentando problemas técnicos, procure na própria página do conjunto de dados a aba “Ações“. Nela há uma interação intitulada “Reportar Problema”. Também é possível entrar em contato com a organização a partir do fórum disponibilizado em cada conjunto de dados. Na aba “Discussões”, pode-se iniciar um novo tópico ou comentar tópicos já registrados por outros usuários.

Exemplos:
Conjunto de Dados “Série Histórica de Preços de Combustíveis” – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
Conjunto de Dados “Cadastro de Imóveis Rurais (CAFIR)- Ministério da Economia

12 – O portal hospeda dados?
Não. Cabe a cada órgão, entidade ou organização providenciar a própria hospedagem dos dados que publica na web. O Portal Brasileiro de Dados Abertos apenas armazena os metadados e os links de redirecionamento para os dados, o quais são catalogados pelos respectivos responsáveis.

13 – Os dados que procuro não estão no portal. O que posso fazer?
Para dados de competência dos órgãos e entidades federais, como ministérios, autarquias, agências reguladoras, universidades e demais fundações públicas, faça uma busca pelo Painel Monitoramento de Dados Abertos, ferramenta que permite conferir a situação e previsão mensal da abertura de dados por parte das instituições submetidas à Política de Dados Abertos. O painel tem como fonte de informações os Planos de Dados Abertos (PDAs) publicados pelas respectivas instituições e submetidos para análise da Controladoria-Geral da União (CGU).

Outra forma de procurar por tais informações é diretamente nos Planos de Dados Abertos (PDAs) já publicados nos sites dos órgãos e entidades federais, a fim de verificar se existe algum compromisso com data prevista para disponibilização dos dados de interesse. Os órgãos e entidades federais submetidos à política devem publicar essas e outras informações na seção “Acesso à Informação”, página “Dados Abertos”, dos respectivos sites oficiais. Caso não haja, é possível realizar um pedido de abertura com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Para isso, acesso o Fala.BR e sugira que a base seja aberta.

Publicado originalmente em Gov.Br – Dados Abertos

IA Melhor que Cérebro? Nao!

29 de Julho de 2025, 10:53

Cientista paulistano é um dos mais importantes do Brasil. Nicolelis estuda maneiras de criar uma conexão entre cérebro e máquina.

Em tempos de discussão sobre inteligência artificial (IA) e chips cerebrais capazes de devolver os movimentos a pacientes com doenças incapacitantes, o neurocientista Miguel Nicolelis é uma das vozes mais importantes do mundo sobre o assunto.

Nicolelis foi o primeiro brasileiro a ter um artigo publicado na capa da revista Science e chefiou por anos o Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos. Nicolelis estuda, desde os anos 1990, uma maneira de criar uma conexão entre o cérebro humano e máquinas para ajudar na reabilitação de pacientes com dificuldades motoras.

Agora, o cientista se prepara para abrir um novo polo neurocientífico de pesquisa e atendimento em Milão, na Itália. Em entrevista ao Metrópoles, ele fala sobre o futuro da inteligência artificial, o desenvolvimento da interface cérebro-máquina, o Neurolink de Elon Musk e o que podemos esperar da neurociência nos próximos anos. Confira:

Leia a íntegra da entrevista com o neurocientista Miguel Nicolelis:

Hoje, Metrópoles entrevista o neurocientista Miguel Nicolelis. Ele é fundador e presidente do Instituto, que leva o seu nome e faz pesquisas sobre a interface cérebro-máquina. Olá doutor, tudo bom? O senhor acaba de criar um novo centro neurocientífico em Milão, na Itália, que tem aí uma grande promessa para os próximos anos. Você pode detalhar pra gente o que vai ser pesquisado?

Na realidade, é uma parceria com o Hospital São Raffaele, que é o maior hospital privado da Itália, com o novo instituto que eu criei aqui no Brasil e que também tem sede nos Estados Unidos, para se estabelecer um verdadeiro polo de pesquisa e atendimento na área de neurociências. Na realidade, o nome é polo de neurotecnologia, porque nós não só vamos atender pacientes, mas nós vamos desenvolver novos protocolos de tratamento, implementar e desenvolver novas tecnologias e basicamente inaugurar essa rede mundial que estou montando de centros de excelência espalhados pelo mundo para levar as terapias que criei nos últimos 30 anos, usando essa invenção nossa da conexão direta do cérebro com a máquina para tratar pacientes que não têm acesso a tratamento hoje em dia.

Há alguns anos, temos visto anúncios surpreendentes sobre a interface cérebro-máquina, como, por exemplo, a sua pesquisa sobre o uso de exoesqueletos. São pesquisas feitas na Universidade da Califórnia, Universidade de Stanford. Quando esse tipo de tecnologia será oferecida a mais pacientes que passam por lesões cerebrais?

Veja, na realidade, a interface cérebro-máquina foi inventada em 99. São 25 anos exatamente esse ano que eu e o John Chapin, meu grande amigo, publicamos o primeiro trabalho demonstrando que isso era possível. E o nosso intuito na época da Copa do Mundo, dez anos atrás, no Brasil, quando a gente fez a demonstração, a primeira demonstração pública para o mundo todo, de uma interface ser máquina em seres humanos que pode ser vista para um grande público. O intuito era já transferir boa parte dessas terapias, invenções e tecnologias aqui no Brasil para o Sistema Único de Saúde. Esse era o objetivo final do projeto da Copa.

Ninguém ficou sabendo porque o Brasil entrou num cataclisma e nós não tivemos chance de nem divulgar essa ideia. E agora? Essa é uma das ideias que eu quero desenvolver com essa nova rede, não só no Brasil, mas em outros países do mundo que possuem sistemas públicos de saúde.

A ideia é disseminar essas terapias porque as pessoas veem esses anúncios de uma universidade americana aqui, de uma outra empresa ali, mas a imprensa, infelizmente, não explica que isso está acontecendo há 25 anos e que esses são só os últimos capítulos de algo que já foi implementado há muito tempo, só que são implementações em um paciente aqui, um paciente ali. E nós queremos fazer isso em grande escala.

Nós estamos, inclusive, trabalhando na análise de dados de um grande teste clínico com muitos pacientes, muito mais do que os anúncios que nós temos visto, com uma interface não invasiva. E isso é muito importante ressaltar. Não há nenhuma intervenção cirúrgica na nossa abordagem.

Então, eu acredito que com a criação desse polo na Europa e outros que vão surgir, nós vamos poder transferir isso para o grande público, para os pacientes que estão precisando disso. É uma questão de anos, dois, três anos. Nós vamos começar a ver isso escalar.

O senhor tem sido um crítico com relação à inteligência artificial, porque muita gente fala que vai superar a mente humana em muito. Eu queria saber, na sua opinião, em quais campos o conhecimento da máquina ele é bem-vindo ou atrapalha e quais são os limites dela?

Veja, os métodos estatísticos e de análise de dados, de mineração de dados como o pessoal fala hoje em dia, apesar de eu não gostar desses termos porque eles tiram da pessoa comum a chance de entender o que realmente é tudo isso, são métodos muito úteis. Eu uso esses métodos desde os anos 1990. Acho que o nosso laboratório foi o primeiro a mostrar que redes neurais artificiais podiam ser usadas para analisar os dados que vinham do cérebro de animais.

E nós publicamos isso nos anos 1990 e foi um trabalho de muita repercussão. Então, no ponto de vista de análise estatística de dados, seja qual for a fonte de dados, em medicina, engenharia, em jornalismo, é extremamente útil, não há dúvida alguma, porque estatística é extremamente útil. O que eu bato é de frente há muitos anos e com essa criação de expectativas falsas de que o cérebro humano pode ser superado ou copiado em sistemas de computadores usando lógica digital.

Isso é uma impossibilidade científica, matemática e até física, porque o cérebro não funciona como um computador. Ele não é uma máquina digital. E nós aprendemos de uma maneira completamente diferente de um sistema computacional. E a nossa inteligência não é transferível para uma fórmula matemática. Senão, imagina se tudo fosse transferido para um algoritmo, uma forma matemática? Já tinha gente ganhando fortunas na bolsa de valores, mas ninguém consegue prever o movimento da bolsa de valores, assim como ninguém consegue prever ou formular e criar um algoritmo que defina a inteligência humana.

Então, é onde a minha crítica reside. É essa tentativa de vender gato por lebre que a gente vê todos os dias na televisão. A tentativa de diminuir a nossa condição humana, de nos fazer sentir secundários ou subservientes às máquinas que nós criamos. Por isso, eu digo que a inteligência artificial não é nem inteligente nem artificial.

Ela não é inteligente porque inteligência é uma propriedade dos seres vivos que surgiu durante o processo de interação com o ambiente, com outros seres vivos. É uma propriedade emergente da natureza e não é artificial, porque são seres humanos que criam todos esses algoritmos e todas essas máquinas, entendeu? Elas não caem do céu, não surgem do chão. Nós passamos a acreditar na ficção científica que nós mesmos descrevemos e esquecemos que é ficção. Não é realidade.

A neurociência de Elon Musk também está tentando avançar nas pesquisas da interface cérebro-máquina. Recentemente, eles até anunciaram que um paciente conseguiu mover um mouse com apenas com a força do pensamento. Quais são os limites desses chips cerebrais? E por que o senhor considera que o Musk faz “ficção científica de péssima qualidade”, como o senhor já disse?

Então, veja bem, eu inventei o implante que ele está usando como aluno de pós doutorado de 1989 a 1994. Junto com esse meu amigo John Chapin, inventei a cirurgia e o implante que eles estão fazendo e os eletrodos, e eu publiquei dezenas de trabalhos científicos nos últimos 25 anos ou 30 anos com esses tipos de implante em animais.

E foram três alunos meus que saíram do meu laboratório para criar o Neurolink. Então três alunos de doutorado, um de graduação e dois do doutorado. Então eu sei exatamente como funciona. Fui eu que criei. E o que eu digo é que, primeiro, o anúncio do Elon Musk é um tweet. Não tem dado, não tem imagem, não tem nenhuma comprovação científica.

É o que ele anuncia, o paciente mexeu com o cursor de computador, nós e outros grupos fizemos há 20 anos isso. A primeira demonstração foi em 2004 e foi publicada antes de anunciar para imprensa. Nem havia Twitter nem redes sociais naquela época. Nós publicamos. Foi capa do maior jornal de neurocirurgia americano e depois foi anunciado. E outras empresas fizeram isso ao longo dos últimos 20 anos.

Então não tem novidade nenhuma. Por isso que eu digo, quando esse senhor propõe que vamos implantar adolescentes para que eles joguem videogame com mais eficiência, é um total absurdo, porque os implantes cerebrais são feitos para pessoas que têm doenças do sistema nervoso central, do cérebro, e não há nenhuma entidade médica nem nenhuma agência regulatória médica do mundo que vai permitir que pessoas sadias sofram um implante cerebral que tem um risco de infectar, um risco de sangrar, um risco de parar de funcionar.

E se parar de funcionar, a gente faz o quê? Porque não dá para tirar. Porque se você tirar vem tecido sadio do cérebro junto com um implante porque ele gruda no cérebro depois que fica implantado vários meses, então, na realidade, esse senhor tem só o objetivo de ganhar dinheiro. Ele não entende absolutamente nada, nem de medicina, nem de neurociência.

E ele fala toda sorte de pataquada, que nós estamos criando telepatia, que nós vamos melhorar a inteligência do ser humano. Isso é uma impossibilidade matemática. Nunca ninguém cogitou algo assim, de usar uma interface cérebro-máquina, para melhorar. Não é o filme Matrix, que o Neo sentava lá e ele aprendia karatê, kung fu, instantaneamente.

O senhor Musk deve ter assistido muito filme do Matrix, muita ficção científica. E acha que porque ele tem bilhões, ele é capaz de usar o dinheiro para desafiar as leis da física. Mas nem o Rei Midas seria capaz de fazer isso.

Hoje, a melhor aplicação para isso seria para quais pacientes, por exemplo?

Então, nós começamos com pacientes com lesão medular, pacientes paraplégicos. Demonstramos que o uso por vários meses leva não só à melhoria das condições de vida e mobilidade, mas a uma recuperação neurológica parcial que nunca havia sido vista na literatura de dezenas, centenas de papers, por décadas. Ninguém nunca tinha visto uma recuperação parcial de pacientes que têm uma lesão grave, a lesão mais grave que você pode ter.

Isso foi demonstrado em pacientes paraplégicos e logo a gente começou a pensar. Agora em Milão, nós vamos conseguir implementar essa teoria para outros pacientes, para pacientes com derrame, que era um número absurdo de mais de 250 milhões de pessoas no mundo sofrem com as consequências de derrames, acidentes vasculares. Nós temos também uma nova terapia para uma condição na doença de Parkinson, que é quando a pessoa congela, ela não consegue andar, o congelamento da marcha.

Temos estudos demonstrando que essa mesma abordagem poderia ser usada para epilepsia crônica, não tratável e que não responde a medicamentos. E nós estamos ampliando. Vamos criar vários estudos clínicos para aplicar esse mesmo protocolo que nós usamos aqui no Brasil durante a Copa do Mundo, que agora se espalhou pelo mundo, o protocolo de neuroreabilitação, para outras doenças, não só neurológicas, mas também psiquiátricas.

A Organização Mundial da Saúde vem relatando há anos, mesmo antes da pandemia, ela já estimava que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem com doenças do cérebro — agora, recentemente, no final do ano passado, ela atualizou esse número para quase 2 bilhões . Devido a pandemia de Covid, muitas pessoas estão tendo sequelas no cérebro devido a reflexões repetidas do Covid.

Então, existe uma demanda gigantesca e quase um em cada quatro seres humanos tem algum problema do cérebro. E é por isso que nós precisamos de métodos seguros, eficazes e que sejam acessíveis. Não adianta você desenvolver algo que custa 1 milhão de dólares, ninguém vai ter acesso a isso.

E o meu grande sonho é que, eventualmente, em um país como o Brasil, que tem um sistema público de saúde, o governo do país possa adquirir essas tecnologias e oferecer gratuitamente para os pacientes, que no Brasil se estima que estejam na ordem de 20 milhões de pessoas, quase 10% da população.

Para as pessoas que não estão acostumadas com neurociência, com todos os avanços científicos, parece uma coisa muito distante. E o senhor está pesquisando isso há 30 anos. A gente está vendo a pesquisa bastante acelerada agora — para a gente, pelo menos. Dá para estimar quando que esse tipo de tratamento chegaria a um paciente com Parkinson, com lesão medular, com esclerose múltipla, por exemplo?

Então, o nosso centro em Milão, basicamente, o hospital tem doenças de alvo, porque a população italiana tem um grande índice dessas patologias. Derrame, ele é um hospital referência na Europa e na Itália, e esclerose múltipla, para você ter uma ideia, que eu nunca imaginei que nós vamos chegar a aplicar essas terapias para esses pacientes. Então, vai depender muito também, não só dos cientistas, vai depender dos governos, dos sistemas de saúde, de como a gente consegue preencher todos os requisitos necessários para que essas terapias novas sejam disseminadas.

Por isso eu digo que a nossa grande vantagem nessa iniciativa, que eu chamo de treat one billion, tratar 1 bilhão de pessoas, que é o projeto e a Itália é o primeiro membro fora do Brasil. A nossa grande vantagem é que nós não precisamos de nenhuma intervenção cirúrgica, e isso facilita demais a aprovação de protocolos para tratar pacientes.

Sem a necessidade de implantar nada na cabeça, na medula espinal, enfim, você reduz a burocracia para aprovar essas terapias para uso em grande escala, sendo não invasiva e não tendo nenhum efeito colateral demonstrado depois de 20 anos de prática, você tem uma chance muito maior de introduzir isso rapidamente no sistema médico de um país.

E como que funciona na prática o seu projeto falando dessa intervenção cirúrgica? Como que ele atua para ter essa resposta?

Então, existem várias técnicas para registrar atividade elétrica do cérebro. Nós usamos uma que foi criada há um tempão, mais de um século, mas ela foi aperfeiçoada. É como se fosse uma touquinha de nadador, que tem sensores que são aplicados na superfície do couro cabeludo e chama-se eletroencefalografia. É uma técnica muito conhecida, existe em todos os hospitais do mundo, mas ela permite que você registre a atividade do cérebro e use esses sinais para controlar qualquer tipo de artefato mecânico virtual ou computacional.

E foi assim que a gente criou para a Copa do Mundo aqui no Brasil, um esqueleto de membros inferiores, um robô oco de membros inferiores, que permitia que o paciente imaginasse que ele queria andar. E ao imaginar, a gente detectava esse sinal do cérebro, decodificava ele usando computadores, que hoje foram reduzidos a um telefone celular, o nosso de última geração permite tudo isso acontecendo só com telefone celular, que lê os sinais do cérebro e manda os comandos para esse exoesqueleto.

E quando o esqueleto faz o paciente andar, porque ele literalmente carrega o paciente, ele devolve sinais para as áreas do corpo do paciente onde ele ainda tem sensibilidade, por exemplo, os braços. E dessa forma, o paciente sente o solo, ele consegue sentir a textura do chão quando ele está andando e isso facilita demais a recuperação do paciente, porque ele tem a nítida sensação que ele está caminhando e o cérebro dele incorpora o exo como se fosse uma parte do corpo dele.

Ou seja, o paciente tem a percepção não que ele está usando um robô, mas que é ele que está andando de novo. E eu acho que esse é o grande pulo do gato que ninguém ainda conseguiu fazer e que nós reproduzimos agora, não só no Brasil, mas fora do Brasil, nesse estudo que nós estamos analisando os dados nesse momento.

Então nós temos uma casuística agora muito grande, muito maior do que qualquer outra, outro grupo ou qualquer outra empresa. Você vê, os relatos sempre são um paciente que fez isso, um paciente fez aquilo. Não, não. Nós vamos mostrar dezenas de pacientes para que a validação estatística possa ser feita. E, curiosamente, algumas das análises desses dados são feitas com essa estatística chamada de inteligência artificial, que nós estamos usando para analisar os dados dos pacientes.

E esse mesmo projeto da Itália, ele vai se expandir para outros países, tem possibilidades de ele vir para o Brasil também?

Ah sim, nós vamos anunciar isso em breve. E o nosso parceiro brasileiro, acho que em mais umas duas ou três semanas a gente vai ter condição de anunciar e também parceiros espalhados pelo mundo, porque o meu projeto, o meu plano inicial, é que nós tenhamos polos em todos os continentes do planeta. Ou seja, centros hospitalares ou institutos de pesquisa, universidades que sejam parceiras do projeto, a nível mundial.

Ou seja, cada continente do mundo terá um hub, um polo responsável pela mesma coisa que nós vamos fazer em Milão, né?

E só pra finalizar, durante a pandemia da Covid-19, o senhor se destacou na mídia como um crítico ao negacionismo tanto do presidente Jair Bolsonaro quanto de alguns médicos. Na sua avaliação, de lá pra cá, o interesse pela ciência avançou, caminhou na sociedade, ou ainda tem muita desinformação que precisa ser contornada?

Eu acho que para as pessoas que usam o que a gente tem entre as orelhas, ele avançou dramaticamente porque foi a ciência que nos tirou da fase mais crítica dessa enrascada. Não fosse o desenvolvimento de vacinas em tempo recorde, em um ano, nós não estaríamos aqui numa situação um pouco melhor. Apesar de que a pandemia não acabou.

Ninguém fala isso, mas a pandemia continua. Ela continua em outros níveis e ainda existe sim algum grau de negacionismo. É uma falta de ação política muito grande mundo afora. No mundo, em todo lugar, a pandemia foi posta debaixo do tapete e sumiu do noticiário. Apesar que hoje, por exemplo, aqui no Brasil, ela mata mais do que a dengue que está tendo uma epidemia aqui no Brasil, mas ela sumiu da agenda política e da agenda midiática.

Mas eu acho que nunca a ciência mundial e os cientistas puderam mostrar para a sociedade como um todo no planeta todo, quão fundamental para o mundo e para cada país a ciência é. Porque numa situação de vida ou morte, ela claramente respondeu e respondeu, por exemplo, o nosso comitê aqui do Nordeste, que trabalhou anos na pandemia, eu fiquei um ano no comitê como coordenador, não tinha nenhum orçamento para trabalhar, enquanto os comitês científicos do mundo afora tinham milhões por dia para realizar suas funções. E ainda assim nós conseguimos.

Claro que a relação causal ainda não é difícil de estabelecer, mas o Nordeste, que era para ser uma das regiões piores de mortalidade do Brasil na pandemia, foi a melhor. Então a ciência teve clara participação na parte positiva da pandemia que foi o salvar de milhões de vidas. Mas tem muita coisa pra ser feita, porque o diálogo de cientistas com políticos não importa o espectro ideológico, é muito difícil, porque os políticos têm outros objetivos diferentes do cientista. E esse diálogo é bem, bem complicado.

Tá bom, doutor, foi um prazer recebê-lo. A gente tentou conversar durante a pandemia, mas também naquela loucura de agenda, prazer finalmente falar com o senhor. E eu espero saber em breve sobre esse projeto que vem para o Brasil.

Pode deixar.
Muito obrigado! Foi um prazer.

Publicado originalmente em Metrópoles

O Crime de Insider Trading

25 de Julho de 2025, 16:26

Este artigo aborda o tema insider trading, definindo-o como o uso de informações privilegiadas para obter vantagens financeiras no mercado de ações. Explica que esta prática é considerada um crime financeiro no Brasil e em outros países, detalhando os tipos primário e secundário de insider trading. Além disso, discute as penalidades legais, a fiscalização pela CVM e os impactos negativos dessa atividade para a igualdade e integridade do mercado financeiro, apresentando exemplos notórios de casos no Brasil e nos EUA.
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Insider Trading:
Entenda o Crime por Trás da Informação Privilegiada no Mercado de Capitais

[Sugestão de imagem para o topo do artigo: Uma pessoa em silhueta segurando um tablet com gráficos financeiros, com um cadeado digital sobre as informações. Resolução: 1280x720px]

O mercado de capitais é um ambiente dinâmico, movido por informações e expectativas. Para que funcione de forma justa e transparente, é fundamental que todos os investidores tenham acesso às mesmas informações, ao mesmo tempo. No entanto, nem sempre essa regra é respeitada. Quando alguém se aproveita de dados sigilosos e ainda não divulgados para obter vantagens financeiras, estamos diante de um dos crimes mais graves contra o mercado: o insider trading.

O Que É Insider Trading?
A expressão “insider trading” significa, literalmente, “negociação com informação privilegiada”. Trata-se da utilização de uma informação relevante, ainda não pública, capaz de influenciar significativamente o preço de valores mobiliários ou a decisão dos investidores de comprar, vender ou manter um ativo. Com essa informação, o agente busca obter lucro ou evitar prejuízos, para si ou para terceiros.

[Sugestão de imagem: Um gráfico de ações com uma seta apontando para cima ou para baixo antes de uma linha vertical que representa um anúncio. Resolução: 1280x720px]

O que é uma “informação relevante”?
No contexto do mercado de capitais, “informação relevante” é um conceito-chave. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Lei das SAs definem-na como qualquer ato ou fato de caráter político, administrativo, técnico, negocial, econômico ou financeiro que possa influir de modo ponderável:
• Na cotação dos valores mobiliários da companhia.
• Na decisão dos investidores de comprar, vender ou manter esses valores mobiliários.
• Na decisão dos investidores de exercer quaisquer direitos inerentes à titularidade dos valores mobiliários.
Exemplos de informações consideradas relevantes incluem: resultados operacionais e financeiros, fusões e aquisições, fechamento de contratos importantes, descoberta de novas tecnologias, processos sob sigilo judicial, ou até mesmo a troca de comando na empresa.
Para ser considerada privilegiada, a informação deve ser confidencial (ainda não pública) e material (capaz de influenciar o mercado). A lei exige que as companhias abertas divulguem imediatamente qualquer fato relevante ao mercado, de forma clara e transparente, geralmente antes do início ou após o encerramento dos pregões, para garantir que todos tenham acesso simultâneo. Mesmo que a informação vaze acidentalmente ou haja oscilação atípica no mercado, a companhia é obrigada a divulgá-la imediatamente.

Como Acontece o Insider Trading? Os Tipos de “Insiders”
Geralmente, o acesso a informações privilegiadas é de pessoas direta ou indiretamente envolvidas com a companhia emissora dos papéis.

A legislação brasileira e a CVM dividem os infratores em duas categorias:
1. Insider Primário: É a pessoa que tem acesso direto e legal à informação relevante em razão de sua posição ou cargo na companhia. Isso inclui acionistas controladores, diretores, membros do conselho, funcionários com acesso a dados relevantes, e até mesmo prestadores de serviços externos, como advogados, consultores e auditores. Espera-se que essas pessoas entendam a relevância da informação e as consequências de negociar com base nela.

2. Insider Secundário (Tippee): É a pessoa que recebe a informação privilegiada de um insider primário, direta ou indiretamente, e não necessariamente sabe que se trata de uma informação privilegiada, mas não está autorizada a negociar com base nela. Isso pode ocorrer por um “tipping” (quando a informação é passada intencionalmente) ou por um vazamento acidental (como ouvir uma conversa ou acessar um e-mail não intencional). A Lei 13.706/2017 criminalizou esse “insider” indireto, que pode incluir parentes de executivos, investidores, fundos e ex-administradores da empresa.

A comprovação dos casos de insider trading pode ser complexa, especialmente quando o beneficiado não tem ligação direta com a companhia. A obtenção de prova direta é “praticamente impossível”. No entanto, a CVM admite a prova indiciária, baseada em indícios fortes, consistentes e convergentes, como a atipicidade das operações, seu timing em relação à divulgação da informação e os vínculos do negociador com pessoas que presumidamente tinham a informação.

A Legislação e as Punições para o Insider Trading
O insider trading é considerado crime no Brasil desde 2001, com a inclusão do Art. 27-D na Lei nº 6.385/76, que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários.

[Sugestão de imagem: Uma balança da justiça com símbolos de dinheiro e algemas em cada prato, inclinada para o lado das algemas. Resolução: 1280x720px]

“A pena para quem pratica insider trading é de reclusão de 1 a 5 anos e multa de até três vezes o montante da vantagem ilícita obtida.”

Em 2017, a Lei nº 13.506/17 alterou o Art. 27-D, removendo a necessidade do dever de sigilo como requisito para a configuração do crime, tornando a responsabilização mais abrangente. Além disso, a Lei nº 13.506/17 aumentou o limite da multa administrativa para até R$ 50 milhões.

É importante notar que o crime é de natureza formal. Isso significa que a simples utilização da informação privilegiada com o intuito de obter vantagem já configura o delito, mesmo que o lucro não seja efetivamente obtido, ou que o agente sofra prejuízo com a transação. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou essa natureza formal e permitiu a cominação de multa com base no lucro presumido da operação.

As sanções para o insider trading podem ocorrer em três esferas distintas e independentes:
• Administrativa: Aplicadas pela CVM, que pode impor advertências, multas e inabilitação temporária para cargos em companhias abertas ou entidades do mercado de capitais. A multa recorde imposta pela CVM foi de R$ 536,5 milhões a Eike Batista.
• Criminal: Processos movidos pelo Ministério Público Federal (MPF), com penas de reclusão e multa.
• Civil: Permite que pessoas prejudicadas pela prática busquem indenização por perdas e danos. A própria companhia prejudicada também pode pleitear compensação por danos reputacionais.

Fiscalização e Desafios
A CVM é o órgão principal responsável por fiscalizar, investigar e punir casos de insider trading no Brasil. Ela atua em conjunto com a BSM (braço de supervisão da B3), que monitora transações suspeitas e utiliza programas de computador especializados em identificar movimentos atípicos no mercado. A CVM também coopera com o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) em casos criminais.

Apesar dos esforços e das altas multas administrativas aplicadas, a comprovação e a punição penal ainda são complexas . Há uma percepção de que, no Brasil, o insider trading é um “crime sem punição”. Entre 2008 e 2018, a CVM abriu 54 processos sancionadores e aplicou 66 condenações administrativas. No entanto, na esfera criminal, houve apenas uma sentença condenatória definitiva em 20 anos (o caso Sadia-Perdigão) e nenhuma prisão até março de 2021. A dificuldade reside, em parte, na necessidade de provas concretas na esfera criminal, enquanto a CVM pode se basear em indícios.

[Sugestão de imagem: Uma sala de reuniões corporativa com uma “parede chinesa” (Chinese Wall) física ou simbólica, dividindo dois setores. Resolução: 1280x720px]

Para prevenir o insider trading, as empresas e o mercado adotam diversas medidas, como:

• Mecanismos internos de proteção: Criação de “Chinese Walls” (barreiras de informação) entre departamentos, para limitar o fluxo de informações privilegiadas a quem realmente precisa delas.
• Políticas de negociação de ações: Companhias podem aprovar políticas internas que restringem as operações de seus administradores e colaboradores.
• Dever de sigilo e informação: Administradores e outros insiders devem guardar sigilo das informações relevantes e informar suas operações com valores mobiliários à companhia e à CVM, permitindo o monitoramento.
• Autorregulação: Entidades como a BSM auxiliam a CVM na fiscalização e na definição de requisitos de divulgação e restrições de negociação.
• Educação e conscientização: Campanhas e treinamentos buscam informar investidores e agentes do mercado sobre os malefícios do insider trading e suas punições.

Casos Notórios de Insider Trading no Brasil
O Brasil já foi palco de alguns casos marcantes de insider trading, que ganharam destaque na mídia
:
1 – Caso Sadia-Perdigão: Considerado a única condenação penal definitiva no Brasil até 2021. Em 2006, antes do anúncio da tentativa de aquisição da Perdigão pela Sadia, o então diretor de Relações com Investidores da Sadia, Luiz Murat, e o membro do Conselho de Administração, Romano Fontana, compraram ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) da Perdigão. Eles lucraram com a valorização dos papéis após o anúncio da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Ambos foram punidos nos EUA pela SEC e, no Brasil, foram condenados criminalmente em 2011 a penas de prisão (convertidas em serviços comunitários) e multas. As ações da Perdigão e Sadia tiveram um impacto significativo nas cotações no dia do anúncio da OPA e, posteriormente, na recusa, e também quando as punições foram divulgadas, embora a recuperação tenha sido rápida.

2 – Caso Eike Batista: O empresário foi condenado em primeira instância a 8 anos e 7 meses de prisão e multas milionárias por insider trading envolvendo ações da OSX (empresa de construção naval) e OGX. Ele teria usado informações privilegiadas para vender ações e evitar grandes perdas.

3 – Caso Joesley e Wesley Batista: Em 2017, os irmãos controladores da JBS foram presos preventivamente sob acusação de insider trading
. Eles teriam negociado uma grande quantia de dólares e ações dias antes da divulgação de sua delação premiada, que causou forte oscilação no mercado (o famoso “Joesley Day”), para obter lucro ou evitar prejuízos.

Insider Trading x Front Running
Embora ambos sejam crimes que envolvem o uso de informação privilegiada, o insider trading e o front running possuem uma diferença fundamental:
• Insider Trading: A informação privilegiada geralmente se origina dentro da companhia emissora do ativo (ex: um diretor que sabe de um balanço positivo antes da divulgação).
• Front Running: A informação privilegiada é obtida por agentes do mercado (como corretores ou intermediários financeiros) que têm conhecimento prévio de uma grande operação que será realizada por um cliente e, com isso, se antecipam, comprando ou vendendo ativos para lucrar com o movimento que a operação do cliente irá gerar no mercado.
Ambas as práticas são desleais e prejudicam a equidade e a confiança no mercado de capitais.

Conclusão: Por Que o Insider Trading Prejudica o Mercado?

[Sugestão de imagem: Uma mão de investidor sendo empurrada para trás de uma linha de largada, enquanto outras correm à frente. Resolução: 1280x720px]

O insider trading é extremamente prejudicial e é considerado crime em muitos países por diversas razões:
1 – Quebra a igualdade de condições: O mercado de capitais deve ser um ambiente onde todos os investidores, grandes ou pequenos, tenham acesso igual às informações. O insider trading cria uma vantagem indevida para poucos, descaracterizando a integridade e a democracia do mercado e desencorajando a participação de outros investidores.

2 – É uma forma de “roubo”: Quando um insider compra ações sabendo de uma informação positiva não divulgada, ele está tirando dos vendedores o direito de vender seus ativos pelo valor justo, que seria maior se a informação fosse pública. Da mesma forma, ao vender com informação negativa, ele “rouba” dos compradores, que pagam por um ativo que em breve valerá menos.

3 – Afeta a confiança e a eficiência do mercado: A prática de insider trading abala a credibilidade, a estabilidade e a eficiência do mercado de capitais. Quando os investidores perdem a confiança na lisura das operações, podem se afastar, o que aumenta o custo de captação de recursos para as empresas e prejudica o desenvolvimento econômico.

Apesar da seriedade das punições previstas e dos esforços de fiscalização da CVM, a baixa probabilidade de punição efetiva na esfera criminal é um desafio significativo. A falta de homogeneidade nas decisões e a complexidade das provas contribuem para que a prática persista. É um lembrete constante de que, no mercado financeiro, a informação é poder, mas seu uso indevido é um crime com consequências graves para a integridade do sistema.
– – –

O que caracteriza o insider trading e como impacta a integridade do mercado financeiro?

O insider trading é caracterizado como o uso de informação relevante, ainda não divulgada ao mercado, da qual se tem conhecimento e se deve manter sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação de valores mobiliários. Essa prática envolve aproveitar-se de um privilégio informacional para obter lucro ou vantagem de forma ilícita. O crime ocorre especificamente no intervalo entre o conhecimento do fato relevante e sua divulgação pública.

Para que uma informação seja considerada privilegiada, ela deve ser:
• Não pública: A informação é confidencial até ser oficialmente divulgada, seguindo procedimentos definidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como o envio via sistema eletrônico ou publicação em jornais de grande circulação ou portais de notícias. Idealmente, a divulgação deve ocorrer antes do início ou após o encerramento dos negócios para permitir a disseminação adequada. Se a informação vazar ou ocorrer oscilação atípica, a companhia deve divulgá-la imediatamente.

• Material: Deve ser capaz de influenciar consideravelmente:
◦ A cotação dos valores mobiliários da companhia ou a eles referenciados
.
◦ A decisão dos investidores de comprar, vender ou manter esses valores mobiliários.
◦ A decisão dos investidores de exercer quaisquer direitos inerentes à titularidade dos valores mobiliários.
◦ Exemplos de informações relevantes incluem resultados financeiros, negociações de fusão e aquisição, alteração de controle acionário, aprovação ou desistência de projetos, e processos sob sigilo de justiça.

Quem pratica o insider trading (os “insiders”): Geralmente, o acesso a informações privilegiadas é de quem está direta ou indiretamente envolvido com a companhia aberta emissora dos papéis.

Os insiders são divididos em duas categorias:
• Insider primário: São aqueles que têm acesso direto e legal à informação privilegiada em razão de sua posição, cargo ou função na companhia, ou pela prestação de serviços a ela. Incluem acionistas controladores, presidentes, diretores, membros do conselho, funcionários com acesso a dados relevantes, consultores, auditores, advogados, e assessores financeiros. Espera-se que eles compreendam a relevância da informação e as consequências de negociar com base em dados confidenciais.
• Insider secundário (ou tippees): São aqueles que recebem a informação privilegiada, direta ou indiretamente, de um insider primário. Podem ter recebido a informação propositalmente (conhecido como “tipping”) ou de forma acidental, como por meio de um vazamento de e-mail ou ao ouvir uma conversa. A Lei 13.706/2017 criminalizou o insider secundário, que pode envolver parentes de executivos, investidores, fundos e ex-administradores da empresa.

A legislação e as punições: A prática de insider trading foi criminalizada no Brasil em 2001 (com a Lei 10.303, que alterou a Lei 6.385/76).

A conduta é prevista no Art. 27-D da Lei nº 6.385/76, que estabelece pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa de até três vezes o montante da vantagem ilícita obtida. O Art. 155 da Lei 6.404/76 (Lei das S.A.) também veda a utilização indevida de informações privilegiadas por administradores e qualquer pessoa que a tenha tido acesso.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é o principal órgão responsável pela fiscalização, investigação e imposição de penalidades administrativas.

A CVM, com o auxílio da BSM (braço de supervisão da B3), monitora e coleta informações sobre transações suspeitas e atípicas no mercado. A comprovação dos casos é complexa, especialmente para insiders secundários, mas pode ser feita com base em indícios fortes, consistentes e convergentes, sem a necessidade de identificar o meio ou a cadeia de acesso à informação.

O crime é considerado formal, ou seja, não é necessário que o agente efetivamente obtenha a vantagem para que o delito seja configurado, bastando a utilização da informação privilegiada com essa finalidade.

As sanções podem ser aplicadas em três esferas de forma independente e cumulativa:
• Administrativa: Aplicada pela CVM, pode incluir advertência, multa (que já chegou a R$ 536,5 milhões no caso de Eike Batista) e inabilitação temporária para cargos de administração em companhias abertas ou entidades do mercado de capitais.
• Criminal: Processos são conduzidos pelo Ministério Público Federal (MPF) e investigados pela Polícia Federal (PF), com quem a CVM mantém acordos de cooperação. No Brasil, houve apenas uma condenação penal definitiva em 20 anos, no caso Sadia pela Perdigão.
• Civil: Pessoas prejudicadas podem pleitear indenização por perdas e danos, e o MPF e a CVM podem mover ações civis públicas para ressarcir danos aos investidores.

Como o insider trading impacta a integridade do mercado financeiro:
O insider trading é gravemente prejudicial e é considerado um dos mais sérios ilícitos do mercado de capitais.

Seus principais impactos na integridade do mercado financeiro incluem:
• Prejuízo à igualdade de condições (assimetria de informação): O mercado de capitais se baseia na premissa de que todos os investidores devem ter acesso simultâneo às informações relevantes.

O insider trading rompe essa igualdade, favorecendo alguns poucos com informações privilegiadas e retirando a confiança de que os negócios são realizados com base em todas as informações relevantes existentes. Isso desencoraja a participação de investidores, pois elimina o risco inerente do investimento em renda variável que outros participantes assumem.
• Abalo à credibilidade e confiança: A prática viola gravemente o princípio fundamental do mercado de capitais, o full and fair disclosure (divulgação completa e justa), que pressupõe que informações relevantes sejam fornecidas para que os investidores precifiquem os ativos de modo justo
. A utilização indevida de informações privilegia a poucos, abalando a confiança geral na lisura e na integridade do mercado.
• Distorções de preços e ineficiência: O acesso a informações privilegiadas permite que seus detentores controlem preços de forma artificial, em detrimento dos investidores que não possuem tais informações. Isso prejudica o funcionamento eficiente e regular do mercado de capitais, aumenta o custo de captação das empresas, e pode ser visto como uma forma de “roubo” dos direitos dos vendedores ou compradores de ações.
• Fraqueza na governança corporativa: O insider trading é apontado como uma das maiores fraquezas da governança corporativa no mercado nacional.

Apesar das elevadas multas impostas, a baixa probabilidade de punição efetiva dos agentes, especialmente na esfera criminal, e a falta de homogeneidade das decisões podem tornar os desincentivos existentes insuficientes para repelir a ocorrência do insider trading no Brasil.

O insider trading é o uso de informação relevante, ainda não divulgada ao mercado, da qual se tem conhecimento e se deve manter sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação de valores mobiliários. Essa prática é considerada um dos mais graves ilícitos do mercado de capitais. No Brasil, a conduta foi criminalizada em 2001, com a Lei nº 10.303, que alterou a Lei nº 6.385/76.

As punições para o insider trading podem ocorrer em três esferas distintas e são independentes e cumulativas:

1. Esfera Criminal:
◦ A conduta é prevista no Art. 27-D da Lei nº 6.385/76, que estabelece pena de reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da vantagem ilícita obtida em decorrência do crime.
◦ O regime inicial pode ser inclusive o fechado, dependendo dos parâmetros do Código Penal.
◦ A criminalização da prática ocorreu em outubro de 2001. No entanto, entre 2001 e 2021, houve apenas uma condenação penal definitiva no Brasil. De 2008 a 2018, apenas três processos chegaram à Justiça na esfera criminal, com apenas duas prisões, desde que a prática virou crime.
◦ Um exemplo notório é o caso Sadia pela Perdigão, onde executivos foram condenados a um ano e nove meses de prisão e um ano e cinco meses, respectivamente, com as penas convertidas em serviços comunitários, além de multas de R$ 349,7 mil e R$ 374,9 mil. Houve também condenações adicionais de R$ 303 mil e R$ 254 mil por dano moral coletivo.
◦ Eike Batista foi condenado em primeira instância a 8 anos e 7 meses de prisão e multa de R$ 82,8 milhões por insider trading com papéis da OSX, mas ainda aguardava recursos
. Outro caso famoso envolveu os irmãos Joesley e Wesley Batista, que tiveram prisão preventiva decretada em 2017 sob acusação de insider trading e manipulação de mercado
.
2 – Esfera Administrativa:
◦ A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o principal órgão responsável pela fiscalização, investigação e imposição de penalidades.
◦ A CVM pode aplicar as seguintes penalidades aos infratores:
▪ Advertência.
▪ Multa: A multa pode ser de até três vezes o valor do lucro obtido de forma ilícita. A CVM tem imposto multas elevadas, como a multa recorde de R$ 536,5 milhões imposta a Eike Batista por negociar ações da OGX com base em informação privilegiada, correspondendo a duas vezes e meia o valor das perdas evitadas. A segunda maior foi de R$ 26,4 milhões ao Credit Suisse.
▪ Inabilitação temporária para o exercício do cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta ou entidades ligadas ao mercado de capitais, por até 20 anos.
▪ Suspensão da autorização ou registro para o exercício das atividades.
▪ Cassação de autorização ou registro.
▪ Proibição temporária de praticar determinadas atividades ou operações.
◦ De 2008 a 2018, a CVM abriu 54 processos sancionadores contra 158 acusados de insider trading, resultando em 66 condenações administrativas. A comprovação é complexa, especialmente para aqueles não diretamente ligados à companhia. A CVM se baseia em indícios fortes, consistentes e convergentes, não sendo necessário demonstrar o meio ou a cadeia de acesso à informação pelo insider secundário.
◦ Empresas devem ter políticas internas (“Chinese Wall”) para prevenir o vazamento de informações privilegiadas e identificar quem teve acesso a elas.
3 – Esfera Civil:
◦ Pessoas prejudicadas pela prática de insider trading podem pleitear indenização por perdas e danos.
◦ A CVM e o Ministério Público podem mover ações civis públicas para ressarcir danos causados aos investidores.
◦ A própria companhia emissora pode pleitear compensação, especialmente em casos de insider trading por pessoa diretamente ligada a ela, devido a prejuízos reputacionais que podem dificultar captações no mercado de capitais ou obtenção de linhas de crédito. A baixa probabilidade de punição efetiva, especialmente na esfera criminal, e a falta de homogeneidade das decisões podem tornar os desincentivos insuficientes para repelir a ocorrência do insider trading no Brasil.

Publicação autoral assistida por AI – NotebookLM

Máquina de Anticítera

22 de Julho de 2025, 23:09

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera (ou originalmente, Antikythera), há mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo muito provavelmente jamais teria sido descoberto.

A Máquina de Anticítera está entre os grandes mistérios da humanidade, pois sua origem e funções remontam a engenharia das antigas civilizações. Em primeiro lugar, essa invenção foi descoberta a 42 metros de profundidade no fundo do Mediterrâneo.

Além disso, as reconstruções desse maquinário a apresentam como uma invenção da Grécia Antiga. Basicamente, aparenta ter mais de dois mil anos, pois foi encontrada com os restos de uma galé romana naufragada. Em outras palavras, pertence ao mesmo período em que o Império Romano começou a conquistar colônias gregas no Mediterrâneo.

Em contrapartida, a Máquina de Anticítera não tem a mesma configuração que os computadores atuais. Nesse sentido, mais se parece uma calculadora astronômica gigante, porque conseguia identificar os movimentos dos cinco planetas visíveis a olho nu. Mais ainda, monitorava as fases da Lua, e os eclipses, tanto o solar e lunar.

Descoberta da Máquina de Anticítera
No geral, há discordâncias na comunidade científica a respeito da data exata para a descoberta dessa máquina. Entretanto, costuma-se estabelecer o ocorrido entre os anos de 1900 e 1902.

Em primeiro lugar, a importância dessa descoberta está associada ao valor histórico. Ou seja, representa um importante desenvolvimento tecnológico dos gregos na Antiguidade.

Porém, também vale ressaltar que somente após 1,5 mil anos uma invenção semelhante à Máquina de Anticítera apareceu na história. Nesse caso, os relógios mecânicos astronômicos, inventados na Europa do século XIV são os principais exemplos.

Ainda que tenha sido encontrado somente um pedaço de sua estrutura, pesquisas internacionais desenvolveram reconstruções do maquinário. Basicamente, esses esforços buscavam simular a versão original e entender melhor suas particularidades, pois se trata de uma invenção complexa para o período em que está datada.

Enigmas sobre a função da máquina
Primeiramente, é importante conhecer o físico inglês Derek John de Solla Price para entender as investigações sobre a função da máquina. Em resumo, esse foi o responsável por analisar detalhes dos 82 fragmentos recuperados da Máquina de Anticítera. Além disso, processou imagens das peças com raios-X e raios gama, a fim de mostrar sua complexidade com maior aprofundamento.

A partir disso, foi possível datar que algumas peças foram feitas entre os anos de 70 a.C e 50 a.C, facilitando a compreensão sobre sua origem e uso. Entretanto, Solla Price seguiu adiante, e decidiu contar os dentes em cada roda para conhecer melhor suas funções. Desse modo, alcançou alguns números importantes na astronomia.

Antes de mais nada, os números 127 e 235 representam o movimento dos corpos celestes no espaço, bem como suas distâncias da Terra e a geometria das órbitas. Em outras palavras, 235 representa a quantia de meses lunares no chamado ciclo Metônico. Por outro lado, o 127 mostra os movimentos elípticos da Lua ao redor da Terra.

Como consequência dessas investigações, presume-se que a Máquina de Anticítera era utilizada como instrumento para monitorar os movimentos astronômicos. Em especial, acompanhar os ciclos da lua.

Comumente, esses estudos facilitavam nas previsões para o cotidiano, como os ciclos de colheita e para alguns rituais religiosos. Entretanto, monitorar a Lua também permitia um estudo mais aprofundado do Universo, em um período em que haviam mais perguntas do que respostas.


Outros enigmas e curiosidades

Apesar de todas as investigações citadas anteriormente, ainda vale citar a relacionada ao número 223. Basicamente, esse foi o número encontrado em outra roda do mecanismo, a partir de uma análise com tecnologia sobre demanda. Em outras palavras, esse é um importante número para entender a função da Máquina de Anticítera em relação aos eclipses.

A princípio, o ciclo de Saros acompanha o movimento em que a Lua e a Terra voltam a se encontrar após um período de 223 luas. Ou seja, após dezoito meses e onze dias. No geral, esse ciclo foi descoberto pelos babilônios antigos, por volta de 600 a.C

Nesse sentido, é um importante mecanismo para prever a ocorrência de eclipses. Desse modo, a Máquina de Anticítera também apresentava essa função, com especificidades sobre o dia, a hora, a direção da sombra e até a cor que a Lua teria no céu.

Entretanto, a máquina ia além de acompanhar o padrão da Lua. Ainda por meio das reconstruções, cientistas identificaram que a invenção dos gregos acompanhava o caminho do satélite natural no céu. Em resumo, isso era feito através de duas engrenagens menores , onde uma replicava o tempo da trajetória da Lua ao redor da Terra.

Além disso, a outra engrenagem calculava o deslocamento dessa órbita. Apesar disso, a Máquina de Anticítera trabalha segundo o geocentrismo, modelo da galáxia compreendido pela civilização grega na época.

Assim, analisavam o Universo a partir da crença de que a Terra ocupava o centro e outros cinco planetas orbitavam ao redor. Apesar desse modelo ser ultrapassado, tendo sido derrubado algumas décadas adiante na história, compreender a tecnologia e o maquinário a Antiguidade auxilia nas investigações sobre a humanidade.


Quem criou a Máquina de Anticítera?

Em primeiro lugar, a Grécia Antiga é conhecida por ter inúmeros filósofos, matemáticos, engenheiros e inventores excepcionais para a História. Entretanto, existem dicas que apontam para Arquimedes como autor da Máquina de Anticítera.

No geral, essa conclusão resulta das contribuições que o inventor teve para a astronomia, pois foi quem determinou a distância entre a Terra e a Lua, determinou como se calcular o volume de uma esfera e até criou o valor de Pi. Entretanto, houveram outras contribuições múltiplas, como a fundação da hidrostática e da estática.

Nesse sentido, vale ressaltar que Arquimedes vivia em uma das cidades invadidas pelo Império Romano durante as explorações das colônias gregas. Porém, um ponto importante da história de Arquimedes está relacionado ao furto de suas invenções durante essas invasões.

Em resumo, as invenções de Arquimedes foram roubadas em sua residência, na cidade de Siracusa. Desse modo, legionários invadiram sua cidade e residência sob o comando do general Marcus Claudius Marcellus. Ainda que as ordens do general tivessem sido que poupassem a vida do inventor, um dos soldados acabou o matando em um conflito.

Entretanto, a morte de Arquimedes apresenta incontáveis versões, mas acredita-se que ele tenha morrido aos 75 anos. Por outro lado, o furto de suas invenções fez com que os maquinários se difundisse no Império Romano. Desse modo, um modelo inicial da Máquina de Anticítera parecia estar entre eles, de acordo com registros históricos e documentos da época.

Portanto, a autoria do que se transformou posteriormente na Máquina de Anticítera descoberta por pesquisadores surgiu com Arquimedes. Contudo, as peças encontradas não se tratam da criação original, pois parecem ter sido adaptadas depois que foram roubadas do inventor.

Confira a Máquina de Anticítera reconstruída com lego, feita por pesquisadores da Nature Research em 2010:

 


Qual o resultado das pesquisas sobre essa descoberta?

Apesar dos avanços, as pesquisas sobre a origem, funções e usos continua em andamento por todo o mundo. Ainda que várias perguntas tenham sido respondidas, existem outras questões sendo analisadas.

Por exemplo, os cientistas seguem investigando o que aconteceu com o conhecimento sobre a Máquina de Anticítera. Como foi citado anteriormente, foram necessários séculos para que outra invenção semelhante fosse encontrada. Portanto, identificar o que aconteceram com os planos, protótipos e projetos dessa invenção integram os estudos históricos sobre o mundo.

Nesse sentido, acredita-se que a queda do Império Romano causou a migração desse conhecimento para o Oriente. Desse modo, enquanto o Ocidente lidava com a Idade Média e seus desdobramentos, as comunidades árabes desenvolviam a ciência. Por fim, somente a partir do século XIII as informações milenares sobre ciência espalhavam-se também no Ocidente.

Publicado originalmente em Segredos do Mundo
Fontes: BBC

 

 

Pronunciamento Brasil Soberano

17 de Julho de 2025, 23:44

Lula reage a tarifaço e defende Soberania Nacional em pronunciamento na TV
Afirmou que o Brasil ‘não aceitará ameaças’ e reiterou que ‘o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro’

Em um pronunciamento oficial transmitido em rede nacional na noite desta quarta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “chantagem inaceitável” a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em tom firme, Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ameaças” e reiterou que “o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro”.

A medida norte-americana, anunciada por meio de uma carta do presidente dos EUA, foi interpretada pelo governo brasileiro como um ataque direto às relações diplomáticas e econômicas entre os dois países. Segundo Lula, a decisão foi tomada mesmo após mais de dez reuniões entre representantes brasileiros e americanos e o envio de uma proposta formal de negociação no dia 16 de maio.

“Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou o presidente.

Defesa da Soberania Nacional
Lula utilizou o pronunciamento para reforçar o compromisso do governo com a soberania nacional e o respeito às instituições. Mencionou o papel do Poder Judiciário, a independência dos tribunais e os princípios constitucionais do devido processo legal, presunção de inocência e ampla defesa. O presidente também condenou tentativas externas de interferência no sistema judiciário brasileiro, qualificando essas ações como “grave atentado à soberania nacional”.

“Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar oportunidades para nosso povo”, afirmou Lula.

Críticas a Opositores Internos
Sem citar nomes, o presidente criticou duramente políticos brasileiros que, segundo ele, apoiam as medidas norte-americanas contra o Brasil.

“São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país nem com os danos causados ao nosso povo”, disse.

O discurso também abordou a atuação de plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Lula reforçou que todas as empresas, nacionais ou internacionais, devem respeitar as leis brasileiras. Ele destacou a necessidade de proteger as famílias contra crimes digitais como racismo, golpes, violência contra mulheres, e desinformação sobre vacinas.

“No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei”, enfatizou.

Comércio Internacional e Meio Ambiente
O presidente defendeu a atuação do Brasil no comércio internacional e desmentiu acusações de práticas desleais. Citou dados que apontam um superávit comercial norte-americano de US$ 410 bilhões em relação ao Brasil nos últimos 15 anos.

Lula também ressaltou avanços na agenda ambiental, como a redução pela metade do desmatamento na Amazônia em dois anos e o compromisso de zerá-lo até 2030. Ao falar sobre o Pix, o presidente foi categórico: “O Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo.”

Abertura de Mercados e Medidas Legais
O presidente fez um balanço da política externa de seu governo, afirmando que o Brasil deixou o isolamento internacional e abriu 379 novos mercados para produtos nacionais em apenas dois anos e meio. Mencionou negociações com União Europeia, Ásia, África e América Latina, e afirmou que, se necessário, o país acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou aplicará a Lei da Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional.

Apesar do tom crítico, Lula reafirmou o compromisso com boas relações diplomáticas com os Estados Unidos e demais países. Mas deixou claro que o Brasil não aceitará ser pressionado:

“Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.”

O pronunciamento marca um dos momentos mais tensos da relação entre Brasília e Washington nos últimos anos, e indica que o governo brasileiro está disposto a endurecer o jogo em defesa dos interesses nacionais.

A seguir, o discurso de Lula na íntegra.
– – –

Minhas amigas e meus amigos,

Fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50%, a partir de 1º de agosto. O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.

Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional.

Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida.

Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.

Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras.

No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.

Minhas amigas e meus amigos,
Estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.

Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.

Minhas amigas e meus amigos,
A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares.

O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030.

Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo.

Minhas amigas e meus amigos,
Quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior.

Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.

Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Minhas amigas e meus amigos,
Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações.

Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o Povo Brasileiro.

Muito Obrigado.

Fonte: Palácio do Planalto – Governo Brasileiro
Publicado originalmente em ICL Notícias

Como Funciona o Forex Trading

17 de Julho de 2025, 21:38

Forex Trading é o processo de compra e venda de pares de moedas estrangeiras no mercado de câmbio para obter lucro. A negociação é conduzida no balcão (over the counter, em inglês) por meio de uma rede de bancos em grandes centros financeiros de todo o mundo.

O mercado de Forex, também conhecido como mercado de câmbio, é amplamente reconhecido globalmente, mas no Brasil, ainda não é regulamentado.

Contudo, isso não significa que sua prática seja ilegal. A falta de regulamentação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aumenta o risco das operações, e portanto, o Forex Trading é mais recomendado para traders experientes que tenham baixa aversão ao risco.

Para te ajudar a compreender o funcionamento do Forex Trading, neste artigo vamos mostrar como esse mercado funciona, quais são as vantagens e os principais riscos de operar nele. Continue lendo!

O QUE É FOREX TRADING?
Forex trading, ou câmbio de moeda estrangeira, é o processo de compra e venda de moedas estrangeiras no mercado de câmbio (Forex).

Os participantes do mercado Forex incluem bancos, instituições financeiras, governos, empresas e investidores individuais.

As transações no mercado Forex envolvem a troca de uma moeda por outra a uma taxa de câmbio acordada.

Isso significa que os traders de Forex tentam prever as oscilações nas taxas de câmbio para tomar decisões de compra ou venda e, assim, lucrar com essas mudanças no mercado.

Existem aproximadamente 40 moedas disponíveis para negociação. É importante notar que neste mercado ocorrem apenas trocas de ativos, não envolvendo moedas físicas.

Devido às rápidas flutuações dos ativos, é comum que as pessoas abram e fechem operações no mesmo dia, às vezes em questão de minutos ou até segundos.

É um mercado altamente líquido e volátil, que opera 24 horas por dia, cinco dias por semana, em todo o mundo. Também é bastante arriscado, por isso requer bastante cuidado, não sendo indicado para quem é trader iniciante.

COMO O FOREX TRADING FUNCIONA?
No Forex trading, os traders compram uma moeda enquanto simultaneamente vendem outra. As transações ocorrem em pares de moedas, como o EUR/USD (Euro/Dólar Americano).

O objetivo é lucrar com as flutuações nas taxas de câmbio. Por exemplo, se um trader acredita que o valor do euro vai subir em relação ao dólar, ele compraria o par EUR/USD. Se a previsão estiver correta e o euro se valorizar, ele vende o par para obter lucro.

O mercado Forex está aberto 24 horas por dia, 5 dias e meio por semana. As moedas são negociadas em todo o mundo nos principais centros financeiros de Frankfurt, Hong Kong, Londres, Nova Iorque, Paris, Singapura, Sydney, Tóquio e Zurique – em quase todos os fusos horários.

Isso significa que o mercado cambial começa em Tóquio e Hong Kong quando termina o dia de negociação nos EUA. Assim, o mercado cambial pode estar bastante ativo a qualquer momento, com as cotações de preços mudando constantemente.

Um aspecto interessante dos mercados cambiais mundiais é que não há nenhum local físico que funciona como lugar de negociação. Em vez disso, existe uma série de terminais comerciais e redes de computadores conectados. Os participantes do mercado são instituições, bancos de investimentos, bancos comerciais e investidores de todo o mundo.

Isso significa que o Forex é um mercado descentralizado. Se você investe em ações da Bolsa, por exemplo, toda a negociação de compra e venda acontece dentro do ambiente da B3, certo?

Porém, se um trader resolve investir no Forex Trading, não há esse limite de negociação com pessoas que estão no mesmo ambiente.

Por conta disso, é difícil determinar os ganhos potenciais nesse mercado, pois depende do tempo da operação, das oscilações durante esse período e do montante utilizado.

Ademais, é possível ampliar os lucros por meio da alavancagem, permitindo operações com um investimento mínimo, mas com um valor aparentemente maior, por meio de empréstimos oferecidos pelas corretoras que operam no mercado Forex.

QUAIS SÃO OS PRÓS E OS CONTRAS DO FOREX TRADING?
Como vimos, esse mercado é bastante arriscado e envolve diversas estratégias por parte de quem realiza a negociação.

Para deixar mais claro quais são os prós e contras do Forex Trading, veja a tabela abaixo:

Prós
Maior mercado em termos de volume diário de negociação do mundo. A alavancagem pode tornar as negociações
Negociado 24 horas por dia, cinco dias e meio por semana.
O capital inicial pode se multiplicar rapidamente.
Geralmente segue as mesmas regras da negociação comum em Bolsas de Valores.
Mais descentralizado do que os mercados tradicionais de ações ou títulos.

Contras
Forex muito voláteis.
Requer uma grande compreensão dos fundamentos de trading e indicadores econômicos.
Não é regulamentado no Brasil.
É bastante arriscado e requer bastante experiência com negociações.
Muitos golpistas aproveitam que não é regulamentado pela CVM para enganar traders.

Quais são as estratégias básicas do Forex Trading?
As formas mais básicas de Forex Trading são as de Long & Short. Em uma negociação de posição longa (long), o trader acredita que o preço da moeda subirá e que poderá lucrar com isso. Já na posição curta (short), o trader acredita na queda do preço do par de moedas.

Por outro lado, também é possível utilizar estratégias de trading baseadas em Análise Técnica, como as médias móveis, para fazer boas negociações.

Dependendo da duração e dos números de negociação, as estratégias de Forex Trading podem ser categorizadas em 4 tipos fundamentais:

Scalper Trading: estratégia de operações realizadas no mesmo dia que visa obter ganhos com movimentos rápidos do mercado, tanto na compra quanto na venda.
Day Trade: negociações de curto prazo em que as posições são mantidas e liquidadas no mesmo dia. A duração pode ser de horas ou minutos.
Swing Trade: em uma negociação de Swing Trade, o trader mantém a posição por um período superior a um dia, como dias ou semanas.
Position Trade: os movimentos de preço no curto prazo são não considerados e o foco está nas operações que podem durar de meses a anos.

Como é possível operar Forex no Brasil?
Como já dissemos anteriormente, a prática não é regulamentada no Brasil, portanto nenhuma instituição financeira nacional pode oferecer esse serviço.

Então, para operar no Forex Trading, você precisa:
1. Criar uma conta para transferências internacionais.
2. Abrir conta em uma corretora de valores fora do país. Antes disso, confira se ela opera Forex, se é confiável e tem as regulamentações em dia.
3. Por fim, transfira o dinheiro e aplique a quantia que deseja operar para iniciar as negociações.

Lembrando que cada empresa tem suas próprias regras e pode cobrar valores distintos de corretagem, entre outras taxas.

Publicado originalmente em https://blog.toroinvestimentos.com.br/trading/forex-trading/ – Toro Investimentos

Profissão: Trader

16 de Julho de 2025, 12:21

Trader profissional é quem negocia ativamente na Bolsa de Valores e transforma essa atividade em sua principal fonte de renda. Geralmente, esse profissional é altamente qualificado e experiente em Análise Técnica, gestão de risco e tomada de decisões rápidas.

Já pensou em passar o dia realizando operações na Bolsa de Valores, comprando e vendendo ações Acompanhar as tendências do mercado e as oscilações nos gráficos para fazer as melhores negociações? Isso tudo é possível se você seguir a profissão trader.

Segundo uma pesquisa recente realizada pelo Linkedin, traders conquistaram a 9ª posição no quesito “profissões emergentes”. Essa é uma tendência que vem crescendo desde 2020, no início da pandemia, já que muitas pessoas começaram a trabalhar remotamente.

Para te ajudar a entender tudo sobre a profissão trader, elaboramos este conteúdo para mostrar como seguir essa carreira no mercado financeiro. Vamos lá?

O QUE É A PROFISSÃO TRADER?
Trader é a profissão voltada para pessoas que trabalham com operações financeiras de curto prazo na Bolsa de Valores.

Traders buscam as melhores oportunidades de rentabilidade na Bolsa, podendo trabalhar de modo autônomo ou em empresas do setor.

Em inglês, trade significa “troca”. No mercado de ações, isso significa que esse profissional irá realizar negociações de compra e venda de ativos, sempre com foco no curtíssimo prazo.

Traders precisam entender a volatilidade do mercado, como funcionam as linhas de tendências, conhecer a fundo os conceitos de Análise Técnica e saber como fazer um bom gerenciamento de riscos, seja para si mesmo ou para terceiros.

Para ter uma boa rentabilidade na carreira, é necessário saber tomar decisões rápidas, balanceando os lucros e prejuízos nas operações.

É fundamental também que traders consigam acompanhar as flutuações diárias para comprar e vender ações, ETFs, contratos futuros ou qualquer outro ativo negociado em Bolsa.

Para seguir a profissão trader, contudo, é necessário bastante estudo, treinamento e acompanhamento do mercado, sem contar as certificações obrigatórias.

Em outras palavras: ser um trader de sucesso exige bastante esforço, conhecimento e dedicação.

QUAIS AS CERTIFICAÇÕES PARA SER TRADER PROFISSIONAL?
A formação acadêmica específica não é obrigatória, isto é, você pode ter formação em Economia, Administração, Finanças ou outras áreas relacionadas e ainda assim seguir a carreira de trader.

Porém, algumas certificações financeiras ajudam a comprovar seu conhecimento, garantindo mais qualificação e especialização na área.

Sem contar que operações de trading requerem muito estudo, dedicação e esforço, lembra?

Entre as principais certificações, podemos citar:
CGA: a Certificação de Gestores ANBIMA habilita profissionais a atuarem com a gestão de recursos de terceiros em diversas modalidades: Fundos de Investimentos, ações, Fundos de Índices etc..

CNPI: a Certificação Nacional do Profissional de Investimento é considerada obrigatória pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para quem deseja atuar como analista de valores mobiliários. É possível tirar a certificação nas modalidades de analista fundamentalista, analista técnico e analista pleno.

Agente Autônomo de Investimentos: Para ser Agente Autônomo de Investimentos e realizar a intermediação entre investidores e produtos financeiros do mercado (inclusive de Renda Variável), é obrigatório ser aprovado no exame da Ancord, instituição autorizada pela CVM.

Prova da Ancord: como vimos, para ser Agente Autônomo de Investimentos é necessário passar no exame da Ancord. Entretanto, essa prova também é essencial para quem deseja se profissionalizar como trader e trabalhar em uma corretora de valores, por exemplo.
Entretanto, se você deseja começar em casa e estudar por conta própria, você pode ser trader do mesmo jeito. As certificações são um extra, mas não impedem que você siga a profissão trader.

PASSO A PASSO PARA SER TRADER DE SUCESSO
A seguir, apresentamos um passo a passo resumido sobre como se tornar um trader profissional e de sucesso, uma vez que que já falamos sobre as certificações necessárias.

1 – Educação e certificação
Dedique tempo para aprender sobre os mercados financeiros, Análise Técnica, estratégias de negociação e gerenciamento de riscos.

Busque cursos, leia livros para traders e estude materiais educacionais relevantes. Além disso, obtenha todas as certificações solicitadas.

2 – Defina seu estilo de negociação
Identifique o estilo de negociação que melhor se adapta à sua personalidade e habilidades.

Isso pode incluir Day Trade, Swing Trade ou Position Trade. Cada estilo tem suas próprias características e requerimentos.

3 – Desenvolva um plano de negociação
Crie um plano detalhado que inclua sua estratégia de entrada e saída, critérios de seleção de ativos, gestão de risco, metas de lucro e controle emocional.

O plano deve ser baseado em uma análise sólida e ser adaptável às condições do mercado.

4 – Pratique em uma conta “demo”
Utilize uma conta demo, isto é, uma simulação de demonstração, para praticar suas estratégias e testar seu plano de negociação.

Isso permite que você ganhe experiência sem correr o risco de grandes perdas financeiras.

5 – Gerenciamento de risco
Estabeleça limites de risco adequados para cada operação e para seu portfólio como um todo.

Utilize ordens de stop loss para limitar as perdas e defina metas realistas de ganhos. Nunca arrisque mais do que você está disposto a perder.

Planilha de gerenciamento de riscos
6 – Análise e tomada de decisões
Utilize Análise Técnica e/ou outras ferramentas para identificar oportunidades de negociação.

Tome decisões com base em sua estratégia predeterminada e evite se deixar levar por emoções.

7 – Controle emocional
Mantenha o controle emocional durante as negociações. Evite se deixar levar pela ganância ou pelo medo, pois essas emoções podem levar a decisões irracionais.

Mantenha a disciplina e siga seu plano de negociação.

8 – Aperfeiçoamento contínuo
O aprendizado é uma jornada contínua. Mantenha-se atualizado com as últimas tendências e desenvolvimentos nos mercados financeiros.

Faça ajustes em sua estratégia conforme necessário e esteja disposto a aprender com seus erros.

9 – Avalie e ajuste
Como citamos anteriormente, avalie regularmente seu desempenho e faça ajustes em seu plano de negociação, se necessário.

Identifique áreas de melhoria e busque aprimorar suas habilidades constantemente.

10 – Consistência e paciência
O trading profissional exige consistência ao seguir sua estratégia e paciência para esperar por oportunidades de qualidade.

Não se deixe levar por impulsos ou busque lucros rápidos. Mantenha uma abordagem disciplinada e focada a longo prazo.

TRADERS DE CORRETORA PODEM OPERAM CONTAS REAIS?
De acordo com as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsas de Valores, os traders profissionais que trabalham para corretoras e fornecem indicações de operações não podem operar em contas reais, apenas em simuladores, por algumas razões importantes:

Conflito de interesses: o objetivo principal de um trader profissional que fornece indicações de operações é fornecer orientação imparcial e de qualidade aos investidores. Operar em contas reais poderia criar um conflito de interesses, pois o trader poderia se beneficiar pessoalmente das operações recomendadas, o que poderia afetar sua objetividade e imparcialidade.

Preservação da integridade do mercado: a restrição de operar em contas reais evita qualquer manipulação indevida do mercado. Se os traders profissionais tivessem a capacidade de operar em suas próprias contas reais, poderiam usar as indicações que fornecem para influenciar artificialmente os preços dos ativos, prejudicando a integridade e a transparência do mercado.

Proteção dos investidores: as normas visam proteger os investidores ao garantir que as indicações de operações fornecidas pelos traders profissionais sejam imparciais, com base em análises e estratégias consistentes. Ao operar apenas em simuladores, esses profissionais podem demonstrar sua habilidade e capacidade sem colocar em risco o patrimônio dos investidores.

Transparência e accountability: ao restringir os traders profissionais a operar apenas em simuladores, a CVM e a Bolsas promovem a transparência e a prestação de contas. Os resultados obtidos nos simuladores podem ser acompanhados e verificados, permitindo uma avaliação mais precisa do desempenho desses profissionais.
Lembrando que se tornar um trader profissional requer tempo, dedicação, aprendizado contínuo e prática. Esteja preparado para enfrentar desafios ao longo do caminho e esteja disposto a se adaptar conforme necessário.

Agora você sabe o que é trader e como tirar as certificações para se especializar na área. Mas afinal, quanto ganha esse profissional? Veja mais no próximo tópico.

QUANTO GANHA UM TRADER PROFISSIONAL?
Essa pergunta é bastante relativa, visto que dependerá se o trader é profissional autônomo ou se trabalha em uma instituição financeira.

Esse é um fator importante porque existem diferenças na remuneração de quem trabalha por conta própria e de quem está atrelado a uma organização.

Um trader autônomo pode aplicar e movimentar seus ativos da forma como preferir, não é necessário experiência de mercado ou certificação obrigatória. Logo, é mais difícil estabelecer qual é a faixa salarial desse profissional, já que os números podem variar bastante.
Por outro lado, o trader que trabalha para uma instituição financeira precisará de certificações, um bom tempo de experiência e reputação positiva no mercado. Além disso, é necessário considerar bônus e outras remunerações extras.
Segundo o Guia Salarial 2023 da consultoria Robert Half, a média salarial de um trader profissional iniciante no Sudeste é de R$9.900. Lembrando que esse valor pode mudar conforme a região do país, a senioridade do profissional e a empresa contratante.

Embora muitos traders lucrem bastante, há uma parcela que devolve tudo ao mercado por falta de controle emocional.

Sem estabelecer um bom gerenciamento de risco, os prejuízos podem ser grandes. Por isso, é importante estudar o funcionamento do mercado para evitar que o medo ou a ganância tomem conta das operações.

Enfim, para saber se você prefere seguir como autônomo ou colaborador de uma empresa, antes é fundamental saber se você tem o perfil para seguir no trading como profissional. Veja mais no tópico seguinte.

VOCÊ TEM PERFIL PARA SER TRADER?
Como já ressaltamos diversas vezes ao longo do texto, a profissão trader requer resiliência, estudo e acompanhamento do mercado.

Não existe fórmula mágica ou caminho fácil para ter sucesso na profissão, mas sim bastante esforço.

Em primeiro lugar, considere seu perfil de investidor para saber se você é do tipo arrojado e sabe lidar com riscos maiores.

Afinal, quando falamos do mercado de Renda Variável, é necessário controlar as emoções e saber aproveitar as melhores oportunidades da Bolsa.

⚠Vale esclarecer que trading não é a mesma coisa que investimento. Realizar operações diárias na Bolsa de Valores não é igual a acumular patrimônio no longo prazo, mas sim obter lucro com arbitragem dos preços.

Por isso, você pode considerar as seguintes questões antes de começar a se especializar na área:

Você tem tempo disponível para acompanhar as oscilações da Bolsa?
Você quer ser autônomo ou trabalhar para uma instituição financeira?
Qual é o limite de perda para suas operações?
Quanto você pretende ganhar por mês?
Você tem tempo para tirar as certificações necessárias?
Pretende estudar quantas horas por semana?
Prefere fazer Day Trade ou Swing Trade?
Pense bastante antes de começar e liste todos os prós e contras. Lembre-se que, assim como em qualquer outra profissão, é necessário muito empenho para obter os melhores resultados.

Por fim, para ser um trader profissional de sucesso, você precisa utilizar as melhores plataformas de trading do mercado.

Publicado originalmente em Toro Investimentos

Eram os Deuses Astronautas?

13 de Julho de 2025, 13:01

“Eram os Deuses Astronautas?” é uma obra intrigante do renomado autor Erich von Daniken, conhecido mundialmente por sua participação na série “Alienígenas do Passado”, transmitida no History Channel. Neste livro, von Daniken mergulha em um enigma que tem cativado a humanidade por séculos: a verdadeira identidade dos deuses que povoam as narrativas antigas.

Com uma pesquisa minuciosa, o autor examina as principais religiões e mitologias do mundo, buscando entender suas crenças e histórias, a fim de responder à pergunta fundamental sobre a natureza desses seres divinos.
Sua conclusão? Aparentemente, os deuses não são meras criações da imaginação humana, mas sim habitantes de outros planetas que marcaram presença na Terra.

O livro oferece informações fascinantes, incluindo:
– A hipótese de que esses seres alienígenas usavam tecnologias avançadas durante confrontos aéreos grandiosos, com base em análises de textos antigos;
– Evidências sugerindo que esses deuses possuíam armas devastadoras, utilizadas tanto em conflitos entre eles quanto em batalhas contra a humanidade;
– Uma interpretação inovadora da evolução da vida na Terra, que desafia tanto as doutrinas religiosas tradicionais quanto as teorias científicas contemporâneas.

Com uma apresentação rica, o livro traz ilustrações em cores e em preto e branco que complementam a leitura.

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