Visualização de leitura

A pergunta que os jornalistas não faziam a Trump. Por Moisés Mendes

Donald Trump sendo retirado as pressas pelos serviços secretos após tiroteio em jantar com a imprensa. Texto de Moisés Mendes comenta sobre a entrevista do presidente ao 60 minutes no dia seguinte.
O presidente estadunidense Donald Trump sendo retirado as pressas pelos Serviços Secretos. Foto: Bo Erickson/REUTERS

Um atirador obrigou Trump a dizer o que já deveria ter dito diante de jornalistas, pela imposição da profissão que faz perguntas, mas não com o auxílio da muleta de uma figura que teria tentado matá-lo: “Eu não sou estuprador, nunca estuprei ninguém. Eu não sou pedófilo”.

Foi uma jornalista a formuladora da pergunta, a partir da carta deixada pelo atirador para a família. Essa carta foi a muleta. A jornalista Norah O’Donnell, da CBS, só perguntou a Trump, no dia seguinte, se ele era o pedófilo citado no texto porque Cole Tomas Allen disse o que os jornalistas americanos se negam a dizer.

Allen escreveu antes da invasão do hotel onde se realizava o banquete, sem citar Trump: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”.

Norah, ao entrevistar Trump na TV, leu esse trecho e pediu que ele o comentasse. Trump respondeu acusando a jornalista de ser uma pessoa horrível, e ela faz então a pergunta que ninguém tinha feito:

“Você acha que ele estava se referindo a você?”

Trump diz, pela primeira vez diante de uma pergunta direta, que não é pedófilo nem estuprador. O jornalismo já havia tido a chance de enfrentar Trump sobre o caso Epstein com uma pergunta assim: você é pedófilo e estuprador?

Em muitas ocasiões, ele foi confrontado com o andamento do caso na Justiça, mas não dessa forma: o atirador que fala em pedófilo e estuprador se refere a você?

Não é uma perguntinha protocolar sobre o que você acha das investigações, dos dossiês e dos depoimentos de vítimas da rede de pedofilia e prostituição, mas uma pergunta direta. Formulada a partir da acusação do atirador.

Quem teria a coragem de fazer essa pergunta durante a festa de gala em que jornalistas confraternizavam com o maior gângster mundial? Quem, entre os que se jogaram ao chão no banquete para jornalistas, perguntariam a Trump: você é pedófilo e estuprador?

A cena provocada pelo atirador expôs o cinismo do jornalismo que senta, come e bebe ao lado do poder que o atemoriza e o amordaça. Sem o atirador, não teríamos a pergunta e a reação de Trump. Allen pautou o jornalismo.

Um jornalismo de corporações de mídia americanas e de outros países que também continua, por falta de coragem, manchando as próprias mãos com o sangue de crianças, mulheres e idosos assassinados pelos foguetes de Trump e por soldados de cúmplices a seu mando. E o doente, segundo Trump, é o atirador.

  •  

Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no STF; entenda suspeitas

Por Lucas Marchesini (Folhapress) – Os questionamentos sobre as conexões do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, crescem desde que a primeira relação entre os dois foi revelada pela Folha de S.Paulo, em janeiro, e podem ser respondidos ao longo da investigação da Polícia Federal sobre […]
  •  

Why Did the UK Police Repeatedly Decline to Investigate Claims About Epstein and Prince Andrew?

The police in London interviewed Virginia Giuffre three times over her allegations about Jeffrey Epstein, Andrew Mountbatten-Windsor and Ghislaine Maxwell, but never began a criminal investigation.
  •  

Secretário de Trump admite almoço com Epstein em ilha, cercado de crianças

Trump e Lutnick

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, admitiu nesta terça-feira (10) que almoçou com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein em sua ilha privada no Caribe, em 2012.

O encontro ocorreu durante uma viagem de férias em família e incluiu a presença da esposa de Lutnick, de seus quatro filhos e de babás, segundo o próprio relato feito em depoimento ao Comitê de Apropriações do Senado.

“Eu almocei com ele, sim, enquanto estava em um barco durante uma viagem de férias em família”, afirmou Lutnick. “Minha esposa estava comigo, assim como meus quatro filhos e as babás. Também havia outro casal com crianças. Ficamos cerca de uma hora na ilha.”

A declaração ocorre em meio a uma crescente pressão bipartidária no Congresso para que o secretário renuncie ao cargo.

Epstein havia se declarado culpado em 2008 por crimes ligados à prostituição de menores na Flórida, incluindo o aliciamento de uma criança, em um acordo judicial que lhe permitiu escapar de acusações federais mais graves. Ainda assim, segundo documentos recentemente divulgados, Lutnick discutiu a visita à ilha em 2012, quatro anos após a condenação do financista.

O deputado republicano Thomas Massie afirmou que Lutnick deveria renunciar para “poupar o presidente de mais desgaste político”. “Se isso fosse no Reino Unido, ele já teria sido afastado”, disse, citando casos em que figuras públicas perderam cargos após vínculos com Epstein. Do lado democrata, o deputado Robert Garcia foi direto: “Lutnick precisa renunciar ou ser demitido, e precisa responder às nossas perguntas”.

Outros parlamentares democratas, como Ro Khanna, Ted Lieu, Melanie Stansbury e o senador Adam Schiff, também passaram a defender publicamente a saída do secretário. Eles questionam não apenas o encontro em si, mas o fato de ele ter ocorrido após a condenação de Epstein e envolver crianças.

Em seu depoimento, Lutnick tentou minimizar a relação. Disse que “mal teve contato” com Epstein ao longo de 14 anos e que se encontrou com ele apenas três vezes. Antes, o secretário havia declarado que rompeu relações com o financista em 2005. As novas revelações, porém, contradizem essa versão e reacendem o debate sobre o grau de tolerância do alto escalão do governo dos EUA com figuras centrais do escândalo Epstein durante a era de Donald Trump.

People can decide if they care are or not, I suppose, but Howard Lutnick told this melodramatic, detailed story about he met Jeffrey Epstein in 2005 and was so “disgusted” by him that he ran out and never saw him again.

The whole story was a total lie.pic.twitter.com/gsxU8JYkmj

— Glenn Greenwald (@ggreenwald) February 10, 2026

  •  

Abuso, ameaças e crimes sexuais: por que o caso Epstein ainda não derrubou Trump?

Por Beatriz Drague Ramos – Brasil de Fato A recente divulgação de mais de três milhões de arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, financista acusado de chefiar uma rede de tráfico sexual e abuso de menores, que morreu antes de ser julgado, trouxe à tona o envolvimento da elite global entre celebridades e políticos. O nome de […]
  •