Visualização normal

Received before yesterdayNegócios

Brasileiras levam a arte latino-americana ao circuito de colecionadores de Nova York

25 de Abril de 2026, 09:20

Art in Brackets (“Arte entre Parênteses”) é o nome da empresa de duas brasileiras que, há quatro anos, se empenham em levar artistas brasileiros e latino-americanos para o universo dos colecionadores nova-iorquinos. Fernanda Mazzuco, de 65 anos, nasceu em Santos, no litoral paulista, e mora há 21 anos em Nova York. Luciana Solano, de 54 […]

O post Brasileiras levam a arte latino-americana ao circuito de colecionadores de Nova York apareceu primeiro em NeoFeed.

Wall Street fecha sem direção única; Nasdaq e S&P 500 batem novos recordes

24 de Abril de 2026, 17:16

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta sexta-feira (24) à espera das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão. Mesmo assim, o Nasdaq e o S&P 500 bateram novos recordes, impulsionados pelas ações de tecnologia.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,16%, aos 49.229,48 pontos;
  • S&P 500: +0,80%, aos 7.165,08 pontos – no maior nível nominal histórico;
  • Nasdaq: +1,63%, aos 24.836,59 pontos – no maior nível nominal histórico.

Na semana, os números também são mistos: o Dow Jones recuou 0,4%, enquanto S&P 500 subiu cerca de 0,6% e Nasdaq avançou 1,5%.

No fechamento, o VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, operava em queda de 3,57%, aos 18,62 pontos – o que é considerado como um “ambiente normal” no mercado.

Wall Street acompanha balanços e guerra

Os investidores acompanharam os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã, com sinais de nova rodada de negociações neste fim de semana, e os balanços corporativos.

Durante a tarde, a Casa Branca anunciou a ida de Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão para negociações com o Irã trouxe certo alívio para os mercados. A operação dos EUA no país persa passou para a “fase diplomática”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Mais cedo, a agência de notícias Associated Press informou, segundo dois funcionários paquistaneses, que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viaja para o Paquistão para negociações neste final de semana e deve chegar ainda nesta sexta-feira.

À Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

O presidente dos EUA afirmou ainda “não querer dizer” quais são os interlocutores dos EUA nas negociações, mas que estão “lidando com pessoas que estão no comando agora”.

Apesar dos acenos diplomáticos, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou novas sanções contra o Irã, incluindo o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas.

Em publicação no X, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que “continuará a degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, movimentar e repatriar recursos”.

O S&P 500 subiu impulsionado pela disparada de 23% das ações da Intel, após balanço trimestral melhor do que o esperado pelo mercado.

Dados econômicos

No front econômico, a confiança do consumidor dos EUA caiu em abril para o menor nível da série, conforme a guerra com o Irã alimentou temores de inflação, mostrou uma pesquisa nesta sexta-feira.

A Pesquisa do Consumidor da Universidade de Michigan mostrou que seu Índice de Opinião do Consumidor caiu para uma leitura final de 49,8 neste mês, nível mais baixo já registrado para o dado mensal fechado.

Os economistas consultados pela Reuters haviam previsto o índice em 48,0. Ele estava em 53,3 em março.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

Wall Street fecha sem direção única com expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio

7 de Abril de 2026, 17:12

Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta terça-feira (7) com a expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio após o Paquistão, mediador das negociações entre EUA e Irã, pedir o prolongamento do prazo de Trump.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,18%, aos 46.584,46 pontos;
  • S&P 500: +0,08%, aos 6.616,85 pontos;
  • Nasdaq: +0,10%, aos 22.017,84 pontos.

O VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, encerrou aos 25,74 pontos (+6,41%). O número na faixa de 25 a 30 pontos indica “turbulência” no mercado.

Novas ameaças de Trump ao Irã

Hoje pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e disse que “toda a civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não for firmado, em publicação na rede social Truth.

Apesar do tom, a pressão para um acordo com o Irã já havia se intensificado nos últimos dias. No domingo (5), Trump emitiu uma ameaça repleto de palavrões, alertando o Irã de que estaria “vivendo no inferno” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até esta terça-feira às 21h (horário de Brasília).

Também nesta terça-feira, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que a guerra com o Irã será concluída “muito em breve” e indicou que Washington ainda espera avanços diplomáticos até o prazo final imposto pelo presidente Donald Trump, às 21h (de Brasília).

No início da tarde, o New York Times noticiou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA e também informou ao Paquistão, mediador das tratativas entre os dois países, que não participará de mais conversas sobre um cessar-fogo.

Já na reta final do pregão, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Sharif ainda sugeriu que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz “como um gesto de boa vontade” nessas duas semanas, como parte do cumprimento de um cessar-fogo entre os dois países nesse intervalo.

*Com informações de Reuters

Henkel compra marca de produtos para cabelo Olaplex em acordo de US$ 1,4 bilhão e reforça portfólio premium

26 de Março de 2026, 10:07

Henkel, multinacional alemã dona de marcas de consumo e produtos industriais como Schwarzkopf e Persil, anunciou a compra da Olaplex Holdings, empresa americana de cuidados capilares premium conhecida por tratamentos capilares baseados em tecnologia científica, por cerca de US$ 1,4 bilhão.

A companhia alemã pagará aproximadamente US$ 2,06 por ação, o que representa um prêmio de cerca de 55% em relação ao fechamento da véspera, embora ainda bem abaixo da avaliação de US$ 13,6 bilhões (US$ 21 por ação) no IPO da empresa em 2021.

As ações da Olaplex haviam fechado a US$ 1,33 em Nova York, dando à companhia valor de mercado de cerca de US$ 890 milhões. No pré-mercado, os papéis chegaram a subir mais de 50%, aproximando-se do valor da oferta.

A transação foi aprovada pelo conselho da Olaplex, e a gestora de private equity Advent International, acionista controladora, concordou em apoiar o negócio e deixará o investimento após a conclusão da operação. A empresa continuará operando sob a marca Olaplex, combinando sua forte presença direta ao consumidor na América do Norte com o alcance global da Henkel.

A Henkel vem acelerando aquisições em 2026. A companhia já comprou a marca norte-americana Not Your Mother’s, a empresa de revestimentos Stahl e tornou-se acionista majoritária da britânica Wetherby Laroc.

LEIA MAIS:

Segundo a empresa, a aquisição “marca mais um passo importante na estratégia de crescimento” e amplia o segmento de cuidados capilares como categoria central dentro da divisão de marcas de consumo. O movimento também busca dar escala e impulsionar o crescimento das unidades de adesivos e bens de consumo.

O negócio, que ainda depende de aprovações regulatórias, deve encerrar a trajetória da Olaplex como empresa listada, iniciada em 2021, quando uma onda de IPOs marcou o período da pandemia. Desde então, as ações da companhia despencaram diante da queda nas vendas e do aumento da concorrência.

A aquisição ocorre em meio a uma reorganização da Henkel, que vem se reposicionando para focar em marcas premium e de maior margem. A empresa concluiu, no fim de 2025, a fusão de suas operações de bens de consumo em uma única divisão, voltada a marcas de maior crescimento, além de vender seu negócio de marcas próprias na América do Norte.

O movimento também reflete uma tendência no setor. Concorrentes como Unilever e Reckitt Benckiser também disputam espaço no segmento premium de cuidados pessoais, ao mesmo tempo em que avaliam a venda de marcas de menor margem. A Unilever, por exemplo, vem reduzindo seu portfólio de alimentos e estuda a venda dessa divisão para a McCormick & Company, que adquiriu a divisão de alimentos da Reckitt em 2017.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Wall Street fecha em queda com petróleo acima dos US$ 100; S&P 500 atinge nova mínima do ano

13 de Março de 2026, 17:24

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta sexta-feira (13) em queda, diante da alta do petróleo acima dos US$ 100. Os dados de inflação e mercado de trabalho ficaram em segundo plano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,26%, aos 46.558,47 pontos;
  • S&P 500: -0,61%, aos 6.632,19 pontos; 
  • Nasdaq: -0,93%, aos 22.105,35 pontos.

O S&P 500 atingiu uma nova mínima para 2026 no pregão de hoje e, na semana, acumulou queda de 1,6%. Com isso, o índice iniciou a primeira sequência de três semanas de perdas em cerca de um ano.

O Dow Jones caiu cerca de 2%, enquanto o Nasdaq recuou 1,3% no acumulado.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O conflito no Irã, em seu 14º dia de combates, não mostrou sinais de arrefecimento. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cabe à ele decidir sobre o término da guerra. Trump prometeu que os EUA atingirão “com muita força na próxima semana” o Irã.

Os Estados Unidos ainda emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar, na esperança de aliviar os preços do petróleo e do gás impulsionados pela guerra que EUA e Israel estão travando contra o Irã.

Apesar disso, os contratos mais líquidos do petróleo Brent para maio fecharam com avanço de 2,67%, a US$ 103,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na semana, a commodity acumulou alta de 11,27%.

Em segundo plano, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês) registrou alta de 0,3% na passagem de dezembro para janeiro, ligeiramente abaixo do consenso do mercado, segundo a FactSet, de avanço de 0,4%.

A métrica é a mais utilizada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ao olhar para a inflação.

Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,4%. No comparativo anual, o índice subiu 2,8% e o núcleo 3,1% — ambos acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.

Além disso, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que as vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos aumentaram em 396.000 em janeiro, a 6,946 mihões no último dia de janeiro.

As contratações, em contrapartida, foram fracas, o que é consistente com um mercado de trabalho estável.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, as apostas para a retomada no corte de juros pelo Fed migraram para outubro, após os dados do PCE e do Jolts divulgados nesta manhã. Antes, o mercado via chance maior de reduções nos juros em dezembro.

*Com informações de Reuters e CNBC

Wall Street fecha sem direção única após Trump reafirmar que guerra no Irã terminará ‘em breve’

11 de Março de 2026, 17:07

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta quarta-feira (11) sem direção única com expectativa de fim próximo da guerra no Irã e nova valorização do petróleo no mercado internacional. Os dados de inflação ficaram em segundo plano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,61%, aos 47.417,27 pontos;
  • S&P 500: -0,08%, aos 6.775,80 pontos; 
  • Nasdaq: +0,08%, aos 22.716,13 pontos.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O conflito no Irã entrou em seu 12º dia de combates com uma escalada nas tensões. Durante a madrugada, o comando militar iraniano atacou três navios no Golfo Pérsico.

O comando militar do país persa também afirmou que o mundo deve estar preparado para o petróleo atingir US$ 200 por barril. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos aos Estados Unidos.

Até o momento, não houve nenhuma trégua em terra, nem qualquer sinal de que navios já podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz – por onde 20% do petróleo do mundo é escoado em tempos de normalidade geopolítica – , na pior interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.

Hoje, os contratos futuros do Brent, com vencimento em maio, fecharam com alta de 4,76%, a US$ 91,98 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as forças militares atingiram 28 minas no Irã, horas depóis de reafirmar que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”. “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, declarou Trump em entrevista ao site Axios.

O presidente também disse que não está preocupado com ataques apoiados pelo Irã em solo norte-americano. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca e após o FBI alertar para a possibilidade de drones iranianos atingirem a costa oeste dos EUA, segundo a ABC News.

Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de petróleo das reservas de 32 países-membros na tentativa de conter a alta nos preços de energia em meio a disparada recente dos preços do barril do óleo bruto.

Os dados macroeconômicos ficaram em segundo plano. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. No acumulado de 12 meses, o CPI acumula alta de 2,4%.

Embora o dado não seja a referência inflacionária do Federal Reserve (Fed), o CPI ‘ajuda’ o mercado a calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Agora os traders veem a retomada de ciclo de corte nos juros apenas em setembro, ante a expectativa anterior de julho, em temor dos impactos inflacionários da guerra no Irã atráves dos preços de energia.

O ano de 2026 terá dupla personalidade, dizem Solange Srour e Luciano Telo, do UBS

5 de Dezembro de 2025, 14:58

O Brasil verá um 2026 de dupla personalidade. A primeira metade do ano vai ser parecida com o momento atual, ou seja, de alta da bolsa, fluxo estrangeiro para a renda variável e uma renda fixa lotada de recursos dos brasileiros. Mas daí, a partir do segundo semestre, começam as grandes incertezas.

Aqui no Brasil, as eleições para presidente, governador e Congresso prometem tornar os mercados mais voláteis. No mínimo. Só que tem mais: lá nos EUA vai ter a renovação de parte relevante do Congresso, em novembro, e mudanças no comando do Fed, o banco central americano, a partir de maio. Enquanto isso, teremos cortes de juros no Brasil e, possivelmente, nos Estados Unidos, um dólar ainda fraco, preocupações com uma eventual bolha de inteligência artificial e os mercados tentando digerir tudo.

De qualquer forma, a visão do executivo-chefe de investimentos (CIO) do UBS Wealth Mangement, Luciano Telo, e da chefe de macroeconomia no Brasil do banco suíço, Solange Srour, é de copo meio cheio: a bolsa vai continuar a valer a pena, assim como manter ações de big techs na carteira. É claro que tudo será temperado com uma boa dose de volatilidade.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Quem tem medo da bolha de IA? O UBS não. Telo até reconhece que as bolsas americanas operam com valuations elevados, ou seja, valores de mercado que incorporam uma visão de resultados futuros para lá de exuberantes. Porém, não se trata de uma interpretação pontual dos investidores. A inteligência artificial é uma realidade e vai se manter como a principal influência sobre a economia dos EUA ao longo dos próximos anos.

Ou seja: quem tentar antecipar momentos de correção pode perder o bonde, já que é razoável a chance de não ocorrer uma queda substancial.

Emergentes ganham espaço

Na avaliação do UBS, os mercados emergentes devem se consolidar como uma das grandes estrelas dos portfólios globais em 2026. A questão central para os investidores é: os recursos de fora vão continuar a migrar para as bolsas e outros ativos dos países em desenvolvimento? A resposta do CIO do UBS WM é “sim”.

Com a expectativa de um dólar que vai se manter fraco e em meio a continuação de cortes de juros pelo Fed, os mercados emergentes passam a ocupar um papel mais relevante nas projeções para 2026.

O Brasil, por exemplo, surge como um potencial destino de recursos internacionais. Esse fluxo marcou o desempenho positivo do Ibovespa ao longo de 2025. E deve se estender, pelo menos, na primeira metade do ano que vem. Os especialistas do UBS veem ainda muitos fatores para as ações se manterem em alta. Conforme Telo, os ativos brasileiros seguem descontados em relação a outros emergentes.

Além disso, mesmo que o BC comece a cortar os juros no início do ano, as taxas do país vão se manter atrativas por um longo tempo. O cenário base do UBS é que o ciclo de reduções da Selic comece em março ou abril de 2026 e a taxa básica termine o próximo ano em 12,5%. As ações brasileiras, por sua vez, vão continuar a se beneficiar do dólar fraco e dos juros globais mais baixos.

E quais motivos para manter o otimismo com a renda variável no ano que vem? O afrouxamento monetário duplo, aqui e lá fora, vai funcionar como o principal catalisador para o desempenho das ações. Taxas de juros menores vão reduzir o custo de capital para as empresas listadas. As mais endividadas ganham um alívio com a redução das pressões financeiras.

Além dos juros menores, o banco espera um crescimento de lucros das companhias brasileiras de cerca de 18% no próximo ano. A alta seria resultado de uma demanda doméstica estável, salários reais em alta e investimentos estrangeiros crescentes.

O que pode dar errado?

A partir do fim do primeiro trimestre, a sucessão no Fed vai se tornar um evento importante para o mercado. Ainda que o mandato do atual presidente da autoridade, Jerome Powell, termine apenas em maio, a partir do momento em que o presidente americano, Donald Trump, confirmar um nome para a sucessão, o BC dos EUA passará, na prática, a ter dois chefes para o mercado. Isso porque os investidores vão começar a prestar tanta atenção às falas do futuro chairman quanto do atual.

Srour alerta que, caso o mercado interprete os sinais do novo presidente do Fed como sendo de alguém que vai se submeter à vontade do governo, isso poderia causar uma perda de credibilidade. Como a pressão de Trump é por juros mais baixos a qualquer custo, o mercado começaria a alimentar preocupações sobre uma volta dos riscos inflacionários e, com isso, novas turbulências vão atingir as bolsas e os juros. Em tal cenário, as taxas longas dos títulos americanos podem subir, exigindo prêmio maior do Tesouro dos EUA e das companhias para captar recursos.

Além disso, um presidente do Fed inclinado aos cortes de juros mais amplos não necessariamente implicaria em um dólar mais fraco, se o cenário de desconfiança se enraizar. Ao contrário, a incerteza poderia até levar a uma valorização global da moeda americana. Juros longos mais altos e dólar apreciado são uma combinação ruim para países como o Brasil, porque torna muito mais caro o financiamento externo.

O câmbio é um calcanhar de Aquiles

Mas tem ainda um outro lado da moeda. O Fed tem sinalizado que pode pausar os cortes de juros no início de 2026. O BC dos EUA enfatiza que as reduções atuais têm como objetivo combater o enfraquecimento do mercado de trabalho e evitar um aumento mais forte do desemprego. Por outro lado, os integrantes da autoridade sempre que podem manifestam o incômodo com o nível da inflação corrente ainda longe de sua meta de 2% ao ano.

Se o Fed tomar um rumo visto como mais duro ou hawkish, no jargão do mercado,  o dólar pode voltar a se fortalecer. Srour calcula que, nesse cenário de desvalorização do real frente à moeda americana, pode haver um repasse de cerca de 10% para a inflação brasileira por meio de preços de importados e bens transacionáveis. Ou seja: de cada 1% de inflação no Brasil, 0,10% viria de uma eventual alta da moeda americana.

Um outro fator será o cenário de votação. Conforme a eleição se aproximar no Brasil, alguns tópicos voltam a ganhar força. Srour reforça que o Brasil vai precisar enfrentar a questão fiscal, seja qual governo for eleito.

Com juros reais no maior patamar da história recente, desaceleração do PIB e esgotamento do impulso fiscal dos últimos anos, a trajetória da dívida pode se tornar insustentável sem reformas significativas. O déficit nominal (que conta os gastos do governo com os juros da dívida) alcançou 8,05% do PIB, e a dívida bruta deve fechar 2025 em cerca de 80% do PIB, níveis que elevam o prêmio de risco e deixam o câmbio sensível a choques.

A economista ressalta que qualquer governo eleito terá de apresentar um plano estruturado logo no início do mandato, com medidas impopulares e foco no controle de gastos obrigatórios — não apenas em aumento de arrecadação, que já está no recorde histórico. Se essa sinalização ocorrer ao longo da campanha, o mercado pode reagir de maneira otimista. “Programas críveis de ajuste fiscal geram reação imediata do mercado”, afirma.

2025 termina melhor que o esperado

Apesar dos choques externos, como as tarifas impostas durante o ano, os especialistas do UBS lembram que 2025 vai terminar de maneira bem mais benigna do que se imaginava no início do ano.

A economia global segue surpreendendo positivamente, com comércio internacional resiliente e inflação desacelerando em vários países. Esse ambiente tem ajudado a sustentar o desempenho dos emergentes, inclusive o Brasil, que deve encerrar 2025 com um crescimento do PIB próximo de 2% e inflação em torno de 4,5%, no teto da meta do BC.

O Brasil, portanto, vai navegar em 2026 entre avanços econômicos concretos e desafios estruturais que ainda demandam solução — especialmente no campo fiscal, como sempre.

Ibovespa sobe 1,7% e bate novo recorde com expectativas sobre corte de juros

26 de Novembro de 2025, 16:35

A bolsa brasileira voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira (26). No fim do pregão, o Ibovespa subiu 1,7% a 158.555 pontos, um novo recorde nominal frente aos 158.467 pontos, marcado em 11 de novembro. Já o dólar caiu 0,77% cotado a R$ 5,333.

Lá fora, as bolsas de Nova York também tiveram um dia de alta na véspera de um dos principais feriados americanos, o Dia de Ação de Graças, que acontece na quinta-feira (27). No fim da sessão, S&P 500 subiu 0,69%, o Nasdaq avançou 0,82% e o Dow Jones teve alta de 0,67%.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Aqui como lá fora, o tom mais otimista vem de uma percepção de que os cortes de juros se aproximam. No caso dos investidores globais, o bom humor e o interesse em buscar mais retorno em ativos e mercados considerados mais arriscados, caso dos emergentes, surgem na esteira da sinalização de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro ainda está sobre a mesa.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas no rumo da política monetária dos EUA, mostra que 84,9% do mercado já considera certa uma redução dessa magnitude nas taxas durante o encontro do Fed entre 9 e 10 de dezembro. Esse percentual era de menos de 40% há duas semanas.

Por aqui, o resultado do IPCA-15 na primeira quinzena de novembro, considerado uma prévia do IPCA “cheio”, mostrou que a inflação no acumulado de 12 meses já entrou dentro da meta do BC, ainda que no topo do intervalo, aos 4,5%.

Outra boa notícia veio do grupo alimentos e bebidas, considerado um dos mais voláteis, que variou apenas 0,09%. Além disso, houve queda nos preços de combustíveis (-0,46%) e nos de energia elétrica (-0,38%). Os dados voltaram a alimentar as expectativas de que o cenário para a retomada dos cortes da Selic está se consolidando.


 

Sinal de corte de juros pelo Fed anima mercados internacionais – mas Brasil não segue a festa

21 de Novembro de 2025, 18:32

A sexta-feira dos mercados começou em clima azedo no exterior. Mas bastou o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, colocar um corte de juros em dezembro no radar dos investidores para o humor mudar radicalmente.

Dá para notar essa mudança de rumo pelo comportamento da ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas nos rumos da política monetária dos EUA. No início da manhã, o monitor mostrava que 39% dos investidores viam como possível um corte de 0,25 ponto percentual nos juros na reunião de 9 a 10 de dezembro do Fed.

Logo após o presidente do Fed de Nova York ponderar ver “espaço para um novo ajuste no curto prazo” em um discurso feito durante um evento em Santiago, no Chile, ainda nas primeiras horas de negócio, o indicador virou o ponteiro para 70% de chance de corte de 0,25 ponto. O FedWatch no fim do dia mostra que 71,7% do mercado acredita na redução dos juros no último mês de 2025.

Williams defendeu um movimento que aproxime a taxa de política monetária do chamado nível neutro, ou seja, aquele que mantém o crescimento sem impulsionar a inflação. Conforme o dirigente do BC americano, o atual patamar entre 3,75% e 4% está “levemente restritivo”.

As bolsas de Nova York vêm de um movimento de venda de ações de tecnologia em meio às preocupações sobre uma potencial bolha de preços de papéis ligados à cadeia de inteligência artificial. Nem mesmo o lucro acima do esperado da Nvidia, principal símbolo das companhias da economia da IA, de US$ 31,9 bilhões no terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira após o fechamento dos mercados, foi suficiente para afastar os temores.

O S&P 500 fechou com alta de 0,98% aos 6.602,96 pontos. O Nasdaq subiu 0,88% para 22.273,08 pontos. Na semana, os indicadores acumularam quedas de, respectivamente, 2% e 2,7%.

O movimento de alta nesta sexta-feira contrastou com a bolsa brasileira. O Ibovespa amargou um recuo de 0,39% para 154.770 pontos. E o dólar registrou alta de 1,18% cotado a R$ 5,4010.

O recuo do índice de ações e a alta da moeda americana refletem a cautela que ainda impera entre os investidores globais. Mesmo após a sinalização do Fed ter recolocado um corte em dezembro no radar do mercado, as preocupações com uma eventual bolha de IA ainda pesam e têm inspirado um posicionamento mais cauteloso dos investidores.

Outro fator que traz cautela para o mercado é o mal-estar entre o governo e o presidente do Senado, David Alcolumbre. A indicação do chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso contrariou o líder da casa legislativa, que apoiava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O presidente do Senado agendou a votação de um “projeto-bomba”, com forte impacto fiscal para a próxima semana. Trata-se do o projeto de lei complementar que confere aposentadoria especial aos agentes de saúde, que pode gerar despesas de até R$ 800 bilhões em 50 anos.

A votação do projeto ocorre em meio aos questionamentos sobre o equilíbrio fiscal do governo. O crescimento do endividamento público pode acelerar diante do esperado aumento de gastos devido às eleições em 2026. Esse avanço da dívida traz um aumento dos prêmios pedidos pelo mercado e pressiona a inflação diante da elevação de recursos injetados na economia.

O desequilíbrio fiscal torna a política monetária menos eficaz e, com isso, o Banco Central pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo tanto para segurar a pressão sobre os preços quanto para evitar uma contaminação das expectativas futuras para a inflação.

❌