Visualização normal

Received before yesterdayPolítica - Brasil

Troca de mensagens mostra que senador agiu para “resguardar” André Valadão

26 de Março de 2026, 22:55
pastor André Valadão com a mão no peito, sério, sem olhar para a câmera, de roupa preta
O pastor André Valadão – Reprodução

Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.

Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.

Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.

Print de mensagens para André Valadão
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução

O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.

Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.

Como peritos recuperaram mensagens de WhatsApp de Vorcaro

11 de Março de 2026, 15:45
Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A Polícia Federal de São Paulo está utilizando prints do bloco de notas de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, como parte da investigação sobre as mensagens enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Funcionários dos aplicativos WhatsApp e Signal, que participaram da perícia, afirmaram que a captura de tela deixava vestígios no aparelho em várias etapas, segundo a Folha de S.Paulo.

Isso permitiu que as autoridades recuperassem dados que normalmente seriam criptografados ou apagados, como mensagens de visualização única enviadas a Moraes. Ao contrário de fotos ou gravações feitas pelos aplicativos, os prints deixam marcas temporais e informações sobre o que foi copiado e colado nas conversas.

Quando o WhatsApp ou Signal enviam uma mensagem de visualização única, o conteúdo desaparece após ser visualizado, mas o histórico da ação pode ser recuperado. A perícia é feita com o auxílio de softwares forenses avançados, como o Cellebrite, que pode acessar dados ocultos em iPhones e dispositivos Android, permitindo que os investigadores recuperem até mesmo arquivos apagados.

Além de recuperar os dados de mensagens, o uso dessas ferramentas forenses permite que a Polícia Federal acesse metadados dos aplicativos, como o horário de envio, a identidade dos interlocutores e o status das mensagens.

Print de bloco de notas encontrado no celular de Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Embora a ferramenta de perícia não consiga identificar com 100% de certeza qual mensagem foi visualizada em uma conversa de visualização única, ela pode fornecer evidências circunstanciais que ajudam a reforçar a teoria das autoridades. Isso inclui a rede Wi-Fi utilizada e a localização do aparelho, informações úteis para rastrear a sequência de eventos.

A análise das evidências foi realizada de forma rigorosa, com técnicas de perícia digital que garantem a integridade e confiabilidade dos dados recuperados. O processo preserva a cadeia de custódia, fundamental para a reprodutibilidade da investigação.

A perícia digital é capaz de organizar as evidências encontradas, assegurando que os dados sejam auditáveis e que todas as etapas da investigação possam ser verificadas de forma transparente.

Apesar das dificuldades em recuperar as mensagens de visualização única diretamente, os peritos afirmam que a recuperação de dados por outros meios, como prints e dados de metadados, oferece uma visão mais completa dos acontecimentos.

Mulher de Moraes nega ter recebido prints de Vorcaro citados na CPMI do INSS

8 de Março de 2026, 09:42
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de perfil, sérios
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante sua prisão em novembro de 2025. As mensagens, registradas no bloco de notas do celular, tratavam das negociações para a venda do banco e continham perguntas como “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. De acordo com fontes próximas à investigação, Vorcaro teria enviado as mensagens como imagens de visualização única para o ministro do STF, que foi identificado no envio. Com informações do Globo.

Em nota divulgada por sua assessoria, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu as referidas mensagens, contrariando as afirmações do ministro Alexandre de Moraes, que alegou que os prints estavam “vinculados a pastas de outras pessoas”. O ministro explicou que, devido à organização dos arquivos, as capturas de tela feitas por Vorcaro estariam direcionadas aos contatos na mesma pasta, o que, segundo ele, indicaria que Viviane seria a destinatária. No entanto, a advogada negou essa versão.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master em janeiro de 2024 com um contrato de R$ 3,6 milhões mensais, também foi questionado sobre o envolvimento da advogada, mas não houve mais declarações. Além disso, a versão de Moraes foi contradita por outros políticos mencionados nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu (PSD-RJ) também negaram ter tido qualquer contato com o banqueiro, apesar de seus números de telefone aparecerem nas pastas com os prints de mensagens.

Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Foto: reprodução

A explicação dada pelo ministro sobre a organização dos arquivos foi refutada por peritos da Polícia Federal, que afirmaram que a disposição dos documentos no celular não indica a origem do envio, pois a organização é realizada automaticamente pelo programa utilizado para a análise dos dados. Esse software, o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela PF, reorganiza os arquivos de acordo com um algoritmo, mantendo a integridade das provas durante a investigação.

A CPI do INSS recebeu os arquivos extraídos do celular de Vorcaro, mas esses não contêm o histórico completo de conversas no WhatsApp. O único histórico disponível no material entregue à comissão foi de uma conversa entre Vorcaro e sua então namorada, que foi salva no iCloud antes de sua prisão. A Polícia Federal, no entanto, tem a capacidade de recuperar o histórico de conversas de WhatsApp e já o fez ao longo das investigações, o que pode revelar mais detalhes sobre o envolvimento de outras pessoas no caso.

❌