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HSBC aposta em crescimento no Brasil mesmo após provisões ligadas a Raízen e GPA, diz CEO; entenda

17 de Junho de 2026, 08:47

O HSBC Brasil aposta no ritmo recente de crescimento de suas receitas para ganhar relevância no resultado global do grupo, afirmou o presidente-executivo (CEO) da instituição, Alexandre Guião.

“Nós queremos ser top 10. Queremos continuar crescendo para ser um país cada vez mais relevante [no grupo]”, disse o executivo em entrevista à Reuters, citando que a operação brasileira já figura no top 20 do HSBC, que está presente em 55 países.

Ele não definiu um prazo para tal ascensão, mas destacou que nos primeiros cinco meses de 2026 o banco já registra um crescimento de 39% na receita, após fechar 2025 com aumento de 20% ante 2024, que já havia registrado uma alta de 12% frente a 2023.

Guião ressaltou, ainda, que essa expansão é significativamente maior quando consideradas as operações originadas no Brasil, mas contabilizadas no exterior.

“Nós estamos com um crescimento super forte”, afirmou. Em 2025, o HSBC Brasil teve lucro líquido de R$ 216,2 milhões, alta de 30,4% ante o ano anterior.

Desde a venda da operação de varejo no país, concluída em 2016, o HSBC se reposicionou no Brasil e hoje é uma instituição focada no atacado, que atende cerca de 800 grupos econômicos, a maioria multinacionais.

O banco tem concentrado esforços em atender grandes empresas com presença internacional e conectar fluxos financeiros entre países, usufruindo da “globalidade” da operação.

Internamente, as áreas de pagamentos e tesouraria têm sido as principais responsáveis pelo avanço da receita, refletindo a demanda de multinacionais por soluções integradas entre diferentes países.

O banco tem apostado em customização para competir com instituições maiores no país, incluindo projetos como soluções de conciliação financeira automatizada.

Guião destacou a relevância do fluxo comercial entre Brasil e Ásia, especialmente com a China, para a expansão das receitas. Nesse eixo, citou que o Brasil já figura entre os 10 maiores mercados do HSBC em termos de receita.

Apesar do desempenho, o executivo destacou desafios no cenário brasileiro, sobretudo os juros elevados e o risco fiscal, fatores que impactam o crédito corporativo.

Raízen e GPA

Além disso, o HSBC Brasil precisou registrar no balanço deste ano provisões relacionadas a operações com a produtora de açúcar e etanol Raízen e a varejista GPA, que buscaram acordo com credores para reestruturação de suas dívidas.

Guião disse que esses casos recentes levaram o banco a reforçar a cautela na concessão de crédito, mas ressaltou que o banco continua apostando no crescimento.

Ele apontou que setores como infraestrutura, energia e o agronegócio seguem com boas oportunidades, mas também destacou projetos ligados à transição energética, lembrando que o HSBC tem metas globais ambiciosas de financiamento nessa área.

GPA (PCAR3) aponta Casas Bahia como ‘inflexível’ em cobrança de R$ 170 milhões que vence hoje

11 de Março de 2026, 16:43

O GPA (PCAR3) apontou a Casas Bahia como uma credora inflexível na cobrança de R$ 170 milhões, valor que a companhia afirma não ter condições de pagar sem interromper suas operações, mostra o pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça. O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais de pagamento elevou a pressão sobre o caixa do GPA.

As ações do dono da bandeira Pão de Açúcar enfrentam mais um dia negativo no Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (11), com o mercado ainda digerindo o pedido de recuperação extrajudicial anunciado na véspera e aceito hoje pelo juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

Por volta de 16h10 (horário de Brasília), as ações PCAR3 caíam 2,26%, cotadas a R$ 2,59. Acompanhe o tempo real.



No pedido, o GPA aponta a evolução da carteira de contencioso como fator para a pressão do caixa no curto prazo.  Primeiro, com o aumento no custo anual de fianças e garantias para suspender os atos executivos nas contingências tributárias, que dobrou de R$ 125 milhões, em 2024, para R$ 250 milhões, em 2025.

“Segundo, o esgotamento das discussões judiciais a respeito de antigas obrigações contratuais de pagamento aumentou a pressão sobre o caixa da companhia”, diz o documento. O mais relevante desses casos é a cobrança que o GPA vem recebendo da Casas Bahia.

Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu um processo arbitral relacionado a obrigações assumidas da antiga Globex (hoje Casas Bahia). Com isso, houve reconhecimento da obrigação de pagamento pelo GPA de aproximadamente R$ 170 milhões.

“Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença […] buscando a satisfação desse crédito. Após decisão do Juízo determinando o pagamento, o GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo”, diz a petição.

O prazo mencionado vence nesta quarta-feira (11) e o GPA afirma não ter condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações, acrescentando que, sem a proteção legal do processo de recuperação extrajudicial, estaria sujeita a agravar significativamente a pressão sobre o seu caixa.

Os motivos da recuperação extrajudicial

No documento apresentado à Justiça, o Pão de Açúcar afirma que, embora conte com uma plataforma operacional robusta, escala relevante e presença consolidada no Brasil, o cenário de alta alavancagem e um “estrangulamento na liquidez de curto prazo” pressionam a companhia.

A expectativa é de que essas questões sejam solucionadas por meio do plano de recuperação extrajudicial.

Três fatores acumulados levaram ao cenário em que a varejista se encontra hoje, conforme a petição. O primeiro é o ambiente macroeconômico e setorial adverso, com os juros elevados (Selic em 15%) e aumento da pressão competitiva no segmento de atuação.

Somado a isso, está a concentração de vencimentos no curto prazo e obrigações contratuais de pagamento com valores significativos.

“Cada um desses fatores atua de maneira interdependente, intensificando a pressão sobre a liquidez e reforçando a necessidade de reequilíbrio financeiro, a despeito de os resultados operacionais serem positivos”, diz a empresa.

Tentativa de turnaround 

No final de 2021, o GPA já havia tentado engatar um turnaround na empresa, um processo que consiste em uma reestruturação profunda e estratégica para colocar a casa em ordem.

Logo de cara, a companhia decidiu encerrar a operação de hipermercados Extra com o fechamento das 100 lojas. Algumas foram vendidas, outras convertidas em “Pão de Açúcar”, ou fechadas em definitivo.

Entre 2022 e o primeiro semestre de 2025, o GPA direcionou seu foco para obter eficiência operacional, vendendo ativos e expandindo as operações nas lojas de proximidade, nas lojas “minuto”.

A partir do segundo semestre de 2025, a companhia reduziu o ritmo de abertura de novas lojas, anunciando um plano de redução de despesas e investimentos. Chegando em 2026, a reestruturação das obrigações financeiras da companhia ganhou ainda mais relevância.

“O passivo não-corrente atualizado da companhia é da ordem de R$ 4,5 bilhões e, caso não renegociados os termos e condições, a companhia teria que arcar neste ano com quase R$ 2,1 bilhões em despesas financeiras e outros R$ 370 milhões em obrigações contratuais, entre pagamento de juros, amortização de principal, multas, penalidades e outras estipulações contratuais”, diz o documento.

“Não é preciso de muito para concluir que a geração de caixa atual, da ordem de R$ 699 milhões, será insuficiente para arcar com todos esses pagamentos”, acrescenta.

Saída anunciada: CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renuncia após atritos no conselho

22 de Outubro de 2025, 16:10

O CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renunciou nesta quarta-feira (22) ao cargo, apurou o InvestNews. O executivo será substituído interinamente pelo diretor financeiro (CFO) Rafael Sirotsky Russowsky, enquanto o conselho conduz a escolha de um novo nome para a presidência — que deverá ser mais alinhado à família Coelho Diniz, hoje a maior acionista do grupo.

A situação de Pimentel já era considerada insustentável, como o InvestNews publicou há duas semanas, quando o então CEO chegou a ameaçar deixar o cargo durante a primeira reunião do novo conselho de administração. O encontro foi marcado por um embate com o conselheiro Edison Ticle, ligado ao investidor Rafael Ferri, que acabou eleito vice-presidente do board; André Coelho Diniz comanda o conselho.

Naquele momento, Pimentel demonstrou desconforto com a eleição de Ticle por um suposto conflito de interesse (Ticle é CFO da Minerva e investidor da Shopper). Mas acabou sendo voto vencido, mostrando um enfraquecimento do executivo junto aos novos controladores.

Segundo fontes próximas ao GPA, os Coelho Diniz preparam um novo plano para a empresa, estruturado em duas etapas: primeiro, corte de custos e redução de capex; em seguida, foco nas operações mais rentáveis, especialmente no Estado de São Paulo, principal praça do grupo. Esse deverá ser o mandato do futuro CEO do grupo.

Um aumento de capital de R$ 500 milhões chegou a ser cogitado, mas não está em debate neste momento, após não encontrar adesão nem entre os Coelho Diniz, nem no Casino, os dois principais acionistas do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Indicado originalmente pelo grupo francês Casino, Pimentel também deixará o conselho, abrindo espaço para que os franceses nomeiem um novo representante. Após a publicação do texto, o GPA confirmou a renúncia do executivo em fato relevante.

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