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Por que favorito a primeiro-ministro após Starmer deixa Reino Unido em dúvidas

Andy Burnham, político trabalhista britânico
Andy Burnham, político trabalhista britânico. Foto: Reprodução.

Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, tornou-se o principal favorito para suceder Keir Starmer no Reino Unido depois que o primeiro-ministro britânico anunciou um cronograma para deixar o cargo. A movimentação em Westminster acelerou a transição de poder no Partido Trabalhista e colocou Burnham no centro da disputa pelo governo.

A posição de Burnham ganhou força na segunda-feira (22), quando Wes Streeting, ex-secretário de Saúde e apontado como seu maior rival em potencial, desistiu de concorrer e declarou apoio ao ex-prefeito de Manchester. A retirada deixou o caminho mais aberto para uma sucessão rápida dentro do partido.

Se confirmar a ascensão, Burnham será o quinto primeiro-ministro do Reino Unido em quatro anos. Ele acaba de chegar ao Parlamento como deputado por Makerfield, depois de vencer uma eleição complementar em uma área onde o Reform UK, partido da direita radical, costuma ter desempenho relevante.

Disputa trabalhista expõe dúvidas sobre Burnham

A possível troca de comando também abriu uma disputa por espaço no futuro governo. Aliados de Rachel Reeves defendem sua permanência no Ministério das Finanças sob o argumento de que ela preservou a confiança dos mercados. Há quem veja Streeting como possível substituto, mas ele afirmou que não recebeu convite de Burnham para ocupar o posto.

Parte do Partido Trabalhista demonstra incômodo com a velocidade da ascensão. Um ministro lembrou que Burnham não disputou as últimas eleições gerais, não era deputado até a semana passada e já perdeu duas corridas pela liderança trabalhista. “E lembre-se de que ele já concorreu à liderança do Partido Trabalhista duas vezes antes e perdeu”, disse. O mesmo ministro acrescentou: “E não só isso. Ele perdeu para dois perdedores — Ed Miliband e Jeremy Corbyn.”

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Foto: Jaimi Joy/Reuters

Ed Miliband perdeu as eleições gerais de 2015, enquanto Jeremy Corbyn foi derrotado em 2017 e 2019. A comparação alimenta a resistência de setores trabalhistas, apesar de Burnham aparecer hoje como um nome eleitoralmente competitivo contra o Reform UK e de ter escolhido uma vaga considerada difícil para retornar ao Parlamento.

A falta de detalhes sobre seu programa também provoca tensão interna. Uma fonte descreveu a movimentação de parlamentares trabalhistas como uma corrida “para pegar um trem que está prestes a sair da estação”, sem saber “para onde ele vai”. Durante a campanha em Makerfield, Burnham apresentou ideias gerais, mas concentrou sua agenda em temas locais que ajudariam a garantir a vitória.

Em publicação nas redes sociais sobre a decisão de Starmer de sair, Burnham disse que “as pessoas querem ver progresso no crescimento econômico, no custo de vida, nos serviços públicos, na habitação e nas oportunidades para a próxima geração”. Agora, parlamentares esperam que ele detalhe como pretende executar essas propostas, enquanto alguns cogitam tentar convencer Darren Jones, ministro-chefe de Starmer, a concorrer; aliados dizem que isso parece improvável, mas ainda não descartado.

O próximo passo da transição será a apresentação do programa de Burnham. Caso chegue ao cargo, ele terá de responder a questões que pouco enfrentou publicamente como prefeito, entre elas a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a possibilidade de elevar recursos para as Forças Armadas britânicas e a forma de financiar esse aumento.

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EUA reforçam neutralidade sobre Malvinas após ter informações do Pentágono vazadas

Trump em discurso na Otan. Foto: reprodução

Os Estados Unidos reafirmaram nesta sexta-feira (24) que mantêm posição de neutralidade sobre a soberania das Ilhas Malvinas, território disputado por Argentina e Reino Unido no Atlântico Sul. A declaração foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado após relatos de que Washington poderia rever sua postura como forma de pressionar aliados da Otan que não apoiaram plenamente a guerra contra o Irã.

“Nossa posição sobre as ilhas continua sendo a neutralidade. Sabemos que há uma disputa entre Argentina e Reino Unido devido a reivindicações sobre sua soberania”, declarou o porta-voz. Segundo ele, os Estados Unidos reconhecem “a administração de fato” do Reino Unido sobre o arquipélago, mas não tomam posição sobre as reivindicações de soberania.

A manifestação ocorreu depois que a Reuters informou que o Pentágono avalia medidas para punir aliados que resistiram a apoiar Washington na guerra contra o Irã, atualmente em cessar-fogo.

De acordo com a agência, um funcionário do governo estadunidense descreveu um e-mail interno no qual havia frustração com a relutância de países da Otan em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo às forças dos EUA.

Entre as opções citadas estaria a suspensão da Espanha da Otan, medida que “teria um efeito limitado nas operações militares americanas, mas um impacto simbólico significativo”, segundo o e-mail. O texto também mencionava uma possível reavaliação do apoio diplomático estadunidense a antigas “possessões imperiais” europeias, como as Ilhas Malvinas.

Letreiro nas Ilhas Malvinas. Foto: reprodução

A Espanha, governada pelo premiê socialista Pedro Sánchez, fechou seu espaço aéreo para voos dos EUA ligados ao conflito e não autorizou o uso das bases de Rota e Morón por aviões estadunidenses. Em resposta, o presidente Donald Trump ameaçou cortar o comércio com os espanhóis e já havia sugerido anteriormente que o país fosse expulso da Otan.

Sánchez minimizou a reportagem e disse que seu governo “não trabalha” com e-mails, mas com documentos oficiais e posições públicas. “A posição do governo da Espanha é clara: absoluta colaboração com os aliados, mas sempre dentro do marco da legalidade internacional”, afirmou.

Sobre a possibilidade de suspensão da Espanha da Otan, completou: “Do nosso ponto de vista não há debate, cumprimos com as obrigações, somos um parceiro leal e, por isso, temos absoluta tranquilidade”.

No Reino Unido, um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer também reagiu à hipótese de mudança na posição dos EUA sobre as Malvinas.

“As Ilhas Falkland [como os britânicos chamam o arquipélago] votaram esmagadoramente a favor de permanecerem um território ultramarino britânico, e sempre apoiamos o direito dos ilhéus à autodeterminação e o fato de que a soberania reside no Reino Unido”, afirmou.

Argentina e Reino Unido travaram uma guerra pelas Malvinas entre 2 de abril e 14 de junho de 1982. O conflito terminou com vitória britânica e deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos. Buenos Aires reivindica a soberania do território por via diplomática há quase 200 anos, enquanto Londres rejeita qualquer pretensão argentina e defende a autodeterminação dos cerca de 3.600 habitantes do arquipélago.

Em 2013, um referendo realizado nas ilhas apontou que 99,8% dos moradores rejeitaram a incorporação pela Argentina e defenderam a manutenção do status de território ultramarino britânico.

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Kanye West ‘Should Never Have Been Invited,’ Starmer Says After Barring Rapper From UK

Prime Minister Keir Starmer’s government blocked the artist formerly known as Kanye West from entering Britain for the three-day Wireless Festival in July.
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Trump Sours on Keir Starmer Over UK’s Decision Not to Join Attacks on Iran

President Trump once called Prime Minister Keir Starmer a friend. But Britain’s decision not to join the attacks on Iran has led to merciless mocking by the president.
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Europe Didn’t Want War With Iran. But So Far, It Can’t Stay Out of It.

From London to Rome and beyond, leaders are facing diplomatic headwinds and criticism at home as they take part in a conflict they did not seek.
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