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Guaíba deve ficar abaixo da cota de inundação, mas falta de dados mantém incerteza na Capital

31 de Julho de 2026, 12:19

Na madrugada desta sexta-feira (31), o Guaíba chegou à cota de alerta de 2,50 metros. Às 7h, o primeiro boletim do dia da Defesa Civil de Porto Alegre informava que a régua do Cais Mauá alcançava 2,51 metros, enquanto na Ilha da Pintada chegava a 2,30 metros. A tendência é que o nível da água siga subindo até este sábado (1º). Contudo, segundo o professor Fernando Meirelles do Instituto de Pesquisas Hídricas (IPH) da UFRGS, a previsão atual é que o Guaíba não ultrapasse a cota de inundação.

Meirelles explica que o nível da água deve se aproximar dessa cota, ficando entre 2,50 e três metros. Segundo ele, o volume será registrado historicamente como uma “cheia importante”, embora esteja longe da gravidade das enchentes que atingiram Porto Alegre em 2024. “A tendência é aumentar entre hoje e amanhã. Domingo deve descer”, comenta Meirelles. “Se ultrapassar [a cota de inundação], será por poucos centímetros.”

O professor do IPH avalia que a elevação do Guaíba acima dos três metros não deve causar prejuízos à cidade neste fim de semana. O episódio, segundo ele, será um “teste” para as obras de proteção contra inundações realizadas pela Prefeitura de Porto Alegre.

A Zona Sul, por estar em uma área mais baixa da Capital e ter uma cota de inundação diferente da região central, também deve passar o fim de semana sem grandes problemas. A diferença de referência é importante: quando o nível do Guaíba chega, por exemplo, a 3 metros no Cais Mauá, na Zona Sul, a água pode estar cerca de um metro abaixo desse valor, em razão das características do terreno e das diferentes cotas de medição.

Uma das áreas que devem sentir os maiores impactos é a região das ilhas da Pintada, dos Marinheiros e das Flores. Assim como a Zona Sul, o local possui áreas ocupadas em cotas muito baixas, o que aumenta a vulnerabilidade às cheias, explica o professor Fernando Meirelles. As Ilhas “podem ter problemas, sim”, indicando na projeção do IPH que boa parte da região poderá ficar submersa.

Como medida preventiva, estão sendo instalados postos de comando da Defesa Civil do município nas ilhas. As equipes realizam monitoramento permanente das áreas ribeirinhas, orientam moradores e avaliam continuamente a necessidade de adoção de novas medidas preventivas, conforme a evolução do cenário.

Entretanto, Meirelles alerta que deve ser levada em consideração a incerteza dos modelos para a previsão atual do IPH. Ainda que o Guaíba tenha subido “no tempo esperado”, o professor diz que essa elevação ocorreu em uma “banda de incerteza”. O maior desafio, explica, é calcular a vazão dos rios afluentes, que estão baixando.

O pesquisador afirma ainda que há poucas informações precisas sobre a vazão dos rios que desembocam no Guaíba. Isso ocorre porque a rede de observação, formada pelas estações que monitoram o nível dos rios, foi danificada em 2024 e não recebeu manutenção em vários pontos. Com a falta desses dados, não é possível estimar com precisão o volume de água que está chegando a Porto Alegre.

A medição, por ser feita ainda longe da Capital, adiciona um grau maior à incerteza natural de uma previsão hidrológica. “Se instalasse [pontos de observação] onde deveria ter, já se poderia saber com maior precisão”, avalia Meirelles.

Alguns fatores podem alterar o prognóstico do IPH, entre eles a chuva e o vento. Para o fim de semana, não há previsão de precipitações, mas o volume registrado nos últimos dias já ficou acima do esperado. Em relação ao vento, o principal fator é a direção. Em 2024, o vento sul contribuiu para manter o nível do Guaíba elevado ao dificultar o escoamento natural da água. Desta vez, porém, a previsão, segundo Meirelles, é de que não haja vento sul, o que reduz esse risco.

“Nós estamos em alerta, observando e avaliando — com as incertezas da vazão —, mas não estamos com preocupações maiores para esse evento”, complementa. Meirelles.

A Defesa Civil de Porto Alegre trabalha com a mesma projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), conforme informou o órgão ao Sul21 na manhã desta sexta-feira. A avaliação é de que o Guaíba não deve ultrapassar a cota de inundação na região do Cais, mas as Ilhas estão sob atenção especial. Questionada sobre a possibilidade de remoção de famílias, a Defesa Civil explicou que, neste primeiro momento, trabalha com a realocação “por solicitação” dos próprios moradores, ou seja, quando uma família pede para deixar a área preventivamente.

Na tarde de quinta-feira (30), a Defesa Civil de Porto Alegre elevou para laranja o nível do alerta hidrológico, válido até as 18h desta segunda-feira (3). No mesmo período, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alerta vermelho especificamente para a região das Ilhas, com previsão de níveis dos rios acima da cota de inundação. As demais áreas da Capital não foram incluídas no alerta estadual.

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que, até a manhã desta sexta, não há registro de pontos de acúmulo de água na área atendida pelo sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre. Por conta do prognóstico, não há indicativo de fechamento das comportas do sistema de proteção contra cheias.

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