EUA vão cortar tarifa de alumínio pela metade para quem construir fábrica no país
O governo Trump anunciou um programa de incentivo pelo qual empresas que construírem, expandirem ou reformarem usinas de alumínio nos Estados Unidos vão receber desconto na tarifa cobrada sobre o metal que importarem de fora do país.
O plano, anunciado nesta segunda-feira (20), reduziria a tarifa sobre alumínio importado de 50% para cerca de 25% para as empresas que cumprirem os novos requisitos e forem aprovadas pelo governo americano.
O presidente Donald Trump havia imposto a tarifa de 50% como parte do esforço para aumentar a capacidade doméstica de produção do metal, usado desde a fabricação de automóveis até máquinas de lavar. O resultado, porém, foi modesto, e vários países pressionaram por uma redução da taxa.
Mais relevante: os Estados Unidos não têm capacidade própria suficiente de alumínio primário para atender à própria demanda, e dependem fortemente de importações, sobretudo do Canadá e do Oriente Médio.
Um projeto que se encaixa diretamente no perfil do incentivo é o consórcio entre a Emirates Global Aluminium (EGA), dos Emirados Árabes, e a americana Century Aluminum: as duas empresas planejam construir, em Inola, no Oklahoma, a primeira usina de alumínio primário erguida nos Estados Unidos desde 1980, com capacidade projetada de 750 mil toneladas por ano.
Gargalo crescente
O país tem hoje apenas quatro usinas de alumínio em operação, ante 23 no ano 2000. Cerca de metade de todo o alumínio consumido nos EUA vem do Canadá, onde as fábricas, que consomem muita energia, usam fontes mais baratas, como hidrelétricas. A conta de energia pesa tanto na equação que a última nova usina construída em solo americano tem mais de quatro décadas.
A tarifa de 50%, em vigor desde junho do ano passado, vem inflando o chamado “prêmio do Meio-Oeste americano” (“Midwest premium”), o valor adicional cobrado sobre a referência global de preço para entregar o metal àquela região dos EUA. Um choque adicional de oferta, ligado à guerra no Irã, ajudou a elevar esse prêmio regional em quase 100%.
O prêmio do Meio-Oeste funciona como referência do quanto fabricantes americanos pagam para produzir eletrodomésticos, latas de bebida e veículos. Na prática, essas empresas vêm pagando o preço de matéria-prima mais caro do mundo, e passaram a comprar alumínio sob demanda, só o suficiente para cobrir a produção imediata.
Os preços de alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME), a referência global, também subiram bastante neste ano, com o mercado pressionado pelo duplo choque (tarifa e guerra). Antes do anúncio da Casa Branca, o contrato fechou em queda de 0,3%, a US$ 3.140 por tonelada métrica.
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