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Inflação de automóveis leves usados mantém trajetória de alta

7 de Março de 2026, 10:20

O IBV Auto, índice do banco BV que mede a variação dos preços dos automóveis leves usados em todo o país, avançou 0,55% em fevereiro, dando continuidade a uma trajetória de alta registrada em janeiro (+0,90%), melhor desempenho para o mês desde 2022. No acumulado de 12 meses até fevereiro, o indicador registra alta de 6,60%, reforçando o aquecimento do mercado de usados.

O comportamento do índice indica que o mercado não só mantém a trajetória de alta, como também demonstra maior força e resiliência, sinalizando um possível reaquecimento da atividade econômica, explica o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani.

“Ainda que a inflação de fevereiro seja mais branda que a observada no mês anterior, temos ainda um cenário de franca aceleração dos preços em doze meses, que chega a 6,60% e representa o maior nível desde março de 2023. Mais do que apenas pela alta da inflação do automóvel usado, chama a atenção o ritmo de aceleração, já que o registrado até dezembro foi de 5,31%.

Se outros indicadores de atividade econômica neste primeiro trimestre também confirmarem um quadro de reaquecimento da atividade econômica, isto vai requerer atenção por parte do Banco Central, que se encontra às vésperas do início de um ciclo de cortes de juros”.

O resultado registrado pelo IBV Auto no primeiro bimestre foge da sazonalidade típica do setor, que costuma ser menos movimentado, com ritmo de vendas mais comedido em comparação aos outros meses do ano.

Além disso, em uma conjuntura em que os preços dos automóveis zero quilômetro estão pressionados, é esperado que parte dos compradores migre para o mercado de usados, em um movimento que contribui para o fortalecimento dessa dinâmica.

“A maior alta de preços para fevereiro desde 2022, somada ao avanço já observado em janeiro, reforça o aquecimento do mercado de veículos usados neste início de ano, que costuma apresentar resultados mais tímidos. Mesmo em um ambiente de Selic elevada, o setor segue bastante dinâmico em 2026, com repasses consistentes de preços sustentados por uma demanda resiliente“, observa Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV

Destaques por região

A região Centro-Oeste se destacou ao registrar a maior variação frente ao mês anterior (0,77%), com maior contribuição dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

No acumulado de 12 meses, a região Norte lidera a alta dos preços, com destaque para Rondônia (+7,67%), Amazonas (+7,63%) e Tocantins (+7,49%). Apesar do avanço no mês, a inflação de usados desacelerou em relação a janeiro (+0,90%). O Chevrolet Ônix apresentou a maior alta, de 2,06%, seguido por Toyota Corolla (+1,69%) e Volkswagen Gol (+0,56%). Na contramão, o Toyota Hilux SW4 pressionou o índice para baixo, com recuo de 3,30%, seguido por Volkswagen T-Cross (-0,96%) e Nissan Kicks (-0,89%).

Elétricos e Híbridos

Este ano, o IBV Auto passou a incluir veículos elétricos e híbridos da safra de 2023, sempre considerando os preços efetivos de cada venda, não os preços de anúncio.

Os modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 45,1% até fevereiro de 2026, movimento influenciado também pela queda nos preços dos veículos elétricos novos, em um cenário de maior concorrência e estratégias comerciais mais agressivas das montadoras com maior participação neste mercado. No mesmo período, os híbridos de 2023 registraram desvalorização média de 26,4%, enquanto os automóveis a combustão comparáveis recuaram 21,6%.

Já os elétricos lançados em 2022, registram desvalorização de 48,4% até fevereiro de 2026, enquanto a desvalorização média dos híbridos do mesmo ano girou em torno de 21,1% até fevereiro deste ano. No mesmo período, a desvalorização média dos automóveis a combustão foi de 13,4% nos modelos equivalentes.

Os automóveis do ano-modelo 2021 registraram, inicialmente, valorização em relação ao preço de zero quilômetro, refletindo a forte inflação dos veículos novos no período pós-pandemia. Em fevereiro deste ano, a desvalorização média da cesta de híbridos estava em 18,3%, enquanto os modelos a combustão comparáveis apresentaram recuo mais moderado, de 5,8%.

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Metodologia IBV Auto

O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. O índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais.

A metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão: combustão, híbrido ou elétrico

A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.

O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente de 2025. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.

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Efeito Trump: maior gestora de fundos do mundo limita valor de saques de seus clientes

7 de Março de 2026, 08:12
Sede da BlackRock em Nova York, nos EUA. Foto: reprodução

A gestora BlackRock informou na sexta-feira (6) que limitou os resgates de um de seus principais fundos de crédito privado após um aumento inesperado nos pedidos de retirada por parte dos investidores. A decisão ocorre em meio a preocupações crescentes com o setor global de crédito privado, estimado em cerca de US$ 2 trilhões. Com informações da Reuters.

A decisão ocorreu em um momento de turbulência nos mercados financeiros. As ações da BlackRock chegaram a cair 6,7% na Bolsa de Nova York em meio a uma onda de vendas generalizada, após dados de emprego nos Estados Unidos abaixo das expectativas e à escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O fundo afetado é o HPS Corporate Lending Fund (HLend), que possui aproximadamente US$ 26 bilhões em ativos e foi criado para atrair investidores individuais de alta renda. No primeiro trimestre, o fundo recebeu pedidos de resgate que somaram US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de 9,3% do patrimônio líquido.

Diante da demanda, a gestora informou aos investidores que pagaria US$ 620 milhões em saques, valor correspondente ao limite trimestral de 5%. Esse percentual é o patamar padrão a partir do qual os gestores podem restringir novos pedidos de retirada.

Nos últimos meses, o sentimento dos investidores em relação ao crédito privado tem se deteriorado. Episódios recentes, como as falências de um fornecedor de autopeças nos Estados Unidos e de uma credora de veículos subprime, além do colapso de uma instituição de crédito hipotecário no Reino Unido, ampliaram os questionamentos sobre os padrões de concessão de crédito no setor.

Para Greggory Warren, analista sênior de ações da Morningstar, a situação revela riscos estruturais para investidores individuais. “Isso deve servir como um sinal de alerta para o setor e para os responsáveis pela regulamentação sobre as desvantagens dos fundos ilíquidos para os investidores de varejo”, afirmou em entrevista à Reuters.

Hospital atingido após bombardeios dos EUA e de Israel contra Teerã. Foto: Reprodução

A HLend é uma empresa de desenvolvimento de negócios adquirida pela BlackRock junto com sua gestora, a HPS Investment Partners, em uma operação de US$ 12 bilhões realizada em 2024. Segundo a gestora, esta é a primeira vez desde a criação do fundo que os pedidos de saque ultrapassam o limite de 5%.

As BDCs captam recursos principalmente de investidores individuais e os utilizam para conceder empréstimos a empresas de médio porte. Como esses ativos não podem ser vendidos rapidamente, um grande volume de resgates simultâneos pode criar dificuldades para o fundo.

Segundo a empresa, o limite de 5% existe justamente para evitar “uma incompatibilidade estrutural entre o capital do investidor e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado nos quais a HLend investe”.

Warren explica que restrições desse tipo ajudam a evitar prejuízos maiores. “Ao impedir resgates por meio de mecanismos de bloqueio, os gestores de fundos podem evitar serem forçados a vender ativos, o que impactaria negativamente o retorno do investimento para os demais investidores, dada a opacidade e a iliquidez dos ativos nesses fundos”.

Dados divulgados pela empresa mostram que cerca de 19% da carteira do fundo está exposta ao setor de software, segmento que vem enfrentando pressão nos mercados diante do avanço de startups focadas em inteligência artificial.

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