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Fundos imobiliários (FIIs) podem chegar a 30 milhões de investidores em até 15 anos, diz Sidney Angulo

A indústria de fundos imobiliários no Brasil deve continuar ampliando sua base de investidores ao longo de 2026. A estimativa é de entrada de 400 mil a 500 mil de novos cotistas neste ano.

Em uma perspectiva mais longa, de 10 a 15 anos, o número total pode alcançar a marca de 30 milhões de investidores, segundo projeção feita por Sidney Angulo, sócio do E-business Park e um dos maiores investidores de fundos imobiliários na pessoa física do país, durante participação no FIIs Experience 2026, evento realizado nesta quinta-feira (26), em São Paulo.

Atualmente, os fundos imobiliários possuem aproximadamente 3,07 milhões de cotistas na B3. Em janeiro de 2025, eram 2,78 milhões.

Além disso, o patrimônio total do setor sob custódia atingiu R$ 200 bilhões no início de 2026, um recorde para a indústria, de acordo com dados da bolsa de valores.

“Se eu fizer uma análise um pouquinho mais estrutural do que está acontecendo, R$ 200 bilhões e 3 milhões de investidores, para o tamanho do Brasil, é nada”, afirmou Angulo.

“Nós vamos chegar, em 10 a 15 anos, a 30 milhões. Este ano deve crescer de 400 mil a 500 mil. E eu acho mesmo”, prosseguiu.

“Imóvel é renda”

Durante sua participação, o executivo, que, atualmente, detém cerca de 300 mil metros quadrados (m²) em propriedades na capital paulista, destacou o caráter duradouro dos investimentos em imóveis, em contraste com eventos de curto prazo. “Guerra é notícia que acaba. Imóvel é renda. E é para sempre.”

Nesse sentido, comparou a estratégia adotada por grandes instituições financeiras, que, segundo ele mantêm parte relevante de seus ativos atrelada ao segmento imobiliário. “Os bancos constroem o patrimônio deles em imóveis. O investidor inteligente faz o mesmo.”

Democratização

Angulo também pontuou o avanço da democratização do acesso ao mercado imobiliário, pontuando que, hoje, pessoas físicas conseguem participar de grandes empreendimentos por meio dos FIIs — algo que não era viável para gerações anteriores.

“Antigamente, as cidades, os prédios, as propriedades eram de um único grande dono. Com o tempo, isso foi se dividindo, mas, até algumas décadas atrás, pouca gente podia ter acesso”, afirmou.

“Há 10 a 15 anos apareceram os fundos imobiliários. Essa figura de você pegar um prédio e poder ‘picar’ ele, isso é fantástico”, disse.

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Fundo imobiliário aprova compra de R$ 339 milhões em galpões logísticos; veja detalhes

O fundo imobiliário Invista Brazilian Business Park (IBBP11) informou que seus cotistas aprovaram a compra de cinco imóveis logísticos pertencentes ao XP Industrial (XPIN11), em uma operação de aproximadamente R$ 339,1 milhões.

A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária encerrada na última terça-feira (17), com participação de cerca de 55% das cotas emitidas pelo FII. Das manifestações recebidas, 54,6% foram favoráveis às matérias da ordem do dia.

Os empreendimentos que serão adquiridos estão localizados nos estados de São Paulo e Minas Gerais, em cidades como Atibaia (SP), Jarinu (SP) e Extrema (MG), e somam dezenas de milhares de metros quadrados (m²) de área bruta locável (ABL).

O valor individual dos imóveis varia entre aproximadamente R$ 36,9 milhões a R$ 90,7 milhões. Confira:

Imóvel Localização ABL (m²) Valor (R$)
Condomínio Barão de Mauá Atibaia (SP) 17.907,61 36.936.785,34
Brazilian Business Park – Gaia Air Jarinu (SP) 31.719,44 90.698.570,53
Brazilian Business Park – Gaia Terra Jarinu (SP) 34.507,60 89.323.432,98
Centro Empresarial Atibaia Atibaia (SP) 21.453,63 66.695.792,15
Condomínio Extrema Extrema (MG) 35.749,64 55.464.237,14
Total 141.337,92 ≈ 339,1 milhões

Um ponto relevante da operação é a existência de conflito de interesses, já que os dois fundos imobiliários envolvidos, IBBP11 e XPIN11, possuem a mesma administradora, a Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Por esse motivo, a transação precisou ser submetida à aprovação.

Novas emissões

Além da aquisição dos imóveis, os cotistas do Invista Brazilian Business Park também deram aval para a realização de novas captações.

Uma delas será a quinta emissão de cotas ordinárias, que será destinada exclusivamente a investidores profissionais e sem direito de preferência.

Já a outra será a segunda emissão de papéis seniores, voltada ao mesmo público, que poderão ser emitidos com deságio de 15% sobre o valor unitário da cota sênior.

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Fundo imobiliário de logística anuncia troca de nome na B3; IFIX registra terceira queda consecutiva

O fundo imobiliário GGR Covepi Renda (GGRC11) anunciou, por meio de fato relevante, que vai alterar seu nome de pregão na B3, passando de FII GGRCOVEP para FII GGR ZAG.

Segundo o comunicado divulgado ao mercado, a mudança será implementada em até cinco dias úteis contados a partir dessa quinta-feira (19).

Além disso, o veículo passou a se chamar oficialmente Zagros Renda Imobiliária, substituindo a denominação anterior (GGR Covepi Renda).

Apesar das alterações, o fundo informou que seu ticker de negociação na bolsa de valores continuará sendo GGRC11.

Também não haverá mudanças na estrutura, política de investimentos ou demais características do FII.

A administradora e a gestora do veículo afirmaram que o ajuste é apenas nominativo, sem impacto direto para os seus mais de 310 mil cotistas.

Desempenho do IFIX

IFIX, índice que reúne os principais FIIs negociados na B3, encerrou a quinta-feira (19) em queda de 0,11%, aos 3.864,05 pontos, no terceiro recuo consecutivo.

Agora, o indicador apresenta perda de 1,23% no acumulado de março. No ano de 2026, porém, mantém valorização de 2,35%.

Destaques do último pregão (19)

O PMIS11 (Paramis Hedge Fund) liderou as altas do dia, avançando 2,47% e encerrando a sessão cotado a R$ 8,29. Em seguida, o KORE11 (Kinea Oportunidades RE) subiu 1,60%, para R$ 76,20, enquanto o LIFE11 (Life Capital Partners) avançou 1,47%, a R$ 8,98.

Ticker Variação (%) Último (R$)
PMIS11 +2,47% 8,29
KORE11 +1,60% 76,20
LIFE11 +1,47% 8,98
XPML11 +1,28% 108,17
PORD11 +1,07% 8,49

Já o OUJP11 (Ourinvest JPP) liderou as perdas do dia, recuando 4,60% e encerrando a sessão cotado a R$ 84,99. Em seguida, o TGAR11 (TG Ativo Real) caiu 2,73%, para R$ 71,34, enquanto o URPR11 (Urca Prime Renda) recuou 2,18%, a R$ 35,50.

Ticker Variação (%) Último (R$)
OUJP11 -4,60% 84,99
TGAR11 -2,73% 71,34
URPR11 -2,18% 35,50
KISU11 -1,96% 7,00
VINO11 -1,94% 5,06
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Fundo imobiliário anuncia contrato com a Shopee após devolução de área pelo Banco Master; IFIX sobe

O fundo imobiliário BGR B32 (BGRB11) anunciou, por meio de fato relevante, que renovou a locação com a Shopee referente à área de 6.174 metros quadrados (m²) que a empresa já ocupa no Edifício B32, localizado em São Paulo (SP).

Segundo o comunicado divulgado ao mercado, a aditivo prevê a prorrogação do contrato por mais cinco anos, levando o vencimento para 2031, com aumento de aproximadamente 21% no valor do aluguel.

Além disso, o FII também celebrou com a Shopee uma nova locação para uma área adicional de 9.824 m² no mesmo imóvel, também por cinco anos.

De acordo com a gestora do BGRB1, o novo contrato compensa totalmente o espaço devolvido pelo Banco Master em janeiro.

A instituição bancária, antes de ser liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central (BC), ocupava os pavimentos 12º, 14º, 15º, 29º e parte do 30º do edifício.

Ainda segundo o fato relevante, acordos de longo prazo ajudam a garantir estabilidade e previsibilidade de receita para o fundo.

Desempenho do IFIX 

IFIX, índice que reúne os principais FIIs negociados na bolsa de valores, encerrou a segunda-feira (16) em leve alta de 0,05%, aos 3.881,27 pontos, marcando o segundo avanço consecutivo.

Embora tenha ensaiado a recuperação, o indicador ainda registra queda de 0,79% no acumulado de março. No ano de 2026, contudo, mantém valorização de 2,81%.

Destaques do último pregão (16)

O Kinea Oportunidades (KORE11) liderou as altas do dia, avançando 2,00% e encerrando a sessão cotado a R$ 75,41.

Em seguida, o Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11) subiu 1,84%, para R$ 78,10, e o Ourinvest JPP (OUJP11) avançou 1,80%, a R$ 86,40.

Ticker Variação (%) Último (R$)
KORE11 +2,00% 75,41
TRBL11 +1,84% 78,10
OUJP11 +1,80% 86,40
GGRC11 +1,28% 10,25
TOPP11 +1,27% 74,94

Já o Vinci Offices (VINO11) liderou as perdas, recuando 2,86% e fechando a sessão a R$ 5,09. Depois, o Patria Escritórios (HGRE11) caiu 1,31%, para R$ 125,50, e o Valora CRI Índice de Preço (VGIP11) registrou baixa de 1,14%, a R$ 79,66.

Ticker Variação (%) Último (R$)
VINO11 -2,86% 5,09
HGRE11 -1,31% 125,50
VGIP11 -1,14% 79,66
SNCI11 -1,11% 89,00
CCME11 -0,68% 8,78
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Tenda (TEND3): A estratégia para zerar dívida, aumentar lucro e turbinar dividendos, segundo o CFO

A construtora Tenda (TEND3), focada em habitação popular, pode ajustar suas projeções para 2026 caso o ritmo observado entre janeiro e fevereiro se mantenha, afirmou o CFO da companhia, Luiz Mauricio de Garcia, em entrevista ao Money Times. 

Segundo o executivo, as vendas brutas nos dois primeiros meses deste ano cresceram 27% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1 bilhão. “Se esse cenário se mantiver, provavelmente [o guidance será revisado para cima]”, disse. 

A companhia, inclusive, projeta alcançar um lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em 2026, o que representa, no ponto médio da estimativa, um crescimento de cerca de 51% quando comparado com o lucro recorrente apurado em 2025. 

De acordo com Garcia, o desempenho mais robusto tem sido impulsionado por fatores operacionais, como melhorias na execução das obras, além do bom momento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – eixo central da estratégia da empresa.  

Resultado forte e turnaround bem-sucedido

A Tenda já havia reportado números maiores no quarto trimestre de 2025 (4T25), quando o lucro líquido consolidado somou R$ 104,6 milhões, cerca de cinco vezes maior na comparação anual.  

A performance marcou a confirmação do chamado processo de reestruturação, conhecido no mercado como “turnaround”, que é voltado à recuperação da rentabilidade. 

“O número [do 4T25] foi consequência de um processo de reestruturação bem-sucedido que fizemos no pós-pandemia, além da força do mercado de habitação dentro do MCMV”, disse o CFO. 

A construtora, vale lembrar, enfrentou dificuldades entre 2021 e 2022 após acelerar o ritmo de lançamentos e apostar em um modelo de torres mais altas, se afastando do seu modelo tradicional de construção, inspirado em uma linha de montagem. 

Com a pandemia, obras foram atrasadas, enquanto os custos de construção aumentaram. Para se ter uma ideia, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE, disparou 18,65% em 2021. 

A alta pressionou os resultados e as margens da companhia, que chegou a reportar um prejuízo consolidado de R$ 547,3 milhões em 2022. 

Com o turnaround, porém, o movimento se inverteu, e a empresa registrou, em 2025, lucro líquido consolidado recorde de R$ 505,7 milhões. 

Não à toa, as ações TEND3 avançam mais de 110% na bolsa de valores (B3) no acumulado dos últimos 12 meses. Os papéis saíram de R$ 13,79, em março do ano passado, para os atuais R$ 29,37. 



O modelo de construção da Tenda 

Entre os fatores operacionais que ajudaram a melhorar as margens, para além do MCMV, está o modelo construtivo adotado pela companhia, que é baseado em formas de alumínio. 

Nesse sistema, moldes são feitos no formato das paredes e da estrutura do imóvel e o concreto é despejado dentro dessas formas. 

Na prática, o método segue uma lógica mais industrializada de construção, com montagem padronizada, o que reduz a necessidade de mão de obra, acelera o ritmo dos projetos e ajuda a diminuir gastos.  

Com isso, segundo o executivo, hoje a mão de obra representa cerca de 33% do custo de construção da Tenda, abaixo dos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural.  

“O resultado do 4T25 vem dos fatores que a gente colocou [reestruturação pós-pandemia e momento do MCMV] e, no lado de custo, a gente está sendo muito bem-sucedido nesse nosso modelo construtivo”, afirmou. 

“A forma de alumínio é quase como se fosse um sanduíche em que você concreta no meio. Isso simplifica e segue uma abordagem industrial. Essa metodologia navega melhor no ambiente de escassez e encarecimento de mão de obra, que tem sido o caso, já que o setor de construção civil no Brasil está muito aquecido.” 

Demanda estrutural por moradia 

A Tenda também vê a continuidade do cenário estruturalmente favorável para o segmento imobiliário no Brasil, impulsionado pela formação de novas famílias. 

O CFO lembrou, com base no último Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022, que o país forma cerca de 1,4 milhão de novas famílias por ano, enquanto os programas habitacionais, como o próprio MCMV, contratam pouco mais de 600 mil imóveis. “A demanda é muito maior do que a oferta”, afirmou. 

Questionado sobre possíveis impactos do cenário político, o executivo pontuou que a empresa não vê riscos relevantes à frente, mesmo em caso de alternância de governo nas eleições de outubro. 

De acordo com ele, o Minha Casa, Minha Vida já atravessou diferentes gestões desde sua criação, em 2009, e se consolidou como uma política de Estado. “Não é um tema que preocupa.” 

Lançamentos devem acelerar 

Diante desse cenário, Garcia contou que a construtora pretende acelerar os lançamentos ao longo de 2026, se beneficiando dos ajustes previstos no programa habitacional.  

No início de março, o Ministério das Cidades propôs aumentar o limite de renda familiar em todas as faixas do MCMV, além de elevar o teto do valor dos imóveis para as faixas 3 e 4. 

Para a Tenda, o ponto central da proposta é o reajuste na faixa 1, que concentra cerca de metade da sua base de clientes. Pelos termos propostos, o limite de renda dessa faixa subiria dos atuais R$ 2.850 para R$ 3.200 

Para passar a vigorar, porém, os novos valores dependem de aprovação do Conselho Curador do FGTS, prevista para o dia 24 de março. 

Desafios da Alea 

Apesar da melhora nos resultados da operação principal, a Alea, frente de negócios do grupo voltada à construção de casas pré-fabricadas, segue pressionando os números consolidados.  

A subsidiária registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no 4T25, enquanto no acumulado de 2025 totalizou R$ 130,4 milhões. 

De acordo com o CFO, o principal desafio da unidade está no custo das obras executadas nos canteiros, que tem ficado acima do esperado. 

“Hoje, a Alea tem um modelo em que metade do processo construtivo é feito dentro de uma fábrica e a outra metade é feita no canteiro. E o problema de desvio de custo, razão pela qual a margem dela está negativa, é justamente esse gasto das obras no canteiro, que está muito mais caro do que o previsto”, afirmou.   

Para corrigir a distorção, o executivo disse que o grupo decidiu verticalizar a mão de obra — estratégia já utilizada pelo negócio Tenda — e reduzir a dispersão geográfica dos projetos. 

“Em Ribeirão Preto, Campinas e Bauru [no interior de São Paulo], por exemplo, contratamos uma equipe na principal cidade e, quando essa equipe terminar uma obra, ela vai para outra, porque todas estão num raio de atuação pequeno”, explicou. 

“Antigamente não era assim. Antigamente era muito disperso. Então, com isso, a gente consegue ter uma produtividade maior no canteiro.” 

Dividendos até estão no radar, mas a prioridade é outra 

Ao ser perguntado sobre a distribuição de proventos, o CFO apontou que a remuneração aos acionistas também está no radar da construtora, embora não seja a prioridade no curto prazo. 

Ele ressaltou que a Tenda pretende aumentar o pagamento de dividendos no futuro — mas, primeiro, quer reduzir sua alavancagem financeira. 

Atualmente, a empresa tem cerca de R$ 266 milhões em dívida líquida. A título de comparação, em 2022, o valor era de R$ 799,9 milhões. 

“O objetivo da companhia é voltar a pagar acima do mínimo obrigatório [de 25% do lucro líquido ajustado]. Aliás, nós já fizemos isso no ano passado. Mas nosso objetivo é seguir desalavancando a operação. Uma vez que a dívida líquida chegue a zero, a Tenda deve ter um volume de pagamento de dividendos mais alto”, afirmou. 

Recomendações para Tenda (TEND3) 

De sete bancos e casas de análise consultados pelo TradeMap, seis têm recomendação de compra para a construtora e um, de manter 

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MRV&Co (MRVE3): ‘Pisamos na bola na execução’, diz CEO sobre operação nos EUA; empresa estuda separar Resia e reforça foco no Brasil

A MRV&Co (MRVE3) não iniciará projetos novos na Resia, subsidiária do grupo que atua nos Estados Unidos (EUA), e avalia alternativas para separar a operação internacional do restante da empresa.

A sinalização foi feita nesta terça-feira (10) durante o MRV Day, evento realizado em São Paulo com investidores, jornalistas, analistas e executivos da companhia.

Segundo a direção do conglomerado, enquanto o destino da unidade internacional ainda está em definição, o foco estratégico passará a ser o desenvolvimento das operações no Brasil, incluindo as marcas MRV Incorporação, voltada à habitação popular, Luggo, de locação residencial, e Urba, de loteamento.

A Resia não deixará de existir. Ela continuará existindo em outro modelo societário. Mas vai chegar um momento em que o acionista da MRV&Co deixará de ter os ativos da Resia nessa estrutura”, disse o copresidente da MRV&Co, Rafael Menin, durante sua apresentação.

Adeus, Resia?

Enquanto avalia os próximos passos para a subsidiária norte-americana, o grupo informou que seguirá com o plano já anunciado de vender terrenos e empreendimentos nos Estados Unidos.

A estratégia prevê a alienação de US$ 800 milhões em ativos no exterior até o final de 2026, dos quais US$ 167 milhões já foram concluídos.

“Foi uma decisão difícil, mas entendemos que o foco total no Brasil é o caminho para termos um próximo triênio muito forte. Agora, precisamos fazer essa desalavancagem da Resia da forma mais geradora de valor possível”, afirmou Menin.

“A gente poderia fazer isso muito rápido e colocar muito caixa para dentro da empresa. Mas vendas aceleradas também podem destruir valor. Queremos alienar esses ativos nos EUA com a melhor cadência”, acrescentou.

Os erros da MRV, segundo o CEO

O executivo também reconheceu que a MRV&Co cometeu erros ao expandir diversas frentes de atuação ao mesmo tempo, o que elevou a complexidade do conglomerado.

Não à toa, a Resia registrou prejuízo de US$ 260 milhões em 2025, acima da perda de US$ 69,8 milhões registrada em 2024.

“Pisamos na bola na execução [nos EUA]. Abrimos muitas frentes ao mesmo tempo. O foco da administração daqui para frente serão as operações brasileiras”, contou.

O diretor financeiro (CFO) da companhia, Ricardo Paixão, também comentou sobre a unidade internacional, destacando os desafios que a expansão trouxe para a estrutura do grupo.

“Na Resia, tivemos alguns acertos e erros, e os erros fizeram a empresa ficar com um balanço muito grande e um endividamento bem elevado. E com endividamento muito alto, temos que ficar atentos, por isso estamos realizando desinvestimentos”, afirmou, dizendo que a estratégia não deve ser interpretada como uma descontinuação — ao menos por enquanto.

“Eu não chamaria de liquidação, mas, sim, de desalavancagem. As possíveis decisões mais para a frente podem ser vender o negócio todo, fazer uma cisão, parceria, spin-off ou até mesmo a liquidação. Mas, por ora, é prematuro qualificar assim”, disse.

Além dos terrenos que estão em processo de venda, a Resia também mantém uma fábrica nos Estados Unidos. Questionado sobre o futuro do ativo, Paixão ressaltou que a unidade ainda está sendo utilizada.

“A fábrica ainda não está à venda. Estamos usando para finalizar alguns contratos, mas, assim como outros ativos, pode entrar no plano de alienação em breve.”

Os erros da Resia, segundo o CFO

Ao ser perguntado sobre o que faria diferente hoje na estratégia da Resia, o executivo afirmou que, entre outras frentes, teria adotado uma expansão mais gradual.

“Não expandiríamos geograficamente tão rápido. Teríamos focado muito mais no mercado do estado da Flórida, onde tivemos sucesso”, contou ao Money Times.

“Também alocaríamos menos capital na compra de terrenos e tentaríamos fazer mais permutas financeiras. E talvez tivéssemos adiado o investimento na construção de uma fábrica nos Estados Unidos”, prosseguiu.

Questionado se a divisão norte-americana gera arrependimento dentro da MRV&Co, Paixão respondeu que em partes. “De ter feito, eu acho que não. Mas arrependimento da forma como foi feito, sim.”

Foco no mercado brasileiro

Durante o evento, a direção da companhia ainda destacou que segue otimista com o mercado imobiliário no Brasil, principalmente com o segmento voltado à baixa renda.

O copresidente, Rafael Menin, afirmou que o ambiente tem sido impulsionado, principalmente, por mudanças sucessivas nas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além da ampliação de programas estaduais que oferecem subsídios adicionais para a compra de imóveis.

“Estamos entrando em um ciclo de excelência operacional”, disse o executivo. “Estamos construindo a melhor MRV da história.”

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Aluguel de galpões pode subir até 40% e beneficiar FIIs, diz BTG; Mercado Livre lidera ocupação

O mercado brasileiro de galpões logísticos vive um ciclo de forte expansão: nos últimos 11 anos, a área bruta locável (ABL) do setor saltou de 23 milhões para 53 milhões de metros quadrados (m²), um crescimento de cerca de 130%, segundo relatório do BTG Pactual.

No mesmo período, os preços pedidos de aluguel avançaram 43%, enquanto a taxa de vacância caiu de 12,9% para 7,1%, chegando a um dos níveis mais baixos da série histórica.

Para o banco, porém, o movimento não terminou. A combinação de demanda elevada e oferta limitada ainda pode abrir espaço para novos avanços. E um dos principais motores é o e-commerce.

E-commerce: o motorzinho

O relatório mostrou que a indústria de galpões passou por diferentes ciclos ao longo da última década. A partir de 2018, após a crise econômica entre 2014 e 2017, quando preços e ocupação foram pressionados, o mercado iniciou uma forte recuperação.

Esse movimento ganhou força principalmente durante a pandemia de covid-19, quando o crescimento do comércio eletrônico (e-commerce) elevou a necessidade de centros de distribuição.

Para se ter uma ideia, em 2020 o segmento registrou absorção líquida de cerca de 2,5 milhões de metros quadrados, o maior nível desde 2014 e bem acima da média histórica anual, de aproximadamente 1,2 milhão.

Paralelamente, os valores dos aluguéis recuaram naquele período, saindo de R$ 18,9/m², no 4T17, para R$ 18,2/m², no 2T21, num movimento que, segundo o BTG, contribuiu para o avanço da demanda e para a redução da vacância nos trimestres seguintes.

Desde então, o setor logístico se mantém aquecido, com absorção média anual de 3,1 milhões de metros quadrados e aumento relevante nos preços das locações, que, atualmente, giram em torno de R$ 28,4/m².

“As transformações nos hábitos de consumo, associadas à tendência de entregas cada vez mais rápidas no varejo on-line, levaram empresas a assumir maior protagonismo nas ocupações, tanto em empreendimentos a mercado quanto em projetos construídos sob medida”, explicaram os analistas do banco no documento.

Mercado Livre lidera ocupação de galpões

De acordo com o relatório, entre os inquilinos, companhias de varejo, indústria e operadores logísticos concentram justamente a maior parte das áreas alugadas.

No ranking de empresas, o destaque é o Mercado Livre, responsável por cerca de 6,7% da ABL total nacional, com aproximadamente 3 milhões de metros quadrados ocupados e distribuídos em 84 imóveis.

Isso é mais que o dobro da área alugada pela segunda colocada, a Shopee, que tem 1,2 milhão de metros quadrados ocupados em 103 galpões diferentes.

Mesmo com esses números, as duas companhias seguem avançando com projetos built-to-suit (BTS) — quando o ativo é construído sob medida para atender às necessidades do locatário  — para ampliar a presença logística no país.

Ocupantes do Mercado Logístico brasileiro (Imagem: divulgação BTG)
Ocupantes do mercado logístico brasileiro (Imagem: divulgação BTG)

Alto padrão domina o mercado

O relatório também aponta outra mudança relevante no setor: a evolução da qualidade dos imóveis.

Na última década, os galpões logísticos de alto padrão, que são chamados de classe A+, ganharam espaço de forma consistente:

  • Em 2014, representavam 61,9% do estoque;
  • Em 2021, 68,6%;
  • Em 2025, 74,6%.

Segundo a análise, a maior parte dos empreendimentos em desenvolvimento também pertence a essa categoria, indicando que a qualificação deve continuar nos próximos anos.

Galpões Brasil – Classificação dos empreendimentos por região
Galpões no Brasil – classificação dos empreendimentos por região (Imagem: divulgação BTG)

As regiões que devem crescer mais

Hoje, o estoque de galpões logísticos no Brasil soma cerca de 53 milhões de metros quadrados, com forte concentração no Sudeste, que segue como o principal polo do país.

Por outro lado, o BTG destaca que o crescimento mais acelerado deve ocorrer em outras regiões, com projeções de expansão de ABL de até 80% no Sul e 74% no Nordeste nos próximos anos — percentual que pode ser ainda maior à medida que novos projetos avancem.

“O estoque atual é majoritariamente composto por ativos de alto padrão, participação que tende a continuar crescendo, dado que a maior parte dos empreendimentos em construção está concentrada na classe A+”, afirmou o banco.

“A região Sul deve se destacar como uma das principais beneficiadas desse movimento de qualificação, uma vez que concentra um volume relevante de projetos A+ em desenvolvimento”, acrescentou.

Aluguel pode subir até 40%

Mesmo após as altas recentes, o banco também avalia que ainda existe espaço para novos reajustes nos aluguéis.     

Isso porque o custo de construção e de capital segue elevado, o que tem limitado o lançamento de imóveis. Com menos oferta, e demanda alta, os preços tendem a continuar subindo.

Dependendo da região, o relatório estima que seria plausível um ajuste potencial de até 40% no preço médio pedido.

Fundos imobiliários (FIIs) podem se beneficiar

Para o BTG, esse cenário tende a favorecer especialmente os fundos imobiliários (FIIs) que investem no segmento logístico.

Com contratos passando por revisões periódicas, há a expectativa de aumento da receita de locação nas próximas janelas, o que pode aumentar os dividendos distribuídos aos cotistas.

Além disso, muitos fundos do setor ainda negociam com desconto em relação ao valor patrimonial (P/VP) e ao custo de reposição dos ativos, o que pode abrir espaço para uma reprecificação da indústria.

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