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Agenda: Payroll dos EUA, PIB da zona do euro e feriado no Brasil mexem com a semana

31 de Maio de 2026, 12:00

A semana começa com foco em indicadores de atividade, especialmente industriais. Na segunda-feira (1), a divulgação de diversos PMIs ao redor do mundo, incluindo zona do euro, Reino Unido, Brasil e Estados Unidos, ajuda a medir o ritmo da economia global, além de dados como desemprego na Europa e o Relatório Focus no Brasil.

Na terça (2) e quarta-feira (3), a agenda ganha mais força com números de inflação, emprego e serviços. Destaque para o CPI da zona do euro, o Jolts nos EUA e, no dia seguinte, os PMIs de serviços, a produção industrial brasileira e o Livro Bege do Federal Reserve, que oferece um panorama da economia americana.

Na quinta-feira (4), a agenda é mais leve por conta do feriado no Brasil, com poucos indicadores no exterior. Já na sexta-feira (5), os destaques são o PIB da zona do euro e o payroll dos Estados Unidos, além da produção de veículos no Brasil, encerrando a semana com dados relevantes para o mercado.

Confira a agenda de indicadores da semana de 01 a 05 de junho de 2026

Brasil

Segunda-feira (01/06)
8h25 – Relatório Focus
10h – PMI industrial

Terça-feira (02/06)
06h – IPC-Fipe

Quarta-feira (03/06)
9h – Produção industrial
10h – PMI Composto e de Serviços
15h – Balança comercial

Quinta-feira (04/06)
Feriado

Sexta-feira (05/06)
11h – Produção de veículos

Estados Unidos

Segunda-feira (01/06)
10h45 – PMI industrial

Terça-feira (02/06)
11h – Jolts

Quarta-feira (03/06)
9h15 – ADP
10h45 – PMI Composto e de Serviços
15h – Livro Bege

Quinta-feira (04/06)
9h30 – Pedidos semanais de seguro-desemprego

Sexta-feira (05/06)
9h30 – Payroll

Reino Unido

Segunda-feira (01/06)
5h30 – PMI Industrial

Quarta-feira (03/06)
05h30 – PMI Composto e de Serviços

União Europeia

Segunda-feira (01/06)
05h – PMI Industrial
06h – Taxa de desemprego

Terça-feira (02/06)
06h – CPI

Quarta-feira (03/06)
05h – PMI Composto e de Serviços
06h – PPI

Quinta-feira (04/06)
6h – Vendas no varejo

Sexta-feira (05/06)
06h – PIB

China

Terça-feira (02/06)
22h45 – PMI do setor de serviços

Japão

Terça-feira (02/06)
21h30 – PMI do setor de serviços

Stellantis se volta para marcas com foco regional para atrair consumidor ante avanço chinês

21 de Maio de 2026, 08:50

Formada a partir da fusão da Fiat Chrysler com o PSA Group, a Stellantis nasceu como um dos maiores grupos automotivos do mundo em janeiro de 2021 e a ambição de promover um portfólio com 14 marcas, como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler e Opel, em um momento de transformação da indústria, rumo a então novas tecnologias como a eletrificação e a direção autônoma.

Pouco mais de cinco anos depois, o cenário é muito distinto. Carros elétricos ainda ganham relevância, mas a sua adoção perdeu o ímpeto de outrora, especialmente diante da retirada de incentivos em diferentes mercados desenvolvidos e dos efeitos da guerra comercial de Donald Trump.

O mundo de juros perto de zero cedeu espaço para uma era de volta da inflação e de taxas mais altas, o que se traduz em aumento do custo de capital e de fornecedores e desafio à demanda de consumidores. E, de forma impactante para o setor, o avanço de empresas chinesas – notadamente a BYD mas não só ela – alterou o cenário competitivo da indústria global.

Nessa nova configuração de mercado de um dos setores mais tradicionais da economia e de encruzilhada de marcas tradicionais, a Stellantis decidiu adotar um novo plano estratégico para os próximos cinco anos para tentar retomar o apelo junto ao consumidor, que hoje conta com muitas mais alternativas do que no começo da década, ao mesmo tempo em que fortalece a rentabilidade e acelera o crescimento.

Os pilares passam por uma nova estratégia de marcas e de produtos que inclui foco regional, investimentos que devem superar € 60 bilhões – US$ 70 bilhões – em novas plataformas de veículos, motores e tecnologias que incluem IA (inteligência artificial) e parcerias com outras companhias, como as chinesas Leapmotor e Dongfeng, além da Tata e da JLR (Jaguar Land Rover).

Serão mais de 60 novos modelos e 50 atualizações, a maior parte em elétricos puros e híbridos: alguns spoilers foram dados (ou confirmados) no evento, como o novo Argo, da Fiat (nome para o Grande Panda vendido na Europa) e o Peugeot 3008 híbrido no Brasil; a volta da picape Dodge Dakota nos Estados Unidos; novos modelos da Cherokee e da Grand Cherokee, da Jeep; e um novo E-208 da Peugeot, além de lançamentos na divisão de veículos comerciais para entregas.

O equivalente a 60% do total será destinado a marcas e desenvolvimento de novos modelos, enquanto os demais 40% terão como alvo plataformas globais, tecnologias e usos comuns.

O plano foi apresentado nesta manhã de quinta-feira (21) no Investor Day realizado em sua sede em Auburn Hills, próximo a Detroit, berço da indústria automotiva americana, sob a liderança do CEO global, Antonio Filosa.

O executivo italiano, que completa um ano à frente da Stellantis em junho, sucedeu justamente um dos arquitetos da formação da holding, o português Carlos Tavares, que deixou o cargo no fim de 2024 diante da piora dos resultados operacionais e financeiros – e do esgotamento de seu receituário que priorizava a eficiência da operação em detrimento da estratégia ao consumidor.

Trata-se justamente da mudança mais evidente de abordagem explicitada no novo plano.

O desafio passa por reconquistar a confiança de investidores: desde o pico em março de 2024, as ações negociadas na Euronext Paris e na NYSE (Bolsa de Nova York) perderam cerca de 70% do valor, o que derrubou o market cap do grupo para pouco mais de US$ 21 bilhões.

Filosa, por sua vez, chegou credenciado em parte justamente pelo seu trabalho à frente da América do Sul, inicialmente na Fiat Chrysler e, depois, na Stellantis, entre 2018 e 2023, período em que alçou a Fiat à liderança no Brasil, o maior mercado dessa região. Depois ele comandou a Jeep globalmente e a operação na América do Norte.

O CEO global da Stellantis, o italiano Antonio Filosa, no Investor Day em Auburn Hills em 21 de maio de 2026: ele comandou a operação na América do Sul entre 2021 e 2023 (Foto: Divulgação)
O CEO global da Stellantis, o italiano Antonio Filosa, no Investor Day nesta quinta (21) (Foto: Divulgação)

A apresentação do plano denominado FaSTLAne 2030, em alusão ao ticker da Stellantis na NYSE, acontece no primeiro encontro dedicado a investidores e analistas em dois anos.

Depois de operarem em queda de até 6% na abertura, as ações passaram a subir no meio da tarde (15h30 de Nova York), com queda perto de 30% tanto no acumulado de 2026 como em 12 meses.

Stellantis: marcas multirregionais

“Passamos do foco global para multirregional”, disse o presidente do conselho, John Elkann, no começo da apresentação do Investor Day a uma plateia tomada de investidores, analistas de bancos e jornalistas, em referência a um dos principais pilares do novo plano.

Quatro marcas globais – Jeep, Ram, Peugeot e Fiat, além da divisão de veículos comerciais Pro One – vão receber 70% dos investimentos destinados a produtos nos próximos cinco anos, diante do que o grupo identifica como maior potencial.

Outras cinco marcas regionais foram destacadas no plano estratégico: Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo.

E a Maserati será explorada como marca de alto luxo, com o lançamento de dois novos modelos no segmento de elétricos, acompanhando uma das tendências do segmento.

Na América do Norte, que hoje responde por cerca de 40% das receitas da Stellantis, o lançamento de novos modelos deve estender a cobertura de mercado dos atuais 60% para 90%, o que vai se traduzir em dispor de ofertas que alcancem quase a totalidade dos consumidores.

Na América do Sul, a meta passa por manter a liderança no principal mercado, o Brasil, e também na Argentina, com uma estratégia corrente que passa pela “localização” de modelos, parcerias com a chinesa Leapmotor e novos lançamentos da Fiat, da Jeep, da Ram e da Peugeot, segundo o presidente e COO (Chief Operating Officer) para a região, Herlander Zola.

Outra meta para a região é crescer 10% em receitas até 2030 e chegar a 8% a 10% de margem do resultado operacional ajustado no mesmo período.

Novos modelos de marcas como Opel, Jeep, Fiat, Chrysler e Peugeot, com diferentes focos regionais e de perfil de consumidor: portfólio da Stellantis (Foto: Divulgação)
Novos modelos de marcas como Opel, Jeep, Fiat, Chrysler e Peugeot: diferentes focos de público

“Tudo começa com produto […] nós movemos as pessoas com marcas e produtos que elas amam”, disse Filosa no evento ao destacar, a exemplo do chairman, um dos novos focos da Stellantis. Outros executivos ecoaram a mesma ênfase de priorização em produto e estratégia regional.

O foco em produto e na gestão de portfólio não atendeu, por outro lado, a expectativa de uma ala de analistas e investidores que esperavam uma redução no número de marcas da Stellantis, algo visto como um dos seus principais desafios para melhorar a eficiência de sua operação – e que o grupo apontou que espera resolver por meio de sinergias (veja mais abaixo).

China: concorrente e aliado

Não que o resultado operacional e financeiro e a alocação de capital fiquem em segundo plano, segundo o CEO global, que também destacou na apresentação a melhora das métricas ao longo do último ano: o lucro líquido ficou em € 390 milhões no primeiro trimestre, revertendo uma perda de € 371 milhões um ano antes.

O lucro operacional foi de € 688 milhões, depois de uma perda de € 316 milhões no mesmo período de 2025.

O novo plano inclui metas financeiras como alcançar fluxo de caixa positivo até 2027 e cortes de custos da ordem de € 6 bilhões ao ano (US$ 7 bilhões) até 2028.

Nesse sentido, a estratégia passa por novas plataformas globais de veículos desenhadas para tecnologias de eletrificação e de uso de IA e que sejam “escaláveis” para diferentes mercados e que, segundo se espera, vão permitir a redução dos custos de desenvolvimento: no caso da STLA One, nome de uma das plataformas, a queda é estimada em 20% versus o que é hoje adotado na Europa.

A frente de ganho de eficiência é considerada fundamental para a competitividade dos modelos da Stellantis – e de montadoras europeias, americanas e japonesas e coreanas em geral – diante de marcas chinesas, que ganham com apelo crescente em preços e também em tecnologia e design.

Outro pilar destacado inclui as citadas parcerias com as chinesas Leapmotor e Dongfeng em regiões como a Europa (para adaptação e produção) e a China: os objetivos passam por desenvolvimento de tecnologias – incluindo de eletrificação – e modelos complementares a determinados mercados, por meio de joint ventures em que a holding detém o controle com 51% do capital.

Segundo a Bloomberg, a parceria em tecnologias para carros elétricos será a mais profunda já adotada por uma montadora europeia com uma chinesa já acertada.

Outras parcerias incluem a Tata, para o mercado indiano, e a Jaguar Land Rover.

— Em atualização.

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Braskem sobe na bolsa com ampliação de programa de subsídios e expectativa por acordo com IG4

19 de Novembro de 2025, 16:31

A possibilidade de resolução da novela envolvendo o futuro da Braskem movimentou o mercado de ações nesta quarta-feira (19). A companhia chegou a liderar as altas do dia no Ibovespa, saltando mais de 9% em sua máxima no intradia, mas devolveu os ganhos e sobe apenas 0,87% às 16h14. Duas notícias puxaram os papéis: a aprovação de um novo programa de incentivos para o setor químico e as notícias sobre o avanço nas negociações para a troca de controle da empresa.

Em relação ao comando da Braskem, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, informou que a gestora IG4 está próxima de firmar um acordo com os bancos credores da Novonor (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES) para assumir as ações da ex-Odebrecht na Braskem. A Novonor detém 50,1% das ações com direito a voto da Braskem e 38,3% do capital total da companhia.

O InvestNews confirmou a informação e apurou que ainda faltam detalhes jurídicos para a assinatura, o que poderá levar mais alguns dias, devendo ocorrer mais para o fim da próxima semana. Com a troca de controlador, uma nova diretoria deverá assumir a empresa petroquímica, conforme mostrado no fim de setembro.

A IG4, do gestor Paulo Mattos, firmou em agosto um acordo de exclusividade de 90 dias com os bancos credores da Novonor que possuem as ações da Braskem em garantia. O acordo vence nos próximos dias, o que explica a maior expectativa do investidor por uma resolução da história, mas as negociações seguirão mesmo sem a exclusividade.

A antiga Odebrecht contratou empréstimos e utilizou os papéis como alternativa de pagamento, caso não conseguisse honrar os compromissos. O valor da dívida da Novonor com os bancos gira em torno dos R$ 19 bilhões.

O InvestNews apurou que a Petrobras, sócia da Novonor no ativo, observa o desenrolar da negociação, mas ainda não recebeu comunicados contundentes por parte da gestora. A petroleira aguarda o desfecho da transação com o IG4 para definir possíveis aportes na Braskem. É possível que o tema seja colocado na pauta da próxima assembleia do comitê de investimentos, marcada para 26 de novembro.

A definição do cenário é crucial para se decidir sobre as formas de reestruturação de capital na Braskem, que poderá incluir reestruturação de ações e dívidas, e a participação da Petrobras nesse processo.

Algo que joga a favor da petroquímica é o acordo firmado com o governo de Alagoas para o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros da capital alagoana, Maceió; um desastre causado pela extração de sal-gema pela petroquímica. O valor será pago ao longo de 10 anos.

Questionado sobre a possibilidade de desfecho do imbróglio na última teleconferência com analistas, o CEO da companhia, Roberto Ramos, reforçou que a empresa continua em “compasso de espera”. “Não somos nem atores coadjuvantes, nós somos espectadores. Talvez espectadores de primeira fila, mas apenas espectadores”, reiterou.

Além disso, a empresa foi beneficiada indiretamente pela aprovação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), novo programa de incentivo ao setor que substituirá o Regime Especial da Indústria Química (REIQ), no Senado.

Incentivos fiscais

A companhia aguardava a aprovação de um projeto de lei que expandiria o programa REIQ. Intitulado PRESIQ, o programa cria um novo regime para o período de 2027 a 2029, com possibilidade de créditos industriais de até 5% do valor de aquisição de matérias-primas (limitados a R$ 3 bilhões), dos quais 10% devem ser reinvestidos em P&D.

O projeto é visto por analistas do mercado como uma “salvação” para o caixa da Braskem, já que daria fôlego para que a companhia termine seus investimentos, sobretudo na ampliação de seu complexo industrial em construção no Rio de Janeiro.

Com a aprovação do projeto no Senado na última terça-feira (18), a XP Inc. estima um aumento de cerca de US$ 25 milhões no Ebitda da companhia em 2025 e de até 380 milhões para 2026 (entre +55-70%
em relação ao EBITDA da Braskem nos últimos 12 meses) com a extensão do REIQ. Entre 2027 a 2029, o impacto positivo esperado é de até US$ 280 milhões por ano. O projeto de lei agora segue para sanção presidencial.

Os incentivos propostos no projeto de lei podem ser divididos em duas partes. Em primeiro lugar, há a expansão do programa REIQ, que oferece um crédito fiscal de cerca de 0,73% sobre compras de nafta e outras matérias-primas.

De acordo com o novo projeto de lei, esse benefício aumentaria para 5,50% entre novembro e dezembro de 2025 e para 6,25% em 2026. Em relação ao Presiq, cria-se um novo regime para o período entre 2027 e 2029, no qual o governo concederia créditos fiscais até um limite máximo de R$ 3 bilhões por ano.

“Se o projeto de lei for aprovado, representará um alívio substancial para a Braskem, podendo interromper a queima recorrente de caixa da empresa em meio ao ciclo de baixa nos spreads petroquímicos globais”, afirmou a XP, em documento aos clientes assinado pelo analista Regis Carvalho. “Do limite máximo [do PRESIQ] de R$ 3 bilhões para todo o setor para 2027 a 2029, estimamos que aproximadamente R$ 1,5 bilhão (cerca de US$ 280 milhões) seria destinado à Braskem.”

O projeto de lei agora segue para sanção presidencial. O presidente tem 15 dias úteis para aprovar ou vetar a proposta, no todo ou em partes. Uma vez sancionado e publicado, o projeto de lei entrará em vigor imediatamente.

Além disso, a companhia também tem atuado junto à indústria no processo antidumping para o polietileno importado dos EUA e do Canadá. Nas contas da XP Inc, se aprovado, a medida poderia adicionar cerca de US$ 100 milhões em Ebitda para a Braskem.

Diante da queda da demanda global, a companhia defende a aplicação da medida protetiva para importação do polietileno para consumo interno e uma manutenção da alíquota de imposto de importação de 20% no Brasil para resinas de polietileno, polipropileno e PVC.

Montadoras no Brasil podem parar produção se crise externa em oferta de chips persistir, diz secretário de Alckmin

28 de Outubro de 2025, 19:04

O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Uallace Moreira afirmou nesta terça-feira (28) que algumas montadoras de automóveis no país podem paralisar suas produções dentro de duas a três semanas se uma crise internacional na oferta de chips persistir.

“Se não houver uma solução nesse espaço de tempo curto, em duas ou três semanas, pode haver um processo de paralisação de algumas montadoras, disse o secretário.

O secretário e o presidente em exercício, e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, se reuniram mais cedo com o presidente da associação de montadoras, Anfavea, Igor Calvet.

A crise de oferta foi provocada por uma disputa entre a Holanda e China sobre o controle da fabricante de microprocessadores Nexperia.

Moreira não identificou quais montadoras instaladas no Brasil podem ser as primeiras a serem afetadas por problemas na oferta de chips. A Anfavea já havia manifestado preocupação com a situação na semana passada, quando citou riscos gerados por uma escassez de chips semelhante à ocorrida na época da pandemia.

“O pedido do setor produtivo é uma tentativa de diálogo por parte do governo brasileiro com o governo chinês para deixar bem claro que o Brasil está fora desse conflito de natureza geopolítica e que, portanto, o Brasil não pode e não deve participar ou sofrer as consequências desse embargo”, disse o secretário.

Moreira disse também que Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro na China e também com o embaixador chinês no Brasil para que ele dê início de negociações entre os países. Segundo ele, o representante chinês se comprometeu a falar com autoridades chinesas enquanto o embaixador brasileiro deve fazer a interlocução entre as embaixadas e a Nexperia.

Moreira destacou ainda que, pela forma como os setores de semicondutores operam e o espaço que a Nexperia ocupa no mercado, cerca de 40%, não é possível mudar o fornecimento das peças para outro fornecedor.

Pequim anunciou as restrições depois que o governo holandês assumiu o controle da Nexperia devido a questões de propriedade intelectual relacionadas à controladora chinesa Wingtech, que foi colocada em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos no ano passado, sinalizando-a como um possível risco à segurança nacional norte-americana.

A Nexperia fabrica chips que não são considerados sofisticados, mas são necessários em grandes volumes e amplamente utilizados nas indústrias automotiva e de eletrônicos de consumo. A maioria dos chips da empresa é produzida na Europa e finalizada na China e não está claro quanto tempo os estoques vão durar.

Segundo a Anfavea, um veículo moderno usa, em média, de 1.000 a 3.000 chips.

Fontes do setor afirmaram à Reuters na semana passada que a troca de fornecedores é possível, com a Infineon, NXP e Texas Instruments sendo citadas como possíveis alternativas, mas isso demanda tempo devido aos processos de aprovação necessários pelas montadoras.

Lucro da Tesla cai após elevação dos custos mitigar vendas recordes de veículos elétricos

22 de Outubro de 2025, 20:05

O lucro da Tesla caiu mais do que o esperado, já que o aumento acentuado dos custos reduziu um trimestre recorde de vendas de veículos.

O lucro ajustado foi de 50 centavos por ação no período, uma queda de 31% em relação ao ano anterior, informou a empresa em um comunicado nesta quarta-feira (22). Analistas esperavam uma média de 54 centavos, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita de US$ 28,1 bilhões superou as expectativas.  

Os resultados mostram que a fabricante de veículos elétricos não está imune aos custos crescentes que afetaram a indústria automobilística do país ao longo do ano, com a reformulação radical das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump. As despesas operacionais da Tesla dispararam 50%, para US$ 3,4 bilhões no trimestre, enquanto a empresa espera um impacto de cerca de US$ 400 milhões com as tarifas americanas. 

O CEO Elon Musk promete um futuro construído em torno da inteligência artificial, robôs humanoides e tecnologia de direção autônoma — pontos que ele destacou na teleconferência da Tesla com investidores. Os investidores aderiram amplamente à visão de Musk, impulsionando as ações da empresa em alta de 8,7% no acumulado do ano até o fechamento de quarta-feira. 

Mas há incerteza quanto ao cronograma de desenvolvimento desses negócios e aos custos associados à sua expansão. O negócio principal da Tesla, a venda de veículos, também enfrenta um escrutínio renovado, à medida que a concorrência se intensifica e os incentivos fiscais dos EUA são gradualmente eliminados. 

“Estamos entrando em um momento em que há muitas dúvidas sobre a trajetória de crescimento dos lucros de curto e médio prazo para a Tesla”, disse Garrett Nelson, analista sênior de pesquisa de ações da CFRA. 

O diretor financeiro Vaibhav Taneja reconheceu que a concorrência e as tarifas representam obstáculos para a empresa.  

As ações da Tesla caíram 4,1% às 18h05 no pregão estendido em Nova York. As ações ampliaram as quedas após Musk concluir seus comentários introdutórios na teleconferência da Tesla, sinalizando a decepção dos investidores com o fato de a empresa ter oferecido apenas detalhes limitados. 

“O mercado está percebendo que a Tesla opera como uma plataforma de IA, mas reporta como uma montadora”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital. Dec Mullarkey, diretor-gerente da SLC Management, disse que “não há muito aqui para inspirar os investidores”. 

A Tesla reiterou a declaração do trimestre anterior de que é “difícil mensurar” como as mudanças nas políticas comerciais e fiscais globais impactariam seus negócios e operações. A empresa prevê que os resultados dependam do ambiente econômico mais amplo, bem como da sua velocidade em acelerar os esforços de autonomia e aumentar a produção de produtos essenciais.

Analistas pesquisados ​​pela Bloomberg esperam que a Tesla relate o segundo ano consecutivo de queda nas entregas de veículos. 

Vendas recordes

No início deste mês, a Tesla relatou vendas recordes no terceiro trimestre, com os clientes correndo para aproveitar um crédito fiscal de US$ 7.500 para compras de veículos elétricos que expirou em 30 de setembro, proporcionando um impulso temporário ao principal negócio automotivo da empresa.

Na quarta-feira, a Tesla reportou US$ 417 milhões em receita com créditos regulatórios recebidos de outras montadoras que excedem os padrões de emissões — apenas um pouco abaixo do valor do trimestre anterior. Mudanças de política sob o governo Trump reduziram a demanda por esses créditos. A Tesla afirmou que prevê um declínio nesse segmento. 

Musk espera que o negócio de robotáxis da Tesla , lançado em Austin em junho, se expanda para até 10 áreas metropolitanas até o final do ano, caso a empresa receba as aprovações necessárias. Ele também afirmou que a empresa removerá a maioria dos operadores de segurança humana dos robotáxis em Austin ainda este ano. Não está claro quantos veículos estão operando atualmente lá, após o lançamento da fabricante de veículos elétricos com cerca de dez a vinte unidades. 

A Tesla também opera um serviço de transporte compartilhado na área da Baía de São Francisco que não é totalmente autônomo e se assemelha mais ao Uber. Possui licenças de teste para Arizona e Nevada. 

O fluxo de caixa livre foi de quase US$ 4 bilhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior e bem acima da estimativa média dos analistas de US$ 1,25 bilhão.  

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