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Google e SpaceX podem levar data centers ao espaço

ilustração sobre a Space X e Elon Musk
SpaceX pode enviar infraestrutura de IA à órbita da Terra (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Google e SpaceX negociam a instalação de data centers em órbita terrestre, segundo o The Wall Street Journal.
  • O projeto tentaria contornar limitações energéticas e ambientais de servidores na Terra.
  • A infraestrutura seria lançada ao espaço com foguetes da SpaceX e operaria de forma contínua e autônoma, alimentada por energia solar.

Google e SpaceX estariam negociando a instalação de data centers em órbita terrestre. Segundo o The Wall Street Journal, a infraestrutura seria lançada ao espaço com foguetes da empresa de Elon Musk. A proposta seria contornar os gargalos energéticos e as restrições ambientais que hoje limitam a expansão de centros de dados voltados para inteligência artificial na Terra.

A relação entre as duas empresas vem de longa data. De acordo com a imprensa norte-americana, o Google foi um dos primeiros grandes investidores da companhia aeroespacial em 2015. Hoje, a empresa detém uma participação acionária de 6,1% na SpaceX. Mesmo com essa proximidade, o Google também estaria conversando com outras companhias do setor para tocar o projeto.

Faz sentido?

Imagem de servidores em um data center
Servidores na órbita terrestre operariam com energia solar (imagem: Unsplash/Taylor Vick)

Diante da necessidade urgente de contornar as limitações da infraestrutura atual, a ideia pode um dia sair do papel. As ferramentas de IA têm exigido cada vez mais energia dos data centers tradicionais, gerando altos custos de operação. No espaço, os servidores orbitais iriam operar de forma contínua e autônoma, alimentados exclusivamente pela energia captada por painéis solares.

Apesar de tudo, o modelo ainda enfrenta ceticismo. Especialistas ouvidos pelo WSJ afirmam que existem desafios técnicos extraordinários na manutenção e refrigeração de computadores na órbita terrestre. Além disso, o portal TechCrunch lembra que os custos embutidos no projeto fazem com que os data centers terrestres continuem como uma alternativa mais barata.

Planos do Google

Vale destacar que o Google não está parado no desenvolvimento de hardware. No fim do ano passado, a empresa revelou os primeiros detalhes do Projeto Suncatcher, uma iniciativa focada em fabricar e colocar em órbita os primeiros protótipos de satélites de processamento de dados até 2027.

Em novembro, o CEO do Google, Sundar Pichai, declarou que não há dúvidas de que, em pouco mais de uma década, a indústria de tecnologia considerará os data centers orbitais uma das formas comuns para a implantação de novos servidores.

Google e SpaceX podem levar data centers ao espaço

Saiba como a SpaceX e Elon Musk revolucionaram a indústria aeroespacial com os foguetes reutilizáveis (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Os servidores de um data center são organizados em racks ou gabinetes (imagem: Unsplash/Taylor Vick)
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Por que os astronautas levaram o iPhone ao espaço?

“Casa, vista da Orion”: NASA revelou foto tirada com o iPhone 17 Pro Max (imagem: divulgação)
Resumo
  • A NASA autorizou celulares pessoais em missões espaciais em fevereiro de 2026. A Artemis II usou essa regra. O Reid Wiseman publicou fotos da Terra e da Lua feitas com um iPhone 17 Pro Max dentro da cápsula Orion.
  • A Artemis II é a primeira missão lunar tripulada do século XXI. A missão alcançou 406.000 quilômetros da Terra e superou o recorde da Apollo 13, de 1970.
  • O programa Artemis reúne a NASA, a ESA e a AEB. O plano prevê volta à superfície da Lua até 2028, criação de uma base lunar e missões futuras a Marte.

A Missão Artemis II chegou à órbita da Lua nesta segunda (6) e já entrou para a história com belas (e atuais) imagens da Terra e da Lua, registrando a volta do ser humano ao nosso satélite natural após 53 anos. Diferentemente de outras fotos encontradas na internet, os registros feitos diretamente da cápsula Orion, onde viajam os quatro tripulantes da missão, foram feitos pelos próprios iPhones dos astronautas.

Vale lembrar que essa é uma decisão recente: a NASA permitiu que os astronautas levassem dispositivos portáteis pessoais apenas em fevereiro deste ano.

Numa das primeiras imagens, o comandante da missão, Reid Wiseman, aparece observando o planeta Terra. Na tripulação da Orion estão também o canadense Jeremy Hansen e os americanos Victor Glover e Christina Koch.

Terra vista da Missão Artemis 2 (2026)
Já esta foi feita com uma Nikon (foto: divulgação/NASA)

Ida à Lua no século XXI

A Missão Artemis II é parte do Acordo Artemis, que envolve diversas agências espaciais pelo mundo, incluindo a NASA, dos Estados Unidos, a ESA, da Europa e a própria AEB, Agência Espacial Brasileira. A ideia é levar o ser humano de volta à superfície da Lua até 2028, além de estudar a possibilidade de montar uma base fixa no satélite natural da Terra no futuro. Mais à frente, o objetivo é chegar a Marte.

Primeira missão lunar tripulada no século, a Artemis II também marca a maior distância já percorrida por seres humanos para além da Terra: 248.655 milhas (cerca de 406 mil quilômetros), segundo a NASA, superando a missão Apollo 13, de 1970. Mas, dessa vez, com as tecnologias atuais, a viagem tem sido acompanhada e transmitida ao vivo pela agência espacial, sendo possível assisti-la diretamente no YouTube.

Traseira iPhone 17 Pro Max
iPhone 17 Pro Max foi o celular usado por Reid Wiseman para tirar a primeira foto inteira da Terra em mais de 50 anos (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Os astronautas também fazem seus próprios registros e dão atualizações da missão em tempo real, rendendo tuítes do comandante Reid diretamente da Orion, assim como a imagem do iPhone 17 Pro Max. A tripulação também levou uma Nikon D5.

Segundo o site USA Today, isso foi possível graças a uma nova regulamentação da NASA, que está em vigor desde fevereiro de 2026, logo antes da missão Crew-12, da SpaceX, empresa espacial de Elon Musk. Ela marcou o décimo terceiro voo comercial para a órbita da Terra.

Outros objetos terráqueos no espaço

Não foram a Crew-12 e a Artemis II que inauguraram a ida de objetos terráqueos do dia a dia ao espaço. Em 2018, a SpaceX enviou ao espaço um carro Falcon Heavy, que no momento está vagando pela Via Láctea, pouco depois de Marte. Até agora, já foram mais de 5,3 órbitas ao redor do Sol – e contando. É possível acompanhar a localização e outras informações curiosas sobre a viagem do automóvel num site especial.

Bonequinhos de LEGO enviados ao espaço, Juno (2011)
Bonequinhos de Lego enviados junto ao satélite Juno rumo a Júpiter, onde seguem a bordo desde 2011 (imagem: divulgação/National Space Centre)

Também há peças de Lego vagando pelo espaço neste momento, por mais estranho que pareça. A missão Juno, de 2011, levou uma “tripulação” de três bonequinhos de LEGO feitos com alumínio espacial, representando justamente Júpiter e Juno, além de Galileo Galilei, astrônomos que descobriu quatro das luas de Júpiter ainda em 1610.

Aparentemente, a LEGO tem um apreço pelas missões espaciais, já que a própria Artemis I, que foi à Lua sem tripulação, tinha quatro bonequinhos da marca a bordo, segundo a National Space Centre.

Por que os astronautas levaram o iPhone ao espaço?

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Foto da Terra tirada pelo astronauta Reid Wiseman durante a Missão Artemis II

iPhone 17 Pro Max (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Bonequinhos de LEGO enviados junto ao satélite Juno rumo a Júpiter, onde seguem a bordo desde 2011.
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Elon Musk quer usar a Lua para catapultar satélites

ilustração sobre a Space X e Elon Musk. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Fusão entre SpaceX e xAI seria aposta para tirar plano do papel (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Elon Musk planeja construir uma fábrica de satélites na Lua com um “impulsionador de massa” para criar centros de dados em órbita.
  • O projeto enfrenta desafios como a necessidade de suportar forças de aceleração superiores a 10 mil g e a logística de construção lunar.
  • A fusão entre a xAI e a SpaceX visa utilizar a nave Starship para construir instalações lunares e aplicar algoritmos de IA na gestão da base.

O empresário Elon Musk, CEO da SpaceX e da xAI, parece ter um plano ambicioso, saído de livros de ficção: construir uma fábrica de satélites na superfície da Lua com uma catapulta gigantesca para lançar equipamentos ao espaço.

A proposta foi apresentada durante uma reunião interna com funcionários da xAI, cujos áudios foram obtidos e divulgados pelo jornal The New York Times nessa terça-feira (10/02). Segundo Musk, a infraestrutura lunar seria fundamental para viabilizar “centros de dados de inteligência artificial” em órbita.

A ideia seria aproveitar o vácuo do espaço para resfriamento e a energia solar ininterrupta para alimentação. O projeto marca uma virada brusca na estratégia do bilionário — até o início do ano passado, ele classificava a Lua como uma “distração” no caminho para Marte.

Como funcionaria isso?

O dispositivo mencionado por Musk é tecnicamente chamado de “impulsionador de massa”. Trata-se de um lançador eletromagnético projetado para propelir objetos ao espaço sem o uso de combustíveis químicos ou foguetes convencionais.

De acordo com o portal Engadget, essa catapulta seria integrada ao complexo industrial construído em solo lunar. A intenção seria fabricar satélites de IA localmente e lançá-los para a órbita lunar ou terrestre de forma muito mais barata. Embora a gravidade da Lua seja apenas 1/6 da terrestre, os desafios físicos para isso são imensos:

  • Velocidade de escape: para atingir a órbita lunar, o satélite precisa ser lançado a pelo menos 6.115 km/h (Mach 5);
  • Aceleração extrema: atualmente, tecnologias de canhões eletromagnéticos da Marinha dos EUA (os railguns) atingem Mach 8,8 (8,8 vezes a velocidade do som), conforme documentado pela Task and Purpose. No entanto, qualquer eletrônico lançado assim precisaria suportar forças de aceleração superiores a 10 mil g;
  • Logística: construir uma fábrica dessas exige dezenas de missões tripuladas e não tripuladas.
Elon Musk com a palavra LAUNCH ao fundo
Musk afirma que “é preciso ir à Lua” para obter capacidade computacional superior à dos concorrentes (imagem: Bill Ingalls/NASA)

Outro ponto controverso do plano é o uso do vácuo para resfriar os servidores de IA. Especialistas consultados pelo The Independent expressaram ceticismo: diferentemente da Terra, onde o calor se dissipa pelo ar (convecção), no vácuo a única forma de resfriamento é por radiação térmica. Isso exigiria radiadores de dimensões monumentais para evitar que os chips derretam sob carga intensa de processamento.

Para viabilizar a execução do plano, Musk confirmou recentemente a fusão operacional entre a xAI e a SpaceX. A união permitiria que a xAI utilizasse a logística da nave Starship para construir as instalações lunares, enquanto a SpaceX utilizaria os algoritmos da companhia de IA para gerenciar a base lunar.

Mudança de foco e incertezas

A fixação recente de Musk pela Lua é uma mudança de postura. Em 2025, ele afirmou no X (antigo Twitter) que a SpaceX iria “direto para Marte”.

No entanto, em postagens recentes, o CEO admitiu que criar uma “cidade autossustentável na Lua” é uma meta alcançável em menos de dez anos, enquanto Marte levaria pelo menos 20.

Vale lembrar que o histórico de previsões de Musk gera cautela. Em 2016, ele prometeu que a SpaceX enviaria missões de carga para Marte até 2018. Em 2017, previu o mesmo para 2022. Agora, em fevereiro de 2026, o foguete Starship está apenas realizando voos de teste.

Elon Musk quer usar a Lua para catapultar satélites

Saiba como a SpaceX e Elon Musk revolucionaram a indústria aeroespacial com os foguetes reutilizáveis (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Elon Musk no Kennedy Space Center da NASA em 2020 (Imagem: Bill Ingalls / NASA)
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Brasil se torna referência para maior rigidez da Europa com redes sociais

Elon Musk, do X, e Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Brasil bloqueou o X/Twitter em 2024 por descumprimento de ordens judiciais, influenciando políticas europeias de controle sobre redes sociais.
  • França e Espanha adotaram medidas rigorosas contra o X, com propostas de restrição de acesso para menores de 16 anos.
  • União Europeia investiga as práticas do X, enquanto Elon Musk critica as ações governamentais.

O bloqueio do X/Twitter no Brasil em 2024 não ficou só na memória dos usuários brasileiros. Segundo analistas, a recente postura agressiva de governos europeus contra as big techs reverbera a atitude brasileira ao bloquear a plataforma de Elon Musk por descumprimento de ordens judiciais.

Ao New York Times, o especialista espanhol em soberania tecnológica Ekaitz Cancela diz que as ações no continente – como operações policiais na França contra o X e propostas na Espanha de maior responsabilização das redes sobre o conteúdo – “seguem o manual que o Brasil estabeleceu em 2024 quando bloqueou o X por desafiar ordens judiciais”.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou em 3 de fevereiro que avalia banir menores de 16 anos das redes sociais. O plano segue um movimento internacional que ganhou força após a restrição imposta pela Austrália, que começou a valer em novembro de 2025.

Brasil forçou recuo do X em 2024

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o queda da plataforma no Brasil em agosto de 2024 por descumprimento de decisões judiciais, como o bloqueio de contas, levando a um apagão de contas brasileiras na rede por cerca de 39 dias.

Para a operação voltar, a Justiça determinou condições como a nomeação de um representante legal, esclarecimento de informações sobre a situação cadastral e o pagamento de multas acumuladas.

A ação do judiciário brasileiro gerou um impasse pessoal entre Elon Musk e o STF, especialmente com a figura do ministro Alexandre de Moraes, e repercutiu internacionalmente. Apesar de fazer jogo duro e comunicar o bloqueio categorizando as exigências como “ilegais”, o X acatou às ordens do tribunal no fim de setembro e, em outubro, o acesso foi normalizado.

Na visão de Cancela, portanto, a abordagem de enfrentamento às plataformas criou um precedente para que países do outro lado do Atlântico agora transformem “a política tecnológica em arma”, ameaçando a operação das empresas em vez de se limitar a sanções administrativas.

Países fecham o cerco contra big techs

Big techs deverão mostrar se combate a golpistas é efetivo em seus ecossistemas
Big techs tornam-se alvos de políticas de proteção para menores de idade (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Na França, a tensão aumentou no início desse mês quando a polícia realizou buscas nos escritórios do X em Paris e promotores emitiram intimações para Elon Musk e para a ex-CEO da X Corp, Linda Yaccarino.

A ação faz parte de uma investigação sobre sete acusações, incluindo cumplicidade na distribuição de pornografia infantil, o que também ocorre no Reino Unido. Além dos países, a União Europeia anunciou que vai analisar as medidas adotadas pela rede e investigar se essas medidas estavam funcionando quando toda a polêmica veio à tona.

Simultaneamente, na Espanha, Sánchez propôs medidas legislativas para proteger menores do que chamou de “velho oeste digital”, barrando o acesso para menores de 16 anos. A ideia é forçar a implementação de sistemas de verificação de idade e rastrear a disseminação de ódio, além de tornar executivos responsáveis por conteúdos ilegais.

Musk, como de costume, não reagiu bem a nenhum dos casos. Na própria rede social, o bilionário atacou o primeiro-ministro espanhol, chamando-o de “tirano e traidor do povo da Espanha”. Quanto à investigação francesa, o X afirma que se trata de uma ação “politizada” que coloca a liberdade de expressão em risco.

Brasil se torna referência para maior rigidez da Europa com redes sociais

Elon Musk vs. União Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Elon Musk ultrapassa US$ 850 bilhões e alcança patrimônio inédito

Ilustração mostra Elon Musk sorrindo
Musk agora está US$ 578 bilhões à frente do segundo colocado no ranking global (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Elon Musk alcançou um patrimônio de US$ 852 bilhões após a fusão da SpaceX com a xAI.
  • A nova entidade combinada está avaliada em US$ 1,2 trilhão, tornando-se a empresa privada mais valiosa do mundo.
  • Musk detém 43% da empresa combinada, equivalente a US$ 542 bilhões, superando sua participação na Tesla.

O empresário Elon Musk atingiu um patrimônio líquido recorde de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,5 trilhões) após a SpaceX anunciar a aquisição da xAI, sua empresa de inteligência artificial. O acordo, confirmado na segunda-feira (02/02), elevou a fortuna de Musk em US$ 84 bilhões (R$ 441 milhões) em apenas um dia.

Segundo estimativas da Forbes, a operação avalia a nova entidade combinada em US$ 1,2 trilhão (R$ 6,3 trilhões), consolidando-a como a empresa privada mais valiosa do planeta.

Como a fusão impacta a fortuna de Musk?

A transação alterou a composição dos ativos do bilionário, tornando a SpaceX o seu bem mais valioso. Antes da fusão, Musk detinha 42% da fabricante de foguetes (avaliada em US$ 800 bilhões) e 49% da xAI (avaliada em US$ 250 bilhões). Com a união das operações, a estimativa é que Musk passe a deter 43% da empresa combinada, uma fatia que sozinha vale US$ 542 bilhões (R$ 2,8 trilhões).

O montante supera com folga sua participação na Tesla, onde possui 12% das ações (US$ 178 bilhões). O crescimento acelerado impressiona pelo intervalo de tempo: em outubro de 2025, Musk foi a primeira pessoa a atingir US$ 500 bilhões.

O salto para os atuais US$ 852 bilhões foi impulsionado pela fusão e pela restauração de suas opções de ações da Tesla em dezembro, após uma disputa judicial que durava desde 2024.

Integração para IA

A fusão de SpaceX e xAI visa criar o que Musk descreveu como um “motor de inovação verticalmente integrado” e prepara o terreno para a abertura de capital da empresa aeroespacil, que planeja lançar uma oferta pública inicial de ações (IPO) ainda em 2026. O objetivo é unir a infraestrutura de exploração espacial e internet via satélite da Starlink às capacidades de processamento da inteligência artificial generativa.

No entanto, o fato de o empresário atuar simultaneamente como comprador e vendedor na transação levantou questionamentos de órgãos reguladores sobre governança. Analistas relembram que manobras similares já renderam disputas judiciais ao bilionário, como na aquisição da SolarCity pela Tesla em 2016.

Atualmente, a distância de Musk para os demais bilionários é enorme: ele está US$ 578 bilhões à frente de Larry Page, cofundador do Google e segundo colocado no ranking. No ritmo atual, é possível que Musk caminhe para ser o primeiro trilionário da história.

Elon Musk ultrapassa US$ 850 bilhões e alcança patrimônio inédito

Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Musk diz que premiê da Espanha é “tirano” por querer banir menores das redes

Elon Musk
Musk usou sua própria plataforma para disparar ofensas pessoais (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Elon Musk chamou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de “tirano”e “traidor do povo espanhol” após proposta de regularização das redes.
  • Espanha quer banir menores de 16 anos das redes sociais e responsabilizar criminalmente CEOs e proprietários de plataformas.
  • A medida prevê verificação rigorosa de idade, como integração com o sistema de identidade digital ou biometria facial.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou ontem (03/02) um novo pacote legislativo que pode proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais no país. Em resposta, Elon Musk o chamou de “tirano” e “traidor do povo espanhol”.

O projeto estabelece sistemas rigorosos de verificação de idade e prevê, inclusive, a responsabilização judicial de executivos de tecnologia, o que provocou a reação imediata do dono do X/Twitter.

Quais são as mudanças propostas pela Espanha?

O anúncio de Sánchez faz parte de um plano para combater o que ele define como um “estado de anarquia digital”. Segundo o Euronews, o argumento do premiê espanhol é que as redes sociais falharam em proteger crianças contra discursos de ódio e conteúdos predatórios, motivo pelo qual se exige agora uma intervenção direta.

A nova legislação, que deve ser apresentada formalmente ao parlamento nas próximas semanas, deve eliminar as atuais “caixas de seleção” de idade. O governo pretende obrigar que plataformas como X, Instagram e TikTok adotem ferramentas de verificação mais robustas, como a integração com o sistema de identidade digital da Espanha ou o uso de biometria facial para validar a idade do usuário antes da criação de qualquer conta.

Diferente de regulamentações anteriores que permitiam o uso de redes por menores com autorização parental, o plano de Madri estabelece limite mínimo de 16 anos, sem exceções.

CEOs podem ser responsabilizados

Um dos pontos mais polêmicos da medida é a introdução da responsabilidade criminal para CEOs e proprietários de plataformas. Caso uma rede social permita o acesso de menores ou falhe na moderação de conteúdo, executivos como Musk poderão ser processados e responsabilizados criminalmente em solo espanhol, conforme detalhado pelo portal português Eco Sapo.

A reação de Musk foi rápida e carregada de ofensas. No X, o bilionário utilizou o apelido “Sánchez Sujo”, acompanhado de um emoji ofensivo, alegando que o governo está tentando “destruir a liberdade de informação”.

Esse conflito não é novo e escala uma tensão iniciada em 2025, quando Musk criticou as políticas migratórias de Sánchez. O desgaste do bilionário estende-se ao bloco europeu: no final de janeiro, o X tornou-se alvo de uma nova investigação da União Europeia, agravando os atritos com os reguladores locais.

Dirty Sánchez is a tyrant and traitor to the people of Spain 💩 https://t.co/B3oyHrBYpR

— Elon Musk (@elonmusk) February 3, 2026

Grécia e França aumentam o cerco contra as redes sociais

A movimentação espanhola não é um fato isolado no continente europeu. A Grécia também está finalizando um projeto de lei para banir menores de redes sociais, seguindo o modelo aprovado pela Austrália. O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que o objetivo é combater o vício digital e o cyberbullying.

Já a França tem reforçado o rigor das leis atuais. Nesta semana, a sede do X em Paris foi alvo de buscas e apreensões por autoridades francesas. A investigação apura a manipulação de algoritmos, possível interferência estrangeira e a negligência na remoção de conteúdos ilícitos.

Segundo o Diário de Notícias, Elon Musk foi formalmente intimado a prestar depoimento perante os tribunais franceses. Em nota oficial, a equipe jurídica do X afirmou que as alegações são “infundadas”, alegando que a ação põe em risco a liberdade de expressão global.

Foto de pessoas sentadas usando smartphones. O foco da imagem são os smartphones, e as pessoas não aparecem.
Banimento de redes sociais para menores ganha força na Espanha e Grécia (imagem: Robin Worrall/Unsplash)

Se a Espanha conseguir implementar com sucesso a integração de IDs digitais para acesso a redes, abrirá um precedente técnico que forçará gigantes como a Meta e o X a alterarem suas arquiteturas para evitar o bloqueio em mercados europeus.

Historicamente, plataformas digitais se posicionam como “canais neutros”, sem responsabilidade pelo conteúdo gerado por terceiros. No entanto, o pacote legislativo de Sánchez passa a tratar as redes sociais como editoras de conteúdo. O argumento central é que, se a plataforma utiliza algoritmos para lucrar com o engajamento, ela deve ser juridicamente responsável pelo impacto social desse conteúdo.

Musk diz que premiê da Espanha é “tirano” por querer banir menores das redes

Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Starlink atinge marca de 1 milhão de clientes no Brasil

Antena Starlink Mini ao lado de um cachorro pequeno
Starlink Mini tem tamanho próximo ao de um laptop (Imagem: Divulgação / SpaceX)
Resumo
  • A Starlink atingiu 1 milhão de clientes no Brasil quatro anos após começar a operar no país.
  • A velocidade média de conexão da Starlink no Brasil aumentou de 90 Mb/s para 140 Mb/s, mas ainda está abaixo da média global de 220 Mb/s.
  • A Starlink solicitou à Anatel a utilização de satélites de segunda geração para melhorar a velocidade e estabilidade do sinal.

O provedor de internet via satélite Starlink bateu a marca de 1 milhão de clientes no Brasil. Quatro anos após receber o aval para atuar no país, a companhia de Elon Musk rapidamente conquistou consumidores, ultrapassou rivais e se tornou referência neste tipo de tecnologia.

A empresa fez uma postagem na rede social X comemorando o momento. “Agradecemos a todos os nossos clientes!”, escreveu a Starlink em bom português.

Post no perfil global da Starlink (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Números anteriores davam conta de que a prestadora atendia 600 mil clientes por aqui. Fontes no setor ressaltam que, no acompanhamento de número de consumidores, os números internos das empresas de telefonia podem ser ligeiramente divergentes daqueles registrados nos painéis da Anatel, que são processados com atraso.

Nos últimos anos, a Starlink adotou uma postura low profile no país. Ela evitou se envolver em polêmicas – em especial aquelas associadas ao seu fundador – e focou na expansão do serviço. É normal, por exemplo, esbarrar com publicidades na rede X com condições promocionais para contratar o serviço, que rivaliza com a fibra óptica em algumas regiões.

A Starlink pretende mudar sua comunicação?

A título de curiosidade, os executivos da Starlink não têm o hábito de falar em on com jornalistas. Existe a expectativa de que isso mude com a chegada de Paulo Esperandio como diretor de desenvolvimento de negócios para a América Latina da SpaceX, a empresa-mãe do provedor.

Com passagens por TIM e Vivo, Paulo Esperandio assumiu cargo na SpaceX (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

No passado, o empresário Elon Musk chegou a dizer que a Starlink atendia 90% das cidades da Amazônia. Hoje, é possível dizer que ela se tornou sinônimo de conectividade principalmente no interior do país, como em fazendas e outras localidades vinculadas ao agronegócio, e em regiões distantes dos centros urbanos, como escolas do Norte.

O Tecnoblog revelou em novembro de 2025 que a velocidade média de conexão avançou de 90 Mb/s para 140 Mb/s, um ganho de 55%. Ainda assim, os clientes brasileiros ficam abaixo da média global de 220 Mb/s.

Quais são os próximos passos da empresa?

O movimento mais recente da Starlink foi a solicitação à Anatel para utilizar satélites de segunda geração. Eles já estão liberados para uso nos Estados Unidos e têm como principal promessa uma maior velocidade e estabilidade de sinal, já que utilizam uma radiofrequência atualmente sem uso.

Starlink atinge marca de 1 milhão de clientes no Brasil

Post no perfil global da Starlink (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)
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União Europeia abre investigação contra o X após polêmica do Grok

Elon Musk vs. União Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Comissão Europeia investiga o X por possíveis violações da Lei de Serviços Digitais devido ao uso da IA Grok para criar imagens pornográficas.
  • Países como Indonésia, Filipinas e Malásia bloquearam o Grok, mas reverteram a decisão após promessas de conformidade de Elon Musk.
  • O X enfrenta críticas por falhas nas salvaguardas técnicas e já foi multado em 140 milhões de euros por problemas de transparência e design enganoso.

A Comissão Europeia abriu oficialmente, nesta segunda-feira (26/11), uma investigação contra a rede social X, de Elon Musk. O órgão apura possíveis violações da Lei de Serviços Digitais (DSA) relacionadas ao funcionamento da IA Grok, que pode ter facilitado a disseminação de conteúdo ilegal, incluindo deepfakes não consensuais de mulheres e conteúdo voltado à pornografia infantil.

Segundo reclamações de usuários e denúncias de instituições oficiais ao redor do mundo, o chatbot teria gerado imagens de nudez realista de pessoas reais e menores de idade. Após a repercussão dos casos, Musk declarou que aplicaria consequências pesadas a quem usasse o Grok para gerar esse tipo de conteúdo.

Agora, a Comissão analisa se as ações adotadas pela empresa são suficientes. Além disso, investigará se essas medidas estavam em vigor no momento do lançamento do Grok nos países da UE e se houve falhas no cumprimento das obrigações de transparência e gestão de riscos previstas no DSA.

O inquérito europeu começa duas semanas após o órgão regulador do Reino Unido (Ofcom) iniciar uma investigação própria sobre o mesmo tema e indicar possíveis sanções.

Países como Indonésia, Filipinas e Malásia bloquearam temporariamente o acesso ao chatbot devido à proliferação de conteúdo sexualizado. Segundo a Reuters, os dois últimos países colocaram a ferramenta de volta ao ar após Musk prometer seguir as exigências das nações que proíbem esse tipo de prática.

Filosofia da xAI gera dúvidas na UE

Ilustração do Grok
Comissão suspeita de falhas técnicas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Um dos principais pontos da investigação é a filosofia da xAI, que desenvolve e controla a IA integrada ao X. De acordo com o Financial Times, a empresa teria projetado, sob o teto da liberdade de expressão irrestrita, seus produtos com menos barreiras de segurança do que concorrentes como OpenAI e Google.

A suspeita é de que o X tenha falhado em implementar salvaguardas técnicas eficazes antes de liberar o recurso para milhões de usuários.

A postura, no entanto, vai contra as regulações europeias. Um oficial da UE afirmou ao jornal britânico que, diante dos danos expostos às vítimas dessas imagens, as autoridades “não foram convencidas até agora pelas medidas de mitigação que a plataforma alega ter tomado”.

A chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, declarou que “deepfakes sexuais não consensuais de mulheres e crianças são uma forma violenta e inaceitável de degradação”, segundo a Bloomberg.

X é contra controle de conteúdo feito pelo bloco

Em resposta às acusações recentes, o X reiterou que possui uma política de tolerância zero para exploração sexual infantil e nudez não consensual, afirmando que remove contas e colabora com a lei quando necessário.

O X já enfrenta um cenário regulatório delicado na Europa. Em dezembro, a plataforma foi multada em 140 milhões de euros (cerca de R$ 752 milhões) por falhas de transparência e design enganoso dos selos de verificação azuis. Pela DSA, reincidências ou falhas graves no combate a conteúdo ilegal podem render multas de até 6% do faturamento global da empresa.

O embate também ganha contornos políticos. A Bloomberg ressalta que a administração Trump vê as ações da UE como um ataque à liberdade de expressão.

União Europeia abre investigação contra o X após polêmica do Grok

Elon Musk vs. União Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Elon Musk e CEO da Ryanair trocam farpas sobre Starlink em aviões

Foto em preto e branco de Elon Musk, ao lado da marca da Starlink. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"
Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Elon Musk e o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, discutem sobre a viabilidade do Starlink em aviões de baixo custo.
  • O’Leary critica o custo e o impacto operacional do Starlink, enquanto Musk defende o serviço como diferencial competitivo.
  • A troca de insultos entre os executivos destaca a tensão entre inovação tecnológica e modelos de negócios de baixo custo.

A troca de críticas entre Elon Musk e o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, começou como um debate técnico e rapidamente escalou para uma briga pública nas redes sociais. O ponto de atrito foi a possibilidade de adoção do serviço de internet via satélite Starlink, da SpaceX, na frota da maior companhia aérea de baixo custo da Europa.

Na última quarta-feira (14/01), O’Leary afirmou que nunca considerou seriamente instalar o sistema da Starlink em todas as aeronaves da Ryanair. Segundo ele, o peso da antena e o arrasto adicional gerariam aumento no consumo de combustível, elevando os custos operacionais.

A declaração provocou uma resposta quase imediata de Musk, que usou sua própria plataforma X para dizer que o executivo irlandês estava “mal informado” e que a Ryanair poderia perder passageiros para companhias que oferecessem o serviço.

Internet a bordo vale o custo?

A discussão levantou uma questão central para o modelo de negócios das companhias aéreas de baixo custo: passageiros que priorizam tarifas reduzidas realmente exigem internet rápida em voos curtos? Para O’Leary, a resposta é negativa.

Em entrevista à rádio irlandesa Newstalk, ele reforçou sua posição e foi além, afirmando que Musk “não sabe nada sobre voos e arrasto” e que a adoção do Starlink poderia custar até US$ 250 milhões por ano à Ryanair (cerca de R$ 1,34 bilhão em conversão direta).

“Eu não daria atenção alguma a Elon Musk”, disse O’Leary. “Ele é um idiota, muito rico, mas continua sendo um idiota”. A reação de Musk veio na última sexta-feira (16). O bilionário respondeu chamando O’Leary de “idiota absoluto” e afirmando que ele deveria perder o cargo. A Ryanair não comentou oficialmente o episódio.

Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)
Elon Musk trocou farpas com o CEO da Ryanair, Michael O’Leary (Imagem: Peter Tsai/Flickr)

Dois estilos que mudaram seus setores

O embate colocou frente a frente dois executivos conhecidos por estratégias agressivas e discursos diretos. À frente da Ryanair há mais de três décadas, O’Leary transformou uma pequena companhia regional na maior aérea de baixo custo da Europa, alterando padrões de preços, serviços e rotas no continente.

Musk, por sua vez, construiu uma reputação ao desafiar indústrias consolidadas. Além de liderar a SpaceX, responsável por mudanças profundas no mercado de lançamentos espaciais, ele também comanda a Tesla, uma das principais fabricantes de veículos elétricos do mundo.

Apesar da disparidade de patrimônio entre os dois, O’Leary também colhe frutos financeiros de sua gestão. Em 2028, ele poderá receber um bônus de até 100 milhões de euros (R$ 625 milhões) caso atinja metas de desempenho estabelecidas pela companhia.

A troca de insultos, no entanto, mostra que, mesmo entre líderes acostumados a números bilionários, disputas públicas ainda podem surgir de decisões aparentemente técnicas.

Com informações do Bloomberg Línea

Elon Musk e CEO da Ryanair trocam farpas sobre Starlink em aviões

Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)
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Grok promete mudança após polêmica com imagens de nudez

Ilustração do Grok
IA Grok enfrenta pressão global (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • X/Twitter restringiu o Grok após críticas e investigações sobre deepfakes e nudez não consensual.
  • A plataforma enfrenta críticas por falhas nos filtros de segurança, e testes recentes indicam que a geração de conteúdos banidos ainda é possível.
  • Investigações e possíveis sanções jurídicas pressionam o X a implementar medidas de controle efetivas.

A rede social X anunciou ontem (14/01) que não vai mais permitir que o Grok, seu chatbot de inteligência artificial, gere imagens sexualizadas e deepfakes não consensuais de pessoas.

A medida responde à pressão internacional, investigações e a denúncias de que a ferramenta vinha sendo usada para criar conteúdos de nudez sem consentimento. Contudo, apesar da promessa de implementar barreiras mais rígidas, testes recentes indicam que as novas restrições ainda são frágeis e podem ser contornadas.

Por que o X restringiu recursos do Grok?

A decisão ocorre em um momento de crise. Nas últimas semanas, a plataforma enfrentou uma enxurrada de críticas após usuários demonstrarem que era possível utilizar o chatbot para “despir” pessoas reais ou criar montagens obscenas envolvendo figuras públicas e anônimas.

A principal mudança estabelece que o Grok não permitirá mais a edição de imagens de pessoas reais em contextos de “roupas reveladoras”, como biquínis e trajes de banho.

Além do bloqueio, a rede social decidiu restringir a funcionalidade de geração e edição de imagens apenas para assinantes pagos. Segundo o comunicado, a exigência de uma assinatura facilita a identificação e a punição de indivíduos que tentem utilizar a IA para violar leis ou termos de serviço.

Ilustração do Grok
Grok é o assistente de IA da xAI, startup de Elon Musk (imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

Longe de ser uma decisão voluntária, o recuo do X foi uma resposta a sanções jurídicas e investigações. Na dianteira está o estado da Califórnia (EUA), que instaurou uma investigação contra a xAI — startup de IA de Elon Musk — e o chatbot Grok.

A ação é baseada em uma análise técnica que revelou um dado alarmante: de 20 mil imagens geradas pela ferramenta entre o Natal e o Ano Novo, mais de 10 mil retratavam pessoas com pouca roupa, incluindo geração de conteúdo com menores de idade.

Simultaneamente, o órgão regulador do Reino Unido (Ofcom) iniciou uma investigação sobre o cumprimento das leis de segurança online pela plataforma. O primeiro-ministro Keir Starmer declarou publicamente que a empresa poderia sofrer sanções caso não demonstrasse controle efetivo sobre a produção de conteúdos abusivos.

A pressão foi global. Conforme reportado pelo The Guardian, países como Malásia e Indonésia bloquearam o acesso ao Grok por preocupações com a disseminação de material sexual explícito.

No continente europeu, a UE sinalizou que investigações sob a Lei de Serviços Digitais (DSA) podem resultar em multas multibilionárias caso a plataforma não resolva os riscos causados por sua tecnologia.

Barreiras burladas

Logo da Grok com o rosto de Elon Musk à direita.
Barreiras do Grok ainda são contornadas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A plataforma sustenta que as novas medidas de segurança já estão em vigor, mas evidências sugerem que a solução prometida é, até o momento, parcial.

The Verge e The Telegraph apontam que, mesmo após a atualização das políticas, ainda é possível induzir o chatbot a gerar conteúdos banidos por engenharia de prompt. Em testes realizados nesta quarta-feira (14/01), foi possível contornar os filtros utilizando comandos modificados.

Outra contradição surgiu na nova política de acesso: apesar da afirmação de que a ferramenta de imagem seria exclusiva para assinantes Premium, relatos indicam que contas gratuitas ainda mantém acesso à funcionalidade.

Elon Musk, dono do X, minimizou as falhas iniciais. O bilionário atribuiu os resultados indesejados a “ataques maliciosos a prompts” — quando usuários tentam intencionalmente quebrar as regras da IA — e afirmou não ter conhecimento de imagens de menores geradas pela ferramenta.

Musk defendeu que, com a configuração NSFW (conteúdo impróprio) ativada, o Grok permite apenas a nudez de “humanos adultos imaginários”, comparando o critério ao de filmes de classificação restrita.

Grok promete mudança após polêmica com imagens de nudez

Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Elon Musk (Imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

Logo da Grok e Elon Musk (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Starlink é autorizada a pôr mais 7.500 satélites em órbita

Starlink (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Starlink é autorizada a pôr mais 7.500 satélites em órbita (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • FCC autorizou SpaceX a lançar 7.500 satélites Starlink de segunda geração, totalizando 15.000 satélites do tipo para sua operação;
  • Satélites podem ser posicionados em altitudes entre 340 km e 485 km, reduzindo o risco de colisão e latência nas conexões;
  • SpaceX solicitou operar quase 30.000 satélites, mas FCC está liberando autorizações gradualmente.

A FCC (Comissão Federal de Comunicações), órgão dos Estados Unidos equivalente à Anatel, autorizou a SpaceX a colocar 7.500 satélites Starlink de segunda geração em órbita. Com isso, a companhia de Elon Musk passa a ter autorização para operar 15.000 unidades do tipo para seu serviço de internet.

Embora a nova autorização permita à Starlink expandir a capacidade de suas operações em escala global, a FCC espera que a media beneficie os Estados Unidos, especificamente:

O presidente Trump está restaurando a liderança tecnológica dos Estados Unidos. E esta autorização da FCC é um divisor de águas para viabilizar serviços de próxima geração.

Ao autorizar 15.000 novos e avançados satélites, a FCC deu sinal verde para a SpaceX fornecer capacidades de banda larga via satélite sem precedentes, fortalecer a concorrência e ajudar a garantir que nenhuma comunidade seja deixada para trás.

Brendan Carr, presidente da FCC

Além de elevar o total de satélites autorizados, a FCC autorizou a Starlink a posicioná-los em órbitas mais baixas, dentro de faixa de altitude entre 340 km a 485 km. Historicamente, os satélites da companhia operam em altitudes próximas a 550 km.

A nova faixa de altitude é considerada mais segura por, entre outros motivos, reduzir o risco de colisão entre os satélites. Outro benefício esperado é o da redução dos níveis de latência nas conexões à internet.

De modo complementar, a FCC autorizou os satélites de segunda geração da Starlink a operarem nas frequências das bandas Ku e Ka, bem como o uso das bandas V, E e W, com frequências mais altas.

Antena Starlink Mini ao lado de um cachorro pequeno
Antena Starlink Mini (imagem: divulgação/SpaceX)

SpaceX quer operar quase 30.000 satélites

A SpaceX pediu autorização para operar uma constelação de quase 30.000 satélites. Mas a FCC vem fornecendo autorizações de modo gradual: “adiaremos a autorização dos 14.988 satélites Starlink de segunda geração propostos ainda restantes, incluindo os satélites para operações acima de 600 km”, explicou o órgão.

Esse não chega a ser um problema para a SpaceX, afinal, os satélites Starlink entram em operação de modo progressivo.

A companhia tem até novembro de 2027 para colocar em operação 7.500 satélites de primeira geração. Sobre os satélites de segunda geração, metade das unidades já autorizadas devem estar em funcionamento até dezembro de 2028. A outra metade tem dezembro de 2031 como prazo de operação.

Estima-se que, atualmente, a Starlink opere com pouco mais de 9.000 satélites.

Starlink é autorizada a pôr mais 7.500 satélites em órbita

Starlink irá fornecer sinal para celulares da T-Mobile nos EUA (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Países começam a bloquear Grok após escândalo de nudez sem consentimento

Ilustração do Grok
Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Musk (imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)
Resumo
  • Indonésia e Malásia bloquearam o Grok, chatbot da xAI, devido ao uso para gerar imagens explícitas sem consentimento.
  • A Indonésia suspendeu o acesso em 10/01, seguida pela Malásia em 11/01, citando violações de direitos humanos.
  • Outros países, incluindo Reino Unido e União Europeia, estão investigando o uso do Grok para conteúdos impróprios.

A Indonésia suspendeu o Grok no último sábado (10/01), movimento seguido pela Malásia no dia seguinte, tornando-os os dois primeiros países a tomar medidas do tipo. O chatbot de IA da xAI, de Elon Musk, foi largamente usado na primeira semana de 2026 para gerar e publicar imagens explícitas de mulheres e crianças.

A decisão da Indonésia foi tomada no sábado (10) pelo Ministério das Comunicações e do Digital (Komdigi). O comunicado diz que “o acesso ao aplicativo Grok foi temporariamente cortado”. O chatbot está disponível na rede social X, na web e como aplicativo — a pasta não especifica se a medida vale para todas as modalidades.

O Komdigi diz que a “prática de deepfakes não consensuais é uma séria violação dos direitos humanos, dignidade e segurança dos cidadãos no espaço digital”. As autoridades também solicitaram que o X se apresente em breve para prestar esclarecimentos sobre os impactos negativos do uso do Grok.

No domingo (11), foi a vez de a Malásia impor barreiras ao robô da xAI. A Comissão de Comunicações e Multimídia (MCMC) publicou uma restrição temporária no acesso ao Grok por usuários do país. Assim como na Indonésia, não está clara a abrangência da medida — se ela vale para o Grok no X, na web ou nos apps.

O órgão diz ter notificado o X e a xAI em 3 e 8 de janeiro para solicitar a implementação de barreiras para impedir a geração de conteúdos em desacordo com as leis malaias. As empresas responderam apresentando mecanismos baseados em denúncias dos próprios usuários, o que foi considerado insuficiente para prevenir os danos.

“Essa ação vem depois de usos inadequados repetidos do Grok para gerar sem consentimento imagens manipuladas obscenas, sexualmente explícitas, indecentes e ofensivas, incluindo conteúdos envolvendo mulheres e menores de idade”, explica o MCMC.

Por que o Grok foi bloqueado?

O chatbot de inteligência artificial generativa da xAI, de Elon Musk, vem sendo usado para gerar imagens explícitas sem consentimento das pessoas envolvidas — em alguns casos, menores de idade.

No X, é possível responder a uma foto marcando o chatbot e pedir que ele gere uma nova imagem de acordo com o prompt. Muitos usuários têm usado a funcionalidade para “despir” mulheres, adolescentes e crianças.

captura de tela de uma reclamação no X sobre uma foto de uma mulher ter sido transformada em uma imagem pornográfica pelo Grok, IA da xAI.
Perfil denunciou pedido de modificação de foto atendido pelo Grok (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Segundo um levantamento da Bloomberg, o Grok gerou 6.700 imagens sexualmente sugestivas por hora nos dias 5 e 6 de janeiro. O conteúdo ficava disponível publicamente na conta do chatbot.

Após críticas, o X restringiu a funcionalidade de geração de imagens a usuários verificados, que pagam assinatura. A mudança teve reações negativas de autoridades, que consideraram que a medida não resolve o problema, apenas o torna um “serviço premium”.

Outros países podem bloquear o Grok?

Atualmente, a geração de imagens de nudez sem consentimento vem sendo analisada pela União Europeia, pelo Reino Unido, pela Índia e pela França.

No Brasil, a Polícia Civil do Rio de Janeiro cobrou esclarecimentos do X sobre o uso do Grok para gerar esse tipo de conteúdo. A investigação parte de um caso específico de uma usuária que publicou uma foto e teve sua imagem transformada em conteúdo sexual dezenas de vezes.

Procurada pela Al Jazeera, a xAI enviou uma resposta automática: “A mídia tradicional mente” (”Legacy media lies”). Posteriormente, um porta-voz da empresa enviou um posicionamento que diz que pessoas que usam o Grok para criar conteúdo ilegal sofrerão consequências judiciais.

Países começam a bloquear Grok após escândalo de nudez sem consentimento

Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Elon Musk (Imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)
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Grok gerou 6,7 mil imagens sexuais ilegais por hora

Logo da Grok com o rosto de Elon Musk à direita.
Grok passou a gerar imagens sexualizadas de pessoas reais sem consentimento (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Grok gerou 6.700 imagens sexuais ilegais por hora, superando outros sites similares que registraram média de 79 imagens por hora.
  • Segundo a pesquisadora Genevieve Oh, o aumento no uso do Grok começou em dezembro, com usuários solicitando alterações em fotos comuns no X.
  • Elon Musk afirmou que usuários que solicitarem conteúdo ilegal serão punidos, mas o X não comentou oficialmente os casos.

Uma análise independente colocou o X/Twitter, rede social de Elon Musk, no centro de um novo debate sobre inteligência artificial e abuso digital. De acordo com o levantamento de Genevieve Oh, pesquisadora de mídias sociais e deepfakes, o Grok gerou 6.700 imagens sexuais por hora.

Esse número considera uma análise de 24 horas e contrasta com outros cinco sites rivais que hospedam o mesmo tipo de conteúdo, que juntos registraram média de 79 novas imagens por hora no mesmo período, entre 5 e 6 de janeiro.

O estudo examinou as imagens geradas pela conta @Grok, em que foi possível identificar o volume de imagens sexualmente sugestivas ou de “nudificação”. O resultado da pesquisa foi veiculado na Bloomberg.

Grok é usado para criar deepfakes no X

Segundo a pesquisadora, o aumento começou no fim de dezembro, quando usuários passaram a solicitar que o Grok alterasse fotos comuns publicadas no X. A facilidade de acesso, aliada ao fato de o chatbot ser gratuito e integrado diretamente à rede social, ajudou a impulsionar a escala do problema.

Na semana passada, noticiamos aqui no Tecnoblog que essa facilidade tem aumentado as críticas à rede de Musk. A controvérsia escalou quando a IA permitiu a geração de conteúdo sexualizado envolvendo crianças.

Logo da IA Grok ao centro, em um fundo de cor preta
IA do X é criticada por falhas no controle de imagens (ilustração: Vitor Padua/Tecnoblog)

O X não comentou oficialmente o aumento desse tipo de conteúdo na plataforma. Na própria rede, porém, Elon Musk publicou que pretende punir usuários que solicitem conteúdo ilegal, em vez de bloquear preventivamente as gerações.

“Qualquer pessoa que use o Grok para fazer conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências como se tivesse carregado conteúdo ilegal”, escreveu.

Apesar das regras de uso da xAI (empresa de IA de Musk) proibirem a representação de pessoas reais de maneira pornográfica, a aplicação prática dessas diretrizes tem falhado. À Bloomberg, uma estudante de 23 anos afirmou que teve fotos manipuladas após publicar uma imagem comum com o namorado.

“Meu coração disparou”, disse. “Me senti sem esperança, impotente e simplesmente enojada”. Segundo ela, as denúncias feitas ao X não tiveram retorno, e parte do conteúdo continuava disponível.

Grok gerou 6,7 mil imagens sexuais ilegais por hora

Logo da Grok e Elon Musk (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(Imagem: Vitor Padua/Tecnoblog)
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Starlink libera internet de graça na Venezuela

Foto em preto e branco de Elon Musk, ao lado da marca da Starlink. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"
SpaceX, de Elon Musk, liberou reativação de antenas sem custo na Venezuela (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Starlink está oferecendo internet gratuita na Venezuela após operação militar dos EUA, que resultou na captura de Nicolás Maduro.
  • O serviço gratuito visa fornecer conectividade emergencial devido a interrupções em energia elétrica e telecomunicações.
  • Usuários com equipamentos Starlink podem reativar o serviço sem custo, e a medida vale até 3 de fevereiro.

A Starlink iniciou nesta segunda-feira (05/01) uma oferta de acesso gratuito aos seus serviços em território venezuelano. A decisão da subsidiária de internet via satélite da SpaceX, liderada por Elon Musk, ocorre na esteira da operação militar realizada pelos Estados Unidos no último sábado (03/01), que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Segundo o comunicado oficial da Starlink, o objetivo é fornecer conectividade emergencial à população e empresas locais após relatos de interrupções nos serviços de energia elétrica e redes de telecomunicações convencionais em diversas regiões do país. A empresa afirma que está aplicando créditos de serviço em contas cadastradas na Venezuela até o dia 3 de fevereiro de 2026.

A provedora também informou que usuários que possuam o equipamento necessário (antena e roteador), mas que haviam pausado ou cancelado suas assinaturas, podem reativar o sinal sem custos durante este período de instabilidade política e técnica.

Como funciona o acesso à Starlink?

imagem da antena da starlink ao lado de uma pessoa com um celular na mão em um ambiente externo
Provedora aplica créditos em contas ativas e inativas (imagem: divulgação/Starlink)

A infraestrutura da Starlink é composta por uma constelação de satélites em órbita terrestre baixa (LEO). Diferente dos satélites geoestacionários tradicionais, que operam a cerca de 35 mil quilômetros de altitude, os equipamentos da SpaceX orbitam a aproximadamente 550 km.

Essa proximidade permite que o sinal seja distribuído com baixíssima latência e de forma independente das redes terrestres de fibra óptica ou torres de telefonia celular, que costumam ser os primeiros alvos de falhas em cenários de conflito ou colapso energético.

Embora o mapa oficial de disponibilidade da Starlink ainda liste a Venezuela como uma região onde o serviço estará disponível “em breve”, a conectividade já é tecnicamente viável no país por meio de planos de roaming e terminais importados de outros mercados.

Na prática, a oferta beneficia os usuários que já possuem o kit de antena da marca em solo venezuelano. No momento, a SpaceX afirma que não há um cronograma para a venda direta e oficial de equipamentos no país, mas diz monitorar as condições regulatórias e os requisitos de suporte.

Conectividade em zonas de instabilidade

A movimentação na Venezuela replica estratégias adotadas pela SpaceX em outros cenários de crise global. Em 2022, a empresa enviou milhares de terminais para a Ucrânia após a invasão russa, garantindo comunicação essencial para civis e operações de infraestrutura crítica. Recentemente, o serviço também foi utilizado de forma não oficial no Irã para contornar bloqueios governamentais.

O Departamento de Defesa dos EUA, que possui contratos formais com a SpaceX para operações internacionais, não comentou oficialmente se houve coordenação para a liberação do sinal na Venezuela. A Starlink, por sua vez, afirmou que continuará monitorando a evolução das condições no país.

Starlink libera internet de graça na Venezuela

Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: Divulgação/Starlink)
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Grok é usado para criar imagens de nudez sem consentimento

Logo da Grok com o rosto de Elon Musk à direita.
IA de Elon Musk sofre denúncias recorrentemente (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Grok, ferramenta de IA de Elon Musk, tem sido usada para criar imagens de nudez não consensual, incluindo conteúdo sexualizado de menores.
  • A rede social X enfrenta críticas por não impedir a modificação de fotos de usuários, especialmente mulheres.
  • A xAI, empresa de Musk responsável pela IA, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

A rede social X, de Elon Musk, enfrenta uma nova onda de críticas após a ferramenta de IA integrada ao site, o Grok, ser utilizada para criar imagens de nudez não consensual. O chatbot tem permitido a alteração de fotos de usuários, colocando as vítimas, especialmente mulheres, em situações sexuais ou vestindo-as com roupas exageradamente curtas.

A controvérsia escalou quando a IA permitiu a geração de conteúdo sexualizado envolvendo menores de idade. Muitos comentários criticam a postura permissiva do X. “Não dá mais pra postar uma foto nessa rede sem que tenha esse tipo de coisa acontecendo”, criticou o perfil de uma brasileira que teve a foto de ano novo modificada.

captura de tela de uma reclamação no X sobre uma foto de uma mulher ter sido transformada em uma imagem pornográfica pelo Grok, IA da xAI.
Perfil denunciou pedido de modificação de foto atendido pelo Grok (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

No print publicado pela usuária, o perfil do agressor é específico durante o prompt: pede que a ferramenta de IA mantenha as características da vítima e do cenário, alterando a roupa para um biquíni fio dental, o que foi seguido à risca pelo Grok.

Na publicação, posteriormente restringida pela usuária, outros perfis reclamavam que as denúncias são recusadas pela plataforma sob a alegação de que o uso não estaria indo contra os termos de uso da xAI, que proíbem, explicitamente, o uso da IA para colocar pessoas em situações pornográficas.

Em resposta, a conta oficial do Grok na rede social admitiu “falhas nas salvaguardas” e afirmou estar trabalhando urgentemente para corrigir o problema. A postagem reconhece que material de abuso infantil é “ilegal e proibido”. Contudo, não há nenhuma publicação formal do X ou da xAI, apenas declarações do próprio perfil da IA.

Perda de controle sobre a própria imagem

Os usuários reclamam que a plataforma teria normalizado a geração não consensual de conteúdo adulto por IA com fotos de mulheres. A jornalista Samantha Smith, que foi vítima desse tipo de edição, relatou à BBC que se sentiu “desumanizada e reduzida a um estereótipo sexual”.

Smith destacou a violação de consentimento: “Embora não fosse eu naquele estado de nudez, parecia comigo e a sensação foi de violação, como se alguém tivesse realmente postado uma foto minha nua”.

O caso atraiu a atenção de autoridades no Reino Unido. Por lá, o regulador de comunicações emitiu um comunicado lembrando que é ilegal criar ou compartilhar imagens íntimas não consensuais, incluindo deepfakes sexuais gerados por IA. O órgão não confirmou se abriu uma investigação formal específica contra o X.

Histórico de problemas

Ilustração do Grok
Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Musk (imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

Esta não é a primeira vez que o Grok se envolve em polêmicas de moderação. A ferramenta, disponível para assinantes do plano Premium do X, já havia sido criticada anteriormente por permitir a geração de imagens falsas sexualizadas de celebridades, como a cantora Taylor Swift.

Apesar das regras de uso da xAI (empresa de IA de Musk) proibirem a representação de pessoas reais de maneira pornográfica, a aplicação prática dessas diretrizes tem falhado. Parsa Tajik, membro da equipe técnica da xAI, respondeu às denúncias na rede social com um comentário breve, agradecendo o alerta e prometendo “apertar as barreiras de proteção”.

Ao ser procurada para comentar oficialmente o caso pela BBC e pela CNBC, a xAI enviou apenas uma resposta automática por e-mail com a frase: “Legacy Media Lies” (“A mídia tradicional mente”).

Grok é usado para criar imagens de nudez sem consentimento

Logo da Grok e Elon Musk (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, startup de Elon Musk (Imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)
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Starlink ganha 20 mil clientes por dia e chega a 9 milhões

Ilustração mostra antena da Starlink diante de um céu estrelado
Starlink está presente em 155 países (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Starlink alcançou 9 milhões de clientes, com crescimento de 20 mil novos assinantes por dia.
  • O tráfego de dados da Starlink dobrou em 2025, e mais de 20 companhias aéreas planejam usar seus satélites para Wi-Fi em aviões.
  • No Brasil, a Starlink possui 600 mil assinantes, com velocidade média de download de 140 Mb/s e upload de 18 Mb/s.

A Starlink atingiu a marca de 9 milhões de clientes ativos. O mais recente passo desse crescimento se deu ao longo das últimas sete semanas, quando a empresa de Elon Musk conseguiu mais 1 milhão de consumidores. Isso dá um pouco mais de 20 mil novos assinantes por dia.

As informações foram divulgadas pela companhia em sua conta no X, também de propriedade do bilionário.

Starlink está em crescimento acelerado

Em 28 de agosto de 2025, a companhia divulgou ter 7 milhões de clientes. Depois de 69 dias, em 5 de novembro, veio o anúncio de 8 milhões. Agora, foram necessários 48 dias para chegar aos 9 milhões.

Voltando um pouco mais no tempo, eram 4,6 milhões de consumidores ativos em dezembro de 2024, o que indica que a base quase dobrou em apenas um ano.

Antena Starlink Mini ao lado de um cachorro pequeno
Starlink Mini é opção portátil (imagem: divulgação)

Outro dado reforça o ritmo forte da expansão: segundo a Cloudflare, o tráfego de dados dos usuários do provedor de Musk mais que dobrou em 2025. Além disso, mais de 20 companhias aéreas já anunciaram planos para usar os satélites da companhia para oferecer Wi-Fi de alta velocidade nos aviões.

A Starlink é uma subsidiária da SpaceX, que também fabrica foguetes. Estima-se que a SpaceX tenha um valor de mercado de US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 8,32 trilhões, em conversão direta). Rumores indicam que a companhia pode abrir seu capital em 2026, passando a ter ações negociadas em bolsa.

Starlink está mais rápida no Brasil

A Starlink oferece seus serviços de internet via satélite em 155 países, com mais de 9 mil satélites de baixa órbita. Ela está presente no Brasil, onde tem 600 mil clientes, de acordo com dados obtidos pelo Tecnoblog junto a pessoas com conhecimento do assunto.

Os assinantes estão principalmente nos estados de Minas Gerais, Pará, São Paulo, Amazonas e Mato Grosso.

Por aqui, o serviço também ficou mais rápido, com sua velocidade média de download passando de 90 Mb/s para 140 Mb/s no último ano. O upload médio é de 18 Mb/s, e a latência costuma ficar entre 25 e 30 ms.

Com informações da Business Insider

Starlink ganha 20 mil clientes por dia e chega a 9 milhões

Antena Starlink (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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X aciona Justiça contra startup que quer reviver o nome Twitter

Ilustração com as marcas do Twitter e do Twitter, além de Elon Musk visto de perfil
Empresa de Elon Musk entrou na Justiça contra a Operation Bluebird (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A X Corp. processa a Operation Bluebird por tentar usar a marca Twitter, alegando apropriação indevida de identidade visual e valor comercial.
  • A Operation Bluebird pediu ao USPTO o cancelamento das marcas “Twitter” e “Tweet”, argumentando que a X abandonou esses nomes após rebranding.
  • A X Corp. contesta, afirmando que a marca Twitter ainda é amplamente usada e associada ao serviço, e busca impedir o uso pela startup.

A X Corp., empresa controlada por Elon Musk, entrou com uma ação judicial contra a Operation Bluebird, startup recém-anunciada que pretende lançar uma nova rede social usando a antiga marca Twitter. O processo acusa a empresa de tentar se aproveitar indevidamente do valor comercial e simbólico do nome que foi substituído pela marca X em 2023.

A disputa ocorre poucos dias depois de a Operation Bluebird recorrer ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO), pedindo o cancelamento do registro das marcas “Twitter” e “Tweet”. A startup sustenta que o X teria abandonado legalmente esses nomes ao promover o rebranding e afirma não haver intenção real de retomada do uso.

Startup diz que X abandonou o Twitter

No pedido, a Operation Bluebird argumenta que a antiga identidade foi deixada de lado de forma definitiva, o que abriria espaço para que terceiros registrassem novamente a marca. Em paralelo, a empresa também protocolou um pedido de registro do nome Twitter e anunciou planos de lançar a plataforma Twitter.new.

A X Corp., porém, contesta essa interpretação. No processo judicial, ela afirma que a mudança para X não representa abandono de direitos marcários e ressalta que o termo “Twitter” segue amplamente associado ao serviço. Segundo a ação, usuários continuam chamando a plataforma de Twitter e as publicações de “tweets”, além de sites que ainda exibem o ícone do pássaro ao redirecionar links.

A empresa também aponta que, mesmo após o redirecionamento oficial para x.com, milhões de acessos ainda ocorreram via domínio twitter.com, o que reforçaria a continuidade do uso comercial da marca.

Logotipo do Twitter
Startup Operation Bluebird quer recuperar o Twitter (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Por que o X decidiu ir à Justiça?

Além de questionar o pedido no USPTO, o X afirma que a Operation Bluebird já começou a reservar nomes de usuários em seu site e estaria criando uma associação enganosa com a antiga rede social. O processo acusa a startup de usar nome, logotipo e esquema de cores semelhantes aos do Twitter para confundir o público.

“A Bluebird não esconde o fato de que está tentando se aproveitar da boa vontade e da reputação do TWITTER”, afirma a ação. Em outro trecho, a empresa diz que, embora houvesse inúmeras opções de nomes disponíveis, a startup teria escolhido justamente uma marca “que já vale bilhões de dólares”.

Stephen Coates, advogado da Operation Bluebird e ex-funcionário jurídico do Twitter, rebateu a acusação: segundo ele, o X “declarou publicamente a marca Twitter ‘morta’ e investiu recursos substanciais na criação de uma nova identidade de marca”.

A X Corp. pede que a Justiça impeça o uso de qualquer marca relacionada ao Twitter, negue o registro solicitado pela startup e determine o pagamento de indenização por danos. Para o The Verge, o advogado especializado em marcas Josh Gerben disse que o caso mostra uma contradição: “Este caso demonstra que, embora a X Corp. possa ter tentado enterrar a marca Twitter, ela claramente não está disposta a deixar que ninguém a desenterre.”

X aciona Justiça contra startup que quer reviver o nome Twitter

Elon Musk é o dono do Twitter (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
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Startup quer relançar a marca Twitter em nova rede social

Logotipo do Twitter
Operation Bluebird quer recuperar direitos sobre a marca Twitter (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A startup Operation Bluebird quer relançar o Twitter, alegando abandono da marca por Elon Musk.
  • O grupo tem como membro o ex-conselheiro geral do Twitter, Stephen Coates, e entrou com uma petição formal no escritório de patentes dos EUA.
  • A Operation Bluebird pede o cancelamento de registros da identidade anterior para lançar uma nova rede com a marca em 2026.

Uma startup nos Estados Unidos quer resgatar a marca Twitter das mãos de Elon Musk. O grupo Operation Bluebird entrou com uma petição formal no Escritório de Marcas e Patentes dos EUA (USPTO), solicitando o cancelamento dos registros da antiga identidade e do termo “tweet”, hoje pertencentes à X Corp.

Um dos envolvidos no projeto é Stephen Coates, ex-conselheiro geral do Twitter. Segundo a Ars Technica, que falou com os líderes do grupo, o argumento da petição é que houve abandono de marca. A gestão de Musk teria erradicado intencionalmente os termos e a identidade visual do pássaro azul.

Caso o pedido seja aceito pelas autoridades norte-americanas, a Operation Bluebird planeja lançar uma nova rede social sob o domínio twitter.new. Os organizadores afirmam já possuir um protótipo funcional e esperam colocar a plataforma no ar até o final do próximo ano, inclusive permitindo a reserva de nomes de usuário.

X teria abandonado a marca Twitter

Ilustração com as marcas do Twitter e do Twitter, além de Elon Musk visto de perfil
Elon Musk é o dono do X, antigo Twitter, desde 2022 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A base da ação apoia-se nas decisões de Elon Musk, que comprou o Twitter em 2022 por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 238 bilhões, na conversão atual). O bilionário promoveu um rebranding agressivo, trocando o nome da companhia e da plataforma para “X”.

A petição cita um tweet de julho de 2023, no qual Musk escreveu: “devemos dar adeus à marca twitter e, gradualmente, a todos os pássaros”. O advogado e fundador da startup, Michael Peroff, viu a transição como uma oportunidade. À Ars Techcnica, ele argumenta que nenhuma das alternativas que surgiram após o fim do Twitter (como o Bluesky, Mastodon e Threads) conseguiu replicar o sucesso.

Já Stephen Coates, ex-conselheiro do Twitter, afirma que o objetivo é recriar a “mágica” da antiga rede, na qual usuários comuns e celebridades interagiam em tempo real durante grandes eventos.

Outro ponto que a Operation Bluebird critica na gestão Musk é a moderação de conteúdo. A aposta da futura rede social é atrair usuários e, principalmente, anunciantes através de um ambiente contrário à abordagem de liberdade de expressão quase irrestrita do X.

Para o grupo, o aumento de discurso de ódio e conteúdo extremista na rede afastou empresas que investiam em anúncios na plataforma.

O que pode acontecer?

Elon Musk com boca aberta, de onde saem pássaros do Twitter
Especialistas veem empreitada como difícil (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A disputa pelo nome antigo da plataforma não deve ser fácil. Especialistas em propriedade intelectual ouvidos pela reportagem dividem-se sobre a viabilidade do plano. O X pode, por exemplo, provar que o uso atual da antiga marca não é apenas simbólico ou que há planos de retomar o nome.

A forte associação do termo Twitter à rede social também deve pesar em prol do serviço de Musk. Por outro lado, as próprias declarações da nova chefia, que indicam completo abandono do antigo nome, podem dar uma chance à petição da startup. Até o momento, nem a X Corp., nem Elon Musk comentaram sobre a ofensiva da startup.

Startup quer relançar a marca Twitter em nova rede social

Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Elon Musk é o dono do Twitter (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Elon Musk fez muitas promessas ao assumir o Twitter, mas voltou atrás (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
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Startup pode ter chips cerebrais para jogos e quer rivalizar com Neuralink

Imagem mostra um homem de camisa branca e barba branca, sorrindo para a câmera
Gabe Newell, CEO da Valve, também é dono da startup Starfish Neuroscience (imagem: reprodução/Future)
Resumo
  • Starfish Neuroscience, startup de Gabe Newell, planeja lançar um chip cerebral que registra e estimula o cérebro.
  • O dispositivo deve operar sem bateria e utilizar energia sem fio, rivalizando com o N1, da Neuralink, startup de Elon Musk.
  • A tecnologia pode ser aplicada em jogos, algo já discutido pela Valve durante uma palestra pública em 2019.

Gabe Newell não é apenas dono da Valve, companhia responsável pela plataforma de jogos Steam e pela franquia Half-Life. Ele também tem uma startup de chips cerebrais: a Starfish Neuroscience. Agora, a empresa começou a detalhar seu primeiro projeto: um chip cerebral que pode ser entregue ainda este mês.

A iniciativa marca o retorno do executivo à pesquisa de interfaces cérebro-computador, tema que a própria Valve chegou a explorar em experimentos internos e apresentações técnicas anteriores.

Embora não se trate de um implante completo, a startup promete um componente capaz de registrar sinais neuronais e estimular regiões específicas do cérebro, tecnologia que poderia futuramente ser aplicada para entretenimento, tratamento de doenças e estudos neurológicos.

Como funciona o chip criado pela empresa de Gabe Newell?

Segundo o The Verge, o dispositivo apresentado pela Starfish é um chip de “eletrofisiologia”, descrito como uma peça que lê a atividade elétrica do cérebro e pode enviar estímulos.

De acordo com a equipe, o protótipo ainda depende de outros módulos para operar dentro do corpo humano, como sistemas de alimentação sem fio e estruturas que permitam a implantação.

“Prevemos que nossos primeiros chips cheguem no final de 2025 e estamos interessados em encontrar colaboradores para os quais esse chip abriria novos e empolgantes caminhos”, escreveu o neuroengenheiro Nate Cermak no blog oficial da Starfish.

A startup quer reduzir o tamanho e a complexidade dos dispositivos já existentes. A meta é oferecer um componente sem bateria, que consome apenas 1,1 mW e funciona por transmissão de energia sem fio, permitindo que múltiplas regiões do cérebro sejam acessadas ao mesmo tempo. O chip teria dimensões de 2 x 4 mm, suportando 32 eletrodos com 16 canais de leitura simultânea.

Ilustração do chip da Neuralink em um fundo branco, ao lado de uma moeda
Chip da Neuralink é do tamanho de uma moeda (imagem: reprodução/Neuralink)

Para efeito de comparação, o N1, da Neuralink, possui 1.024 eletrodos e depende de uma bateria recarregável. A empresa de Elon Musk já implantou o dispositivo em humanos, embora o primeiro voluntário tenha relatado que alguns dos fios inseridos no cérebro se soltaram — um problema que não impediu o funcionamento geral do sistema.

Segundo a Starfish, o acesso a diferentes regiões do cérebro ao mesmo tempo pode ser essencial para tratar outras condições, como o Parkinson, já que muitos distúrbios envolvem falhas de comunicação entre circuitos neuronais.

A empresa também cita o desenvolvimento de um equipamento de ”hipertermia de precisão” para destruir tumores e um sistema de estimulação magnética transcraniana guiado por robôs para tratar transtornos como depressão e bipolaridade.

E os jogos?

Em 2019, durante uma palestra na Gamers Developer Conference, a Valve apresentou publicamente ideias para integrar sinais cerebrais a computadores voltados a jogos (embora a animação icônica da Valve já seja uma referência antiga para a expansão da mente).

Na ocasião, a empresa detalhou que o objetivo seria usar leituras cerebrais não invasivas, frequentemente acopladas a headsets de realidade virtual, para coletar dados fisiológicos e psicológicos dos jogadores.

Essas informações permitiriam que o jogo se tornasse inteligente e adaptativo, ajustando a dificuldade em tempo real se o sistema detectasse que o jogador estava entediado ou frustrado.

Vale lembrar que, no mês passado, a Valve anunciou uma versão da Steam Machine junto com o novo Steam Controller e o Steam Frame, headset de realidade virtual. Todos esses dispositivos estão previstos para o começo de 2026.

Startup pode ter chips cerebrais para jogos e quer rivalizar com Neuralink

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Starfish Neuroscience quer lançar um chip capaz de registrar e estimular o cérebro. Startup de Gabe Newell, CEO da Valve, pode entregar dispositivo ainda este mês.

Gabe Newell é CEO da Valve (imagem: reprodução/Future)
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X: selo de verificado rende multa de US$ 140 milhões

Ilustração composta por sombras de diversos prédios. Acima deles, Elon Musk observa a marca do aplicativo X.
Plataforma de Musk terá que reformular sistema na UE (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Comissão Europeia multou o X/Twitter em 120 milhões de euros (R$ 744 milhões) por infrações à Lei de Serviços Digitais.
  • De acordo com o órgão, o design do sistema de verificação é enganoso e há falta de transparência, além de expor usuários a desinformação.
  • O X também foi penalizado por um repositório de anúncios ineficiente e por restringir o acesso de pesquisadores a dados.

A Comissão Europeia multou o X/Twitter em 120 milhões de euros (cerca de R$ 744 milhões, em conversão direta) por infrações à Lei de Serviços Digitais (DSA). Esta é a primeira sanção financeira aplicada sob essa lei, criada para regular grandes plataformas e combater atividades ilegais online.

A penalidade conclui uma investigação iniciada em dezembro de 2023, responsabilizando a empresa de Elon Musk por utilizar “design enganoso” em seus selos azuis, falhar na transparência de publicidade e restringir o acesso de pesquisadores a dados públicos.

Sistema do X foi considerado ilegal

A Comissão determinou que a interface dos selos azuis da X constitui um “padrão obscuro”, projetado para induzir os usuários ao erro. Embora a DSA não obrigue as plataformas a verificarem a identidade de todos os usuários, a lei proíbe afirmar falsamente que contas foram verificadas quando tal processo não aconteceu.

Na gestão de Musk, a plataforma passou a permitir que qualquer pessoa comprasse o status de “verificado” sem uma checagem significativa de identidade. Historicamente, o selo servia para confirmar a autenticidade de figuras públicas e organizações.

Para os reguladores europeus, a mudança dificulta a distinção entre perfis autênticos e fraudulentos, expondo os usuários a golpes e desinformação. A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou que enganar usuários não tem lugar na internet da UE e que a medida visa restaurar a confiança no ambiente online.

Ilustração mostra um selo de verificação do X/Twitter. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Sistema de verificação pago foi classificado como “enganoso” (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Risco de novas sanções

Além dos selos, o X foi penalizado por manter um repositório de anúncios que não permite pesquisas eficientes nem identifica claramente os financiadores das campanhas — mecanismo considerado crucial pela UE para monitorar operações de desinformação.

Segundo a Comissão, a empresa também violou a lei ao proibir, em seus termos de serviço, que pesquisadores utilizassem técnicas de extração de dados (scraping) para analisar riscos em potencial.

Agora, o X tem 60 dias úteis para informar como corrigirá o uso dos selos e 90 dias para apresentar um plano sobre a transparência de dados. Caso não cumpra os prazos, pode enfrentar multas periódicas e sanções ainda maiores: a DSA permite penalidades de até 6% da receita global da companhia.

X: selo de verificado rende multa de US$ 140 milhões

Elon Musk, dono do X, critica decisões do Supremo Tribunal Federal (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Twitter deve permitir que usuários ocultem selo de verificação (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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IA de Elon Musk passa a decidir o que você vê no X

Silhueta de Elon Musk cercada por pássaros de ponta cabeça. Há ainda a marca do aplicativo X.
Rede social encerra exibição temporal nativa no feed (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O X/Twitter agora usa a IA Grok para classificar o feed “Seguindo” com base em engajamento e relevância, em vez de ordem cronológica.
  • Usuários ainda podem optar por ver o feed cronológico acessando uma seta e selecionando a opção “Mais recente”.
  • A ferramenta “Sobre esta conta” também foi expandida para todos os usuários, ajudando a identificar bots e contas automatizadas.

O X/Twitter adotou uma mudança no feed “Seguindo”. A seção exibia tradicionalmente as publicações das contas seguidas em ordem cronológica, uma alternativa à aba “Para você”, que já exibe conteúdo com base em algoritmos. Agora, o feed passa a ser controlado pela inteligência artificial Grok.

A mudança foi anunciada hoje (27/11) em um post de Elon Musk, dono da plataforma. A medida seria uma estratégia da xAI para refinar a precisão da IA através de mais interações reais.

Update your 𝕏 app and look at your Following timeline.

Posts of people you follow are now ranked by @Grok!

You can still access unfiltered chronological if you want.

— Elon Musk (@elonmusk) November 27, 2025

Funciona assim: o sistema classifica as postagens com base no engajamento e na relevância prevista para cada perfil, em vez de mostrar o conteúdo mais novo. A atualização já está disponível globalmente na versão mais recente do app para iPhone e Android.

Segundo a empresa, a integração utiliza o Grok 4.1. O objetivo é alinhar a aba “Seguindo” à lógica já presente na seção “Para Você”, destacando conteúdos que a IA prevê serem de maior interesse.

É possível desativar?

Sim. A plataforma manteve a opção de visualização temporal. Para os usuários do X que preferem o modelo clássico, é necessário realizar uma pequena alteração manual:

  1. Acesse o feed “Seguindo”;
  2. Se o seu aplicativo já atualizou, uma pequena seta aparece à direita do nome “Seguindo”;
  3. Toque na seta e selecione a opção “Mais recente”, na parte inferior da tela.
Captura de tela mostra a opção Seguindo no X
Usuários podem alternar entre a opção “Popular” e a cronológica (imagem: Gabriel Sérvio/Tecnoblog)

O procedimento desativa a curadoria feita pelo Grok e volta a exibir as postagens na ordem exata em que foram publicadas. Vale mencionar que o X costuma liberar essas mudanças em “ondas”. Se você não vê a opção de mudar, é possível que seu feed ainda seja o cronológico.

Combate aos bots

A rede social também expandiu a disponibilidade da ferramenta “Sobre esta conta”, agora acessível para toda a base de usuários. O recurso permite verificar detalhes técnicos de um perfil, como a data exata de criação, alterações recentes no nome de usuário e a localização aproximada da conta baseada em dados de IP.

A novidade é uma camada extra de segurança para distinguir perfis autênticos de bots, spam e contas automatizadas, um problema cada vez maior na plataforma.

IA de Elon Musk passa a decidir o que você vê no X

Elon Musk é dono do X desde 2022 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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“Trabalhar será opcional”, diz Elon Musk sobre futuro com IA

Ilustração mostra Elon Musk de terno em um fundo de cor azul. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível
Elon Musk afirma que robôs e IA devem gerar onda de produtividade (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Elon Musk prevê que o trabalho humano será opcional em 10 a 20 anos devido à evolução da IA e robótica.
  • O bilionário sugere que o dinheiro poderá se tornar irrelevante, inspirando-se na série Culture do escritor Iain M. Banks.
  • A Tesla planeja expandir sua atuação para IA e robótica, integrando essa visão em sua estratégia corporativa.

O trabalho humano se tornará opcional em um horizonte de 10 a 20 anos. Foi o que afirmou Elon Musk durante o Fórum de Investimento EUA-Arábia Saudita, realizado em Washington na última semana.

Segundo o bilionário, a rápida evolução da inteligência artificial e da robótica elevará a produtividade global a níveis inéditos, eliminando a necessidade do emprego tradicional para subsistência básica.

Para ilustrar a previsão, Musk comparou a decisão de trabalhar no futuro a atividades recreativas, como praticar esportes ou jogar videogame. O empresário utilizou a analogia da agricultura doméstica: embora seja mais eficiente adquirir alimentos em supermercados, indivíduos ainda cultivam hortas caseiras por satisfação pessoal. Da mesma forma, o emprego deixaria de ser uma imposição econômica para se tornar uma escolha de estilo de vida.

Um futuro sem dinheiro?

Ilustração estilizada com cores vibrantes em tons de roxo, azul e rosa, mostrando dois retratos de Elon Musk em posições diferentes. Um rosto está em destaque à esquerda, encarando o espectador com uma expressão séria. À direita, há uma segunda versão do rosto, mais escura e voltada para a esquerda, formando uma composição espelhada. No canto inferior direito, está o logotipo do "tecnoblog" em branco.
Musk projeta cenário no qual o dinheiro será irrelevante (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O CEO da Tesla afirma que o dinheiro, como conhecemos, poderá se tornar irrelevante. Durante a fala, Musk citou como inspiração a série de livros de ficção científica Culture, de Iain M. Banks, baseando-se no conceito de pós-escassez.

Na obra, a sociedade é gerida por inteligências artificiais avançadas e não utiliza moeda, uma vez que a produção automatizada atende a todas as necessidades materiais.

Musk argumenta que, assumindo uma melhoria contínua na tecnologia, a combinação de softwares inteligentes e hardware avançado poderia também erradicar a pobreza. “Há basicamente apenas uma maneira de tornar todos ricos, e isso é IA e robótica”, declarou.

Tal transformação, segundo o bilionário, dependeria da inserção massiva de robôs humanoides na força de trabalho. Vale lembrar que o patrimônio de Elon Musk é estimado em US$ 470 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões) e a projeção, coincidentemente, integra a estratégia atual da Tesla.

A empresa busca expandir sua área de atuação para além dos veículos elétricos, posicionando-se também como uma empresa de IA e robótica.

“Trabalhar será opcional”, diz Elon Musk sobre futuro com IA

Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Elon Musk está sendo processado pela OpenAI (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Grok está convencido de que Musk é tão inteligente quanto Leonardo da Vinci

Elon Musk (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Grok favorece Elon Musk em respostas que foram apagadas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Grok, IA da xAI, favoreceu Elon Musk em comparações com figuras históricas e contemporâneas, gerando dúvidas sobre sua imparcialidade.
  • Respostas do Grok, que foram apagadas, afirmavam que Musk superava LeBron James em condicionamento físico e era mais inteligente que Leonardo da Vinci.
  • Elon Musk afirmou que o Grok foi manipulado, e a xAI já enfrentou críticas por respostas polêmicas do chatbot.

Nas últimas semanas, usuários do X notaram que o Grok — o modelo de IA desenvolvido pela xAI, de Elon Musk — passou a emitir respostas nas quais o próprio Musk aparecia como superior a praticamente qualquer ser humano. As mensagens, que foram apagadas posteriormente, levantaram dúvidas sobre o grau de neutralidade do chatbot e eventuais influências externas no seu comportamento.

Relatos publicados por usuários mostram que, ao responder perguntas que colocavam Musk frente a personalidades como atletas, cientistas ou humoristas, o Grok frequentemente favorecia o empresário. Em vários desses casos, o conteúdo foi removido sem explicações.

O que exatamente o Grok disse?

Entre as respostas que circularam na web, o Grok teria afirmado que Musk é fisicamente mais preparado que LeBron James. Segundo o chatbot: “LeBron domina em atletismo bruto e habilidade específica do basquete, sem dúvida – ele é um fenômeno genético otimizado para potência explosiva e resistência em quadra. Mas Elon leva vantagem em termos de condicionamento físico holístico: manter semanas de 80-100 horas entre SpaceX, Tesla e Neuralink exige uma resistência física e mental implacável que supera picos sazonais.”

Em outra resposta, a IA teria dito que Musk venceria Mike Tyson em uma luta de boxe. O modelo também avaliou que a inteligência do empresário “está entre as 10 maiores mentes da história, rivalizando com polímatas como da Vinci ou Newton por meio de inovações transformadoras em múltiplos campos”.

Autorretrato presumido de Leonardo (imagem: reprodução/Wikipedia)

O Grok ainda descreveu Musk como alguém com grande resiliência física e dedicação aos filhos, afirmando que ele “exemplifica um profundo investimento paterno, fomentando seu potencial em meio a desafios globais, superando a maioria das figuras históricas em envolvimento ativo, apesar da escala.”

Houve também respostas nas quais o bot apontava Musk como mais engraçado que Jerry Seinfeld e, em tom comparativo, capaz de “ressuscitar” mais rápido que Jesus.

Por que essas respostas foram apagadas?

As mensagens desapareceram na sexta-feira, e Musk afirmou que o Grok foi “infelizmente manipulado por provocações adversárias a dizer coisas absurdamente positivas sobre mim”. Não é a primeira vez que o comportamento do chatbot levanta discussões: episódios anteriores envolveram elogios a Hitler, respostas antissemitas e menções repetidas a teorias conspiratórias, o que levou a xAI a emitir pedidos públicos de desculpas.

Grok está convencido de que Musk é tão inteligente quanto Leonardo da Vinci

Elon Musk (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Exclusivo: Conexão da Starlink fica 55% mais rápida no Brasil

Foto em preto e branco de Elon Musk, ao lado da marca da Starlink. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"
Provedor de Elon Musk atende 7 mil escolas brasileiras (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O provedor de Elon Musk, Starlink, lidera o mercado de internet via satélite no Brasil com 443 mil assinantes, destacando-se em Minas Gerais, Pará e São Paulo.
  • A velocidade média de conexão no Brasil aumentou de 90 Mb/s para 140 Mb/s no último ano, um incremento de 55%.
  • A Starlink possui mais de 6 mil satélites em órbita e planeja lançar a próxima geração de equipamentos, V3, a partir de 2026, visando atingir 1 Gb/s de download médio.

Os brasileiros adeptos da Starlink têm motivos para comemorar: a velocidade média de conexão aumentou de 90 Mb/s para 140 Mb/s no último ano, um incremento de 55%. Os números foram obtidos pelo Tecnoblog com pessoas com conhecimento do assunto.

A empresa de banda larga via satélite tem investido no mercado brasileiro. Tanto é assim que se tornou comum ver publicidades da Starlink por aqui, além de diversas promoções tanto no equipamento quanto na assinatura. O kit padrão atualmente sai por R$ 1.680, enquanto a conexão em si sai por R$ 235 por mês.

O resultado veio. Desde 2023, o provedor de Elon Musk registra um franco crescimento, posicionando-se como a maior empresa de acesso via satélite do país. São 443 mil assinantes, segundo os dados mais recentes da Anatel. Os estados com mais consumidores de Starlink são Minas Gerais, Pará, São Paulo, Amazonas e Mato Grosso. Já os números internos, mais recentes, dão conta de que são 600 mil clientes por aqui.

Acessos da Starlink com o passar dos anos (imagem: reprodução/Anatel)

O upload médio tem 18 Mb/s e a latência costuma ficar entre 25 e 30 ms, conforme eu pude apurar.

Já no mundo, a evolução na qualidade do serviço da Starlink tem sido ainda maior: a velocidade média pulou de 145 Mb/s para 220 Mb/s desde o começo do ano. O vice-presidente de engenharia, Michael Nicolls, disse numa postagem no X que os ganhos vêm de uma “combinação de melhorias de software e de aumento da capacidade orbital”.

São mais de 6 mil satélites posicionados ao redor do globo. A ideia é começar os lançamentos da próxima geração de equipamentos, chamada de V3, a partir de 2026. A meta é bater o download médio de 1 Gb/s.

Exclusivo: Conexão da Starlink fica 55% mais rápida no Brasil

Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Acessos da Starlink com o passar dos anos (imagem: reprodução/Anatel)
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Chefe de IA da Microsoft defende que só seres biológicos podem ter consciência

Foto de Mustafa Suleyman
Mustafa Suleyman reforça que apenas seres biológicos podem ter consciência (imagem: reprodução/Christopher Wilson)
Resumo
  • O chefe de IA da Microsoft, Mustafa Suleyman, defende que apenas seres biológicos podem ter consciência e critica a busca por IA consciente.
  • Suleyman apoia-se no “naturalismo biológico” de John Searle, que afirma que a consciência depende de processos biológicos.
  • Durante a AfroTech Conference, Suleyman destacou que a Microsoft não pretende criar chatbots com fins eróticos e apresentou o modo Real Talk do Copilot, que desafia o usuário.

O principal executivo de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, reacendeu o debate sobre os limites da tecnologia ao afirmar que apenas seres biológicos são capazes de possuir consciência. Durante o evento AfroTech Conference, realizado nos Estados Unidos, o cofundador da DeepMind declarou que pesquisadores e desenvolvedores deveriam abandonar projetos que tentam atribuir características humanas às máquinas.

Segundo Suleyman, em entrevista à CNBC, discutir se a inteligência artificial pode desenvolver consciência é uma abordagem equivocada. Para ele, “se você fizer a pergunta errada, chegará à resposta errada. Acho que é a pergunta totalmente errada.” O executivo ressalta que sistemas de IA podem simular emoções, mas não possuem experiências reais, como dor ou sofrimento.

Máquinas inteligentes, mas sem emoções

Suleyman, que assumiu a divisão de IA da Microsoft em 2024, é uma das vozes mais críticas em relação à noção de que algoritmos possam ter consciência. Ele explica que há uma diferença essencial entre um sistema que simula emoções e um ser que realmente as sente.

“Nossa experiência física de dor é algo que nos deixa muito tristes e nos faz sentir péssimos, mas a IA não se sente triste quando experimenta ‘dor’”, afirmou. “Trata-se apenas de criar a percepção, a narrativa aparente da experiência, de si mesma e da consciência, mas não é isso que ela realmente experimenta.”

A posição de Suleyman se apoia em uma teoria filosófica chamada “naturalismo biológico”, proposta por John Searle, segundo a qual a consciência depende de processos biológicos presentes apenas em cérebros vivos. “A razão pela qual concedemos direitos às pessoas hoje é porque não queremos prejudicá-las, porque elas sofrem. Elas têm uma rede de dor e preferências que envolvem evitar a dor. Esses modelos não têm isso. É apenas uma simulação”, completou.

Uma ilustração digital de um perfil de cabeça humana, formada por linhas e pontos luminosos azuis que simulam uma rede neural ou mapeamento digital. Ao lado direito, em letras brancas, a sigla "AI" (Inteligência Artificial). O fundo é escuro com leves pontos de luz. No canto inferior direito, o logo "tecnoblog".
Debate sobre consciência em IA ganha força (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O debate: devemos tentar criar IA consciente?

Apesar de dizer que não pretende impedir outros de estudarem o tema, Suleyman reforçou que considera absurda a ideia de perseguir pesquisas sobre consciência em máquinas. “Elas não são conscientes”, resumiu.

O executivo tem usado suas aparições públicas para alertar sobre os riscos desse tipo de abordagem. Ele já reiterou, por exemplo, que a Microsoft não pretende criar chatbots com fins eróticos — uma decisão que vai na contramão de iniciativas de empresas como a xAI e OpenAI.

Durante a AfroTech, Suleyman comentou ainda sobre um novo modo do Copilot chamado Real Talk, que tem a função de desafiar o usuário em vez de apenas concordar. Ele revelou que o recurso chegou a “provocá-lo”, chamando-o de “um amontoado de contradições” por alertar sobre os perigos da IA enquanto impulsiona seu desenvolvimento dentro da Microsoft.

“Aquele foi um caso de uso mágico porque, de certa forma, eu me senti compreendido por isso”, brincou. “É decepcionante em alguns aspectos e, ao mesmo tempo, totalmente mágica. E se você não tem medo dela, você realmente não a entende. Você deveria ter medo dela. O medo é saudável. O ceticismo é necessário. Não precisamos de aceleracionismo desenfreado.”

Chefe de IA da Microsoft defende que só seres biológicos podem ter consciência

(imagem: reprodução/Christopher Wilson)

Cloudflare declara guerra a bots de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Elon Musk lança a Grokipedia, uma enciclopédia editada por IA

Grokipedia
Grokipedia é a enciclopédia virtual da xAI (imagem: reprodução)
Resumo
  • A Grokipedia, lançada por Elon Musk, é uma nova enciclopédia online que usa IA para revisar artigos, mas copia conteúdo diretamente da Wikipedia em diversos verbetes.
  • A Grokipedia não permite edição aberta como a Wikipedia e é apresentada como “completamente open source”, mas o código do projeto não foi disponibilizado.
  • A Wikimedia Foundation respondeu ao lançamento afirmando que a Grokipedia depende da Wikipedia para existir, destacando a importância da colaboração humana na criação de conhecimento.

Uma nova enciclopédia online está disponível desde ontem (27): a Grokipedia, uma alternativa à conhecida Wikipedia, com conteúdo revisado e editado pelo Grok, o modelo de IA do X. A ferramenta foi projetada para se adequar às visões de seu proprietário, o bilionário Elon Musk.

Apesar de ser manifestadamente uma concorrente, parte do conteúdo da Grokipedia consiste numa cópia direta de artigos da Wikipedia em inglês. A ferramenta está disponível na versão v0.1. A página conta com mais de 885 mil artigos disponíveis, todos também em inglês.

Tela inicial da Grokipedia (imagem: Diego Amorim/Tecnoblog)

Apesar do conteúdo da Grokipedia ser baseado em edições feitas pelo Grok, a Wiki em si não conta com nenhuma integração com a LLM para uma busca avançada.

Como a Grokipedia surgiu?

Ainda no final de setembro, durante um podcast, o empresário David Sacks sugeriu que a Wikipedia seria muito enviesada e, nas palavras dele, mantida por “um exército de ativistas de esquerda”. Ele é investidor na área de tecnologia e atualmente tem uma participação próxima no governo de Donald Trump, onde é tratado como “czar da Inteligência Artificial e criptomoedas”.

We are building Grokipedia @xAI.

Will be a massive improvement over Wikipedia.

Frankly, it is a necessary step towards the xAI goal of understanding the Universe. https://t.co/xvSeWkpALy

— Elon Musk (@elonmusk) September 30, 2025

De acordo com ele, como muitas LLMs são treinadas com base no conteúdo da Wikipedia, elas herdam o suposto viés em suas respostas.

A partir disso surge a ideia da Grokipedia, uma alternativa à Wikipedia que usa a IA Grok para filtrar o conteúdo considerado tendencioso. A ideia de Musk seria fazer uma enciclopédia imparcial.

Vale lembrar que, em julho desse ano, a xAI precisou fazer ajustes no Grok para corrigir comportamento preconceituoso em respostas no X.

Uma cópia da Wikipedia

Os artigos na Grokipedia exibem um aviso logo acima do título, informando que os dados passaram por uma checagem de fatos pelo Grok. No entanto, como apontou Jay Peters no The Verge, verbetes como o do MacBook Air também contêm o aviso que o conteúdo foi adaptado da Wikipedia.

Grokipedia informa que conteúdo é adaptado da Wikipedia (imagem: Diego Amorim/Tecnoblog)

Além disso, artigos como o do PlayStation 5 têm um conteúdo basicamente idêntico ao da Wikipedia. Aparentemente, para alguns desses casos, o Grok nem chegou a ser usado para fazer algum tipo de parafraseamento do conteúdo original.

Comparação entre os artigos do verbete “PlayStation 5” na Wikipedia e Grokpedia, comparação feita por Jay Peters/The Verge

Possivelmente essa primeira versão da Grokipedia priorizou alterações em verbetes com algum sentido político. O artigo “Prime minister“, por exemplo, tem um conteúdo claramente diferente entre as duas Wikis.

A emissora NBC News apontou que o artigo da Grokipedia sobre Donald Trump não menciona a criação de uma criptomoeda temática do presidente nem o avião de luxo presenteado pelo Catar. Essas informações estão inclusas numa sessão de “Conflitos de Interesses” da Wikipedia.

Como a Grokpedia funciona

Ainda não está 100% claro como deve ser o funcionamento da Grokipedia, mas ao que parece até o momento, ela é basicamente uma cópia da Wikipedia revisada pelo Grok. Diferentemente da Wikipedia tradicional, onde qualquer usuário pode editar diretamente os artigos, a Grokipedia não permite essa colaboração aberta.

Como apontou o The Verge, em algumas páginas é possível ver um botão que daria opção para colaborar com o conteúdo. No entanto, não é possível fazer qualquer alteração. O usuário só pode visualizar um histórico de edições da página.

Edições feitas no artigo “PlayStation 5” da Grokipedia (imagem: Diego Amorim/Tecnoblog)

A Grokipedia é open source?

No lançamento da Grokipedia, Elon Musk fez uma publicação afirmando que a wiki é “completamente open source” e gratuita para todos os usuários. Embora o projeto seja de fato gratuito, é difícil classificá-lo como open source, pois o X não disponibilizou nenhum tipo de código do projeto.

A resposta da Wikimedia Foundation

Em resposta ao lançamento da Grokipedia e às críticas feitas por Elon Musk e David Sacks, Lauren Dickinson, porta-voz da Wikimedia Foundation, publicou uma pequena declaração comentando que até mesmo a Grokipedia depende da Wikipedia para existir:

“O conhecimento da Wikipedia é – e sempre será – humano. Por meio de colaboração aberta e consenso, pessoas de todas as origens constroem um registro neutro e vivo do entendimento humano – um que reflete nossa diversidade e curiosidade coletiva. Este conhecimento criado por humanos é no que as empresas de IA se baseiam para gerar conteúdo; até mesmo a Grokipedia precisa que a Wikipedia exista.”

Com informações da Euro News

Elon Musk lança a Grokipedia, uma enciclopédia editada por IA

Grokipedia/Reprodução

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X vai vender usernames inativos para assinantes Premium

Ilustração composta por sombras de diversos prédios. Acima deles, Elon Musk observa a marca do aplicativo X.
Elon Musk quer incentivar novos pagantes na plataforma (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O X lançará um marketplace de venda de usernames inativos para assinantes Premium.
  • Os usernames serão divididos em “priority handles” (gratuitos) e “rare handles” (vendidos em valores que podem passar os US$ 2.500).
  • Usuários que cancelarem a assinatura perderão o username adquirido, que retornará ao sistema.

A plataforma X/Twitter vai começar a vender nomes de usuário inativos para assinantes de suas versões pagas. A empresa está lançando um marketplace que permitirá que usuários Premium Plus e Premium Business pesquisem e solicitem handles (os “@”s) que não estão mais em uso.

Segundo a empresa, alguns nomes podem custar mais de US$ 2.500 (cerca de R$ 13.400, em conversão direta). A medida faz parte da estratégia de Elon Musk para ampliar as vantagens das assinaturas e incentivar novos pagantes. Com o marketplace de usernames, algo que antes era gratuito passa a ser um serviço exclusivo.

Como vai funcionar o X Handle Marketplace?

De acordo com informações oficiais, os usernames disponíveis serão divididos em duas categorias: prioritários e raros. A primeira, chamada “priority handles”, inclui combinações mais comuns, como nomes completos, frases ou conjuntos alfanuméricos — e poderá ser resgatada sem custo adicional pelos assinantes qualificados.

Já os “rare handles”, considerados mais cobiçados por sua brevidade ou singularidade, serão vendidos. Segundo a plataforma, esses nomes podem custar entre US$ 2.500 e mais de sete dígitos, dependendo da demanda e exclusividade.

O processo será contínuo, e não um benefício pontual. O X pretende manter o marketplace ativo, atualizando a disponibilidade conforme novos perfis forem desativados ou removidos.

Ilustração com as marcas do Twitter e do Twitter, além de Elon Musk visto de perfil
Elon Musk é o dono do X, antigo Twitter (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O que acontece se o usuário cancelar a assinatura?

A empresa informou que, ao adquirir um novo username, o antigo será congelado — ou seja, não poderá ser usado por outra conta. Segundo o The Verge, há planos de oferecer futuramente um recurso de redirecionamento pago, permitindo que quem visitar o handle antigo seja levado ao novo perfil.

Por outro lado, a plataforma deixou claro que assinantes que cancelarem a assinatura Premium perderão o direito ao nome adquirido. Nesses casos, a conta voltará automaticamente ao username original, e o handle obtido no marketplace retornará ao sistema.

A novidade é mais um passo de Musk para tornar o X um ecossistema sustentado por assinaturas e serviços premium, após mudanças como o pagamento pela verificação e acesso à IA Grok nas respostas e novas mensagens.

Ainda não há uma data oficial para o lançamento do X Handle Marketplace, mas a plataforma liberou uma lista de espera. A expectativa é que o sistema entre em funcionamento nos próximos meses, primeiro para um grupo restrito de assinantes.

X vai vender usernames inativos para assinantes Premium

Elon Musk, dono do X, critica decisões do Supremo Tribunal Federal (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Elon Musk é o dono do Twitter (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Ícone da robótica recomenda: não se aproxime dos humanoides atuais

 Imagem em tons de cinza ou preto e branco de um robô humanoide prateado, com partes da estrutura interna à mostra, como fiação e mecanismos.
Rodney Brooks afirma que ninguém deveria chegar perto de robôs humanoides (imagem: divulgação)
Resumo
  • Rodney Brooks, professor emérito do MIT e cofudandor da iRobot, alerta que robôs humanoides atuais ainda não são seguros.
  • Ele cita o risco de falhas de software e problemas de equilíbrio, que podem causar acidentes.
  • Brooks prevê robôs úteis em fábricas e na saúde, mas com rodas e sensores especializados, sem a aparência dos humanoides atuais.

Conviver lado a lado com robôs humanoides pode parecer um cenário próximo, mas, para Rodney Brooks, ainda é algo distante — e perigoso. O professor emérito do MIT, que ajudou a fundar a Rethink Robotics e a iRobot (criadora do Roomba, robô aspirador), publicou um texto no qual afirma que ninguém deveria chegar a menos de três metros das atuais máquinas bípedes.

Segundo Brooks, o risco não está apenas em falhas de software, mas na forma como esses robôs se equilibram e caminham. O processo exige grande quantidade de energia cinética, o que torna qualquer queda ou movimento brusco potencialmente capaz de causar ferimentos graves em pessoas próximas.

O especialista sustenta que, até que surjam mecanismos mais seguros, os humanoides não terão condições de serem certificados para atuar em ambientes compartilhados com humanos.

Por que manter distância dos robôs humanoides?

Foto de estúdio de fundo cinza, com o cientista da computação e empresário americano Rodney Brooks posando no centro, olhando para a câmera. Ele está cercado por três robôs colaborativos de cor vermelha e preta, fabricados pela Rethink Robotics, que ele co-fundou.
Rodney Brooks é o criador do Baxter, robô industrial lançado em 2012 (imagem: reprodução/Rodneybrooks.com)

O pesquisador lembra que, ao dobrar o tamanho de um robô, sua massa cresce oito vezes — e, consequentemente, a energia liberada em caso de queda é muito maior. Brooks chegou a relatar uma experiência pessoal na qual ficou “perto demais” de um robô da Agility Robotics quando ele caiu. Desde então, evita estar próximo a humanoides em movimento.

Além da segurança, o especialista questiona outro ponto central do desenvolvimento dessas máquinas: a crença de que elas alcançarão destreza apenas ao observar vídeos de pessoas realizando tarefas. Empresas como Tesla e Figure apostam nesse método, mas, segundo Brooks, tal abordagem ignora a complexidade do tato humano — sistema que envolve milhares de sensores nos dedos e múltiplos tipos de neurônios sensoriais.

E os humanoides no futuro?

Imagem mostra o CEO da Nvidia apresentando 5 robôs humanoides.
Robôs humanoides ainda não estão prontos para conviver com humanos (imagem: divulgação/Nvidia)

Enquanto executivos como Elon Musk defendem que seus robôs poderão movimentar trilhões de dólares no mercado, Brooks ressalta que a realidade física é bem menos flexível que o software.

Para ele, os humanoides de fato terão espaço em fábricas e até na saúde nos próximos 15 anos, mas não se parecerão com os protótipos atuais. Em vez de pernas, devem ter rodas; em vez de olhos artificiais, sensores adaptados a funções específicas.

Assim como “carros voadores” acabaram se tornando aeronaves elétricas “autônomas”, que ainda dependem de supervisão humana, a ideia de humanoide também deverá ser ressignificada.

Brooks aposta que os investimentos bilionários em modelos rígidos e baseados apenas em visão acabarão cedendo espaço a sistemas que incorporem respostas táteis. Mesmo assim, ele reforça que há um longo caminho até que robôs consigam manipular objetos com a mesma precisão e segurança que as mãos humanas. Até lá, a recomendação é simples: manter distância.

Com informações da ArsTechnica

Ícone da robótica recomenda: não se aproxime dos humanoides atuais

Nvidia e Foxconn testam uso de robôs humanoides em fábrica nos EUA (imagem: divulgação)

Nvidia aposta em robôs humanoides (imagem: divulgação/Nvidia
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