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VÍDEO: Adrilles imita Nikolas, põe peruca e chama PL da Misoginia de “esdrúxulo”

O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução

A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.

Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.

Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.

“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.

TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!

O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.

Poucos dias antes, Fabiana Bolsonaro também protagonizou uma cena… pic.twitter.com/BJmZ6NyIIL

— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 25, 2026

Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.

A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.

Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.

Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.

Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.

O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.

Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.

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VÍDEO: “Não aos transfóbicos, não aos red pills”, diz Eduardo Moscovis ao ganhar prêmio Shell

Eduardo Moscovis com o Prêmio Shell, em cerimônia no Teatro Paulo Autran – Divulgação

Na noite de quarta-feira (17), o ator Eduardo Moscovis recebeu o Prêmio Shell de Teatro, por sua atuação no monólogo “O Motociclista no Globo da Morte”. Em seu discurso, ele repudiou movimentos machistas, homofóbicos, transfóbicos e o movimento red pill, que promove ideias misóginas sobre relacionamentos e papéis de gênero. Moscovis afirmou: “Eu agora aqui, como homem branco e com todos os privilégios que eu tenho e tive, reafirmo: Não aos machistas, não aos racistas, não aos misóginos, não aos homofóbicos, não aos transfóbicos, não aos neonazistas, não ao movimento red pill.” Sua fala foi amplamente aplaudida pela plateia.

Moscovis usou seu prêmio para criticar comportamentos violentos e estereótipos associados a certos modelos de masculinidade, ressaltando a importância de uma mudança de postura. “Vamos tentar criar uma nova geração de homens que possam habitar o mundo de uma forma mais equilibrada”, destacou. A atriz Larissa Luz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz, também fez um discurso emocionante, dedicando seu prêmio às mulheres, especialmente às mulheres trans, vítimas de feminicídio e à vereadora Marielle Franco: “Às mulheres que não são vistas e ouvidas, às mulheres trans que, sim, são mulheres.”

O evento ocorreu em meio às declarações transfóbicas do apresentador Ratinho, que desrespeitou a deputada federal Erika Hilton, recém-eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ratinho afirmou que, para ser mulher, é necessário ter útero e menstruar, o que gerou ampla repercussão negativa, incluindo dentro da própria emissora SBT. No mesmo dia, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro também fez uma performance de blackface em protesto contra Erika Hilton, intensificando o debate sobre intolerância e desrespeito à identidade de gênero e à luta contra o racismo.

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