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Messi ganha até US$ 80 milhões por ano no Inter Miami, diz dono do clube

6 de Março de 2026, 13:39

Lionel Messi, astro do futebol argentino, recebe entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões por ano do Inter Miami CF quando são considerados direitos de participação societária e remuneração como jogador, segundo o dono do clube, Jorge Mas.

Messi, de 38 anos, assinou um novo contrato de três anos com o Inter Miami no ano passado, o que deve mantê-lo no clube — a franquia mais valiosa da Major League Soccer — até os 40 anos. Os termos completos do acordo não foram divulgados, mas espera-se que ele se torne sócio do clube quando encerrar a carreira, dado o formato das negociações desde sua chegada em 2023.

Para pagar um dos maiores jogadores da história — além de outros veteranos como Luis Suárez e Rodrigo De Paul —, mas depende fortemente de patrocínios e acordos comerciais, que representam cerca de 55% da receita do clube.

Já direitos de mídia, que são uma fonte essencial para muitas franquias esportivas, representam apenas 2% das receitas do Inter Miami, segundo o dirigente.

“A razão pela qual preciso ter patrocinadores — e que eles sejam de classe mundial — é que jogadores são caros”, disse Mas em entrevista nesta semana. “Eu pago Messi — e vale cada centavo —, mas isso custa de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões por ano. Somando tudo.”

Mas não detalhou como o contrato de Messi é estruturado nem como os custos anuais são calculados. Ainda assim, o argentino é o segundo jogador de futebol mais bem pago do mundo, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, que tem contrato estimado em mais de US$ 400 milhões com o Al‑Nassr FC, da Arábia Saudita.

Mas, empresário de 63 anos baseado em Miami, construiu sua carreira na empresa familiar de construção e desenvolvimento imobiliário MasTec Inc. A companhia listada em bolsa, especializada em infraestrutura de energia e telecomunicações, vale cerca de US$ 23 bilhões.

Nubank

Seu movimento mais recente foi fechar uma parceria de vários anos com a fintech brasileira Nu Holdings. O novo estádio do Inter Miami, que será inaugurado em abril, se chamará Nu Stadium, e o logotipo da empresa aparecerá nas costas das camisas do time a partir de agosto.

O empresário, que controla o clube ao lado do irmão Jose Mas e do ex-astro do futebol inglês David Beckham, disse que não vê necessariamente outros times da MLS como concorrentes fora de campo, mas sim os grandes clubes europeus na disputa por talentos.

Os investimentos pesados no Inter Miami já começaram a gerar resultados esportivos. O clube conquistou sua primeira MLS Cup na última temporada e celebrou o título na quinta-feira na Casa Branca ao lado do presidente Donald Trump.

Em 2022, a Apple fechou um acordo de US$ 2,5 bilhões por 10 anos para garantir os direitos globais exclusivos de transmissão da MLS nos Estados Unidos. No entanto, o contrato foi revisado recentemente e agora terminará ao fim da temporada 2028-29.

Mas recomenda que outros proprietários de clubes foquem mais em patrocínios e acordos de marca do que em receitas de mídia por enquanto.

“Use esse ecossistema para seus patrocinadores, para os patrocinadores que já trabalham com seus times e para gerar valor”, disse Mas. “As pessoas não pensam assim. Eu penso. Porque a avaliação do meu time se baseia nisso. O dinheiro da mídia não muda isso.”

O valor do Inter Miami subiu 22% em 2025, alcançando US$ 1,45 bilhão, o que o tornou o clube mais valioso da MLS, segundo a Sportico.

Ainda não está claro o que acontecerá quando a chamada “Messimania” perder força e Mas e seus parceiros precisarem encontrar o próximo grande astro para atrair torcedores ao estádio e impulsionar as vendas de produtos.

Mas, diz aceitar o desafio.

“Eu transformei a MLS. Alguns criticam, outros elogiam. Eu conduzo o barco porque acredito que precisamos mudar muitas coisas”, afirmou. “Você não pode ter medo da mudança. Para prosperar e ter sucesso, é preciso fazer as coisas de forma diferente.”

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Argentina anuncia acordo de comércio e investimentos com governo Trump

5 de Fevereiro de 2026, 17:52

A Argentina afirmou que assinou um acordo de comércio e investimentos com o governo de Donald Trump, cumprindo o compromisso do presidente Javier Milei de abrir a economia sul-americana.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse que os dois países assinaram o acordo em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, mas não forneceu detalhes sobre o texto final.

Os dois países haviam concordado anteriormente com um acordo-quadro em novembro, que previa que a Argentina fizesse várias concessões em sua economia historicamente protecionista, enquanto os EUA concordaram em remover algumas tarifas recíprocas sobre produtos farmacêuticos e “recursos naturais indisponíveis”.

O chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e o Ministério das Relações Exteriores da Argentina não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que não tinha comentários imediatos.

O acordo-quadro afirmou que a Argentina se comprometeu a importar carros fabricados nos EUA e a aceitar alimentos certificados pela Food and Drug Administration (FDA). A Argentina também abrirá seu mercado para o gado vivo e dará aos produtores americanos acesso preferencial para vender ao país “determinados medicamentos, produtos químicos, máquinas, produtos de tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos automotores e uma ampla gama de produtos agrícolas”.

O acordo também aborda direitos de propriedade intelectual e comércio digital, entre outros temas, segundo o documento-quadro.

Trump tem buscado repetidamente ajudar Milei, um de seus principais aliados na América Latina. Em setembro passado, quando Milei enfrentava uma difícil eleição de meio de mandato, o Tesouro dos EUA anunciou um pacote de ajuda de US$ 20 bilhões que ajudou a mitigar uma venda massiva da moeda e a reforçar a confiança do mercado em seu governo.

O partido de Milei então conquistou uma vitória esmagadora na eleição de outubro, desencadeando uma alta nos mercados.

A nação sul-americana frequentemente figura entre as piores do mundo em barreiras comerciais, já que suas tarifas tiveram média de 13% nos últimos anos, em comparação com 3,5% nos EUA, segundo dados do Banco Mundial. A última tentativa da Argentina de abrir sua economia, nos anos 1990, devastou a indústria local e fez com que o livre-comércio se tornasse sinônimo de perda de empregos para muitos eleitores.

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Banco Central da Argentina anuncia mudanças na política cambial

15 de Dezembro de 2025, 17:50

O governo do presidente argentino Javier Milei revelou alterações em sua política cambial e anunciou nesta segunda-feira (15) uma campanha para recompor suas reservas internacionais esgotadas, avançando um passo em direção ao câmbio flutuante que investidores vêm desejando há anos.

A partir de 2026, as bandas de negociação do peso acompanharão a inflação mensal, em vez do ritmo atual de 1%. Em novembro, os preços subiram 2,5%, o que significa que as bandas poderão se expandir a mais do que o dobro do ritmo vigente no curto prazo.

Reservas internacionais

O banco central também começará a acumular reservas, planejando comprar US$ 10 bilhões no próximo ano em um cenário-base, podendo o valor aumentar dependendo da demanda monetária, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.

“Após navegar com sucesso o período de incerteza eleitoral, as condições agora permitem avançar para uma nova fase do programa monetário”, afirmou o banco central. “Esta etapa apresenta condições favoráveis para o crescimento, a remonetização da economia e a acumulação de reservas internacionais.”

Os títulos soberanos da Argentina registraram alta com a notícia. Notas com vencimento em 2035, algumas das mais líquidas, subiram mais de 1 centavo, chegando a quase 73 centavos por dólar.

As novas medidas atendem às demandas de investidores por uma política cambial mais flexível, após alertas de analistas sobre uma moeda sobrevalorizada nos dois primeiros anos do governo Milei. Também representam as mudanças mais significativas desde que a Argentina finalizou seu acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional em abril.

Autoridades do FMI alertaram recentemente que seria “desafiador” para a Argentina atingir a meta de acumulação de reservas do programa, algo que exigiria aprovação do conselho do fundo para uma nova dispensa. O governo já havia recebido uma dispensa anteriormente neste ano por não atingir a mesma meta.

“É um passo positivo na direção da normalização”, afirmou Alejandro Cuadrado, chefe global de câmbio do BBVA, acrescentando que o peso pode se desvalorizar um pouco em função da mudança de política. O anúncio foi feito após o fechamento dos mercados locais, com o peso cotado a 1.438,5 por dólar.

Após eleições

Milei entra na segunda metade de seu mandato com novo fôlego após vitória expressiva nas eleições legislativas de outubro. Um novo Congresso foi empossado na semana passada, com os libertários de Milei se tornando o maior bloco da legislatura, enquanto ele tenta aprovar uma reforma trabalhista significativa e o orçamento anual.

Antes da votação, a equipe econômica de Milei priorizou a defesa do peso e o controle da inflação em detrimento da acumulação de reservas. Analistas consideram a mudança de política como positiva, devendo favorecer os preços dos títulos.

“Parece um reconhecimento de que a estratégia atual de acumulação de reservas foi insuficiente e estão calibrando para acelerar a aquisição de reservas”, afirmou David Austerweil, vice-gerente de portfólio da Van Eck Global, chamando a medida de “positiva para o crédito”.

Austerweil ainda destacou que a acumulação de reservas “entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões no próximo ano é muito positiva”.

Escalada do ouro aumenta em 40% as previsões de investimento na mineração brasileira

5 de Dezembro de 2025, 06:00
Complexo da AngloGold Ashanti em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei… No século 18, metade da produção mundial de ouro saía do Brasil – quase tudo dessas cidades mineiras e arredores. De lá para cá, as coisas mudaram. Minas ainda dá muito ouro, mas o país responde por apenas 2% da extração global: 84 toneladas em 2024. Somos o 15º no ranking mundial de produção.

Só que temos potencial para mais. “O Brasil possui grandes reservas geológicas de ouro no subsolo. E uma parte significativa ainda não está explorada”, diz Rafael Marchi, diretor para Infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal.  

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São pelo menos 2,4 mil toneladas em reservas. Isso coloca o Brasil entre as dez maiores reservas mundiais, com 4% do total. Um potencial interessante para um momento em que o ouro redefine seu patamar de valorização. São 155% na década. 60% só em 2025 – a US$ 135 o grama (ou US$ 4,2 mil a onça, como prefere o mercado).

Uma alta alimentada em grande parte por compras vorazes dos Bancos Centrais. Vários deles, a começar pelo da China, têm trocado parte de seus dólares pelo metal amarelo – seja por desafinidade geopolítica, seja por medo da dívida americana. Ela está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial (120% do PIB), o que enfraquece a credibilidade do dólar.

A expansão do ouro e a retração do dólar nas reservas dos BCs ficam nítidas a partir de 2020. Veja aqui:

Mas essas são outras histórias. O ponto é que a alta sustentada do ouro estimula investimentos nas pesquisas em busca de novas áreas de exploração, e de ampliar as que já existem. 

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revisou para cima as previsões de investimento das empresas na extração de ouro. O instituto faz esse cálculo para períodos de quatro anos. No ano passado, previram US$ 1,4 bilhões (R$ 8,1 bi) para o intervalo 2024-2028. Neste ano, aumentaram a estimativa para 2,1 bilhões (R$ 11,4 bi). Uma alta de 39%.

Trata-se da maior mudança de previsão entre todos os minerais, exceto terras raras – nesse caso, alta de 49% nas previsões de investimentos; um salto catapultado pela urgência americana de acabar com o monopólio chinês nesse quesito. Mas voltemos ao metal que brilha. 

Saint John d’El Rey 

Uma das companhias com investimentos robustos no Brasil é a sul-africana AngloGold Ashanti. Ela é a terceira maior produtora em território nacional, com 10,6 toneladas em 2024 (atrás da canadense Kinross e da Vale). E a mais antiga – de longe.

Começou por aqui há quase 200 anos, em 1834, quando a operação brasileira se chamava Saint John d’El Rey Mining Company – uma mineradora com capital britânico que recebeu autorização do Império para explorar ouro em Minas Gerais. 

Desde lá, a história dela segue uma linha contínua, com a empresa mudando de controle e de nome ao longo do tempo, até chegar na estrutura atual da AngloGold Ashanti. E hoje um destaque ali é justamente a tecnologia para seguir tirando ouro – de camadas cada vez mais profundas, conforme as minas a céu aberto vão se exaurindo.    

Ela opera a mina mais profunda do país, no complexo Operações Cuiabá (apesar do nome, ele fica em Minas Gerais, nos municípios de Caeté e Sabará). A mina tem 1,6 km de profundidade. É o ponto mais profundo do território brasileiro. 

E em sondagens recentes, a companhia identificou ocorrências de ouro 2,4 km abaixo da superfície. E a extração pode ser viável – a mina de Mponeng, na África do Sul e que já foi da AngloGold, extrai o metal precioso a 4 km de profundidade. 

Em sondagens recentes, a AngloGold identificou ocorrências de ouro a mais de 2.400 metros de profundidade (Divulgação)

Com operação em nove países, a AngloGold se programou para investir R$ 800 milhões no Brasil neste ano. O grosso do dinheiro envolve melhorias nas operações atuais. E uma parte (R$ 15 milhões) foi destinada a pesquisas greenfield – de prospecção de novas áreas.   

É devagar, devagarinho

O efeito da cotação do ouro nos resultados das mineradoras é óbvio. O lucro operacional (Ebitda) da AngloGold cresceu 109% no terceiro trimestre de 2025 pela comparação anual, a US$ 1,55 bilhão.  

“A valorização do ouro tem um efeito positivo para o setor como um todo, pois tende a atrair investimentos e estimular projetos em países com alto potencial geológico, como o Brasil”, diz Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti para a América Latina. Ele assumiu a posição em junho deste ano, após o antigo comandante, Marcelo Pereira, ascender ao cargo de COO global. 

Na mineração, porém, não existe um “aperta o botão aí e dobra a produção”. Os projetos levam anos, décadas, para amadurecer. E com ouro a situação é ainda mais peculiar. Para extrair a quantidade que vai numa aliança (6 gramas), você precisa explodir pelo menos uma tonelada de rochas na mina. Haja expansão.

Por essas, a produção global de ouro cresceu apenas 2% entre o 3T24 e o 3T25, mesmo com um rali de 45% no preço do metal nesse intervalo. A do complexo Operações Cuiabá, de qualquer forma, avançou mais: 6%

Tal como no petróleo

O caso da AngloGold, por sinal, ajuda a explicar a dinâmica da mineração de ouro. Num aspecto, ela é parecida com a exploração de petróleo. Da mesma forma que junior oils compram campos maduros das majors, mineradoras menores costumam comprar ativos das maiores, com a ideia de explorá-los sob uma estrutura de custos mais enxuta. 

O caso mais recente nessa linha, em território brasileiro, aconteceu justamente entre a sênior AngloGold (faturamento US$ 5,8 bilhões/ano) e a canadense Aura Minerals, de menor porte (US$ 594 milhões/ano).     

Na última terça-feira (2), a sul-africana concluiu a venda da Mineração Serra Grande, que possui três minas subterrâneas e uma a céu aberto na cidade de Crixás (GO), para a canadense. Em 2024, a unidade produziu 2,5 toneladas de ouro, um pouco abaixo das 2,7 toneladas de um ano antes.

O acordo, anunciado em junho, foi fechado por US$ 76 milhões mais 3% em royalties sobre os lucros futuros da operação. Lima comenta que o ativo não fazia mais parte do plano estratégico da companhia: 77% da produção da AngloGold no país veio das operações em Minas Gerais. 

Agora ficam só elas no portfólio brasileiro da empresa – na mesma região onde ela já extraía ouro em 1834, nos tempos de Saint John d’El Rey Mining Company, quando o ouro era cotado a US$ 20,67 a onça. Contabilizando 194 anos de inflação do dólar, aliás, isso só US$ 760 em dinheiro de hoje, o que dá uma ideia da dimensão do rali pelo qual estamos passando agora. 

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Como a soja virou protagonista na guerra comercial entre EUA e China

10 de Novembro de 2025, 06:00

Depois de anos sendo sacudido por disputas globais, o fazendeiro de Illinois Dean Buchholz achava que já tinha visto de tudo. Mas até ele se surpreendeu quando sua safra de soja acabou envolvida numa crise financeira sul-americana.

Dias depois de o governo Trump prometer um empréstimo de US$ 20 bilhões para reforçar as finanças da Argentina, sob o presidente libertário Javier Milei, a China comprou bilhões de dólares em soja argentina. O megacontrato agrícola repercutiu nos mercados internacionais, pressionando os preços da soja americana e dando impulso à moeda argentina.

Em meio a uma guerra comercial entre Pequim e Washington, China e Argentina uniram forças para mostrar que o mundo pode viver sem a soja dos Estados Unidos. Alguns produtores americanos viram isso como uma traição. “A gente usou dinheiro de impostos para ajudar um país estrangeiro”, disse Buchholz, “e eles basicamente cortaram nossa garganta.”

Acordo e desconfiança

Na semana passada, o presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping concordaram em reduzir as tensões comerciais após uma reunião na Coreia do Sul. Trump disse que cortaria tarifas sobre produtos chineses se Pequim limitasse as exportações de insumos usados na produção do opioide fentanil. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a China prometeu comprar 12 milhões de toneladas de soja americana nesta safra e 25 milhões de toneladas por ano nos próximos três anos.

“Nossos grandes produtores de soja, que os chineses usaram como peões políticos — isso acabou. Eles vão prosperar nos próximos anos”, disse Bessent.

Mas muitos agricultores ainda se sentem como peões. A manobra chinesa destacou os riscos de depender de uma potência capaz de abalar fortunas ao fechar a torneira do comércio.
Os termos do acordo não foram divulgados. Pelo que se sabe, a China concordou em comprar menos soja dos EUA neste ano do que no anterior. Na última década, o país importou em média 29 milhões de toneladas por ano.

“Acho que todo mundo nos usa como peões”, disse David Isermann, que cultiva cerca de 1 mil hectares (10 km²) no condado de LaSalle, em Illinois. Como muitos produtores, ele espera para ver se a China realmente cumprirá a promessa. Boa parte do interior agrícola apoia Trump, diz Isermann, mas “ele irritou os produtores de soja”.

Os preços pagos aos agricultores subiram desde o anúncio do acordo, mas, no terminal de grãos de Walsh, no nordeste de Dakota do Norte, o preço recente — abaixo de US$ 10 por bushel (medida equivalente a 27,2 kg de soja) — ainda torna a oleaginosa um negócio deficitário para a maioria.
Marvin Yoder, que cultiva mais de 2 mil hectares (20 km²) de milho e soja em Jacksonville, Illinois, dirigiu cerca de 130 quilômetros até a região de St. Louis para vender a colheita.

Foto: Adobe Stock

O porto no rio Mississippi paga cerca de 40 a 45 centavos a mais por bushel que o armazém local. Yoder diz que o acordo pode ajudar as finanças dos produtores no curto prazo, mas não resolve o problema maior: o Brasil.

“Os EUA dominaram as exportações agrícolas globais, mas o resto do mundo alcançou”, afirmou. “O Brasil cresce todo ano — tem terra barata, mão de obra barata e produtores muito competentes também.”

A incerteza do mercado chega em má hora para os produtores americanos de soja. A safra deste ano foi projetada como uma das maiores da história, deixando os agricultores com mais grãos do que destinos para vendê-los.

Os custos estão subindo e os preços, baixos. Alguns que já venderam parte da colheita enfrentam prejuízos. Trump prometeu um pacote de resgate multibilionário para manter as fazendas de pé. Mike Dahman, que cultiva cerca de 8 mil hectares (80 km²) em Winchester, Illinois, diz que a soja foi um mau negócio neste ano. Somando o custo do arrendamento e das operações, calcula que perderá cerca de US$ 100 por hectare colhido.

Dahman tem armazenado a maior parte da safra em vez de vendê-la. No mês passado, levou um caminhão de grãos recém-colhidos até um silo da Cargill em Florence, Illinois, mas foi recusado enquanto o local carregava uma barcaça. Vendeu a um armazém vizinho por um preço um pouco menor. “Se você está plantando soja, provavelmente vai perder dinheiro”, disse.

A história da China

A China, de longe o maior importador mundial de soja, ajudou a transformar a oleaginosa na segunda cultura mais plantada dos EUA. O Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos abriu um escritório em Pequim em 1982 para promover o grão rico em proteína usado na engorda de suínos e aves.

Nos anos 1990, com a ascensão da classe média chinesa e o aumento do consumo de carne, a demanda por soja disparou. Em resposta, agricultores americanos converteram milhões de hectares antes dedicados ao trigo, especialmente nas Grandes Planícies.

Cerca de metade da soja americana é exportada a cada ano. O restante é processado em óleo para culinária e biocombustíveis, como o diesel, e em farelo para ração animal. Avanços tecnológicos das maiores empresas de sementes e defensivos devem elevar a produtividade nos próximos anos.
Uma cadeia logística inteira se formou em torno da soja e das exportações para a China — plantas de processamento, ferrovias e melhorias em portos da Costa Oeste. Por décadas, a oleaginosa sustentou milhares de produtores e economias rurais dependentes das vendas a Pequim.

Tudo mudou no primeiro mandato de Trump, quando ele impôs tarifas à China, desencadeando uma guerra comercial. As importações chinesas de soja americana despencaram, e o governo teve de compensar as perdas com cerca de US$ 23 bilhões em subsídios entre 2018 e 2019.

As exportações depois se recuperaram, mas a China gastou dezenas de bilhões de dólares fortalecendo a cadeia agrícola da América do Sul — especialmente no Brasil. A estatal chinesa Cofco, uma grande trader agrícola, desenvolve um grande terminal no Porto de Santos para exportar soja e milho.

O fator Brasil e a Argentina

O Brasil ultrapassou os EUA como maior exportador mundial há mais de uma década, impulsionado por investimentos e uma vasta área agrícola. No ano passado, respondeu por 70% das importações chinesas, o dobro da fatia de 15 anos atrás.

O país é criticado por desmatar para expandir a produção. Em uma conferência neste ano, o vice-secretário de Agricultura dos EUA, Stephen Vaden, chamou o desmatamento brasileiro de “prática comercial desleal” que dá vantagem aos produtores locais.

Trump voltou a elevar as tensões com a China após reassumir a presidência. O governo acreditava que Pequim precisava da soja americana, e o confronto evoluiu para uma disputa de barreiras comerciais. A China reagiu.

Em setembro, a Argentina suspendeu sua taxa de exportação de 26% sobre produtos agrícolas até atingir US$ 7 bilhões em vendas. Dias depois, vendeu praticamente todo esse volume à China, incluindo dezenas de carregamentos de soja.

Autoridades argentinas disseram que a medida visava fortalecer o peso, segundo uma publicação nas redes sociais do então porta-voz presidencial. Mas, em meio a um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões articulado pelo Tesouro americano, muitos produtores nos EUA sentiram-se traídos.

O secretário do Tesouro, Bessent, estava na 80ª Assembleia-Geral da ONU em setembro quando recebeu uma mensagem de texto da secretária de Agricultura, Brooke Rollins: “Os preços da soja estão caindo ainda mais por causa disso. Isso dá mais poder de barganha à China.”

Gigantes do agronegócio como a Cargill — maior empresa privada dos EUA — e a Archer Daniels Midland foram as responsáveis por levar a soja argentina até a China. É parte da lógica global das tradings, que lucram com operações externas mesmo enquanto os produtores americanos sofrem com a queda nas exportações.

Segundo Brian Sikes, CEO da Cargill, países como o Brasil devem ajudar a expandir a produção agrícola global para alimentar a população crescente. “Vemos a América do Sul como um investimento, com certeza”, disse. A Cargill, com sede em Minnesota, investiu cerca de US$ 1,5 bilhão no Brasil nos últimos cinco anos, incluindo em unidades de processamento de soja.

Entidades do setor agrícola americano celebraram o novo acordo com a China. “Expandir mercados e retomar as compras chinesas vai trazer previsibilidade para produtores que estão lutando para se manter”, disse Zippy Duvall, presidente da American Farm Bureau Federation. Ainda assim, analistas alertam que as tensões entre China e EUA podem voltar a piorar. “Há um sentimento cauteloso de otimismo”, disse Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX.

“Mas também a consciência de que os dois países ainda estão longe de resolver suas diferenças.” O CEO da Archer Daniels Midland, Juan Luciano, afirmou nesta semana que os benefícios do acordo recente com a China ainda são incertos. “Precisamos de clareza sobre o acordo”, disse. “À primeira vista, parece positivo, mas ainda não vimos um documento conjunto com os detalhes.”

Entre setembro e o início de outubro, as exportações americanas — excluindo a China — subiram cerca de 45% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Jim Sutter, diretor do Conselho de Exportação de Soja.

Tailândia, Bangladesh, Paquistão e países europeus ampliaram suas compras. No norte da África, Egito e Marrocos despontam como oportunidades de crescimento, diz Sutter. Mas nada substitui a China. As grandes compras semanais do país durante a colheita americana trazem previsibilidade; já os pedidos de outros mercados são irregulares, elevando custos de armazenagem e incerteza.

Greg Amundson, que cultiva cerca de 3 mil hectares (30 km²) no nordeste de Dakota do Norte, diz que, em um ano normal, toda a sua soja iria para a China. Neste ano, levou a produção a uma planta de esmagamento — onde os grãos são transformados em óleo e farelo para ração —, mas se diz frustrado com os preços baixos. Centavos por bushel podem determinar a diferença entre lucro e prejuízo. Sinais de dificuldade já vinham aparecendo na economia rural antes mesmo de Trump reassumir o cargo.

O excesso de milho e soja após várias safras recordes derrubou os preços. Os fertilizantes de Amundson custam cerca de US$ 100 por saco a mais que no ano passado. As sementes subiram entre 10% e 20%.
“O acordo com a China pode trazer alguma estabilidade”, disse. “Mas tem soja demais no mundo — é por isso que os preços estão tão baixos.”

Vitória legislativa dá uma segunda chance para Milei reformar a economia argentina

27 de Outubro de 2025, 12:27

Uma vitória retumbante do partido de Javier Milei nas eleições de meio de mandato no domingo (27) — com uma tábua de salvação dos EUA — deu ao presidente libertário um novo impulso em sua busca para reformar a Argentina e quebrar o ciclo de dívidas, inadimplência e crises do país.

Agora, Milei enfrenta a difícil tarefa de aproveitar a segunda chance que acabou de ganhar. Para capitalizar, ele terá de provar que consegue forjar alianças políticas fortes e evitar as armadilhas que condenaram líderes reformistas anteriores — e que quase o destruíram antes da votação.

No mês passado, os eleitores da província de Buenos Aires infligiram um revés devastador a Milei , garantindo uma vitória esmagadora à oposição peronista em uma eleição local. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que o alívio proporcionado pela capacidade de Milei de controlar a inflação, que havia caído de seu pico próximo a 300%, havia dado lugar à frustração com a economia em baixa, com salários estagnados e escassez de empregos.

Uma série de escândalos de corrupção agravou os problemas, e o então líder de seu partido desistiu da disputa de domingo devido a ligações com um traficante de drogas. O peso argentino sofreu uma forte desvalorização, mesmo depois que Donald Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o ajudaram, com investidores e famílias apostando que uma desvalorização pós-eleitoral era iminente. A aprovação de Milei caiu para o nível mais baixo de seu mandato.

Mas, diante da escolha entre Milei e os peronistas que presidiram o colapso mais recente do país, os argentinos preconizaram a manutenção ao atual presidente. Por enquanto, pelo menos, estão dispostos a deixar Milei concretizar seu projeto de desmantelar a máquina estagnada do Estado, cortando seu orçamento com sua motosserra e promovendo reformas agressivas de livre mercado.

Segundo suas próprias estimativas, o partido de Milei e seus aliados terão mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados, muito mais do que os 15% que ele tem atualmente e além do um terço necessário para proteger seus poderes de veto. Ele terá 20 das 72 cadeiras do Senado.

“Os argentinos demonstraram que não querem retornar ao modelo do fracasso”, declarou Milei. “Nos próximos dois anos, precisamos fortalecer o caminho reformista que iniciamos para mudar a história da Argentina de uma vez por todas.”

Os mercados argentinos subiram na manhã de segunda-feira, com o peso subindo 10%, os títulos subindo em geral e seu índice de ações ganhando 20% no início do pregão, enquanto os investidores assimilavam a mão repentinamente forte de Milei para buscar reformas.  

Backstop de Bessent

Não há dúvidas de que as intervenções dos EUA — na forma de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, compras estimadas de mais de US$ 1 bilhão em pesos e promessas de obter outros US$ 20 bilhões em financiamento de bancos privados — impulsionaram Milei, mesmo com Bessent enfrentando críticas em casa por cumprir suas promessas.

“O resgate de Trump foi consequente”, disse Benjamin Gedan, pesquisador sênior e diretor do Programa para a América Latina do Stimson Center, em Washington. “É difícil imaginar que Milei teria um desempenho tão bom em meio a uma valorização acelerada do peso, com o banco central ficando sem moeda forte.”

Uma grande questão que se coloca a Milei é se a vitória inspirará alguma correção de rumo em casa. Há dois anos, ele assumiu a presidência prometendo derrotar a “casta” que culpava por transformar a Argentina em uma economia tão propensa a crises. Desde então, ele tem tratado regularmente aliados, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri, como parte desse grupo, rotulando-os, assim como os peronistas, como “traidores”. 

Milei precisará de aliados tanto no Congresso quanto nos principais governos para obter aprovação para as reformas tributária, trabalhista e previdenciária que os investidores há muito dizem que a Argentina precisa para finalmente entrar em um caminho sustentável para o crescimento e para gerar empregos e prosperidade econômica que tornarão a reeleição em 2027 muito mais fácil. 

“A eleição deve marcar o início de uma nova fase política”, disse Pilar Tavella, chefe de estratégia macro e soberana da Balanz Capital Valores SA. Após uma estratégia de confronto anterior, na noite de domingo, “Milei contatou a oposição moderada, e os governadores em particular, para aprovar reformas no Congresso, destacando que eles acreditam que podem trabalhar juntos”.

Mercados hoje: acerto entre China e EUA e encontro entre Lula e Trump animam investidores

27 de Outubro de 2025, 07:32

Bom Dia!
A semana abre em modo “inclinação ao risco ligado”. O fim de semana trouxe notícias para animar os investidores: sinais de entendimento entre EUA e China tiram pressão de tarifas e animam a pré-abertura lá fora. Aqui, o encontro Lula–Trump trouxe uma luz no fim do túnel das tarifas. Por outro lado… a expectativa para o encontro do Fed entre terça-feira e quarta-feira pode inspirar cautela ao longo do dia.
A seguir: giro global, os destaques do dia, pílulas e a agenda, com balanço de Neoenergia.


Enquanto Você Dormia…

  • Clima mais leve: investidores precificam avanço num acordo EUA–China e aguardam Big Techs + Fed.
  • Futuros de NY: S&P 500 +0,74% e Nasdaq +1,10% (por volta de 08h50).
  • Europa e Ásia: STOXX 600 perto de máximas históricas; Japão/Coreia/Taiwan bateram recordes com o alívio tarifário no radar.
  • Dólar DXY estável perto de 98,9; Petróleo Brent em US$ 66,4; Treasury 10 anos ao redor de 4,04%

Destaques do dia

  • EUA–China afinam um caminho para um futuro acordo:
  • Washington e Pequim indicaram um esboço para evitar novas tarifas dos EUA e adiar controles chineses a exportações (terras-raras), com encontro de líderes. Futuros saltam na esteira do noticiário.
  • E o que isso importa? Se o desarme tarifário avançar, melhora o humor em commodities e cíclicas ligadas à China (Vale, CSN e Gerdau) e tira pressão de dólar/juros globais; soja e cadeias industriais sensíveis a insumos asiáticos também entram no radar.

Giro pelo mundo

  • Big Tech na semana: Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon e Meta puxam a temporada e testam o “trade” de IA. (Triggers: pré/pós-fechamento ao longo da semana)
  • Futuros de NY sobem com expectativa de corte de 25 pb na quarta (Fed) e reunião Trump–Xi.
  • Argentina: Milei sai fortalecido nas eleições de meio de mandato, reforçando agenda pró-mercado e laços com os EUA. Partido do presidente argentino conquistou 67 de 127 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Giro pelo Brasil

  • Lula–Trump: reunião de 45 minutos em Kuala Lumpur ensaia trégua tarifária; times técnicos começam a negociar “solução rápida”. (Próximo passo: agenda de encontros entre Tesouro/Trade Reps)
  • Focus: sai entre 8h25–8h30 com novas projeções de IPCA/Selic/câmbio; baliza a curva logo cedo.

Giro Corporativo

  • Energia: Neoenergia (NEOE3) divulga 3T25 hoje; teleconferência amanhã de manhã. (Olho em alavancagem, CAPEX e fluxo de caixa)
  • Temporada local: resultados ganham tração nesta e nas próximas semanas, com blue chips na fila.

A Agenda de hoje

  • ⏰ 08:25: Relatório Focus — Banco Central do Brasil. Termômetro das expectativas para IPCA/Selic/câmbio.
  • ⏰ 12:30 (ET 10:30): Dallas Fed Manufacturing — EUA. Sinal de atividade/preços no Texas.
  • ⏰ Após o fechamento: Neoenergia (NEOE3) — 3T25. Divulgação dos números; call amanhã às 09:00 (BRT).
  • ⏰ Durante o pregão: Prévias/expectativas de balanços nos EUA; foco em Big Tech ao longo da semana.
  • ⏰ Amanhã: Início da reunião do Fed (27–29/10); decisão na quarta-feira, 14h (ET).

Argentina vai às urnas em votação que definirá o fôlego político de Milei

26 de Outubro de 2025, 08:34

A Argentina vota neste domingo (26) em uma eleição de meio de mandato que servirá como um referendo crucial sobre as políticas de austeridade do presidente Javier Milei — e, possivelmente, sobre o pacote de resgate de US$ 40 bilhões oferecido pelo governo de Donald Trump.

As urnas fecham às 18h, e os resultados são esperados para a noite deste domingo. Os argentinos elegem representantes para metade das cadeiras da Câmara dos Deputados — 127 no total — e 24 dos 72 assentos do Senado. Os resultados oficiais serão divulgados por província, e não como um único resultado nacional.

Dois anos após chegar à presidência com uma vitória expressiva, Milei e seu partido agora enfrentam dificuldades. O líder libertário conseguiu reduzir a inflação e conter a pobreza, mas a recuperação econômica do país perdeu fôlego: os salários não acompanham o aumento do custo de vida, e o desemprego está mais alto do que quando ele assumiu o cargo.

Três escândalos de corrupção também abalaram a imagem de Milei como um político antissistema e enfraqueceram sua popularidade. Sua taxa de reprovação está no nível mais alto desde o início do mandato.

Uma derrota expressiva para o partido A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, ou LLA) em eleições locais realizadas em setembro aumentou a pressão. As perdas na província de Buenos Aires — que concentra mais de um terço da população argentina — provocaram temores entre investidores sobre a força política de Milei antes das eleições legislativas, o que levou a uma queda do peso argentino e à desvalorização dos títulos soberanos.

Duas semanas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio para conter a desvalorização da moeda, mas o peso continuou enfraquecendo.

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Os EUA querem salvar a Argentina (e o governo Javier Milei), por meio da venda e empréstimo de dólares. #argentina #EUA #dolar #peso

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Agora, investidores observam se Milei — cujo partido controla cerca de 15% das cadeiras no Congresso — conseguirá garantir ao menos um terço dos assentos, suficiente para manter o poder de veto. Nos últimos meses, a oposição derrubou diversos vetos presidenciais, o que o governo classificou como ataques às políticas fiscais que resultaram em superávit orçamentário.

“Precisamos de um terço em uma das Casas para bloquear esses ataques, e vamos conseguir isso, ganhando por cinco pontos ou perdendo por sete”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council em Washington. “Mas precisamos de maioria simples em ambas as Casas para aprovar todas as reformas que queremos, e isso não teremos mesmo se vencermos por 15 pontos.”

Segundo analistas da Bloomberg Economics, a disputa pode permitir que ambos os lados reivindiquem vitória.

“Salvo cenários extremos, acreditamos que cada lado conseguirá moldar a narrativa a seu favor. Em grande parte dos cenários, o partido de Milei deve obter um resultado compatível com dois objetivos principais: garantir o apoio dos EUA e a governabilidade mínima”, disse Jimena Zuniga, economista para a América Latina.

Caputo tem negado que o resultado eleitoral vá provocar mudanças na política econômica — independentemente de vitória ou derrota. Na teoria, o peso argentino flutua em uma faixa de variação que se amplia a cada dia; na prática, tanto os governos de Milei quanto o de Trump têm intervindo para sustentar a moeda, vista por investidores como supervalorizada.

Há especulações no mercado de que o pacote de resgate dos EUA esteja condicionado a algum ajuste na política cambial, embora Bessent tenha expressado apoio ao modelo atual. Outro ponto-chave é se o Banco Central da Argentina voltará a acumular reservas internacionais, após não cumprir uma meta estabelecida no acordo de US$ 20 bilhões com o FMI.

Além das compras diretas de pesos, o apoio americano inclui uma linha de swap de US$ 20 bilhões e uma promessa adicional de financiamento de US$ 20 bilhões de bancos de Wall Street, ainda em negociação.

As tensões se intensificaram desde o encontro entre Milei e Trump na Casa Branca, em 14 de outubro.

“Se ele vencer, continuaremos com ele; se não vencer, saímos”, disse Trump durante a reunião.

Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca
Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca (Divulgação)

Independentemente do resultado, Milei tentará avançar com suas reformas econômicas e tributárias assim que o novo Congresso assumir em 10 de dezembro. Por ora, sua equipe tenta minimizar o tom de “tudo ou nada” que domina o pleito, reconhecendo que será preciso negociar com outros partidos para aprovar leis que reflitam sua força política.

“Essas eleições de meio de mandato estão recebendo mais atenção do que deveriam”, disse Caputo. “Ganhando ou perdendo, o governo terá muito trabalho para construir as coalizões necessárias entre governadores, deputados e senadores, para aprovar as leis de que o país precisa.”

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EUA já gastaram mais de US$ 1 bilhão para segurar o peso argentino e viabilizar Milei

24 de Outubro de 2025, 19:21

Os Estados Unidos gastaram uma quantia bem superior a US$ 1 bilhão neste mês adquirindo pesos argentinos, de acordo com estimativas de mercado, à medida que o esforço de apoio do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, se intensificou antes da votação de meio de mandato em 26 de outubro.

O número ainda não foi confirmado, mas um operador que pediu para não ser identificado estimou o valor em US$ 1,4 bilhão, enquanto uma consultoria local informou a clientes que o valor estava mais próximo de US$ 1,7 bilhão. O Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Economia e o Banco Central da Argentina ainda não divulgaram números oficiais. Porta-vozes do Tesouro não responderam a um pedido de comentário.

O presidente argentino Javier Milei e Bessent buscaram evitar uma corrida pré-eleitoral contra a moeda. O peso argentino, que o governo permite que seja negociado livremente dentro de uma faixa específica, já se desvalorizou 21% nos últimos quatro meses. Ele foi negociado no limite mais fraco da faixa por vários dias, levando o banco central a intervir pela primeira vez em cerca de um mês. 

“Foi um passo importante para evitar uma deterioração mais profunda nas avaliações dos ativos argentinos”, disse Fernando Losada, economista da Oppenheimer. “Ainda assim, o fato de a taxa de câmbio ter sido negociada perto do topo da banda — apesar dos anúncios de Bessent e das compras de pesos pelo Tesouro dos EUA — sugere que, mesmo com o Tesouro no mercado, os investidores continuam cautelosos com o risco político em torno das eleições.”

O Tesouro dos EUA vendeu sua maior quantidade de dólares em 22 de outubro, quando o peso encerrou uma sequência de cinco dias de perdas. O JPMorgan Chase e o Citigroup foram os dois principais negociadores de dólares em nome do Tesouro naquele dia, com operadores estimando vendas entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.

O banco central da Argentina relatou vendas adicionais de dólares de US$ 45,5 milhões em 21 de outubro, no final da sessão.

O governo enfrenta eleições de meio de mandato cruciais neste domingo, que avaliarão o apoio público e determinarão quanto espaço ele tem para levar adiante as reformas que diz serem necessárias.

Bessent também organizou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para a Argentina neste mês para fornecer mais acesso a dólares, um acordo que ele descreveu como uma “ponte para um futuro econômico melhor” para o país sul-americano.

Os EUA estão tentando levantar um muro entre a Argentina e a China

23 de Outubro de 2025, 06:00

O governo Trump está pressionando as autoridades argentinas a limitar a influência da China sobre o país , que vem enfrentando dificuldades.

Ao mesmo tempo, bancos americanos e até Wall Street trabalham em uma linha de resgate de US$ 40 bilhões para a Argentina.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, conversou nas últimas semanas com Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, sobre restringir o acesso da China aos recursos do país, incluindo minerais críticos – como o lítio, o elemento essencial para as baterias de carros elétricos e celulares.

Além disso, eles discutiram a possibilidade de conceder aos EUA maior acesso ao suprimento de urânio da Argentina, de acordo com pessoas com conhecimento sobre as negociações.

As autoridades do governo dos EUA estão tentando conter a influência de Pequim, incentivando os líderes argentinos a fechar acordos com empresas americanas para impulsionar projetos de infraestrutura e investimentos em setores-chave, como telecomunicações.

China e Argentina

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil, e o principal comprador de suas exportações agrícolas.

“Estabilizar a Argentina é ‘América em Primeiro Lugar’”, disse um porta-voz do Departamento do Tesouro. “Uma Argentina forte e estável ajuda a ancorar um Hemisfério Ocidental próspero, o que é explicitamente do interesse estratégico dos Estados Unidos.”

O porta-voz do Ministério da Fazenda da Argentina não quis comentar. Um porta-voz do presidente argentino, Javier Milei, não respondeu aos pedidos de comentário.

As conversas ocorrem em um momento em que a Argentina recorre cada vez mais aos EUA em busca de ajuda.

O governo de Milei enfrenta obstáculos significativos à sua ambiciosa agenda de reforma econômica e luta contra a inflação galopante.

Após cortar gastos públicos e tomar medidas impopulares para reduzir o déficit orçamentário, o governo Milei agora enfrenta pagamentos crescentes de dívidas no próximo ano e cofres públicos vazios.

As reservas cambiais também estão diminuindo, à medida que os argentinos correm para a segurança do dólar para se proteger contra os riscos de turbulência econômica antes das eleições de meio de mandato de domingo.

Milei construiu laços estreitos com o presidente Trump, que buscou impulsionar a posição política do partido de Milei.

A Argentina iniciou negociações com os EUA após o partido de Milei sofrer um revés nas eleições provinciais de setembro, causando a desvalorização do peso e sinalizando o enfraquecimento do apoio público às reformas pró-mercado de Milei.

Semanas após a eleição, Caputo voou para Washington para se encontrar com Bessent e discutir opções de assistência financeira.

US$ 40 bilhões para a Argentina

Desde então, os dois lados concordaram com um swap cambial de US$ 20 bilhões com o Departamento do Tesouro e uma linha de crédito separada de US$ 20 bilhões liderada por bancos, que ainda não foi estruturada com ativos ou garantias para que os bancos recebam o dinheiro de volta.

Um ponto central das discussões entre Caputo e Bessent tem sido encorajar a Argentina a reprimir a crescente presença da China no país de Milei, disseram as fontes.

Se a China fosse expulsa da Argentina, isso daria aos EUA uma vantagem em meio às crescentes tensões comerciais entre Pequim e Washington.

A China impôs recentemente restrições à exportação de minerais de terras raras, vitais para a indústria eletrônica de consumo e de tecnologia. Trump então ameaçou impor tarifas adicionais de 100% à China a partir de 1º de novembro. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, devem se reunir ainda este mês na Coreia do Sul.

O governo Trump fez da contenção da influência da China na América Latina uma prioridade de segurança nacional e pressionou outros países da região a romperem laços com Pequim.

A China está “atacando os interesses dos EUA de todas as direções” na América Latina, disse o chefe do Comando Sul dos EUA, Almirante Alvin Holsey, ao Congresso em fevereiro.

Desde que Bessent anunciou um acordo com a Argentina no início deste mês, Trump e sua equipe deixaram claro a Milei que esperam que ele limite as relações com a China.

“Você pode até fazer algum comércio, mas certamente não deveria ir além disso. E definitivamente não deveria fazer nada relacionado aos militares com a China. Se isso estiver acontecendo, eu ficaria muito irritado”, disse Trump a Milei, durante uma reunião na Casa Branca na semana passada. Em seguida, virando-se para Bessent, ele perguntou: “Você entende isso, Scott, certo? Você entende mesmo?”.

Javier Milei está em uma mesa com outros políticos da Argentina
Foto: Getty Images

Empresas americanas

Funcionários do Tesouro disseram a altos funcionários na Argentina que querem ver as empresas americanas como a principal fonte para o setor de telecomunicações e internet da Argentina, em vez de empresas vinculadas à China, disseram as pessoas.

A China tem uma presença significativa nos mercados de telecomunicações e internet da Argentina.

A gigante local de telecomunicações Telecom Argentina concordou recentemente em receber um empréstimo de US$ 74 milhões do Banco da China. A Huawei, empresa chinesa de tecnologia impedida de realizar negócios nos EUA, também opera uma rede móvel 5G na Argentina.

A China está financiando a construção de uma usina nuclear que operará com tecnologia chinesa. A China, que tem investimentos significativos em projetos de mineração no país sul-americano, busca expandir suas fontes de urânio em meio à crescente demanda por eletricidade.

Segundo a Constituição argentina, as províncias têm minerais, além de petróleo e gás. Isso limita qualquer compromisso do governo de Milei com o governo Trump, a menos que também seja apoiado por governadores provinciais que atuam como barões políticos regionais, dizem analistas.

Em uma entrevista recente à Fox News, Bessent disse que Milei está “comprometido em tirar a China da Argentina”. Bessent escreveu posteriormente nas redes sociais: “Não queremos outro Estado fracassado ou liderado pela China na América Latina”.

A embaixada da China na Argentina criticou os comentários de Bessent. A China classificou as declarações de Bessent como um retrocesso à mentalidade da Guerra Fria que mina a independência latino-americana.

Argentina não vai cortar laços com a China

A Argentina, porém, não parece ansiosa para expulsar a China. Em uma entrevista recente à televisão, Milei negou que seu governo cortaria laços com a China.

Ele disse que o governo Trump não lhe pediu para fazer isso.

“Não, isso não é verdade”, disse Milei em resposta a uma pergunta sobre o abandono das relações da Argentina com a China.

Milei observou que Caputo e o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, se encontraram com autoridades chinesas nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

Fotos: Getty Images

Títulos argentinos sobem com acordo de estabilização dos EUA

21 de Outubro de 2025, 13:39

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, interveio para impulsionar os ativos argentinos mais uma vez nesta terça-feira (21), e classificou a linha de swap de US$ 20 bilhões assinada um dia antes como um acordo de “estabilização econômica”.

Em uma publicação no X, Bessent chamou o acordo com o banco central argentino de “uma ponte para um melhor futuro econômico para a Argentina, não um resgate”.

O acordo é um pilar fundamental da abordagem dos Estados Unidos para estabilizar a economia volátil e propensa a crises, já que o presidente Javier Milei se prepara para eleições legislativas neste fim de semana.

Em uma demonstração extraordinária de apoio, o governo americano interveio repetidamente no mercado à vista da Argentina para sustentar a moeda nas últimas duas semanas.

“Uma vez que a votação tenha terminado, a compra por parte do Tesouro dos EUA dominará”, disse David Austerweil, vice-gestor de carteira de mercados emergentes da VanEck, em Nova York. “Os recursos que o Tesouro dos EUA está comprometendo e já colocando em uso são muito grandes.”

Títulos argentinos

Os títulos em dólar da Argentina atingiram máximas da sessão após a publicação de Bessent no X.

As notas com vencimento em 2035 avançaram quase US$ 0,50, negociadas acima de US$ 0,57, antes de reduzir o avanço, de acordo com dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg.

O peso, que está sob pressão desde que o partido de Milei perdeu para a oposição peronista na votação provincial, era negociado quase 0,4% mais fraco, a 1.480 por dólar.

O governo do presidente americano Donald Trump vê Milei como um aliado ideológico resoluto em uma região volátil.

“Não queremos outro Estado falido na América Latina, e uma Argentina forte e estável como boa vizinha é explicitamente do interesse estratégico dos Estados Unidos”, disse Bessent no comunicado, que não incluiu detalhes do acordo nem um valor em dólares. O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de mais detalhes.

Milei encontrou-se com Trump na Casa Branca, na semana passada. Sua equipe, liderada pelo ministro argentino da Economia, Luís Caputo, passou a semana anterior em negociações em Washington com a equipe de Bessent, antes de comparecer às reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional.

Durante a reunião na Casa Branca, no entanto, Trump alertou que a assistência à Argentina dependia de um bom resultado nas eleições, preocupando os investidores de que a ajuda só chegaria após a votação de 26 de outubro.

No fim de semana, Trump defendeu a ideia de dar uma ajuda de emergência a Milei. “Eles não têm dinheiro, não têm nada, estão lutando muito para sobreviver”, disse a repórteres a bordo do Air Force One.

Trump condiciona socorro bilionário à vitória de Milei na Argentina: ‘Se ele perder, estamos fora’

14 de Outubro de 2025, 18:05

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que o pacote de US$ 20 bilhões que seu governo prepara para socorrer a Argentina está vinculado à vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas marcadas para o fim do mês.

“Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina. Se não vencer, estamos fora”, disse Trump, em reunião com Milei na Casa Branca, em tom que reforçou a aliança política entre os dois líderes.

O encontro aconteceu poucos dias depois de Washington anunciar a compra de pesos argentinos e o fechamento do acordo de swap cambial — uma linha de liquidez emergencial com o Banco Central da Argentina —, destinada a estabilizar o mercado e evitar uma nova crise cambial no país.

As eleições parlamentares de 26 de outubro são vistas como um plebiscito sobre a política de choque liberal de Milei, que tenta ampliar sua base no Congresso, onde seu partido A Liberdade Avança detém menos de 15% das cadeiras.

Mercado cético 

Após as declarações, as taxas de juros de curto prazo do peso voltaram à casa dos três dígitos, refletindo a ausência de intervenção cambial tanto dos EUA quanto da Argentina pelo segundo dia consecutivo. A taxa de recompra overnight colateralizada — conhecida como caución — saltou de 77,5% para 115%, enquanto o peso argentino caiu quase 1%, para 1.360 por dólar.

Os títulos soberanos recuaram ao longo de toda a curva, com os bonds em dólar com vencimento em 2035 perdendo 2,4 centavos por dólar, negociados a US$ 0,57 — a maior queda desde 30 de setembro.

Para analistas, a ofensiva americana pouco ajudou Milei junto ao eleitorado. “Condicionar o apoio do governo dos EUA a uma vitória de Milei de forma explícita pode, na verdade, ser um golpe político para a campanha dos libertários”, avaliou Ramiro Blázquez, estrategista da StoneX, em Buenos Aires.

A avaliação dominante no mercado é que o desempenho do partido A Liberdade Avança será o verdadeiro termômetro do risco argentino. Uma votação entre 35% e 40% nas eleições legislativas seria vista como vitória simbólica e daria fôlego ao governo.

Mas qualquer resultado abaixo de 30%, alertam operadores, deve provocar uma nova onda de vendas nos ativos argentinos.

Alinhamento político

Trump exaltou Milei como um “líder MAGA de verdade” — em referência ao slogan Make America Great Again — e disse que o pacote “serve para apoiar uma boa filosofia econômica, onde a Argentina possa voltar a ser bem-sucedida”.

Fontes da Casa Branca disseram que o apoio americano não é apenas financeiro, mas também estratégico: uma tentativa de reforçar laços ideológicos na região e contrabalançar a influência da China na América do Sul.

“É melhor construir pontes econômicas com aliados do que ter de atirar em barcos de traficantes”, ironizou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em referência a recentes operações militares contra embarcações venezuelanas.

A fala veio no mesmo dia em que o governo americano anunciou a quinta operação naval contra supostos barcos de narcotráfico na região do Caribe.

Suspense

Para Milei, o acordo já ajudou a conter a queda do peso e a interromper uma corrida cambial que ameaçava se transformar em nova crise. O pacote — um dos maiores acordos bilaterais entre EUA e Argentina desde os anos 1990 — também ocorre no momento em que Milei tenta consolidar sua imagem de aliado incondicional de Trump.

O pacote americano inclui swap cambial, linhas de crédito e liquidez direta para o Banco Central argentino, totalizando US$ 20 bilhões, e vem sendo negociado há meses entre o ministro da Economia Luis Caputo e o Tesouro americano.

A iniciativa também é vista como um teste da influência de Washington na região, diante da crescente presença econômica da China e de bancos asiáticos em operações de resgate financeiro na América do Sul.

(Com informações da Bloomberg e do The Wall Street Journal)

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Estados Unidos devem manter apoio ao peso argentino

13 de Outubro de 2025, 09:16

O ministro das finanças do presidente argentino Javier Milei disse que o apoio do Tesouro dos Estados Unidos ao peso continua firme, enquanto Milei se prepara para viajar a Washington antes da votação de meio de mandato.

“Os EUA estão dispostos a continuar comprando pesos e títulos de dívidas, e todas as opções estão sobre a mesa”, disse o ministro da Economia, Luís Caputo, em entrevista para o canal de TV LN+, de Buenos Aires. “Hoje, a maior potência mundial diz: ‘argentinos, faremos o que for preciso para colocar as coisas em ordem para vocês’”.

Os comentários foram feitos antes da reunião planejada para 14 de outubro entre Milei e o presidente americano Donald Trump na Casa Branca. E a duas semanas das eleições legislativas, os investidores estão monitorando de perto em busca de indícios da força política do líder argentino.

US$ 20 bi para a Argentina

Nas últimas semanas, os EUA agiram rapidamente para estabilizar a economia argentina, oferecendo US$ 20 bilhões em financiamento e realizando uma rara intervenção no mercado cambial para sustentar o peso após semanas de fortes quedas.

O Tesouro também comprou pesos diretamente, em uma ação que se seguiu aos esforços fracassados das autoridades argentinas para conter a queda por conta própria.

Caputo afirmou que o acordo com o Tesouro americano não implica dolarização ou desvalorização do peso. Ele sugeriu que a Argentina manterá seu atual regime de banda cambial após as eleições de meio de mandato de 26 de outubro.

Ele acrescentou que a intervenção dos EUA não deve afetar a linha de swap cambial de US$ 18 bilhões da Argentina com a China, que foi parcialmente renovada no início deste mês.

Antes de Washington intervir no mercado, o Tesouro argentino já havia investido US$ 1,8 bilhão em uma tentativa de dar suporte ao peso. Os mercados do país reabrem nesta segunda-feira, após o feriado nacional na sexta-feira.

Nem US$ 20 bilhões salvam: Aposta dos EUA na Argentina tem caminho estreito ao sucesso

10 de Outubro de 2025, 10:33

Para que a aposta de US$ 20 bilhões do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na Argentina dê certo, muitas coisas precisam sair como o planejado — situações que, no passado, tendiam a dar errado no país.

Bessent anunciou na quinta-feira (10) uma medida emergencial para tirar os mercados financeiros do país da turbulência cada vez mais profunda e um aliado político estratégico, da crise.

Os Estados Unidos estão oferecendo acordos de swap para sustentar o peso — e já intervieram diretamente para comprar a moeda, uma iniciativa com poucos precedentes nas últimas décadas.

“Não é um resgate financeiro”, disse Bessent. Para muitos observadores, que ainda aguardam os detalhes, certamente parece ser, sim. A ajuda foi entregue por um governo que prometeu colocar os Estados Unidos em primeiro lugar, a um país com um histórico de esbanjar o dinheiro dos outros e deixar de pagar as suas dívidas.

O presidente da Argentina, Javier Milei — talvez o maior apoiador do governo Trump na América Latina, onde a rivalidade entre superpotências e a China está se intensificando — prometeu deixar toda essa história ruim para trás.

Ele diz que finalmente está colocando as finanças públicas do país em ordem e controlando a inflação galopante, mesmo que isso signifique cortar o orçamento de forma drástica.

Os mercados financeiros acreditaram nele até há algumas semanas, quando o partido de Milei sofreu uma derrota dolorosa em uma importante votação provincial. Então, a confiança começou a se esvair repentinamente.

O peso entrou em uma queda vertiginosa que ameaçava fazer a inflação disparar novamente – logo antes de um teste eleitoral ainda maior, com as eleições legislativas de meio de mandato daqui a duas semanas.

A essência da aposta de Bessent é que, com o apoio da força financeira dos EUA, Milei pode vencer. E então, com um Congresso favorável, colocar seu programa econômico nos trilhos e os investidores a seu favor novamente. Analistas dizem que isso não é impossível, apenas difícil.

Argentina queima US$ 1,8 bi

“É uma aposta que todos os problemas que a Argentina enfrenta agora sejam uma função política, que Milei possa tirar um coelho da cartola e se sair melhor do que o esperado nas eleições de outubro”, diz Brad Setser, ex-funcionário do Tesouro que agora trabalha no Conselho de Relações Exteriores.

Mas Setser vê problemas no programa econômico do país que não desaparecerão mesmo que isso aconteça – adicionando mais níveis de risco à intervenção dos EUA. “É uma aposta de que o peso não está estruturalmente sobrevalorizado”, diz. “É uma aposta de que a banda pode se manter.”

Nos útlimos dias, o Tesouro da Argentina queimou US$ 1,8 bilhão para sustentar a moeda e mantê-la dentro da faixa em que deveria ser negociada — e foi considerado que estava com poucos fundos antes de Bessent intervir.

A intervenção dos EUA desencadeou uma recuperação do peso, bem como uma alta nos títulos de dívida do governo.

O argumento a favor de Milei, que gerou retornos saudáveis no mercado durante a maior parte dos últimos dois anos, é que seus cortes no orçamento deu resultado. A Argentina registrou seus primeiros superávits orçamentários desde 2009, e a inflação caiu cerca de 30% em relação a picos quase 10 vezes maiores. Essa conquista é fundamental para sua campanha aos eleitores.

Mas isso é sustentado pela gestão cuidadosa do peso, que manteve os preços das importações sob controle, ao mesmo tempo em que acumulava tensões.

Ainda não está claro qual será a forma exata da intervenção. Mais detalhes poderão surgir quando Milei visitar o presidente Donald Trump na Casa Branca na próxima semana.

Bessent sinalizou que o Fundo de Estabilização Cambial do Tesouro será mobilizado, talvez incluindo seus Direito Especial de Saque – uma forma de reserva global de caixa emitida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Operação salva-vidas: EUA e Argentina firmam acordo de swap de US$ 20 bilhões

9 de Outubro de 2025, 16:36

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA finalizaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o banco central argentino. O anúncio foi feito em uma publicação por meio da rede social X nesta quinta-feira (9).

Bessent também informou que os EUA compraram diretamente pesos argentinos nesta quinta como parte de seu apoio ao país, alinhado estrategicamente de Donald Trump, o presidente americano.

“O Tesouro dos EUA está preparado, imediatamente, para tomar quaisquer medidas excepcionais que se mostrem necessárias para proporcionar estabilidade aos mercados”, disse Bessent.

A negociação entre os aliados políticos se desenhava há algumas semanas. Com a transação, os EUA receberam pesos argentinos como garantia.

O peso argentino subiu recentemente 0,6%, para 1.421,49 por dólar, após cair 2,6% no início do dia, de acordo com a Tullett Prebon. Não ficou claro se a recuperação foi impulsionada pela compra dos EUA e pelos rumores entre os operadores de que o banco central argentino interviria para dar suporte ao peso.

O presidente da Argentina, Javier Milei esteve nesta quinta-feira (9) na província de Mendoza para a realização de um evento de campanha para as eleições legislativas de 26 de outubro. Ele respondeu ao secretário do Tesouro americano no X:

Thank you @secscottbessent for your strong support for Argentina, and thank you President Donald Trump @realDonaldTrump for your vision and powerful leadership. Together, as the closest of allies, we will make a hemisphere of economic freedom and prosperity. We will work hard… https://t.co/IsYB1PDVFW

— Javier Milei (@JMilei) October 9, 2025

Embora o swap cambial seja visto por alguns como uma opção mais segura, economistas e analistas acreditam que a engenharia pode colocar os EUA em risco de não receberem o dinheiro emprestado integralmente.

Além disso, os especialistas argumentam que o peso está supervalorizado, apontando para taxas de câmbio do mercado paralelo que são ainda menos favoráveis ​​aos detentores de pesos do que a taxa oficial.

Alinhamento estratégico

Milei, que assumiu a presidência argentina ao final de 2023, recebeu elogios do presidente Donald Trump e dos conservadores americanos por cortar gastos e assumir uma posição de combate à esquerda. Suas políticas ajudaram a reduzir a inflação mensal para 1,9% em julho, de quase 26% quando assumiu o cargo.

Por outro lado, a taxa de desemprego também aumentou, o que prejudicou seu partido nas últimas eleições disputadas na província de Buenos Aires.

Economista libertário, Milei tem status de estrela do rock no MAGA World por seu fervor na luta contra as guerras culturais e nos cortes de gastos governamentais.

Milei tem enfrentado crescente indignação na Argentina nas últimas semanas por suas medidas de austeridade. Agora, os aliados de seu partido enfrentam eleições legislativas de meio de mandato em 26 de outubro. O presidente argentino espera que conquistar mais assentos no Congresso para seguir tocando sua reforma econômica no país.

O economista Roberto Cachanosky, que está concorrendo a uma cadeira no Congresso pela oposição, acusou os EUA de estarem efetivamente tentando ajudar o presidente argentino nas próximas eleições.

“Se os EUA tiveram que intervir nos mercados de câmbio para impedir que o dólar subisse, isso mostra o quão pouco este governo realmente acredita em um mercado livre — e a confusão monetária que eles criaram”, afirmou ele na rede social X.

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Vendas de dólares no governo Milei impulsionam o peso, mas alimentam apostas de desvalorização

8 de Outubro de 2025, 15:30

Investidores argentinos estão aumentando as apostas de que o presidente Javier Milei irá desvalorizar o peso após as eleições de meio de mandato neste mês, ao mesmo tempo em que o governo esgota suas reservas para sustentar a moeda em dificuldades.

O Tesouro do país interveio pela sétima sessão consecutiva na quarta-feira (8), de acordo com duas pessoas com conhecimento direto do assunto.

O Tesouro já havia vendido cerca de US$ 1,5 bilhão nas seis sessões anteriores, impulsionando o dólar para o mercado e valorizando o peso.

Nas últimas semanas, o governo tem atuado em diversas frentes para evitar que a moeda caia ainda mais, restabelecendo alguns controles cambiais e vendendo dólares no mercado futuro. Mas quanto mais o governo precisa fazer isso para sustentar o peso, mais evidente se torna a insustentável taxa de câmbio atual, alimentando a própria corrida à moeda que as autoridades tentam conter.

“O mercado parece estar precificando uma mudança no regime cambial no dia seguinte às eleições, o que significa que quanto mais nos aproximamos da data, maior a pressão sobre a taxa de câmbio”, disse Santiago Resico, economista da corretora one618. “O fato de o Tesouro estar vendendo grandes quantias de dólares todos os dias claramente não ajuda.”

O governo busca evitar uma desvalorização do peso que alimentaria a inflação às vésperas das eleições parlamentares de 26 de outubro, nas quais metade das cadeiras do Congresso estão em disputa. Milei precisa obter apoio em ambas as casas do Congresso para avançar com suas reformas econômicas mais desafiadoras.

O banco central, que queimou US$ 1,1 bilhão em reservas no mês passado para sustentar a moeda, tem contado com o dinheiro do Tesouro para mantê-la estável ultimamente. Embora a autoridade monetária também possa intervir nos mercados, isso só é possível se o peso ultrapassar a banda de negociação estabelecida como parte do acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional.

As perspectivas para a Argentina pioraram depois que Milei sofreu um duro revés em uma eleição na província de Buenos Aires no início de setembro, em meio a crescentes dificuldades econômicas e escândalos de corrupção que mancham alguns de seus aliados mais próximos. Uma promessa de ajuda dos EUA ajudou a conter a onda de vendas, mas não a reverter a queda.

Por enquanto, o cenário base mais popular é que o governo obtenha entre 34% e 37% dos votos nas próximas eleições, afirmou o economista do Barclays Ivan Stambulsky em um relatório a investidores na semana passada. Nessas circunstâncias, espera-se que Milei ainda consiga governar por veto e decreto.

Mas os legisladores da Câmara devem debater na quarta-feira a legislação que limitaria o uso de decretos presidenciais, de acordo com a pauta da Câmara. Isso pode prejudicar ainda mais a capacidade de Milei de aprovar reformas na segunda metade do seu mandato.

As vendas de dólares e o nervosismo eleitoral alimentaram a volatilidade no mercado de títulos, disse Paula Gandara, diretora de investimentos da Adcap Asset Management em Buenos Aires.

Após registrar forte alta na segunda-feira, as notas com vencimento em 2035 caíram mais de um centavo no dia seguinte, com o governo continuando a injetar dólares nos mercados cambiais. Na quarta-feira, os títulos caíram novamente, levando a perdas nos mercados emergentes.

“Os mercados querem que eles desvalorizem a moeda e permitam que ela seja flutuante. Chega de bandas, chega de intervenção”, disse David Austerweil, vice-gerente de portfólio de mercados emergentes da VanEck em Nova York. “Vai acontecer de uma forma ou de outra.”

Argentina vende dólares pelo quinto dia seguido e reduz reservas

7 de Outubro de 2025, 10:19

O governo argentino vendeu dólares no mercado de câmbio na segunda-feira (6) pela quinta sessão consecutiva, enquanto tenta conter a queda do peso, de acordo com duas pessoas com conhecimento direto do assunto.

O banco central da Argentina realizou as vendas, provavelmente como agente financeiro do Tesouro no mercado de câmbio local.

O banco vendeu entre US$ 450 milhões e US$ 480 milhões, por cerca de 1.430 pesos por dólar, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutirem operações confidenciais. O peso caiu 0,4%.

O governo do presidente Javier Milei vendeu cerca de US$ 1,3 bilhão desde a última terça-feira, esgotando a já escassa posição de caixa do Tesouro.

O governo tinha US$ 1,8 bilhão em depósitos em dólares em 1º de outubro, segundo os dados oficiais mais recentes.

De acordo com os termos do acordo do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o banco central da Argentina não pode usar suas reservas, a menos que o peso ultrapasse a faixa flutuante, que variou de 943 a 1.484 por dólar na segunda-feira (6).

Pressão na Argentina

As vendas ressaltam a pressão sobre o peso, mesmo depois que os Estados Unidos prometeram assistência e as autoridades locais reintroduziram controles de capital nas últimas semanas, incluindo uma proibição de 90 dias à revenda de dólares.

O ministro da Economia da Argentina, Luís Caputo, e o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, viajaram para Washington na sexta-feira para conversas com o Secretário do Tesouro americano Scott Bessent e o FMI.

O governo havia vendido US$ 1,1 bilhão para estabilizar o peso antes de Bessent prometer socorro financeiro no mês passado.

Bessent reiterou novamente seu apoio em uma publicação no X na noite de segunda-feira, sem dar detalhes. Acompanhado de uma foto sua apertando a mão de Caputo, ele prometeu “continuar as discussões produtivas sobre as diversas opções que o Tesouro tem à disposição para apoiar as políticas firmes da Argentina”.

“Os títulos caíram tanto nas últimas semanas que vemos a distribuição de retorno distorcida para cima”, disse Matias Montes, estrategista da EMFI. “Por outro lado, a diferença mostrou alguma estabilidade hoje, mas acreditamos que os comentários de Bessent, demonstrando apoio renovado à Argentina, foram o principal impulsionador.”

Um porta-voz do banco central não quis comentar, enquanto o Ministério da Economia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O presidente Javier Milei minimizou questões sobre o custo de defender o peso em meio ao crescente ceticismo sobre a sustentabilidade de sua estratégia cambial durante uma entrevista. Ele acrescentou que os resultados das negociações com os EUA logo ficariam claros. “Você sabe quanto tínhamos em reservas brutas quando assumimos o cargo?”, perguntou, dizendo que as reservas haviam subido de US$ 21 bilhões para US$ 43 bilhões desde então. “É isso. A discussão acabou.”

Como conter a pressão sobre o peso argentino

30 de Setembro de 2025, 06:00

O peso argentino, em queda, se fortaleceu no início da semana passada, depois que o Tesouro dos EUA declarou estar pronto para oferecer assistência financeira ao governo do presidente Javier Milei.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou negociações para uma linha de swap de US$ 20 bilhões para Buenos Aires. Ele também afirmou que os EUA estão preparados para comprar dívida em dólar argentino e usar o Fundo de Estabilização Cambial para fornecer crédito stand-by.

A tábua de salvação de Trump parece ser um esforço para acalmar os mercados argentinos antes das eleições legislativas de 26 de outubro. A coalizão precisa conquistar mais de um terço das cadeiras na Câmara dos Deputados, se Milei espera impedir que os peronistas avancem com gastos irresponsáveis ​​contra seu veto.

As perspectivas para isso pareciam boas no início deste ano. Mas a desaceleração da economia e um escândalo de corrupção aumentaram as chances de um renascimento peronista. Isso desencadeou uma corrida para o peso.

A sinalização dos EUA foi suficiente para conter o pânico. Mas os detalhes são obscuros e parte da assistência pode estar vinculada aos resultados da votação de outubro. “Começaremos a trabalhar com o governo argentino imediatamente após a eleição”, escreveu Bessent em um tuíte.

Abandono do peso

Alguns argentinos podem ter ficado ressentidos com Milei porque ele quebrou suas promessas de campanha mais importantes: abandonar o peso, dolarizar a economia e fechar o banco central.

Em vez disso, quase dois anos após seu mandato, a inflação deve terminar 2025 perto de 30%, alguns controles de capital ainda estão em vigor e ele está operando uma flutuação suja do peso.

Não precisa ser assim. A Argentina pode dolarizar a economia, sem a ajuda dos EUA. Tudo o que precisa fazer é decretar a conversão de todas as contas no sistema bancário — passivos e ativos — para dólares, adotar o dólar como moeda legal, interromper a emissão de pesos e trocar pesos por dólares conforme a demanda, a uma taxa fixa próxima ao mercado no dia em que for anunciada.

Os primeiros passos podem ser dados da noite para o dia. O último passo permitirá a retirada gradual dos pesos da economia, à medida que os moradores migram para o dólar em seu próprio ritmo.

Quer o Milei governe por apenas mais dois anos ou permaneça no cargo por mais seis anos, ele terá libertado o país do inferno da desvalorização em que vive há décadas.

Não está claro por que Milei se acovardou na dolarização. Mas muitos ao seu redor argumentam que a Argentina não tem dólares suficientes para fazer a mudança. Isso é comprovadamente falso.

A Argentina está inundada de dólares. Estima-se que US$ 245 bilhões estejam nas mãos do público, fora do sistema financeiro. Muitas transações — como pagamentos de aluguel, contas médicas e negócios imobiliários — já são feitas em dólares. As experiências de dolarização do Equador e de El Salvador mostram que, quando o dólar se torna moeda corrente, o público deposita ativos em bancos, onde pode render juros.

Milei poderia dolarizar mesmo sem o dinheiro atualmente sob os colchões, pois ele só precisa estar pronto para trocar pesos em poder do público. Isso equivale a aproximadamente US$ 15 bilhões.

Como as trocas não ocorrerão de uma só vez, mesmo esse valor superestima o valor das reservas necessárias no primeiro dia. O Equador tinha reservas negativas no banco central quando dolarizou em 2000.

É verdade que, sem o peso, o governo não poderia mais imprimir moeda para pagar sua dívida. Mas esse é o ponto principal. A dolarização acaba com a monetização dos empréstimos governamentais pelo banco central e com a destruição perpétua de lucros e poupanças que a acompanha.

Juros argentinos

Altas taxas de juros são um entrave ao crescimento. Elas cairiam. As finanças públicas melhorariam porque o governo finalmente conseguiria rolar sua dívida. Com a dolarização, a intermediação financeira e o investimento estrangeiro se expandem. O crescimento econômico se segue, gerando maior receita tributária, desta vez em dólares. O domínio do dólar na Argentina contrariaria os esforços da China para reduzir a influência dos EUA no Cone Sul.

Há algo de engraçado no argumento de que a dolarização exporia a Argentina a choques e instabilidade. O país é um inadimplente em série e o símbolo internacional da hiperinflação. Foi excluído dos mercados de capitais de 2001 a 2016 devido ao seu status de caloteiro. Mas não aprendeu nada.

A direita argentina é mestre em se aproveitar do dinheiro alheio. Em 2018, o governo do presidente Mauricio Macri conseguiu um empréstimo de US$ 57 bilhões do Fundo Monetário Internacional. E a Argentina é a maior devedora do FMI. Em julho, o ministro da Fazenda, Luis Caputo, fez isso novamente, garantindo mais US$ 20 bilhões do fundo. Agora, ele fisgou o Bessent.

Os tecnocratas do livre mercado podem se orgulhar de como conseguem persuadir Washington. Mas cada vez que resgatam o peso, eles marcam contra seu próprio time. Sem a dolarização, tudo o que Milei pode fazer é acumular reservas no banco central a tempo para o retorno ao poder dos peronistas que imprimem pesos. Enxágue e repita.

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