Visualização de leitura

Câmeras nas calçadas viraram um grande negócio nas grandes cidades. Falta provar que coíbem o crime

Eles são quase onipresentes nos bairros mais ricos de São Paulo e do Rio de Janeiro e já se espalham por outras capitais brasileiras: totens de metal com câmeras embutidas, instalados nas calçadas em frente a condomínios, escritórios e restaurantes.

Esse mercado ganhou corpo no país nos últimos cinco anos, impulsionado pela promessa de inibir a ação de criminosos e proteger o entorno dos imóveis, na esteira do aumento do número de assaltos em regiões mais valorizadas.

Os totens são o produto mais aparente de uma indústria mais ampla: o mercado de segurança eletrônica gerou faturamento de R$ 16 bilhões em 2025, com alta de 16% em um ano e de 73% desde 2021, segundo a Abese, associação que reúne empresas do ramo.

Trata-se de uma resposta privada a uma questão de segurança pública: redes de câmeras, sensores e inteligência artificial são demandados como ferramentas que, segundo se espera, ajudam a prevenir crimes e identificar suspeitos.

Mas o mercado dos totens avançou mais rápido que as regras e que as evidências sobre sua eficácia. E abriu um debate: como regular um negócio privado baseado em vigiar o espaço público?

O negócio dos totens

Duas empresas lideram essa expansão: a CoSecurity, do Grupo Haganá, e a Gabriel.

A CoSecurity foi criada em 2022 por Chen Gilad, CEO da Haganá, empresa de segurança privada fundada por sua família, e Luciano Caruso, diretor de tecnologia do grupo.

O faturamento é modesto: a CoSecurity encerrou 2025 com receita de R$ 20 milhões. Mas seus equipamentos se multiplicam no país. Hoje, a empresa opera 12 mil câmeras, contra pouco mais de 6 mil em 2024. Desse total, 11,5 mil estão em São Paulo, mas a rede começou a avançar por Rio e Curitiba.

Totem de monitoramento da CoSecurity com câmeras de vídeo e sinalização luminosa, posicionado em área externa próxima ao acesso de um condomínio fechado.
Totens com câmeras da CoSecurity, do Grupo Haganá (Divulgação)

Gilad chama o modelo de “segurança colaborativa”. Condomínios e comércios contratam o serviço individualmente, mas as imagens passam a integrar uma base maior de câmeras espalhadas pela região, sob supervisão da empresa.

“É como uma rede social”, disse Gilad ao InvestNews. “Sozinho, não tem graça. Mas se todos os seus vizinhos também estão, a inteligência começa a aparecer.”

O totem é a face do produto que o cliente vê no dia a dia, mas não é o centro da operação. Para Gilad, o hardware vale 20% do negócio.

Cada totem custa R$ 499 – ou R$ 299 na versão de parede – por mês, enquanto o software sai de R$ 199 a R$ 499 por mês a depender do nível de inteligência.

O grosso do faturamento está na plataforma que cruza dados de placas, rostos e histórico de ocorrências para gerar alertas em tempo real. Isso significa acumular e organizar informações sobre veículos, pessoas e eventos registrados pela rede – quem apareceu onde, quando e em quais circunstâncias.

A empresa diz limitar o acesso às imagens – a funcionários com permissões específicas – e submeter os alertas a revisão humana antes de comunicar clientes ou autoridades.

É um modelo diferente de sua principal concorrente, a Gabriel, que afirma não fazer reconhecimento facial, enquanto a CoSecurity realiza análises biométricas.

Segundo declarações públicas, a decisão busca evitar riscos jurídicos com uma tecnologia que identifica pessoas na rua sem autorização.

Procurada pelo InvestNews, a Gabriel não concedeu entrevista. 

Totem de segurança da Gabriel instalado em área urbana, com câmeras voltadas para a rua e iluminação em LED verde.
Totens da startup Gabriel: 14 mil câmeras em operação (Divulgação)

A Gabriel nasceu em 2020, fundada por Erick Coser, Otávio Miranda e Sérgio Andrade – este último um dos fundadores da rede de academias Bodytech. Hoje, a empresa diz ter 14 mil câmeras em operação, entre Rio, São Paulo, Niterói e Belo Horizonte.

A empresa ficou conhecida pela luz verde que emana de seus totens e demarca as áreas monitoradas. Mas essa presença ostensiva virou alvo de questionamento.

Em dezembro de 2025, a companhia terminou de realocar 400 câmeras instaladas em áreas públicas no Rio, a mando da prefeitura, que considerou os equipamentos irregulares por ocuparem espaços como praças, canteiros e rotatórias.

O episódio resume um dos dilemas do setor: os clientes são privados, mas as câmeras ocupam as calçadas e apontam para a rua. 

Essa fronteira se torna ainda menos nítida quando as redes privadas passam a se conectar aos sistemas de vigilância do poder público. 

Breve história da vigilância pública

O país testou a biometria facial pela primeira vez em 2014, na Copa do Mundo, em centrais de monitoramento criadas para coordenar a segurança do torneio. Mas a experiência foi localizada.

A tecnologia voltou com mais força em 2019, na Bahia. No Carnaval de Salvador, as forças de segurança realizaram a primeira prisão com auxílio de reconhecimento facial no país.

A partir dali, outros municípios passaram a adotar sistemas parecidos, com câmeras em postes, centrais de monitoramento, leitura de placas e bancos de dados de procurados.

Nos anos seguintes, essas iniciativas se transformariam em programas de vigilância consolidados, que passaram a reunir câmeras públicas e privadas na mesma rede.

A maior vitrine desse modelo é o Smart Sampa. Lançado pela Prefeitura de São Paulo em 2024, o programa já reúne 50 mil câmeras: apenas 20 mil são operadas pelo município. 

As outras 30 mil pertencem a parceiros privados que aderiram, como Gabriel e CoSecurity.

Em troca, as empresas ganham um diferencial comercial: suas câmeras passam a operar integradas ao sistema de vigilância da cidade.

O Smart Sampa usa reconhecimento facial, leitura de placas e cruzamento com bases de procurados e desaparecidos. Quando há possível correspondência, envia um alerta à central, que aciona a Guarda Civil Metropolitana.

Operadores trabalham na central de monitoramento do Smart Sampa, sistema da Prefeitura de São Paulo que integra câmeras de vigilância e tecnologias de reconhecimento facial para apoiar ações de segurança pública.
Central de monitoramento do Programa Smart Sampa (Prefeitura de SP)

Em escala estadual, o principal projeto é o Muralha Paulista, do governo de São Paulo. O sistema busca integrar câmeras públicas e privadas dos 645 municípios do estado em uma plataforma.

A cidade de São Paulo não está sozinha. O Rio criou a Civitas, que já reúne mais de 10 mil equipamentos e pretende chegar a 20 mil câmeras próprias até 2028.

Curitiba tem a Muralha Digital e passou a incorporar equipamentos de condomínios e empresas pelo Conecta Muralha. Belo Horizonte lançou a Muralha BH, com previsão de mais de 12 mil câmeras, 1,5 mil delas com reconhecimento facial. 

O Brasil tem hoje 525 projetos ativos de reconhecimento facial, capazes de alcançar 96 milhões de pessoas. Desde 2019, estados e municípios direcionaram ao menos R$ 2,65 bilhões em iniciativas, segundo um levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Limbo jurídico no combate ao crime

Esse crescimento, no entanto, aconteceu sem que houvesse um marco regulatório específico para vigilância biométrica em espaço público. O que existe é um mosaico: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), decretos estaduais, contratos e normas técnicas que variam de estado para estado.

A LGPD é a referência legal do setor – mas tem um limite. O artigo 4º exclui do seu alcance o tratamento de dados para fins de segurança pública e defesa nacional. Isso significa que programas públicos de reconhecimento facial, como o Smart Sampa, não estão sujeitos às mesmas obrigações. 

As empresas privadas, por outro lado, estão no escopo da lei. Mas a operação fica turva quando a câmera privada é usada para finalidades de segurança pública – ou quando as imagens são compartilhadas com o poder público. 

“Existe uma relação muito difícil de dimensionar entre o público e o privado. Isso atrapalha a discussão e nos afasta da construção de regras mínimas para o uso das câmeras”, diz Pablo Nunes, pesquisador do CESeC.

E funciona?

As empresas do setor operam com a promessa de aumentar a segurança de ruas, condomínios e comércios.

Gilad cita uma redução de 80% nas ocorrências em uma área da Faria Lima, em São Paulo, em um projeto com maior nível de integração tecnológica. Em operações mais básicas, afirma receber relatos de condomínios e ruas onde a instalação dos totens teria reduzido a criminalidade em até 20%.

Mas faltam evidências independentes ou oficiais de que redes de câmeras e reconhecimento facial reduzam efetivamente a criminalidade – e de forma consistente ao longo do tempo.

O principal estudo sobre o Smart Sampa, do projeto Panóptico, do CESeC, comparou a evolução dos indicadores criminais da capital paulista com a de outros municípios do estado após a implementação do sistema.

A conclusão foi que não houve redução estatisticamente significativa de furtos, roubos ou homicídios. Os pesquisadores não encontraram aumento relevante da produtividade policial, medida pelo número de prisões em flagrante e cumprimento de mandados.

Os autores ressaltam que isso não significa que as câmeras sejam ineficazes. Elas podem auxiliar investigações ou aumentar a sensação de segurança. O ponto é que, até aqui, não há evidências robustas de que tais sistemas reduzam a criminalidade nas áreas onde são instalados.

  •  

Braskem descarta aporte dos novos controladores em plano para reestruturar dívida

A Braskem, agora com novos acionistas, apresentará aos credores um plano de reestruturação da dívida que não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

O plano, que deverá ser apresentado em breve, incluirá extensão do prazo de vencimento da dívida, redução dos pagamentos de juros e mais períodos de carência, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada por estar discutindo informações confidenciais.

Para a Braskem Idesa, subsidiária da Braskem no México que está com pagamentos de dívida em atraso, a ideia é renegociar os contratos com a Pemex. A Braskem busca manter o controle da empresa, na qual a Idesa detém uma participação de 25%, segundo a fonte.

A Braskem buscará o apoio dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos pagamentos da dívida programados para julho, disseram pessoas familiarizadas com o assunto no início desta semana.

Na quarta-feira, as ações da empresa detidas pela Novonor foram transferidas para um fundo da gestora de private equity IG4 Capital, que agora detém o controle conjunto da Braskem com a Petrobras.

A gigante petroquímica está avaliando um possível pedido de recuperação extrajudicial no Brasil, assim que obtiver o apoio de detentores de um terço de sua dívida, disseram pessoas anteriormente.

Atingir esse patamar também permitiria à empresa obter uma moratória de 90 dias nos pagamentos da dívida, acrescentaram.

A Braskem pretende entrar no processo extrajudicial com os termos gerais do plano já acordados com grupos de detentores de títulos e bancos, afirmaram as pessoas. No prazo de 90 dias, a empresa buscaria o apoio de credores que representem a maioria da dívida, necessário para aprovar um plano de reestruturação definitivo.

Ainda assim, buscar proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar permanece uma possibilidade, disseram algumas das pessoas.

A Braskem não quis comentar.  

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Maior oferta de ações da história: dona do Google levanta US$ 85 bilhões para bancar expansão da IA

A controladora do Google, a Alphabet, ampliou sua oferta de ações para US$ 84,75 bilhões, acima dos US$ 80 bilhões anunciados apenas dois dias antes, numa tentativa de financiar o aumento dos investimentos em inteligência artificial.

Mesmo antes da ampliação, a operação já estava a caminho de se tornar a maior oferta de ações da história, segundo dados compilados pela Bloomberg. Se concluída nesse valor, superará a venda de US$ 70 bilhões realizada pela Petrobras em 2010.

É raro que uma empresa do porte da Alphabet levante volumes tão grandes de recursos por meio de uma oferta de ações. Em um ano marcado por IPOs de empresas de tecnologia nos Estados Unidos, o mercado foi surpreendido ao ver uma gigante já consolidada optar por uma captação bilionária, em vez de intensificar programas de recompra de ações.

O Google tenta aproveitar a crescente demanda por seus chips próprios de inteligência artificial, conhecidos como TPUs (Tensor Processing Units). Eles se tornaram uma das principais alternativas aos processadores da Nvidia em um setor que exige volumes cada vez maiores de capacidade computacional.

Detalhes da operação

A operação inclui um programa de US$ 40 bilhões que permitirá à Alphabet vender ações diretamente no mercado ao longo do tempo, a partir do terceiro trimestre. Também faz parte da oferta um acordo de US$ 10 bilhões com a Berkshire Hathaway.

Os US$ 34,75 bilhões restantes foram levantados por meio de uma oferta tradicional de ações e outros papéis ligados ao capital da empresa.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a demanda dos investidores superou em várias vezes o volume ofertado.

  •  

Nos EUA, uma praga ameaça a oferta de gado – que já está no menor nível em 75 anos

Um parasita letal para o gado foi detectado nos Estados Unidos pela primeira vez em quase uma década, em um momento em que o rebanho do país já está no menor nível em 75 anos.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou na noite de quarta-feira (3) que um caso suspeito no sul do Texas testou positivo para a mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World screwworm).

O animal afetado é um bezerro de três semanas no condado de Zavala e, por enquanto, é o único caso monitorado pela agência, afirmou a secretária de Agricultura, Brooke Rollins.

Nova ameaça em meio à escassez de gado

Segundo Rollins, não há “razão para acreditar” que o parasita vá se estabelecer nos Estados Unidos.

Ainda assim, a confirmação do caso ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O tamanho reduzido do rebanho já levou os preços da carne bovina a níveis recordes.

As ações da Tyson Foods e da JBS avançavam no pré-mercado desta quinta-feira (4), depois de terem caído na véspera com as notícias sobre uma possível infecção, que ainda não havia sido confirmada. Já os contratos futuros de gado para reposição e de boi gordo negociados em Chicago recuaram na quarta-feira.

O principal risco, neste momento, é para os pecuaristas, não para frigoríficos ou consumidores, afirmou Corbitt Wall, analista de mercado da DV Auction. Segundo ele, a maior parte dos bezerros ainda está nos pastos nesta época do ano e não está sendo comercializada.

Wall disse que a presença da praga tende a sustentar os preços do gado, já que ameaça a oferta. Ao mesmo tempo, pode gerar receio nos consumidores na hora de comprar carne. “É sempre uma notícia negativa. Por isso o mercado está reagindo mal”, afirmou.

Os EUA tentam conter o avanço da praga, capaz de matar um animal em poucos dias, desde maio de 2025, quando casos registrados no México passaram a preocupar as autoridades. O USDA suspendeu as importações de gado vivo mexicano e construiu novas instalações para dispersar moscas estéreis.

Mesmo assim, o número de casos vem crescendo no México. Segundo o USDA, o foco mais próximo da fronteira americana foi identificado em uma cabra a cerca de 40 quilômetros dos Estados Unidos.

A presença da praga no México e a suspensão do comércio de gado vivo agravaram a escassez de animais para os frigoríficos americanos, que já enfrentavam dificuldades para manter suas operações diante da oferta reduzida e dos custos mais altos.

Essa restrição também levou os preços da carne bovina ao consumidor a máximas históricas, colocando pressão sobre a promessa de Donald Trump de reduzir o custo dos alimentos.

A volta da mosca-da-bicheira

A última vez que a mosca-da-bicheira foi detectada nos EUA foi em 2016, em cervos nas ilhas de Florida Keys. A praga foi erradicada no início de 2017. O último surto envolvendo bovinos infectados ocorreu em 1976 e causou prejuízos de até US$ 375 milhões para a economia do Texas, em valores da época, segundo o USDA.

Embora o risco para humanos seja baixo, os Estados Unidos registraram um caso da infecção em uma pessoa no ano passado, após uma viagem à América Central.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Raízen vende operação na Argentina por US$ 1,42 bilhão

A Raízen anunciou nesta quinta-feira (4) a venda de sua operação na Argentina por US$ 1,42 bilhão para a Mercuria, uma trading global de commodities.

O negócio inclui os ativos de distribuição e comercialização de combustíveis da companhia no país. Além do pagamento em dinheiro, a compradora também ficará responsável pelas dívidas da operação argentina.

Segundo a Raízen, a venda faz parte de uma estratégia para simplificar a estrutura da empresa e concentrar recursos em mercados considerados prioritários.

A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e judiciais. A expectativa é que a operação seja concluída ainda neste ano-safra, que vai até março de 2027.

Reestruturação

A venda ocorre em meio ao processo de reestruturação financeira da Raízen. A companhia tenta fechar até 8 de junho um acordo com credores para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas acumuladas após anos de expansão, em um contexto de juros elevados e resultados pressionados.

Nesta semana, a empresa apresentou sua proposta final aos credores. O plano prevê a troca de parte das dívidas por ações, mudanças na governança e a criação de um comitê para acompanhar a reestruturação.

A expectativa da companhia é obter o apoio de mais de 70% dos credores.

Segundo a Raízen, os recursos obtidos com a venda da operação argentina serão usados para reforçar sua estrutura de capital.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Privatização da Copasa: Aegea desiste e Equatorial é a única a apresentar proposta

Apenas a Equatorial Energia apresentou proposta para ser investidora estratégica na Copasa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, avançando o plano do Estado de Minas Gerais de privatizar uma das maiores concessionárias de água e saneamento do Brasil.

Um grupo de investidores que inclui a Aegea optou por não participar do leilão, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por se tratar de detalhes confidenciais.

A Equatorial fez oferta por uma participação de 30% na Companhia de Saneamento de Minas Gerais, nome formal da Copasa, e planeja adicionar até 10% a mais em uma oferta pública inicial de ações, disse uma das pessoas. A oferta feita está próxima do preço mínimo, acrescentou a pessoa.

Entre os parceiros da Aegea no negócio estavam a Itaúsa, o fundo soberano de Singapura GIC e a Equipav Saneamento. A Aegea não quis comentar.

A transação, que figura entre as maiores do Brasil neste ano, será seguida por uma oferta pública secundária de ações que reduzirá o controle do Estado sobre a Copasa.

Na B3, as ações da Copasa subiram 13% e as da Equatorial avançaram 1,9%.

O Estado de Minas Gerais fixou o preço mínimo de R$ 47,23 por ação, segundo prospecto atualizado.

A oferta única amplia a atuação da Equatorial no setor de saneamento básico brasileiro, após a empresa se tornar investidora estratégica da Sabesp, a maior concessionária de água e saneamento do país, em 2024. As duas empresas planejavam apresentar uma oferta conjunta pela Copasa antes da Sabesp desistir, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg.

A Equatorial e a Copasa não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

De painéis solares a carros elétricos: como a China se beneficia da crise do petróleo com a guerra

Com a pressão da Guerra do Irã sobre o mercado de petróleo, diferentes indústrias e países passaram a buscar um plano B como fonte de energia. E um dos beneficiados tem sido o setor de painéis solares. As exportações da China, principal fornecedora global, dobraram em março.

Foram 68 gigawatts em capacidade de equipamentos para geração solar embarcados no mês, segundo dados de exportação analisados pelo think tank internacional Ember. Para comparar: em termos de escala, isso equivale a seis usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará. Ou praticamente toda a capacidade solar instalada na Espanha.

Cinquenta países bateram seus recordes de importação de painéis chineses em março. E outros sessenta alcançaram o maior nível em pelo menos seis meses. 

Na Ásia, a Malásia ampliou as importações em 384%, e a Índia, em 141%. Na África, Nigéria, Quênia e Etiópia superaram pela primeira vez a marca do equivalente a 1 GW importado em um único mês. Ao mesmo tempo, países como Japão e Austrália, além da União Europeia, também registraram volumes recordes. 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim fevereiro, o fluxo de navios vem sendo limitado no Estreito de Ormuz, o que compromete o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris por dia, algo como 25% do comércio marítimo global.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que entre 13 milhões e 14,5 milhões de barris por dia ficaram fora do mercado em abril, seja por restrições logísticas ou por cortes preventivos de produção.

Diante de tantas limitações, o barril do tipo Brent já acumula alta superior a 20% desde fevereiro e voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril. 

Com a busca global por alternativas ao combustível, não foram apenas os painéis solares que ganharam tração nas exportações chinesas.

O país também ampliou os embarques de baterias e veículos elétricos, de marcas como a BYD. Juntos, as exportações desses três segmentos avançaram 70% em março na comparação anual e 38% frente a fevereiro. 

As baterias puxaram em valor: foram US$ 10 bilhões exportados em março, alta de 44% em relação a fevereiro, com demanda forte especialmente de União Europeia, Austrália e Índia.

No Brasil

Os dados da Ember não detalham o papel do Brasil nas exportações chinesas de painéis solares em março. Ainda assim, o movimento tem impacto direto no mercado local: mais de 90% dos módulos fotovoltaicos usados no país vêm da China.

Em 2025, esses produtos foram o quarto item chinês mais importado pelo Brasil, somando US$ 1,5 bilhão e 990 mil toneladas.

Na última década, a presença de painéis solares avançou de forma meteórica no sistema elétrico brasileiro. Hoje, o país tem quase 4 milhões de sistemas espalhados por telhados e fazendas. Em 2015, eram apenas 600.

A fonte já responde por cerca de 23% da capacidade instalada brasileira, ante pouco mais de 2% em 2019.

chart visualization
  •  

Embraer prevê melhora gradual de rentabilidade perdida com tarifas dos EUA

Durante quase um ano, a Embraer teve que enfrentar tarifas de 10% sobre as aeronaves que enviou aos Estados Unidos. Agora, com a isenção instituída pela Casa Branca no fim de fevereiro, os aviões da companhia voltaram a entrar no mercado da maior economia do mundo sem encargos extras – e a fabricante brasileira já começa a calcular o que pode recuperar.

“Nós saudamos a igualdade de condições em nossa indústria. Esse resultado beneficiará nossos clientes nos Estados Unidos”, disse o CEO Francisco Gomes Neto durante a teleconferência de resultados nesta sexta-feira (6). 

Em 2025, as tarifas tiveram impacto de US$ 54 milhões no resultado da Embraer. Mas a conta total é maior: isso porque parte dessas tarifas já foi paga sobre aviões e peças que ainda estão no estoque – e que só afetarão o balanço quando forem entregues aos clientes.

Levando isso em consideração, o total do efeito das tarifas chega a US$ 80 milhões.

Só no quarto trimestre, as tarifas custaram US$ 27 milhões à Embraer. Esse impacto ajudou a pressionar a rentabilidade da empresa: a margem operacional caiu de 10,6% em 2024 para 8% em 2025.

A maior parte do efeito veio da aviação executiva – que inclui os jatos Phenom, Praetor e Legacy. Nos três meses finais do ano, o custo foi de US$ 24 milhões para o segmento. Mesmo assim, a Embraer manteve a margem em 10,5%, sustentada por mais vendas e preços mais altos.

As cobranças das tarifas começaram em abril de 2025, quando o governo de Donald Trump impôs uma taxa mínima global de 10% sobre importações.  

Recentemente, em 20 de fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou essa política tarifária, que julgou ilegal da maneira como foi instituída. A Casa Branca reagiu com a criação de uma nova tarifa global temporária de 10% – mas, desta vez,  isentando aeronaves, motores e peças aeroespaciais.

Cautela e recuperação em etapas

Por ora, a empresa não está fazendo planos com base no cenário mais favorável. Por segurança, o guidance financeiro para 2026 assume uma tarifa de 10% – e não zero.

“Ainda está muito nebuloso o que vai acontecer daqui para frente”, disse Antônio Garcia, CFO da Embraer.

Mesmo se a isenção de fato permanecer, o alívio não será imediato.

Como parte do estoque da Embraer ainda carrega o custo das tarifas pagas anteriormente, como citado anteriormente, a melhora nas margens deve aparecer aos poucos: cerca de dois terços do ganho deve vir em 2026, e o restante, somente em 2027, na estimativa da empresa. 

No total, a Embraer vê potencial de aumento de até 1 ponto percentual na rentabilidade.

Há ainda uma outra variável em aberto: a possibilidade de recuperar parte das tarifas já pagas. A empresa diz que observa os próximos passos do setor antes de decidir se seguirá por esse caminho. “Estamos acompanhando a situação para entender o que os nossos pares vão fazer e que resultado eles vão conseguir disso, para definir o nosso movimento”, disse o CEO.

Os números de 2025

Apesar da pressão exercida pelas tarifas comerciais, a Embraer fechou 2025 com uma receita líquida de R$ 41,9 bilhões – no maior patamar da história da companhia. O número representou um crescimento de 18% em relação a 2024, sob impulso principalmente pelos negócios de Defesa & Segurança, cuja receita avançou 36%, e de Aviação Executiva, que cresceu 24%.

A carteira de pedidos firmes, que reúne os aviões já encomendados e ainda não entregues, também bateu recorde. O volume chegou a US$ 31,6 bilhões, um aumento de 20% em um ano. O principal impulso veio da Aviação Comercial, em que as encomendas avançaram 42%.

No total, a Embraer entregou 244 aeronaves em 2025, 18% a mais do que em 2024. Foram 155 jatos executivos, 78 comerciais e 11 aeronaves de defesa, incluindo três KC-390 Millennium.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

De WEG a Huawei e Axia: as empresas de olho no primeiro leilão de megabaterias do Brasil

De fabricantes de equipamentos a empresas de transmissão de energia, o setor elétrico se mobiliza para um leilão inédito no Brasil: o das megabaterias – no que deve ser o primeiro grande passo de uma indústria que pode atrair R$ 45 bilhões em investimentos pelos próximos quatro anos.

Essas máquinas chegam para tentar equilibrar a operação do sistema elétrico, que hoje vive entre picos e quedas bruscas de oferta. Com a expansão da geração de energia solar, a rede fica sobrecarregada durante o dia – quando o sol está a pino e a demanda por eletricidade é mais baixa. Mas ainda falta energia à noite, quando o consumo sobe e o sol já não contribui.

O plano é que as megabaterias compensem em tempo real essa produção inconstante, com armazenamento de energia quando sobra e devolução da rede quando falta. A tecnologia é conhecida em inglês como BESS, de Battery Energy Storage System. E funciona assim:

A lista de interessados

Previsto para junho, o leilão ainda não tem as regras definitivas anunciadas.

Por ora, o Ministério de Minas e Energia fala em contratar 2 GW de potência – ou seja, dispor de até 2 gigawatts prontos para entrar na rede a qualquer momento. Em termos de escala, é o suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 6 milhões de habitantes. Os cálculos de analistas e executivos do setor é que os projetos movimentem investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.

Nas propostas discutidas até agora, fala-se que cada projeto deverá ter ao menos 30 MW de potência e ser capaz de sustentar essa entrega por até quatro horas seguidas quando for acionado. 

Embora o edital ainda não tenha sido publicado, muitas empresas começaram a se organizar para a disputa.

A ISA Energia está entre as que avaliam entrar na concorrência. A empresa líder em transmissão no país, controlada pela colombiana ISA, já está familiarizada com o negócio, dado que é responsável pelo primeiro sistema de armazenamento em larga escala do país.

O equipamento é localizado em Registro, no litoral sul de São Paulo, e foi inaugurado em 2023. Ali, a unidade consegue sustentar, por até duas horas, o consumo médio equivalente ao de uma cidade com cerca de 90 mil habitantes.

A companhia diz que acompanhar o leilão é um desdobramento natural, mas apontou o entendimento de que ainda há incertezas sobre o desenho final do certame.

“Do ponto de vista técnico, faz sentido a empresa olhar”, diz Rui Chammas, CEO da ISA. “Mas será um grande desafio e vamos ter que avaliar bem, especialmente porque muita gente está dizendo que vai participar.”

Publicamente, a Engie e a Axia (ex-Eletrobras) também demonstraram interesse no leilão. Na apresentação de resultados do último trimestre, a Axia afirmou ter mais de 4 GW em projetos de armazenamento já desenhados – o dobro do que o governo sinalizou que pretende contratar.

Nas diretrizes iniciais, o governo prevê um modelo de pagamento pela disponibilidade dos projetos. Ou seja: a companhia de energia instala as baterias, mantém o sistema pronto para operar e recebe uma remuneração fixa por isso.

O cenário brasileiro e a ofensiva da WEG

Em um leilão como esse, o contrato com o governo é assinado por empresas de energia: geradoras, transmissoras e distribuidoras. Mas há outro grupo atento a cada linha do edital: as fabricantes das megabaterias.

Isso porque a definição dessa disputa pode destravar um mercado ainda incipiente no país. Hoje, o Brasil soma algo perto de 900 MWh em projetos de armazenamento já instalados ou contratados. É pouco: sustentaria a demanda elétrica nacional por apenas 40 segundos. 

Enquanto isso, na China, líder absoluta na implementação dessa tecnologia, o sistema de BESS já consegue manter o consumo de todo o país por cerca de 30 minutos. Nos Estados Unidos, 20.

Não à toa, a expectativa é a de investimentos bilionários no setor nos próximos anos para que essa capacidade cresça. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) estima que o mercado brasileiro de armazenamento possa atrair até R$ 45 bilhões até 2030.

Em relatório publicado no ano passado, a XP avaliou que uma empresa brasileira tem porte suficiente para conquistar espaço nesse segmento: a WEG. A companhia catarinense entrou no mercado de BESS em 2019, após a aquisição da americana Northern Power Systems. 

Hoje, a empresa trata essa tecnologia como uma de suas principais apostas de crescimento – e espera que o segmento gere algo como R$ 3,2 bilhões em receitas para ela nos próximos 10 anos.

Na corrida para garantir esse espaço, a WEG anunciou em fevereiro a construção de uma fábrica de BESS em Itajaí, em Santa Catarina. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2027. 

“A WEG vem se preparando para isso [o leilão de BESS] há algum tempo”, disse André Salgueiro, diretor financeiro e de RI da companhia, na teleconferência de resultados do quarto trimestre.

A concorrência chinesa

Só que a WEG terá que disputar essa demanda com gigantes globais.

No mundo, quem lidera o ramo das megabaterias é a Tesla. Em 2024, a empresa de Elon Musk tinha 15% do mercado. Logo atrás há uma série de chinesas: Sungrow, CATL, Huawei e BYD.

No Brasil, a Huawei afirma ser a líder de mercado, com cerca de 100 MWh já em operação – ou seja, um conjunto de baterias que, juntas, conseguem armazenar 100 megawatts-hora de energia. Na prática, isso equivale a atender algo como 400 mil casas ao longo de uma hora.

Para este ano, a empresa afirma ter mais 400 MWh já contratados para instalar. Globalmente, o segmento de Digital Power, em que estão as BESS, responde por 10% da receita da Huawei.

No leilão de baterias, a empresa chinesa pretende repetir um modelo já adotado em outros projetos: ela entra com a tecnologia e o conhecimento técnico, enquanto uma empresa parceira fica responsável por estruturar o negócio – do financiamento à relação com o governo. 

Segundo Roberto Valer, CTO (Chief Technology Officer) da área de Digital Power da Huawei no Brasil, já há mais de um parceiro definido para esse certame, mas os nomes seguem em sigilo.

Enquanto aguarda o edital federal, a Huawei tem buscado projetos pontuais para ganhar escala e visibilidade. É o caso do Mercado Municipal de Santo Amaro, em São Paulo: instalados no estacionamento, os gabinetes de baterias chegaram a garantir o funcionamento do espaço durante um apagão na região.

Além disso, em parceria com a Prefeitura de São Paulo e a Matrix Energia, a companhia está instalando sistemas BESS em garagens de ônibus para viabilizar a frota elétrica. Cada módulo consegue carregar até 29 ônibus. Na prática, as baterias armazenam energia ao longo do dia e liberam na hora da recarga, o que reduz a pressão sobre a rede e amplia a capacidade elétrica do local.

Por que agora? 

As baterias surgem como um dos remédios para aquela que é hoje a principal dor de cabeça das empresas de geração renovável: o curtailment (corte de geração).

Quando o sistema produz energia demais, o Operador Nacional do Sistema (ONS) ordena que usinas eólicas e solares desliguem parte da produção – para evitar que o excesso desestabilize a rede.

O problema está ligado à expansão da chamada geração distribuída (GD) – os painéis solares espalhados pelos telhados no país. Como essas unidades são descentralizadas, o ONS não consegue ligá-las ou desligá-las individualmente. Então, faz o que pode: trava as grandes usinas. 

Atualmente, estima-se que 20% da geração solar e eólica pronta para chegar aos fios acaba sendo “desplugada” ao longo do dia para garantir a estabilidade da rede.

Mas não é só o curtailment que torna as baterias de armazenamento atrativas agora. 

Um fator relevante é o preço médio das baterias de íon-lítio, que despencou na última década. Entre 2013 e 2023, os custos da principal tecnologia por trás dos sistemas BESS recuaram cerca de 80%. Somente de 2023 para 2024, a queda foi de 40%.

A expectativa é que a tendência continue. Com ganhos de escala, estimativas indicam que o preço pode chegar a US$ 64 por kWh até 2030 — versus US$ 115 em 2024.

visualization

Colaborou Rikardy Tooge.

  •