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Homem é preso após atirar no irmão e no cunhado no bairro Cristal, em Porto Alegre

Um homem de 33 anos foi preso na manhã desta quinta-feira (26) após balear o irmão e o cunhado no bairro Cristal, na Zona Sul de Porto Alegre. O caso aconteceu por volta das 4h30 na avenida Jacuí, durante uma ocorrência de violência doméstica.

De acordo com a Polícia Civil, o homem agredia a companheira quando o irmão dele e o companheiro do irmão, que moram no mesmo terreno, tentaram socorrê-la. Os dois foram atingidos por disparos. As quatro pessoas moram no mesmo pátio, em casas diferentes.

Conforme a apuração inicial, o homem fugiu de carro depois dos tiros, levando a arma. Ele foi localizado ainda pela manhã em ação da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Os dois homens baleados, de 29 e 35 anos, foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro. Eles passaram por cirurgia e seguem internados. O quadro de saúde é considerado grave.

A mulher, de 43 anos, também recebeu atendimento médico e depois foi levada para registrar ocorrência na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Um menino de 12 anos, filho do casal, estava na residência no momento dos fatos, mas não ficou ferido.

Embriaguez e motivação banal

Segundo testemunhas, o homem chegou em casa com sinais de embriaguez e a discussão começou pouco antes dos disparos. A polícia também apura o relato de que ele reclamava de não ter conseguido renovar o registro de CAC (caçador, atirador e colecionador).

A dupla tentativa de homicídio será investigada pela 6ª Delegacia de Homicídios. A agressão contra a mulher ficará com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.

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Quatro acusados por campanha de ódio contra Maria da Penha viram réus

Foto: José Cruz / ABR

A Justiça do Ceará aceitou denúncia do Ministério Público (MP) do estado e tornou réus nesta segunda-feira (9) quatro suspeitos de participação em uma campanha de ódio contra a farmacêutica Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica.

Os acusados são:

  • O ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros;
  • O influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva;
  • O produtor do documentário A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha, Marcus Vinícius Mantovanelli e
  • O editor e apresentador do documentário, Henrique Barros Lesina Zingano.

Os quatro foram denunciados por atuar de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a lei que leva o nome dela.

Entre os mecanismos utilizados estão perseguições virtuais, notícias falsas e um laudo de exame de corpo de delito forjado para sustentar a inocência de Heredia, já condenado por tentativa de homicídio contra Maria da Penha.

As investigações mostram que os denunciados promoviam a perseguição, cyberbullying, disseminação de conteúdos misóginos (ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres ou meninas), deturpavam informações e atacavam Maria da Penha, em sites e redes sociais.

Para o MP, os riscos foram além das redes sociais, pois Alexandre Paiva se deslocou até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, onde gravou vídeos e divulgou o conteúdo nas redes.

Denúncias

Marco Heredia foi denunciado por falsificação de documento público e Alexandre Paiva por stalking e cyberstalking.

Já Zingano e Mantovanelli respondem por uso de documento falso, ao utilizarem um laudo adulterado no documentário A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha, produzido pela Brasil Paralelo S/A.

O MP aponta que a peça difundiu informações sobre uma suposta fraude processual no caso que condenou Heredia e apresentou um laudo adulterado de um exame de corpo de delito do ex-marido de Maria da Penha. Ele alegava que o casal tinha sido vítima de assaltantes, e que a luta corporal com os prováveis bandidos teria provocado o disparo de tiro em Maria da Penha e lesões no queixo, mão e pescoço dele próprio.   

O material foi submetido à análise, que concluiu que o documento passou por uma montagem. 

Entre as falsificações identificadas estão a inclusão de informações sobre lesões no pescoço e braço de Marco Heredia, que não estavam no documento original, diferenças nas assinaturas dos peritos e marcas de carimbos, numerais e rubricas compatíveis com montagem.

O laudo forjado foi utilizado no documentário e amplamente divulgado para corroborar com a tese de que Marco seria vítima e não autor da tentativa de assassinato da então esposa. As alterações no documento foram feitas tendo como base o laudo original do exame de corpo de delito.

Além disso, os investigados utilizavam grupos de WhatsApp para planejar estratégias da campanha de ódio nas redes sociais e para produzir o documentário.

Para o MP, o grupo buscava lucro com a desinformação. Extratos bancários de Alexandre Paiva, acessados com autorização judicial, revelaram depósitos da Google LLC e da Meta Platforms Ireland Limited, além de ganhos com publicidade.

O caso será julgado pela 9ª Vara Criminal de Fortaleza. Não há prazo para julgamento.

Agência Brasil não conseguiu contato com a defesa de Marco Antonio. O espaço está aberto para manifestação. 

Operação    

A investigação, iniciada em 2024 pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), resultou na operação “Echo Chamber”, realizada em duas fases. Em dezembro de 2024, buscas no Espírito Santo e Rio de Janeiro levaram à suspensão do perfil de Paiva e à proibição de contato e aproximação com Maria da Penha e suas filhas.

Em julho de 2025, buscas em Natal apreenderam documentos e eletrônicos, incluindo um pen drive com o laudo adulterado, e suspenderam a veiculação do documentário. Diante da gravidade dos ataques, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos pelo Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) do MP do Ceará.  

Maria da Penha

A ativista foi vítima de dupla tentativa de homicídio em 1983, por parte do então esposo Marco Heredia. Primeiro, ele a feriu com um tiro nas costas enquanto ela dormia, que causou lesões na coluna e medula deixando-a paraplégica.

O marido declarou à polícia que o ataque teria sido uma tentativa de assalto, versão que foi posteriormente desmentida pela perícia. Quatro meses depois, quando Maria da Penha voltou para casa – após duas cirurgias, internações e tratamentos –, ele a manteve em cárcere privado durante 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. 

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Polícia Civil do RS cumpre mandados em operação nacional contra a violência doméstica e familiar

Foto: DCS/PCRS

A Polícia Civil, por meio da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis, deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Mulher Segura 2026.

O objetivo da ação é interromper ciclos de violência doméstica e familiar contra a mulher no início de ano. Os policiais cumprem mandados de busca e apreensão de armas de fogo e de prisão contra agressores, além de verificação de denúncias anônimas e promoção da conscientização da rede de apoio.

Estão sendo cumpridas 16 ordens judiciais e verificação de 20 denúncias anônimas em Porto Alegre, Gravataí, Alvorada e Viamão. A operação ocorre em âmbito nacional e faz parte de um conjunto de ações para reduzir os índices de violência doméstica contra mulheres e meninas em todo o país. A ação contou com mais de 60 policiais civis do DPGV e de vários departamentos da Polícia Civil gaúcha.

“A violência doméstica é crime e não será tolerada. Se você está em situação de risco ou conhece alguém que esteja, denuncie! Sua denúncia pode salvar vidas”, disse a Polícia Civil em comunicado.

Canais de Denúncia:

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