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Capital Sustentável: Redata e minerais críticos avançam, mas ainda não formam plano de Estado, avalia Carlo Pereira

A aprovação do Redata e da política para minerais críticos cria novos instrumentos para atrair investimentos em duas cadeias disputadas globalmente, mas as medidas ainda não constituem uma estratégia de Estado para esses setores, afirmou nesta quarta-feira (9) Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, no quadro Capital Sustentável.

Carlo destacou que os dois projetos avançam ao estabelecer incentivos econômicos e contrapartidas, mas considerou que o país ainda precisa transformar essas iniciativas em uma política mais ampla e permanente.

“Nenhuma das duas legislações aprovadas é um plano de Estado. Elas resolvem algumas coisas pontuais, mas não resolvem o todo. Não são um plano de país, não são um plano de Estado”, afirmou.

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Redata pode impulsionar data centers

No caso do Redata, o especialista destacou as desonerações previstas para estimular a instalação de data centers no Brasil, incluindo benefícios relacionados a PIS/Cofins e IPI sobre determinados equipamentos.

Para o especialista, o país reúne condições para disputar investimentos em infraestrutura digital em um momento de forte expansão mundial do setor.

“É pública e notória essa corrida por data centers pelo mundo. E o Brasil, apesar de críticas que existem com relação a questões ambientais e à questão do acesso à energia, é, sim, um destino bastante óbvio para os data centers”, disse.

Carlo Pereira também afirmou que a disponibilidade de energia favorece o país nessa disputa e ponderou que tecnologias mais recentes reduziram a relevância de algumas preocupações relacionadas ao consumo de água para resfriamento das estruturas.

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“O Brasil é, sim, um destino bastante óbvio para os data centers. E é também um investimento desejado, entendo eu, ou deveria ser pelo Brasil”, afirmou.

Contrapartidas envolvem dados e pesquisa

Além dos incentivos tributários, Carlo chamou atenção para as contrapartidas previstas no Redata. Segundo ele, estão entre elas a destinação de 10% da capacidade ao mercado interno e de 2% para pesquisa, inovação e desenvolvimento (PD&I).

Na avaliação do especialista, reservar capacidade doméstica tem importância estratégica porque parte dos dados brasileiros ainda é processada em estruturas instaladas no exterior.

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“A gente precisa também trabalhar soberania dos dados. A gente fala muito em soberania e, cada vez mais no mundo conflagrado tal qual está hoje, tem que falar de soberania, seja alimentar, seja de minerais críticos e até mesmo de dados”, explicou.

Ele acrescentou que dados bancários e outras informações processadas fora do território nacional podem ficar submetidos a legislações estrangeiras, o que reforça, segundo ele, a importância de ampliar a infraestrutura instalada no Brasil.

“Seu dado, meu dado, dado de qualquer pessoa, seja bancário, seja do que for, muitas vezes é processado em data center fora do Brasil. Então, ele está exposto a legislações outras que não a legislação brasileira”, afirmou.

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Minerais críticos precisam avançar na cadeia

Na política para minerais críticos e estratégicos, Carlo Pereira destacou os incentivos econômicos destinados ao setor, entre eles uma renúncia estimada em aproximadamente R$ 5 bilhões e crédito fiscal de até 20% sobre o custo industrial.

Para o especialista, a questão central é utilizar esses mecanismos para impedir que o Brasil permaneça apenas como fornecedor de matéria-prima e estimular investimentos em outras etapas da cadeia produtiva.

“A gente quer pensar não só na exploração ali do minério, mas quer ir bem mais longe na cadeia. Esse é o grande ponto”, afirmou.

Segundo ele, essa disputa ganhou importância internacional porque países procuram garantir domínio não apenas sobre a disponibilidade dos minerais, mas também sobre as etapas industriais necessárias para transformá-los em produtos de maior valor agregado.

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“Isso é muito do que se discute ao redor do mundo: você ter soberania não só sobre aquele minério, sobre aquela commodity, mas sobre aquela cadeia como um todo”, explicou.

Incentivos ainda não resolvem estratégia do país

Apesar dos avanços, o especialista considera que os dois marcos são insuficientes para definir uma política nacional de longo prazo para data centers e minerais críticos.

Para ele, incentivos tributários, créditos fiscais e contrapartidas podem estimular investimentos específicos, mas precisam estar inseridos em uma estratégia mais ampla para que o Brasil consiga transformar suas vantagens em capacidade produtiva, tecnológica e estratégica.

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“Eles resolvem algumas coisas pontuais, mas não resolvem o todo”, concluiu.

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‘Brasil não abre mão de sua soberania’, diz Lula sobre terras raras

Da Agência Brasil

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (18) que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania para exploração de minerais críticos e terras raras existentes no país.

Durante evento realizado em Campinas, no interior de São Paulo, Lula destacou que outros países poderão se associar ao Brasil para explorar esses recursos, dentro do território brasileiro.

“Não temos preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro”, disse o presidente.

Em seu discurso, Lula também destacou que pesquisadores brasileiros, especialmente do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), poderão ajudar a fazer um estudo sobre esses recursos do país.

“Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito. A gente vai ter que contar com inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade, e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça que o Trump [presidente dos EUA] deixe de brigar com o Xi Jinping [presidente da China] e venha se associar a nós para explorar isso aqui”, disse ele.

Supermicroscópio

O discurso do presidente foi feito na cerimônia de inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, uma espécie de supermicroscópio do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

As novas linhas de luz síncroton devem ampliar a capacidade de pesquisa do país em áreas como saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia. As novas linhas são chamadas de Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê.

O investimento é de R$ 800 milhões, por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

“Para fazer um investimento como esse, a gente não tem que perguntar quanto custa. Qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequeno diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira”, comentou o presidente.

“Não me convença com discurso, me convença com projeto. Se o projeto for factível, se ele tiver começo, meio e fim, não haverá problema em arrumar dinheiro e aprovar qualquer projeto desse país. E esse projeto aqui é um projeto que pode dar ao Brasil uma respeitabilidade mundial para que nenhum ser humano do mundo ache que o Brasil é inferior”, reforçou.

Para a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, a inauguração das novas linhas podem representar um salto tecnológico para o país.

“O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Orion [um complexo para pesquisas avançadas em patógenos]. Essa é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo”, disse a ministra.

“O CNPEM ajudou a romper essa lógica de dependência e mostrou que conhecimento também é soberania. Antes do Sirius, pesquisadores brasileiros dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas e vírus e tecnologias estratégicas. Isso atrasava pesquisavas e limitava o conhecimento e a capacidade do Brasil em produzir conhecimento em áreas fundamentais”, acrescentou Luciana Santos.

As linhas

A Tatu, primeira linha em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz, permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. Essa linha vai contribuir para avanços na área de telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz.

Já a linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias.

A Quati, por sua vez, vai permitir investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.

Por fim, a linha Sapê pretende desenvolver materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.

Luz síncroton e Sirius

A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro, isto é, ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta e chegando aos raios X.

Com o uso dessa luz especial é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.

Já o acelerador de partículas Sirius é uma imensa máquina capaz de analisar estruturas em escala atômica, ou seja, consegue revelar detalhes das estruturas dos átomos e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento.

Esse equipamento é considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo.

“O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e seleto de países que dominam tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração. O Sirius é a mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e abriga um dos mais maiores aceleradores de elétrons no mundo o que nos permite desenvolver pesquisas em medicamentos, semicondutores, baterias e minerais estratégicos”, explicou a ministra da Ciência e Tecnologia.

Inovação em saúde

Além da inauguração dessas quatro novas linhas, Lula e o ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda, acompanharam o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde.

O programa, que será realizado inicialmente pelo CNPEM, foi desenvolvido com o objetivo de fortalecer a soberania tecnológica nacional na área da saúde.

A iniciativa visa ampliar o desenvolvimento nacional de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.

Esse programa, diz o governo, pretende contribuir para reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer a capacidade nacional de desenvolver soluções em saúde alinhadas às necessidades do SUS e da população brasileira.

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