Visualização de leitura

Raízen: disputa com Ometto leva IG4 a oferecer R$ 2 bilhões em dinheiro por créditos

A IG4 Capital subiu o tom na disputa pelo controle da Raízen. A gestora está disposta a desembolsar até R$ 2 bilhões em dinheiro para comprar os créditos da companhia com credores, em uma tentativa de garantir 50% mais uma ação depois da conversão de dívida em equity prevista no plano de recuperação extrajudicial.

O valor representa cerca de 62% dos créditos que serão convertidos em participação acionária na maior recuperação extrajudicial da história do país, de R$ 64,7 bilhões. A movimentação ocorre em meio à concorrência de outras gestoras pelo direito de conduzir a reestruturação da companhia de energia.

Leia também: Fitch rebaixa rating do banco Digimais; PF investiga gestão e bloqueia R$ 670 milhões

Oferta em dinheiro avança

Diante da disputa por outros nomes interessados no negócio, a IG4 decidiu colocar na mesa o pagamento total em espécie pelos créditos mirados, segundo informações confirmadas por Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. A estratégia busca dar mais força à proposta frente a credores que também avaliam outras alternativas de recebimento.

🔍 Recuperação extrajudicial: processo em que uma empresa endividada negocia diretamente com seus credores, fora da Justiça, um plano de pagamento ou reestruturação da dívida, sem passar por todas as etapas formais de uma recuperação judicial.

Paulo Mattos, chairman e CIO da IG4 Capital, resumiu a ambição da gestora ao Pipeline. Segundo ele, a casa quer concentrar esforços em poucas operações, mas de grande porte. “Queremos ser a 3G do special situation e focar em poucos e grandes deals”, afirmou ao Valor, com confirmação do Times Brasil | CNBC.

Mattos também fez um aceno aos investidores sobre a capacidade financeira da gestora, mesmo após a operação Braskem. “Hoje temos equipe e recursos para fazer isso, mesmo tendo assumido a Braskem”, disse.

Mattos fala em ser 3G da Raízen e do setor

Em entrevista à agência de notícias Reuters, concedida na segunda-feira (22), Mattos detalhou a estratégia da gestora para o ativo. A oferta não vinculante enviada aos credores prevê opções de recebimento, incluindo pagamento em dinheiro e a alternativa de quem preferir continuar exposto à Raízen receber cotas de um fundo gerido pela própria IG4.

🔍 Oferta não vinculante: proposta inicial que sinaliza interesse e condições gerais de um negócio, mas que ainda não obriga juridicamente as partes envolvidas a fechar o acordo nos termos apresentados.

Mattos não revelou o valor exato oferecido a cada credor. Segundo ele, a gestora tem histórico de assumir controle ou cocontrole de companhias e considera que um turnaround só funciona com participação majoritária.

O executivo negou ainda qualquer participação societária do BTG Pactual na IG4. Segundo Mattos, o banco já investiu em fundos da gestora, mas não detém controle ou equity na companhia.

Ometto rebate negociação

O presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto, minimizou a movimentação da IG4. Para ele, a proposta não passa de especulação de mercado. “O mercado financeiro está cheio de ideias criativas”, disse à Reuters.

A reação de Ometto contrasta com o avanço público da articulação da IG4 junto a assessores dos credores, como o banco Moelis e a consultoria financeira Journey Capital, que já receberam a oferta não vinculante da gestora.

Prazo aponta para março de 2027

Segundo os executivos da IG4, a estratégia não envolve uma tomada hostil de controle. A gestora afirma buscar construir apoio entre credores e demais partes interessadas antes de negociar com os acionistas que permanecerem na companhia.

🔍 Oferta hostil: tentativa de aquisição de uma empresa feita sem o apoio do conselho ou da administração, geralmente comprando ações diretamente no mercado ou pressionando acionistas, em contraposição a negociações amigáveis com a gestão atual.

Caso consiga compromissos equivalentes a 50% mais uma ação da Raízen, a IG4 pretende abrir negociação com os acionistas remanescentes. A meta da gestora é finalizar a aquisição até o fim de março de 2027, condicionada ao sucesso da articulação junto aos credores.

O movimento sobre a Raízen vem na sequência da venda da participação da IG4 na CLI, vendida ao AD Ports Group por US$ 835 milhões em parceria com a Macquarie. Hélio Novaes, recém-nomeado CEO da IG4, disse que a gestora volta a atenção para o agronegócio. “Estamos voltando nossa atenção para o setor agro, que continua robusto, mas enfrenta diversas dificuldades”, afirmou.

Atualmente com 40 profissionais, a IG4 diz que a saída da CLI abriu espaço de caixa para novas operações. Segundo os executivos, a gestora prioriza agora um número menor de companhias, com foco em negócios maiores e mais complexos.

O post Raízen: disputa com Ometto leva IG4 a oferecer R$ 2 bilhões em dinheiro por créditos apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC

A Polícia Federal apontou que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, replicou a mesma tática usada pelo Banco Master para superavaliar ativos e esconder a deterioração da carteira de crédito.

Segundo a corporação, a instituição se aproveitou da confiança dos depositantes na proteção institucional do Fundo Garantidor de Crédito.

A manobra teria ocorrido por meio da emissão de títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado. Conforme os investigadores, a estratégia mascarou o real estado financeiro do banco diante do mercado e do próprio Banco Central.

Leia também: Fitch rebaixa rating do banco Digimais; PF investiga gestão e bloqueia R$ 670 milhões

As informações constam de inquérito ao qual a coluna de Fausto Macedo, do Estadão, teve acesso.

Venda ao BTG depende de aporte do FGC

Diante da fragilidade identificada nos balanços, a solução encontrada pela direção do Digimais foi negociar a venda do controle societário ao Banco BTG Pactual. A operação, no entanto, está condicionada a uma injeção de recursos por parte do FGC.

O valor necessário para viabilizar o negócio seria de R$ 7 bilhões, destinado a cobrir o déficit identificado na instituição. Para a PF, isso significa que o prejuízo gerado pela gestão do banco seria repassado em grande parte ao fundo garantidor.

🔍 Fundo Garantidor de Crédito (FGC): entidade privada que protege depositantes de bancos em caso de falência ou liquidação, reembolsando valores até um limite estabelecido por instituição financeira e por CPF.

Os federais classificam a movimentação como uma forma de transferir o risco da atividade bancária para fora da instituição. Segundo o documento, a estrutura permite que operadores e administradores do banco se isentem da obrigação de suportar o passivo resultante da própria gestão.

Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating

Investigadores apontam blindagem de patrimônio

Ainda de acordo com a investigação, a movimentação cria uma dinâmica na qual os responsáveis pela insolvência repassam a integralidade do prejuízo ao sistema de proteção. Dessa forma, conseguem isolar o próprio patrimônio dos resultados da atividade que desempenharam.

Caso a operação com o BTG não avance, a PF afirma que a liquidação do Digimais poderia ser decretada. Para os investigadores, o uso dos instrumentos de assistência financeira em casos como esse acaba favorecendo quem operou à margem da lei, o que vai contra o propósito do FGC de proteger as poupanças da população.

Banco já orbitava o ecossistema Master

O Digimais chegou a registrar exposição de aproximadamente R$ 600 milhões a carteiras de crédito do Banco Master, segundo a PF, após a liquidação da instituição comandada por Daniel Vorcaro. Esses ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental.

Procurado, o Digimais não se manifestou até a publicação deste texto.

A reportagem de Times Brasil | CNBC também procurou o BTG Pactual para saber se o banco seguirá na compra do banco de Edir Macedo.

O post PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Copom e Fed decidem juros hoje com petróleo em queda e dólar instável; veja o que esperar

Nesta quarta-feira (17), Brasil e Estados Unidos decidem em conjunto o rumo de suas taxas básicas de juros em uma Superquarta marcada pelo recuo do petróleo e pela estreia de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve.

No Brasil, o mercado precifica um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, com atenção voltada ao primeiro comunicado e à primeira entrevista coletiva de Warsh desde que assumiu o comando do Fed.

Por volta das 7h35 (Brasília) desta quarta-feira, o barril do petróleo Brent, com vencimento em agosto, operava em leve alta de 0,18%, a US$ 79,08, nível próximo ao observado no início do conflito entre Irã e Israel. Segundo André Azevedo, especialista da mesa de operações do Grupo Multiplica, a atenção dos investidores brasileiros se concentra na decisão do Copom. Azevedo afirmou que o mercado segue precificando um corte de 0,25 ponto na Selic, em linha com a expectativa majoritária dos agentes econômicos, e que esse movimento representaria o encerramento do atual ciclo de flexibilização monetária, levando a taxa básica a 14,25% ao ano, seguido por uma pausa nas próximas reuniões.

Leia também: Acordo Mercosul-UE ganha peso estratégico em meio à disputa entre EUA e China

Inflação pressionada limita espaço do Copom

Ainda conforme Azevedo, essa expectativa de corte ocorre mesmo diante de um cenário inflacionário pressionado. As leituras mais recentes apontam inflação próxima de 5,5% nos indicadores de núcleo, patamar acima do centro da meta do Banco Central, fixado em 3%. Esse descolamento segue como um dos principais pontos de atenção para a condução da política monetária nos próximos meses.

A leitura é compartilhada por Rafael Cardoso, que projeta corte de 25 pontos base nesta reunião. Segundo Cardoso, o cenário já vinha sendo de cortes no ritmo de 25 em 25 pontos há algum tempo, depois de uma fase anterior ao conflito no Oriente Médio em que se discutia uma aceleração para 50 pontos. Cardoso reconhece que o quadro ficou mais complicado desde a última reunião, com inflação mais pressionada, piora das expectativas e atividade econômica resiliente, ainda que dentro do esperado.

Mesmo com o avanço recente do entendimento entre Irã e Estados Unidos, que reduz parte da incerteza geopolítica, Cardoso descarta a hipótese de pausa no ciclo de cortes. Para ele, o Banco Central deve manter o ritmo de 25 pontos, mas pode usar o comunicado para sinalizar maior nível de incerteza, sem caracterizar de forma explícita o fim do ciclo. Cardoso resume que o BC deve preservar a porta aberta para a próxima reunião, ganhando os 45 dias seguintes para reavaliar o cenário.

A avaliação tem amparo nos números do Boletim Focus mais recente. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,86% para 5,30%, 14ª semana consecutiva de alta nas expectativas e acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. As estimativas para 2027 e 2028 também pioraram, de 4,00% para 4,10% e de 3,61% para 3,68%, respectivamente.

O Goldman Sachs também espera redução de 0,25 ponto, mas com comunicação mais firme, podendo sugerir que a meta de inflação está difícil de ser alcançada caso o ciclo de cortes continue. Segundo o banco, existe uma chance de 40% de manutenção da taxa, dado o cenário desafiador da inflação.

Leia também: Os fiascos que o Claude Fable acumulou em 96 horas expõem a Anthropic e Dario Amodei a um vexame sem precedentes

Fed mantém juros e mercado observa estreia de Warsh

Do lado americano, o Federal Open Market Committee (fomc) deve manter os juros estáveis na faixa entre 3,50% e 3,75%, decisão amplamente precificada pelo mercado. A atenção se volta ao Resumo de Projeções Econômicas, o chamado dot plot, e à primeira entrevista coletiva de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, marcada para as 14h30 no horário de Washington, 15h30 no Brasil.

Segundo análise do Bank of America, o dot plot de junho deve trazer uma mudança hawkish substancial, com três integrantes do comitê projetando altas de juros ainda em 2026. O banco avalia que Warsh não deve submeter sua própria projeção numérica, mas que, caso o faça, a tendência é de um viés mais dovish do que o restante do colegiado.

🔍 Dot plot é o gráfico publicado pelo Federal Reserve a cada trimestre que mostra, de forma anônima, a projeção de cada um dos integrantes do comitê de política monetária para a trajetória dos juros americanos nos próximos anos. Cada participante marca um ponto indicando onde acredita que a taxa deve estar ao fim de cada período, e a mediana desses pontos costuma ser usada pelo mercado como sinal das intenções do Federal Reserve sobre futuros cortes ou altas de juros.

Para Thiago Pedroso, analista da Criteria, a decisão de juros em si já está precificada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e a sinalização sobre os próximos passos será mais importante do que o número anunciado nesta quarta. Leonardo Costa, economista do ASA, pondera que parte dos riscos do cenário internacional já era conhecida antes da reunião, o que reduz o efeito surpresa sobre os mercados locais.

Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, destaca que o desacordo entre os membros votantes do FOMC sobre os próximos passos deve concentrar as atenções nesta quarta. Já Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, acredita que Warsh deve adotar um tom simples e prudente em sua estreia, evitando viés direcional explícito e reforçando que as decisões futuras dependerão dos dados.

Petróleo recua com acordo entre Irã e Estados Unidos

O pano de fundo internacional que pressiona ambos os bancos centrais é o desfecho do conflito entre Irã e Estados Unidos. No último domingo (14), as duas nações chegaram a um acordo de paz que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo. A assinatura do memorando de entendimento está prevista para esta sexta-feira (19), em Genebra.

O anúncio provocou recuo dos preços do petróleo nos últimos dias. Segundo a Agência Internacional de Energia, o choque de oferta provocado pela guerra erodiu a demanda global por petróleo, mas uma resolução duradoura do conflito pode provocar elevação expressiva do volume de oferta e gerar excedente relevante no mercado já em 2027. A IEA reduziu sua projeção de demanda global para 2026 para 1,1 milhão de barris por dia, queda de 700 mil barris por dia em relação à estimativa do mês anterior, depois que as entregas recuaram 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre. Tech Times

Pelo lado da oferta, a agência indica que a produção global deve cair 3,9 milhões de barris por dia em 2026, para 102,4 milhões de barris diários, antes de uma recuperação forte no ano seguinte. A entidade chama atenção para o que classifica como uma sobra significativa de petróleo em 2027, com a oferta projetada para crescer cerca de 8 milhões de barris por dia, superando com folga o avanço mais modesto esperado para a demanda mundial.

Bolsas operam de lado à espera das decisões

Na Europa, os principais índices de ações operavam perto da estabilidade na manhã desta quarta, em compasso de espera pela decisão do Fed e por detalhes adicionais do acordo entre Estados Unidos e Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,25%, a 637,58 pontos, por volta das 6h40 (Brasília).

Na agenda de indicadores, a inflação ao consumidor da zona do euro acelerou para 3,2% em maio, ante 3,0% em abril, segundo dado final divulgado pelo Eurostat, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu. No Reino Unido, o CPI anual ficou estável em 2,8% em maio, levemente abaixo da expectativa de analistas, que previam alta para 3%.

No Brasil, o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, desacelerou para 0,42% na segunda quadrissemana de junho, após alta de 0,45% na primeira leitura do mês. Entre os componentes, alimentação, despesas pessoais e vestuário perderam força, enquanto habitação, saúde, educação e transportes mostraram comportamento misto.

Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street indicavam abertura em alta antes da decisão do Fed, com o S&P 500 subindo 0,3% e o Nasdaq 100 avançando 0,9%, segundo dados de pré-mercado. Entre as ações de maior destaque, papéis ligados a semicondutores e tecnologia registravam ganhos, enquanto a montadora alemã BMW recuava quase 7% em Frankfurt após reduzir sua projeção de lucro anual, citando fraqueza no mercado chinês e o impacto da guerra no Oriente Médio sobre custos.

Na China, o banco central do país anunciou nesta quarta medidas para estimular o uso internacional do yuan, incluindo um novo mecanismo de recompra para autoridades monetárias estrangeiras obterem liquidez na moeda chinesa. As iniciativas vieram um dia após indicadores fracos da economia chinesa, com queda nos gastos do consumidor pela primeira vez em mais de três anos.

O post Copom e Fed decidem juros hoje com petróleo em queda e dólar instável; veja o que esperar apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •