Visualização de leitura

Iate de luxo, DJs, praias paradisíacas: A viagem de R$ 10 milhões de Vorcaro no Mediterrâneo

Martha Graeff e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras e intimidação, gastou cerca de R$ 10 milhões em uma luxuosa viagem pelo Mediterrâneo, organizada pelo promotor de eventos Diogo Batista. O passeio, realizado em agosto de 2022, incluiu a locação do superiate Mad Summer e festas exclusivas em locais como o Verde Beach, na França, e envolveu DJs internacionais, modelos e uma infraestrutura de entretenimento de alto padrão. Vorcaro, conhecido por seu estilo de vida extravagante, utilizou esses eventos como parte de sua estratégia para estreitar relações com políticos e autoridades. As informações são da Folha de S. Paulo.

Segundo documentos de investigações da Polícia Federal, Vorcaro pagou € 1,88 milhão (aproximadamente R$ 10,7 milhões na época) para o passeio completo, incluindo a locação do iate, festas com iluminação sofisticada e o cachê do DJ Saint Lanvain, renomado na cena eletrônica internacional. O superiate Mad Summer, utilizado na viagem, tem 95 metros de comprimento e oferece instalações luxuosas, como cinema, spa, jacuzzi e até um heliporto. Foi construído originalmente para o bilionário americano Jeffrey Soffer e está disponível para locação em regiões de luxo, como o Mediterrâneo.

Durante o passeio, o promotor de eventos Diogo Batista registrou em vídeo os detalhes da viagem, incluindo festas animadas e cenas de glamour. Embora Vorcaro não apareça diretamente nas imagens, fontes indicam que ele estava presente, com sua presença sendo confirmada por pessoas próximas ao banco. O vídeo, que circulou nas redes sociais, foi postado inicialmente por Batista e depois amplamente compartilhado em canais do setor financeiro, revelando o padrão de vida e os gastos excessivos do ex-banqueiro, especialmente em meio à crise financeira do Banco Master.

As imagens do evento mostraram festas animadas em lugares como o Verde Beach, famoso clube francês na praia de Pampelonne, onde dançar em cima das mesas é comum. O local, que exige reservas antecipadas e tem preços elevados, é um destino conhecido entre as celebridades e turistas de alto padrão. Durante a festa, homens fantasiados de gladiadores e uma mulher segurando uma garrafa gigante de espumante destacavam ainda mais o caráter elitista do evento.

Cenas de viagem na região do Mediterrâneo, registradas em vídeo pelo promotor de eventos Diogo Batista. Foto: Reprodução

Além do superiate e das festas, o passeio foi complementado por shows exclusivos e outros serviços de alto luxo, com custos extras que totalizaram aproximadamente R$ 480 mil para a infraestrutura de som, iluminação e contratação de artistas. No Brasil, DJ Saint Lanvain já se apresentou em festas exclusivas, como o Réveillon Carneiros, em Pernambuco, um dos eventos mais caros do país. A exibição dessas festas de luxo e a ostentação de riqueza em meio à crise financeira do banco geraram especulações sobre como Vorcaro mantinha tal estilo de vida enquanto o Banco Master enfrentava sérias dificuldades financeiras.

A divulgação do vídeo da viagem de Vorcaro e a identificação de vários envolvidos em seus eventos de luxo ocorreram após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. As investigações sobre o banco e suas operações fraudulentas, que envolveram bilhões em ativos e a assistência financeira do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), levantam ainda mais questões sobre o uso de recursos do banco para financiar esse estilo de vida de luxo, colocando em evidência os excessos e as relações de Vorcaro com políticos e outras figuras de destaque.

🎦 Vorcaro gastou R$ 10 milhões em viagem com iate de luxo no Mediterrâneo. Imagens registradas por promotor de eventos do banqueiro mostram embarcação e clube de alto padrão em Saint-Tropez, na França 📲📰 Leia mais em https://t.co/v73Fl5cZQU pic.twitter.com/hpup7iLfvO

— Folha de S.Paulo (@folha) March 8, 2026

  •  

Como a passagem relâmpago de Vorcaro por prisão em SP causou tensão entre agentes e advogados

Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews

A passagem de menos de 24 horas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, teve um impacto significativo na rotina da unidade. Apesar de sua breve permanência, o banqueiro movimentou um esquema de segurança raro no sistema prisional paulista, gerando tensão entre policiais penais, advogados e outros presos. As medidas extraordinárias foram tomadas devido ao temor de possíveis atentados, levando a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a adotar equipamentos e vigilância reforçada. As informações são de Lauro Jardim.

Segundo fontes da administração penitenciária, policiais penais que tiveram acesso ao pavilhão onde Vorcaro estava foram equipados com câmeras corporais e coletes à prova de bala, equipamentos que não fazem parte da rotina do presídio. Além disso, 20 novas câmeras de monitoramento foram instaladas no pavilhão, especificamente para acompanhar a movimentação do banqueiro. Esse tipo de segurança fora do comum gerou estranhamento entre os servidores, já que o uso de tais tecnologias é pouco frequentado nas unidades prisionais do estado.

O próprio diretor da unidade, Luciano José Pimenta, demonstrou grande apreensão com a presença de Vorcaro, e fontes internas indicam que a direção comemorou a autorização para a transferência do banqueiro para uma unidade federal em Brasília. Em paralelo, a presença de Vorcaro no local provocou agitação no setor de atendimento a advogados, que ficaram incomodados com o atendimento prioritário dado aos integrantes da defesa do banqueiro. Isso gerou uma série de reclamações entre outros profissionais que aguardavam para falar com seus clientes.

Penitenciária 2 de Potim, em São Paulo. Foto: Reprodução/Google Street View

A Polícia Penal, em nota oficial, minimizou o impacto da passagem de Vorcaro pela unidade, afirmando que a rotina do presídio não foi alterada. A instituição afirmou que as normas de segurança e disciplina foram cumpridas conforme exigido pela Lei de Execução Penal. No entanto, o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo ressaltou que o uso de câmeras corporais não faz parte das práticas usuais dentro das unidades, o que chamou ainda mais a atenção para o episódio.

Vorcaro foi preso novamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Ele chegou à Penitenciária II de Potim na quinta-feira, onde deveria cumprir o período padrão de isolamento, mas permaneceu na unidade por menos de 24 horas. Na madrugada de sexta-feira, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, a mais segura do país, após decisão do ministro André Mendonça, do STF.

A transferência foi considerada necessária pela Polícia Federal devido à capacidade de Vorcaro de mobilizar redes de influência tanto no setor privado quanto no poder público, o que justificou a necessidade de um ambiente de segurança máxima. O episódio gerou um clima de incerteza no sistema prisional paulista, especialmente quanto à eficácia do controle das unidades e à prioridade dada à defesa de um dos presos mais influentes do país.

  •