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Ubisoft passa por reestruturação, corta projetos e aposta em grandes franquias para recuperação

A Ubisoft divulgou seus resultados financeiros do ano fiscal de 2025-26 e confirmou que a empresa atravessa um período de forte reestruturação interna. O relatório aponta queda nas receitas, cancelamento de projetos, cortes de custos e uma estratégia cada vez mais concentrada em franquias já consolidadas como Assassin’s Creed, Far Cry e Tom Clancy’s Rainbow Six Siege.

Segundo os números divulgados pela empresa, as reservas líquidas caíram 17,4% no ano fiscal, totalizando €1,52 bilhão. As vendas líquidas também registraram queda de 21,8%, chegando a €1,39 bilhão. O prejuízo operacional não-IFRS da companhia atingiu €1,04 bilhão no período.

Ubisoft corta projetos e reorganiza estrutura

Como parte do processo de transformação, a empresa confirmou o cancelamento de sete projetos e o adiamento de outros seis jogos. A Ubisoft também afirmou que segue executando um plano de redução de custos, acumulando cerca de €325 milhões em cortes desde 2022-23, com meta de alcançar €500 milhões até 2028.

O relatório também aponta mudanças internas na liderança da companhia, incluindo reorganização das chamadas “Creative Houses” e fortalecimento de equipes ligadas às principais franquias da empresa.

Além disso, a Ubisoft destacou a conclusão de uma operação estratégica envolvendo a Tencent, que trouxe €1,16 bilhão em caixa para ajudar na redução das dívidas do grupo.

Assassin’s Creed e Rainbow Six seguem como pilares

Assassin’s Creed aparece como ponto de esperança. Imagem: Assassin’s Creed/ Divulgação

Mesmo em meio à reestruturação, a Ubisoft destacou o bom desempenho de algumas franquias. A série Assassin’s Creed encerrou o ano com mais de 30 milhões de jogadores ativos únicos, enquanto Rainbow Six Siege registrou crescimento de engajamento e a ultrapassar a marca de 10 milhões de usuários ativos mensais em março.

A empresa também afirmou que The Division 2 teve crescimento significativo em monetização e atividade de jogadores após eventos comemorativos e atualizações de conteúdo.

Outro destaque foi The Crew Motorfest, que alcançou recorde trimestral de usuários após novas temporadas e ferramentas de criação de pistas para jogadores.

Ubisoft prepara novos lançamentos

Para o ano fiscal de 2026-27, a Ubisoft confirmou uma linha de lançamentos mais enxuta, mas ainda baseada em franquias conhecidas da empresa. Entre os jogos citados está Assassin’s Creed Black Flag Resynced, previsto para 9 de julho, além de outros títulos premium ainda não detalhados.

A empresa afirma que espera um período financeiro mais fraco em curto prazo, principalmente devido aos custos da reestruturação e do menor número de lançamentos, mas projeta recuperação significativa a partir de 2027-28 com novos jogos.

Segundo Yves Guillemot, CEO e cofundador da Ubisoft, a companhia atravessa “uma das transformações mais ambiciosas de sua história”, buscando construir uma estrutura mais focada, disciplinada e sustentável para os próximos anos

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Você conhece os Gigavírus? Essa pesquisa brasileira desvendou novos mistérios

Pesquisadores da USP e da UFMG publicaram um trabalho científico que propõe a mudança taxonômica do recém-descoberto “universo de vírus gigantes”, intitulado Gigavírus. O autor principal do trabalho é Luiz-Eduardo Del-Bem e pode ser lido na íntegra clicando aqui.

De acordo com a pesquisa, o grupo de vírus Asfarviridae não deveria ser classificado em uma única família viral, mas em diferentes grupos com várias famílias diferentes. Ou seja, para o estudo, essa remodelação é importante porque corrigiria preceitos incorretos da taxonomia e auxiliaria na análise da evolução viral.

Gigavírus: entenda o conceito do ‘vírus gigante’

Os vírus gigantes, ou Gigavírus, são uma novidade da virologia descoberta no começo do século XXI. A diferença primordial destes micróbios para os tradicionais é que os Gigavírus são conhecidos por seu tamanho avassalador.

Gigavírus Asfarviridae
Os gigavírus são novidades na virologia e impressionam por seu tamanho.
Imagem: Wikimedia Commons/ ViralZone, SIB Swiss Institute of Bioinformatics

Isso porque, enquanto o coronavírus tem 120 nanômetros de tamanho e apresenta 11 genes, um Gigavírus pode ter 2.600 nanômetros e 867 genes (grande parte ainda um mistério para ciência)

Thiago Mendonça-Santos, outro autor do artigo, explica que muitas vezes esses Gigavírus são confundidos com bactérias devido ao seu tamanho anormal para os parâmetros da virologia.

Apesar dos avanços, “ainda não se sabe exatamente o que eles são nem quais funções biológicas são capazes de realizar”, afirma Del Bem ao Jornal da USP. O pesquisador ainda informa que, diferente do que diz a literatura, o grupo Asfarviridae tem, pelo menos, cinco famílias virais diferentes dentro do que outrora se pensava ser apenas uma.

A metodologia utilizada para a pesquisa

Ilustração de cabeças de pessoas e vírus de doença
(Imagem: Lightspring/Shutterstock)

Geralmente, os vírus possuem hospedeiros muito próximos. No caso dos vírus Asfarviridae, os infectados variavam de amebas a porcos, o que levou a equipe a questionar se não haveria mais famílias virais ali do que se tinha notícia: essa amplitude de hospedeiros era um indicativo da diversidade dentro da família.

Utilizando métodos comparativos comuns em estudos de plantas e organismos multicelulares, mas pouco usados em virologia, os pesquisadores analisaram a diversidade genética desse grupo de vírus. Foram identificados 2.483 grupos diferentes de genes entre os vírus analisados, porém, apenas 37 estavam presentes em todos. Além disso, quase 40% dos genes apareceram em apenas um único vírus. Esses resultados indicam que há uma enorme diversidade genética dentro desse grupo.

Leia mais:

Os resultados obtidos

Árvore filogenética que mostra as diferentes famílias de vírus gigantes
A família Asfarviridae se mantém, mas reduzida. Quatro outras famílias surgem.
Imagem: Divulgação Científica/reprodução do artigo.

No universo da virologia, existe uma instituição que classifica esses seres e sua taxonomia: o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV). Sua função é encaixar os vírus em espécies, famílias, gêneros e outras classificações taxonômicas, mesmo com os vírus não sendo considerados seres vivos.

Ao final da pesquisa, a diversidade ampla encontrada entre os vírus pelos cientistas evidenciou uma necessidade: desmembrar a família Asfarviridae.

Com isso, os pesquisadores propuseram uma nova classificação. A família Asfarviridae se mantém, mas apenas com 3 espécies, e quatro novas famílias surgem: Faustoviridae, com quatro espécies; Kaumoebaviridae, com duas; Pacmanviridae, com duas; e Abaloneviridae, com um gênero descrito, mas ainda sem espécies identificadas.

A pesquisa mostra que essa divisão taxonômica correta é essencial para o estudo desses seres no ambiente e em hospedeiros.

A cada novo genoma, aparecem genes completamente inéditos. Isso mostra que estamos lidando com um grupo cuja diversidade ainda é imensa”, afirma o professor. Essa coleção de genes, chamada de pangenoma, é crescente e ainda existem muitas espécies a serem descobertas. Para Del Bem, é um sinal claro: “Ainda não vimos tudo que esses vírus têm a oferecer”.

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