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Entre uma crise após a outra, Gafisa vende hotel e shoppings no Rio

Em meio a uma crise de liquidez e uma governança turbulenta, a construtora Gafisa fechou a venda três dos ativos mais conhecidos de seu portfólio no Rio de Janeiro: o Hotel Praia Ipanema, o Fashion Mall e o Shopping Jardim Guadalupe. O valor do negócio não foi divulgado.

Os ativos vendidos passarão a ser controlados pela Glória Participações, dos empresários Raphael Galhano e Daniel Pierro, conforme noticiou o portal Metro Quadrado. Segundo a reportagem, o plano inclui reposicionar o Praia Ipanema, fechado desde 2023, como hotel de luxo sob nova bandeira, e erguer torres residenciais sobre a estrutura do Fashion Mall, que segue operando como shopping.

De acordo com dados mais recentes, referentes ao primeiro trimestre deste ano, a Gafisa tem R$ 1,32 bilhão em dívida líquida, sendo que R$ 672 milhões vencem até dezembro. Por isso, a construtora vem buscando alternativas para melhorar sua estrutura de capital.

A alavancagem da construtora, medida pela dívida líquida sobre patrimônio líquido, saiu de 57,7% no quarto trimestre de 2024 para 86% no primeiro trimestre de 2026. Na comparação anual, as vendas brutas do primeiro trimestre de 2026 caíram 88% frente ao mesmo período de 2025.

É a segunda rodada de venda de ativos da Gafisa em menos de um ano: no primeiro trimestre, a companhia já havia vendido o Sense Icaraí, em Niterói, sob a mesma justificativa de reduzir passivos e concentrar o portfólio em alto padrão.

Em declarações recente, o comando da Gafisa defende que a alavancagem deve cair à medida que os projetos em construção forem entregues e repassados a financiamento bancário. Em teleconferência recente, o CEO Luis Fernando Ortiz afirmou esperar um corte de 48% na dívida total até o fim do ano.

Crise atrás de crise

A venda ocorre dias depois de a Gafisa viver mais uma crise entre acionistas. Em assembleia geral extraordinária de acionistas realizada na última quinta-feira (16), um grupo de minoritários tentou ampliar o conselho de administração de três para cinco membros e destituir todo o conselho fiscal, mas as duas propostas foram rejeitadas. Esse grupo questiona um aumento de capital promovido recentemente pela empresa.

O episódio é mais um capítulo de uma governança turbulenta que remonta a 2018, quando o fundo sul-coreano GWI, do investidor Mu Hak You, tomou o controle da Gafisa em uma disputa hostil, destituiu o conselho e assumiu a gestão da companhia. 

O período é lembrado como desastroso: a nova diretoria demitiu metade do quadro de funcionários e chegou a desconhecer práticas contábeis básicas do setor imobiliário, segundo relatos da época. A posição da GWI, montada de forma alavancada, ruiu em fevereiro de 2019, e parte das ações do fundo foi a leilão na B3. 

Foi nesse vácuo que o empresário Nelson Tanure emergiu como acionista de referência da companhia, entrando no conselho de administração em abril daquele ano, junto a fundos da MAM Asset, a gestora do Banco Master.

Tanure deixou o conselho formalmente em 2023 e hoje teria uma participação pequena no negócio. Hoje, as maiores posições acionárias são de fundos das gestoras GERF e Ravello, com quase 40% das ações. 

A presidência do conselho é de Eduardo Larangeira Jácome, executivo com passagem pelo board da Prio, um dos principais investimentos de Tanure na última década. 

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