Uma plataforma desenvolvida pela empresa americana LeoLabs, permite visualizar em tempo real milhares de satélites que orbitam a Terra. A ferramenta, acessível gratuitamente pela internet, utiliza dados de rastreamento espacial para exibir a posição e a trajetória desses objetos em um globo terrestre 3D interativo.
Atualmente, estima-se que mais de 26 mil satélites artificiais estejam em órbita, desempenhando funções que vão desde telecomunicações e navegação até monitoramento climático e operações militares. Grande parte deles permanece invisível a olho nu, mas continua essencial para o funcionamento de tecnologias do dia a dia, como GPS, internet e transmissões de TV.
Como funciona a visualização em tempo real?
A plataforma da LeoLabs organiza essas informações em uma interface visual que permite ao usuário acompanhar o deslocamento dos satélites ao redor do planeta. Ao clicar em cada objeto, é possível acessar detalhes como data de lançamento, tipo de missão, operador responsável e previsão de órbita, transformando dados complexos em algo mais acessível.
Além disso, o sistema utiliza dados atualizados constantemente, o que garante uma representação bastante próxima da realidade. Isso inclui não apenas satélites ativos, mas também detritos espaciais. Com o aumento acelerado do número de lançamentos por empresas privadas, o espaço ao redor da Terra está se tornando mais 'congestionado'.
O LeoLabs é uma espécie de "Google Maps" da órbita baixa terrestre. (Imagem: Getty Images)
Ao mesmo tempo, esse tipo de plataforma ajuda a aproximar o público de um universo que normalmente parece distante. Visualizar, em tempo real, tudo o que está orbitando acima de nossas cabeças traz uma nova perspectiva sobre a tecnologia espacial. Continue explorando o TecMundo para descobrir outras ferramentas, curiosidades e inovações que estão moldando o presente e o futuro.
Os astronautas do programa Artemis II viveram um emocionante momento após nomear uma cratera lunar na última segunda-feira (06). O “ponto brilhante na Lua” foi batizado de Carroll pela tripulação em homenagem à falecida esposa do comandante da missão, Reid Wiseman.
Pouco tempo após a tripulação quebrar o recorde de ponto mais distante da Terra já visitado por humanos, um vídeo compartilhado pela equipe mostra o momento de batismo da cratera. A referência do nome foi para Carroll Taylor Wiseman, que faleceu em decorrência de um câncer, em 2020.
Em contato com o controle da missão, o especialista Jeremy Hansen narrou que no início da jornada da Artemis, o grupo de astronautas sofreu um grande baque.
“E assim perdemos uma pessoa querida. Seu nome era Carroll, esposa de Reid, mãe de Katie e Ellie. E se você quiser encontrar este lugar, procure por Glushko, que fica a noroeste dali, na mesma latitude de Ohm, e é um ponto brilhante na Lua. Gostaríamos de chamá-lo de Carroll”, finalizou Hansen.
Após o contato do especialista, o controle da missão ficou alguns segundos em silêncio, enquanto o restante da tripulação se reuniu para abraçar o comandante Wiseman.
Em resposta, o controle confirmou a solicitação da equipe e confirmou a escolha pela “Cratera Carroll” durante a comunicação.
Cratera Carroll ainda não é oficial
Mesmo que os responsáveis na Terra e a equipe da Artemis II tenham chegado a um consenso, a Cratera Carroll ainda não é oficial. Assim como ocorre com qualquer formação lunar, os nomes precisam passar por uma aprovação da União Astronômica Internacional (UAI) e isso geralmente leva algum tempo até acontecer.
Durante a missão Apollo 8, o astronauta Jim Lovell propôs que uma montanha fosse batizada com o nome de sua esposa, Marilyn, mas a UAI só aceitou o nome em 2017;
Vale notar que a localização exata da cratera ainda não foi totalmente confirmada, mas fica entre as crateras Glushko e Ohm;
Os quatro astronautas da Artemis II já iniciaram a viagem de volta à Terra após o sobrevoo da Lua;
Em dado momento, o sinal dos tripulantes sofreu um apagão durante a visita ao lado oculto da Lua, mas já era algo previsto;
A missão também bateu o recorde de humanos no ponto mais distante em relação ao nosso planeta, com mais de 406 mil km longe da Terra;
Com a volta à Lua, é a primeira vez que os humanos chegam tão perto do satélite natural após mais de 50 anos.
O próximo passo da cápsula Orion é começar a sair da influência gravitacional da Lua e serão feitas pequenas correções nos motores. Na próxima quinta-feira (09), os astronautas passarão o último dia completo no espaço, até que finalmente retornem para a Terra no dia 10, em uma aterrissagem no Oceano Pacífico.
Aliás, a Artemis II usa um sistema O2O para enviar imagens em 4K do espaço, que usa comunicação óptica para transmitir dados em alta qualidade. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
Estamos acostumados a ver drones empregados em alguns setores mais convencionais, como para capturar vídeos ou fotos do alto e monitorar a segurança de um evento, além de serem pilotados como uma atividades de lazer. Porém, existe uma função ainda pouco difundida para esses equipamentos com grande importância para a ciência.
Aos poucos, drones se transformam em alternativas para detectar radiação no ambiente, uma tarefa até então restrita para pessoas que integram equipes de investigação, pesquisa ou segurança.
Como mostra a série brasileira Emergência Radioativa, em alta na Netflix ao contar a história da tragédia envolvendo o Césio-137 em Goiânia, o contato com determinadas substâncias ou um alto índice de emissão de radiação traz consequências a curto e longo prazo para o corpo. Ou seja, a ajuda da tecnologia nesses casos é muito bem-vinda e pode até ajudar a salvar vidas que seriam prejudicadas por esse tipo de serviço.
Como funcionam os drones que detectam radiação?
Drones usados para detecção de radiação possuem basicamente o mesmo formato tradicional de outros veículos aéreos não tripulados e em miniatura. Eles são compostos de hélices e motores elétricos que permitem a movimentação, além de sensores de geolocalização e estabilização no ar, como um gimbal.
O diferencial está na presença de sensores que são acoplados ao corpo desses drones e são capazes de fazer a medição de radiação no ambiente. Eles ajudam a identificar inclusive qual é o isótopo radioativo encontrado no ambiente, o que ajuda na criação de uma estratégia de contenção.
Essa avaliação a partir de drones é realizada de forma similar ao procedimento mais convencional, que utiliza os chamados contadores Geiger‑Müller. Esses monitores são capazes de detectar radiação ionizante usando um tubo de gás.
Se há radiação no ambiente e ela passa por esse tubo, uma descarga elétrica é gerada e produz "cliques" que são contabilizados pelo sensor. É essa sinalização sonora que é exibida em um mostrador e indica a quantidade de partículas radioativas presentes.
Além deles, os drones podem usar outros sensores, como detectores cintiladores (que usam cristais que "vibram" ao conato com radiação) e espectrômetros de raios‑gama, mais voltados para a identificação dos pontos específicos que são os picos de energia.
Drones fazem o mapeamento 3D e até geram mapas de calor em tempo real com o nível de radiação em turbinas. (Imagem: Reprodução/Flyability)
Para além de substituírem o trabalho humano por motivos de segurança, esses drones fazem ainda uma segunda tarefa que dificilmente conseguiria ser realizada simultaneamente por um operador de sensores.
Ao utilizarem GPS para se movimentar e por contarem normalmente com uma câmera que faz gravações de vídeo (e pode trazer até sensores de temperatura ou que "enxergam" bem no escuro), os drones podem combinar esses dados para gerar mapas detalhados do ambiente — não só mapeando locais internos e externos, mas também trazendo a variação da radiação em cada ponto.
Possíveis aplicações no mercado
Esses equipamentos especializados podem ser utilizados em diferentes situações, tornando o processo mais seguro e, em alguns aspectos, até otimizado em relação ao trabalho feito por um ser humano. Algumas das situações em que eles são úteis incluem:
Atuação em emergências nucleares e acidentes, como vazamentos em usinas, para mapear reatores e laboratórios possivelmente contaminados com radiação e ajudar na formulação de medidas de evacuação;
Inspeção de usinas, laboratórios e locais de descarte de lixo radioativo, para averiguar a segurança desses locais em relação às emissões de material radioativo e possíveis exposições a pessoas, animais e reservas de água;
Monitoramento de ambiente, solo e água em pesquisas, fornecendo informações importantes sobre a radioatividade em áreas de mineração, zonas que já passaram por algum desastre (como as imediações de Chernobyl, por exemplo).
Os drones especializados nessa função são feitos por companhias especializadas. Marcas como Flyability e Fly4Future são algumas das referências atuais nesse setor, com o modelo Elios 3 RAD Payload sendo uma das referências em qualidade dos sensores.
Porém, a utilização desses equipamentos não deve significar a substituição completa da atuação humana. Isso porque os sensores do drone podem não ser tão versáteis e avançados quanto os equipamentos de ponta da área, em especial pelas limitações de peso e tamanho que eles podem carregar.
Além disso, a operação no ar pode gerar dados imprecisos em comparação com o nível de radiação a nível do solo. Relatórios de fiscalização e adequação legislativa, por exemplo, são atividades que exigem uma medição mais completa.
Apesar do alto nível de segurança e eficiência operacional que proporcionam, drones de detecção de radiação hoje ainda são vistos como auxiliares ou tecnologias de uso preliminar, com algumas situações ainda exigindo a atuação humana — já com a vantagem de maiores informações a respeito de eventuais riscos e uma análise do que esperar no local.
O ChatGPT agora conta com recursos visuais e interativos para facilitar o aprendizado de matemática e ciência. A novidade, anunciada pela OpenAI, permite que os usuários manipulem variáveis dentro de equações e visualizem instantaneamente como essas mudanças afetam gráficos e resultados. Disponível globalmente para todos os usuários, a ferramenta busca transformar o estudo abstrato em uma experiência experimental e prática.
Como funciona o aprendizado visual no ChatGPT
O novo recurso vai além de apenas entregar a resposta de um problema. Ao perguntar sobre um conceito – como o Teorema de Pitágoras ou a Lei de Ohm –, o chatbot apresenta um módulo visual interativo. Nele, é possível ajustar os valores das fórmulas e ver a reação imediata nos elementos visuais.
Segundo a OpenAI, o objetivo é fortalecer a compreensão conceitual em vez da simples memorização. O recurso é baseado no “Modo de Estudo” lançado no ano passado, que já guiava os alunos passo a passo na resolução de questões, evitando que a IA fizesse todo o trabalho sozinha.
Quais temas estão disponíveis e quem pode usar?
Nesta fase inicial, o ChatGPT suporta mais de 70 conceitos fundamentais, focados principalmente em estudantes de ensino médio e superior. Entre os tópicos incluídos estão:
Matemática: Geometria (área e volume), equações lineares e juros compostos;
Física: Leis de Coulomb, energia cinética e termodinâmica (PV=nRT);
Ciência Geral: decaimento exponencial e relações de frequência.
A funcionalidade já está liberada para todos os usuários logados, independentemente de possuírem uma assinatura paga ou usarem a versão gratuita. A OpenAI planeja expandir a interatividade para outras disciplinas e temas no futuro, à medida que coleta dados sobre como a IA molda o aprendizado.
Neste domingo, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Vale destacar também que, em 11 de fevereiro, foi comemorado o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. As duas datas, próximas no calendário, reforçam um debate que vai além das homenagens: como se constroem, na prática, as trajetórias de meninas e mulheres que escolhem a ciência?
Tradicionalmente, essa época do ano é marcada por balanços estatísticos que tentam traduzir a presença feminina em gráficos de barras e tabelas de produtividade. Pergunta-se, com frequência: quantas mulheres estão na graduação? Quantas chegam ao doutorado? Quantas, enfim, ocupam as cadeiras de liderança em universidades e centros de pesquisa de prestígio?
No Brasil, as mulheres já são maioria na graduação e na pós-graduação, mas sua presença diminui significativamente nos níveis mais altos da carreira acadêmica. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
Embora esses números sejam bússolas fundamentais para embasar políticas públicas e revelar desigualdades persistentes, eles são silenciosos sobre o “como” – registram a chegada ou a desistência, mas raramente explicam o percurso sinuoso e os obstáculos que não aparecem nos editais.
Como destaca Fernanda Staniscuaski, docente e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a presença feminina na ciência costuma ser tratada quase exclusivamente como uma questão de volume. A solução mais citada nos fóruns acadêmicos é ampliar o acesso e garantir a representatividade. No entanto, focar apenas na quantidade simplifica um problema que envolve estruturas muito mais profundas e subjetivas.
“Quando observamos com atenção as experiências concretas de mulheres e meninas na ciência, o que aparece não é apenas uma questão de quantidade, mas de forma”, explica Fernanda. Para ela, é preciso analisar como essas mulheres são recebidas, avaliadas e, principalmente, reconhecidas. O sentimento de pertencimento, por exemplo, é o combustível invisível que influencia a decisão de continuar ou abandonar a carreira.
Cientista é profissão “de homem”?
O acesso à ciência nunca foi um terreno plano. As desigualdades educacionais, econômicas e regionais começam a desenhar o destino das cientistas ainda na infância. Nem todas as estudantes têm o privilégio de tocar em um microscópio, visitar feiras científicas ou ter professores que alimentem sua curiosidade contra a maré das expectativas sociais. O peso do que é considerado “profissão de homem” ou “profissão de mulher” ainda atua como um filtro primário, moldando escolhas antes mesmo do primeiro vestibular.
Essa realidade é sentida de forma nítida por quem percorre o interior do Brasil. Amanda Tosi, mestre e doutora em geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do grupo “As Meteoríticas”, relata que, em suas palestras pelo país, a barreira cultural ainda é o primeiro grande muro. “As mulheres, fora das grandes cidades, ainda são educadas e direcionadas para serem donas de casa. Além disso, vi em algumas escolas adolescentes, quase que crianças ainda, levando seus filhos para as aulas. Para mim, uma realidade ainda chocante”, desabafa a geóloga.
A pesquisadora Amanda Tosi, doutora em geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em meteoritos, acredita que uma trajetória justa para mulheres na ciência só será possível quando a base mudar. Crédito: Arquivo pessoal
Ela acredita que uma trajetória justa só será possível quando a base mudar: “Enquanto mulheres tiverem essa ‘obrigação’ na sociedade, e se tiver tempo, poderem fazer uma graduação e seguir uma carreira, elas nunca terão trajetórias justas e sustentáveis”.
Mesmo para quem consegue furar essa bolha inicial, o caminho não se torna mais fácil. No Brasil, embora as mulheres já sejam maioria na graduação e na pós-graduação, essa presença sofre uma erosão severa conforme sobe a hierarquia acadêmica. É o que os especialistas chamam de “efeito tesoura”: a participação feminina diminui drasticamente nos níveis de liderança e em áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Para Lorrane Olivlet, engenheira biomédica e mestranda em medicina e saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de divulgadora científica dedicada à astronomia e ao setor espacial, existe um abismo entre o diploma e a cadeira de decisão. “Há uma diferença clara entre acesso à formação e acesso ao poder de decisão. É estatístico que muitas mulheres se formam nessas áreas, mas poucas irão ocupar um cargo de liderança ou diretoria”. Ela descreve esse fenômeno como um “filtro invisível” que ignora a alta qualificação técnica em prol de preconceitos enraizados no setor espacial e na engenharia.
Estruturas acadêmicas impõem regras invisíveis
A carreira acadêmica é uma maratona de obstáculos baseada em avaliações constantes. Publicações, projetos aprovados e metas de produtividade funcionam como peneiras sucessivas. Fernanda ressalta que as dificuldades são muitas vezes sutis, mas acumulativas. A sobrecarga de tarefas administrativas, a menor visibilidade em projetos de peso e a necessidade constante de “provar” competência geram um desgaste que os colegas homens raramente experimentam.
Lorrane Olivlet reforça o assédio que as mulheres cientistas sofrem tanto nos ambientes reais quanto virtuais. Crédito: Arquivo pessoal
Maria Elisabeth Zucolotto, mestre em geologia e doutora em engenharia de materiais pela UFRJ e uma das maiores autoridades em meteoritos no país, viveu décadas enfrentando essas regras que parecem mudar de acordo com quem joga. Ela recorda que, logo após a formação, a maternidade e as pressões domésticas a deixaram para trás em relação aos colegas que seguiram direto para o mestrado.
Mas os obstáculos eram também institucionais. “Meu orientador não quis [me contratar] porque eu ‘não precisava’, já que meu marido ganhava bem”, conta Elisabeth, revelando como a autonomia financeira feminina era vista como um acessório, e não um direito profissional.
A desvalorização intelectual é outra faceta desse jogo desigual. Ela relata um episódio emblemático de quando começou a trabalhar com uma técnica inovadora chamada Difração de Elétrons Retroespalhados (EBSD, na sigla em inglês).
Após apresentar um trabalho, Elizabeth foi desencorajada por órgãos de fomento com o argumento de que “não sabia nada do que estava sendo tratado”. Anos depois, um cientista alemão escreveu sobre o mesmo tema e foi aclamado, tornando-se a única referência citada, inclusive por brasileiros. “Não sei se isso acontece por eu ser brasileira, por eu ser mulher, ou por ambos”, reflete a pesquisadora, expondo a ferida da invisibilidade que atinge mulheres cientistas no Sul Global.
Essas barreiras de credibilidade muitas vezes surgem como ataques diretos à capacidade de conciliar a vida pessoal com a intelectual. Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON) há mais de 45 anos e atual gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP), recorda um momento tenso durante sua entrevista de mestrado. “Um dos professores me perguntou: ‘como é que você pode pensar em fazer um mestrado aqui tendo quatro filhos?’. Eu respondi que, caso achassem impossível, eu faria as matérias como ouvinte para provar que daria conta”. Josina obteve grau máximo em quase todas as disciplinas, apesar das tentativas de reprovação por parte do docente que havia posto sua capacidade em dúvida.
Rosaly Lopes, cientista sênior da NASA e vice-diretora no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), traz uma perspectiva diferente, mas que reforça a importância do suporte. Embora afirme não ter sofrido grandes obstáculos diretos por ser mulher, creditando isso à sua postura de “seguir em frente” e ao apoio de mentores homens, ela admite que a descrença alheia era a norma quando era jovem. “As barreiras eram muito maiores quando eu era menina e o pessoal não acreditava que eu ia ser uma astrônoma ou uma cientista. Talvez por teimosia, eu não prestei muita atenção nisso”, conta.
Mulheres e a eterna balança entre carreira e maternidade
Como vemos, um dos pontos de inflexão mais críticos na carreira de uma pesquisadora é a parentalidade. O modelo dominante de excelência científica valoriza a disponibilidade contínua e a produção sem hiatos. Nesse sistema, qualquer pausa é vista como perda de fôlego ou falta de comprometimento.
Maria Elizabeth Zucolotto com um grupo de estudantes em uma aula sobre meteoritos, assunto do qual ela é referência mundial. Créditos: Panmela Oliveira/Dcom/Fapemig
Estudos do movimento Parent in Science mostram que a maternidade é um ponto de inflexão importante na trajetória de pesquisadoras. Após o nascimento dos filhos, é comum ocorrer queda temporária na produtividade, o que entra em choque com um sistema que raramente ajusta prazos e expectativas.
Amanda resume o dilema: “Fazer ciência não é fácil, pois demanda tempo, dedicação, estudo constante… da mesma maneira é a maternidade. Então, fazer ciência e ser mãe presente, acredito ser um dos maiores desafios da mulher”.
Já Elisabeth sentiu o peso do tempo no currículo. Ela levou cerca de 15 anos para concluir o ciclo até o doutorado devido aos cuidados com os filhos. Quando finalmente terminou, as bolsas para recém-doutores eram voltadas para quem havia feito uma trajetória linear e rápida. “Eu não tive acesso porque as bolsas eram direcionadas a quem concluía da graduação ao doutorado em poucos anos”, explica.
Josina reforça que essa sobrecarga é física e estrutural. “O timão da família está nas mãos das mulheres. Para conseguir conciliar tudo, passei muitos anos dormindo zero ou, no máximo, duas horas por noite. Somente assim pude me dedicar ao Observatório Nacional, à carreira científica e ao mestrado e doutorado sendo mãe dedicada”, revela. Para ela, a mudança mais urgente é que os cuidados com a família sejam oficialmente levados em conta em todas as instâncias da ciência. “Naquela época, eu não podia pedir prazo para cuidar de um filho com bronquite. Não tinha chance”.
Essa “punição” pelo tempo dedicado ao cuidado mostra que a ciência, embora busque a verdade universal, ainda ignora a biologia e a dinâmica social das mulheres. Recentemente, medidas como a inclusão da licença-maternidade no currículo Lattes e a extensão de prazos em editais surgiram como avanços. No entanto, Fernanda adverte que muitas dessas ações ainda são pontuais e não alteram o cerne do que é considerado “excelência”.
A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, enfrentou dúvidas sobre sua capacidade de fazer mestrado por ter quatro filhos. Crédito: Arquivo pessoal
Ambiente digital amplia ataques contra cientistas mulheres
Para a nova geração de cientistas, os conflitos ganharam novas arenas, como o ambiente digital. Lorrane, que atua fortemente na divulgação científica, relata que o simples ato de exaltar o protagonismo feminino gera reações agressivas. “Produzi uma série de vídeos sobre ‘invenções femininas’ e recebi bastante hate e muitos comentários tentando invalidar os dados. Isso revela como ainda existe resistência quando o protagonismo feminino na ciência é evidenciado”, afirma.
Além do assédio virtual, ela aponta para a persistência de problemas graves nos corredores das universidades, como o assédio moral e sexual. “Quase todas as mulheres cientistas com quem eu já conversei tiveram problemas relacionados a assédio nas universidades”, diz a especialista, enfatizando que a segurança física e psicológica é um pré-requisito para qualquer trajetória sustentável. Ela conecta o debate de gênero na ciência a uma questão ainda mais urgente: a luta contra o feminicídio e a violência estrutural, que são a face mais cruel da desvalorização da mulher na sociedade.
Referências femininas inspiram novas gerações na ciência
A trajetória de mulheres na ciência não se faz apenas de resiliência, mas de uma persistente ocupação de territórios historicamente hostis. A presença de modelos femininos atua como um corretor de rota, permitindo que novas pesquisadoras projetem suas carreiras em horizontes que a cultura e a estrutura acadêmica, por vezes, tentam interditar. Para as entrevistadas, as vozes que as antecederam não são apenas nomes em livros, mas faróis que validam suas próprias ambições.
Na visão de Elisabeth, o pilar de sustentação é Marie Curie, que desafiou a proibição do ensino superior para mulheres na Polônia e acabou por revolucionar a física e a química modernas. A “meteorítica” vê na polonesa a personificação da resiliência acadêmica: “O que faz dela um exemplo tão forte é a combinação de impacto científico e barreiras sociais. Ela não só venceu: ajudou a mudar as regras do jogo para mulheres na ciência”.
Para Rosaly, o divisor de águas foi o impacto visual da representatividade. Ao deparar-se com um registro de Frances “Poppy” Northcutt, a única mulher a atuar na sala de controle da missão Apollo, ela entendeu que aquele ambiente, até então estritamente masculino, também era um lugar possível para si. “Aquilo me inspirou muito. Eu pensei: se ela conseguiu, eu também vou conseguir”, recorda, evidenciando como a imagem de uma pioneira em um centro de comando foi o estopim para sua própria carreira sênior na NASA.
Essa influência atravessa gerações e se manifesta até nas decisões mais íntimas. Amanda encontrou em Valentina Tereshkova, a primeira mulher a orbitar a Terra em voo solo, a coragem necessária para desbravar a geologia e o estudo de meteoritos. A admiração pela cosmonauta foi tamanha que ela batizou a própria filha em sua homenagem, vendo na russa um símbolo de capacidade técnica e ousadia: “Ela é a prova de que todas as mulheres podem ser o que elas desejarem, inclusive astronautas”.
Ao ver a foto da única mulher na sala de controle das missões Apollo, Rosaly Lopes percebeu que aquele espaço também poderia ser seu – inspiração que ajudou a impulsionar sua trajetória até se tornar cientista sênior da NASA. Crédito: Arquivo Pessoal
O reconhecimento também se volta para quem abre portas no presente. Josina destaca o trabalho de Patricia Spinelli, pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), que conduz o Programa Meninas da instituição. “Ela tem feito muito pela ciência e pela popularização da ciência com resultados maravilhosos”.
Lorrane também busca inspiração em rostos conhecidos no dia a dia da pesquisa. Ela credita sua trajetória ao suporte de mulheres como Paola Barros Delben, uma das primeiras cientistas antárticas que conheceu, e Alessandra Abe Pacini, que validou seus primeiros passos na divulgação científica. “Foi uma das primeiras que acreditou no meu trabalho e me mostrou possibilidades na área”.
Rompendo barreiras e fazendo a ciência acontecer
Barreiras históricas, culturais e institucionais ainda ditam os rumos que as mulheres percorrem, exigindo resiliência e estratégias de suporte contínuo. A maternidade, o assédio estrutural e a invisibilidade profissional não são apenas obstáculos individuais, mas reflexos de um sistema que ainda precisa se adaptar para reconhecer talentos independentemente de gênero. Ao analisar essas estruturas, fica evidente que políticas públicas e iniciativas institucionais devem ir além de números e metas: é necessário revolucionar a forma como a ciência recebe, avalia e valoriza quem a ela se dedica.
Ao mesmo tempo, as histórias de Amanda, Elisabeth, Josina, Lorrane e Rosaly mostram que inspiração, redes de apoio e modelos de referência podem fazer toda a diferença. Cada exemplo de superação evidencia que é possível conquistar espaços historicamente hostis e construir trajetórias sólidas e significativas.
Mais do que apenas reconhecer o passado, celebrar essas conquistas é abrir portas para que novas gerações de meninas e mulheres se sintam confiantes para sonhar alto, dedicar-se à pesquisa e transformar a ciência. Quando todos – e todas – têm espaço para criar, descobrir e liderar, o conhecimento avança de verdade. Cada mulher que segue em frente inspira e fortalece outras ao seu redor, mostrando que a mudança já está acontecendo e que o futuro da ciência será mais justo e plural.
A startup Buzz Solutions, da StartX, de Stanford (Califórnia), acaba de lançar sua solução de IA para ajudar as companhias elétricas a detectar, de maneira mais rápida, linhas de energia e falhas na rede elétrica para que os reparos possam ser feitos antes do início dos incêndios.
A plataforma exclusiva utiliza inteligência artificial e tecnologia de visão mecânica para analisar milhões de imagens de linhas de alta tensão e torres de drones, helicópteros e aeronaves para encontrar falhas perigosas, além de vegetação exagerada, dentro e ao redor da infraestrutura da rede para ajudar as concessionárias a identificar áreas problemáticas e repará-las antes que um incêndio comece.
LEIA MAIS: Forbes promove primeiro webinar sobre Saúde Mental nas empresas. Participe
O sistema pode fazer a análise pela metade do custo e a um tempo menor em comparação aos humanos, em um período de horas a dias, não meses a anos.
O Departamento de Silvicultura e Proteção contra Incêndios da Califórnia determinou que as linhas de transmissão da PG&E foram as culpadas pelo enorme incêndio de Kincade em Sonoma, na Califórnia, no ano passado. Problemas de linhas de alta tensão e equipamentos vêm sendo a causa dos incêndios florestais mais recentes, e a temporada de incêndios florestais começou novamente. Detectar falhas nos equipamentos da rede elétrica de maneira rápida, à medida que o clima fica mais quente e com mais ventos, pode ajudar as companhias a salvar vidas e economizar bilhões de dólares.
A Buzz Solutions já possui pilotos sendo treinados nas principais empresas de serviços públicos do país.
Atualmente, as empresas de energia revisam o status das linhas de energia todos os anos, colaborando com outras organizações para capturar milhões de imagens de linhas de energia, torres e vegetação circundante com o auxílio de drones, helicópteros e aeronaves.
O processamento das imagens leva de seis a oito meses e envolve técnicos e engenheiros que mapeiam manualmente todos os dados juntos, procurando por culpados e falhas, sinalizando-os para uma inspeção pessoal.
No entanto, durante o processo, as linhas podem ser interrompidas, causando incêndios florestais e forçando o desligamento ou causando impactos maiores.
CONFIRA: Forbes elege as empresas mais promissoras em inteligência artificial
Por outro lado, a IA da Buzz Solutions e a tecnologia de visão mecânica revisam as imagens de inspeção capturadas por tais ferramentas variadas que são armazenadas na nuvem. A IA analisa as imagens através de seus algoritmos proprietários para detectar falhas em todos os principais componentes das linhas de transmissão e distribuição.
O algoritmo também procura áreas onde a vegetação pode estar invadindo o equipamento e apresentando risco de incêndio. Essa análise é feita em horas ou dias, pela metade do custo do processo tradicional. As companhias podem tomar medidas para avaliar as imagens sinalizadas e reparar ou substituir o equipamento antes que causem incêndio.
“É definitivamente hora de avançar usando a IA para reduzir a ameaça de incêndio. Acreditamos que a indústria de serviços elétricos está pronta para utilizar uma abordagem melhor para manter seus equipamentos em boas condições de funcionamento e pessoas e propriedades seguras”, disse Kaitlyn Albertoli, cofundadora e CEO da Buzz Solutions.
A Buzz Solutions também fornece modelos e análise preventivas a partir de dados históricos, dados de ativos e falhas e dados meteorológicos para determinar com antecedência onde falhas e áreas de alto risco provavelmente ocorrerão no futuro.
“Nossa visão é usar tecnologia inovadora para proteger nossa infraestrutura elétrica e meio ambiente hoje e ajudar a prever onde os problemas surgirão no futuro. Isso é ainda mais importante uma vez que somos seriamente afetados pelas mudanças climáticas”, acrescentou Vikhyat Chaudhry, cofundador e CTO, COO da Buzz Solutions.
De acordo com autoridades da região, o verdadeiro custo dos incêndios florestais nos Estados Unidos é mais complicado e envolve mais dinheiro do que se poderia pensar. Existem custos diretos de combate ao fogo e perdas diretas a partir do fogo, fumaça e água, além de custos de reabilitação, custos indiretos e alguns custos adicionais incomuns.
VEJA TAMBÉM: Insitro arrecada US$ 143 milhões para unir biologia e inteligência artificial
Os custos com incêndios são quantificados com mais facilidade quando há impactos imediatos e diretos. A categoria inclui gastos federais, estaduais e locais. Esses custos, por sua vez, podem ser divididos em gastos com aviação, motores, equipes de combate a incêndios e agentes pessoais.
Além dos gastos de eliminação do incêndio, outras despesas diretas incluem perdas de propriedades privadas (seguradas e não seguradas), danos às linhas de serviços elétricos, danos às instalações de lazer, perda de recursos da madeira e ajuda aos moradores que tiveram que deixar a área. A maioria desses custos acontecem durante ou imediatamente após o incêndio.
Os custos imediatos de reabilitação de emergência são realizados nos dias, semanas e meses após o incêndio e são claramente relacionados ao próprio incêndio.
Os gastos de reabilitação a longo prazo são mais difíceis de quantificar. As bacias hidrográficas danificadas podem levar muitos anos para se recuperar e exigir atividades de restauração significativas. Inundações após o incêndio podem causar danos adicionais à paisagem já prejudicada, e os impactos subsequentes podem incluir um aumento de espécies invasoras e forte erosão do solo.
Os custos indiretos de incêndios florestais incluem taxas tributárias perdidas, como impostos sobre vendas e municípios, além de impostos comerciais e perdas de propriedades que se acumulam ao longo do tempo. Por exemplo, propriedades que escapam aos danos causados pelo fogo ainda podem sofrer desvalorização à medida que a área se recupera. Tais custos indiretos, às vezes, são rotulados como custos de impacto.
Gastos adicionais, às vezes chamados de custos especiais, abrangem discussões como o valor de uma vida humana. Enquanto a EPA coloca o valor de uma vida humana em US$ 7 milhões, o setor de saúde paga uma média de US$ 316 mil ao longo de uma vida média, considerado por eles como um valor médio de uma vida humana na América.
VEJA: Por que o programa de inteligência artificial GPT-3 é incrível, mas superestimado
A perda de vidas humanas, problemas contínuos de saúde para jovens e idosos com sistemas respiratório ou imunológico fracos e cuidados de saúde mental se enquadram nessa categoria, mas raramente são quantificados. A extensa perda de beleza estética e cênica, a existência da vida da natureza e outras também são difíceis de quantificar.
A síntese de estudos de caso revela uma quantidade de custos totais de incêndios florestais entre 2 e 30 vezes maiores que os custos de supressão relatados.
Portanto, o enorme incêndio Kincade, que queimou 78 mil acres e causou a evacuação de 200 mil pessoas, custou US$ 725 milhões, provavelmente custará muitos bilhões de dólares quando tudo tiver realmente acabado.
Essa é uma área em que a tecnologia realmente faz a diferença, e a nova solução de IA é uma parte importante disso.
Será inaugurado hoje (26), na Unesp, o Instituto Avançado para Inteligência Artificial (AI2). O centro, sem sede própria, lançado por alguns dos pesquisadores das principais universidades do país, visa expandir os interesses entre a academia e o setor privado para pesquisa de impacto sobre o assunto. O workshop, que será realizado no Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp, no câmpus da Barra Funda, em São Paulo, reunirá pesquisadores que atuam em inteligência artificial, e abrirá espaço para que potenciais parceiros do setor empresarial possam apresentar oportunidades de colaboração com o grupo.
LEIA MAIS: Trump ordena promoção de inteligência artificial
Segundo o instituto, a ideia é providenciar uma estrutura organizacional eficiente, porém simples, para dar autonomia aos pesquisadores na relação com as empresas. A iniciativa privada terá o AI2 como ponto de referência para especialistas em inteligência artificial, aprendizado de máquina e big data, entre outras coisas.
O objetivo é estimular e facilitar o desenvolvimento de projetos inovadores que utilizam os avanços da tecnologia digital para promover ações de impacto socioeconômico. As produções deverão atender tanto o interesse privado quanto do meio acadêmico, procurando beneficiar a sociedade e influenciar a criação de políticas públicas para o desenvolvimento da área.
A rede de espaços de coworking do instituto é conectada por um sistema de videoconferência para proporcionar a interação entre os pesquisadores e os desenvolvedores atuantes nas diferentes áreas.
O AI2 não tem fins lucrativos e promete prezar pela transparência, inclusão e transversalidade de suas ações.
Siga FORBES Brasil nas redes sociais:
Forbes no Facebook: http://fb.com/forbesbrasil
Forbes no Twitter: http://twitter.com/forbesbr
Forbes no Instagram: http://instagram.com/forbesbr
A desigualdade de gênero, de raça e de etnia no segmento da tecnologia impacta não só a cultura, como também os lucros das empresas. Em 2017, a McKinsey descobriu que as 25 melhores empresas em diversidade de gênero nas equipes executivas possuíam 21% mais probabilidade de obter lucros acima da média.
LEIA MAIS: Melhores empregadores para diversidade na América
Contudo, apenas 26% das mulheres que possuem formação nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia ou matemática acabam trabalhando no mercado após a graduação, diferente dos homens, que representam 40%, segundo reportagem da revista norte-americana “Wiired”. As mulheres contratadas para trabalhar na área também acabam saindo dela mais cedo do que os homens. Com isso, foi descoberto que apenas 53% das mulheres do ramo tecnológico acreditam ter o mesmo acesso a cargos de liderança que os homens, e 46% dizem receber menos que seus pares do sexo masculino.
Conversei com Lori Wright, gerente geral da Microsoft Teams e Skype, a fim de conhecer sua carreira e obter alguns conselhos sobre a questão de gênero no mundo da tecnologia. Leia, a seguir, os melhores momentos a entrevista:
FORBES: Como a sua carreira na Microsoft se consolidou?Lori Wright: Entrei na Microsoft depois de 20 anos trabalhando na indústria da tecnologia. Durante essas duas décadas, tive vários cargos, abrangendo praticamente todas as áreas, do marketing a vendas. Comecei na Microsoft depois de ter sido diretora de marketing de uma startup em crescimento.
FORBES: Quais são suas responsabilidades como gerente geral da Microsoft?LW: Sou responsável pelo lado comercial dos aplicativos de colaboração do Office 365. Isso inclui produtos muito famosos, como o Outlook e o SharePoint, e algumas tecnologias mais recentes, como o Microsoft Teams and Stream. Além disso, a minha função também exige que eu lidere as equipes de marketing dos produtos.
FORBES: Como você acha que podemos incentivar mais mulheres a trabalhar com tecnologia e obter cargos mais altos?LW: Acredito que as mulheres só vão trabalhar e permanecer na área de tecnologia quando se sentirem bem-vindas e tiverem mais voz. Elas precisam enxergar a tecnologia como um lugar de pertencimento. E a tecnologia precisa trabalhar duro para ajudar as mulheres a fazer parte do mercado, caso contrário, as empresas começarão a oferecer produtos que representam apenas metade da população, a masculina.
Meu conselho para que as mulheres cheguem aos cargos de liderança é encontrar um defensor ferrenho dentro da empresa, assim como um fora dela. Estes podem ser trabalhos exigentes, que fazem com que a mulher precise de uma “defesa extra” para que prospere. Ter pessoas que a defendam internamente e a coloquem para cima nos dias ruis é muito importante.
FORBES: Quais são as características mais importantes para obter sucesso em sua função?LW: A empatia para com o cliente e o trabalho em equipe são as duas primeiras coisas que me vêm à mente. Empatia porque você deve ser capaz de entender as necessidades e desejos de seus clientes, a fim de fornecer os produtos certos e garantir a satisfação.
Trabalho em equipe já que a companhia para a qual atuo é gigante. Para que eu seja bem-sucedida no meu papel é preciso trabalhar com milhares de pessoas, de maneira que possa cumprir minhas principais responsabilidades. Mas, trabalhando bem, ganho elogios de milhares de pessoas que querem obter os mesmos objetivos que eu.
SAIBA TAMBÉM: Executiva da Sanofi no Canadá combina ciência e diversidadeFORBES: Como foi e qual é a maior lição que você aprendeu no trabalho?LW: Resiliência. No começo da carreira, eu ficava brava quando alguém não concordava com uma ideia minha, ou se as coisas não saíssem sempre do meu jeito. Depois de um tempo, aprendi que o negócio, às vezes, pode ser confuso, e que é importante ficar confortável com a bagunça na qual as coisas acontecem. Nem tudo ocorre da forma que esperamos, e as pessoas nem sempre concordam conosco. O que importa é a maneira como você lida com os contratempos. No meu caso, o sono e as perspectivas ajudaram bastante.
FORBES: O que você queria de ter conhecimento no começo da sua carreira?LW: Eu gostaria de ter conhecido meu valor e de ter tido mais confiança em mim mesma. Tenho a sorte de ter pessoas que reconhecem o meu valor mesmo quando estou para baixo. Elas me dão uma força quando me encontro fora da minha zona de conforto. É por isso que encorajo as pessoas a encontrarem a "líder de torcida" de seus respectivos trabalhos, alguém que consiga apoiar e ajude nos momentos mais inesperados.
FORBES: Qual é o melhor conselho que você já recebeu?LW: Seja você mesmo, sempre - isso significa saber o que é importante para você e aprender a priorizar essas coisas.
FORBES: Poderia dar um conselho para outras jovens profissionais?LW: Sonhe alto. Gaste seu tempo com sabedoria. Conheça o máximo de pessoas possível: uma rede forte pode abrir portas que você nem sabe que existem. Construa uma vida que você ama e seja uma pessoa de quem se orgulha, mas não se esqueça de ajudar os demais durante a sua jornada.