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Sakamoto: Dívida do brasileiro dispara com proteção de políticos e empresas às bets

Bets aumentaram a divida dos brasileiros
Imagem ilustrativa. Foto: krisanapong detraphiphat/Getty Images

Por Leonardo Sakamoto, via UOL.

Lá vou eu mais uma vez repetir, feito uma maritaca com cãibra, que ou o Brasil acaba com as bets ou as bets vão acabar com o Brasil. Ao lado dos juros altos e do mau uso do crédito consignado, a ilusão de encarar apostas como complemento de renda ou solução para dívidas está tornando famílias insolventes, isso quando não levando ao seu adoecimento e até ao suicídio.

Bets cresceram nas frestas da lei por anos durante a gestão Bolsonaro e depois foram reguladas de forma insuficiente no governo Lula, com autorização para a propaganda que nunca deveria ter sido dada. Com isso, parte da economia amarrou seu burro nelas.

Das empresas nacionais e internacionais que lucram bilhões com as tragédias de famílias, passando pela mídia que se financia com espaço para bets anunciarem seu engodo, até o futebol que se tornou dependente da grana obtida pela sangria da população, o negócio se tornou parte do cotidiano.

Tudo protegido por uma constelação de políticos, principalmente no Congresso Nacional. Bancadas da Bíblia, da Bala e do Boi? Bobagem, a mais poderosa é a das bets.

Também, como não canso de dizer, dada a impossibilidade de proibir as bets no curto prazo, o ideal seria vetar todos os anúncios, incluindo aí as mentiras contadas pelos bem pagos influenciadores. Mas, pelos motivos listados acima, teremos que viver com a hipocrisia de não termos anúncios de tabaco, mas termos de tigrinhos.

A economia funcionava antes das bets e vai continuar depois. Mas, como é muito dinheiro, ninguém quer abrir mão. Enquanto isso, o povaréu se estrepa.

As bets.
Algumas das principais plataformas de apostas. Fotomontagem

Bets viciam tanto quanto o crack. A diferença é que, enquanto você corre o risco de ser preso ou levar bala ao ir à boca comprar uma pedra, as casas de apostas e cassinos on-line estão a um clique de distância em seu smartphone. Neste momento, seu marido ou seu filho podem estar alimentando o vício, gastando as economias e fazendo dívidas de dentro da segurança da sua casa.

Não estou sendo moralista, mas estou falando de um modelo de negócio que lucra justamente com a perda e com o desespero de milhões. Cada propaganda exibida, cada bônus oferecido, cada ganho fácil vendido é, na prática, um convite ao endividamento silencioso.

Reportagem de João José Oliveira, no UOL, já havia apontado que as apostas on-line se tornaram um dos principais fatores de endividamento das famílias brasileiras, superando o impacto do crédito e dos juros no orçamento, segundo estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School.

O impacto disso não aparece imediatamente nas estatísticas macroeconômicas, mas se manifesta na vida real: na conta de luz atrasada, no carrinho de supermercado mais vazio, no remédio que deixa de ser comprado. Pesquisas mostram que uma parcela relevante dos apostadores compromete a própria renda mensal com jogos, sacrificando despesas básicas — inclusive alimentação, educação, moradia e outros serviços essenciais. Sim, bets geram carestia.

As bets funcionam como um imposto informal, regressivo e sem retorno social, com uma dinâmica de consumo que mistura entretenimento, promessa de ascensão rápida e engenharia comportamental desenhada para viciar. Ao fim, o resultado é o enriquecimento de donos de plataformas e dos políticos que se aproveitam da amizade com eles.

Não deixa de ser irônico que muita gente bonita, crescida no leite de pera, reclame de programas de transferência de renda dos ricos para os mais pobres, enquanto defendem a liberdade das bets – que hoje são um robusto programa de transferência de renda dos mais pobres para os ricos.

Não falta diagnóstico, sobra conveniência. Porque enfrentar esse modelo exigiria contrariar quem lucra alto e rápido, ainda que às custas do lento empobrecimento de milhões. Com esse tipo de dívida, o país não quebra de uma vez, mas vai sendo corroído aos poucos, clique após clique, aposta após aposta, enquanto a conta (como sempre) chega a quem menos pode pagar.

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A reação de Janja após aliado de Trump chamar brasileiras de “put*s” e “raça maldita”

Janja mostrou-se indignada com as de conselheiro de Trump, Paolo Zampolli, sobre brasileiras.
A socióloga e primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu nesta sexta-feira (24) às declarações de Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais do governo Donald Trump, e afirmou ser “impossível não se indignar” com o ataque feito às mulheres brasileiras.

“Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’ não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, escreveu Janja em seu Instagram. Ela também afirmou que as brasileiras rompem “diariamente, ciclos de violência e de silenciamento” e reforçou a reação contra o machismo, a misoginia, o feminicídio e outras formas de violência.

A manifestação ocorreu depois de Zampolli dar entrevista à emissora italiana RAI. Ao comentar a ex-companheira Amanda Ungaro, ele afirmou que mulheres brasileiras seriam “programadas para causar confusão”.

 

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Um post compartilhado por Janja Silva (@janjalula)

Na mesma conversa, o aliado de Trump agravou o tom e chamou brasileiras de “putas” e de “raça maldita”, o que ampliou a repercussão do caso no Brasil.

Zampolli foi casado por cerca de 20 anos com Amanda Ungaro, que o acusa de agressão física, psicológica e sexual. Ele nega as acusações.

O Ministério das Mulheres também repudiou as falas e afirmou que misoginia “não constitui opinião”, classificando esse tipo de manifestação como discurso de ódio e incitação à violência.

Em entrevista concedida a Rai3 Report, Zampolli, expert de política externa de Trump, a MULHER BRASILEIRA É:
Zampolli:” Ah Lidia, eu sei lá… é uma dessas PUTAS BRASILEIRAS , essas RAÇAS BASTARDAS BRASILEIRAS QUE SÃO TODAS IGUAIS. Aquela (sic) estávamos juntos, eu trepava (sic)… pic.twitter.com/qG6tsEkF0E

— Prof.Marco Antonio Villa (@VillaMarcovilla) April 18, 2026

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“Misógino arrogante”: Gleisi detona aliado de Trump que atacou brasileiras

Paolo Zampolli é conselheiro de Trump e fez comentários sobre brasileiras em entrevista.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu conselheiro, Paolo Zampolli. Foto: Reprodução

A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, detonou Paolo Zampolli, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atacou mulheres brasileiras. O empresário disse que elas seriam “programadas” para causar confusão.

“Esse Paolo Zampolli, enviado especial do Donald Trump para assuntos globais, é o tipo de misógino arrogante da extrema-direita. Quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele”, escreveu a ministra no X.

Ela ainda afirmou que ele “não é bem-vindo” no país. “Respeite as mulheres, respeite as brasileiras”, completou.

Esse Paolo Zampolli, enviado especial do Donald Trump para assuntos globais, é o tipo de misógino arrogante da extrema direita. Quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele. Respeite as mulheres, respeite as brasileiras! No Brasil você não é bem vindo!

— Gleisi Hoffmann (@gleisi) April 24, 2026

Ex-marido da ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por 20 anos, ele fez uma série de ataques contra mulheres do país, chamando-as de “prostitutas”. As ofensas ocorreram após citar a ex-companheira.

“As mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui, são programadas para causar problemas”, disse Zampolli à emissora italiana RAI. O empresário também citou uma mulher, identificada como Lídia, que seria amiga de Amanda, e afirmou que ela seria “uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”.

O empresário foi citado dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein. Ele também é acusado pela ex de abuso sexual, violência doméstica e uso de influência política para tentar deportá-la dos Estados Unidos. Os dois disputam a guarda do filho adolescente na Justiça.

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