Maior granja da América do Sul, com uma produção de mais de 4 bilhões de ovos por ano, a Mantiqueira ganhou ainda mais fôlego em 2025, ano em que a JBS comprou metade da sua operação e desembarcou nos Estados Unidos, a partir da aquisição da Hickman’s Egg Ranch. Sua expansão da companhia não se […]
A JBS (JBSS32), maior produtora global de carnes, relatou nesta terça-feira (12) uma queda de 55,8% no lucro líquido para US$ 221 milhões, com a força das operações brasileiras não sendo suficientes para compensar margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.
Os destaques positivos ficaram por conta da JBS Brasil, apoiada pela forte demanda global por carne bovina, e da unidade brasileira Seara, de processados e carnes suína e de aves, que teve desempenho consistente nos mercados locais e internacionais, disse a empresa.
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$1,13 bilhão, queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida avançou 11% na mesma comparação, para US$21,61 bilhões.
A unidade de carne bovina da América do Norte, que respondeu por cerca de um terço da receita da companhia no período, registrou Ebitda ajustado negativo em US$267 milhões, uma piora em relação ao mesmo período do ano passado (US$100 milhões negativos), enquanto as margens foram negativas em 3,7%.
Ainda na América do Norte, uma parada programada de cerca de duas semanas em três fábricas da Pilgrim’s Pride, para obras de ampliação e mudança de “mix” de produtos de frango, afetou o resultado da unidade, segundo a companhia.
A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.
Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.
Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.
A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.
O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.
O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.
Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.
Greve no radar
Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.
A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)
A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.
O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.
Boi mais caro no Brasil
Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.
Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)
A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.
Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.
A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.
Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.
Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.
A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.
O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.
O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.
Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.
Greve no radar
Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.
A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)
A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.
O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.
Boi mais caro no Brasil
Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.
Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)
A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.
Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.
A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.
Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.
Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.
Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.
Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.
Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica.
Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.
No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.
Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.
A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.
Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.
Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.
Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.
Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.
Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica.
Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.
No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.
Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.
A JBS (JBSS32) reportou um lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um aumento de US$ 2 milhões (0,48%) na comparação com o mesmo trimestre de 2024.
A receita líquida cresceu 15,47% no mesmo comparativo, saindo de US$ 19,974 bilhões para US$ 23,063 bilhões. No ano de 2025, a receita líquida totalizou US$ 86 bilhões no resultado de 2025, alta de 12% comparado com 2024 e um recorde histórico para companhia.
A companhia também comunicou que aprovou nesta quarta (25) o pagamento de US$ 1 por ação em dividendos, a serem pagos em 17 de junho de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas com posição na companhia em 18 de maio de 2026.
A JBS no 4T25
Os principais motores desses resultados anuais foram as operações da Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e Seara, que atuaram com forte expansão e geração de valor.
A solidez dos resultados ao longo de 2025 também se refletiu na evolução do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que foi de 25% nos últimos 12 meses. Comparado com o resultado consolidado de 2024, o indicador avançou 3,2 pontos percentuais.
O desempenho foi impulsionado pela expansão dos resultados operacionais, maior disciplina na alocação de recursos e foco em geração de valor para os acionistas. O lucro por ação (EPS, earning per share) registrou salto de 15% comparado com 2024 e fechou 2025 em US$ 1,89.
A alavancagem em dólar encerrou o ano em 2,39 vezes (contra 1,9x de 2024), em linha com a meta de longo prazo da companhia e estável em relação ao 3T25.
Em comunicado, JBS destacou que possui um confortável cronograma de amortizações, sem vencimentos relevantes de dívida previstos até 2031 e com um custo de dívida altamente competitivo, com cupons até 2032 posicionados abaixo das taxas dos Treasuries dos Estados Unidos.
“Encerrar 2025 com um crescimento de 15% na receita comprava a força e a resiliência da nossa plataforma diversificada, tanto em proteínas quanto em geografias. Ao mesmo tempo, o avanço de 15% no lucro reforça a consistência da nossa execução, sustentando margens robustas e a nossa capacidade de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS
Na avaliação do banco, o efeito sobre a companhia dependerá principalmente da duração do movimento. A JBS já começou a redirecionar o gado para outras unidades, como a planta de Cactus, no Texas.
Funcionários de uma importante planta de processamento de carne bovina da JBS iniciaram uma greve nesta segunda-feira, interrompendo a produção em um momento em que os preços da proteína atingem níveis recordes.
A unidade localizada em Greeley, no estado do Colorado, é uma das maiores do tipo nos Estados Unidos. A planta tem capacidade para abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e responde por aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país.
A paralisação de trabalhadores sindicalizados é a maior em um frigorífico em décadas. O movimento ocorre em um momento em que empresas do setor de carne têm acumulado prejuízos de bilhões de dólares por ano na produção de carne bovina. O menor rebanho bovino dos EUA em 75 anos elevou o custo de compra de gado junto a pecuaristas, pressionando as margens das processadoras.
A JBS, que tem sede no Brasil, é a maior processadora de carne do mundo e a principal produtora de carne bovina dos EUA em volume. Nos primeiros nove meses de 2025, a empresa registrou prejuízo operacional de US$ 566 milhões em seu negócio de carne bovina na América do Norte, ante perda de US$ 64 milhões no mesmo período do ano anterior.
O sindicato United Food and Commercial Workers International Union firmou no ano passado um novo contrato trabalhista de longo prazo que cobre cerca de 26 mil trabalhadores em mais de uma dúzia de unidades nos EUA.
No entanto, a seção sindical que representa cerca de 3.800 trabalhadores da planta de Greeley optou por não aderir ao acordo nacional, argumentando que o contrato não leva em conta o custo de vida mais elevado no Colorado.
A JBS e o sindicato local negociaram por meses um novo acordo trabalhista, mas não conseguiram chegar a um consenso.
Segundo o sindicato, a empresa se recusou a conceder aumentos salariais compatíveis com a inflação. A entidade também quer que a companhia pare de cobrar dos funcionários por determinados equipamentos de proteção, como luvas usadas durante o trabalho.
“A JBS parece mais interessada em um conflito trabalhista na planta de Greeley do que em resolver essas questões”, afirmou Kim Cordova, presidente da seção sindical que representa os trabalhadores da unidade.
Na semana passada, a empresa começou a cancelar embarques de gado e interromper o abate na planta, preparando-se para uma possível paralisação. A JBS também passou a redirecionar entregas de gado de confinamentos para outras grandes unidades de processamento nos EUA, como as fábricas em Grand Island, no estado de Nebraska, e em Cactus, no Texas.
A companhia afirmou que seu objetivo é minimizar o impacto para clientes e para o mercado em geral. Também disse que empregados que não quiserem aderir à greve podem continuar trabalhando e receberão normalmente.
“Não acreditamos que uma greve seja do melhor interesse de nossos funcionários ou de suas famílias”, afirmou uma porta-voz da empresa. “Mantemos a proposta apresentada, que é forte, justa e consistente com o histórico acordo nacional firmado em 2025.”
As ações da JBS negociadas nos EUA acumulam queda de cerca de 6% no último mês.
O fechamento temporário da planta deixa os pecuaristas americanos com um comprador a menos para seu gado, o que tende a pressionar os preços do gado vivo. Isso pode tornar mais lucrativo para frigoríficos manter suas unidades operando plenamente para atender à crescente demanda por proteína no país.
Os contratos futuros de gado vivo, que indicam o preço pago pelos frigoríficos aos confinamentos, caíram cerca de 4% no último mês diante da expectativa de greve. Ainda assim, acumulam alta superior a 13% nos últimos 12 meses.
Empresas do setor têm ajustado suas operações diante da escassez de oferta de gado nos EUA. A rival da JBS, Tyson Foods, fechou uma de suas maiores plantas em Nebraska em janeiro e demitiu 3.200 trabalhadores devido ao aumento do custo do gado. No início deste ano, a companhia também reduziu pela metade a produção em uma grande unidade no Texas para cortar despesas.
Os custos do gado devem permanecer elevados nos próximos anos, já que pecuaristas têm se mostrado relutantes em recompor seus rebanhos. Para os consumidores, isso se traduziu em preços recordes da carne bovina. O preço da carne moída subiu 15% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA.
No acumulado do ano, as ações da Cosan já avançaram 6,48%, enquanto a Suzano acumulou alta de 5,88%.
Além dessas ações,Klabin (KLBN11) e JBS (JBSS32) também contam com recomendações de compra.
A Cosan está na carteira da Ativa, Empiricus Research e EQI. Para a Empiricus, a redução da dívida é o principal gatilho para a tese de Cosan. Os analistas esperam que a desalavancagem financeira ganhe força nos próximos 12 meses, com potenciais vendas de ativos, tanto no nível da holding quanto das subsidiárias, em especial da Raízen.
Já a Suzano faz parte da seleção para março de Ágora, Monte Bravo e RB Investimentos. Segundo a Monte Bravo, a grande capacidade industrial e de matéria-prima fazem com que a sua produção figure entre as mais eficientes do mundo.
O rápido processo de maturação de sua nova planta em Ribas do Rio Pardo — que adicionou 25% de capacidade e ganhos de eficiência em suas operações — deve ajudar a companhia a acelerar seu processo de desalavancagem. Com forte geração de caixa e sem grandes projetos nos próximos anos, a casa espera que a companhia consiga acelerar a remuneração aos seus acionistas.
Com os aumentos de preço da celulose no começo do ano e 100 % de Ribas contabilizando em 2025, os analistas enxergam a companhia negociando em múltiplos muito atrativos .
Vejas as mais recomendadas do agronegócio em março
Empresa
Ticker
Recomendações
Cosan
CSAN3
3
Suzano
SUZB3
3
Klabin
KLBN11
2
JBS
JBSS32
1
Levantamento
O levantamento do Money Times levou em consideração as informações das carteiras de ações divulgadas por 18 instituições. Para março, foram indicadas 4 ações, somando 9 recomendações.
Participaram do levantamento: Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, Genial Investimentos, Itaú BBA, RB Investimentos, EQI, Planner, Monte Bravo, Rico, Safra, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos.
A Seara, unidade de aves e suínos da JBS, concluiu a compra de duas granjas da Céu Azul Alimentos em Ipiguá e Guapiaçu, no interior de São Paulo. O valor não foi divulgado e o negócio foi submetido à análise do Cade.
Segundo a companhia, a operação envolve a aquisição de ativos rurais ligados à produção de frangos de corte e consolida sob gestão direta estruturas que já abasteciam a Seara. As duas unidades forneciam ovos férteis e aves destinadas ao abate — por isso, a transação é descrita como uma internalização do fornecimento, sem ampliação da capacidade produtiva já existente.
De acordo com reportagem do Estadão, no formulário encaminhado ao Cade, o grupo controlador afirma que a compra pode otimizar a atuação na cadeia de frango de corte ao ampliar o controle sobre qualidade e custos, especialmente na etapa do ovo fértil.
Já a Céu Azul diz que a venda faz parte de uma reorganização do portfólio e de uma realocação de capital para frentes consideradas prioritárias, além de ajudar a otimizar sua estrutura financeira.
As empresas sustentam que há pouca sobreposição entre as atividades e que a integração vertical resultante é limitada, motivo pelo qual pedem análise em procedimento sumário e aprovação sem restrições.
A transação reforça o movimento da JBS de avançar em diferentes elos da cadeia de proteínas. Em 2025, a companhia entrou de forma mais direta no segmento de ovos ao adquirir 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras da América do Sul.
A J&F, a holding dos irmãos Batista, contratou o Citigroup para conduzir a venda de uma participação minoritária na LHG Mining, sua empresa de mineração. A transação, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, deverá ser para buscar um sócio estratégico, ou seja, com conhecimento no setor.
A J&F já recebeu diversas ofertas não vinculantes de investidores, incluindo grandes mineradoras, fundos de private equity, tradings e siderúrgicas. A expectativa é concluir a transação no primeiro trimestre de 2026.
Uma das condições do processo é que a fatia seja vendida a investidores estrangeiros, não a players locais do setor. O tamanho exato da participação a ser negociada vai depender das propostas e da avaliação da companhia, disse a fonte.
A LHG, focada em minério de ferro e manganês, tem duas minas no Mato Grosso do Sul adquiridas da Vale em 2022, além de um porto próprio. O negócio integra o conglomerado dos irmãos Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS.
A empresa planeja investir cerca de R$ 4 bilhões (US$ 750 milhões) para elevar a produção a 25 milhões de toneladas, com novas plantas de processamento previstas para entrar em operação até 2030 – um nível próximo ao do projeto Minas-Rio, da Anglo American, no Brasil.
Após operar por dois anos nessa capacidade ampliada, a LHG pretende iniciar uma segunda fase de expansão que pode dobrar a produção. Essa etapa demandaria aproximadamente US$ 2,5 bilhões, segundo uma das pessoas.
Desde sua criação, a LHG já multiplicou por seis o volume produzido, alcançando 12 milhões de toneladas anuais, segundo documentos da empresa. A operação escoa a produção por um sistema integrado que inclui porto, terminal marítimo e transbordo no Uruguai.
Uma das últimas usinas a carvão do Brasil voltou a operar nos últimos meses, após um poderoso grupo empresarial investir milhões para manter suas turbinas funcionando na cidade mineradora de Candiota, na porção sul do Rio Grande do Sul.
A Âmbar, dona da usina e controlada pelos irmãos bilionários Wesley e Joesley Batista, aposta que mesmo o Brasil, onde fontes renováveis e baratas produzem mais de 80% da energia elétrica, não deixará de queimar carvão tão cedo, apesar de o combustível ser um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
Como anfitrião da cúpula climática das Nações Unidas, a COP30, neste mês, o Brasil está incentivando os países a abandonarem os combustíveis fósseis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, durante a cúpula de líderes na cidade amazônica de Belém esta semana, que a guerra na Ucrânia tenha levado à reabertura de minas de carvão.
Ainda assim, Candiota e outras cinco usinas a carvão continuam produzindo 3% da eletricidade do Brasil, ilustrando como a pressão de grupos de interesse e a falta de um plano de transição podem manter o uso do carvão mesmo em um país com forte presença de energia renovável.
“O Brasil tem absolutamente o potencial, com todos os recursos solares, além das hidrelétricas e do vento, para descomissionar essas usinas a carvão”, disse Christine Shearer, que monitora o setor de carvão no think tank Global Energy Monitor.
“A força do lobby do carvão, especialmente nos Estados mineradores, é o motivo pelo qual essas usinas ainda existem.”
O contrato regulado da usina de Candiota para fornecer energia expirou no ano passado, levando ao fechamento de empresas locais e à saída de muitos moradores da cidade.
Mas a usina voltou a operar vendendo energia no mercado de curto prazo, ajudando a estabilizar o fornecimento elétrico durante os horários de ponta e quando a geração solar e eólica diminui.
O Congresso e o governo federal também ofereceram uma tábua de salvação às usinas a carvão. No mês passado, parlamentares aprovaram uma medida provisória com um dispositivo que garante contratos até 2040 para usinas movidas a carvão nacional, como a de Candiota. Lula ainda pode vetar a medida.
Carvão habilitado para leilão
O governo brasileiro também habilitou o carvão para participar de um leilão de capacidade programado para março de 2026, que tem por objetivo reforçar a segurança energética ao contratar usinas, principalmente termelétricas, que possam ser ativadas rapidamente quando as fontes eólica e solar não estiverem gerando.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que a contratação dessas térmicas tornará o sistema elétrico mais confiável, permitindo a adição de mais oferta renovável na matriz.
A inclusão do carvão surpreendeu especialistas, que afirmam que as usinas a carvão não têm partida rápida e, portanto, não oferecem a flexibilidade necessária.
Críticos atribuem à falta de planejamento de longo prazo a permanência da queima de carvão, enquanto grandes quantidades de energia limpa acabam sendo desperdiçadas devido à demanda insuficiente e à ausência de linhas de transmissão.
Eles afirmam que isso torna o governo vulnerável à pressão de grupos ligados ao carvão e ao gás natural, apesar dos custos financeiros e ambientais mais elevados.
Os irmãos Batista compraram a usina de Candiota sem um novo contrato de longo prazo à vista porque “vislumbraram possibilidade de serem bem-sucedidos nos seus instrumentos de pressão”, disse Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, uma entidade que critica o apoio ao carvão.
O grupo ambientalista Arayara, outro crítico da Âmbar, está tentando suspender na Justiça a licença ambiental da usina.
Em nota, a Âmbar afirmou que o carvão que abastece sua usina de Candiota é “seguro e amplamente disponível para o sistema elétrico, sendo ideal para garantir a segurança do abastecimento”.
A empresa negou depender de influência política para conseguir um novo contrato para a Candiota ou para outras usinas de seu portfólio. A Âmbar acusou os críticos de representarem os interesses de grandes consumidores de energia em detrimento dos menores, “independentemente das necessidades do sistema elétrico, do meio ambiente e da população brasileira”.
Carvão ainda move economias municipais
Os esforços da Âmbar para manter o carvão vivo colocam o Brasil em uma lista de países como Índia e África do Sul, onde grupos de interesse poderosos têm dificultado os esforços para eliminar o carvão do sistema energético global, um combustível ainda considerado essencial para economias locais em regiões como Candiota.
Fechar a usina permanentemente afetaria não apenas o empreendimento da Âmbar, mas também as minas locais que a abastecem e fábricas de cimento que reaproveitam as cinzas do carvão, resultando na perda de cerca de 10 mil empregos na região.
José Adolfo de Carvalho Junior, que administra uma das minas de carvão da cidade de Candiota, disse que o custo de encerrar a única indústria que oferece empregos de qualidade na região não vale a pena.
“Desligar isso aqui vai resolver o problema do CO2 no planeta? Não, é literalmente uma gota de água no oceano”, afirmou.
O futuro incerto da usina deixa os moradores apreensivos quanto à sua subsistência, disse Graça dos Santos, que foi demitida da planta após o fim do contrato com o governo.
O prazo para o fechamento da usina “precisa ser estendido para que aconteça uma transição energética justa”, disse ela. “Não é justo deixar uma população toda sem trabalho.”
Mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem um plano de transição para Candiota e não avançou significativamente nos planos para as demais usinas a carvão remanescentes.
Sem plano de transição
A região de Candiota também produz carne bovina, vinho e azeites, indústrias que poderiam absorver trabalhadores do carvão com algum investimento, segundo João Camargo, fundador de uma cooperativa de produtores de sementes.
“Eles não criaram nenhuma condição para a transição”, afirmou.
No sindicato local dos mineiros de carvão, o líder Hermelindo Ferreira aponta para mapas que mostram as regiões que perderiam atividade industrial – e os empregos associados – se a usina fosse fechada.
Ainda assim, ele admite que a confiança no futuro do carvão está diminuindo em Candiota. Alguns trabalhadores já se mudaram para cidades vizinhas em busca de melhores oportunidades.
Mesmo lutando para salvar empregos, Ferreira disse que está incentivando os colegas a aprender novas habilidades. Ele mesmo já obteve certificação para fazer manutenção em torres que medem a velocidade do vento, na esperança de que a indústria eólica invista na região.
“Não se coloca todos os ovos na mesma cesta”, disse ele.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.
“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.
As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).
Preço da carne em alta e pressão política
Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.
De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.
“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.
A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.
Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação
O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.
Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.
Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.
Histórico de investigações e disputa comercial
Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.
Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.
Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.
Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:
“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.
Pressão dos estados rurais e impacto no mercado
A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.
Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:
“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.
O governo de Rondônia ignorou o parecer de sua própria equipe jurídica ambiental e revogou uma multa contra a JBS, a maior processadora de carnes do mundo, por ter comprado gado criado em uma das unidades de conservação mais desmatadas da Amazônia.
O procurador-geral do estado de Rondônia (PGE), Thiago Alencar, decidiu no mês passado que a multa foi indevida, sob o argumento de que a JBS comprou o gado antes de 2022. Naquele ano, a legislação foi alterada para proibir a compra de animais provenientes de áreas de conservação desmatadas ilegalmente, segundo registros administrativos obtidos pela Bloomberg News.
A decisão da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam) ameaça desfazer quatro anos de trabalho de fiscais ambientais e de procuradores do Estado, que multaram e processaram frigoríficos pela compra de milhares de cabeças de gado de dentro da Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná.
Criada em 1996, a reserva deveria ser destinada ao uso sustentável por seringueiros e coletores de castanha.
Até recentemente coberta por floresta, agora está tomada por pastos que, somados, equivalem à área do município de São Paulo, onde vivem mais de 200.000 cabeças de gado.
“A responsabilização dos elos das cadeias produtivas pelo desmatamento ilegal é fundamental para interromper a continuidade dos danos”, disse Jair Schmitt, diretor de proteção ambiental do Ibama, que também já multou frigoríficos.
Ao todo, a PGE moveu cerca de 50 ações contra frigoríficos, incluindo gigantes do setor como JBS, MBRF Global Foods e Minerva, por supostamente adquirirem milhares de cabeças de gado de fazendas localizadas dentro da reserva entre 2017 e 2021.
As ações judiciais demandam um total de cerca de R$ 690 milhões para ajudar a restaurar parte dos 150.000 hectares de floresta amazônica desmatados para dar lugar a pastagens e para fortalecer o combate a crimes ambientais, segundo documentos judiciais.
Ao recorrer da multa anulada, a JBS argumentou, entre outros motivos, que não poderia ser penalizada pela compra de 55 cabeças porque havia sido feita em 2017, cinco anos antes da mudança na legislação.
Os argumentos da JBS foram inicialmente rejeitados pelo diretor da Procuradoria Ambiental da PGE, Aparício Paixão Ribeiro Júnior. Em uma petição de 7 de agosto, ele concordou com a linha adotada pelos seus colegas que ajuizaram as ações, afirmando que a legislação anterior a 2022 é aplicável e que a lei brasileira responsabiliza não apenas quem causa dano ambiental, mas também quem lucra com ele.
Três semanas depois, porém, um segundo parecer assinado por seu superior, o procurador-geral Alencar, afirmou o contrário e concordou com o argumento da JBS. Ele escreveu que, antes de 2022, a legislação punia apenas ações diretas de desmatamento, e não condutas indiretas, como a compra de gado.
Em 8 de setembro, o órgão ambiental decidiu a anular a multa da JBS, no valor de R$ 2.055.000.
Versão da JBS
A JBS informou, em nota, que o pecuarista responsável pela venda de 55 cabeças de gado de dentro da reserva forneceu coordenadas geográficas falsas, e acrescentou que desde então bloqueou o fornecedor de sua lista de vendas.
A empresa responde a cinco ações civis públicas por supostamente comprar gado dentro da Jaci-Paraná, além de ter sido multada 11 vezes por esse motivo, segundo documentos dos processos.
A decisão sobre a JBS no mês passado expõe a dificuldade de aplicar penalidades na cadeia da carne bovina, principal responsável pelo desmatamento. Ao anular a multa da JBS e enfraquecer as ações judiciais, Rondônia — o estado mais desmatado da Amazônia — corre o risco de anular a investigação mais ampla já realizada que vinculou frigoríficos à criação de gado dentro de unidades de conservação na região.
As multas aplicadas por Rondônia com base em investigações realizadas entre 2021 e 2023 seguem um formato padrão, o que significa que a decisão sobre a JBS cria um precedente para liberar outras empresas de penalidades semelhantes, disse o promotor de Justiça Pablo Viscardi, coordenador interino da área ambiental do Ministério Público de Rondôna, que atua de forma independente da PGE.
“A decisão também enfraquece as ações civis públicas, já que estão baseadas nos autos de infração. Mas não é o suficiente para anulá-las, pois estão fundamentadas em mais componentes”, afirmou.
O Ministério Público de Rondônia não pode contestar a decisão administrativa da anulação da multa da JBS. Mas Viscardi afirmou que o órgão continuará auxiliando a PGE nos processos contra frigoríficos e fazendeiros.
MBRF Global Foods e Minerva se recusaram a comentar os processos, mas afirmaram que mantêm práticas rigorosas de rastreio e compra de gado.
Ao todo, 10 frigoríficos foram multados e processados por adquirir gado criado em Jaci-Paraná. Os maiores compradores, Distriboi e Frigorífico Irmãos Gonçalves (Frigon), foram condenados em primeira instância. Nenhum deles respondeu a solicitações de esclarecimento.
A JBS anunciou nesta quinta-feira (2) que vai investir US$ 70 milhões nos próximos dois anos para expandir sua operação de frangos no Paraguai. O anúncio ocorreu durante visita do presidente paraguaio Santiago Peña à unidade da Seara em Dourados (MS).
É uma volta da empresa ao país. A JBS tinha saído do Paraguai em 2017, quando vendeu abatedouros de bovinos à Minerva.
O primeiro passo do investimento foi a compra da Pollos Amanecer, marca local que opera uma fábrica em Doctor Juan Eulogio Estigarribia (Campo 9), no departamento de Caaguazú.
Localizada em uma das maiores regiões agrícolas paraguaias, a unidade tem fácil acesso a lavouras e fica um raio de 200 quilômetros das três maiores cidades do país: a capital Assunção, Ciudad del Leste (na fronteira com Brasil e Argentina) e Luque.
Segundo Wesley Batista, acionista e conselheiro da JBS, o país oferece vantagens como custos competitivos de grãos, mão de obra qualificada e abundância de recursos.
Após obras de modernização e ampliação, a planta terá capacidade para processar 100 mil aves por dia, atendendo tanto ao mercado interno quanto ao externo. O complexo empregará cerca de 1.100 pessoas e incluirá 28 granjas de material genético, incubatórios e uma fábrica de ração.
O plano de expansão da Seara incluirá investimentos para produtores de frango integrados da região, conhecida pela presença de imigrantes menonitas vindos do Canadá, que se estabeleceram na região a partir da década de 1950.
Atualmente, a fábrica opera com frangos produzidos em 19 aviários. O plano é chegar a 139 quando o ciclo de expansão da fábrica for concluído.