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Sócia da Raízen, Shell paga US$ 16,4 bilhões por petroleira canadense

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, anunciou nesta segunda-feira (27) a compra da canadense ARC Resources num negócio avaliado em US$ 16,4 bilhões, incluindo a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívida líquida. 

É a maior aquisição da petroleira britânica desde 2016, quando comprou a BG Group, e marca uma virada estratégica do grupo em direção ao Canadá, num momento em que a guerra entre Estados Unidos e Irã encareceu os ativos do Oriente Médio.

Pelos termos do acordo, os acionistas da ARC, sediada em Calgary, receberão CAD 32,80 por ação, sendo 75% em ações da Shell e 25% em dinheiro. O preço representa prêmio de 27% sobre o fechamento da ARC na bolsa de Toronto na sexta-feira (24) anterior à divulgação. O valor patrimonial da ARC ficou em US$ 13,6 bilhões.

A operação adiciona ao portfólio da Shell cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia, dois bilhões de barris em reservas provadas e prováveis e 1,5 milhão de acres na bacia de Montney, formação de xisto que ocupa parte da Columbia Britânica e de Alberta.

Combinada aos 440 mil acres que a Shell já operava na região, a aquisição transforma a empresa em um dos maiores produtores de gás natural e líquidos da Montney. “Isto estabelece o Canadá como um heartland para a Shell”, disse o presidente-executivo Wael Sawan em comunicado, em referência aos núcleos operacionais estratégicos da empresa.

A produção total da Shell deve passar de uma taxa de crescimento anual de 1% para 4% até 2030 com a incorporação dos ativos.

Virada de chave

A movimentação representa uma virada da própria Shell em relação ao Canadá. Em 2017, a empresa havia se desfeito de boa parte de sua posição no país, vendendo ativos nas areias betuminosas de Alberta. 

Agora, faz o caminho inverso, sob a justificativa de que os recursos da Montney são “de baixa intensidade de carbono”, o que ajuda a empresa a reconciliar o crescimento da produção com seus compromissos de transição energética.

A integração com o LNG Canada, projeto de gás natural liquefeito da Columbia Britânica do qual a Shell é principal acionista, é peça central do racional do negócio. Os contratos da ARC já vinculam parte de sua produção de gás aos preços internacionais de LNG, o que cria sinergia direta com a infraestrutura existente da Shell. 

A empresa estima sinergias anuais de US$ 250 milhões em até um ano após o fechamento, previsto para o segundo semestre de 2026.

Analistas avaliam que a aquisição pode ser apenas o primeiro movimento de uma onda de M&A no setor de petróleo e gás. Os preços altos sustentados pela guerra elevaram o valor dos ativos e criaram janela para que companhias menores aceitem ser vendidas por valuations que antes pareciam inatingíveis.

“Acho que está na mesa para este ano”, disse Tim Rezvan, analista do KeyBanc Capital Markets, em entrevista à Barron’s na semana passada. Segundo ele, o que define o preço dos negócios é a curva de futuros de petróleo nos próximos meses, e essa curva subiu o suficiente para destravar o apetite vendedor.

No Brasil, outra conta

A operação contrasta com o cenário enfrentado pela Shell no Brasil, onde a empresa é sócia da Cosan na Raízen, maior produtora de biocombustíveis do país e que negocia neste momento a reestruturação de R$ 65 bilhões em dívidas. 

No fim de semana, a companhia apresentou aos credores uma contraproposta para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, em cima dos R$ 4 bilhões já comprometidos por Shell e pelo bilionário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Os credores pediam aporte de R$ 8 bilhões dos atuais sócios para fechar o acordo.

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Com R$ 70 bilhões em dívidas, Raízen pede recuperação extrajudicial

A gigante do etanol Raízen entrou na noite desta terça-feira (10) com um pedido de recuperação extrajudicial depois de se ver sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões, em uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. A informação foi confirmada pela companhia na manhã desta quarta-feira (11).

A Raízen – controlada por Cosan e Shell – já conta com o apoio de credores que representam mais de 47% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária (50% mais um) para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, segundo apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia.

Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país e representa um capítulo importante da derrocada de uma empresa que protagonizou pouco menos de cinco anos atrás um dos maiores IPOs (oferta pública inicial de ações) da história da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 76 bilhões à época. Nesta terça, a Raízen valia menos de 1%, ou cerca de R$ 700 milhões.

O plano de recuperação deverá abranger cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido também por 90 dias a partir desta quarta-feira (11), segundo as fontes.

Nesses três meses pela frente, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de parte da dívida em ações e eventuais descontos no valor da dívida, os chamados haircuts.

Negociação em curso

Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo nesta terça, alguns dos maiores bancos do país são credores que somam cerca de metade da dívida da companhia, enquanto bondholders, detentores de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de debêntures respondem pela outra metade.

Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançavam.

Em paralelo, a companhia negocia um plano de capitalização em que a Shell irá aportar R$ 3,5 bilhões, com um compromisso conjunto do empresário Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio de sua empresa Aguassanta Investimentos.

Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não estava mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, o que deixa credores e a petroleira como protagonistas da solução financeira.

Negociações com credores

As negociações da Raízen com credores preveem a conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda).

Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.

Segundo as mesmas fontes que falaram com o InvestNews, a Raízen continuará a pagar fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende “apenas” o serviço das dívidas financeiras.

A informação sobre o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen nesta noite de terça-feira foi publicada inicialmente pelo Brazil Journal.

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Cosan registra prejuízo de R$ 5,8 bilhões com impacto da crise na Raízen

O conglomerado brasileiro Cosan registrou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão) no quarto trimestre, em meio à fraqueza na Raízen, seu negócio de açúcar e etanol.

A Cosan, que também controla operações em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou dezembro com dívida líquida de 9,7 bilhões de reais, uma queda de 46% em relação ao trimestre anterior, após a companhia receber um aporte de capital no fim de 2025.

Recentemente, as classificações de crédito da Cosan foram rebaixadas por diferentes agências, diante das preocupações com a Raízen, sua joint venture problemática com a Shell.

A Raízen vem enfrentando juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram os retornos esperados, o que reduziu o fluxo de caixa e elevou a alavancagem a níveis considerados insustentáveis por investidores.

Para reduzir o endividamento, a Cosan tem buscado vender parte de seus ativos.

A Raízen registrou 11 bilhões de reais em perdas por impairment em seu balanço divulgado no mês passado, já que o aumento da dívida passou a representar risco para suas operações. A produtora de açúcar e etanol afirmou recentemente que poderá recorrer a um processo de reestruturação extrajudicial, após o fracasso nas negociações entre seus controladores, Cosan e Shell, sobre um plano de resgate mais amplo.

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Cosan e Shell abandonam conversas sobre capitalização na Raízen

As negociações para resgatar a Raízen fracassaram depois que as duas empresas que controlam a empresa, Cosan e Shell, não chegaram a um acordo sobre um plano de capitalização, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, deixando a produtora brasileira de açúcar e etanol com opções cada vez menores para sair da crise de dívida.

A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela Shell, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada por estar discutindo conversas privadas.

Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, disse outra pessoa.

A empresa sediada em Londres prometeu publicamente injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo na Raízen na terça-feira e deve apresentar seu próprio plano para os bancos já nesta quarta-feira, segundo uma das pessoas. A Shell não quis comentar.

A Raízen busca capital após enfrentar dificuldades devido a uma combinação de altas taxas de juros, safras fracas e investimentos malsucedidos. Seus títulos de dívida despencaram e sua classificação de risco crédito foi rebaixada, chegando a preocupar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O plano da Shell pode ser a melhor esperança da Raízen para evitar um pedido de recuperação judicial. A proposta ainda incluiria um potencial aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, fundador da Cosan, e converteria cerca de R$ 25 bilhões de dívida em ações — melhorando o balanço patrimonial da empresa, mas diluindo a participação dos acionistas.

A proposta também tornaria a Shell acionista majoritária e exigiria que a empresa absorvesse a dívida da Raízen em seu próprio balanço e administrasse a empresa.

Credores pedem R$ 12 bilhões

Credores têm pressionado a Shell e a Cosan para injetarem até R$ 12 bilhões, argumentando que são empresas lucrativas com caixa suficiente para contribuir com mais do que estão oferecendo, conforme relatado anteriormente pela Bloomberg. Alguns credores argumentam que a Raízen precisa de cerca de R$ 25 bilhões em capital.

Se o plano da Shell for rejeitado, um pedido de recuperação judicial é o caminho mais provável — um resultado que também poderia prejudicar a Cosan. O conglomerado de Ometto ainda está trabalhando para administrar sua situação financeira após aceitar uma injeção de capital dos sócios do BTG no final do ano passado, mas seu nível de endividamento permanece desafiador. Sua exposição à Raízen poderia mergulhar a empresa novamente em crise, disse uma das fontes.

A Cosan não planeja mais injetar o R$ 1 bilhão na Raízen que havia proposto anteriormente em negociações com a Shell, disseram as fontes. Os fundos de private equity da BTG desistiram da ideia de adquirir uma participação significativa no negócio de distribuição de combustíveis da Raízen por cerca de R$ 5,5 bilhões, disse a pessoa.

A decisão da Cosan de abandonar seus planos de investimento na Raízen foi noticiada anteriormente nesta terça-feira pelo Valor Econômico.

No início da terça-feira, o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a empresa está comprometida em investir R$ 3,5 bilhões e que espera que a Cosan invista um valor equivalente.

A possibilidade de Ometto participar individualmente pode depender da obtenção de um empréstimo para contribuir com os R$ 500 milhões que propôs.

A BTG Pactual Holding, veículo de investimento para sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora a Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos, com quase 25%.

Os fundos de private equity da BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas pela empresa em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos de royalties, disse uma das pessoas.

Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores e sobre o nível de redução da alavancagem necessário, disse a pessoa. Tampouco houve consenso sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen, segundo a mesma pessoa.

A Shell também se opôs a um plano dos fundos da BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis na qual os fundos do BTG investiriam.

Pinto da Costa afirmou na terça-feira que a Shell não se opõe a uma reestruturação mais ampla que poderia envolver a divisão do negócio. No entanto, ele disse que, dada a interdependência das duas áreas e a complexidade da dívida da Raízen, a solução ideal seria primeiro tentar recapitalizar a empresa.

“Essa é a visão da Shell e dos principais credores. Se fizermos isso com a empresa ainda instável, o risco de implementar essa estratégia pode ser muito alto”, disse ele.

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Em aceno a Cosan e BTG, Shell diz que vai investir R$ 3,5 bilhões na Raízen

A Shell está comprometida a injetar R$ 3,5 bilhões na Raízen, produtora brasileira de etanol fruto de uma joint venture com a Cosan. A companhia também espera que a Cosan invista valor equivalente na Raízen, afirmou o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, durante coletiva no Rio de Janeiro.

A Bloomberg News informou no fim do mês passado que as empresas estavam em negociações avançadas para aportar novo capital na joint venture, que enfrenta dificuldades.

“As negociações seguem ativas com o objetivo de encontrar uma solução estrutural e de longo prazo para a Raízen, compatível com as restrições de cada uma das partes envolvidas”, disse Pinto da Costa.

A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, busca novos recursos após ser pressionada por juros elevados, safras abaixo do esperado e uma série de investimentos que ainda não geraram retornos significativos. Seu rating de crédito foi rebaixado, e os títulos da companhia despencaram à medida que sua situação financeira se deteriorou.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou diretamente das discussões sobre a Raízen, evidenciando o peso político e econômico do agravamento da crise financeira da empresa. O governo tem demonstrado crescente preocupação de que uma reestruturação desordenada possa abalar os mercados de crédito e prejudicar a confiança dos investidores em um momento delicado para a maior economia da América Latina.

No centro das negociações estão os acionistas da Raízen — Cosan e Shell — além do Banco BTG Pactual, que propôs investir na divisão de distribuição de combustíveis da companhia como parte de uma reestruturação mais ampla, segundo a Bloomberg em fevereiro.

Credores, no entanto, têm reagido, argumentando que a injeção de capital proposta é insuficiente diante do elevado nível de alavancagem da Raízen e da deterioração de seu perfil de crédito. Alguns detentores de títulos e bancos defendem um aumento de capital substancialmente maior, de cerca de R$ 25 bilhões, sustentando que Shell e Cosan têm capacidade financeira para contribuir mais após anos de pagamento de dividendos.

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