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Alemanha adota formatos abertos do ODF; LibreOffice comemora

Notebook com o editor de texto Writer aberto e a frase "Open Document Format" escrita
Editor de texto Writer, do LibreOffice, que adota o ODF (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Resumo
  • Alemanha tornou Open Document Format (ODF) obrigatório na administração pública como parte da iniciativa Deutschland-Stack;
  • responsável pelo LibreOffice, que adota o ODF como padrão, The Document Foundation defendeu a decisão;
  • ODF inclui formatos como .odt, .ods e .odp, sendo mantido pela OASIS e reconhecido pela ISO.

Nesta semana, os formatos de documentos do padrão aberto Open Document Format (ODF) passaram a ser de uso obrigatório na administração pública da Alemanha. A The Document Foundation (TDF), organização por trás do pacote de escritório LibreOffice, celebrou a decisão.

Sendo mais preciso, o ODF tornou-se oficial na Deutschland-Stack, iniciativa do governo alemão que estabelece uma infraestrutura digital para o país, servindo de base principalmente para o setor público ou serviços digitais oferecidos a cidadãos e organizações.

Na prática, isso significa que repartições públicas alemãs de todos os níveis deverão usar os formatos do ODF para garantir a interoperabilidade e a efetividade de comunicação por documentos digitais. O padrão PDF/UA (um tipo de PDF com acessibilidade universal, suportado por leitores de tela, por exemplo) também deverá ser adotado.

The Document Foudantion celebra adoção do ODF

A TDF é uma das organizações que mais defendem o uso do ODF, até porque esse conjunto de formatos é padrão na suíte aberta de escritório LibreOffice, desenvolvida pela organização.

Embora o pacote seja compatível com outros formatos, incluindo os do Microsoft 365/Office, o Open Document Format é adotado como padrão no LibreOffice por ser aberto e bem estruturado. Isso permite a sua implementação em qualquer software, não causa problemas graves de compatibilidade e não onera indivíduos ou organizações com custos de licenciamento.

O ODF também evita a dependência de padrões proprietários ou tecnicamente complexos. Nesse sentido, a TDF criticou recentemente a Microsoft por conta da complexidade do OOXML, que torna difícil a compatibilidade total do LibreOffice com formatos como DOCX (Word), XLSX (Excel) e PPTX (PowerPoint).

Não surpreende, portanto, que a TDF tenha apoiado a estratégia da Deutschland-Stack:

A decisão da Alemanha de ancorar o ODF no centro de sua infraestrutura nacional soberana confirma o que temos defendido há anos: formatos de documentos abertos e independentes de fornecedores não são uma preocupação de nicho para alguns especialistas em tecnologia e defensores do FOSS [Free and Open Source Software]. Eles são uma infraestrutura fundamental para administrações públicas democráticas, interoperáveis e soberanas.

Florian Effenberger, diretor executivo da The Document Foundation

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows
Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

O que é ODF?

Como já dito, o Open Document Format é um conjunto de formatos para documentos, o que inclui textos, planilhas, apresentações e afins. O padrão é mantido pela organização sem fins lucrativos OASIS e reconhecido pela ISO (organização internacional para normas técnicas).

Os principais formatos do ODF são estes:

  • .odt: documentos de texto
  • .ods: planilhas
  • .odp: apresentações de slides
  • .odg: desenhos ou formas vetoriais
  • .odf: fórmulas matemáticas
  • .odb: banco de dados

Alemanha adota formatos abertos do ODF; LibreOffice comemora

Editor de texto Writer, do LibreOffice, que adota o ODF (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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LibreOffice critica União Europeia por usar Excel em consulta pública

Papel de parede exibindo os ícones das ferramentas do LibreOffice
Organização cobra o fim da dependência de formatos proprietários (imagem: reprodução/The Document Foundation)
Resumo
  • Document Foundation criticou a Comissão Europeia por usar Excel em uma consulta pública, contrariando diretrizes de padrões abertos.
  • Segundo a carta aberta da instituição, a exigência de formato .xlsx dificulta a compatibilidade com software livre, como o LibreOffice.
  • A fundação sugere oferecer formulários em formato .ods e adotar soluções mais acessíveis, como formulários web.

A Document Foundation, organização responsável pelo pacote de produtividade de código aberto LibreOffice, enviou um recado à Comissão Europeia nessa quinta-feira (05/03). Por meio de uma carta aberta, a entidade criticou o órgão governamental por disponibilizar um formulário de consulta pública exclusivamente no formato Microsoft Excel (.xlsx).

Para a fundação, a exigência de um arquivo proprietário para receber respostas da sociedade vai contra as próprias diretrizes de soberania digital e adoção de padrões abertos que a União Europeia tem defendido nos últimos tempos.

Por que a exigência gerou controvérsia?

A Comissão Europeia vem construindo um histórico de defesa da neutralidade tecnológica, ressaltando a necessidade de reduzir a dependência das grandes empresas de tecnologia estrangeiras. Documentos oficiais do bloco, inclusive, recomendam utilizar formatos abertos na prestação de serviços digitais pelo setor público.

No entanto, a Document Foundation argumenta que, ao exigir que cidadãos e organizações enviem feedback preenchendo obrigatoriamente uma planilha vinculada com a extensão .xlsx, a instituição força a adoção de um padrão controlado pela Microsoft. Segundo a nota oficial, o cenário é agravado por questões técnicas.

Embora o formato base do Excel, conhecido como OOXML (ISO/IEC 29500), tenha sido aprovado como um padrão no passado, a implementação real realizada pela Microsoft quase nunca segue as especificações à risca.

Na prática, isso pode destruir a compatibilidade do arquivo. Tentar abrir, preencher e salvar o documento oficial europeu utilizando o LibreOffice Calc, por exemplo, pode resultar em falhas de formatação e perda de dados.

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows
Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Document Foundation cobra neutralidade

Para a fundação que mantém o LibreOffice, o caso ultrapassa a classificação de uma simples falha processual ou administrativa e prejudica indivíduos, organizações não governamentais e administrações públicas que já fizeram a transição para fluxos de trabalho baseados em código aberto.

A ironia é que a consulta pública tratava justamente da Lei de Ciber‑Resiliência da União Europeia, proposta criada para reduzir riscos ligados à dependência tecnológica.

A solução técnica cobrada pela criadora do LibreOffice é que todos os formulários e modelos de feedback das consultas públicas passem a ser distribuídos sob neutralidade de formato. Se o órgão governamental deseja manter o modelo .xlsx, deve obrigatoriamente fornecer, em paralelo, uma versão em .ods (planilha ODF), um padrão internacional padronizado pela ISO, livre de royalties e sem um proprietário corporativo, garantindo acesso universal e sem custos.

A longo prazo, a fundação sugere que a União Europeia abandone a dependência de arquivos de planilhas para esse tipo de tarefa. Um formulário direto na web ou documentos em texto simples seriam soluções mais eficientes, eliminando a barreira de instalação de um software local. Para pressionar o órgão, a Document Foundation convocou a comunidade de software livre a enviar e-mails de protesto e mensagens de apoio pelos canais oficiais de contato da UE.

LibreOffice critica União Europeia por usar Excel em consulta pública

Desenvolvedor do LibreOffice tem conta bloqueada pela Microsoft (imagem ilustrativa: reprodução/The Document Foundation)

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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LibreOffice critica Microsoft por complicar formatos do Office

Representação gráfica dos novos logos do pacote Office
Ícones dos aplicativos do Office/Microsoft 365 (imagem: divulgação/Microsoft)
Resumo
  • The Document Foundation critica Microsoft por dificultar implementação do OOXML, que possui especificações complexas e documentação extensa;
  • Entidade também afirma que OOXML depende de elementos proprietários e componentes específicos do Windows, dificultando implementações alternativas;
  • Segundo a The Document Foundation, o OOXML não pode ser considerado, de fato, um padrão.

Desenvolver um pacote de produtividade não é tarefa fácil, pois vários softwares complexos fazem parte do projeto. Mas os desenvolvedores do LibreOffice têm um desafio adicional: oferecer suporte aos formatos do Office. Não por acaso, a The Document Foundation voltou a criticar a Microsoft por dificultar esse trabalho.

The Document Foundation é o nome da organização responsável pelo LibreOffice. Aliás, a versão 26.2 do LibreOffice foi lançada na semana passada, trazendo, entre várias novidades, suporte melhorado a formatos do Office.

Soa repetitivo, pois toda nova versão do pacote traz anúncios relacionados ao Office. Mas não poderia ser diferente: os desenvolvedores do projeto se esforçam para fazer arquivos do Office serem tratados corretamente no LibreOffice, mas não recebem nenhum apoio da Microsoft para isso.

Na verdade, a The Document Foundation não espera um apoio direto, mas que a Microsoft torne o OOXML (Office Open XML) uma especificação realmente aberta e que segue boas práticas de desenvolvimento. Isso permitiria uma compatibilidade real com suítes de terceiros.

O que há de errado no OOXML?

O OOXML é mantido pela Microsoft como um padrão de formatos de arquivos que é implementado principalmente nos softwares do Office. É de lá que surgem formatos como DOCX (Word), XLSX (Excel) e PPTX (PowerPoint).

Apesar de ser descrito como um padrão aberto (observe a palavra “Open” no nome completo), o OOXML nem sempre é visto como tal, pois tem uma série de limitações. As mais importantes foram citadas na crítica publicada recentemente pela The Document Foundation.

No texto, a organização afirma que o OOXML tem especificações muito complexas, com a sua documentação envolvendo cerca de 7.000 páginas, o que dificulta a sua implementação por terceiros.

Além disso, o texto aponta que os aplicativos do Microsoft Office não implementam os formatos seguindo a versão padronizada da documentação (ISO/IEC 29500 Strict), mas uma variação “Transicional” que adiciona suporte a formatos legados, trazendo o efeito de dificultar o trabalho com arquivos resultantes em suítes alternativas.

Também há críticas sobre o OOXML ter dependência de elementos proprietários ou não documentados de versões antigas do Office (dos quais somente a Microsoft compreende), bem como de componentes específicos do Windows, que dificultam ou até impossibilitam implementações multiplataforma.

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows
Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Diante desses e de outros pontos observados no texto, a The Document Foundation não considera o OOXML, de fato, um formato padronizado:

Infelizmente, continuo lendo sobre defensores do software de código aberto que alegremente usam os formatos proprietários da Microsoft, DOCX, XLSX e PPTX, para seus documentos e, assim, preferem softwares proprietários como o OnlyOffice ao LibreOffice. Outros escrevem coisas absurdas como: “OOXML é um formato padrão e temos que aceitá-lo”.

Gostaria, portanto, de aproveitar a oportunidade para esclarecer, de uma vez por todas, por que OOXML nunca foi, não é e nunca será um formato padrão, a menos que a Microsoft decida redesenhar completamente os aplicativos do Office.

Italo Vignoli, da The Document Foundation e LibreOffice

Vale lembrar que não é a primeira vez que a The Document Foundation faz críticas diretas à companhia. Em julho de 2025, a entidade acusou a Microsoft de aplicar táticas questionáveis para “prender” usuários no Office.

Apesar das críticas, não há nada sugerindo que a Microsoft irá promover mudanças no OOXML.

LibreOffice critica Microsoft por complicar formatos do Office

(imagem: divulgação/Microsoft)

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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LibreOffice 26.2: rival do MS Office chega com mais desempenho e recursos

Capa com os dizeres "LibreOffice 26.2"
LibreOffice 26.2 já está disponível (imagem: divulgação/The Document Foundation)
Resumo
  • LibreOffice 26.2 chega com melhorias na compatibilidade do Writer com arquivos DOCX, da Microsoft;

  • Ferramenta de planilhas Calc e o editor de apresentações Impress receberam otimizações de desempenho, bem como pequenos novos recursos;

  • Pacote de escritório continua gratuito e aberto, e está disponível para os principais sistemas operacionais.

O pacote de escritório mais popular do universo do código aberto acaba de ser atualizado: o LibreOffice 26.2 chega aumentando a compatibilidade do Writer com o formato DOCX, melhorando a navegação entre planilhas no Calc, ampliando a capacidade de reprodução de mídia no Impress, e mais.

Florian Effenberger, da The Document Foundation (entidade responsável pelo projeto), afirma que “esta versão tem como foco a velocidade, a confiabilidade e dar às pessoas o controle sobre seus documentos”. O executivo vai além:

O LibreOffice 26.2 mostra o que acontece quando o software é desenvolvido em torno dos usuários, e não de modelos de negócio, e como o software de código aberto pode oferecer um pacote de produtividade moderno e refinado sem comprometer a liberdade do usuário.

Florian Effenberger, diretor executivo da The Document Foundation

Vamos às principais novidades, então.

O que há de novo no editor de textos Writer?

Falar em avanços de compatibilidade com o DOCX e outros formatos do Microsoft Office soa repetitivo, afinal, toda nova versão do LibreOffice tem essa proposta.

Mas não poderia ser diferente: os desenvolvedores da The Document Foundation se esforçam continuamente para fazer arquivos do Office serem tratados corretamente no LibreOffice, mas não recebem nenhum apoio da Microsoft para isso.

É um trabalho que avança aos poucos, portanto, mas que dá resultados. Nesse sentido, o editor de textos Writer melhora, no LibreOffice 26.2, a interoperabilidade com tabelas flutuantes, de modo que elas possam até ser divididas sem ficarem quebradas quando o documento é salvo no formato DOCX.

Writer no LibreOffice 26.2 para Windows
Writer no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Outros avanços do Writer incluem:

  • preservação da formatação original durante a revisão dos documentos, tanto em arquivos DOCX quanto em ODT (formato aberto para textos que é padrão no LibreOffice);
  • capacidade de inserir legendas automaticamente em imagens coladas (se essa função estiver ativada);
  • melhorias na importação ou exportação de documentos em Markdown, inclusive com uso de templates, ainda que essa função permaneça em desenvolvimento;
  • alinhamento de parágrafo que se ajusta automaticamente à direção do texto, recurso útil em documentos que misturam idiomas ocidentais e orientais, por exemplo.

E na ferramenta de planilhas Calc?

No Calc, agora é possível navegar mais rapidamente por planilhas que têm muitas colunas ocultas. Para completar, o desempenho da ferramenta melhorou na edição de planilhas que incluem muitas formas ou desenhos.

Ainda no aspecto do desempenho, as funções que removem dados duplicados e rejeitam alterações rastreadas foram otimizadas para lidar com grandes volumes de dados em menos tempo.

Além disso, o Calc agora suporta o padrão BIFF12 para recebimento de dados da área de transferência, o que elimina o limite de importação de grandes volumes de dados oriundos do Excel.

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows
Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Quais outras novidades se destacam no LibreOffice 26.2?

Há várias outras novidades. Entre elas, vale destacar:

  • Impress (ferramenta de apresentações) com interface mais responsiva, bem como com suporte aos codecs mais conhecidos para reprodução de áudio e vídeo (inclui suporte à plataforma Microsoft Media Foundation);
  • renderização otimizada de gráficos 3D;
  • exportação mais rápida de conteúdo em formato EPUB (para livros digitais);
  • agora é possível fazer captura de tela de caixas de diálogo diretamente para a área de transferência, o que é útil para tutoriais ou documentações, por exemplo;
  • várias interfaces das ferramentas do LibreOffice 26.2 foram migradas para mecanismos gráficos do próprio sistema operacional, melhorando aspectos como desempenho e harmonia visual;
  • suporte experimental a um novo modo de criptografia para ODF (OpenDocument Format) baseado em senhas.
Impress no LibreOffice 26.2 para Windows
Impress no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Como baixar e onde usar o LibreOffice 26.2?

O LibreOffice 26.2 pode ser baixado a partir do site oficial. Há versões para Windows, Linux e macOS. Esta última, porém, agora requer o macOS 11 ou superior.

Vale destacar que o pacote é gratuito, tem código-fonte aberto e está disponível em cerca de 120 idiomas, incluindo o português do Brasil e o de Portugal.

LibreOffice 26.2: rival do MS Office chega com mais desempenho e recursos

LibreOffice 26.2 já está disponível (imagem: divulgação/The Document Foundation)

Writer no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Impress no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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