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Família Pinheiro, controladora da Hapvida, amplia participação antes de eleição do conselho

A família Pinheiro, controladora da Hapvida, voltou a aumentar sua participação na companhia de planos de saúde. Segundo comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira (24), o grupo passou a deter 55,4% do capital social – ou 58,6% ao desconsiderar as ações em tesouraria. 

O movimento envolve não só ações compradas diretamente mas também posições via empréstimo de ações, derivativos e direitos sobre papéis.

No próximo dia 30, a empresa realiza assembleia de acionistas para eleger a composição do conselho de administração – e a gestora Squadra, com perto de 7% do capital, tenta emplacar três nomes.

O avanço consolida a posição da família em um momento de pressão sobre a companhia, com resultados mais fracos e crescente desconfiança do mercado.

A família tem ampliado recorrentemente sua fatia na empresa nas últimas semanas. No início de abril, os controladores já haviam elevado sua fatia para cerca de 50% do capital. Até o fim de março, esse percentual girava em torno de 40%. 

Considerando apenas as ações com direito a voto, a participação atual é menor, de 47,3%, já que parte da exposição está em instrumentos financeiros que não dão poder de voto.

Família Pinheiro

Entre os acionistas que comunicaram o aumento de participação estão Jorge Pinheiro Koren de Lima, atual CEO da Hapvida, além de outros membros da família e holdings ligadas ao grupo controlador. 

Jorge Pinheiro está em processo de transição no comando da Hapvida: após 27 anos como CEO, ele deixará o cargo em 30 de abril e assumirá a presidência do conselho.

As mudanças acontecem em meio à tentativa de reverter a forte queda de valor da companhia nos últimos anos.

Após a fusão com a NotreDame Intermédica, em 2021, a companhia cresceu, mas não conseguiu recuperar margens e lucratividade no ritmo esperado. No 4º trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado caiu 64,9%, para R$ 180,6 milhões.

Desde 2021, no auge, as ações da companhia cederam mais de 95%. 

No início de março, a gestora Squadra, uma acionista relevante da companhia, com cerca de 7% do capital votante, enviou uma carta cobrando mudanças no conselho e na condução da empresa. 

A gestora critica problemas de governança, alocação de capital e execução. E defende que a Hapvida avalie vender operações no Sul e Sudeste, em boa parte ativos herdados da NotreDame Intermédica.

Como mostrou o InvestNews, a crise financeira e de governança já afeta as operações da companhia. Médicos em São Paulo relatam que passaram a reduzir a carga horária por medo de calote – no último mês, já houve atrasos nos pagamentos.

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Sem acordo com credores, Oncoclínicas admite “incerteza relevante” sobre continuidade operacional

Como já era esperado pelo mercado, a Oncoclínicas apresentou uma forte deterioração em seu nível de alavancagem no balanço anual divulgado na noite de quinta-feira, 9 de abril. No período, a relação dívida líquida sobre Ebitda subiu de 2,6 vezes para 3,5 vezes — patamar que já encosta no limite dos covenants da companhia. Considerando […]

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Após comprar Empírica, SRM entra no mercado de dívida e mira R$ 500 milhões

A SRM está lançando sua área de debt capital market (DCM), diversificando sua atuação para além de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) multicedente e multisacado, segmento de sua especialidade e com o qual sua gestora atingiu cerca de R$ 2 bilhões em ativos sob gestão. A expectativa é realizar, já no primeiro ano […]

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JSL “asfalta” crescimento de novos contratos e cria empresa para cuidar de logística interna

O volume de novos contratos, que alcançou R$ 4,9 bilhões em 2025, contribuiu de forma expressiva para que a JSL, companhia de logística do grupo Simpar, fechasse o ano com crescimento de 6,5% na receita, com R$ 9,6 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 7,7% sobre o ano anterior. A […]

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Movida aumenta lucro em 2025 com frota estável e dívida sob controle

A Movida conseguiu fazer o que nem sempre é trivial em um setor sensível a preço como o de aluguel de veículos: aumentou tarifas e ainda ganhou participação de mercado. Em outra frente, a companhia começou a reduzir sua alavancagem, após o nível de endividamento ter gerado preocupações no mercado.

No quarto trimestre de 2025, a locadora da família Simões elevou o volume de diárias em mais de 12% na comparação anual, ao mesmo tempo em que reajustou os preços em 13,3% de um ano para o outro. A diária média ficou em R$ 158, segundo a companhia. Nas frotas, a média mensal subiu 14,3% entre 2024 e 2025 para cerca de R$ 3 mil.

A combinação de mais carros alugados com preços mais altos impulsionou a receita e ampliou as margens, levando o retorno sobre o capital (ROIC, em inglês) ao maior nível da história recente da empresa, de 16,6%, afirma o CEO Gustavo Moscatelli

Quando essas duas variáveis avançam juntas — volume e preço —, o impacto aparece diretamente no caixa, diz o executivo.No ano, a companhia registrou crescimento de receita e uma alta ainda maior no resultado operacional (Ebitda), além de atingir o maior retorno sobre o capital da sua história recente. 

Para o CEO da Movida, esse desempenho não é apenas reflexo de um mercado mais aquecido. “Não dá para dizer que foi uma circunstância de mercado porque os outros concorrentes não entregaram crescimentos nesses números”, diz Moscatelli, em conversa com o InvestNews.

Gustavo Moscatelli, CEO da Movida
Gustavo Moscatelli, CEO da Movida (Divulgação)

Segundo ele, enquanto concorrentes cresceram pouco no volume de locações, a Movida avançou bem acima disso, indicando ganho de participação de mercado – a companhia não divulga seu market share.

No quarto trimestre de 2025, a Movida registrou receita líquida de R$ 3,93 bilhões, crescimento de 12,7% em relação a igual período do ano anterior. Já o Ebitda cresceu 19,8% no mesmo comparativo, para R$ 1,49 bilhão e margem de 40,7%, aumento de 2,5 pontos percentuais.

O lucro líquido no trimestre foi de R$ 102,3 milhões, alta de 64,5%, enquanto o desempenho nos 12 meses foi de R$ 318,4 milhões, crescimento de 37,5% na comparação com 2024.

Para o primeiro trimestre deste ano, a empresa anunciou um guidance que projeta que o lucro líquido ficará entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, bem acima das estimativas do mercado.

Espaço para reajustes

A explicação para alugar mais – e mais caro –, segundo o executivo, passa por melhorias no serviço e maior disposição do cliente em pagar por uma experiência melhor.

Mesmo após o repasse recente de preços nas diárias, o CEO da Movida afirma que ainda existe “um espaço importante de reajuste”. Parte desse potencial, diz, vem de um uso mais eficiente de inteligência de mercado na formação de preços.

Moscatelli afirma que a companhia investiu em ferramentas mais sofisticadas de precificação, com uso de dados e modelos mais detalhados para definir o valor ideal de cada locação. Para o CEO, esse avanço abre espaço para novos reajustes mesmo após o ciclo recente de altas, sem necessariamente comprometer a demanda.

Na prática, o preço do aluguel varia de acordo com fatores como demanda, local, antecedência da reserva e duração da locação – uma lógica mais próxima da usada por companhias aéreas e redes de hotéis. “É saber qual é o preço certo para o carro naquele dia, com aquela antecedência e para aquele cliente”, afirma o executivo.

Alavancagem controlada

A Movida encerrou 2025 com melhora na estrutura de capital, sobretudo no tamanho do endividamento – uma preocupação que ocupou as atenções do mercado ao longo do último ano.

Moscatelli destaca que a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem, indicador que mede a relação entre dívida e geração de caixa, que caiu em um ano de 3,1 vezes o Ebitda para 2,6 vez. 

O resultado, prossegue o CEO, se deve à maior geração de caixa e a um capex controlado – a frota da empresa cresceu apenas 2,4% em 2025, para 275 mil carros. “Nós prometemos e direcionamos nossa geração de caixa para reduzir o endividamento”, diz o CEO.

As obrigações financeira para 2026 estão praticamente resolvidas após algumas emissões de dívidas feitas pela companhia ao longo do segundo semestre.

O processo de gestão do passivo deve ganhar reforço com a entrada de até R$ 750 milhões no caixa da Movida, em um aumento de capital promovido pela sua controladora, a Simpar, em parceria com o BNDES, na qual cada um irá colocar R$ 375 milhões na companhia, como parte de uma operação mais ampla de até R$ 3,35 bilhões envolvendo a holding e outras subsidiárias. 

O CEO da Movida afirma que os recursos devem ser usados principalmente para o chamado liability management, ou seja, a reorganização e o alongamento das dívidas.

Por outro lado, as despesas financeiras – basicamente o custo da dívida – cresceram 22,3% na comparação anual, chegando a R$ 3,2 bilhões. Isso significa que, embora a empresa esteja ganhando mais com sua operação, uma parte relevante desse ganho ainda é consumida pelo pagamento de juros.

A Movida encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 15,5 bilhões, aumento de 5,5% em relação ao ano anterior, enquanto a dívida bruta chegou a R$ 18,1 bilhões, queda de 5% no mesmo comparativo.

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Com dívidas para vencer, Movida corre contra o tempo e capta R$ 3,5 bilhões

A Movida começou 2026 com um a urgência de atravessar a “muralha” de vencimentos que concentrava dívida no curto prazo — especialmente neste ano.

Em fato relevante divulgado nesta quinta-feira (5), a locadora informou que negociou R$ 3,5 bilhões em captações nos primeiros dois meses de 2026 e, com isso, “concluiu a necessidade de captação de dívidas frente aos vencimentos de 2026”.

Na prática, o movimento funciona como um respiro de liquidez. O cronograma de vencimentos para 2026, que aparecia em R$ 2,72 bilhões antes das operações, cai para R$ 228 milhões após as captações.

O pacote de reforço incluiu uma operação com a IFC, braço do Banco Mundial, no valor de US$ 235 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão), voltada a financiar a renovação de frota com veículos de baixa emissão.

Além disso, a companhia listou outras captações, como debêntures (R$ 400 milhões e R$ 750 milhões), rolagem de dívidas (R$ 750 milhões) e um empréstimo adicional de US$ 67 milhões (cerca de R$ 350 milhões).

Após as operações, seus indicadores chegaram aos melhores níveis em três anos: alavancagem em 2,6 vezes, custo médio em CDI + 1,8% ao ano e prazo médio da dívida em 4,1 anos.

Loja da Movida
Crédito: Movida/Divulgação

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ANS manda Hapvida rever R$ 866 milhões em dados regulatórios; empresa diz que balanço não será afetado

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) negou nesta sexta-feira (5) um recurso da Hapvida e determinou que a operadora revise o balanço regulatório enviado ao órgão, com um ajuste de quase R$ 1 bilhão relacionado ao Programa Desenrola. A decisão envolve a reversão do crédito fiscal reconhecido pela empresa no ano passado após o perdão de uma dívida de R$ 866 milhões com o SUS.

A Hapvida afirmou ao InvestNews que cumprirá integralmente a determinação, mas destacou que o ajuste não afeta as demonstrações financeiras consolidadas elaboradas segundo o IFRS 17, padrão usado para reportes ao mercado.

Segundo a companhia, as alterações exigidas pela ANS dizem respeito exclusivamente ao demonstrativo regulatório ANS-GAP de 2024, que segue metodologia própria e distinta daquela exigida pela CVM.

“Não existe qualquer hipótese de republicação de balanço no âmbito das demonstrações IFRS divulgadas ao mercado”, disse a empresa, reiterando que os efeitos contábeis relevantes “já estão integralmente refletidos” no padrão internacional.

O caso tem origem no acordo firmado no âmbito do Programa Desenrola, que perdoou dívida de R$ 866 milhões da Hapvida com o SUS. Antes da conclusão formal da análise pelo governo, a companhia registrou os efeitos desse benefício no balanço regulatório — movimento que agora levou a ANS a exigir a revisão das demonstrações enviadas à agência.

As ações da Hapvida fecharam com queda de 6,30%, cotadas a R$ 14,57, após terem figurado entre as maiores quedas do Ibovespa no início do pregão. A queda do papel se intensificou na sessão diante da derrocada da Bolsa brasileira na sessão desta sexta.

(Atualização às 15h10: Este texto foi atualizado após esclarecimentos enviados pela Hapvida)

Hapvida sob pressão

O debate desta sexta soma-se a uma derrocada mais longa: nos últimos seis meses, a ação acumula queda de quase 63%, levando o valor de mercado a R$ 7,64 bilhões — menos da metade dos R$ 16 bilhões na época da listagem na Bolsa.

É um retrato da perda de confiança na capacidade da empresa de estabilizar resultados e recuperar previsibilidade. JP Morgan, Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil rebaixaram recentemente a recomendação para o papel.

Em relatório divulgado no fim de novembro, após o balanço do terceiro trimestre, o Itaú BBA descreveu uma companhia enfrentando um curto prazo mais duro, pressionada por rentabilidade menor e visibilidade reduzida para uma virada rápida.

Uma das leituras centrais do banco é que a Hapvida vive uma desconexão entre receita por beneficiário e custo por beneficiário, num contexto de maior utilização e necessidade de investimento para manter qualidade e retenção.

O relatório também destaca que a expansão recente de infraestrutura adicionou custos relevantes. Desde o início do ano, a companhia abriu sete hospitais e 25 unidades ambulatoriais, com cerca de 500 novos leitos — um aumento de capacidade que ainda precisa ganhar tração para diluir os custos fixos.

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Hapvida perto de mínimas históricas com onda de rebaixamentos

As ações da Hapvida estão próximas das mínimas históricas após um resultado abaixo do esperado na semana passada ter desencadeado uma onda de rebaixamentos para a operadora de saúde.

O UBS BB foi o banco mais recente a rebaixar a recomendação da ação esta semana, reduzindo-a de compra para neutra e cortando o preço-alvo de R$ 55 para R$ 21. O resultado abaixo do esperado desencadeou um mergulho de 42% nas ações. Os papéis da empresa registraram a pior sessão da história em 13 de novembro, com a empresa perdendo mais de R$ 7,7 bilhões em valor de mercado desde então.

Analistas de bancos como JPMorgan, Citi, Banco Safra e Banco do Brasil rebaixaram a Hapvida na última semana, após os resultados trimestrais ficarem amplamente abaixo das estimativas, com custos médicos mais altos, maior concorrência e dinâmica de preços pressionando ainda mais as margens. A empresa agora tem sete recomendações de compra e sete de manutenção, com o número de analistas otimistas no nível mais baixo desde que a empresa abriu capital há sete anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. E a perspectiva continua desafiadora.

“A Hapvida apresentou um conjunto muito fraco de resultados no 3T25, ficando bem abaixo do consenso e desencadeando uma forte venda das ações”, afirmou o analista Ricardo Boiati, do Banco Safra, em nota: “A ausência de metas de margem, seja de curto ou longo prazo, deixa o mercado praticamente no escuro quanto ao caminho da recuperação e ao equilíbrio de longo prazo.”

O analista do UBS BB André Salles afirmou que as margens da Hapvida devem permanecer sob pressão nos próximos dois anos devido ao crescimento da base de beneficiários abaixo do esperado e aos modestos aumentos de preços.

O Citi também revisou as estimativas para os próximos dois anos, reduzindo as previsões de lucros em 46% e 40% para 2026 e 2027, respectivamente, ao mesmo tempo em que cortou drasticamente o preço-alvo das ação de R$ 57 para R$ 23.

“A combinação de uma piora na receita líquida no curto prazo e a contínua recuperação de custos e despesas aumentou o risco para nossa tese de margem, que deve levar muito mais tempo para se materializar”, afirmou o analista Leandro Bastos, do Citi, em uma nota aos clientes. O banco rebaixou a recomendação da ação para neutra. “A visibilidade dos resultados permanece próxima de zero neste momento.”

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Amazon busca US$ 12 bilhões em primeira emissão de dívida nos Estados Unidos em três anos

A Amazon está tentando levantar cerca de US$ 12 bilhões por meio de uma emissão de dívida — seu primeiro negócio desse tipo em dólares norte-americanos em cerca de três anos — em meio a uma corrida generalizada no setor para construir infraestrutura de inteligência artificial.

A Amazon está vendendo títulos de grau de investimento em até seis tranches, segundo pessoas com conhecimento do assunto, que pediram anonimato ao discutir detalhes privados. As discussões iniciais de preço para a parte mais longa do acordo, um título de 40 anos, apontam para um prêmio de cerca de 1,15 ponto percentual acima dos Treasuries, acrescentaram as fontes.

Goldman Sachs, JPMorgan Chase & Co. e Morgan Stanley estão coordenando a venda dos títulos. Os recursos da oferta podem ser usados para tudo — de aquisições e investimentos em capital a recompra de ações, disseram as fontes.

A venda desta segunda-feira ocorre após a Alphabet, controladora do Google, ter vendido no início do mês US$ 25 bilhões em títulos nos EUA e na Europa. A Meta Platforms vendeu US$ 30 bilhões em títulos corporativos no mês passado, a maior oferta do tipo no ano. Enquanto isso, a Oracle vendeu US$ 18 bilhões em títulos de alto grau em setembro.

A onda de emissões das empresas de tecnologia ajudou a impulsionar a emissão global para um recorde de mais de US$ 6 trilhões neste ano. O JPMorgan Chase prevê que a nova enxurrada de gastos para financiar investimentos em inteligência artificial levará o mercado de títulos de grau de investimento dos EUA a um recorde de US$ 1,81 trilhão no próximo ano.

A Amazon é a maior fornecedora mundial de computação em nuvem, essencial para alimentar sistemas de inteligência artificial. Assim como suas maiores rivais, a empresa vem investindo pesadamente em data centers e chips para construir e operar modelos de IA capazes de gerar textos ou imagens e automatizar processos. Os investimentos da Amazon em capital subiram 61%, alcançando US$ 34,2 bilhões no terceiro trimestre.

A capacidade energética da rede de data centers da Amazon dobrou desde 2022, e o CEO Andy Jassy afirmou que espera que ela dobre novamente até 2027. No início deste mês, a unidade de nuvem da empresa assinou um acordo de US$ 38 bilhões para fornecer à OpenAI acesso a centenas de milhares de GPUs da Nvidia como parte de um contrato de computação de sete anos.

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Família Pinheiro redesenha rumos da Hapvida após megafusão com a NotreDame Intermédica

Ao longo dos últimos meses a Hapvida vem executando o maior investimento de sua história: R$ 2 bilhões até 2026 para erguer dez hospitais em sete capitais, além de clínicas, laboratórios e unidades de pronto atendimento próprias. A aposta é clara: reforçar o modelo verticalizado para conter custos e tentar recuperar fôlego em um setor pressionado por dívidas, regulação e margens em queda.

Hoje, a empresa controlada pela família Pinheiro atende quase 15 milhões de beneficiários de planos de saúde, o que lhe confere o título de maior operadora de saúde e segunda maior de odontologia do país. Com faturamento anual superior a R$ 29 bilhões e lucro líquido de R$ 1,8 bilhão em 2024, a Hapvida ainda se destaca pelo modelo verticalizado: além de vender planos, é dona de boa parte da rede que presta os serviços, dos hospitais às clínicas, passando por laboratórios e centros de diagnóstico.

“Esse modelo foi sendo aprimorado ao longo do tempo, e a Hapvida compreende que a estrutura integrada conecta toda a experiência do paciente, desde procedimentos de menor complexidade até exames e hospitalizações, por meio de um sistema único e integrado. Essa abordagem permite maior eficiência operacional, reforço dos programas de prevenção e padronização de procedimentos e práticas médicas”, afirma o CEO da companhia Jorge Pinheiro, que respondeu a algumas das perguntas enviadas pelo InvestNews por e-mail.

Dos R$ 2 bilhões em investimentos anunciados mais recentemente, metade será voltada para a cidade de São Paulo e região metropolitana. O objetivo do grupo é ganhar mercado em planos de tíquetes maiores na cidade. Mais do que isso, a empresa também busca mostrar que pode crescer sua rede sem precisar de novas grandes fusões e aquisições.

O marco da fusão

Um grande divisor de águas para a Hapvida veio em 2022, com a fusão com a NotreDame Intermédica. A operação criou uma companhia responsável por cerca de 20% de todos os beneficiários de planos de saúde do país. Para a família Pinheiro, foi a chance de expandir a presença nacional e ganhar acesso ao maior mercado do setor, o Sudeste.

Mas o crescimento trouxe dores. A integração entre as duas empresas foi mais lenta e cara do que o previsto. As sinergias financeiras demoraram a aparecer, enquanto os custos administrativos aumentaram. A isso se somaram problemas estruturais do próprio setor: alta sinistralidade, custos hospitalares em elevação, juros elevados e um mercado de planos de saúde que já não cresce como no passado.

Da elite ao mercado de massa

A trajetória da família Pinheiro ajuda a entender esse modelo de expansão. Depois de fundar o Hospital Antônio Prudente em Fortaleza, em 1979, o oncologista Candido Pinheiro Koren de Lima percebeu nos anos 1990 que a sobrevivência do negócio dependia de ter seu próprio plano de saúde. Assim nasceu a Hapvida Assistência Médica, inicialmente voltada a pacientes do hospital.

Na virada dos anos 2000, sob o comando do filho Jorge Pinheiro, a companhia deu uma guinada ao mirar nas classes C e D — um público que até então não era o foco das grandes operadoras. A estratégia de preços mais acessíveis impulsionou a expansão, especialmente no Norte e Nordeste, e abriu caminho para a abertura de capital em 2018, quando a empresa captou R$ 3,4 bilhões.

Crises recentes e pressão judicial

Apesar do crescimento, a Hapvida enfrentou anos turbulentos após a fusão. Em 2023, precisou vender imóveis para a própria família Pinheiro e realizar uma oferta de ações que levantou mais de R$ 1 bilhão para reduzir dívidas. Mesmo assim, seu valor de mercado despencou: de mais de R$ 100 bilhões (somando Hapvida e NotreDame Intermédica) na época do anúncio da fusão para cerca de R$ 16 bilhões em 2025.

Outro desafio veio do aumento de processos judiciais. Mudanças no rol de procedimentos obrigatórios pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 2022 ampliaram as contestações de beneficiários. Em 2024, a Hapvida foi alvo de inquérito do Ministério Público de São Paulo, acusada de descumprir decisões judiciais sobre tratamentos e fornecimento de medicamentos — acusações que a empresa negou. Neste ano, conseguiu um acordo para reduzir multas devidas à ANS e ao SUS, diminuindo parte de seus passivos.

O futuro sob o controle da família

Com o setor cada vez mais consolidado e competitivo, a Hapvida aposta em reforçar a verticalização e na proximidade da família fundadora com as decisões estratégicas. A presença do fundador Candido Pinheiro, de seu filho Jorge — atual presidente — e de seu outro filho Cândido Júnior no conselho mantém a gestão sob forte influência familiar, num modelo que mistura tradição e centralização.

A questão que se coloca agora é se a mesma fórmula que garantiu expansão acelerada será suficiente para atravessar um cenário de maior judicialização e limites de crescimento.

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Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

chart visualization

Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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