Visualização de leitura

Austrália: mesmo com proibição, adolescentes ainda usam redes sociais

Em dezembro, a Austrália colocou em prática uma lei histórica que impede que adolescentes menores de 16 anos acessem redes sociais. Em janeiro, apontava-se pelo menos 4,7 milhões de contas de jovens derrubadas.

Mas novos dados apontam que um quinto dos adolescentes australianos com menos de 16 anos ainda está usando redes sociais. Isso leva a preocupações com a eficácia dos sistemas utilizados pelas plataformas para impedir esse acesso.

A quantidade de jovens de 13 a 15 anos que usam TikTok e Snapchat, por exemplo, chegou a cair antes da entrada em vigor da lei. Mas, ainda, mais de 20% usam os apps. Os dados foram levantados pela Qustodio, fornecedora de software de controle parental, cujo acesso foi obtido pela Reuters.

Adolescentes australianos ainda têm acesso às redes sociais

  • A proibição indica que Meta, Google, TikTok, Snap, entre outras companhias do setor, devem bloquear o acesso de menores de 16 anos;
  • Caso não o façam, poderão ter que pagar multa de até US$ 35 milhões (R$ 186,2 milhões);
  • Um porta-voz do Comissário de Segurança Online (eSafety Comissioner), órgão regulador da internet na Austrália, disse que eles estão cientes dos relatos de adolescentes com menos de 16 anos que ainda acessam as redes sociais;
  • Ele também informou que está “em contato ativo com as plataformas e seus provedores de verificação de idade… enquanto continuava monitorando quaisquer falhas sistêmicas que possam configurar uma violação da lei”;
  • O porta-voz também declarou que o eSafety Comissioner vem “usando ativamente uma série de informações para avaliar a conformidade”.

Logos de TikTok, Instagram, YouTube e Snapchat em um smartphone
Proibição indica que Meta, Google, TikTok, Snap, entre outras companhias do setor, devem bloquear o acesso de menores de 16 anos (Imagem: Tada Images/Shutterstock)

Por sua vez, um porta-voz da ministra das Comunicações australiana, Anika Wells, informou que o governo deixa claro que “aumentar a idade mínima para acesso às redes sociais é uma mudança cultural que levará tempo”.

A Reuters tentou contato com a Snap, empresa que fornece o Snapchat, mas não obteve retorno positivo, enquanto um porta-voz do TikTok não quis comentar o tema.

Leia mais:

O que os dados da Qustodio dizem?

Dados da fornecedora de software, a Qustodio, indicam que o número de adolescentes australianos entre 13 e 15 anos que utilizam o Snapchat caiu 13,8%, para 20,3%, de novembro a fevereiro. Já a quantidade de usuários do TikTok desceu para 21,2%; foi uma queda de 5,7%.

Já o índice de usuários do YouTube nessa faixa etária caiu 1%, para 36,9%, apesar de os dados não especificarem se os jovens estavam conectados às suas contas. Apesar da proibição, ainda é possível que qualquer pessoa, de qualquer idade, use o YouTube sem estar logado em sua própria conta.

O post Austrália: mesmo com proibição, adolescentes ainda usam redes sociais apareceu primeiro em Olhar Digital.

  •  

Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço  

Após 25 meses de atividade no espaço, a missão SpIRIT, da Austrália, foi oficialmente encerrada. O projeto marcou um avanço importante para o setor espacial do país. Liderado pela Universidade de Melbourne, em parceria com a Agência Espacial Italiana (ASI), o nanossatélite superou a expectativa inicial de operação, prevista para dois anos.

Pequeno, do tamanho de uma caixa de sapatos, e pesando 11,5 kg, o SpIRIT completou cerca de 16 mil voltas ao redor da Terra. Ao longo desse período, percorreu algo em torno de 690 milhões de quilômetros – o que é comparável à distância entre a Terra e Júpiter. O satélite enviou mais de 400 imagens ao planeta e registrou centenas de outras para pesquisas realizadas a bordo.

Representação artística do satélite SpIRIT, da Austrália, que percorreu 690 milhões de km ao redor da Terra antes de se aposentar. Crédito: Universidade de Melbourne

Em resumo:

  • Missão SpIRIT se encerra após 25 meses no espaço;
  • Satélite percorreu 690 milhões de quilômetros;
  • Projeto testou tecnologias espaciais australianas;
  • Instrumento HERMES estudou raios X e gama;
  • Dados e legado impulsionam futuras missões.

SpIRIT impulsiona tecnologia australiana

De acordo com um comunicado, a missão teve como principal objetivo testar tecnologias desenvolvidas na Austrália. O projeto demonstrou a eficiência de sistemas autônomos, comunicações avançadas e controle térmico em órbita. Além disso, contribuiu para fortalecer a indústria espacial local e ampliar a experiência técnica de pesquisadores e empresas do país.

Um dos destaques foi o instrumento HERMES, fornecido pela ASI, que permitiu a realização de estudos com raios X e raios gama, fenômenos associados a eventos extremos no universo, como a morte de estrelas massivas ou a fusão de estrelas de nêutrons. Apenas nos últimos meses de 2025, o satélite coletou mais de 180 horas de dados científicos.

Segundo a professora Michele Trenti, investigadora principal da missão, o projeto representa uma conquista relevante para a equipe e seus parceiros. Ela destaca o apoio das agências espaciais da Austrália e da Itália e defende que o legado do SpIRIT deve beneficiar futuras iniciativas científicas.

Uma selfie da sonda SpIRIT em órbita sobre o Oceano Pacífico com as ilhas do Havaí ao fundo, 5 de agosto de 2025. Crédito: Universidade de Melbourne

O chefe da Agência Espacial Australiana (ASA), Enrico Palermo, avaliou que o impacto da missão vai além dos resultados técnicos. Para ele, o investimento ajudou a consolidar a posição da Austrália como parceira confiável em projetos espaciais internacionais. Já o líder da ASI, Teodoro Valente, ressaltou o avanço tecnológico alcançado com o desempenho do instrumento HERMES.

Diversas empresas australianas participaram do consórcio responsável pela missão. Entre elas, Inovor Technologies, Neumann Space, Nova Systems e SITAEL Austrália, que contribuíram com plataforma, sistema de propulsão, estação terrestre e engenharia de sistemas, respectivamente.

Leia mais:

Satélite apresentou falhas após 2 anos no espaço

Em janeiro, o satélite começou a apresentar falhas técnicas e perda intermitente de comunicação. Após análises, a equipe concluiu que não seria possível restabelecer contato estável, encerrando oficialmente a fase operacional em órbita.

A expectativa é que o SpIRIT reentre na atmosfera e se desintegre até agosto, sem gerar detritos espaciais. Agora, os pesquisadores concentram esforços na análise dos dados coletados e na publicação dos resultados. As experiências adquiridas servirão de base para o desenvolvimento de novas tecnologias espaciais australianas, incluindo aplicações em sensoriamento remoto e computação em órbita.

O post Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço   apareceu primeiro em Olhar Digital.

  •  

Cabine fotográfica expõe imagens de clientes por falha de segurança

Cabine da Hama Film em Melbourne (imagem: reprodução)
Resumo
  • Uma falha de segurança no armazenamento digital da Hama Film expôs fotos e vídeos de clientes, permitindo acesso público sem autenticação.
  • O pesquisador Zeacer alertou a Hama Film sobre o problema em outubro, mas não obteve resposta; a falha ainda não foi corrigida.
  • A exposição de dados reflete a falta de medidas básicas de segurança, como o rate limiting, em sistemas que lidam com informações sensíveis.

Uma empresa que fabrica cabines fotográficas deixou imagens e vídeos de clientes acessíveis na internet por causa de uma falha simples no armazenamento de arquivos. O caso foi revelado por um pesquisador de segurança e se soma a uma série de episódios recentes que levantam preocupações sobre como empresas lidam com dados sensíveis no ambiente digital.

O pesquisador, conhecido como Zeacer, informou ter alertado a Hama Film — fabricante das cabines — ainda em outubro, sem obter resposta. A empresa atua por meio de franquias em países como Austrália, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos. O caso ganhou visibilidade após o pesquisador compartilhar detalhes com o TechCrunch no fim de novembro.

O tema dialoga com um debate mais amplo sobre confiança e controle da informação online, intensificado após experimentos de grandes plataformas com inteligência artificial e distribuição de conteúdo. Em comum, está a dificuldade de garantir transparência e segurança em sistemas que lidam com dados de usuários em larga escala.

Como a falha permitia o acesso às imagens?

Criptografia (Imagem: Blog Zoom/Divulgação)
Vulnerabilidade permite acesso ao conteúdo dos usuários (Imagem: Blog Zoom/Divulgação)

Segundo o relato, as cabines da Hama Film não apenas imprimem as fotos tiradas pelos clientes, como também enviam esses arquivos para servidores da empresa. O problema estava na forma como esse conteúdo era armazenado e disponibilizado no site, o que permitia que terceiros visualizassem fotos e vídeos sem qualquer tipo de autenticação.

Zeacer compartilhou amostras que em que grupos de jovens posavam nas cabines, indicando que usuários comuns tiveram suas imagens expostas. A empresa controladora da Hama Film, a Vibecast, não respondeu aos alertas enviados pelo pesquisador nem aos pedidos de comentário feitos pela imprensa. O cofundador da Vibecast, Joel Park, também não retornou contatos feitos por redes profissionais.

Até a última atualização do caso, a falha não havia sido totalmente corrigida. Por esse motivo, detalhes técnicos específicos não foram divulgados, para evitar exploração adicional do problema.

Por que esse tipo de exposição ainda acontece?

Inicialmente, o pesquisador observou que as imagens pareciam ser apagadas dos servidores a cada duas ou três semanas. Mais recentemente, o período de retenção teria sido reduzido para cerca de 24 horas, o que limita a quantidade de arquivos expostos em um dado momento. Ainda assim, a vulnerabilidade permitiria que alguém explorasse o acesso diariamente e baixasse todo o conteúdo disponível.

Em determinado momento, mais de mil imagens relacionadas a cabines da Hama Film em Melbourne teriam ficado acessíveis online. O episódio ilustra a ausência de medidas básicas e amplamente adotadas de segurança, como o rate limiting, que dificulta acessos automatizados em massa.

Casos semelhantes já atingiram outras empresas, inclusive em setores sensíveis, mostrando que falhas simples continuam sendo um vetor recorrente de exposição de dados pessoais.

Cabine fotográfica expõe imagens de clientes por falha de segurança

  •  

Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Reddit afirma que não se enquadra na definição legal de “rede social” (imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Resumo
  • Reddit abriu um processo na Suprema Corte da Austrália para invalidar a lei que proíbe menores de 16 anos de acessar redes sociais.
  • A plataforma alega violação da liberdade de expressão política e diz que não se enquadra na categoria de “redes sociais”.
  • O governo australiano comparou a ação do Reddit a estratégias da indústria do tabaco e afirmou que a medida visa proteger os jovens.

O Reddit protocolou, nesta sexta-feira (12/12), uma ação judicial na Suprema Corte da Austrália para invalidar a legislação que proíbe o acesso de menores de 16 anos às redes sociais no país. O processo foi aberto apenas dois dias após a medida, considerada inédita no mundo, entrar em vigor. Na petição, a plataforma sustenta que a proibição fere o debate democrático.

Segundo a argumentação jurídica da empresa, embora os menores de 16 anos não votem, suas opiniões influenciam as escolhas eleitorais de pais e outros cidadãos — uma forma de comunicação política protegida, ainda que implicitamente, pela Constituição australiana.

O que diz o governo australiano?

A reação foi imediata. O ministro da Saúde, Mark Butler, comparou a estratégia jurídica do Reddit às ações movidas historicamente pela indústria do tabaco contra regulações de saúde pública. “Lutaremos contra essa ação em todas as instâncias”, afirmou, sugerindo que a empresa prioriza lucros em detrimento da segurança dos jovens.

Um porta-voz da ministra das Comunicações, Anika Wells, reforçou o posicionamento, declarando que o governo está “do lado dos pais e filhos australianos, não das plataformas”.

Reddit alerta para “efeito reverso”

imagem do aplicativo Reddit no iphone
Plataforma diz que banimento expõe adolescentes a riscos maiores (imagem: AppsHunter IO/Unsplash)

Além da questão constitucional, o Reddit alega que há um paradoxo técnico: a lei pode diminuir a segurança online. A defesa explica que, ao bloquear contas de menores, a legislação força esses jovens a navegarem no modo “somente leitura” (sem login).

O problema, segundo a plataforma, é que usuários logados podem ativar filtros de segurança que bloqueiam conteúdos inadequados. Sem uma conta, os jovens ficariam expostos ao conteúdo bruto dos fóruns, perdendo as camadas de proteção que o cadastro oferece.

Outro ponto central da defesa é a própria definição do serviço. O Reddit alega não atender aos critérios da lei, pois seu propósito principal não seria a “interação social online”, mas sim a discussão de tópicos, muitas vezes anônima. A empresa busca isenção argumentando que a natureza de seus fóruns difere consideravelmente de redes focadas em exposição pessoal e conectividade direta.

Como é a nova lei australiana?

A nova legislação entrou em vigor na quarta-feira (10/12) e impõe que a responsabilidade pelo bloqueio das contas de menores seja inteiramente das plataformas. A regra prevê multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos (quase R$ 180 milhões) para as empresas que descumprirem a decisão.

O texto da lei foca em serviços cujo propósito principal é permitir a interação social e a postagem de material. No entanto, o governo estabeleceu exceções para serviços essenciais ou de baixo risco:

  • Mensageiros: aplicativos de comunicação como WhatsApp e Facebook Messenger (sem feed social) continuam liberados;
  • Jogos e educação: plataformas como Roblox, Discord, Google Classroom e YouTube Kids estão isentas;
  • Mídia passiva: o consumo de conteúdo, como assistir a vídeos no YouTube sem estar logado, segue permitido.

Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
  •  

Como a Austrália quer banir menores de idade em redes sociais

Imagem mostra um iPhone com aplicativos de redes sociais na página inicial
Austrália bane uso de redes sociais por adolescentes (imagem: Jeremy Zero/ Unsplash)
Resumo
  • Austrália implementou uma lei que proíbe menores de 16 anos de acessar redes sociais.
  • A nova regra exige verificação de idade e impõe multas de até R$ 179 milhões para plataformas que não cumprirem.
  • No Brasil, um movimento similar se dá com o ECA Digital, que entra em vigor em 2026 e exige verificação de idade, mas não proíbe o acesso às redes.

A Austrália começou nesta quarta-feira (10/12) a aplicar a nova lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais. A medida exige que as plataformas implementem barreiras de verificação de idade e impeçam que crianças e adolescentes criem ou mantenham contas ativas.

A legislação australiana foca especificamente em serviços cujo propósito principal seja a interação social entre múltiplos usuários, com postagens públicas e interação irrestrita, e altera o Online Safety Act de 2021.

As plataformas que falharem em tomar medidas de restrição estarão sujeitas a multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 179 milhões). Os indivíduos que conseguirem burlar os sistemas de cadastro, porém, não devem ser punidos.

O que leva à restrição?

Imagem mostra uma criança com um celular nas mãos
Redes que possibilitam interações e postagens devem bloquear jovens (imagem: Unsplash/Bruce Mars)

De acordo com a nova lei, o que constitui a restrição é a simples arquitetura das redes sociais, que promove a descoberta de outros usuários, feeds personalizados e métricas de engajamento (curtidas, visualizações etc). O enquadramento para restrição passa por alguns critérios de operação:

  • Propósito social: o objetivo único do serviço é permitir a interação social online entre dois ou mais usuários finais.
  • Conectividade: o serviço permite que usuários finais se vinculem (sigam/adicionem) ou interajam com alguns ou todos os outros usuários.
  • Postagem: permite que os usuários postem material na plataforma.

O consumo de mídia pelos menores, entretanto, não foi proibido no país. Com a nova lei, um jovem de 15 anos ainda poderá acessar o YouTube, por exemplo, para assistir vídeos, desde que não esteja logado em uma conta.

Ainda assim, as plataformas devem provar que adotaram medidas suficientes para impedir a criação, como o uso de sistemas de verificação — que não podem se basear apenas em documentos de identidade (como o RG, no Brasil). Além disso, quaisquer informações coletadas devem ser destruídas após a confirmação.

Aplicação nas redes sociais

Duas pessoas usando celulares
Redes sociais se adequaram à lei (imagem: terimakasih0/Pixabay)

Para cumprir a nova lei, as principais plataformas já estão adotando diferentes estratégias de verificação, segundo o portal Mashable:

  • Meta (Instagram, Facebook e Threads): bloqueou a criação de novas contas e removeu contas existentes. A empresa implementou opções de verificação que incluem o envio de documentos oficiais ou a realização de video selfies, analisadas por empresas parceiras.
  • TikTok: passou a desativar contas de usuários identificados entre 13 e 15 anos. A plataforma combina estimativa de idade, autorização via cartão de crédito e análise comportamental para detectar usuários abaixo da idade permitida.
  • Snapchat: optou por “trancar” as contas de menores de 16 anos em vez de deletá-las imediatamente. A rede manterá os dados (como memórias e fotos) salvos, por até três anos, até que o usuário complete a idade mínima ou prove que já a possui.
  • YouTube: bloqueará funções de upload de conteúdo, comentários e interações sociais para contas de menores.
  • Twitch: não anunciou nenhuma adaptação à nova lei. A plataforma já utiliza data de nascimento e estimativa de idade por foto.
  • X/Twitter: embora tenha regras globais para maiores de 13 anos, não detalhou publicamente medidas específicas para a nova lei australiana. Atualmente, ela usa informações como idade autodeclarada, data de criação da conta e verificações por estimativa de idade por foto e documento de identidade.
  • Reddit: anunciou que exigirá verificação de idade para todos os usuários australianos, suspendendo contas não verificadas ou identificadas como menores.

Quais plataformas não devem ser bloqueadas?

Ilustração de redes sociais mostra três pessoas com dispositivos móveis acessando as redes. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível
Mensageiros e outras plataformas não serão obrigados (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O governo australiano estabeleceu exceções para serviços considerados essenciais para comunicação familiar, educação ou que possuem foco lúdico sem os riscos das redes sociais. Continuam acessíveis para menores de 16 anos:

  • Mensageiros: apps focados em troca de mensagens diretas e privadas, como WhatsApp e Messenger (sem vincular à conta do Facebook).
  • Jogos e plataformas para gamers: Roblox, Discord e Steam seguem disponíveis.
  • Educação: serviços como Google Classroom, GitHub, Pinterest e YouTube Kids também estão isentos das restrições.

Lei do Brasil repete decisão da Austrália

A discussão sobre segurança digital de crianças e adolescentes na Austrália se repetiu no Brasil. Em setembro de 2025, a lei que estabelece Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) passou pelo Congresso e foi sancionada pelo governo federal. Ela deve entrar em vigor em março de 2026.

Com isso, a legislação brasileira passa a obrigar que aplicativos, redes sociais, jogos e demais serviços digitais implementem mecanismos de verificação de idade e controles parentais. Também reforça que as plataformas são responsáveis pela moderação de conteúdo e tratamento de dados sensíveis, e que devem atuar na proteção do público contra conteúdo nocivo.

Apesar de ser mais amplo — entrando no conceito de serviços digitais —, o ECA Digital não proíbe menores de utilizar redes sociais de comunicação massiva, como a lei australiana. Por aqui, o foco é o uso responsável, algo que algumas plataformas já promovem (a exemplo da Meta, com as Contas de Adolescente).

Como a Austrália quer banir menores de idade em redes sociais

Brasileiros estão usando menos as redes sociais para ver notícias (Imagem: Jeremy Zero/ Unsplash)

Redes sociais deixam de ser ilimitadas em novos planos (Imagem: terimakasih0/Pixabay)
  •  

Microsoft admite erro e pede desculpas por empurrar Copilot a usuários na Austrália

Arte com o logo da Microsoft ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Microsoft admite falha na comunicação com usuários (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Microsoft pediu desculpas a usuários na Austrália e Nova Zelândia por induzir a migração para planos mais caros do Microsoft 365 com Copilot.
  • A empresa prometeu reembolsos e mais transparência após críticas da Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores.
  • Mensagens promocionais também foram enviadas na Malásia, Singapura, Taiwan e Tailândia, mas a Microsoft não estendeu o pedido a esses países.

A Microsoft pediu desculpas publicamente a usuários da Austrália e da Nova Zelândia depois de ser acusada por órgãos reguladores de direcionar assinantes do Microsoft 365 para planos mais caros que incluem o Copilot, sua ferramenta de inteligência artificial. A prática foi considerada confusa e potencialmente enganosa, já que muitos consumidores não sabiam que havia versões mais baratas do serviço (sem o recurso de IA).

O caso foi inicialmente divulgado pelo The Register em janeiro, quando a Microsoft enviou comunicações aos usuários sobre um aumento de preços nos planos que incluíam o Copilot. A mensagem mencionava a possibilidade de migrar a versão Classic para evitar o reajuste, mas essa opção não estava detalhada nem disponível no site oficial.

O que aconteceu com os planos Classic?

De acordo com a Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores (ACCC), a Microsoft apresentou informações “falsas ou enganosas” ao omitir a existência de uma terceira opção: o plano Microsoft 365 Personal ou Family na versão Classic. Ele permitia que usuários mantivessem os mesmos recursos do pacote anterior, com preço antigo e sem o Copilot e com o preço antigo.

Usuários que tentaram cancelar suas assinaturas relataram ter encontrado telas com mensagens como “Não quero minha assinatura” e “Quero manter meus benefícios”, mas nenhuma referência ao Classic. Segundo especialistas, esse tipo de abordagem é conhecida como dark pattern — um design intencionalmente confuso para direcionar o consumidor a escolhas mais vantajosas para a empresa.

A Microsoft admitiu o problema na semana passada. Num comunicado enviado por e-mail, a companhia afirmou: “Reconhecemos que poderíamos ter sido mais claros em nossa comunicação sobre toda a gama de opções de assinatura do Microsoft 365, incluindo a opção de migrar para o Microsoft 365 Family Classic.”

Arte com o logotipo do Microsoft 365 ao centro. Ao fundo, um quadrado composto por quatro quadrados menores, de cores verde, amarelo, laranja e azul. Na parte inferior direita, está o logotipo do Tecnoblog.
Microsoft se pronuncia após polêmica com planos do 365 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Microsoft promete reembolso e nova postura

A empresa também publicou um pedido de desculpas formal, afirmando: “Nosso relacionamento com os clientes é baseado em confiança e transparência, e pedimos desculpas por não termos atingido nossos padrões.”

Além disso, a Microsoft se comprometeu a reembolsar a diferença de preço para usuários que desejarem migrar para os planos sem Copilot, depois de terem sido levados a atualizar involuntariamente.

Os aumentos e mensagens promocionais também foram enviados para clientes da Malásia, Singapura, Taiwan e Tailândia. Ao ser questionada pelo The Register sobre a possibilidade de estender o pedido de desculpas aos demais países, a Microsoft não confirmou a medida até o momento.

Microsoft admite erro e pede desculpas por empurrar Copilot a usuários na Austrália

Microsoft (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Capa Microsoft 365 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •  

Auditoria usa IA, passa vergonha e devolve dinheiro de projeto

Relatório continha citação inventada e estudos que nunca existiram (imagem: divulgação/Deloitte)
Resumo
  • A Deloitte, uma das principais empresas de consultoria do mundo, usou IA em um relatório para o governo australiano.
  • O documento avaliado em AU$ 439 mil teve citações fictícias e foi corrigido após críticas e investigação interna.
  • A empresa acordou um reembolso parcial, e o governo não pagará a última parcela do contrato.

A gigante da consultoria Deloitte vai renunciar parte de um pagamento avaliado em AU$ 439.000 (pouco mais de R$ 1,5 milhão, na cotação atual). O motivo? A entrega de um relatório para o governo da Austrália com vários erros atribuídos ao uso de inteligência artificial, incluindo citações e referências falsas.

Em dezembro do ano passado, o Departamento de Emprego e Relações de Trabalho (DEWR) contratou a empresa para auditar e revisar um sistema que aplica penalidades automáticas a beneficiários de programas de emprego.

Segundo o jornal Financial Review, um relatório inicial foi publicado em julho deste ano, mas menos de um mês depois suas imprecisões foram expostas por um acadêmico da Universidade de Sydney, o Dr. Christopher Rudge.

O acadêmico levantou a hipótese de que os erros poderiam ser “alucinações” de IA — fenômeno no qual a tecnologia inventa informações para responder a consultas. Após a denúncia, a Deloitte iniciou uma investigação e publicou uma versão corrigida do relatório na última semana.

O texto revisado revela que parte da análise inicial “incluiu o uso de ferramentas de IA generativa (GPT-4o)”. O governo afirma que as recomendações do documento não foram alteradas, mas o incidente expôs os riscos do uso crescente, e por vezes não supervisionado, da IA em serviços técnicos.

“Alucinações”, erros e citações falsas

Ilustração com o texto "AI" ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"é visível.
Consultoria admite que falhas foram geradas por modelo GPT-4o (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O documento original continha mais de uma dúzia de referências e notas de rodapé incorretas. Entre as mais notáveis estavam citações a dois relatórios fictícios da professora Lisa Burton Crawford, da Universidade de Sydney, e outras duas referências a um trabalho inexistente do professor Björn Regnell, da Universidade de Lund, na Suécia. Além disso, o documento inventou uma citação sobre uma decisão do Tribunal Federal australiano e até errou a grafia do nome da juíza do caso.

Ao Financial Review, o acadêmico Chris Rudge — que identificou os erros — criticou a gravidade das falhas após a admissão da consultoria. Para ele, a credibilidade de todo o trabalho ficou comprometida. “Não se pode confiar nas recomendações quando a própria base do relatório é construída sobre uma metodologia falha”, afirmou.

Reembolso parcial do contrato

Um porta-voz do DEWR confirmou um acordo para o não pagamento da última parcela do relatório. O valor exato, no entanto, não foi revelado. O departamento governamental também não confirmou se considera buscar um reembolso total dos valores.

A Deloitte é considerada uma das principais empresas de consultoria do mundo e enfatiza em suas diretrizes a necessidade de supervisão humana em resultados gerados por IA, prática que parece ter falhado neste caso.

Empresa renunciará à parcela final de contrato (imagem: divulgação/Deloitte)

O caso ocorre em um momento de crescente preocupação com o uso apressado e não regulamentado de IA no ambiente de trabalho.

Grandes consultorias e governos estão em uma corrida para integrar a tecnologia em seus processos para aumentar a eficiência. Em junho, o governo do Reino Unido testou a IA Copilot, da Microsoft, com 20 mil servidores públicos.

No mesmo mês, o órgão de fiscalização contábil do país alertou que ferramentas automatizadas podem impactar a qualidade de futuras auditorias, segundo o Financial Times.

Com informações do Financial Review

Auditoria usa IA, passa vergonha e devolve dinheiro de projeto

Inteligência artificial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •