Visualização de leitura

CPERS aponta problemas estruturais e falta de pessoal em encontro com direções de escolas da Capital

Na manhã desta quarta-feira (11), o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS)  deu continuidade à segunda semana da Caravana do sindicato, mobilização que percorrerá escolas dos 42 núcleos da entidade no Estado. A caravana escutará a categoria sobre os desafios e as perspectivas da educação pública no Estado, além de construir um diagnóstico da realidade das instituições neste início de ano letivo.

O encontro desta manhã ocorreu no histórico Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o Julinho, no bairro Santana de Porto Alegre, com presença da direção central do CPERS. “Nós precisamos estar mais presentes no chão da escola”, destaca a presidente do sindicato, Rosane Zan. “Nós vivemos um tempo em que precisamos, sim, da unidade da classe trabalhadora”.

Após o encontro, a Caravana seguirá com visitas durante a manhã e tarde de quarta a outras 12 escolas estaduais localizadas nos bairros Partenon, Restinga, Lami, Cristal e Menino Deus, dando continuidade ao levantamento das condições das escolas da rede estadual e para observar a realidade do projeto do governo de Eduardo Leite na pasta da Educação.

O sindicato entende que a eleição ao Piratini em outubro deste ano será fundamental para o estabelecimento de uma nova proposta qualificada na área da Educação, com a ameaça da instalação de um projeto voltado à extrema-direita caso o vencedor seja Zucco (PL) ou a manutenção do projeto atual se o vice-governador Gabriel Souza (MDB) for eleito.

“Que projeto nós queremos para o Rio Grande do Sul?”, questiona a presidente do CPERS. “Precisamos debater qual projeto para a educação pública que queremos. É o nosso papel, como sindicato, fazer esse debate”.

Rosane Zan critica o que chamou de “destruição da escola”, um processo que mercantilizou e privatizou a educação pública no Estado. Ela cita a aposentadoria digna, a necessidade de reajuste salarial e a valorização profissional dos educadores como problemas do projeto atual do governo.

Ao todo, três diretoras estaduais participaram do encontro no Julinho, que descreveram os problemas de suas escolas e relataram as dificuldades que enfrentam no dia a dia. Entre elas estava a diretora do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, Paola Ribeiro.

Ela denuncia que as obras de recuperação do colégio foram “mal feitas” pela empresa contratada para realizar o serviço e que as obras não contaram com fiscalização do governo, apesar do investimento de R$ 3 milhões.

As obras incluíam:

  • Recuperação estrutural de salas e passarelas;
  • Recuperação de paredes, pisos, esquadrias, cobertura e lajes;
  • Substituição do guarda-corpo do pátio;
  • Substituição de portas, vidros e janelas danificados;
  • Manutenção de instalações elétricas e hidráulicas;
  • Substituição de peças danificadas ou faltantes nos banheiros;
  • Pinturas internas e externas.

Outro problema é a climatização da escola. O colégio dispõe de 40 salas de aula, porém apenas seis têm ar-condicionado instalado, uma novidade para o ano letivo de 2026.

A diretora do Julinho critica a ingerência e confusão da Secretaria da Educação (Seduc), com profissionais chegando de repente na escola sem alertar a equipe diretiva sobre a contratação e dificuldade na gestão de vagas dos alunos. “É absurda a forma como nos tratam”, reclama a diretora.

No Colégio Estadual Inácio Montanha, também no bairro Santana, a situação é parecida. A diretora Maria Luísa Kircher conta que o Governo do Estado e a Seduc também promoveram reformas no colégio, mas o telhado da instituição, que gera problemas com alagamentos em dias de chuva, não foi renovado ou consertado.

O Inácio Montanha ainda enfrenta problemas com o manejo de recursos humanos. A diretora cita a falta de monitores para alunos especiais na instituição, além da dificuldade de encontrar profissionais para trabalharem na modalidade do EJA e a necessidade de ajuste na carga horária dos professores e professoras.

Quem enfrenta o cenário mais adverso é a Escola Estadual Mané Garrincha, no Menino Deus. Maria Resplande de Sá, diretora da instituição que oferece ensino integral do 1º ao 5º ano, relata não ter recursos financeiros e humanos o suficiente para entregar todas as demandas prometidas pela escola. 

Por exemplo, a diretora diz que não conta com equipe para dar aulas de espanhol desde abril de 2025, sem contratação de um(a) profissional por parte da Seduc. “A escola não contrata, a escola só recebe”, reitera.

Contudo, a área que apresenta os problemas mais graves é na equipe de merendeiras. Maria Resplande de Sá afirma que conta com apenas uma merendeira contratada. Ela teve que cortar as quatro refeições oferecidas pela escola integral e reduzir a oferta apenas para lanches enquanto não recebia reforços da Secretaria da Educação.

A solução que a Seduc deu foi “emprestar” uma merendeira de outra escola para o Mané Garrincha, o suficiente para voltar a disponibilizar as refeições do turno integral. Mas a diretora pontua que a solução não é definitiva e que a questão está longe de ser resolvida. Maria conta que, nesta segunda-feira (9), uma das merendeiras ficou doente e ela mesma teve que ir para a cozinha, trabalhando com a outra merendeira para alimentar as crianças.

A mobilização do CPERS seguirá passando pelos núcleos do sindicato, coletando os relatos das equipes diretivas de todo o Estado. Nesta quarta, além da Capital, o sindicato esteve presente em Passo Fundo e Três Passos, reunindo, mobilizando e ouvindo educadores e educadoras gaúchas, além das equipes diretivas.

O post CPERS aponta problemas estruturais e falta de pessoal em encontro com direções de escolas da Capital apareceu primeiro em Sul 21.

  •