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Advent passa 6% do capital da Natura e fica mais perto de indicar dois conselheiros

A Natura informou nesta quinta-feira (2) que a gestora de private equity Advent International chegou a 6,6% do capital social da companhia.

Segundo fato relevante divulgado pela empresa, o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo detido por fundos geridos pela Advent, informou possuir 90.676.500 ações da Natura.

O investidor também mantém exposição econômica a outras 19.288.800 ações, ou 1,4% do capital, por meio de contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira (TRS). Após a liquidação da exposição econômica via derivativos, a Advent passará a ter exposição equivalente a cerca de 8% do capital da Natura.

Nos termos desse acordo, alcançando a participação alvo de 8% a 10%, a Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o Conselho de Administração, que hoje conta com 8 conselheiros, e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado, contribuindo com sua expertise para a estratégia do negócio.

A entrada da gestora havia sido acertada em março, quando os grupos ligados aos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos celebraram um novo acordo de acionistas e assinaram um compromisso vinculante com a Advent. Pelo entendimento, o investidor se comprometeu a adquirir entre 8% e 10% do capital da Natura por meio de compras no mercado secundário, com preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.

Na época, a companhia estimou que a operação poderia movimentar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,34 bilhão. O acordo também deixou claro que a Advent não compraria ações diretamente dos fundadores ou dos demais integrantes dos blocos de controle de referência, mas ingressaria na empresa por meio da aquisição de papéis em circulação na bolsa.

Ao atingir a participação mínima prevista, a Advent passa a poder indicar dois membros adicionais para o conselho de administração da Natura e participar de determinados comitês de assessoramento da companhia. O investidor, no entanto, não possui direitos de veto nem obrigação de votar em bloco com os acionistas de referência, exceto em temas relacionados à composição da administração e de seus órgãos de assessoramento.

A entrada da Advent faz parte de uma ampla reorganização de governança anunciada pela Natura em março. Na ocasião, a empresa informou que os fundadores deixariam o conselho de administração após a assembleia de 2026 para integrar um novo conselho consultivo voltado à preservação dos valores e da cultura da companhia. O plano também prevê Alessandro Carlucci, ex-presidente-executivo da Natura, como novo presidente do conselho de administração, sucedendo Fábio Barbosa.

Segundo a companhia, as mudanças marcam o fim de um ciclo de simplificação societária e o início de uma nova etapa de crescimento, com foco na expansão dos negócios na América Latina.

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Pizza Hut muda de mãos globalmente por US$ 2,7 bilhões diante de vendas estagnadas

A Yum! Brands, dona das redes KFC, Taco Bell e Pizza Hut, anunciou nesta terça-feira (16) a venda da operação global da Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões, encerrando uma revisão estratégica iniciada no ano passado para encontrar alternativas para a rede de pizzarias, que vem perdendo espaço no mercado.

Pelos termos do acordo, a gestora de private equity LongRange Capital comprará as operações da Pizza Hut fora da China continental por US$ 1,5 bilhão, enquanto a Yum China Holdings adquirirá os negócios da marca no mercado chinês por cerca de US$ 1,2 bilhão. A expectativa é que as transações sejam concluídas no terceiro trimestre.

As ações da Yum chegaram a subir cerca de 1% nas negociações de pré-mercado nos Estados Unidos. Até o fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 2,2% em 2026, desempenho inferior ao avanço de aproximadamente 10% do índice S&P 500 no mesmo período.

A Yum controla a Pizza Hut desde 1997, quando foi desmembrada da PepsiCo. A PepsiCo havia adquirido a rede de pizzarias em 1977 e comprou a Taco Bell no ano seguinte.

No Brasil, a Pizza Hut também faz parte da operação global da Yum, mas é administrada por franqueados locais por meio da IMC (International Meal Company). A mudança não deva afetar o funcionamento das lojas ou o relacionamento com os franqueados no curto prazo.

Concorrência crescente

A venda ocorre após anos de tentativas de revitalizar o desempenho da Pizza Hut, conhecida por suas pizzas de massa grossa e bordas amanteigadas.

A rede enfrentou dificuldades para acompanhar as mudanças no setor de alimentação e a crescente concorrência, tanto dentro do mercado de pizzas quanto no segmento de restaurantes como um todo.

Segundo Neil Saunders, diretor da GlobalData, a Domino’s Pizza conquistou vantagens importantes em áreas como inovação de cardápio, marketing, tecnologia de pedidos e infraestrutura de entrega.

Além disso, a Pizza Hut perdeu atratividade entre consumidores que preferem comer nos restaurantes, em busca de ambientes mais modernos e opções de menu mais amplas.

Os números refletem essa perda de relevância. A participação da Pizza Hut na receita da Yum! caiu todos os anos desde 2019, passando de mais de 18% para cerca de 12% em 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Enquanto as vendas da Pizza Hut permaneceram pouco acima de US$ 1 bilhão ao longo dos últimos anos, a receita total da Yum! cresceu cerca de 47% no período, alcançando US$ 8,2 bilhões em 2025.

Recompra de ações

A companhia informou que espera levantar cerca de US$ 2,3 bilhões líquidos com a operação. Parte desses recursos deverá ser destinada aos acionistas: o conselho de administração aprovou uma autorização adicional de US$ 4 bilhões para recompra de ações.

A venda marca o fim de quase cinco décadas da Pizza Hut sob o guarda-chuva corporativo iniciado pela PepsiCo e representa uma das maiores mudanças estratégicas da Yum desde sua separação da gigante de bebidas e alimentos.

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