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Funcionários da Samsung ameaçam greve e exigem parte dos lucros da IA

Imagem mostra funcionários da Samsung em um proteste com cartazes contra a fabricante
Funcionários exigem que a Samsung repasse os lucros com IA (imagem: reprodução/X)
Resumo
  • Funcionários da Samsung na Coreia do Sul ameaçam uma greve caso a fabricante não repasse 15% dos lucros com IA.
  • O sindicato ameaça uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio se as negociações não avançarem.
  • A empresa registrou um lucro operacional de US$ 38 bilhões no primeiro trimestre de 2024, impulsionado pela alta demanda por chips de memória.

Milhares de funcionários da Samsung se reuniram na Coreia do Sul com um ultimato à fabricante dos celulares Galaxy. O sindicato exige a distribuição de 15% dos lucros, impulsionados pela alta demanda por chips de memória usados em data centers de IA — segmento no qual a companhia lidera globalmente.

Essa posição privilegiada expandiu o caixa da empresa. Dados compilados por veículos como a PCMag estimam que a Samsung registrou um lucro operacional astronômico de US$ 38 bilhões (cerca de R$ 189,6 bilhões) apenas no primeiro trimestre de 2026.

Caso ceda à pressão, a companhia precisaria desembolsar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões anuais em bônus. Até o momento, a diretoria vem recusando a proposta, mantendo o impasse com os fucionários. Os trabalhadores afirmam que, caso as negociações não avançem, uma greve de 18 dias terá início em 21 de maio.

Paralisação aumentaria ainda mais os preços de chips

A faísca que gerou a insatisfação interna veio da concorrência. Conforme relatado pelo TechCrunch, a rival SK Hynix deve pagar bônus médios de cerca de US$ 400 mil para cada um de seus 35 mil empregados (cerca de R$ 2 milhões). O protesto contra a Samsung reuniu entre 30 mil e 39 mil pessoas, segundo estimativas.

Qualquer interrupção nas linhas de montagem da Samsung geraria um efeito dominó global, aumentando ainda mais os preços. O mercado de chips já opera no limite e, atualmente, os data centers focados em IA devem consumir cerca de 70% de todos os chips de memória fabricados neste ano, deixando uma margem apertada para os demais setores da indústria.

Os preços da memória RAM já sofrem com altas constantes. Se a greve de 18 dias sair do papel, a falta de componentes tende a piorar, afetando a fabricação de eletrônicos de consumo, como PCs, notebooks e smartphones. A divisão de celulares da própria Samsung corre o risco de registrar seu primeiro prejuízo em anos, justamente por causa dos altos custos de memória.

Diversos pentes de memória RAM
Oferta restrita pode causar nova escalada nos preços (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Samsung quer intervenção judicial na greve

De acordo com a agência Reuters, a Samsung buscou intervenção judicial para impedir o que classifica como “ações ilegais” durante a possível greve. A intenção é bloquear legalmente qualquer tentativa do sindicato de obstruir as fábricas e interromper as esteiras de produção.

A diretoria também conta com o apoio de investidores: durante o protesto dos trabalhadores, um grupo de acionistas organizou uma manifestação contrária. Eles acusam o sindicato de prejudicar as operações da companhia em um momento estratégico e altamente competitivo, argumentando que as exigências financeiras podem comprometer a capacidade de reinvestimento da empresa em pesquisa e desenvolvimento.

Vale lembrar que esse não é um território desconhecido para a fabricante. Em 2024, a Samsung enfrentou a primeira greve de sua história em mais de cinco décadas de operação. A paralisação durou 25 dias.

O cenário em 2026, contudo, é muito diferente. O futuro da cadeia global de inteligência artificial depende do fornecimento de chips de memória, motivo pelo qual os trabalhadores teriam, agora, um poder de barganha maior.

Funcionários da Samsung ameaçam greve e exigem parte dos lucros da IA

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
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Embraer testa carro voador durante apresentação de caça

A Embraer realizou, nesta quarta-feira (25), uma demonstração de voo de um protótipo de carro voador, conhecido como aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), durante o evento de apresentação do caça F-39E Gripen, no aeródromo da empresa em Gavião Peixoto (SP).

A cerimônia marcou a divulgação do primeiro caça supersônico produzido no Brasil e reuniu autoridades e representantes do setor aeronáutico.

Durante a programação, a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer voltada à mobilidade aérea urbana, apresentou o protótipo de engenharia de seu eVTOL.

O voo de demonstração foi realizado com sucesso e marcou um novo avanço na campanha de testes do modelo, que segue em desenvolvimento e ainda depende de certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para entrar em operação.

Financiamentos de eVTOLs cresce

  • Segundo o BNDES, o projeto dos eVTOLs já acumula mais de 2,9 mil pedidos de reserva em 13 países, com potencial de gerar US$ 14,5 bilhões (R$ 75,9 bilhões) em receita;
  • Desde 2023, o banco aprovou R$ 1,2 bilhão para apoiar o desenvolvimento da tecnologia em diferentes fases;
  • Em paralelo, a Eve também recebeu mais de R$ 1,4 bilhão em financiamentos desde 2022, além de apoio da Finep, que aprovou até R$ 90 milhões em subvenção econômica;
  • O protótipo da Eve já soma 35 voos realizados desde o primeiro teste, em dezembro de 2025, acumulando quase uma hora e meia de tempo de voo;
  • A aeronave atingiu cerca de 43 metros de altura e demonstrou comportamento consistente, inclusive em manobras com entradas simultâneas em três eixos, segundo informações da Eve;
  • Os resultados preliminares indicam ganhos de eficiência, com desempenho de propulsão e de bateria acima das hipóteses iniciais, enquanto os níveis de ruído ficaram dentro das projeções e significativamente abaixo dos helicópteros.

Até o momento, os testes foram conduzidos em baixas velocidades, de até aproximadamente 28 km/h, permitindo validar leis de controle, eficiência aerodinâmica dos rotores, comportamento térmico e o modelo de propulsão. A empresa planeja expandir o envelope de voo, com testes em velocidades mais elevadas, podendo atingir até cerca de 56 km/h nos próximos dias.

eVTOL no ar
(Imagem: Divulgação/Eve Air Mobility)

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“Estamos avançando com disciplina e consistência em nossa campanha de testes, reduzindo riscos e consolidando as bases para futuros voos para a certificação. Os resultados obtidos nesses primeiros meses de campanha pós-primeiro voo, em dezembro de 2025, reforçam nossa confiança na arquitetura da aeronave e na capacidade de entregar uma solução segura, eficiente e escalável para o mercado de mobilidade aérea urbana”, afirmou Johann Bordais, CEO da Eve.

Além dos testes em voo, a empresa concluiu atividades em solo, como a calibração de sensores responsáveis pela medição das cargas aerodinâmicas. Essas etapas fazem parte do processo de ampliação do envelope de voo e preparação para futuras fases de certificação, que dependem da aprovação das autoridades regulatórias.

“A Embraer tem mais de cinco décadas de expertise comprovada no desenvolvimento e certificação de aeronaves e ver esse conhecimento aplicado ao programa da Eve reforça o nosso compromisso com a inovação e com o futuro da aviação sustentável. Acreditamos no grande potencial do mercado global de mobilidade aérea urbana e vemos a Eve posicionada para ser uma das líderes dessa indústria”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer.

Produção do carro voador da Embraer

Os eVTOLs estão sendo produzidos em Taubaté (SP), em planta com capacidade para fabricar até 480 unidades por ano. O modelo tem capacidade para cinco pessoasquatro passageiros e um piloto — e autonomia de até 100 quilômetros, o que permite realizar trajetos urbanos curtos, como conexões entre cidades e centros comerciais.

A expectativa da Eve é iniciar as entregas e as operações comerciais em 2027. A empresa projeta que a frota global de eVTOLs pode chegar a 30 mil unidades até 2045, transportando mais de três bilhões de passageiros no período. A estimativa é que a operação e a venda dessas aeronaves gerem receita de US$ 280 bilhões (R$ 1,4 trilhão) até 2045.

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