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Nem tudo são flores: temporada do 2T26 supera expectativas, mas Itaú BBA recomenda cautela

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) terminou com números acima das expectativas para boa parte das empresas acompanhadas pelo Itaú BBA. Ainda assim, o banco avalia que o cenário segue misto e recomenda cautela aos investidores, diante da reação das ações após os balanços e do risco de novas revisões negativas nas estimativas do mercado.

Entre as empresas do Ibovespa (IBOV), o lucro líquido superou as projeções em 8,2%, enquanto o Ebitda ficou 2,5% acima do esperado e a receita avançou 2,4% em relação ao consenso. Quando excluídas as empresas de commodities, porém, a surpresa positiva foi mais moderada: o lucro ficou 3,4% acima das estimativas, o Ebitda superou as previsões em 0,5% e a receita veio 0,9% acima do projetado.

Na avaliação do Itaú BBA, os resultados foram moderadamente positivos. Do total de empresas analisadas, 35,3% tiveram desempenho classificado como positivo, 43,4% ficaram em linha com as expectativas e 21,3% decepcionaram o mercado.

Além disso, 44,8% das companhias cobertas pelo banco entregaram lucro líquido acima das projeções, enquanto 28,4% vieram em linha e 26,9% reportaram resultados inferiores ao esperado.

Entre os setores, o destaque ficou com bens de capital, que registrou Ebitda 11,9% acima das estimativas, lucro líquido 18,8% superior ao projetado e receita 6,4% maior que o esperado. Os segmentos de transportes e logística e petróleo e gás também apresentaram desempenho considerado positivo pelos analistas.

Na outra ponta, consumo e varejo foi o principal destaque negativo da temporada. O lucro líquido das empresas do setor ficou 18,5% abaixo das expectativas no 2T26 e recuou 10,7% na comparação anual.

Outro ponto destacado pelo Itaú BBA foi a melhora da estrutura financeira das companhias. A alavancagem corporativa, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu para 1,7 vez, ante 1,9 vez no período anterior e abaixo da média histórica de dez anos, de 2,4 vezes.

Para o longo prazo, o banco segue construtivo com a trajetória dos lucros das empresas do Ibovespa e projeta crescimento anual composto de 15% entre 2025 e 2028.

As companhias domésticas aparecem entre os principais motores dessa expansão, com expectativa de alta de 27,3% no lucro líquido em 2026. Já para o setor financeiro, a previsão é de crescimento de 18,2%.

Apesar das perspectivas favoráveis para os resultados corporativos, o Itaú BBA ressalta que o cenário para as revisões de lucros ainda inspira cautela. Enquanto as empresas de commodities tiveram aumento de 36,3% nas projeções de lucro para os próximos 12 meses, impulsionadas principalmente pelo setor de petróleo, as estimativas para as instituições financeiras recuaram 8,2%.

*Com supervisão de Juliana Américo

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Itaú BBA mantém aposta em BDR com potencial de valorização de 28%

A Aura Minerals (AURA33) segue como uma das principais apostas do Itaú BBA no setor de mineração, mesmo após um primeiro semestre abaixo das expectativas.

Em relatório após reunião com o CEO Rodrigo Barbosa e a diretora de RI, Natasha Utescher, o banco manteve recomendação de outperform (compra) para as ações e elevou o preço-alvo para o fim de 2027 para US$ 98 por ação da AUGO e R$ 169 por BDR da AURA33.

A nova estimativa representa um potencial de valorização de cerca de 29%, segundo o banco. Apesar de ter reduzido as projeções de produção para 2026 e adotado uma visão mais conservadora para o preço do ouro no curto prazo, o BBA segue otimista com a capacidade da companhia de entregar crescimento e ganhos operacionais nos próximos anos.

Recuperação operacional no radar

Para os analistas, o principal gatilho para as ações da Aura será a recuperação operacional esperada para o segundo semestre de 2026, especialmente após resultados mais fracos em minas como MSG e Apoena.

No caso da MSG, a companhia priorizou investimentos em desenvolvimento subterrâneo, renovação de frota e melhorias de infraestrutura, o que pressionou temporariamente volumes, teor de minério e custos. Já em Apoena, a exploração de áreas com menor teor durante o desenvolvimento da cava Nosde também afetou a produção.

“Estamos mais otimistas com o desempenho do segundo semestre”, afirmam os analistas. A expectativa é de melhora sequencial em MSG, Apoena e Borborema, além de maior processamento em Almas e contribuição relevante de Aranzazu, beneficiada pelos preços elevados do cobre.

O BBA projeta produção de 364 mil onças equivalentes de ouro (koz) em 2026, avançando para 420 mil koz em 2027 e 497 mil koz em 2028.

Ouro perde força, mas cenário segue favorável

O banco também revisou para baixo suas estimativas para o preço do ouro entre 2026 e 2028. A projeção passou para US$ 4.400 por onça em cada um desses anos, ante estimativas anteriores entre US$ 4.500 e US$ 5.000.

A mudança reflete a recente correção da commodity, influenciada por juros reais mais altos nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e menor apetite dos investidores.

Ainda assim, o Itaú BBA mantém visão positiva para o médio e longo prazo. Segundo os analistas, fatores como compras contínuas de ouro por bancos centrais, diversificação de reservas internacionais, preocupações fiscais e riscos geopolíticos continuam sustentando os preços em patamares historicamente elevados.

Valuation ainda atrativo

Mesmo após a valorização recente dos papéis, o banco avalia que a Aura continua negociando a níveis atrativos em comparação aos pares globais.

A instituição destaca que a mineradora combina crescimento relevante de produção, retornos elevados sobre o capital investido, balanço desalavancado e potencial de remuneração aos acionistas.

A projeção é que o lucro operacional medido pelo EBITDA alcance US$ 959 milhões em 2026, subindo para US$ 1,16 bilhão em 2027 e US$ 1,45 bilhão em 2028.

“O pacote de crescimento continua atrativo, mas a execução passa a ser o principal fator para destravar valor”, diz o relatório. Na visão do Itaú BBA, caso a Aura consiga cumprir as metas de expansão e recuperação operacional, as ações podem reduzir o desconto em relação às grandes mineradoras do setor.

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Itaú BBA vê oportunidade rara em peso-pesado da bolsa; potencial é de 50%

Quando se fala em varejo, parte dos investidores e do mercado costuma virar a cara. Mas, quando o assunto é o Mercado Livre (MELI), a conversa é outra.

A companhia sempre figura entre as principais escolhas de gestores e analistas. Com o Itaú BBA não foi diferente. Os analistas até reduziram o preço-alvo, de US$ 2.600 para US$ 2.500, porém o valor ainda representa potencial de alta de 50% em relação ao último fechamento.

Os analistas argumentam que reduziram as estimativas para incorporar um período mais longo de margens de lucro operacional (EBIT) mais baixas.

A própria administração reiterou sua confiança em um nível de margem EBIT de aproximadamente 9%, patamar com o qual a MELI encerrou 2025 — sem alavancagem operacional em 2026, dado o nível de investimentos contínuos em frete grátis, cartão de crédito e comércio internacional.

Com isso em mente, o Itaú cortou a projeção de EBIT para 2026 em 13,8%, para US$ 3,5 bilhões (margem de 9,1%), e a de lucro líquido em 14,3%, para US$ 2,37 bilhões.

Para o primeiro trimestre de 2026, os analistas dizem que o nível típico de margem EBIT deverá ficar em torno de 9%.

Crescimento em primeiro lugar, qualidade depois

Um dos pontos que pesam contra a ação é o caminhão de dinheiro que o Mercado Livre gasta em investimentos.

Por outro lado, os resultados aparecem: os indicadores qualitativos e quantitativos sugerem que a execução está indo na direção certa, destaca o Itaú.

Ainda assim, investidores parecem pouco dispostos a pagar por essa melhora.

Desde janeiro, o mercado tem torcido o nariz para as techs por conta do alto investimento em tecnologia e das incertezas envolvendo inteligência artificial.

Os analistas do Itaú lembram que esses investimentos se traduzem em quedas nominais ano a ano no lucro operacional (EBIT) e no lucro por ação (EPS — earnings per share) para uma empresa negociada a um múltiplo preço/lucro (P/L) considerado elevado, de aproximadamente 36 vezes para 2026.

Outras varejistas negociam na faixa de 20 vezes.

A luz no fim do túnel?

A luz no fim do túnel, porém, parece próxima.

Após interagir recentemente com a empresa, os analistas dizem ver as projeções de compra e venda convergindo para um EBIT de aproximadamente US$ 3,5 bilhões (margem de 9%) para 2026.

Isso pode sinalizar que as revisões para baixo estão próximas do fim.

“Poucas coisas são mais prejudiciais para uma ação do que revisões negativas persistentes nos lucros”, afirma o relatório.

Ainda segundo o Itaú BBA, olhando para frente, o segundo semestre de 2026 poderá marcar uma inflexão nas margens, com retomada da expansão ano a ano — o que naturalmente proporcionaria um alívio relevante.

“Até lá, é provável que as ações permaneçam sob pressão, sem catalisadores claros no curto prazo. Assim, para fundos de hedge, a relação risco-retorno parece pouco atraente. Para investidores de longo prazo, talvez seja uma daquelas oportunidades que a MELI raramente oferece.”

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FIIs crescem no Brasil e ainda têm amplo potencial de expansão, diz Itaú BBA

O início do ano foi marcante para o mercado de fundos imobiliários (FIIs), atingindo mais de 3 milhões de investidores, R$ 200 bilhões em patrimônio sob custódia e liquidez recorde, com volume médio diário próximo de R$ 537 milhões.

Para o Itaú BBA, os números representam “uma indústria mais popular e democrática e um mercado mais profundo, maduro e relevante dentro da B3”.

De acordo com os analistas Larissa Nappo e Fausto Menezes, o crescimento da base de investidores é explicado por fatores como a cultura do brasileiro de investir em imóveis, além de vantagens dos FIIs, como gestão profissional, diversificação, baixo valor de entrada e isenção de imposto de renda para pessoas físicas em muitos casos.

O relatório do Itaú aponta que o mercado também tem muito espaço para crescimento. Comparando com os Estados Unidos, “cerca de 50% da população investe em fundos imobiliários. No Brasil, esse número corresponde a aproximadamente 1,5% da população”.

Com os números recorde, outros desafios surgem para o mercado, como a necessidade de maior transparência e comunicação das gestoras. O objetivo desse desenvolvimento deve ser garantir o acesso homogêneo às informações sobre os fundos imobiliários.

O aumento da liquidez também melhora a experiência do investidor, facilitando a compra e venda das cotas e contribuindo para preços mais eficientes. Em 2026, o volume médio negociado ultrapassa R$ 400 milhões por dia, bem acima do registrado no ano anterior.

De acordo com os analistas, a maior liquidez torna o mercado mais equilibrado e beneficia diferentes segmentos de FIIs, com destaque recente para fundos de ativos financeiros e de galpões logísticos. Eles ainda reforçam que o setor imobiliário ainda tem espaço para que outros segmentos ganhem espaço no futuro.

O relatório ainda explica que os investidores devem se atentar a indicadores como dividend yield e P/VP, além da qualidade dos ativos e da gestão. Essas medidas são essenciais para novas aquisições de ativos e melhoras de rendimentos no futuro.

*Com supervisão de Renan Sousa. 

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Vale (VALE3) tem mais valor a destravar, diz Itaú BBA; entenda

O Itaú BBA afirmou que ainda vê valor adicional a ser destravado nas ações da Vale (VALE3), após reunião com executivos da mineradora. Em relatório desta terça-feira (10), o banco destacou perspectivas positivas para o minério de ferro, o crescimento da divisão de metais básicos e uma estratégia disciplinada de alocação de capital.

A instituição tem um preço-alvo de US$ 19,50 para as ADRs, o que representa um potencial de alta de 27%, com recomendação outperform — equivalente a compra. Por volta das 16h, as ações da companhia na B3 subiam 1,8%, a R$ 80,65, impulsionadas pelo fluxo estrangeiro e após perdas em pregões recentes.

Segundo o Itaú BBA, durante uma mesa-redonda com o CEO Gustavo Pimenta e o diretor de relações com investidores Thiago Lofiego, a companhia falou das alternativas para continuar destravando valor para os acionistas, além de temas como um possível IPO da divisão de metais básicos e decisões de capital.

O banco destacou que a Vale Base Metals (VBM) está bem posicionada para capturar valor com uma base operacional competitiva e crescimento orgânico. No entanto, ressaltou que um eventual IPO da divisão não é um objetivo em si, já que a mineradora não espera uma reprecificação relevante apenas com esse movimento.

Ainda assim, a empresa pretende manter a divisão de metais básicos “pronta para IPO”, caso surja uma oportunidade favorável, segundo o banco.

O Itaú BBA também afirmou que o crescimento da VBM deve ser majoritariamente financiado com recursos próprios, com investimentos estimados em US$ 5 bilhões até 2035, sendo cerca de US$ 3 bilhões até 2030.

Vale vê espaço para aumento de produção, diz BBA

De acordo com o BBA, a Vale vê espaço para elevar a produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas até 2035. Já o negócio de níquel apresenta dinâmica mais desafiadora, e a companhia continua avaliando alternativas estratégicas.

Em relação ao minério de ferro, o banco disse manter uma visão construtiva para o curto e o longo prazo. A produção global de aço segue resiliente mesmo com a desaceleração da China, enquanto a queda no teor de alguns contratos favorece produtos de maior qualidade, como os da Vale, destacou.

Para o longo prazo, o Itaú BBA destaca o aumento da demanda por minério transportado por via marítima em regiões como a Índia, onde a Vale deve vender cerca de 10 milhões de toneladas em 2025, além da redução estrutural da indústria, estimada em cerca de 3% ao ano, que tende a favorecer produtores mais competitivos.

Frete e impacto da guerra

O BBA também apontou que a mineradora ampliou sua exposição de longo prazo ao frete, aumentando o volume de contratos de transporte além do nível histórico de cerca de 80% das necessidades logísticas.

A companhia, disseram os analistas, citou um impacto negativo estimado de US$ 2 a US$ 2,5 por tonelada decorrente da alta de cerca de US$ 20 por barril no Brent em meio ao conflito no Oriente Médio – foi mais do que compensado por uma elevação de aproximadamente US$ 5 por tonelada no preço do minério de ferro desde o início das tensões.

O Itaú BBA destacou também que a estratégia de alocação de capital da Vale segue focada em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, enquanto fusões e aquisições só devem ocorrer se forem estrategicamente sólidas e geradoras de valor.

O banco ainda citou que os trabalhos de recuperação nas operações de Fábrica e Viga estão praticamente concluídos e que o impacto nos volumes de produção de 2026 deve ser limitado.

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