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Justiça brasileira multa big techs e estúdios de games em R$ 298 milhões

Loot box
Justiça brasileira multa big techs e estúdios de games em R$ 298 milhões por causa de loot boxes (imagem: Sameboat/Wikimedia)
Resumo
  • Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios multou big techs e estúdios de games em R$ 298 milhões por usarem loot boxes em jogos;
  • decisão da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF considerou que loot boxes estimulam comportamentos de jogos de azar e afetam principalmente menores de idade;
  • empresas, incluindo Apple, Google e Microsoft, foram condenadas a pagar indenizações cujos valores serão direcionados ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, por meio da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, determinou que desenvolvedoras de jogos e big techs como Apple, Google e Microsoft paguem indenizações por danos morais coletivos devido ao uso de loot boxes em games. A soma das multas chega a quase R$ 300 milhões.

Uma loot box consiste em uma caixa virtual geralmente oferecida em jogos que fornece recompensas que só se tornam conhecidas após a realização de pagamentos. Essas recompensas podem incluir “skins” para personagens, armas mais potentes, itens raros e assim por diante.

Na primeira olhada, parece não haver nada de errado com isso. Porém, especialistas em saúde mental e autoridades de várias partes do mundo entendem que as loot boxes seguem uma dinâmica de jogos de azar, pois tendem a ativar os mesmos circuitos cerebrais de recompensa ativados em jogos de cassino, por exemplo. Isso pode levar a vícios e outros comportamentos nocivos.

O caso em questão tem como base um processo movido pela Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Anced) contra empresas de games como Activision, Nintendo e Riot.

A acusação é a de que, ao explorarem loot boxes, essas companhias estimulam comportamentos de jogos de azar, afetando principalmente menores de idade.

Com relação a companhias como Apple, Google e Microsoft, elas foram incluídas na ação civil pública por hospedarem ou darem acesso aos tais jogos por meio de suas lojas de aplicativos.

A decisão judicial levou em conta que o ECA Digital, em vigor desde março para a proteção de crianças e adolescentes no âmbito digital, reconhece loot boxes como práticas ilícitas, mas que, mesmo antes disso, já era possível considerar essa abordagem como indevida com base no Estatuto da Criança e do Adolescente em vigor desde 1990.

Diante disso, as empresas envolvidas foram punidas com indenizações cujo valor considera aspectos como gravidade da conduta e capacidade econômica.

Márlon Reis, advogado da Anced, celebrou a decisão judicial:

Qual o valor da multa recebida por cada empresa?

De acordo com uma apuração do Tilt UOL, as companhias multadas e os valores de suas respectivas indenizações são os seguintes:

  • Apple: R$ 50 milhões (responsável pela App Store)
  • Microsoft: R$ 50 milhões (responsável pela Microsoft Store)
  • Google: R$ 40 milhões (responsável pela Play Store)
  • Sony: R$ 40 milhões (responsável pela PlayStation Network)
  • Tencent: R$ 50 milhões (desenvolvedora de PUBG Mobile)
  • Ubisoft: R$ 10 milhões (desenvolvedora de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege)
  • Valve: R$ 10 milhões (desenvolvedora de Counter-Strike)
  • Riot Games: R$ 15 milhões (desenvolvedora de League of Legends)
  • Electronic Arts: R$ 20 milhões (desenvolvedora de Fifa, EA Sports UFC Mobile, Apex Legends, Plants vs Zombies e outros)
  • Konami: R$ 8 milhões (desenvolvedora de PES 2019, eFootball PES 2021 Mobile e Yu-Gi-Oh! Duel Links)
  • Nintendo: R$ 5 milhões (desenvolvedora de Mario Kart Tour)

A soma desses valores chega a R$ 298 milhões. As indenizações pagas serão direcionadas ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal.

Além das indenizações, a Justiça determinou a adoção de uma série de medidas pelas empresas apontadas, como exibir informações sobre o caráter aleatório das recompensas, implementar sistemas de verificação de idade e oferecer mecanismos acessíveis de reembolso nos jogos.

Mas, sim, todas as partes envolvidas ainda podem recorrer das decisões.

O número do processo em questão é 0701554-83.2021.8.07.0013.

Justiça brasileira multa big techs e estúdios de games em R$ 298 milhões

Justiça brasileira multa big techs e estúdios de games em R$ 298 milhões por causa de loot boxes (imagem: Sameboat/Wikimedia)
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“Brasil é um parceiro confiável”: Europa quer aliança para disputar corrida da IA

Duas pessoas em uma entrevista ao vivo, com a convidada sentada e a palestrante falando em um palco com luzes vermelhas
Henna Virkkunen lidera projetos de soberania digital na UE (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)
Resumo
  • A União Europeia quer o Brasil como parceiro na corrida tecnológica global de inteligência artificial, visando reduzir a dependência de big techs americanas e chinesas, segundo Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia.
  • O Brasil agora faz parte de um seleto grupo de países com vínculo de parceria com a UE, ao lado de Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura, com o objetivo de avançar na autonomia e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras para o desenvolvimento da inteligência artificial.
  • A UE está implementando medidas para aumentar sua soberania tecnológica, incluindo a criação de 19 fábricas de IA, com o objetivo de quintuplicar a capacidade computacional europeia em um ano, e alcançar 75% de adoção de IA nas empresas até 2030.

A União Europeia não esconde de ninguém que quer o Brasil (e tantos países quanto possível) ao seu lado na atual corrida tecnológica global, que foca na inteligência artificial. Nesta sexta-feira (12), o bloco assina uma parceria inédita no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Ontem, durante o Web Summit Rio, uma de suas mais poderosas dirigentes explicou o que está por trás deste gesto.

Henna Virkkunen é vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia. Durante um bate-papo no palco principal, ela foi questionada sobre o que define um “parceiro confiável”, e citou o Brasil pelo nome. Virkkunen também mencionou o acordo recém-assinado com o Mercosul.

Euro-Office
Euro-Office: suíte de produtividade será adotada por vários governos (imagem: reprodução/Nextcloud)

As falas se deram em meio a uma discussão sobre soberania tecnológica e dependência de big techs americanas e chinesas. Para a dirigente, a União Europeia segue com a estratégia de construir alianças fora do eixo EUA-China. Um dos exemplos mais recentes na região é o lançamento do Euro-Office, pacote de produtividade de código aberto que será adotado, a nível governamental, em vários países.

Com o acordo, o Brasil passa a integrar um seleto grupo com apenas outros quatro países com esse tipo de vínculo: Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura. O acordo prevê cooperação em IA, governança de dados, infraestrutura digital pública, identidade e assinaturas digitais, proteção de crianças no ambiente online e coordenação em fóruns multilaterais de governança da internet.

A parceria não surge do nada porque Brasil e UE vêm construindo essa aproximação digital há anos: em 2024 formalizaram um Diálogo sobre Economia Digital, e em fevereiro de 2025 aprovaram um plano de trabalho conjunto para 2025-2026 com foco em IA, governança de dados, conectividade e redes 6G. O acordo desta sexta eleva esse diálogo técnico a um compromisso político de alto nível. Os temas prioritários incluem regulação de inteligência artificial, computação de alto desempenho, governança de dados e assinaturas digitais.

Recado à Apple e investimento em IA

Demonstração da Siri AI no iOS 27 (imagem: reprodução)

No painel, Virkkunen também detalhou o pacote de soberania tecnológica apresentado pela UE na semana passada, com metas ambiciosas para reduzir a dependência europeia em chips, nuvem e software. Os principais pontos são os seguintes:

  • Apple e Siri na Europa: questionada sobre a decisão da Apple de não lançar a nova Siri AI no mercado europeu por causa da Lei de Mercados Digitais (DMA), Virkkunen foi direta: “não há nada na DMA que impeça a Apple de trazer seus novos produtos para a Europa — foi uma decisão deles”. A executiva defendeu que a exigência de interoperabilidade não significa abrir segredos de negócio, mas sim impedir que gigantes fechem o mercado para concorrentes.
  • Infraestrutura de IA: a UE está criando 19 fábricas de IA distribuídas pelo bloco. Em um ano, a promessa é de que a capacidade computacional europeia seja cinco vezes maior do que a atual. Ela ficará disponível para startups e pequenas empresas treinarem seus próprios modelos.
  • Adoção de IA nas empresas: apenas 20% das empresas europeias usam IA, segundo levantamento de 2025. A meta oficial do bloco é chegar a 75% até 2030. No entanto, a própria Virkkunen admitiu que o número é baixo: “talvez devêssemos ter uma meta ainda maior, porque acho que todos os negócios deveriam usar os benefícios da IA”.
  • AI Act e agentes de IA: diante da crítica de que a UE estaria regulando a tecnologia de ontem, Virkkunen defendeu que o AI Act já cobre agentes de IA, por serem tratados como parte da IA generativa. Essa categoria tem obrigações de avaliação e mitigação de riscos.

“Brasil é um parceiro confiável”: Europa quer aliança para disputar corrida da IA

Henna Virkkunen lidera projetos de soberania digital na UE (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

O Euro-Office vem aí (imagem: reprodução/Nextcloud)

Demonstração da Siri AI no iOS 27 (imagem: reprodução)
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Anatel mantém data para autenticação obrigatória de chamadas

Ilustração de uma mão segurando um celular. Na tela aparece uma chamada identificada como "telemarketing".
Decisão indeferiu petições de operadoras que pediam retorno do prefixo 0303 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Conselho Diretor da Anatel manteve a autenticação obrigatória de chamadas para grandes chamadores a partir de 15/11, rejeitando pedidos da TIM e entidades setoriais.
  • A medida visa aumentar a segurança e combater fraudes, atingindo cerca de 350 empresas que realizam mais de 500 mil chamadas por mês.
  • A autenticação de chamadas verifica a legitimidade do número de origem, combatendo práticas como o spoofing.

O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu, nesta terça-feira (04/11), manter a implementação da autenticação obrigatória das ligações geradas pelos chamados grandes chamadores, aqueles que realizam mais de 500 mil chamadas por mês. A medida entra em vigor em 15 de novembro e tem a proposta de aumentar a segurança e combater fraudes telefônicas.

A decisão, tomada em Brasília, indeferiu petições da operadora TIM, da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp) e do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia (Conexis Brasil Digital). As entidades buscavam alterar a medida, estabelecida pelo acórdão número 201, de 14 de agosto.

As petições indeferidas solicitavam três mudanças principais:

  • A alteração do prazo, atualmente fixado para 15 de novembro
  • A retirada das operadoras de telefonia celular da obrigação de autenticar
  • O retorno do código 0303 como alternativa à autenticação

A análise do relator

O conselheiro Edson Holanda, relator da matéria, apresentou uma análise técnica refutando os três pedidos, e sua proposta foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor. O conselheiro destacou que os 90 dias (entre agosto e 15 de novembro) são suficientes e argumentou que o universo de assinantes atingidos pela regra é pequeno – cerca de 350 empresas. Além disso, Holanda pontuou que a solução de autenticação já está tecnicamente pronta para ser disponibilizada.

Fachada da sede da Anatel
Conselho Diretor da Anatel rejeitou pedidos que tentavam adiar ou alterar a medida (imagem: reprodução/Anatel)

Quanto ao pedido para excluir as operadoras móveis da obrigação, o relator observou que o estágio de implementação da solução nessas redes já está avançado e que a exclusão criaria uma vulnerabilidade.

Holanda ainda considerou a ideia de retorno do 0303 como inadequada. Ele explicou que a autenticação garante a identidade do chamador, enquanto um prefixo genérico não oferece a mesma segurança contra a alteração do número de origem.

Ao final da análise, o conselheiro ressaltou que a agência manterá um monitoramento constante do comportamento das chamadas e poderá promover mudanças das regras, se necessário, para proteger a população contra práticas abusivas.

O que é a autenticação de chamadas?

Site da Anatel permite bloquear ligações de telemarketing (Imagem: Breakingpic/Pexels)
Autenticação mira prática de spoofing, que mascara o número real de origem da chamada (imagem: Breakingpic/Pexels)

A autenticação de chamadas é um conjunto de mecanismos técnicos implementados nas redes de telefonia para verificar se o número que faz uma ligação é, de fato, quem ele diz ser. O principal objetivo é combater o spoofing, prática fraudulenta em que criminosos ou autores de chamadas abusivas mascaram o número de origem. Nessa fraude, o usuário pode receber uma ligação que parece ser do seu banco, de uma autoridade ou de um contato conhecido, quando, na verdade, é um golpista.

Com a autenticação, a operadora de origem assina digitalmente a chamada, atestando sua legitimidade. A operadora que recebe a ligação, por sua vez, verifica essa assinatura antes de completar a ligação para o consumidor, permitindo o bloqueio de chamadas fraudulentas antes que cheguem ao destino.

A medida da Anatel foca especialmente em empresas de telemarketing ou cobrança, que geram volume massivo de ligações. A autenticação garante que essas empresas não possam falsificar seus números de origem.

Anatel mantém data para autenticação obrigatória de chamadas

Telemarketing abusivo incomoda brasileiros há anos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Site da Anatel permite bloquear ligações de telemarketing (Imagem: Breakingpic/Pexels)
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Amazon segue Mercado Livre e libera frete grátis para mais produtos

Caixas da Amazon em um fundo amarelo (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Entrega grátis no mesmo dia está disponível em sete capitais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Amazon oferece frete grátis e entrega no mesmo dia para assinantes Prime em compras a partir de R$ 19 em cidades específicas.
  • O Mercado Livre também oferece frete grátis a partir de R$ 19, com condições específicas para todos os clientes e frete rápido para assinantes do Meli+.
  • O Amazon Prime custa R$ 19,90 mensais ou 12 parcelas de R$ 13,90 anuais e inclui outros serviços como Prime Video e Amazon Music Prime.

Assinantes do Amazon Prime poderão contar com frete grátis e entrega no mesmo dia em compras a partir de R$ 19 — anteriormente, esse benefício estava restrito a pedidos acima de R$ 99. O serviço será oferecido apenas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre e Recife, bem como nas regiões adjacentes a elas.

Com a mudança na política, a Amazon dá uma resposta ao Mercado Livre, que passou a oferecer frete grátis em produtos também a partir de R$ 19 para todos os clientes e frete grátis rápido para quem é assinante de um dos planos Meli+.

Como funciona a entrega da Amazon no mesmo dia?

Segundo a Amazon, o serviço de entrega está disponível apenas para produtos selecionados, que serão identificados com a etiqueta “Entrega hoje”. Além disso, os pedidos precisam ser feitos até determinado horário, que pode variar de acordo com o item e a região.

“A expansão das entregas no mesmo dia representa um investimento significativo em nossa infraestrutura logística no Brasil e demonstra nosso compromisso de longo prazo com o país”, avalia Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.

Ilustração com várias caixas
Clientes que não assinam o Prime poderão pagar pela entrega no mesmo dia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Para clientes Prime, essa entrega é gratuita. Para quem não assina, a Amazon promete oferecer o serviço “a um valor de frete competitivo”, nas palavras do comunicado.

Vale dizer que o Amazon Prime custa R$ 19,90 no plano mensal, que pode ser cancelado a qualquer momento, ou 12 parcelas de R$ 13,90 no plano anual. O pacote também inclui Prime Video, Amazon Music Prime, Prime Gaming e acesso a e-books e revistas.

Mercado Livre investiu em frete grátis

Um dos principais concorrentes da Amazon no mercado brasileiro, o Mercado Livre passou a oferecer frete grátis em produtos novos selecionados a partir de R$ 19, para todos os clientes. Há algumas condições para contar com o benefício, como peso, distância do envio e modalidade de entrega.

Para assinantes do Meli+ — pacote com benefícios que vão de cashback em compras a acesso a serviços de streaming — o frete grátis também está disponível para entregas rápidas. Os demais clientes precisam pagar taxas para envio em menos tempo.

Atualizado às 17h de 16/10 com novas informações sobre o frete grátis e rápido do Meli+.

Amazon segue Mercado Livre e libera frete grátis para mais produtos

(ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Amazon (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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