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Cristiano Ronaldo compra participação na LiveModeTV, dona da CazéTV

Cristiano Ronaldo, o primeiro jogador de futebol bilionário do mundo, comprou uma participação na LiveModeTV, canal internacional de streaming ligado à CazéTV, do Brasil, ampliando sua aposta em mídia digital antes da próxima Copa do Mundo.

“A missão é levar o esporte para todos, de uma maneira totalmente nova e inspiradora”, afirmou Ronaldo em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. O objetivo é ampliar alcance e engajamento “por meio de transmissões no YouTube e conteúdo distribuído em todas as plataformas de redes sociais”, acrescentou.

A LiveModeTV é o braço internacional da LiveMode, empresa por trás da plataforma CazéTV, fundada pelo influenciador Casimiro Miguel, e faz parte da expansão da companhia para além do Brasil. A LiveModeTV foi lançada recentemente em Portugal para oferecer cobertura gratuita e digital da Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Ronaldo, que é português, não revelou quanto investirá para adquirir uma “participação relevante” na recém-criada empresa de transmissões esportivas digitais fora do Brasil.

O movimento marca o mais recente negócio do jogador de 41 anos, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,4 bilhão.

Empresas de streaming vêm ampliando seus portfólios esportivos em busca de novas frentes de crescimento.

A CazéTV e a LiveMode criaram um novo modelo, exibindo principalmente conteúdos esportivos premium gratuitamente no YouTube e dependendo de receitas de publicidade e patrocínios em vez de assinaturas.

No Brasil, a CazéTV registrou 3,7 bilhões de visualizações em 2025 apenas no YouTube. A LiveMode espera ganhar escala internacional ao se associar a Ronaldo, que possui seu próprio canal no YouTube e é a pessoa mais popular do mundo no Instagram, com mais de 660 milhões de seguidores.

“O que ligas e competições esportivas ganham com canais como a CazéTV é uma nova audiência”, disse Minal Modha, da consultoria de mídia Ampere Analysis. “Muitas competições esportivas estão tendo dificuldade para engajar fãs jovens, e esses canais têm acesso a esse público.”

Embora Ronaldo tenha construído um amplo portfólio de negócios — incluindo sua marca CR7, hotéis, academias e um grupo de mídia — esses empreendimentos não são suas principais fontes de riqueza. A maior parte de sua fortuna vem dos ganhos da carreira, incluindo seu atual contrato com o Al-Nassr, um dos clubes de futebol mais populares e bem-sucedidos da Arábia Saudita.

Um dos jogadores profissionais mais longevos ainda em atividade, Ronaldo afirmou que pretende ser dono de vários clubes de futebol após se aposentar.

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CEO da Alliança renuncia ao cargo em meio à reestruturação da companhia

A Alliança Saúde anunciou mudanças relevantes em sua liderança após a renúncia do CEO, CFO interino e membro do conselho, Ricardo de Magalhães Sartim, que deixou todos os cargos por motivos pessoais.

A saída foi comunicada ao mercado nesta sexta-feira (24). A companhia informou que já iniciou o processo de sucessão para as posições ocupadas pelo executivo, que vinha concentrando funções no comando financeiro e estratégico da empresa.

Sartim também integrava o Conselho de Administração. Em comunicado, a Alliança agradeceu sua atuação e destacou as contribuições prestadas durante o período em que esteve à frente da gestão.

Na mesma data, o Conselho de Administração aprovou a eleição de João de Saint Brisson Paes de Carvalho como novo membro independente do colegiado. O mandato vai até a primeira assembleia geral a ser realizada após 19 de março de 2026. Segundo a companhia, o executivo possui experiência em administração, finanças e governança corporativa, com passagem por conselhos de administração e fiscais de diversas empresas.

Com as mudanças, o Conselho de Administração passa a ser composto por José Luiz Mendes Ramos Júnior (presidente), Thalis Leon de Ávila Saint Yves e João de Saint Brisson Paes de Carvalho, ambos conselheiros independentes.

O que está acontecendo com a empresa?

As mudanças ocorrem em meio a um momento delicado para a companhia. Recentemente, a Alliança informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, suspendendo cobranças e execuções, ao mesmo tempo em que iniciou um procedimento de mediação com credores.

As medidas fazem parte de um esforço para reorganizar a estrutura financeira e criar condições mais estáveis para negociações. A dívida líquida da empresa somava cerca de R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o último resultado divulgado.

De acordo com a companhia, a ação tem caráter transitório e busca garantir um ambiente de negociação equilibrado, sem impacto na continuidade das operações. Esse tipo de instrumento jurídico permite proteção temporária enquanto a empresa negocia suas obrigações, com respaldo na Lei de Recuperação Judicial e no Código de Processo Civil.

Apesar do cenário financeiro, a Alliança afirma que suas operações seguem normalmente, com funcionamento regular de clínicas e canais digitais.

O movimento ocorre após uma série de mudanças no controle da empresa. No início de março, o fundo Tessai, ligado à Geribá Investimentos, assumiu o controle da companhia com 59,84% do capital, após execução de garantias relacionadas a participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

A troca de controle abriu espaço para mudanças na governança. Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou à presidência do conselho de administração, intensificando o processo de reestruturação.

A Fitch Ratings rebaixou o rating da Alliança para CCC+, citando preocupações com vencimentos de cerca de R$ 155 milhões em 2026 e um nível de caixa considerado insuficiente para cobrir obrigações de curto prazo.

A companhia afirma que segue implementando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, com foco em eficiência, ajuste de capital e sustentabilidade no médio e longo prazo, e que continuará informando o mercado sobre novos desdobramentos.

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Apple escolhe John Ternus como novo CEO depois de liderança de Tim Cook por 15 anos

A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que John Ternus, 50 anos, sucederá Tim Cook como CEO a partir de 1º de setembro, o que colocará fim a um dos mandatos mais longevos do Vale do Silício.

Cook, que comanda a big tech conhecida pelo iPhone e outros gadgets mais desejados do mundo desde 2011, como sucessor de Steve Jobs, assumirá o cargo de presidente do conselho de administração (chairman).

Ternus, atualmente vice-presidente sênior de engenharia de hardware, também passará a integrar o conselho da Apple quando assumir como CEO. Já o presidente não executivo do conselho, Arthur Levinson, se tornará o diretor independente líder da companhia a partir dessa data.

“Cook continuará em sua função de CEO até o verão (no Hemisfério Norte), enquanto trabalha em estreita colaboração com Ternus para uma transição suave”, afirmou a Apple em comunicado.

Primeira transição desde Jobs

Essa é a primeira transição de CEO da Apple desde que Tim Cook sucedeu Steve Jobs em 2011, pouco antes da morte do fundador com um câncer de pâncreas.

Cook, que completou 65 anos em novembro passado, vinha preparando discretamente a sucessão. No fim do ano passado, ele ampliou o papel de Ternus ao colocá-lo à frente das equipes de design, uma das áreas mais estratégicas da empresa.

Internamente, Ternus passou a ser descrito como “responsável executivo” pelo design, atuando como ponte entre as equipes criativas e a alta gestão. O movimento foi visto como um passo decisivo na consolidação do executivo como herdeiro natural do comando.

O design tem papel central na Apple desde a era Steve Jobs, sendo historicamente responsável pela integração entre hardware, software e experiência do usuário.

Em sua declaração, Cook elogiou o sucessor. “John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e lidera com integridade e honra. Ele é um visionário cujas contribuições para a Apple ao longo de 25 anos são incontáveis.”

25 anos na Apple

Ternus está na Apple há 25 anos, tendo ingressado na equipe de engenharia de produtos em 2001. Desde 2021, liderava a engenharia de hardware, supervisionando produtos como iPhone, iPad, Mac e AirPods, além de ter papel central na transição dos chips da Apple para arquitetura própria.

A mudança também redefine o papel de Cook, que como presidente do conselho deve se concentrar em relações institucionais e políticas globais. O executivo já mantém interlocução direta com governos, incluindo a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar da sucessão, Cook não deve se afastar completamente da Apple e continuará influente na estratégia da companhia. Ao longo da gestão de Cook, o valor de mercado da Apple aumentou cerca de 24 vezes, encerrando o pregão de segunda-feira em aproximadamente US$ 4 trilhões.

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Acionistas aprovam fusão da Odontoprev com Bradesco Saúde e avançam na criação da Bradsaúde

A Odontoprev informou que aprovou, em assembleia geral extraordinária realizada na última segunda-feira (6), todas as matérias relacionadas à combinação de negócios com a Bradesco Saúde. A operação envolve a incorporação das ações da Bradesco Saúde pela Odontoprev, além da transferência da carteira de planos odontológicos e de ativos e passivos operacionais da companhia para a Mediservice Operadora de Planos de Saúde.

Segundo fato relevante, a aprovação da incorporação de ações garante direito de recesso aos acionistas dissidentes, ou seja, aqueles que não concordarem com a operação poderão sair da companhia, vendendo suas ações de volta à empresa e recebendo o valor correspondente em dinheiro, com prazos e procedimentos a serem divulgados oportunamente.

A companhia destacou ainda que todas as condições precedentes já foram cumpridas, incluindo as autorizações da Agência Nacional de Saúde Suplementar, obtidas em 30 de março e 2 de abril. A eficácia da incorporação está prevista para 30 de abril de 2026, sujeita à homologação final pelos conselhos de administração, devendo ocorrer antes mesmo do encerramento do prazo para exercício do direito de retirada.

Bradsaúde

A aprovação ocorre no contexto da reestruturação anunciada no fim de fevereiro pelo Banco Bradesco, que prevê a criação da Bradsaúde, nova holding que concentrará os ativos de saúde do grupo. A companhia nasce com receita combinada de cerca de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários, aproximadamente 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas, considerando os dados consolidados de 2025.

Como parte da reorganização, a Odontoprev será alçada ao papel de consolidadora do ecossistema de saúde do Bradesco, passando a controlar a totalidade dos negócios do grupo no segmento e simplificando a estrutura societária. Na prática, a operação configura um “IPO reverso”, no qual a nova estrutura acessa o mercado por meio da empresa já listada na B3.

A cisão parcial dos ativos foi avaliada pela KPMG em R$ 16,1 bilhões. Com a operação, o Bradesco receberá mais de 2,3 bilhões de ações da companhia combinada, passando a deter cerca de 91,35% do capital total e votante, enquanto os atuais acionistas da Odontoprev ficarão com aproximadamente 8,65%. A troca implica uma avaliação equivalente a cerca de 18,65% do ecossistema de saúde do grupo após a conclusão.

Após a consolidação, a Bradsaúde reunirá diferentes frentes do negócio, incluindo planos de saúde e odontológicos, hospitais, clínicas de atenção primária e oncológicas, serviços médicos, healthtechs e investimentos em laboratórios e centros de diagnóstico. A estrutura integrará ativos como Bradesco Saúde, Odontoprev, Mediservice, Atlântica Hospitais, Orizon, a rede de clínicas Meu Doutor Novamed, Croma Oncologia e operações de diagnóstico.

Por fim, a Odontoprev informou que está formalizando junto à B3 a alteração de seu ticker para “SAUD3”, em data a ser divulgada após a conclusão da operação, mantendo o mercado informado sobre os próximos desdobramentos.

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H&M tem vendas fracas no 1º trimestre, melhora rentabilidade e reforça presença no Brasil

A varejista sueca de fast fashion H&M registrou vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre, em um período marcado por consumo fraco e fortes efeitos cambiais, mas conseguiu melhorar a rentabilidade com controle de custos.

As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), abaixo da expectativa de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Ainda assim, o controle de custos ajudou a companhia a superar as estimativas de lucro operacional, que somou 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima do esperado pelo mercado.

A empresa também projeta crescimento de 1% nas vendas em março, na comparação anual. As ações chegaram a cair até 6,6% em Estocolmo, na maior queda intradiária desde setembro de 2024.

O CEO da varejista, Daniel Erver, que assumiu em 2024, tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. Medidas para reduzir estoques e ampliar vendas a preço cheio impulsionaram a rentabilidade, com a margem operacional avançando de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025 — e atingindo 8,4% nos últimos 12 meses.

Apesar disso, analistas veem uma recuperação ainda desigual. “A H&M tomou medidas para melhorar sua oferta, mas muitas variáveis precisam avançar juntas.” A H&M segue pressionada por concorrentes, como Shein e Primark, e por rivais mais ágeis, como a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.

Estratégia: omnichannel e eficiência

A H&M informou que continua investindo na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais, buscando ampliar conveniência e engajamento do consumidor.

A empresa também avançou na eficiência de estoques, historicamente um desafio, e destacou que os níveis atuais estão em “boa forma”. Decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores têm permitido ajustar melhor a oferta e aumentar a relevância das coleções.

Expansão com foco no Brasil

A companhia planeja abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte da otimização de sua rede global, que hoje soma 4.050 unidades. Na América Latina, o Brasil se tornou peça central da estratégia. A H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país, reforçando a aposta no maior mercado da região.

A operação brasileira começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e já inclui unidades na capital paulista e em Campinas. Para este ano, estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP).

No médio prazo, a empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano. A estratégia inclui preços mais competitivos e maior uso de produção local.

Riscos no radar

A H&M alertou para riscos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente da companhia, o impacto direto nas operações ainda foi limitado, mas um cenário prolongado pode gerar efeitos indiretos relevantes.

O principal risco está na alta dos preços de energia e nos custos de transporte, que tendem a pressionar toda a cadeia global de suprimentos. O executivo também mencionou a possibilidade de efeitos em cascata — conhecidos como “efeito chicote” — em que pequenas disrupções iniciais acabam amplificadas ao longo da cadeia, tornando difícil prever o impacto final.

Além disso, o aumento de custos pode chegar ao consumidor em um momento em que os orçamentos já estão pressionados, especialmente em meio à inflação persistente de alimentos no Reino Unido e em partes da Europa.

“Se o conflito se prolongar e houver novas disrupções, podemos ver impactos significativos no comportamento do consumidor”, afirmou o CEO.

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Alliança Saúde busca proteção contra credores após mudança de controle e saída de Tanure

A Alliança Saúde informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, que suspende cobranças e execuções. Ao mesmo tempo, iniciou um procedimento de mediação com seus credores.

As medidas ocorrem em meio aos esforços da companhia para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições mais estáveis para a condução de negociações.

A dívida líquida total estava em R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o mais recente resultado financeiro divulgado. Os números do quarto trimestre serão divulgados em 31 de março.

De acordo com o fato revelante publicado nesta quinta-feira (19), a ação cautelar tem caráter transitório e está alinhada ao objetivo de assegurar um ambiente negocial equilibrado durante o processo de mediação, sem que haja impacto sobre a continuidade das operações.

Esse tipo de medida funciona como um instrumento jurídico de urgência, solicitado antes de um processo principal, que permite à empresa obter proteção temporária da Justiça — como a suspensão de cobranças ou execuções — enquanto negocia com credores.

A iniciativa está amparada na Lei de Recuperação Judicial e Falências e no Código de Processo Civil, que autorizam intervenções rápidas para evitar deterioração da situação financeira e viabilizar acordos.

A Alliança ressaltou que suas atividades seguem normalmente, com o funcionamento regular de seu ecossistema de atendimento, que inclui clínicas e canais digitais, sem alterações na condução ordinária dos negócios.

Paralelamente, a companhia afirmou que continua avançando na implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco em ganho de eficiência, ajuste da estrutura de capital e reforço da sustentabilidade no médio e longo prazo. A empresa não detalhou o montante das dívidas envolvidas no processo.

Mudança de controle

O movimento ocorre após uma série de mudanças relevantes no controle e na governança da empresa ao longo do mês.

No início de março, o fundo Tessai passou a deter o controle da companhia, com 59,84% do capital, após adquirir participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

O fundo é ligado à gestora Geribá Investimentos, especializada em situações especiais, e assumiu a posição após credores executarem garantias envolvendo ações da companhia.

A transação abriu espaço para possíveis mudanças na estrutura administrativa, incluindo a composição do conselho de administração, sujeitas às aprovações necessárias.

Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração. Ela é filha de Nelson Tanure, que havia perdido o controle da companhia após a execução das garantias. A empresa informou que já iniciou o processo de sucessão para a posição.

Na semana passada, a agência de classificação de risco, a Fitch Ratings rebaixou a classificação local da Alliança para CCC+, de A, e alertou para cerca de R$ 155 milhões em vencimentos em 2026, principalmente relacionados a pagamentos de principal e juros de debêntures em abril e outubro.

O caixa ao fim de setembro de 2025 era insuficiente para cobrir essas obrigações de curto prazo, elevando o risco de refinanciamento da companhia.

“A companhia continuará com a implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento da eficiência, no ajuste de sua estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz o comunicado.

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A conta não fechou: teto de preços da Aneel frustra estratégia da Eneva

A aprovação do edital do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) pela Aneel trouxe frustração a agentes do setor e aumentou as incertezas em torno dos planos da Eneva, uma das principais interessadas no certame.

Este leilão de 2026 é estratégico para a Eneva porque abre a oportunidade de renovar contratos de cerca de 2 gigawatts (GW) de usinas termelétricas a gás natural já em operação, cujos acordos vencem entre 2026 e 2031.

Mas os preços que a Aneel aprovou ficaram bem abaixo do concenso de mercado. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou preços-teto de até R$ 1,4 milhão por megawatt (MW) ano para usinas termelétricas a gás natural e carvão, além de valores de até R$ 1,6 milhão/MW.ano para novos empreendimentos. Os patamares ficaram bem abaixo da expectativa de mercado, que girava em torno de R$ 3 milhões/MW.ano.

Os preços-teto equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos projetos termelétricos e R$ 128/MWh para usinas existentes. Abaixo do consenso de mercado – que apontava para valores entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh. Em relatório, o UBS BB afirmou que, se confirmados, os números são “muito negativos” para a Eneva.

Na avaliação do Citi, o impacto vai além dos preços definidos no leilão. O banco destacou mudanças recentes nas regras do sistema de transporte de gás como um fator adicional de pressão sobre o modelo de negócios da companhia. Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou um desconto de 15% na tarifa de transporte da capacidade de saída para contratos firmes com prazo igual ou superior a dez anos.

A medida ocorreu após outra alteração regulatória que passou a exigir que as usinas elegíveis ao leilão contratem capacidade firme de gás equivalente a pelo menos 70% da capacidade da usina. Para o Citi, o esforço do governo em reduzir os preços da energia tende a dificultar a viabilização econômica de projetos termelétricos, especialmente os de maior porte.

Com esses novos parâmetros, o Citi também apontou risco de revisão para baixo do preço-alvo da Eneva e avaliou que, com os preços atuais, pode ser difícil para o governo recontratar nova capacidade nos volumes planejados.

Sistema elétrico brasileiro

O LRCAP tem como objetivo reforçar a segurança do sistema elétrico diante do aumento da participação de fontes renováveis intermitentes na matriz. O governo pretende contratar mais de 2 GW de capacidade nos leilões previstos para março em 18 de março, para usinas a gás, carvão e hidrelétricas, e em 20 de março, para térmicas a diesel e óleo combustível.

Além da Eneva, o leilão é acompanhado por outros grandes geradores termelétricos, como a Âmbar, do grupo J&F, e a Petrobras, além de empresas do setor hidrelétrico interessadas em expansões de usinas existentes. Na tarde desta terça-feira, as ações da Eneva operavam em forte queda na bolsa, de cerca de 15%, refletindo a leitura negativa do mercado sobre os parâmetros do certame. Na mínima, os papéis da companhia desabaram 19%.

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Honda também puxa o freio no desenvolvimento de elétricos, depois de Stellantis, Ford e GM

A Honda se juntou ao coro de montadoras globais que alertam para o alto custo da desaceleração da demanda por veículos elétricos, além das pressões persistentes provocadas pelas tarifas de importação dos Estados Unidos.

A montadora japonesa afirmou que despesas pontuais relacionadas a veículos elétricos, incluindo prejuízos e perdas por impairment em carros vendidos nos EUA e baixas contábeis de ativos de desenvolvimento, somaram US$ 1,7 bilhão nos nove meses encerrados em 31 de dezembro. Além disso, a empresa sofreu um impacto adicional de US$ 1,8 bilhão devido às tarifas de importação americanas.

Segundo a Honda, o conjunto de desafios atuais “torna necessário reavaliar fundamentalmente a estratégia e reconstruir a competitividade”. Entre os principais fatores estão a desaceleração do crescimento dos veículos elétricos, políticas comerciais mais protecionistas, riscos elevados na cadeia de suprimentos e a intensificação da concorrência global.

Noriya Kaihara, vice-presidente executivo da Honda, disse que a eletrificação imaginada pela empresa não se concretizou e que será necessário reavaliar o momento de lançar veículos elétricos na América do Norte.

Stellantis lidera correção estratégica

A Honda não está sozinha nesse movimento de rever a estratégia em setor elétricos. A Stellantis, dona de marcas como Jeep e Fiat, anunciou na semana passada que teve um impacto de US$ 26,5 bilhões após um reset estratégico. A montadora afirmou que superestimou a demanda por veículos e precisou realinhar seu portfólio de produtos.

O presidente da Stellantis, Antonio Filosa, disse que as despesas refletem, em grande parte, o custo de ter superestimado o ritmo da transição energética, afastando a empresa “das necessidades, possibilidades e desejos reais de muitos compradores de automóveis”.

Filosa responsabilizou seu antecessor, Carlos Tavares, por concentrar investimentos quase exclusivamente em veículos elétricos e não ajustar a estratégia diante das mudanças do mercado. Segundo ele, os encargos também evidenciam “o impacto de uma execução operacional ruim anterior, cujos efeitos estão sendo progressivamente tratados por nossa nova equipe”.

Além de Jeep e Fiat, a Stellantis é dona de marcas como Peugeot, Citroën e Ram — algumas não comercializadas no Brasil — e controla a montadora chinesa Leapmotor, especializada em elétricos, que entrou no mercado brasileiro no ano passado. Como parte da reformulação, Filosa prometeu investir US$ 13 bilhões nos Estados Unidos, adiou lançamentos de veículos elétricos e trouxe de volta motores V8 para revitalizar a marca de picapes Ram. A empresa também cancelou investimentos, incluindo uma joint venture planejada em hidrogênio, e vem reduzindo preços para recuperar participação de mercado.

Outras montadoras puxam o freio

A correção estratégica se espalha pela indústria. A Ford contabilizou US$ 19,5 bilhões em despesas ao cancelar ou reduzir projetos de veículos elétricos, redirecionando investimentos para híbridos e motores a combustão diante da fraca demanda e do corte de incentivos nos EUA.

A General Motors anunciou encargos de cerca de US$ 6 bilhões relacionados à reorganização de ativos e contratos ligados a EVs. Já Volkswagen e Porsche registraram impactos combinados de aproximadamente US$ 6 bilhões ao adiar modelos totalmente elétricos em favor de híbridos ou motores a combustão em algumas linhas.

No total, montadoras globais já contabilizaram cerca de US$ 60 bilhões em ajustes recentes ligados à reavaliação de estratégias para veículos elétricos, refletindo a adoção mais lenta pelo consumidor, mudanças regulatórias e a concorrência crescente de fabricantes chineses.

(com informações da Bloomberg)

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