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Como os ETFs podem ajudar a investir no exterior em um cenário de juros altos e tensão

2 de Abril de 2026, 18:25
marfcelo

 Em um cenário global atravessado por juros ainda elevados e novas tensões geopolíticas, como equilibrar riscos e fazer a escolha certa de investimentos no exterior? Na avaliação de Marcelo Carramaschi, gestor de offshore da Monte Bravo, a construção de portfólio precisa considerar diferentes cenários. “O investidor precisa entender como os ativos se comportam em […]

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ETF de bitcoin da BlackRock registra maior sequência de saídas da história

5 de Dezembro de 2025, 10:12

O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) de bitcoin (BTC) à vista da gigante dos investimentos BlackRock, atravessa sua pior sequência desde o lançamento, em janeiro de 2024.

Nas últimas cinco semanas, o fundo registrou US$ 2,7 bilhões em saídas, segundo dados da Bloomberg até 28 de novembro.

Se o ritmo continuar, o ETF – “queridinho” dos investidores institucionais – deve completar seis semanas consecutivas de resgates. Só ontem, foram US$ 113 milhões em saques.

A onda de saídas anda lado a lado com a queda do bitcoin. Do início de novembro até esta sexta-feira (5), o BTC recuou 16%, pressionado por dúvidas sobre juros globais, aumento da aversão ao risco e incertezas envolvendo empresas cripto.

Nesta manhã, a maior criptomoeda do mercado é negociada a US$ 91.204, em queda de quase 2%, segundo a cotação do InvestNews.

Num efeito dominó, os resgates nesses ETFs também aceleram o movimento de baixa: quando os investidores vendem as cotas, os fundos precisam se desfazer de parte das criptos que mantêm em custódia para o lastro.

E não é só o ETF da BlackRock que está na maré negativa. Os outros fundos de BTC nos EUA também vêm perdendo fôlego. Juntos, os 10 produtos acumulam US$ 4,5 bilhões em saídas nas últimas seis semanas, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.

A movimentação nesses fundos tem impacto no mercado cripto, visto que eles somam US$ 120,8 bilhões em patrimônio acumulado – 6,54% de todo o valor de mercado do bitcoin. O IBIT, sozinho, responde por US$ 71,54 bilhões, quase 60% desse total.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,98%, US$ 91.204,03

Ethereum (ETH): -1,44%, US$ 3.129,78

XRP (XRP): -3,60%, US$ 2,06

BNB (BNB): -1,80%, US$ 893,08

Solana (SOL): -4,40%, US$ 136,69

Outros destaques do mercado cripto

Regulação provoca primeira baixa. A regulamentação das criptos endureceu as regras e passou a exigir capital mínimo – entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões – para empresas atuarem no setor. Muita startup cripto local não tem essa grana. Especialistas já sinalizaram que algumas poderiam fechar as portas. E isso já começou. A Crypto Use, que trabalha com infraestrutura de pagamentos, anunciou que encerrou as operações porque o novo cenário ficou insustentável.

Stablecoins na cola das moedas fracas. As stablecoins seguem no radar de organismos internacionais. Em relatório divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que essas criptos – que mantêm paridade com ativos tradicionais – podem ganhar espaço em países onde a moeda local é fraca ou a inflação é persistente. A instituição alerta que, nesses contextos, a população tende a migrar para alternativas digitais mais estáveis. Fica a pergunta: o real brasileiro entra nesse grupo de risco?

De volta para o Brasil. Em um passado não tão distante, o Brasil foi inundado por golpes com cripto. Um dos últimos a cair foi o esquema Braiscompany, que prometia 8% ao mês, não pagou e desviou mais de R$ 1 bilhão de 20 mil clientes. Foi uma novela só, e o casal responsável pelo esquema fugiu para a Argentina. Lá, eles foram presos em 2024. Agora, a Justiça autorizou a extradição deles para o Brasil. Que isso ajude a recuperar o dinheiro das vítimas, né?

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

Ibovespa tem maior concentração em 12 anos: como isso atrapalha a diversificação da sua carteira

21 de Outubro de 2025, 11:29

O Ibovespa vive o maior nível de concentração em mais de uma década. As dez maiores ações representam juntas mais de 50% do índice — o peso mais alto desde 2013, segundo levantamento do InvestNews. Na prática, isso significa que tentar replicar o Ibovespa hoje – seja por meio de ETFs ou fundos passivos – deixou de ser sinônimo de diversificação.

Entre as 82 ações que formam o índice, dez empresas dominam o desempenho: Vale (11,2%), Itaú Unibanco PN (8,2%), Petrobras (10,4%, somando ações preferenciais e ordinárias), Eletrobras (4,4%), Bradesco PN (4,1%), Sabesp (3,6%), B3 (3,2%), BTG Pactual (3,1%) e Itaúsa (3,1%).

Algumas delas até ganharam espaço nos últimos anos — casos de Sabesp e BTG Pactual —, mas o avanço mais expressivo veio das gigantes que já carregavam peso histórico. A Vale, por exemplo, tinha participação de apenas 3,5% há 12 anos; hoje, sozinha, responde por mais de um décimo do índice.

A concentração é um desafio para quem busca uma carteira equilibrada. Uma das formas mais clássicas de se investir de forma diversificada é por meio de ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham índices como o Ibovespa ou o S&P 500. Mas, com o peso crescente de poucas companhias, o investidor que escolhe um ETF do Ibovespa acaba mais exposto aos riscos específicos dessas grandes empresas do que imagina.

O jeito, então, é combinar mais coisas. O planejador financeiro Robson Ortis sugere como alternativa intercalar setores e segmentos menos representativos nos grandes índices – e sem sequer abandonar o uso dos ETFs, que são de fato alternativas práticas, simples e de baixo custo.

Para os investidores com perfil mais agressivo, ETFs de empresas menores (small caps) são um bom caminho. Assim como para a maioria das ações, as pequenas se aproveitam de um cenário positivo para a renda variável, mas são bem mais sensíveis às perspectivas de juros e atividade econômica, o que apimenta mais a carteira.

O ETF de maior liquidez ligado a essas companhias é o SMAL11, que segue o índice SMLL, composto por papéis bastante diversos. Os 10 de maior participação no índice são todos de empresas com fatia muito pequena dentro do Ibovespa, que não chegam a 1%: Lojas Renner, Assaí, Allos, SmartFit, Multiplan, Brava Energia, Taesa, Cyrela, Natura e Sanepar (que nem no principal índice da B3 está).

Do lado um pouco menos volátil, mas ainda dentro da renda variável, setores com receitas estáveis e menos dependentes do cenário macroeconômico também funcionam para equilibrar a carteira, caso das empresas reguladas de utilidade pública: energia elétrica, saneamento, água e gás.

O mais recente ETF lançado para acompanhar essas companhias é o UTLL11, que segue o índice UTIL, composto por papéis que aparecem no Ibovespa, caso de Sabesp e Eletrobras, mas com importante participação de outras representantes do setor, como Equatorial, Eneva, Cemig, Copel, Energisa e Engie Brasil.

Ao comprar um ETF de Ibovespa, o investidor tem 15% de exposição a essas companhias; via um ETF do setor, a participação desses nomes sobe para 85%. Aqui, aumentar a concentração ao setor na carteira teria uma finalidade de diversificação do portfólio para um perfil mais “defensivo” contra sobressaltos no mercado.

Vale a ressalva de que o UTLL11 ainda está com a liquidez em formação, já que foi lançado em setembro deste ano – o que pode dificultar um pouco a vida de quem desejar comprar e vender o fundo mais rapidamente na bolsa.

Uma camada a mais, com um pé fora do Brasil

Um investidor poderia se perguntar se comprar um ETF simples de S&P 500 não seria o suficiente para trazer mais diversidade para o portfólio. À primeira vista, sim: comprar as 500 maiores companhias americanas é, de cara, uma solução básica indicada por vários consultores e planejadores financeiros.

Ocorre que, da mesma forma que no Ibovespa, a concentração das empresas no índice americano é mais alta da história. Os 10 principais papéis atingiram o pico de 38% de participação no indicador desde 1880, segundo dados do Citi Global Insights. E, hoje, eles são praticamente todos do setor de tecnologia: Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Meta, Tesla e Broadcom.

Com praticamente nenhuma representatividade no mercado brasileiro, o setor de tecnologia tem um papel extremamente importante na estratégia de investimentos. Por isso, nesse caso, um ETF de S&P simples, como o IVVB11, cumpre bem o papel. É preciso se atentar apenas para o risco adicional de ter esse produto: a exposição cambial.

Para o investidor que quer diluir o efeito dessa concentração em poucas empresas e reduzir a volatilidade da carteira, sem precisar abrir uma conta em uma corretora internacional, uma opção são os ETFs híbridos na B3. É o caso do GOAT11, que tem 80% de exposição à renda fixa, via títulos públicos, e 20% ao S&P 500.

A parte de renda fixa acompanha o índice IMA-B, que dá a variação dos títulos atrelados ao IPCA, o conhecido Tesouro IPCA+. E a parte de bolsa americana apenas replica o índice lá fora. Se sete empresas equivalem a 38% do S&P 500, o GOAT11 dilui isso para cerca de 7,6%. Um bom negócio para quem quer dar um passo em direção ao mar, mas sem se molhar demais.

Bitcoin Treasury Company, bitcoin e fundo cripto: quais as diferenças entre os investimentos?

8 de Outubro de 2025, 14:27

A estreia da bitcoin treasury company OranjeBTC (OBTC3) na bolsa de valores nesta semana chamou atenção – e foi destaque em vários veículos, inclusive aqui no InvestNews. Mas, afinal, como esse tipo de empresa funciona? E qual a diferença entre investir nela, comprar bitcoin (BTC) diretamente ou aplicar em um fundo de criptomoedas?

Vamos por partes.

O objetivo de uma bitcoin treasury company é acumular bitcoin e, ao mesmo tempo, fazer com que o valor de suas ações cresça mais do que o próprio BTC, de modo a atrair mais investidores. Ela tenta dar mais valor aos seus papéis por meio de alavancagem financeira – ou seja, captando recursos por meio de dívidas ou novas emissões de ações para comprar ainda mais cripto.

Para fins didáticos, vamos supor que a ação da empresa seja equivalente a um bitcoin (o que não é o caso na realidade, ok?). Se a estratégia da companhia der certo, essa ação poderia passar a representar o equivalente a 1,2 BTC, por exemplo, no período de um ano. Já em uma situação em que o investidor compra 1 BTC, ele vai ter 1 BTC no mesmo período.

Tá, então dá pra dizer que uma bitcoin treasury company é concorrente do Bitcoin? Sim e não.

Sim, porque ela compete pelo seu dinheiro: quem quer se expor ao BTC precisa escolher se compra a criptomoeda ou as ações da empresa. E não, porque o desempenho da companhia depende totalmente do Bitcoin. Se o BTC cair, o valor da empresa também cai. O modelo de negócios da OranjeBTC, portanto, é uma aposta alavancada no sucesso futuro do Bitcoin.

Leia mais:

Quais os riscos?

A acumulação de BTC não gera caixa naturalmente para uma bitcoin treasury company. A única maneira de empresas de tesouraria comprarem mais cripto é por meio de recursos captados no mercado de capitais – como ações, dívidas ou outros instrumentos financeiros.

“Isso só será positivo para os acionistas se as condições de mercado forem favoráveis. Portanto, o maior risco para o negócio é a falta de acesso a capital ou condições de mercado que impeçam a acumulação de moedas/ações”, disse o Itaú BBA, em relatório publicado nesta semana.

Qual a diferença para investir direto em bitcoin

O investimento em uma bitcoin treasury company é diferente de investir diretamente na criptomoeda, via exchange ou banco digital, por exemplo. Nesse caso, o investidor está exposto diretamente ao desempenho do preço do bitcoin – sem amplificadores.

Os riscos são aqueles inerentes ao ativo, como a alta volatilidade. No caso de manter as criptos em uma plataforma, há sempre a preocupação com segurança. Já se o investidor decide guardar suas criptos em carteira própria, é preciso cuidar bem de suas chaves privadas, porque, se as perder, não há como recuperar os ativos.

E os fundos, como os ETFs?

Já os fundos de investimento em cripto reúnem recursos de vários investidores e compram diretamente criptomoedas. No caso dos ETFs – fundos negociados em bolsa e que estão em alta – cada cota representa uma fração dos ativos que o fundo tem (como bitcoin, ethereum ou um mix de criptos, dependendo do produto). Ou seja, o fundo efetivamente compra os criptoativos.

Entre os principais riscos está o de liquidez: ele ocorre quando há pouca ou nenhuma procura pelas cotas do fundo ou pelos criptoativos que compõem o índice de referência.

Uma eventual vantagem dos ETFs e fundos é que o investidor pode ficar despreocupado em relação à custódia do ativo, ou seja, a guarda da criptomoeda. A gestora se torna responsável por contratar um serviço e assumir os riscos.

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