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CSN fecha novo empréstimo de até US$ 1,4 bilhão e avança em plano para alongar dívidas

A CSN avançou na tentativa de reorganizar seu passivo. A siderúrgica informou nesta sexta-feira, 20, que assinou uma carta-compromisso vinculante com um grupo de bancos para estruturar um novo empréstimo sindicalizado de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão.

A companhia busca levantar recursos para trocar dívidas mais curtas por uma obrigação com prazo mais longo, num movimento de reperfilamento do endividamento. Ao fim de 2025, o grupo de Benjamin Steinbruch tinha dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda).

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Desses mais de R$ 40 bilhões, R$ 9,4 bilhões vencem o ao longo deste ano, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão que vence já no final de abril. Segundo o fato relevante, o novo financiamento terá vencimento em cinco anos e juros iniciais de SOFR mais 6% ao ano.

O contrato está sendo estruturado com grandes bancos internacionais e locais, entre eles Morgan Stanley, Citi, Credit Agricole, HSBC, XP, BNP Paribas, Banco do Brasil e Bradesco. A tomadora do empréstimo será a CSN Inova Ventures, com garantias da própria CSN e da CSN Cimentos.

O empréstimo faz parte de uma estratégia mais ampla anunciada pela empresa em janeiro, quando o grupo anunciou um plano para levantar até R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos e, assim, domar — “de uma vez por todas” — a relação pouco equilibrada entre dívida líquida e Ebitda de seu principal negócio.

“Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Steinbruch em teleconferência com analistas ao explicar o plano de desalavancagem.

Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN
Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN (Ilustração: João Brito)

Agora, a empresa tenta antecipar parte do dinheiro que espera levantar com esses desinvestimentos. Segundo a CSN, o novo crédito deve ajudar a aliviar vencimentos de curto e médio prazo e poderá ser garantido, em parte, por ativos que já estão no radar para venda.

A meta da empresa é chegar ao fim de 2026 com uma alavancagem entre 2 vezes e 1,8 vez, considerando também ganhos operacionais. Em um horizonte mais longo, de oito anos, o objetivo da CSN é atingir a relação de 1 vez dívida líquida/Ebitda.

Para isso, a CSN planeja vender o controle da CSN Cimentos e quer negociar uma participação minoritária, mas relevante, na unidade de Infraestrutura. A expectativa de assinatura de acordos vinculantes entre o terceiro e o quarto trimestres para esses ativos.

Nesta sexta-feira, a Bloomberg apontou que a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, negocia a compra do controle do negócio de cimentos e estaria também interessada numa fatia da CSN Mineração. No fim de 2024, o conglomerado de Steinbruch vendeu 9,26% da CSN Mineração para o grupo japonês Itochu, que pagou cerca de R$ 4,4 bilhões pela fatia.

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Joesley Batista negocia compra da unidade da CSN Cimentos

O empresário brasileiro Joesley Batista está negociando a aquisição da unidade de cimento do conglomerado CSN, de Benjamin Steinbruch, que enfrenta dificuldades, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Batista está negociando diretamente com Steinbruch, acionista controlador e CEO da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), como a empresa é formalmente conhecida. Steinbruch tem enfrentado crescente pressão de credores para vender ativos. As ações da CSN reduziram perdas após a reportagem da Bloomberg.

Batista, por meio da J&F S.A., veículo de investimentos de sua família, também manifestou interesse na unidade de mineração da CSN, uma das mais sólidas do grupo, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas. No ano passado, a unidade produziu 45,5 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade.

A J&F não comentou. A CSN não respondeu a pedidos de comentário. As ações da CSN caíam 1,2%, a R$ 6,02, às 12h12 em São Paulo, após terem recuado até 4,1% anteriormente.

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Votorantim e Huaxin estão interessadas na unidade de cimento da CSN

A Votorantim e a Huaxin Cement estão entre as empresas em negociações para adquirir a unidade de cimento da CSN, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O preço de compra pode chegar a US$ 3 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. A CSN está trabalhando com o Morgan Stanley na venda, informou a empresa na quinta-feira.

O negócio está em estágios iniciais e pode acabar não acontecendo, disseram as pessoas. 

A Votorantim e sua unidade de cimento não quiseram comentar. A CSN e a Huaxin não responderam a pedidos de comentários.  

A Cia. Siderúrgica Nacional, como a empresa é formalmente conhecida, está sob pressão financeira, já que sua dívida líquida aumentou 11%, para R$ 41,2 bilhões durante o quarto trimestre, elevando o índice de alavancagem líquida da empresa para 3,47 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). 

O aumento foi um “evento pontual”, disse o presidente Benjamin Steinbruch a investidores e analistas durante uma teleconferência na quinta-feira. 

A empresa, controlada pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa em seu braço de infraestrutura e logística, bem como o controle de seu negócio de cimento. O objetivo é fechar os negócios no terceiro trimestre, visando arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, quase metade do endividamento líquido atual.

A CSN pretende usar ações de sua unidade de cimento como garantia para um empréstimo, disse o diretor financeiro Marco Rabello em uma teleconferência com investidores. Embora ele não tenha especificado o valor do empréstimo, ele mencionou reportagens que algo na faixa de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão.

Para obter a aprovação do Cade, a Votorantim precisaria formar um consórcio com outras empresas, no qual a Votorantim manteria alguns ativos onde tem menor presença de mercado, enquanto parceiros deteriam participações em negócios onde a Votorantim tem presença significativa, disse uma das pessoas. A Huaxin provavelmente não seria parte desse consórcio, disse a pessoa. 

A gigante chinesa Huaxin Cement entrou no mercado brasileiro no final de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo, focadas na produção de agregados para construção civil.

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Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

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Com dívida a vencer, CSN vai atrás de empréstimo de US$ 1,5 bilhão

A CSN planeja captar até US$ 1,5 bilhão por meio de um empréstimo com garantias para pagar títulos que estão vencendo e melhorar seu perfil de alavacangem, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Ações de subsidiárias da holding, incluindo a unidade de cimento, serão usadas como garantia, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o plano é privado. Morgan Stanley, Citigroup, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos que participariam da operação, segundo algumas das pessoas.

A CSN, o BNP, o Deutsche e o Citi não quiseram comentar. HSBC e Morgan Stanley não responderam aos pedidos de comentários.

A Companhia Siderúrgica Nacional, nome formal do conglomerado, afirmou no mês passado que planeja se desfazer de ativos-chave para reduzir seu elevado endividamento, conforme as altas taxas de juros apertam o financiamento e pesam sobre os investimentos.

A empresa discute há anos ofertas públicas iniciais de ações como uma opção para desalavancagem e já anunciou vendas de ativos que não se concretizaram. Mas, desta vez, a companhia estabeleceu uma meta concreta de reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões — cerca de metade — de sua dívida a partir deste ano.

O grupo, controlado pela bilionária família Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação relevante na CSN Infraestrutura — que possui portos, ferrovias e uma empresa de logística — além do controle da unidade de cimento, segundo a companhia. A CSN, que pretende assinar acordos no segundo semestre deste ano, afirmou também que busca um parceiro estratégico para ajudar a modernizar a operação de aço, o negócio original do conglomerado.

O Morgan Stanley está trabalhando com a CSN na venda da empresa de cimento, enquanto o Citi e o Bradesco conduzem a venda do negócio de infraestrutura, segundo outras pessoas familiarizadas com o assunto.

O Bradesco não quis comentar.

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Venda de ações da CSN na MRS pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

A CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões, de acordo com o balanço mais recente da companhia.

A transação em curso tem potencial de aliviar a estrutura de capital da principal empresa de Benjamin Steinbruch. Ao vender suas ações para a subsidiária, a CSN receberia recursos diretamente da CSN Mineração, que encerrou o terceiro trimestre com cerca de R$ 16 bilhões em liquidez.

Já a CSN encerrou o período com fluxo de caixa operacional negativo — ou seja, suas atividades do dia a dia consumiram recursos em vez de gerar — e mantém como prioridade reduzir a alavancagem para perto de 3 vezes o Ebitda.

Atualmente, a dívida líquida consolidada do grupo é de R$ 37,5 bilhões, com alavancagem de 3,14 vezes o Ebitda. A companhia, porém, não detalha ao mercado os parâmetros de seus covenants, limitando-se nos documentos públicos mais recentes a afirmar que está “adimplente”.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a CSN diz apenas que está em negociações com a CSN Mineração, mas que a quantidade e o preço das ações não foram determinados. 

Infraestrutura

Ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a CSN afirma que a aquisição funcionaria como uma simplificação societária: concentrar a participação logística na CSN Mineração, que depende da MRS para escoar o minério produzido no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o terminal marítimo de Itaguaí (RJ).

A transação também se conecta ao plano anunciado pela CSN de criar a CSN Infraestrutura, empresa que vai concentrar participação na MRS, terminais portuários e ativos rodoviários e ferroviários do grupo. 

A nova companhia, prevista para ser estruturada nos próximos meses, deve servir como um veículo para que a CSN consiga levantar “alguns bilhões” ao longo de 2026, de acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, em teleconferência recente com analistas.

Ferrovia das mineradoras

A MRS é um dos ativos logísticos mais estratégicos do país. A concessionária opera cerca de 1.700 km de linhas ferroviárias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, formando o chamado “corredor Sudeste” – rota crucial para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.

O capital da MRS é concentrado nas principais companhias do setor: a Vale controla cerca de 44% do capital; o grupo CSN/CSN Mineração detém aproximadamente 38%; Usiminas, 11%; e Gerdau, 6%.

Procurada pelo InvestNews, a CSN não comentou.

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Cade multa CSN em R$ 128 milhões por descumprir acordo sobre participação na Usiminas

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) multou nesta quarta-feira (22) a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em R$ 128 milhões por descumprimento de um acordo firmado em 2014, que obrigava o grupo de Benjamin Steinbruch a reduzir sua participação na Usiminas para menos de 5%.

O caso remonta a 2011, quando a CSN iniciou a compra de ações da rival mineira, movimento que desencadeou uma das maiores disputas societárias da história recente da siderurgia brasileira. A ofensiva colocou Steinbruch em rota de colisão com o bloco de controle da Usiminas, formado pela Ternium (do grupo ítalo-argentino Techint) e pela Nippon Steel.

Em 2014, após anos de embates em assembleias e tribunais, o Cade aprovou a compra de ações da Usiminas pela CSN sob a condição de que a empresa de Steinbruch mantivesse uma participação menor que 5%. A decisão, no entanto, nunca foi integralmente cumprida, o que levou à aplicação da multa agora confirmada pela autarquia.

Em agosto deste ano, mais de uma década após a decisão original, a CSN anunciou ter finalmente reduzido sua fatia na Usiminas para 4,99%, conforme o limite imposto pelo Cade.

A redução ocorreu em meio à pressão crescente do Judiciário e do próprio Cade, que chegou a intimar conselheiros da autarquia e a advertir a CSN sobre possível responsabilização criminal por descumprimento.

Após a ofensiva do judiciário, a companhia vendeu R$ 263 milhões em ações para a Globe Investimentos, veículo patrimonial da família Batista, controladora da J&F. Na sequência, negociou o restante para um fundo de investimento gerido pela Reag.

Procurada, a CSN não respondeu.

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