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Petróleo Brent e WTI: entenda a diferença entre os barris da commodity

12 de Março de 2026, 20:07

O petróleo voltou ao centro das atenções do mercado internacional com a escalada da guerra que envolve Irã, Estados Unidos e Israel. A cotação do barril do Brent, referência global da commodity, encerrou esta quinta-feira (12) acima da marca de US$ 100, pela primeira vez desde 2022.

Em meio às tensões no Oriente Médio e aos riscos em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, dois tipos de petróleo ganham destaque neste momento: Brent e WTI, as principais referências globais para o preço da commodity.

Apesar de aparecerem frequentemente lado a lado nas cotações internacionais, o petróleo Brent e o WTI possuem características diferentes de origem, produção e formação de preço.

  • Além das referências globais, existem também classificações utilizadas para caracterizar diferentes tipos de petróleo produzidos em países específicos.

No caso do Brasil, a indústria nacional utiliza denominações próprias para identificar a qualidade e a origem do óleo extraído em campos locais e também recorre aos padrões internacionais para se posicionar dentro do mercado global da commodity.

Leia Mais: Carlos Kawall: na conta da inflação, câmbio pesa mais do que choque do petróleo

Produção do petróleo Brent e WTI

A diferença entre os dois tipos de barril começa pela origem da extração.

O Brent, principal referência internacional da commodity, é extraído de campos petrolíferos no Mar do Norte, em uma região situada entre o Reino Unido e a Noruega.

Por se tratar de um petróleo marítimo, isto é, extraído do fundo do mar, o Brent possui maior facilidade logística para ser transportado para diferentes portos internacionais.

  • Devido a essa flexibilidade logística, o petróleo Brent tornou-se a principal referência do mercado, utilizada para precificar cerca de 80% do petróleo comercializado globalmente.

Já o WTI (West Texas Intermediate), produzido onshore (em terra) nos EUA, também é uma referência importante, porém com particularidades diferentes.

A extração da commodity é feita em campos localizados no Texas e em outras regiões produtoras do país, sendo o armazenamento centralizado na região de Cushing, localizada em Oklahoma, que funciona como ponto central de estocagem e entrega física do petróleo.

A logística nesse hub é feita por meio de tanques de armazenamento conectados a diversos oleodutos que distribuem o petróleo para refinarias ou outros pontos da rede energética dos EUA.

  • Com isso, o petróleo WTI está mais associado ao mercado norte-americano e serve como principal parâmetro de preços para o mercado energético dos EUA, maior economia do mundo.

Composição química do petróleo Brent e WTI

Na composição química, as diferenças entre o petróleo Brent e o WTI também aparecem de forma mais técnica.

O WTI é classificado como um petróleo leve e “doce”, com teor de enxofre em torno de 0,24%, característica que facilita o processo de refino e permite uma produção maior de derivados como gasolina e diesel.

  • O termo “doce” (sweet) é usado para indicar baixo teor de enxofre na composição do óleo bruto, enquanto o tipo com alto teor é chamado de “ácido” (sour).

O Brent também possui baixo teor de enxofre e densidade considerada média a leve, mas costuma apresentar uma classificação ligeiramente mais pesada na escala API quando comparado ao WTI.

  • API é uma escala que indica a densidade do óleo em relação à água, utilizada para classificar diferentes tipos de petróleo bruto. Quanto mais leve, melhor a qualidade do petróleo.

A diferença de composição influencia diretamente a eficiência do refino: petróleos mais leves e com menos enxofre exigem menos etapas de processamento e demandam menos processos adicionais para a produção de combustíveis.

Cotação do petróleo Brent e WTI

Além disso, o Brent e o WTI também se diferenciam pelos ambientes em que são negociados, ligados a diferentes centros financeiros do mercado de energia.

O Brent tem seus contratos futuros e derivativos negociados principalmente na Bolsa de Londres, que reúne operações ligadas ao mercado internacional de energia.

Sua cotação é mais influenciada por fatores geopolíticos, econômicos e logísticos, sendo especialmente sensível a mudanças no ambiente político internacional.

Conflitos em regiões produtoras, especialmente no Oriente Médio, costumam ter impacto direto sobre as cotações do petróleo Brent, uma vez que elevam o risco de interrupção no abastecimento e adicionam um prêmio de risco ao barril.

E a sensibilidade do Brent não para por aí.

Decisões da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) que alteram a oferta global, eventos climáticos extremos e variações cambiais — especialmente do dólar — também podem afetar os custos de produção, transporte e importação do petróleo.

Já o WTI é negociado na Nymex (Bolsa de Mercadorias de Nova York), que concentra as operações ligadas ao mercado de energia nos Estados Unidos.

Os estoques de petróleo em Cushing são centrais na formação do preço do WTI. A relação segue a lógica básica de oferta e demanda.

Estoques elevados tendem a pressionar os preços da commodity para baixo. Já quedas nos níveis de armazenamento costumam impulsionar a cotação do barril.

  • Em condições normais de mercado, o petróleo WTI tende a ser negociado por um valor ligeiramente superior ao Brent, devido à sua composição química e ao menor custo de refino.

No entanto o aumento das tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção nas rotas marítimas internacionais tendem a pressionar mais a cotação do Brent, devido ao seu uso como padrão internacional.

Como a alta do Brent e do WTI podem afetar o petróleo produzido no Brasil?

As variedades de petróleo produzidas no Brasil também seguem a dinâmica do mercado internacional.

Os barris de petróleo Tupi e Marlim têm seus preços influenciados diretamente pelas cotações globais, principalmente pelo Brent, que serve de referência para decisões comerciais de empresas como Petrobras e PRIO.

Extraído das reservas do pré-sal, o petróleo Tupi é classificado como um óleo leve, por apresentar características semelhantes às de petróleos de alta qualidade no mercado internacional.

  • Com isso, sua cotação tende a acompanhar a valorização do Brent quando os preços globais sobem.

O petróleo Marlim, por sua vez, é classificado como um óleo pesado, produzido na Bacia de Campos, localizada no litoral entre o norte do Rio de Janeiro e o sul do Espírito Santo.

Seu preço também segue os movimentos de alta do Brent, mas normalmente é negociado com “desconto” em relação aos óleos mais leves, devido à maior complexidade no processo de refino.

O WTI também influencia os preços locais, embora o Brent seja a principal referência utilizada no Brasil.

Por ser um petróleo mais leve e com menor teor de enxofre, o WTI costuma ser negociado por valores mais altos que o Brent.

  • Quando a cotação do WTI atinge níveis elevados, isso pode indicar mudanças de oferta ou demanda nos Estados Unidos, com reflexos nas cotações globais.

Na prática, movimentos de alta do WTI tendem a elevar o valor de exportação dos petróleos brasileiros, ao mesmo tempo em que pressionam o custo dos combustíveis no mercado interno.

Imposto de Renda 2026: como se organizar mês a mês para declarar o ano-base 2025

9 de Janeiro de 2026, 18:40

A declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) referente ao ano-base 2025 deve começar, como de costume, em março, com prazo de entrega que normalmente vai até o fim de abril — ou, como ocorreu em alguns anos, até o fim de maio. O programa da Receita Federal costuma ser liberado alguns dias antes da abertura oficial do prazo, permitindo que o contribuinte já se organize com antecedência.

Com a temporada de declaração se aproximando, preparar documentos e informações ao longo do ano é a melhor forma de evitar erros, cair na malha fina ou pagar mais imposto do que o necessário.

Ao tratar a declaração do Imposto de Renda como um processo contínuo — e não apenas como uma obrigação concentrada em março e abril — o contribuinte ganha previsibilidade, reduz riscos e transforma o acerto com o Fisco em uma tarefa muito mais simples.

Janeiro: organize a base da declaração

Janeiro é o mês ideal para montar a estrutura da declaração. Crie uma pasta (física ou digital) exclusiva para o Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025). Liste fontes de renda, bens, investimentos, dívidas e possíveis deduções para ter uma visão geral da sua situação fiscal.

Fevereiro: reúna comprovantes de renda

Empresas, bancos e órgãos públicos costumam liberar informes de rendimentos até o fim de fevereiro, prazo legal da Receita Federal. Separe holerites, informes de aposentadoria, pró-labore, aluguéis e rendimentos financeiros.

Março: programa do IR é liberado e prazo começa

O programa da declaração do Imposto de Renda costuma ser disponibilizado no início de março, pouco antes da abertura oficial do prazo. Quem consegue enviar a declaração logo no começo reduz o risco de erros e aumenta as chances de receber a restituição nos primeiros lotes.

Abril: revisão cuidadosa antes do prazo final

Para quem ainda não entregou, abril é o momento de revisar despesas médicas, gastos com educação, previdência privada (PGBL) e informações sobre dependentes. Erros nessa etapa estão entre os principais motivos de retenção na malha fina.

Maio: possível prorrogação e início das restituições

Em alguns anos, o prazo é prorrogado até o fim de maio. Também é neste mês que costuma ser pago o primeiro lote de restituição, priorizando idosos, pessoas com deficiência, professores e contribuintes que entregaram cedo.

Junho a setembro: acompanhamento dos lotes de restituição

Os lotes de restituição normalmente são pagos mensalmente, de maio até setembro. É importante acompanhar o processamento da declaração para identificar eventuais pendências ou retenções.

Outubro: ajustes e regularização

Quem caiu na malha fina costuma aproveitar este período para enviar declaração retificadora ou apresentar documentos solicitados pela Receita Federal. A organização prévia da declaração reduz significativamente a chance de chegar a essa etapa.

Novembro: comece a planejar o Imposto de Renda do próximo ano

Com a declaração do ano-base 2025 praticamente encerrada, novembro é um bom momento para olhar para frente. O contribuinte pode avaliar decisões financeiras que ainda impactam o ano-base 2026, como aportes em previdência privada, organização de despesas dedutíveis e controle mais rigoroso de rendimentos variáveis.

Dezembro: planejamento tributário e organização antecipada

Dezembro é o mês-chave para pensar estrategicamente no próximo Imposto de Renda.
Contribuições à previdência PGBL, doações incentivadas dentro do limite legal e a organização de comprovantes de despesas médicas e educacionais ajudam a começar o próximo ano com vantagem.

Crédito imobiliário: quais são as taxas e os custos entre os principais bancos?

15 de Outubro de 2025, 16:01

Com os juros ainda elevados, a busca por crédito imobiliário perdeu um pouco de fôlego no Brasil. Em agosto deste ano, o volume de financiamentos pelo Sistema Brasileiro da Habitação (SFH) somou apenas R$ 11,6 bilhões – uma queda de 37% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Para tentar dar uma aquecida no setor, especialmente no segmento que atende a classe média, o governo alterou recentemente as regras do financiamento imobiliário, ampliando a cota máxima de financiamento e elevando o texto. A Caixa Econômica Federal deve ser a principal impulsionadora dessa retomada, mas outros bancos também oferecem condições competitivas.

Mas cada instituição, claro, tem taxas e regras próprias. A seguir, veja as condições praticadas pelos principais bancos do país, incluindo as taxas de juros, o limite máximo de financiamento e o prazo para pagamento.

Mas antes, vale esclarecer rapidamente como funcionam as taxas. Nos financiamentos imobiliários, há diferentes formas de cobrança de juros, mas as que realmente impactam o bolso são a taxa efetiva e o Custo Efetivo Total (CET).

A taxa efetiva é o juro real aplicado sobre o saldo devedor – ou seja, o percentual que define o valor das parcelas ao longo do tempo. Já o CET representa o custo total do financiamento: ele soma a taxa de juros com seguros obrigatórios, tarifas administrativas e outros encargos. É o indicador mais completo para saber quanto o crédito imobiliário realmente custa no fim das contas.

Agora, vamos ver as diferenças entre os bancos.

Caixa Economica Federal

Entre todos os bancos, a Caixa Econômica Federal continua oferecendo as menores taxas. O juro mensal está em 0,91%, o que equivale a 11,46% ao ano, considerando o financiamento pós-fixado referenciado na Taxa Referencial (TR) – o mais utilizado pelos tomadores de crédito. Os dados mais recentes são de agosto.


Segundo levantamento de Priscilla Basso, coordenadora de crédito imobiliário da Melhor Taxa, a taxa efetiva da Caixa é de 11,49% ao ano, enquanto o CET é de 12,39%. Para fazer o cálculo, a especialista considerou financiamento de R$ 480 mil, com prazo de 360 meses para uma pessoa com 40 anos (as mesmas características também foram usadas para os outros bancos).

O prazo máximo de financiamento na Caixa é de 35 anos. Já o percentual máximo de financiamento passou de 70% para 80% do valor do imóvel após as últimas mudanças nas regras do setor.

Itaú Unibanco

No Itaú, as taxas ficam em torno de 0,98% ao mês e 12,45% ao ano, de acordo com dados do Banco Central. A instituição financia até 80% do valor do imóvel para clientes de determina categorias. 
 O prazo máximo de financiamento é de 35 anos (420 meses). A taxa efetiva é de 12,39%, enquanto o CET é 13,15%.

Bradesco

No Bradesco, a taxa de juros mensal é de 1,04%, o que corresponde a 13,21% ao ano, segundo dados do Banco Central. O banco financia até 80% do valor do imóvel, com prazos que chegam a 35 anos (420 meses), dependendo do perfil do cliente e da modalidade de crédito escolhida. A taxa efetiva fica na casa dos 13,50%, enquanto o CET fica em 14,46%|.

Santander

O Santander oferece taxas de 1,05% ao mês e 13,32% ao ano. Assim como outros grandes bancos, o limite de financiamento é de até 80% do valor do imóvel. O prazo máximo para quitação também chega a 35 anos, conforme a política de crédito da instituição. Taxa efetiva de 13,29% e CET de 13,93%.

Banco do Brasil

Já o Banco do Brasil pratica taxas um pouco mais altas: 1,19% ao mês, o equivalente a 15,30% ao ano. O percentual máximo de financiamento é de 80% do valor do imóvel, e o prazo de pagamento pode chegar a 30 anos (360 meses).

BancoTaxa de mercado (ao mês)Taxa de mercado (ao ano)Taxa efetivaCETPercentual máximo de financiamentoPrazo
Caixa Econômica0,91%11,46%11,49%12,39%80%Até 35 anos
Itaú0,98%12,45%12,39%13,15%80%Até 35 anos
Bradesco1,04%13,21%13,50%14,46%80%Até 35 anos
Santander1,05%13,32%13,29%13,93%80%Até 35 anos
Banco do Brasil1,19%15,30%17%17,87%80%Até 30 anos

O que esperar das taxas do crédito imobiliário?

Em 2025, em meio ao aumento dos juros no Brasil, as taxas do crédito imobiliário também subiram. Em janeiro, por exemplo, as taxas anuais dos bancos mencionados nesta matéria variaram entre 10,87% a 12,15%, segundo dados do BC. Em setembro deste ano, porém, a variação pulou para 11,46% e 15,30%.

Para Priscilla Basso, da Melhor Taxa, há perspectiva de redução desses valores, especialmente se a taxa básica de juros começar a cair em 2026, como acredita parte do mercado. Os agentes financeiros projetam Selic a 12,25% até o final do próximo ano, segundo o boletim Focus divulgado nesta semana.

“Com a redução da Selic, as taxas de crédito imobiliário tendem a cair, porque o custo de captação dos bancos diminui. Mas a queda é lenta e parcial, pois depende também do risco de crédito, da inflação e da confiança na economia”, disse Priscilla.

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