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Emissoras e streamings pedem regulação de smart TVs na UE

Bandeiras da União Europeia
Empresas pedem que plataformas sejam submetidas à DMA (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)
Resumo
  • Empresas de mídia pressionam a União Europeia por regras mais duras contra sistemas de smart TVs e assistentes de voz.
  • O grupo afirma que empresas como Google, Amazon e Samsung já controlam o acesso ao conteúdo e dificultam a concorrência.
  • Proposta quer que Alexa, Siri e ChatGPT entrem na regulação.

Um grupo formado pelas maiores empresas de televisão e streaming na Europa está pressionando a União Europeia para aplicar as regras antitruste mais rígidas do bloco aos sistemas de smart TVs e assistentes de voz. O lobby, que inclui gigantes como Disney, Warner Bros. Discovery, Paramount+ e Sky, quer que softwares como Android TV (Google), Fire OS (Amazon) e Tizen (Samsung) sejam submetidos à Lei dos Mercados Digitais (DMA).

De acordo com apuração da Reuters, o grupo considera que as empresas de tecnologia passaram a controlar por onde o conteúdo audiovisual chega ao espectador europeu. Para o setor, essas plataformas já funcionam como gatekeepers do acesso, ditando o que milhões de pessoas podem assistir.

Em vigor desde o início de 2024, o DMA é a principal ferramenta antitruste da UE para frear o monopólio das big techs dentro dos países do bloco. A lei as proíbe de favorecer os próprios serviços em detrimento de rivais, além de obrigá-las a abrir seus ecossistemas para garantir a livre escolha do consumidor. É nesse enquadramento que as emissoras querem que as plataformas estejam.

Associação pressiona UE por medidas rígidas

Tela de smart TV de 55 polegadas exibindo menu inicial com opções de apps como Netflix, Prime Video, Disney+, YouTube e Apple TV. No centro da tela, texto em inglês: "Explore your favorite content quickly and easily" e abaixo, seleção de dramas em destaque. A TV está sobre suporte branco e há uma soundbar preta à frente. Ao lado, placa com texto "7 anos Atualização garantida Sistema Operacional Tizen".
Sistemas de televisões servem como gatekeepers, segundo associação (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

A frente é liderada pela Associação de Serviços de Televisão Comercial e Vídeo sob Demanda na Europa (ACT). Segundo a agência, em cartas enviadas à chefe antitruste da UE, Teresa Ribera, a entidade afirma que as big techs têm fortes incentivos para restringir a concorrência e fechar seus ecossistemas.

Para as redes de mídia, quem controla o sistema operacional da TV controla o acesso ao espectador. A ACT alerta que esse domínio permite impor barreiras contratuais e técnicas para dificultar que o usuário migre livremente entre aplicativos e serviços concorrentes dentro da mesma televisão.

Dados apresentados pela ACT à Comissão Europeia mostram como o mercado de sistemas operacionais para TVs mudou nos últimos cinco anos: o Tizen, da Samsung, lidera na Europa com 24% de participação. O Android TV, do Google, saltou de 16% em 2019 para 23% no início de 2024. O crescimento mais agressivo foi o do Fire OS, da Amazon, que foi de 5% para 12% no mesmo período.

Assistentes de voz na mira

ilustração sobre a Alexa
Alexa e outros assistentes virtuais também são alvo (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Além das telas, a ACT também quer que a UE aplique a DMA a assistentes virtuais como Alexa (Amazon), Siri (Apple) e recursos integrados do ChatGPT. Para as emissoras, esses assistentes controlam o acesso ao conteúdo em smart TVs, celulares, carros e sistemas de som.

A exigência é que a Comissão enquadre essas ferramentas na lei com base em critérios “qualitativos” de domínio de mercado, uma tentativa de forçar a regulação mesmo que algumas dessas IAs ainda não atinjam os limites financeiros (75 bilhões de euros em valor de mercado) ou de audiência (45 milhões de usuários ativos mensais) exigidos pelo texto atual da DMA.

Emissoras e streamings pedem regulação de smart TVs na UE

Bandeiras da União Europeia (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)

(imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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YouTube exibe anúncios de 30 segundos nas TVs sem opção de pular

Arte mostra o logo do YouTube em um fundo claro desfocado. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível
YouTube agora pode exibir anúncios de até 30 segundos em TVs (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • YouTube agora exibe anúncios de 30 segundos sem opção de pular em smart TVs.
  • Plataforma levou formato de publicidade mais longa às TVs para incentivar assinaturas do YouTube Premium.
  • Estratégia busca aumentar a receita e aproveitar o crescimento do consumo de vídeos em televisores.

O YouTube está exibindo anúncios de até 30 segundos sem a opção de pular nas smart TVs. Não se trata de um bug: a plataforma levou o formato de publicidade para os televisores conectados, ampliando a pressão para que os usuários assinem o YouTube Premium — única forma oficial de não ver as propagandas.

A mudança foi anunciada pelo próprio Google no começo deste mês. Nos últimos anos, a empresa vem adotando diferentes estratégias para reforçar seu modelo baseado em anúncios. Entre elas estão ações contra bloqueadores de propaganda e restrições a aplicativos de terceiros que reproduzem vídeos da plataforma.

Publicidade direcionada

Segundo a empresa, a mudança foi pensada especificamente para a experiência em telas grandes, como televisores conectados. Nesse formato, os anúncios são exibidos integralmente antes ou durante o vídeo, sem permitir que o usuário avance ou os ignore.

No comunicado, voltado aos anunciantes, a plataforma explica: “A IA do Google otimiza dinamicamente entre anúncios Bumper de 6 segundos, anúncios padrão de 15 segundos e anúncios exclusivos para CTV de 30 segundos que não podem ser pulados, garantindo que sua campanha alcance o público certo na hora certa”.

O sistema utiliza inteligência artificial para escolher automaticamente entre diferentes formatos de publicidade. A seleção considera fatores como público-alvo e momento da exibição para determinar qual tipo de anúncio será mostrado.

Além do formato de 30 segundos, também podem ser exibidos anúncios mais curtos, como os chamados “bumpers”, de seis segundos, ou versões padrão de 15 segundos.

A empresa afirma ainda que a tecnologia busca aumentar a eficiência das campanhas ao combinar diferentes formatos de publicidade de forma automática.

Imagem mostra uma smar TV exibindo um anúncio de trinta segundos no YouTube.
Formato de publicidade do YouTube foi pensado para televisores conectados (imagem: divulgação)

Estratégia visa aumento de receita

A introdução desse novo formato ocorre em meio a outras mudanças recentes na forma como o YouTube lida com anúncios. Usuários já relataram, por exemplo, a exibição de banners publicitários no aplicativo móvel que não podiam ser fechados imediatamente.

Além disso, algumas contas que utilizam bloqueadores de anúncios passaram a ter acesso limitado a recursos como comentários ou descrições de vídeos.

Essas medidas fazem parte da estratégia da plataforma para fortalecer suas fontes de receita, seja por meio da publicidade ou da assinatura do YouTube Premium.

Segundo a empresa, o crescimento do consumo de vídeos em televisores também tem influenciado essas decisões. Em outro trecho do comunicado, a companhia afirma: “Estamos tornando ainda mais fácil alcançar os milhões de espectadores que assistem ao YouTube na sala de estar — incluindo os espectadores que fizeram do YouTube o serviço de streaming nº 1 nos EUA por três anos consecutivos”.

YouTube exibe anúncios de 30 segundos nas TVs sem opção de pular

YouTube (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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YouTube reformula app para TV com nova interface

Recursos do YouTube
App do YouTube em TVs começou a receber atualização (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • YouTube reformulou a interface do app para TVs, alterando a disposição dos elementos na tela.
  • O título do vídeo agora está no canto superior esquerdo, e um novo botão “Descrição” concentra informações do criador e metadados.
  • A barra inferior foi reorganizada em blocos, e assinantes do YouTube Music e Premium têm acesso a novos modos de exibição.

O aplicativo do YouTube em TVs começou a receber uma reformulação visual que altera a disposição de elementos na tela de exibição de vídeos. A plataforma afirma que a mudança foi pensada para tornar o uso mais direto nos televisores e para facilitar a localização de comandos, algo já criticado por usuários.

A reorganização inclui novos grupos de controles, reposicionamento do título e a chegada de um botão específico para acessar descrição e informações extras.

A novidade está aparecendo em diferentes dispositivos, como boxes com Android TV e sistemas nativos de TVs recentes, mas ainda não está disponível para todos. Segundo o The Verge, parte dos aparelhos da Apple, por exemplo, segue com a interface anterior.

Quais as novidades?

Recordatorio de que quienes creamos contenido en Youtube lo estamos haciendo cada vez más para quienes lo consumen en el televisor / living de la casa.

YouTube ha actualizado su reproductor de video en televisores para ofrecer una experiencia más intuitiva y fácil de navegar.… pic.twitter.com/wr9ppty6BU

— Roberto Castro (@robertocastro) December 12, 2025

Segundo o comunicado oficial na página de suporte, a mudança mais perceptível será o título do vídeo, que deixará de ficar próximo à barra de progresso, ocupando parte superior esquerda da tela.

Antes, essa área também servia como atalho para informações do criador e seção de comentários, mas isso agora está concentrado no novo botão “Descrição”, indicado pela plataforma como o caminho único para metadados, textos do criador e demais recursos vinculados ao vídeo.

Funções ligadas ao canal também foram rearranjadas. A foto do criador virou um atalho direto para a página do canal, enquanto o botão de inscrição agora fica isolado, sendo exibido mesmo para quem já é inscrito — nesses casos, ele muda de função para alertar sobre transmissões ou conteúdos com acesso condicionado.

Arte com o logotipo vermelho do YouTube em um fundo preto.
Novidade ainda não chegou para todos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A barra inferior também passou por reorganização. Os comandos foram divididos em blocos: à esquerda, ficam Canal, Descrição e Inscrever-se; no centro, os botões de reprodução e navegação entre conteúdos; e, à direita, os controles de avaliação, comentários, salvar, legendas e ajustes gerais. O YouTube afirma que essa segmentação torna a navegação mais previsível com o controle remoto.

Para públicos específicos, há novidades adicionais. Assinantes do YouTube Music e do YouTube Premium passam a ter acesso a um “Modo de Exibição”, enquanto transmissões esportivas ganham um botão de “Multiview”, voltado à visualização simultânea de eventos ao vivo.

YouTube reformula app para TV com nova interface

Recursos do YouTube (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

YouTube (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Netflix corta espelhamento do celular para TVs modernas e Google TV

Marca da Netflix é exibida na TV da sala de estar
Netflix começou a sumir com a função no início de novembro (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Netflix removeu a função de espelhamento de dispositivos móveis para a maioria das TVs modernas e dispositivos de streaming.
  • A mudança impacta dispositivos recentes como Chromecast com Google TV, que não aparecem mais como opções de destino no app.
  • O espelhamento ainda funciona em Chromecasts antigos, mas apenas para assinantes de planos sem anúncios.

Após uma atualização discreta na política de suporte técnico, a Netflix removeu a funcionalidade de transmitir filmes e séries do app para a maioria das TVs e dispositivos de streaming. A mudança encerra a possibilidade de usar dispositivos móveis como controle para aparelhos que possuem interface própria, como o Chromecast com Google TV.

A medida afeta tanto assinantes do plano com anúncios quanto das modalidades premium e vinha sendo notada por usuários nas últimas semanas.

Segundo a apuração do Android Authority, a plataforma agora instrui oficialmente aos clientes, pela página de suporte, que utilizem o controle remoto físico para navegar pelo catálogo. “A Netflix não suporta mais a transmissão de um dispositivo móvel para a maioria das TVs e dispositivos de streaming”, informa o novo texto.

Fim do botão de retransmissão

Não dá para assistir TV por assinatura em dispositivos variados, por exemplo
Netflix começa a remover botão “cast” para maioria dos dispositivos (imagem: Tecnoblog)

A restrição impacta dispositivos recentes inseridos no ecossistema do Google, como as versões HD e 4K do Chromecast com Google TV e o recém-lançado Google TV Streamer. Esses dispositivos deixaram de aparecer como opções de destino no ícone de transmissão do app da Netflix (Android e iOS).

Relatos de usuários no Reddit indicam que a função desapareceu gradualmente a partir de 10 de novembro. Ao entrar em contato com o suporte ao cliente, um usuário foi informado de que a decisão foi tomada para “melhorar a experiência do cliente” e evitar problemas técnicos.

Entretanto, a decisão vai contra a praticidade do uso do celular como controle, o que agiliza a busca de títulos em comparação com o teclado virtual da TV.

Onde ainda funciona?

Chromecast de primeira geração sobre uma mesa
Gerações antigas continuarão disponibilizando função, se usuário pagar (foto: Paulo Higa/Tecnoblog)

Apesar do corte, a funcionalidade de espelhamento não foi completamente extinta. De acordo com o The Verge, o recurso continua operando em modelos antigos do Chromecast (1ª, 2ª e 3ª gerações e Ultra), dispositivos que não possuem controle remoto nem interface visual própria.

Mas a Netflix vai continuar monetizando: mesmo em Chromecasts antigos, o espelhamento só funcionará em contas que assinam planos sem anúncios. Assinantes da modalidade mais barata, que contém publicidade, não conseguirão transmitir conteúdo a partir do celular em nenhuma hipótese.

Netflix corta espelhamento do celular para TVs modernas e Google TV

Empresa aponta queda no crescimento de assinantes da Netflix (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Não dá para assistir TV por assinatura em dispositivos variados, por exemplo
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