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Juros futuros recuam de olho no quadro eleitoral

A curva de juros futuros encerrou o dia com redução dos prêmios em todos os vencimentos, após estresse inicial com o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família, o que aumentou as preocupações fiscais do mercado.

Agentes não viram um gatilho específico para a acomodação da curva a termo, que entrou no campo negativo no início da tarde, mas veem relação do movimento com a precificação do mercado de que a oposição pode sair vencedora das eleições. Também contribuiu um ingresso de fluxo aplicado em todos os vértices da curva, com mais força na ponta longa, segundo uma fonte.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcou estabilidade frente ao ajuste da véspera, em 13,555%.

O DI para janeiro de 2029 cedeu levemente, a 13,840%, vindo de 13,845% no ajuste.

O DI para janeiro de 2031 teve baixa de 14,061% a 14,020%.

O que mexeu com os DIs hoje?

Divulgada na quinta à noite, a pesquisa Datafolha – que mostrou empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o petista numericamente à frente — não fez preço pela manhã: os números foram lidos como “mais do mesmo”, sem grande impulso da oposição.

Os ativos costumam reagir positivamente quando Flávio melhora nas pesquisas porque, para parte do mercado, um governo de direita estaria mais inclinado a entregar um ajuste fiscal.

Mesmo com a Datafolha “neutra” e sem rumores sobre novas enquetes, agentes avaliam que foi o quadro político que permitiu o alívio nas taxas no restante da sessão, dado que os investidores têm precificado que Flávio pode ser eleito.

Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, o movimento que faria mais sentido na semana, assim como nesta sexta, seria de deslocamento para cima da curva, uma vez que ficou claro que os EUA vão subir juros ao menos mais uma vez.

“Deveríamos ter visto uma reação mais forte da curva no Brasil, mas o quadro eleitoral e os acontecimentos no STF embaralharam um pouco o cenário, assim como o aumento do Bolsa Família”, disse.

No período da tarde da quinta, o MPTCU pediu a suspensão do reajuste de 15% do benefício, anunciado pelo governo federal. Na solicitação, o órgão aponta que a medida pode ter desrespeitado a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ao não indicar a fonte de custeio, tampouco estimativas de impacto financeiro, além de ser incompatível com as leis orçamentárias. “Isso também pode ter ajudado um pouco a curva”, acrescenta Cruz.

Segundo um estrategista de uma grande casa, que falou sob anonimato, no período da tarde ocorreu um fluxo aplicado – ou seja, que aposta na queda das taxas — distribuído ao longo de todos os vencimentos da curva, com mais força no de janeiro de 2031, o que também ajudou na perda de fôlego dos juros.

Para Iván Riveros, estrategista de câmbio e juros para mercados da América Latina do Citi, os DIs podem continuar se descolando da postura mais conservadora do Fed, conforme já observado ao longo de setembro. “Nas próximas semanas, os ativos locais devem continuar sendo guiados principalmente por desdobramentos políticos, já que a divergência nos arcabouços fiscal e econômico dos candidatos moldará as expectativas do mercado para 2027”, afirmou.

O que mexeu com os Treasuries?

Nos EUA, os títulos soberanos continuaram se ajustando no período da tarde após a elevação de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed na quarta-feira, assim como a projeções de nova alta até o fim do ano. Nesta sexta, o aumento promovido pelo Banco do Japão (BoJ, em inglês) no juro básico do país, para 1,25% — maior nível em três décadas — e perspectivas de aperto adicional também pressionaram as curvas globais.

Às 18h04, a taxa da T-note de dois anos avançava de 4,683% a 4,743%, enquanto a da T-note de dez anos subia de 4,937% para 4,993%.

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Juros futuros avançam com petróleo acima de US$ 101 e subvenção estendida

A curva de juros futuros ganhou força nesta quarta-feira (9), diante da pressão do petróleo e do avanço dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries. O cenário doméstico também pesou contra.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,580%, de 13,571% do fechamento anterior, com alta de 0,9 ponto-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,865%, ante 13,705% do fechamento anterior, avanço de 16 pontos-base.

A DI para janeiro de 2031, subiu 19 pontos-base e terminou o dia a 14,095%, ante 13,902% do fechamento da última terça-feira (8).

Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,436%, ante 4,427% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).

Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,845%, de 4,837% da última sexta-feira, no mesmo horário.

O que mexeu com os DIs hoje?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que diminuiu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro, e cortou R$ 0,19 por litro do etanol, zerando toda a tributação do produto. Também assinou uma Medida Provisória que prevê subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel, para que os preços continuem estáveis nas bombas.

O novo “pacote de bondades” foi divulgado no mesmo dia em que os contratos futuros de petróleo fecharam com alta de mais de 3%, e o Brent para novembro, que serve de referência para a Petrobras, atingiu US$ 101,21 o barril, o maior patamar desde o fim de julho.

Depois de trocas de ataques entre os dois lados, o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou nesta tarde que não está buscando um acordo com Teerã, e previu que a guerra só deve acabar em novembro, reacendendo expectativas de que a commodity energética seguirá pressionada.

“É uma medida ruim por todos os lados, não só pelo fiscal. A eleição está chegando e o ‘saco de maldades’ está solto”, afirmou um trader à Broadcast, em caráter reservado, sobre a redução da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina. Em sua visão, ainda há mais medidas como essa que podem vir, às vésperas das eleições.

Nos cálculos de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, a medida deve retirar 0,15 ponto porcentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês, sendo 0,11 ponto referente à gasolina, e 0,04 ponto ao etanol. Mesmo sob o aspecto inflacionário, porém, o subsídio teve uma leitura negativa pelo mercado.

“Melhora a inflação de curto prazo, mas piora a de longo prazo com o impulso gerado”, observa Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital. Sob anonimato, um estrategista de uma grande tesouraria menciona que a medida gera um risco de rebote da inflação em 2027, que pode ficar “represada” este ano.

No exterior

Nos EUA, os retornos dos Treasuries continuaram operando perto das máximas da sessão ao longo da tarde, impulsionados também pelo valor de recompra de títulos da dívida pública informado nesta quarta-feira pelo Tesouro. A atuação nos papéis de 10 a 20 anos, prevista para ocorrer nesta quinta, será de US$ 6 bilhões. Às 17h13, o rendimento do título de 10 anos subia de 4,794% a 4,839%.

“Hoje [quarta-feira] o mercado de juros teve uma correção e dinâmica do exterior amplifica esse movimento”, disse o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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Tesouro dos EUA anuncia que dobrará volumes dos títulos de longo prazo com valor nominal

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (19) que está dobrando o tamanho das operações de recompra de suporte de liquidez para títulos de cupom nominal de prazo mais longo – de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.

O tamanho máximo atual de US$ 2 bilhões por operação será de, pelo menos, US$ 4 bilhões por operação, segundo o Tesouro.

A mudança entra em vigor em 9 de setembro e estará em vigor pelo restante deste trimestre de refinanciamento, que termina em 4 de novembro.

O Tesouro dos EUA fornecerá mais informações sobre os tamanhos futuros de recompra na próxima Reunião Trimestral de Refinanciamento, segundo comunicado.

Afirmou também que esse aumento nos tamanhos das operações de recompra reflete seu desejo de fornecer maior suporte de liquidez a ativos de prazo mais longo, “onde há um patrocínio consistente e forte por parte dos participantes do mercado, como evidenciado pelo volume significativo de ofertas de alta qualidade que o Tesouro rotineiramente recebe em operações de recompra de longo prazo”.

A medida refletiu imediatamente nos mercados de Treasuries e câmbio, promovendo aceleração do movimento de quedados títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano e do dólar frente a moedas fortes e emergentes. “Um cronograma provisório atualizado de recompra do Tesouro será divulgado em uma data posterior”, acrescentou.

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