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Guerra de lances pela Warner impulsiona corrida por empréstimos em Wall Street

Em menos de uma semana, a guerra de lances pela Warner Bros. Discovery gerou dois empréstimos multibilionários que estão entre os maiores da última década.

O mais recente veio da Paramount, que alinhou até US$ 54 bilhões em financiamento com os maiores bancos de Wall Street para apoiar sua oferta hostil de US$ 108 bilhões pela Warner Bros., apenas dias depois de a empresa ter fechado um acordo com a Netflix.

Empréstimos desse tamanho têm sido raros nos últimos anos, em meio a uma atividade de aquisições mais contida. Mas isso mudou recentemente, impulsionado por um frenesi para financiar a construção de data centers na corrida pela expansão da inteligência artificial, além de um aumento em fusões e aquisições.

Bank of America, Citigroup e Apollo Global Management fornecem o financiamento à Paramount, segundo comunicado de segunda-feira. Cada um dos três assinou cerca de US$ 18 bilhões, ou um terço do compromisso total, de acordo com registro oficial.

Na semana passada, a Netflix havia alinhado US$ 59 bilhões em financiamento não garantido com Wells Fargo, BNP Paribas e HSBC, em outro empréstimo ponte para sua própria oferta por parte da Warner Bros. Esses empréstimos ponte, um tipo de crédito normalmente substituído por financiamento permanente como títulos, são cruciais para os bancos estabelecerem relacionamento com empresas e conquistarem mandatos mais lucrativos no futuro.

A oferta da Paramount, de US$ 30 por ação em dinheiro, vem depois de a Netflix concordar em comprar a Warner Bros. por US$ 27,75 em dinheiro e ações, em um acordo de US$ 72 bilhões. A oferta da Paramount é pela totalidade da Warner Bros., enquanto a Netflix se interessa apenas pelos estúdios de Hollywood e pelo negócio de streaming. A Paramount — apoiada por Larry Ellison, um dos homens mais ricos do mundo — afirmou que sua proposta dá aos acionistas US$ 18 bilhões a mais em dinheiro do que a oferta da Netflix.

A família Ellison e a RedBird Capital Partners estão garantindo o financiamento de capital de US$ 40,7 bilhões para a oferta da Paramount. Affinity Partners, firma de private equity fundada por Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, o Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita, a L’imad Holding Company PJSC de Abu Dhabi e a Qatar Investment Authority também são parceiros no financiamento. A Tencent Holdings Ltd., da China, que inicialmente havia se comprometido com US$ 1 bilhão, não está mais envolvida, segundo o registro oficial.

Jogo de ratings

Embora expressivos, os financiamentos da Netflix e da Paramount não chegam aos US$ 75 bilhões obtidos pela Anheuser-Busch InBev SA para adquirir a SABMiller Plc em 2015, que foi o maior empréstimo ponte da história, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Mesmo assim, Wall Street busca taxas lucrativas ligadas à tão aguardada retomada em aquisições. Um ou um pequeno grupo de bancos normalmente fornece o empréstimo ponte inicial e depois traz outros bancos para diluir o risco, após o anúncio público da aquisição. Com o tempo, esses empréstimos são substituídos por títulos vendidos a investidores institucionais.

Uma diferença chave no empréstimo ponte da Paramount é que ele será garantido pelos ativos da empresa. O empréstimo da Netflix não tem garantias específicas, provavelmente devido às diferentes classificações de crédito de cada empresa.

A Netflix, com rating de investimento, deve substituir seu empréstimo ponte por até US$ 25 bilhões em títulos, além de US$ 20 bilhões em empréstimos a prazo com saque diferido e uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões, normalmente mantidos pelos bancos. A Paramount possui ratings mais baixos: BB+ pela S&P Global Ratings, um nível abaixo de investimento, e BBB- pela Fitch Ratings, quase junk.

O mercado de alta qualidade normalmente tem um pool de investidores mais profundo, oferece financiamento mais barato e absorveria mais facilmente um empréstimo desse tamanho.

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Bancos centrais estão mudando a taxa de juros pelo mundo e tem gente ganhando dinheiro com isso

Operadores macro de Wall Street caminham para o seu melhor ano desde 2009, à medida que clientes correram para apostar em mudanças nas políticas de juros dos bancos centrais ao redor do mundo.
Bancos como o Goldman Sachs, JPMorgan e Citigroup devem gerar US$ 165 bilhões em receita com negociações de renda fixa, crédito e commodities neste ano, alta de 10% em relação a 2024, de acordo com dados da Crisil Coalition Greenwich.

Os ajustes nas taxas de juros pelos bancos centrais globais, a incerteza em torno das tarifas, as preocupações com os crescentes déficits fiscais e a inclinação acentuada da curva de yields têm impulsionado o volume de comissões para operadores de juros, em particular. No segmento de juros do G10, a receita deverá atingir o maior patamar em cinco anos, de US$ 40 bilhões.

A Coalition Greenwich prevê um ganho semelhante em 2026, quando a receita do setor é esperada para ser apenas 2% menor, atingindo US$ 162 bilhões.

“Os juros dos bancos centrais estão normalizando as taxas de política monetária e seus balanços, mas o que não se normalizou foi o enorme montante de emissões”, disse em entrevista Nikhil Choraria, chefe de negociação de produtos de juros europeus do Goldman Sachs. “A maioria destas condições veio para ficar. Não há razão para que o tipo de níveis de atividade que vimos não possa se repetir em 2026.

Há a expectativa de que operadores macro em mercados emergentes obtenham o maior ganho em pelo menos duas décadas, com US$ 35 bilhões. Operadores de crédito devem faturar US$ 26 bilhões, e os de commodities, US$ 11 bilhões.

No entanto, alguns operadores que esperam bônus exorbitantes correm o risco de se decepcionar, de acordo com Michael Karp, CEO da empresa de recrutamento Options Group.

Haverá um descompasso entre “expectativas e realidade” para operadores de juros, disse Karp. A remuneração total para o FICC [segmento de renda fixa, câmbio e commodities] neste ano provavelmente será de alta de cerca de 3% em média, segundo relatório da empresa, que prevê um aumento de 7% para juros, 5% para mercados emergentes e 4% para câmbio.

“Obviamente, haverá superestrelas que eles terão que pagar, mas não serão 10 superestrelas”, afirmou Karp. “Haverá um ou dois caras em swaps, títulos de dívida e volatilidade, e só.”

Já os pagamentos para operadores de ações devem ser 14% mais altos do que no ano passado, segundo apurou a empresa de Karp. Isso porque é esperado que as mesas de ações registrem o melhor ano em termos de receita em pelo menos duas décadas, após os clientes terem investido em massa em papéis de inteligência artificial nos últimos meses.

O negócio de juros da Nomura Holdings se beneficiou da alta das taxas de juros do Banco do Japão neste ano, mesmo quando o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu cortaram os juros. A maior corretora do Japão agora busca ajudar clientes na Ásia a investir com mais facilidade nos mercados de juros europeus e dos EUA, além de apoiar investimentos em data centers por meio de proteção com derivativos de juros, de acordo com Moritz Westhoff, chefe do negócio de juros dos EUA do banco.

“Com todos os investimentos em infraestrutura e inteligência artificial, quanto disso poderia ser protegido contra variações de juros ao longo do tempo?”, questionou. “Tendem a ser investimentos muito grandes e que precisam ser financiados.”

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Lucros sólidos devem impulsionar ações dos EUA em 2026

Os robustos resultados corporativos impulsionarão o rali das ações dos Estados Unidos em 2026, uma vez que os riscos em torno de uma perspectiva incerta para os juros se mostrarão de curta duração, de acordo com alguns estrategistas de Wall Street.

Michael Wilson, do Morgan Stanley, disse que existiam “sinais claros” de que uma recuperação dos lucros estava em curso e que as empresas americanas desfrutavam de maior poder de precificação. Ele também apontou para um ponto mínimo nas revisões de lucros, que é o número de analistas que revisam para baixo as estimativas em comparação com o número de elevações das revisões.

“Embora as incertezas decorrentes do guidance do Federal Reserve e da paralisação do governo tenham afetado a recente movimentação dos preços, esses são ventos contrários temporários no caminho para um sólido 2026, impulsionado pelo crescimento dos lucros”, escreveu Wilson em nota.

O estrategista permaneceu entre as vozes mais otimistas neste ano, mesmo com a volatilidade das ações devido à elevação das tensões comerciais dos Estados Unidos e, mais recentemente, à paralisação prolongada do governo. Um tom cauteloso do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre as taxas de juros também havia prejudicado o sentimento.

No entanto, os futuros de ações dos EUA subiram nesta segunda-feira, enquanto o Senado deu um passo importante para reabrir o governo. Enquanto isso, a temporada de balanços tem sido muito mais forte do que o esperado. As empresas do S&P 500 registram um salto de quase 15% nos lucros do terceiro trimestre, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

O S&P 500 acumula alta de 14% em 2025, e registra o terceiro ano consecutivo de ganhos.

Um índice do Citigroup mostrou que, desde meados de outubro, mais analistas ampliaram do reduziram suas estimativas. O foco agora se volta para os resultados da Nvidia, que devem ser divulgados na próxima semana e poderão oferecer pistas sobre as tendências na área da inteligência artificial.

Estrategistas do UBS Group dizem que esperam que as empresas de tecnologia voltem a impulsionar a maior parte do crescimento dos lucros americanos no próximo ano. No geral, eles preveem que o S&P 500 atingirá um recorde de 7.500 pontos até o final de 2026, o que implica ganhos de mais de 11% em relação aos níveis atuais.

Na Oppenheimer Asset Management, o estrategista John Stoltzfus disse que era muito cedo para “desistir” dos fabricantes de chips e das perspectivas para a IA.

“O enfraquecimento dos preços das ações, refletido nos principais índices atualmente parece mais um ‘haircut’ e um ‘ajuste’ do que o início de um período mais sério de declínio”, acrescentou Stoltzfus.

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