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Lula chama de “vira-latas” quem ergue bandeira dos EUA em atos políticos

Lula Trump Boneco
Boneco inflável de Trump segurando o presidente Lula com roupa de presidiário foi exibido no último ato bolsonarista de 7 de setembro na Paulista. Foto: Bruno Santos/Folhapress

O presidente Lula chamou de “vira-latas” e “traidores da pátria” brasileiros que levam bandeiras dos Estados Unidos para manifestações políticas no país. A declaração foi feita nesta quarta-feira (9), durante comício da campanha à reeleição em Teresina, no Piauí, dois dias depois de um ato convocado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista exibir símbolos estadunidenses e homenagens a Donald Trump.

“Eu tenho muito orgulho da minha bandeira. Aqueles que só carregam a bandeira do Brasil e vão para comício com bandeira americana são vira-latas, são traidores da pátria, que não têm nenhum compromisso com este país”, afirmou Lula. O presidente não citou nominalmente Flávio Bolsonaro nem a manifestação da Paulista nesse trecho do discurso.

A referência ocorre depois de bolsonaristas erguerem um boneco inflável gigante de Trump durante o ato de 7 de Setembro. A figura do presidente estadunidense aparecia segurando uma representação de Lula vestido como presidiário. A manifestação também teve cartazes em inglês e acessórios ligados ao movimento MAGA. O evento foi convocado por Flávio Bolsonaro.

Lula também dirigiu o discurso diretamente ao presidente dos Estados Unidos. “O Trump que se meta no país dele. Aqui é um problema de nós, brasileiros”, afirmou. Na sequência, disse que seu governo reagirá caso Washington tente interferir no processo eleitoral: “Que não venham os americanos querer influir nas nossas eleições. Se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los”.

🗳️ ELEIÇÕES | Lula critica bandeiras dos EUA em atos políticos: “Traidores da pátria” pic.twitter.com/vyw2gVdloL

— Metrópoles (@Metropoles) September 10, 2026

O confronto em torno da soberania já ocupa espaço central na disputa presidencial. No próprio 7 de Setembro, Lula contrapôs sua defesa da soberania à ofensiva de Flávio Bolsonaro contra o STF. A campanha petista também passou a explorar declarações e gestos da família Bolsonaro em relação aos Estados Unidos para acusar o grupo de colocar interesses estrangeiros acima dos nacionais.

Em Teresina, Lula vinculou esse discurso à sua motivação para continuar na política. Disse que acorda diariamente para defender educação, alimentação, emprego e renda e afirmou que “não são os anos que envelhecem a pessoa”, mas a falta de uma causa. Ao falar das bandeiras, reafirmou ter orgulho tanto do verde e amarelo do Brasil quanto do vermelho do PT, antes de atacar quem utiliza símbolos estadunidenses em atos políticos.

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Deputado do MBL provoca tumulto em ato do Dia da Mulher na Avenida Paulista

Guto Zacarias em debate – Imagem: Fábio Vieira/Especial Metrópoles @fabiovieirafotorua

O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), provocou tumulto na Avenida Paulista na tarde deste domingo (8), durante uma manifestação organizada por grupos de esquerda no Dia Internacional da Mulher.

O parlamentar montou uma tenda no local da manifestação com um cartaz que dizia: “Pix de R$ 1 mil pra quem me convencer que Lula está fazendo um bom governo”. A ação ocorreu enquanto manifestantes participavam de um ato que tinha como pauta principal o combate ao feminicídio.

A presença do deputado e a mensagem exibida no cartaz provocaram reação de manifestantes. Um grupo se aproximou da tenda e iniciou uma discussão com Zacarias, pedindo em coro que ele recuasse do local.

A iniciativa do parlamentar ocorreu de forma semelhante à de outros políticos de direita presentes na Avenida Paulista. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também participou de ações durante os atos realizados na data.

A manifestação organizada por movimentos de esquerda reuniu participantes que levaram às ruas pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre as reivindicações estavam o combate aos feminicídios e melhorias nas condições de trabalho.

Outras demandas apresentadas durante o ato incluíam o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à violência policial contra populações negras e periféricas e a retomada do serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.

Pela manhã, a Avenida Paulista também recebeu uma caminhada convocada por lideranças políticas de direita. Entre elas estava a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade.

Durante discurso no evento, a vereadora afirmou: “Eu sou uma vítima que ficou”. Ela também declarou: “Quem fala sobre quem ficou? Precisamos falar sobre os filhos do feminicídio, as famílias do entorno, porque muitas dessas mulheres são mães. Eu sou uma vítima secundária, então a gente precisa falar também sobre os cuidados com quem está fica.”

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